Twilight e seus personagens não me pertencem, assim como o Romance aqui citado. Todos os créditos a Stephenie Meyer e Rosemary Roger. Mas, a Bella depressiva e o Edward hiper romântico e compreensivo sim… respeite isso.
CAPÍTULO 19 – FANTASMAS - Parte I
Bella Cullen
Edward e eu tivemos a manhã de folga e pela tarde eu comecei a gravar com Alice. Era tão divertido que eu quase esqueci a preocupação com as cenas que viriam a seguir.
Alice é incrivelmente talentosa como atriz, mas nenhum talento superaria sua obsessão por criar roupas. Nisso ela era e sempre seria a melhor.
Não precisamos de mais que dois dias para finalizar as cenas entre Alice e eu, mas foram dois dias muito longos.
Edward estava gravando algumas externas ao mesmo tempo que eu trabalhava em um estúdio improvisado e só nos encontrávamos a noite, quando estávamos tão cansados que mal conseguíamos ficar acordados durante o jantar.
Com a finalização dos meus trabalhos com Alice, tudo o que faltava para o fim das gravações do filme era algumas cenas com Edward. Eu deveria achar que essas cenas seriam as melhores e mais fácies de gravar, mas eu sabia que na verdade, elas seriam as mais difíceis e provavelmente eu teria que repeti-las inúmeras vezes, o que só faria tudo pior.
Eu não sei como, mas, Edward conseguir convencer John que seria melhor deixarmos a cena do estupro pro final. Eu sabia o que ele estava tentando fazer e ficava agradecida por isso, mas ao mesmo tempo tinha receio que alguém quisesse saber o motivo por trás desse pedido.
- Eu não vejo problema algum... Mas acho que as cenas seguintes teriam mais emoção se já tivéssemos filmado essa... quero dizer, eu acho que Bella se conectaria de forma mais intensa com o sofrimento de Virginia assim. – John disse quando nos chamou para explicar o que ele pretendia de agora em diante.
Eu poderia dizer que eu não precisava gravar a cena pra compartilhar do mesmo desespero, afinal, eu sabia muito bem como alguém nessa situação se sentiria, mas não estava disposta a contar isso a John, então apenas continuei em silencio.
- É uma cena pesada, e que provavelmente precisará ser repetida algumas vezes, certamente será desgastante física e mentalmente, o meu medo é que essa exaustão atrapalhe no andamento das próximas cenas. – Edward disse fingindo total indiferença.
- O que você acha, Bella? – John me perguntou ponderando o que Edward havia dito.
- Honestamente, eu não sei... – disse sinceramente.
Eu sabia que eu provavelmente não renderia mais nada depois dessa cena, mas continuar prolongando a espera por ela estava me deixando tão nervosa quanto falar sobre... Jacob e seus amigos.
- Talvez Edward tenha razão... mas eu não tenho uma opinião. O que decidirem pra mim estará bom.
Por fim, John chegou à conclusão que essa poderia ser sim, a ultima cena e como ele considerava essa a cena de mais impacto no filme, ele gostaria de ter mais tempo para trabalhar nela, até que ficasse perfeita.
Eu também gostaria que a cena ficasse perfeita, mas acho realmente difícil que eu conseguisse isso e estava com muito medo de acabar pondo tudo a perder quando o dia de gravarmos chegasse.
Mesmo tendo adiado o pior para o final, todas as cenas com Edward eram absurdamente difíceis e cansativas emocionalmente.
Era tão diferente do relacionamento que tínhamos e eu praticamente não o reconhecia em cena.
De certa forma, isso era bom, mas por outro lado eu comecei a voltar a ter os pesadelos que me assombravam constantemente, não é como se eles tivessem parado completamente, mas a freqüência com que eles apareciam tinha diminuído e muito, principalmente quando eu dormia nos braços de Edward, mas agora, não tinha uma noite se quer em que eu não despertasse ofegante e aos gritos.
Edward estava tão exausto quanto eu. E eu podia ver em seus olhos que ele não sabia muito bem como agir comigo.
Eu senti que estava me afastando dele.
Não porque eu quisesse, mas era insuportável ver o seu olhar de compaixão todas às vezes em que eu o acordava depois de um pesadelo.
Eu cheguei a pedir que ele voltasse a dormir em seu quarto, um andar acima do meu, mas ele se negou, então eu relia o roteiro inúmeras vezes após jantar, enquanto ele inevitavelmente caia no sono, dando a ele algumas horas de descanso até que eu surtasse novamente.
Alice precisou voltar pra LA alguns dias antes do final das gravações. Ela precisava terminar os últimos preparativos para o lançamento de sua nova coleção e eu sabia que ela estava morrendo de saudade de Jasper.
Edward e eu seguimos nossa rotina. Colegas de elenco de dia e marido e esposa a noite. Infelizmente nós não tivemos nenhum momento de maior intimidade desde a festa de despedida de James e Victoria.
Eu queria. Mas, Edward parecia estar com medo de me tocar.
Eu chorei algumas noites por isso, querendo ser normal e dar a Edward tudo o que ele queria e precisava. É claro que nunca deixei que ele presenciasse isso. Ou seria bem capaz de ele resolver fazer amor comigo apenas para me acalmar.
...
Edward e eu entramos em um set alugado para gravarmos a mesma cena que representamos no dia do meu teste.
Foi sem duvida a cena mais difícil até aqui.
Eu sabia que era apenas uma cena, mas ter que esfaqueá-lo, mesmo que de mentira, foi muito difícil para mim. Bem mais difícil do que vê-lo rasgando meu figurino e alguns figurantes tacando moedas em minha direção enquanto pronunciavam as palavras mais baixas possíveis.
Edward estava tão preocupado com essa cena quanto a que gravaríamos no dia seguinte, mas ela não me assombrava.
Eu não tinha nenhuma lembrança sobre ser "leiloada", então era fácil discernir a ficção da realidade.
Eu precisei sussurrar em seu ouvido inúmeras vezes que eu estava bem, e ainda sim, precisamos repetir a cena tantas vezes que John parecia estar perto de perder a paciência.
- Vamos fazer uma pausa. – Ele gritou depois da nossa 6ª tentativa.
- Algum problema, Edward? – John perguntou baixo quando nos aproximamos dele.
- Desculpe. – Edward pediu com as mãos ao lado do corpo tão apertadas que eu precisei me segurar para não tocá-las e acalmá-lo um pouco. – eu apenas não estou conseguindo me concentrar.
- Por que nós não ensaiamos? – eu disse gentilmente.
- Eu acho uma ótima idéia. – John disse. – E acho que temos gente demais nesse set.
Depois de metade da equipe ter se retirado.
Decidimos continuar as gravações, mesmo sem ensaio. Edward me disse que não precisamos prolongar isso e que ele acertaria da próxima vez.
Eu quis abraçá-lo, mas não podia. Então, eu apenas passei minha mão displicentemente por seu braço e sorri pra ele.
Eu esperava que tivesse sido um sorriso de confiança, mas a verdade é que eu estava começando a ficar tão nervosa quanto ele.
Finalmente depois de mais algumas tentativas, conseguimos finalizar a cena e John nos liberou depois de passar o cronograma do dia seguinte.
Se tudo ocorresse como o planejado seria nosso ultimo dia de gravação.
Seguimos em direção ao hotel e Edward sugeriu que jantássemos no restaurante do hotel ou talvez que saíssemos.
Honestamente, eu não tinha apetite nenhum e duvidava muito que Edward tivesse. E, eu tinha chegado à conclusão, durante o nosso caminho, incomodamente silencioso, de volta ao hotel, que se faríamos a cena que mais me amedrontava no dia seguinte, nós precisaríamos conversar antes.
Edward Cullen
Toda aquela situação era muito mais complicada do que poderia pensar. Eu não conseguia me desligar da idéia de que, a qualquer momento, teria de ser violento com Bella.
Se fosse em qualquer outra situação ou com qualquer outra pessoa, as cenas já teriam sido tensas para mim. Sendo com Bella, minha preocupação se multiplicava por mil. Eu não podia e não queria fazer nada que pudesse magoá-la e sabia muito bem como tudo aquilo era assustador para ela.
Por algumas vezes, cheguei a pensar se não seria melhor que não fosse eu ali, naquela cena, mas, pensar em ver Bella com qualquer outro homem, ainda mais numa situação como aquela, me deixava completamente alucinado. E, por outro lado, também sabia que ela precisava de mim ali, ao seu lado, para suportar reviver aquilo tudo.
Eu sabia que ela estava tão nervosa quanto eu, apesar de tentar transparecer calma, possivelmente por ter percebido a minha falta de concentração e nervosismo, mas eu a conhecia mais do que a mim mesmo e sabia que por trás daquele sorriso que tinha a intenção de passar confiança, existia medo e provavelmente muito mais nervosismo do que eu seria capaz de suportar.
Por muitas noites eu acordei com suas lágrimas em meio a pesadelos. Pesadelos que ela não compartilhava, mas, que eu sabia muito bem o conteúdo, e eu, mais do que ninguém, queria ser capaz de apagar aquela dor que ela sentia.
E, muito por causa disso eu a via se afastando de mim, o que me deixava furioso e desesperado.
Eu queria que pudéssemos simplesmente falar sobre isso e passar por cima, mas eu sabia que era muito mais complicado do que isso. Mesmo que conseguíssemos conversar sobre tudo o que estávamos sentindo, nunca conseguiríamos passar por cima desses sentimentos, como se eles não nos dominassem, como estava acontecendo agora.
Isso estava me corroendo. Eu me sentia culpado por não ser bom o suficiente para fazê-la esquecer tudo o que aconteceu, culpado por algumas vezes ter forçados certas lembranças e culpado por não conseguir esquecer minha frustração e nervosismo e não a estar apoiando como deveria.
Eu sabia que não era perfeito, e que, por muitas vezes, eu a assustei com meu comportamento um tanto quanto rude na cama, mas, tudo o que fiz, era porque tinha a certeza absoluta que seria tão proveitoso para ela quanto era para mim.
Eu conseguia sentir seu medo aumentando à medida que os dias passavam, e que a data da filmagem do estupro se aproximava. Havia toda a tensão por todas as lembranças que eu sentia cada vez mais fortes em sua mente, e, naquele momento, nem a minha presença a acalmava.
Eu me sentia completamente impotente quanto aquilo.
O nosso ultimo dia, antes da cena em que eu sabia que todas as lembranças de Bella viriam à tona, chegou e eu continuava sem saber como eu poderia ajudá-la no dia seguinte.
Para ser bem sincero, eu mal conseguia me concentrar na cena que fazíamos. Era tudo emocionalmente desgastante demais. Era uma cena mais pesada que a outra, e quando chegou o momento em que tínhamos que gravar a cena que fizemos no seu teste para o filme, eu simplesmente não conseguia pensar, com clareza, em nada que não fosse Bella e o maldito Black.
Era muito mais intenso do que quando fizemos o teste, naquela época eu ainda não sabia de nada do que havia acontecido e também não tínhamos gravado cenas em que eu tivesse que fingir que a batia e tratá-la da pior forma que um homem pode tratar uma mulher.
Eu sabia que era apenas cenas de um filme e que não eram reais, mas eu estava absurdamente apavorado, que de alguma forma, Bella associasse as minhas ações em cenas com as ações dos monstros que a violentaram e a forma como ela estava se afastando a cada dia de mim, só fazia com que meu medo aumentasse.
Eu nem mesmo consegui tocá-la mais. E eu sabia que isso a frustrava, talvez não tanto quanto a mim. Mas, eu simplesmente não podia correr o risco de desencadear uma nova crise. Eu já havia lidado com algumas, mas algo me dizia que não seria da mesma forma e eu não sabia se somente a minha presença seria o suficiente.
Voltamos para o hotel com um silencio horrível entre nós e eu sabia, pela forma como Bella se remexia em seu lugar, que ela não estava confortável com a forma como estávamos lidando com isso.
Eu tentei fazer com que a tensão que nos rodeava desaparecesse sugerindo que saíssemos pra jantar, mas Bella não aceitou.
Caminhamos afastado um do outro, e eu podia sentir minha mão coçando para pegar na dela, até o elevador.
Descemos em seu andar e seguimos em direção a suíte de Bella, como fazíamos todas as noites desde que eu havia confrontado Aro. Mesmo Bella, depois da volta dos pesadelos, ter insistido que eu voltasse para minha suíte, eu permaneci ao seu lado todas as noites e só me sentia frustrado por não ser capaz de arrancar a dor que eu sabia que ela sentia, e não por não ter uma boa noite de sono, como ela acreditava.
- Edward... – ela começou a falar, com a voz um pouco arrastada, depois de eu ter fechado a porta da suíte. – eu acho... – ela fechou os olhos e pressionou com uma de suas mãos suas têmporas. – eu acho que precisamos conversar... O que aconteceu hoje?
Eu desviei o meu olhar.
Eu me sentia angustiado com aquela pergunta, porque, por um lado, queria poder compartilhar aquele turbilhão de sentimentos que passavam por mim com alguém, só que eu não podia fazer isso tão simplesmente, e por outro lado, não queria magoá-la mostrando o quão confuso e angustiado eu estava, porque, eu sabia que ela se culparia pelo meu pseudo sofrimento.
- Bella eu... eu, não sei - Me joguei pesadamente na cama, cobrindo meu rosto com as mãos - está tudo tão confuso, porque, porra, eu não consigo simplesmente levantar a mão para você sem me sentir fudidamente mal por isso, mesmo sendo uma cena.
Ela ficou parada me olhando com uma expressão de surpresa provavelmente causada pelo meu uso repentino de dois palavrões em uma resposta, ou talvez porque não esperasse a minha sinceridade.
- Eu não consigo olhar pra você ali e esquecer que é você, a minha Bella, a minha esposa que está sendo exposta e que está sofrendo. Eu quero proteger você, até mesmo nas cenas que fazemos, entende?
Bella se sentou ao meu lado na cama e levou sua delicada mão até a minha, tirando-a do meu rosto e me fazendo olhar pra ela.
- Você não pode me proteger de tudo... e de todos. – ela falou com os olhos fixos nos meus e com a voz tão doce que mais parecia que ela fazia uma declaração de amor.
- Eu preciso. – respondi apertando sua mão na minha.
- Não! – ela disse firme. – Edward eu não preciso que você me proteja. Eu só preciso que você esteja ao meu lado. Eu não quero que você passe por cima do que sente por mim... porque tem medo de me magoar. Tudo o que eu preciso é que você me apoiei e me ame... – Bella me deu um sorriso fraco, mas que eu sabia que era sincero. – E seu amor por mim não será menor se você deixar que seus medos venham à tona...
- Eu não quero que você em associe a eles ou que... – comecei a falar, mas, Bella me interrompeu imediatamente.
- Edward, eu entendo que você não se sinta confortável com isso, mas, - ela fechou seus olhos e suspirou pesadamente - eu tenho certeza que eu não conseguiria sem você, se não fosse você, porque, sinceramente, eu sei que você nunca faria nada para me magoar... Eu jamais o associaria com eles.
- Eu tenho medo... medo de não ser forte o suficiente e acabar te magoando. Medo do que você pode sentir com isso tudo... medo de que você perca a confiança em mim.
- Eu não vou mentir...- ela falou aumentando o aperto de sua mão na minha. - eu provavelmente vou me magoar amanhã e eu estou apavorada. Mas, não é por você... pelo contrario, se não fosse você ao meu lado, eu certamente não teria se quer conseguido chegar até aqui. Não existe ninguém no mundo em quem eu confie mais do que você.
Eu a puxei para mais perto de mim e a aconcheguei em meus braços.
Era tão bom tê-la tão próximo.
- Você precisa comer algo... – disse depois de um bom tempo em silencio, apenas deslizando meus dedos pelos cabelos de Bella.
Ela resmungou um pouco e se prendeu mais ao meu corpo.
Eu sorri e deposite um beijo em sua cabeça.
- Eu estou tão cansada. – ela disse com um bocejo. – Não estou com fome.
Eu apenas a abracei mais forte e comecei a niná-la.
- Espere... – ela disse depois de alguns minutos, quando eu pensei que ela já estava quase dormindo. – você está com fome. – ela tentou se levantar, mas estava tão sonolenta que caiu por cima de mim, me fazendo rir. – Me desculpe. – Bella pediu com o rosto ruborizado.
- Venha meu amor. – voltei a puxá-la pra mim. – Durma um pouco.
- E você? – ela perguntou baixo e eu sabia que ela estava tentando, mais uma vez, fazer com que eu adormecesse antes dela.
Mas eu não estava com sono, não estava com fome, eu apenas precisava ter Bella um pouco em meus braços e pensar um pouco sobre como eu me comportaria amanhã.
- Eu vou estar aqui com você... a noite toda. – garanti voltando a prender meus dedos em seu cabelo. – Durma meu anjo.
Alguns minutos depois eu senti a respiração de Bella em meu peito se tornar mais pesada e eu sabia que ela havia adormecido.
Eu continuei a acariciar seus cabelos e fechei meus olhos pensando na conversa que havíamos tido.
Foi absurdamente tranqüilizador tudo o que Bella havia me dito e eu sabia que ela tinha sido o mais honesta que podia, e eu não me sentia mal, como pensei que me sentiria , por ter dividido meus medos e angustias com ela. Eu me sentia bem, por termos um relacionamento em que pudéssemos mostrar nossas fraquezas um ao outro e encontrar compreensão e apoio.
Eu ainda não tinha sono, apesar de sentir meu corpo tão cansado como nunca, então abracei um pouco mais a minha Bella e comecei a cantarolar baixo a canção de ninar que eu tinha feito pra ela. Eu nunca cheguei a cantar de fato essa musica par ela... eu mostrei um pouco do que seria quando Bella estava em Paris com Jasper, mas no final, havia ficado bem diferente do que eu mostrei e de repente fiquei ansioso pra saber qual seria a sua reação.
Eu mal tinha chegado a segunda estrofe e senti Bella se remexer. Seu corpo tremeu levemente e ela se afastou inconscientemente de mim.
Eu me aproximei dela e sustentei meu peso com um braço me inclinando sobre ela pra poder ver seu rosto. Algumas lágrimas escorriam por seu rosto e ela começou a se debater e levou as mãos até os cabelos o segurando fortemente.
Meu coração acelerou e por mais que eu soubesse que tudo o que eu tinha que fazer era acordá-la, eu não conseguia me mexer.
Novamente voltei a ter medo de tocá-la.
- Não! - Bella falou baixo, mas com a voz repleta de um terror que eu nunca havia visto antes. - Por favor, não! - ela choramingou e eu despertei do meu torpor, levando uma mão até o rosto dela e secando suas lagrimas.
- Não! Por favor, não... não me machuquem! Parem!- Seu corpo se debatia na cama e suas palavras, cada vez mais angustiadas, me sufocavam.
Sem conseguir ouvir mais, eu levei minhas mãos até seus ombros e sacudi, mais forte do que eu pretendia, fazendo com que ela acordasse ofegante, instintivamente ela se afastou das minhas mãos e eu conseguia ver seu corpo tremendo e as lagrimas que não paravam de descer.
Bella se encolheu, abraçando seus joelhos e balançando seu corpo para frente e para trás e só então, ela permitiu que seu olhar encontrasse o meu.
Ela não disse nada, mas seu olhar me disse tudo o que eu precisava saber.
Eu engatiei na cama até estar ao seu lado e a envolvi em um abraço. Ela soltou um suspiro pesado e eu a puxei pro meu colo.
- Shiii...- falei em seu ouvido. - está tudo bem. Eu estou aqui, com você. - Bella passou seus braços por meu pescoço e escondeu seu rosto em meu peito. - Eles nunca mais vão tocá-la. Eu prometo!
Eu ainda podia sentir o tremor do seu corpo e as lagrimas molhando a minha camisa, mas Bella foi se acalmando gradativamente.
Eu sabia que se eu não a tivesse acordado, esse certamente seria o pior pesadelo de todos, assim como amanhã seria o pior dia para Bella e eu precisaria estar ao seu lado, forte. Eu precisava passar a ela confiança e todo o suporte que ela precisaria. E por mais nervoso e amedrontado que eu estivesse durante a gravação da cena, eu não deixaria isso transparecer.
Por Bella.
Eu estaria, ao menos aparentemente, calmo e eu cuidaria dela, como todo o meu amor, quando tudo tivesse vindo à tona novamente.
