Capítulo 26

Ouviu-se um toque na porta, que fez Freya erguer os olhos de seu livro e se atentar a irmã mais velha que logo foi entrando em seu quarto. Fechou e apoiou sobre o colo o encapado de couro e aguardou por Hilda que já sentava-se a seu lado na cama.

- Pensei que já estivesse adormecida a uma hora dessas. - Comentou - Não consegue dormir?

- Na verdade, ainda não fui tentar pegar no sono. Vim ver você, faz um tempo que não conversamos como geralmente fazemos.

- Tem razão, Asgard tem te ocupado muito a mente e o tempo, não é?

- Sim, trazer recursos podia ser tão mais fácil se nosso povo deixasse um pouquinho só o saudosismo de lado e aceitasse melhor o que os continentes modernos tem a nos oferecer. - Hilda sorriu - Mas com as graças do nosso pai, parte dos problemas já se solucionou. Pelo menos agora poderei ver minha sobrinha mais vezes, mal tenho ido visita-la. - Acarinhou alguns dos cachos louros da irmã - E como Adelle está? Sei que amanhã é o exame dela e o do Hyoga, não é?

- Sim, é amanhã. Felizmente só o que resta agora é coletar o sangue deles, já que os empecilhos com o hospital suíço já se resolveram.

- Isso é ótimo. - Sorriu brevemente - ...Mas ainda assim vejo que você não está tão segura quanto deveria. - Hilda deitava seu olhar acentuado para o cenho franzido que Freya ainda exibia, sua principal característica de aflição - O que te preocupa desta vez?

A moça de olhos verdes soltou um suspiro longo e pesado, movendo os ombros e baixando os olhos para suas mãos inquietas sobre a capa do livro.

- Bom, é que esta é a única chance de Adelle. Se não for Hyoga, quem será? E sendo o pai, ele terá as mesmas chances que eu tive de ser compatível, eu temo muito que a sorte dele seja a mesma que a minha.

Afável como era, Hilda massageou o ombro e o braço de sua irmã suavemente, e esboçou um sorriso caloroso demonstrando todo o seu otimismo.

- Tenhamos fé de que os deuses recompensarão Hugo pelo seu esforço digno de um asgardiano, permitindo que a irmã se cure.

- Sim, procuro acreditar nisso também. Mas é impossível para a minha fé não se abalar quando eu vou àquele hospital todos os dias e vejo tudo aquilo ocorrer com a minha filha... - Dizia chorosa, mas firme - ...Minha doce Adelle, cada dia seu próprio corpo a consome num padecimento que parece indomável. Eu não sei se posso suportar isso por muito tempo. - Afundou os dedos na franja já sentindo seus olhos arderem, mas Hilda foi mais rápida em conforta-la levando com leveza a mão dos ombros para suas costas, continuando a massagem.

- Da mesma forma que um dia você também viu Asgard quase sucumbir-se mar abaixo junto com a minha sensatez, mas daquela vez nada te fez fraquejar em buscar as chances de mudar aquele quadro. E veja... - Posicionando o queixo da irmã com o indicador, ergueu a mirada dela para a sua - Você as conseguiu, e inclusive com a mesma pessoa com quem busca novas chances agora! - Hilda sorriu, ao tempo que sua mão desceu do rosto a encontro da mão da caçula - Veja só como a vida é, veja só as voltas que deu. Tenha esperança que estas voltas todas serão benéficas, como tudo foi lá atrás; apesar de todos os duros acontecimentos, tudo se resolveu.

- Benéficas, é? - Freya pareceu desdenhar da palavra, o que fez Hilda estranhar seu tom.

- Não acha que seja bom que Hyoga tenha vindo tentar o transplante?

Freya deu os ombros.

- Não sei Hilda, confesso que não sei. - Disse em baixo tom, e reergueu seu fitar para a irmã - Quero dizer, em relação ao transplante é ótimo, porém jamais as coisas se resumirão apenas a isso. - Os olhos baixaram-se novamente - Você precisava ver Adelle quando os dois se encontraram, eu nunca vi minha menina ficar tão feliz a ponto de chorar tanto como ela chorou, e de passar os dias seguintes rindo sem motivo como ela ri, mesmo naquele estado deplorável. E Hugo... ele que por tanto negou a ideia de um pai, agora emana uma radiosidade imensurável, seja em seu olhar, seus abraços, seus gestos, tudo após Hyoga estar presente. Eles amam o pai, Hilda, e Hyoga os ama tanto quanto, mesmo sabendo deles a tão pouco tempo, ele não tem pudor algum em mostrar que fará qualquer coisa por eles. - Os olhos se levantaram novamente - ...Hoje ele me pediu, em prol das crianças, para nos aproximarmos mais, para que sejamos amigos. Ele vai querer ficar, por eles...

- E há algum problema nisso? - Hilda a indagou séria.

- Você acha que não há, irmã? - O tom dela excedeu-se muito levemente, mas o suficiente para exibir a Hilda um desgosto que tornara-se comum nas palavras dela, sempre que o assunto fosse o pai de seus filhos. Freya desceu seu olhar para a capa do livro sobre seu colo - Claro que há...

Hilda adquiriu uma postura séria, e uma expressão desafiadora despontou em seus olhos púrpuros.

- Não sei se acho, Freya, pois é engraçado: em momento algum Hugo nos relatou algo que pudesse te-lo impedido de trazer o pai para cá. Aliás, chega a ser demasiado estranho ele ter tido tanta facilidade em convencer Hyoga a deixar sua vida no Japão e vir atender a complexa necessidade de Adelle, não é? - O tom de Hilda adquiriu uma uma espécie de ironia - Uma vida tão preciosa como a dele...

E tão direto quanto este comentário, foi a resposta um tanto ríspida de Freya, que havia entendido onde a irmã havia chegado.

- É isso que me preocupa. Se Hugo tivesse algum problema que o impedisse de trazer Hyoga, ele jamais me contaria. Sei bem que ele detesta me preocupar, não muito por acaso preferiu erroneamente viajar escondido de mim.

- E isso ele herdou de você, com certeza. Detesta trazer problemas para aqueles que ama. Mas assim como você, Hugo também não é muito bom em esconder seus sentimentos, e ele não conseguiu disfarçar muito bem a culpa de ter fugido, não lembra? Você mesma me relatou que ele lhe pediu perdão inúmeras vezes por isso.

- Sim, mas...

- Mas em momento algum ele demonstrou culpa por ter possivelmente causado problemas com o pai no Japão, ou... com qualquer outra pessoa próxima a ele... Será que havia alguém para causar problemas?

Freya nunca antes teve tanta noção do porquê sua irmã estava á frente de Asgard. Em toda a sua sabedoria, Hilda havia levantado um ponto importante que não havia cogitando antes, e do qual ela não conseguiu discordar. Era de fato possível que nada impedisse Hugo de trazer Hyoga para o país. Não havia problema algum para com que se preocupar.

Mas... e Eiri? E o filho deles? Eles seriam sem duvidas o maior dos empecilhos para os planos de seu filho em fazer o pai salvar a irmã. Por que não foram? Era irretocavelmente intrigante que esta historia toda os fazia parecer tão distantes dele quanto Hugo e Adelle jamais foram.

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Silêncio.

Era o que mais desejara durante a noite nestas longas e numerosas semanas. E agora, nesta madrugada, o tinha, intacto, nem um zumbido sequer. Mas este silencio parecia mais ensurdecedor que os gritos que antes tomavam a noite e seu sono. Mirou o lado vazio da cama e passou a mão sobre o colchão. Ela não estava ali, mas conseguia com perfeição vê-la numa contemplação ao horizonte que só terminaria quando o sol raiasse, sentada na veneziana da janela no quarto que fora do filho amado. Durante últimos dias ela passava todas as madrugadas assim, imóvel, e não havia quem a tirasse dali, nem ele. O caos em seus sonhos era tamanho que para Eiri, dormir tornara-se um campo de tortura. Portanto ela não dormia mais.

Mas os poderes divinos da discórdia eram mais fortes que o suficiente para continuar a atormentá-la mesmo que acordada.

...

A manhã surgiu, porém o sol parecia tímido. Hyoga caminhou pelo corredor, e através da porta semi-aberta a viu, ainda sentada na janela do cômodo vazio. A esperança de vê-la recuperada o fizera vender e doar todos os pertences de Luka, mas quando a tormenta está no fundo da alma, eliminar pertences valorizados sentimentalmente era tão útil quanto manter-se com os braços cruzados.

Entrou, e se aproximou, pousando as mãos em cada ombro dela, e um beijo foi deixado na nuca.

- Vou até a mansão, pode ser? - Ele avisou, remexendo os cabelos que antes tinham um lindo ondulado, isso quando estavam trançados. Mas agora, pela falta de cuidados, não tinham forma alguma.

Eiri nem ao menos se moveu.

Hyoga deu as costas e saiu. Respirou fundo, pelo menos duas vezes, e seguiu o caminho da rua. Aquela indiferença hipnótica feria mais do que ser apunhalado por estalactites de gelo.

Sem muita demora, chegou a casa de Saori e Seiya. Seu caminhar tinha pressa, pois era insuportável ficar naquela casa, e guardar dentro de si esta angustia. E como era de costume, sua enérgica sobrinha de cabelinhos castanhos parou sua brincadeira no jardim e correu até ele enquanto gritava euforicamente.

- Oi querida. - O louro limitou-se a cumprimentar Sayuri com um beijo em sua bochecha gordinha. Queria muito ter agora o animo que sempre tinha para ela.

- Hyoga, estou surpresa. - Saori chegou, sorrindo enquanto ajeitava os cabelos lavanda que já ultrapassavam os ombros.

- É, eu vim ver vocês. - Forçou um sorriso.

- Isso é ótimo. Pois então venha, vamos entrar. - Saori apanhou a filha no colo, e Hyoga as seguiu.

- Tatsumi! - Chamou ela, e o fiel mordomo logo aproximou-se - Por favor, leve a Sayuri para o quarto dela, vou falar com Hyoga agora.

Tatsumi prontamente obedeceu, apanhando e levando em seus braços a filha de sua patroa. Sayuri exibia uma expressão de que não gostava daquilo.

Mas continuaram seguindo, e Saori o levou até uma das muitas salas da mansão. Sentaram-se, e ela o deitou uma mirada que denunciava-lhe que ela encontrara algo suspeito em seu semblante. Ela sempre fazia isso.

- Vejo perfeitamente em seu rosto o que o trouxe aqui, especialmente em suas olheiras. - Ela passou o polegar embaixo dos olhos dele - As coisas ainda não estão fáceis em casa, não é?

O louro deu os ombros, não havia o que negar.

- Eiri... ela só piora a cada dia.

- O que acontece? Qual é o estado dela?

Hyoga baixou os olhos para o piso, deixando o desgosto transbordar.

- Ouvir uma unica palavra dela por dia é muito, o único som que ouço ela pronunciar é o de soluços enquanto ela toma banho. Ela nem olha mais para mim, a catatonia já a atingiu.

Saori se sentou ao lado dele agora e o massageou os ombros, numa tentativa de confortar que ela sabia ser inútil.

- Tenho sido forte de uma forma que eu nunca fui antes, mais do que realmente consigo ser, mas não sei isso irá durar por muito tempo. - Continuou - Eu quero muito amenizar a dor dela, mas... Luka também era meu filho... - Ele então ergueu os olhos, que já marejavam - Eu também o amo e tenho saudade dele, eu também estou de luto. Eu também preciso que alguém seja forte para mim.

- Eu compreendo. - Os afagos agora foram para a nuca, ao fazer os dedos passearem pelas madeixas louras, enquanto ele deixava a cabeça no colo dela. E o choro dele transbordou abundante, chegando a umedecer o tecido do vestido.

- Estão a levando, Saori, e eu não consigo defende-la. Justo eu, um Cavaleiro, não consegue proteger a própria mulher do padecimento, do... - Hyoga a mirou de baixo seriamente - ...do caos.

- Éris. - Saori concluiu imediatamente - Tem certeza?

- Antes de desistir de dormir, Eiri tinha pesadelos terríveis. O pomo, mortes, visões dignas do Tártaro. Saori... por favor, me diga que há como salva-la disso.

A jovem Atena continuou a acarinhar os cabelos dele, porém agora havia mais tristeza em seu toque

- Existe, mas depende inteiramente de Eiri, mais especificamente de sua força.

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- Posso ser o primeiro? - Hyoga perguntou a enfermeira, após perceber a expressão repulsiva que se formava nas feições de Adelle, enquanto esta via a seringa se erguer para seu braço. A enfermeira consentiu; apanhando o braço dele, a moça o preparou para logo inserir-lhe a agulha na junta, e esta foi sugando-lhe uma quantidade considerável de sangue. E em pouco a jovem assistente estancou o sangramento e armazenou o sangue coletado num frasco pequeno, que por sua vez foi colocado numa caixa apropriada.

- Está com medo? - Ele sussurrou para a filha, vendo a moça dirigir-se novamente a ela agora. E a menina negou com a cabeça, embora ainda não tivesse certeza. Mesmo que já passasse por este procedimento pela terceira vez, Adelle ainda sentia um pouco de medo daquela enorme seringa. Mas assim que a moça aprontou-lhe o braço para inserir a mesma, Hyoga apanhou seu pulso e carinhosamente massageou-o com o polegar; e em seu rosto surgia um sorriso tão cálido quanto seu toque, lhe transpondo uma segurança imensa. Antes que pudesse se preparar para sentir a dor da agulhada, a assistente médica já rosqueava o pequeno frasco que armazenava seu sangue.

E Adelle então respondeu ao sorriso de seu pai, tão idêntico ao seu.

...

Num súbito e até mesmo assustado movimento, ergueu-se da cadeira e voltou sua atenção para a porta, onde logo sua irmã surgiu correndo para seus braços assim que o viu. Hugo apertou seu abraço cheio de saudades e ouviu sua irmão grunhir baixinho.

- Me desculpe. - Ele choramingou quando a soltou.

- Está tudo bem, fui eu quem apertou demais o abraço, esquecendo que meu braço está dolorido. Veja só, tiveram que enfaixar a junta toda. - Adelle afirmou, esticando o braço que tinha ataduras que davam voltas no encontro entre o antebraço e o braço.

- De fato as seringas aqui causam um ferimento meio feio. - Observou então Hyoga, pouco depois de chegar ao quarto e sentar-se com os gêmeos, após ouvir os comentários deles. Ele possuía o mesmo curativo que Adelle, no mesmo local do mesmo braço.

- Sim, chega a cicatrizar, veja só. - A garota esticou o braço oposto ao do curativo, exibindo uma pequena cicatriz circular - Essa foi quando fiz o exame com a mamãe, bem que podiam ser aquelas de picadinhas. - Até mesmo durante uma suposta reclamação, Adelle transpunha certa doçura.

- Mas será por pouco tempo, querida.

- Com as graças de Odin, será. - O comentário de Hyoga foi complementado pela voz carregada de alegria que se adentrava o quarto, e com os olhos arregalados, Adelle correu de braços abertos até a tia que chegara, acompanhada de sua mãe.

- Tia Hildaaaaa! - Ela gritou quando se jogou no abraço dela e a envolveu pelo pescoço.

- Como vai a florzinha do inverno de quem eu tanto senti falta? - Indagou após beijar a bochecha da sobrinha.

- Melhor agora com a sua visita! Você chegou agora?

- Sim minha princesinha. - Hilda sorria, erguendo-se e deixando seu polegar acarinhas as maçãs da menina de olhos verdes - Peço perdão por não vir mais vezes, porém eu não podia faltar no dia em que a busca massiva pela sua cura se iniciasse. - Adentrou mais ao quarto e sentou a pequena mesa junto de Hugo e Hyoga - Está esperançosa, Adelle?

- Já consigo me ver acordando após a minha cirurgia. - Soltou um riso eufórico.

- E eu já consigo ver os cabelos crescendo e ficando mais longos que antes. - Hugo tinha o tom mais tranquilo, porém seu sorriso era tão animado quanto o de sua irmã. Hilda e Adelle riram e a mulher concordou num aceno. Ainda mais afastada, Freya riu também, igual a eles. Hyoga observou isto tão irretocável que atentou-se pouco a conversa das crianças com a tia.

- Falando em cabelos longos, vejam o que eu trouxe. - Hilda voltou a dizer, tirando algo de uma cesta trazida por ela, que logo revelou-se sendo uma espécie de livro um tanto grande e de capa marrom, grossa e rígida. Logo Adelle e Hugo cresceram suas iris esmeralda sobre aquilo que logo reconheceram.

- Olha, faz tanto tempo!

- Faz sim. - Adelle respondeu ao irmão - Abre pro papai nos ver pequenos.

- Como assim? - Hyoga contraiu as sobrancelhas, e em resposta Hugo simplesmente postou o álbum no centro da mesa e o abriu, exibiu-lhe as fotografias um tanto antigas, mas ainda bem nítidas - Mas, olha isso... - Exclamou admirado, atento as figuras. Ele sorriu bobo, e a vista contornava os dois bebês aparentemente recém-nascidos, embrulhados num só manto, debruçados e aquecidos precavidamente ao tórax da jovem mãe. E na foto, Freya parecia tão radiante quanto, a luz em seus olhos e seu sorriso mostrava perfeitamente isso. Pareciam tão serenos, cálidos um nos braços dos outros; isso fez Hyoga desejar ardentemente ter estado ali naquele instante, recebe-los no mundo, queria tanto ter partilhado deste calor.

Seguiu folheando avidamente, foto por foto, vendo todo o crescimento de seus filhos passar pelos seus olhos; viu-os completar um, dois, quatro anos de idade, e notava que quando bebê, Hugo era muito mais parecido com Freya do que hoje. Somente ao passar a fotos é que via todas as heranças físicas que deixara para ele só conseguiram deflorar com o passar o tempo. Já Adelle nunca deixou de se assemelhar a Freya, tanto que ela e o irmão pareciam gêmeos idênticos quando recém-nascidos. Eram lindos bebês, e em quase todas as fotos eles riam muito, e Freya ria também junto deles. Os três deveriam ter sido muito felizes nestes tempos, e isso o confortava, Hyoga ficava extremamente aliviado em saber que a vida fora muito mais doce e tranquila para seus filhos, diferente de como fora para ele.

- Queria ter estado aqui... - Confessou, distante, sem desvincular os olhos das imagens. Só teve ainda mais certeza que teria sido muito mais feliz ao lado deles. Freya - que agora estava mais próxima da mesa, também contemplando as fotos - não pôde deixar de sentir um fio de culpa no coração ao ouvi-lo.

- Bem, as crianças tem apenas nove anos. Terão muito ainda a viver e você ganhará mais do que perdeu, Hyoga. Não concorda Freya? - A moça de cabelos prata levantou seu olhar para a irmã caçula, que não respondeu de imediato. "Você sabe que ele merece uma chance, assim como seus filhos", ela lia nos olhos da governante.

- Claro, sem dúvida, não é crianças? - Era mais viável jogar a questão para eles, Adelle e Hugo certamente teriam muito mais segurança para dar uma resposta, afinal, eles assumidamente amavam Hyoga.

- Acho que não é muito necessário responder. - Adelle afirmou, com um sorriso largo para o pai.

Mas Hyoga fitava Freya agora, esboçando um sorriso para ela que gradativamente se alargava e se iluminava.