Agradecimentos especiais a carioquinha, que me ajudou a recomeçar esse capítulo.

Á Hun-chan, que me ajudou a chegar até seu meio

E a maya que surgiu de surpresa com seus reviews maravilhosos de madrugada, levando ao final deste capítulo.

Espero que gostem e comentem por favor! ^^

Algumas coisas estão tomando seu eixo, no entanto, outras complicando ainda mais...Porém será que na verdade tudo não esta conectado..?


Capítulo 12 - Coisas como fuçar coisas alheias.

Era como a visão do apocalipse numa loja de roupas... Por todo lado e a cada canto daquele cômodo havia camisas e mais camisas, calças sociais, meias, gravatas, uns quantos documentos e cartas, todos tacados/colocados aleatoriamente por aquele pequeno apartamento.

- Mama mia! - Exclamou o capixaba sob tão caótica visão. - Ele mora mesmo aqui?!

- Não sei qual é a surpresa - Respondeu o carioca fechando a porta atrás de ambos - Sampa nunca foi do tipo organizado.

Os irmãos encontravam-se no último andar de um luxuoso prédio na mais importante avenida de São Paulo, a Av. Paulista. No entanto, era um apêzinho realmente minúsculo e...

- ...Por que raios ele tem uma cama no meio da sala?!

- Pra ter um quarto de visitas, eu acho - Seguia respondendo não parecendo muito interessando, agachando para recolher alguns papeis.- Ou talvez porque quando chega em casa ele já capota pela sala mesmo, do jeito que é workaholic

Espírito Santo suspirou ajudando o irmão a organizar um pouco toda aquela bagunça. Desde que voltara do Canadá o fluminense andava muito quieto...E Rio quieto nunca era boa coisa...

Ao lado esquerdo da cama havia uma escrivaninha na qual o mais novo estava juntando os papeis, já do lado direito havia um grande porém estreito armário, e claro, o leito ao centro...

Quando chegou para se encontrar com seu fratello, o mesmo se encontrava na frente do prédio observando distraidamente a bandeira que representava o Estado em que estavam. Já Sampa parecia ter convencido Brasil que ainda tinha coisas a tratar no exterior e que por isso não voltaria para casa ainda.
Era uma desculpa, claro... Só torcia para que o paulistano não optasse por começar a evitar ou mesmo ignorar o carioca...

Depois de melhorar a situação do lugar, Rio foi atrás do objetivo que os levou até ali, um relatório econômico de Sampa que provavelmente estava dentro do computador que na pressa do "castigo" de Brasília acabou ficando para trás embaixo de algumas camisas sob a escrivaninha... Sendo assim sentou-se na cama com o eletrônico tentando descobrir qual seria a senha de acesso do paulista.

Nesse meio tempo estando os documentos já em lugar mais adequado, o capixaba acabou juntando as roupas e indo em direção ao armário. Além de guarda-las podia fuçar um pouco e distrair-se para encontrar um jeito de melhorar a feia situação de seu fratello com os hormônios em constante ebulição.

- Mein gott! - Tornou a exclamar o pequeno capixaba - SAMPA TEM ROUPA DE GENTE!

Já estava completamente convencido de que Sampa era uma espécie de aprendiz da "Monica" e que só usava o mesmo tipo de roupa sempre...Recolhera pelo menos umas dez camisas sociais brancas, e somente quatro coloridas... Lê-se num tom claro quase branco.

Mas ali na sua frente agora, haviam roupas normais...Ou quase...

Camisetas de todo o tipo, coloridas, em inglês, em japonês até, umas tantas bem Nerds como uma do Star Wars que dizia "Venha para o lado negro da força!...Temos biscoitos!", entre outras tantas bobagens...

Outras de bandas de Rock, Metal, pop, caras de cabelo espetado e multicolor de olhinhos puxados que não sabia dizer se eram punks ou só estranhos, entre outros...

Pegou então aleatoriamente uma no meio de várias que não estavam penduradas no cabide. Uma negra, escrita em vermelho estilo sangue.

"Gostei de você!"

Franziu as sobrancelhas, leu atrás.

" Vou te matar por último!"

A guardou rapidamente com as demais que tinha juntado, como se esperasse que Sampa fosse aparecer ali naquele instante com um sorrisinho meio macabro...

Voltou-se outra vez a seu irmão mais novo que seguia tentando descobrir a senha paulista entre um ou outro palavrão...

Respirou fundo e voltou ao armário, abrindo a primeira de três gavetas.

Roupas íntimas, meias e uma considerável quantidade de camisinhas tacadas no canto. Fechou imediatamente a mesma, virando o rosto de forma dramática para trás para ver se seu 'maninho' não iria matar a sua gay pessoa...

Felizmente ele seguia ocupado com o bendito código...

Segunda gaveta...O esconderijo das gravatas e calças sociais.

Terceira...Jeans, e aqui se impressionou novamente. Em primeiro lugar não lembrava de alguma ver ter visto São Paulo usando jeans, em segunda a variedade das calças em questão...

Surradas, negras, brancas...Até mesmo uma vermelha!... Sampa devia ficar realmente muuuito gay com uma jeans vermelha...Ou muito Restart... Provavelmente os dois.

Fechou então a gaveta e as portas do armário, fazendo com que uma bonequinha de cabelo...Verde? E alho poró na mão caísse... E tentando não pensar no excêntrico gosto do paulista, guardou a boneca onde estava e sentou-se do lado do fluminense que seguia com suas sucessivas tentativas.

- Nada ainda? - Questionou despreocupado como se a pouco não estivesse a fuçar as coisas do dono daquele apê.

- NADA! Já tentei tudo quanto é nome histórico dos dele, nome de municípios...E nada!

- Já tentou a data de aniversário dele...?

- E...Ah...Não...Na verdade não

-...Ah, claaaro, o mais óbvio cê não testou.

O mais novo apenas lhe lançou uma expressão fechada, antes de voltar sua vista à tela do note. No entanto... Não escreveu nada.

-... hmm...

- ... Cê nem ao menos sabe quando é o aniversário do cara...

- C-claro que eu sei...! É...É...

- Dia 25...De JANEIRO.

-E-eu sabia.

- Claaro...

E nada...

- Tenta "Minas" ou o aniversário dele... - Pós o mais velho.

- Ok... Não foi

- Ainda bem... Hmmm...Bahia?

- Miiinas, agora Bahia - Repetiu sarcástico o fluminense fazendo seu irmão sorrir de leve, se o ciúmes do litorâneo fosse mais óbvio estaria escrito num grande cartaz político no meio de Copacabana.

E também não era.

- E você?

- O que tem eu?

- Tenta seu nome, aniversário.

- C-claro que não! Por que raios seria me-

- Ah, dá essa merda aqui - Arrancou o note do irmão - Cazzo...Não é...

-É claro que não! Que sentido teria isso!

- Vou tentar o aniversário...

- Ei! Tu ta me escutando?!

- Também não...

- Deve ser o nome de alguma coisa Nerd, sei lá...

- ...Rio, que ano cê surgiu?

- ...E...Eu já disse que n-

- Só fala porr*

- ...1565... Mas isso é beste...

- Foi.

- ...Teira... O QUE?! - Pegou novamente o mini computador onde aparecia a tela de "Bem vindo"

- 01-03-1565, o dia da sua fundação, antes eu não tinha colocado o ano.

- Não pode ser... - Comentava descrente o carioca deslogando o computador e recolocando a senha, e novamente a tela de boas vindas apareceu.

- Owwwn~~ Que bunitinho~~ Cê mal sabe o aniversário dele e ele usa o seu de senha! - Quase cantarolava o ítalo-brasileiro apoiando o rosto sob as mãos - saabe, Sampa sabe ser fofo às vezes~

A ex-capital, no entanto, não parecia cem por cento convencida encarando a tela do eletrônico, estando levemente corado.

- Eu não entendo...

- Levando-se em conta que o coração de um Nerd é seu computador, cê ta mandando bem, heim! - Deu uma cotoveladinha no ombro do irmão.- E olha que quem praticamente atacou o cara foi vo-

Parou antes do final da frase, mas o estrago já estava feito, o mais alto tornou a fazer uma expressão distante e pensativa resmungando um "É, eu sei...".

E dessa forma começou a mexer no laptop em busca do tal relatório. Espírito Santo bufou irritado.

Tornou a observar ao redor, em busca de algo interessante. Uma pequena e despercebida cômoda velha, ao lado do armário, antiga o suficiente para ser vendida para uma loja de antiguidades.

Aproximou-se e abriu a única gaveta que ela possuía, tossindo em seguida pela monumental quantidade de pó que nela havia. Dentro, vários papeis amarelados e gastos com o tempo, provavelmente cartas, algumas datadas de mais de trezentos anos atrás e praticamente ilegíveis devido à ação do tempo.

Dentre tantos, pegou o que parecia ser o mais antigo, num envelope que carregava o selo do antigo Reino de Portugal, onde Sampa ainda assinava como Capitania, e a carta era endereçada à Lisboa. Abriu com sumo cuidado, embora o dono de tal relíquia não parecia ter o mesmo zelo, levando-se em conta os vários rasgos que o documento possuía.

Porém, como esperava, pouco ainda era possível ler, entre buracos, manchas de algo liquido, e o desgaste dos anos.

"Excelentíssima Capital...

...A suspeita que vós guardais e me acusas...

...Peço que não o envolvas...

... O erro...

... Este és um facto que não posso mais negar, não vais a cambiar...

...Meu amo..."

O resto eram apenas borrões difusos e desconexos.

Guardou-a com as sobrancelhas franzidas sem entender praticamente nada. Empurrou todos essas velharias um pouco para o lado para ver se encontrava algo mais entendível, até ver algo brilhante no fundo da gaveta. Um retrato.

Só quando o retirou de dentro da cômoda que a luz parou de refletir-lhe e pode ver o rosto de uma pequena criança. Rosto pálido e cabelos negros curtos, não devia ter mais que cinco anos...A pintura parecia ser ainda mais antiga que as cartas ali presentes e sem dúvida o que mais se destacava naquele jovem rosto eram seus belos e absurdamente claros olhos azuis, da mesma cor que o céu mais limpo que já vira.

- Rio... - Tentou chamar a atenção do fratello - Rio, vem cá dar uma olhada...

- Depois, acho que encontrei o maldito relatório...

- Vem veeer! Eu achei algo interessante! - Virou o retrato tentando encontrar alguma outra informação. E por um fino pincel havia escrito "Capitania de São Vicente"

Franziu as sobrancelhas voltando a observar a face juvenil... Até onde se lembrava, "Capitania de São Vicente" foi o primeiro nome de São Paulo, quando ainda bem jovem.(Por favor leiam "De capitanias á Estados" para entender) Sorriu de lado pegando o celular do bolso e tirando uma foto do retrato, depois iria perguntar à sua Mama.

- Você não quer ver mesmo? - Questionou pela última vez.

- Não.

- Tá bom - E dando de ombros guardou o antigo retrato baixo as cartas e fechou a gaveta - Pelo menos conseguiu?

O fluminense dessa vez não respondeu vendo o que pareciam ser imagens de alguma coisa.

- Fratello...? - E foi até a cama, de joelhos tentando ver também - Cê ta bem...?

Na tela aparecia uma foto de Sampa, deduzivelmente tirada no Natal, quando Bahia e ele foram comprar o que faltava para a ceia. Estava com sua barba falsa de Papai Noel e um saco vazio nas costas, além de um grande sorriso.

Sem dizer nada o fluminense seguia passando as fotos, vendo-as distraído.

Outra tirada no aniversário do dono da casa, frente de um bolo literalmente quilométrico, com um rosto levemente irritado e uma boa quantidade de chantilly que alguém provavelmente lhe jogou sujando-lhe a cara.

ES segurou o riso ao tempo que a foto era passada.

Outra com o que pareciam ser Estados de outros países, o mais alto, cabelo loiro até os ombros e olhos azuis reconheceu como sendo Nova Iorque, outro com um cachecol cheio de pelos e boininha logo deduziu ser Paris, e Londres com seu longo casaco que quase chegava ao chão, marrom, olhava feio para o Estado estadunidense que se fazia de desentendido. Na verdade, olhando bem, até mesmo São Paulo e Paris pareciam estar fazendo cara de inocentes, escondendo alguma coisa errada que fizeram ou iriam fazer.

A outra era a foto de um cavalo... Ou algo assim, mal pôde vê-la e o carioca já passara para a próxima.

Era deles...Rio, Sampa, Minas...O espirito-santense surpreendeu-se ao notar que também estava na foto, toda a região sudeste um do lado do outro...

"AH!" Lembrou-se. Foi em um dia dos pais onde Brasil insistiu para tirar uma foto de cada uma das regiões do País. Nessa Rio estava tentando fazer chifrinho em Sampa, o paulista estava dando uma cotovelada em suas costas, Minas vendo os dois de forma repreensiva, e o próprio capixaba com uma digna expressão de "put*, que merd". Mal lembrava dessa foto...

E então o carioca cancelou a exibição de fotografias, mostrando uma janela com algumas soltas, as que a pouco observava, e exatamente outras vinte e sete pastas divididas também em regiões.

Espírito Santo surpreendeu-se de sobremaneira.

"Espírito Santo"

Havia! Realmente havia uma pasta com seu nome ali! Na pasta de fotos do paulista!

- Deixa eu ver isso! - Empurrou o irmão para o lado, que quase caiu da cama de susto, por alguns instantes se distraiu o suficiente como para esquecer que não estava sozinho.

Na pasta somente quatro, ainda assim o capixaba sentia-se emocionado. A primeira era a foto de um retrato que sabia que pertencia à Bahia, igualzinho àquele que encontrara na gaveta, no entanto de um menino um pouco menor, expressão entre fechada e assustada, e pele parda, era si mesmo quando criança.

A outra, um retrato ao lado de Bahia ainda capital.

A terceira já era uma foto em preto e branco de si em meio a plantações de café.

E a quarta uma atual, e com atual queria dizer este ano, no Natal, uma que tirou com Minas.

- Mama uma vez me disse que daria um álbum de fotos pra Sampa... - Comentou impressionado o cafeeiro voltando-se ao irmão que também seguia surpreso. - ...Mas eu não sabia que ele gostava tanto assim...

- É...

A próxima pasta que entraram foi na do Rio Grande do Sul, havia pelo menos umas dez fotos, como no caso do capixaba, uma foto do retrato de RS quando criança, umas fotos de competições de bebida que Sampa participara, algumas de brigas, e outras de zoações.

Do Ceará havia várias fotos de vários ângulos diferentes de capotes e ferimentos diversificados que o nordestino recebia depois de suas "Graças", uma delas sendo enforcado por Pernambuco, e outra fazendo Sushi, com faixinha na cabeça e tudo.

Havia uma quantidade considerável de fotos... "Own", não havia outra colocação, de Paraná dormindo em conchinha, se escondendo vermelho de vergonha atrás de uma árvore, sendo sufocado pelo resPeito catarinense, vestido com roupas típicas europeias, e...Vestido de ursinho!

- Pobre homem... - Não pode deixar de colocar o alcoolico meio anônimo.

Da Bahia, ou melhor, na pasta da "Bah", Rio fez cara de desagrado pelo do apelido, no que o capixaba apenas revirou os olhos mas acabou por dar alguma razão ao ciúmes fluminenses ao verem que a pasta possuía mais de trezentas fotos. Olharam apenas três, Bahia criança com sua pele ainda parda e mínimas tranças nos cabelos negros ainda lisos, uma em que encontrava-se imponente ao lado de quem os dois mais novos deduziram ser Lisboa na época, e outra no natal com toquinha de Mamãe Noel ao lado de Sampa de Papai Noel como se fossem o casal natalino do ano, o que rendeu um "Hunf" do garoto de Ipanema.

Dos Estados do Norte não havia muita coisa, fotos de Pará e Amazônia, sim, escrevera o nome errado, brigando, outras de Amapá, Rondônia e Roraima tentando apartar a briga, e Tocantins fingindo que não conhecia os briguentos e competitivos irmãos disputando um joguinho eletrônico em exposição numa loja de games em algum outro Estado na frente de uma multidão.

Na pasta "Acre - ? " Não havia nenhuma foto.

Do Centro-Oeste havia mais de vinte fotos dos gêmeos mato-grosso rolando na grama, ou puxando cada um deles um braço de Goiás, foto dela os colocando para dormir com Brasília quase sendo esmagado no meio, e dos três dormindo abraçados e a capital caindo da cama...

Do mesmo havia também umas quantas fotografias. Porém sua imagem de criança não era um retrato, e sim uma foto em preto e branco ao lado de seu Criador, era uma criança bem baixinha de vista baixa, parecia muito assustada. Havia outras tantas da capital pequena, tentando ver por cima das mesas de reuniões na pontinha dos pés, se lambuzando de chocolate, tentando alcançar um passarinho e Bahia fazendo um curativo enquanto o pequeno chorava. Algumas dele já grande pego em flagrante dormindo antes de uma reunião, pego também mexendo no piercing escondido que tinha na orelha e uma parte do que parecia uma tatuagem aparecendo por baixo da manga de uma camisa social. E claro, a foto que Sampa tirou do roqueiro na delegacia.

- Eu não sabia que Brasília também tinha uma tatuagem... - Comentava surpreso a ex-capital.

- Como assim "também"?! Você tem?! - Voltou-se exaltando o capixaba- Eu nunca imaginei que ele tivesse! Muito menos um piercing!

- Tenho duas tatoos - Comentou como se nada sob a boca aberta do irmão mais velho.

E sem pedir permissão alguma, o espírito-santense procurou no lugar mais óbvio, levantando a camisa do fluminense por trás até quase seu pescoço.

- EEI!

- Oooooh... - Soltou observando as delineadas e bem formadas costas do "irmãozinho" onde pode ver o contorno e esfumaçado de sua estátua mais famosa, o Cristo Redentor, com os braços abertos de um lado ao outro do ombro da ex-capital.

- Essa eu não fiz, ela surgiu com o monumento.

- Oh...Mas cê disse que tinha duas... - Viu o resto das costas, os braços e até mesmo as pernas porque estava de bermuda, e nada - Onde...No pé, tornozelo?

- Bem... - Começou deixando enfim de lado sua quietude perturbadora - Não está, digamos, num lugar que eu frequentemente mostre em público...

E meia frase pra um capixaba basta.

- Aaaah Rio safadeeeeenhooo~ - Sorriu pervertidamente desviando de uma cotovelada do maninho.

- Aa cala a boca! - Reclamou tornando a ver a tela do pc.

- Ah mas se você quiser me mostrar, eu nãaaaaao me importo! Faço esse sacrifício por você! Afinal, o que é bonito tem que ser moooostrado néee~

- Eu vou te bater, tô te avisando

- Tãaaao sem graça

E então, para desagrado de ambos, entraram na pasta "Mih", e ambos quase caíram para trás.

Na pasta não havia nada mais, nada menos, do que setecentas e quatro fotos.

- Eu não quero ver...

- Como? - Voltou-se ao irmão que já soltara sua camisa, o tom inseguro com que falou lhe chamou a atenção.

- Eu sei, sei que Minas é importante para Sampa e tudo mais...- Desviou o olhar encarando os próprios pés descalços - Mas eu não sei... Não consigo evitar de ter ciúmes.

Rio de Janeiro nada disse, encarou o note por algum tempo, a foto que estava a ponto de abrir.

Voltou para as outras pastas, deixando de ver uma foto em preto e branco em que São Paulo e Minas encontravam-se lado a lado com seus chefes na época, ambos os Estados de mãos dadas...

- Tudo bem.

- Grazie fratello...

E seguiram a ver outras pastas.

De Pernambuco, além de formas de tortura para Cearenses, possuía fotos comemorando com seu amigo de péssimas piadas e até mesmo bêbados juntos, eram bons amigos no final das contas.

Piauí não tinha uma única foto sozinho, e devido á sua baixa estatura, praticamente não se via nas fotos.

Rio viu então sua própria pasta.

- "Rio chan" - Leu desconfiado - O que seria "Chan"? "Chantagem?"

- Não sei...

E abriram, e ambos sorriram ao constatar o número de fotos, por motivos diferentes.

Mil cento e quarenta e oito fotografias.

- Parece que descobrimos quem é a "musa" de Sampa.

O mais novo porém ignorou a provocação adiantando-se em abrir a pasta.

A primeira, como não, era a foto do retrato que ganhara de aniversário, também pinturas dele como capital, com esse colete azul que costumava usar na época, e aquela gravata branca e esvoaçante, tinha uma expressão séria no rosto e seus cabelos ainda eram curtos, somente castanhos e levemente desalinhados.

- Sabe... - Recomeçou Espi - Você me assustava quando era capital...

- Sério? - Surpreendeu-se voltando-se ao 'Santo'

- Sim... Quero dizer, eu só te via de longe... - Explicava pensativo - Apressado, talvez parte por causa das roupas... Ou mesmo a forma que você conseguia falar com São Paulo, mesmo quando ele era Bandeirante, todos tinham medo dele e ainda assim você tratava com ele normalmente.

A ex-capital riu sutilmente voltando-se á tela e notando que também havia retratos dele antes de ser Capital e Sampa quando bandeirante (Para mais dessa época leiam "De Capitanias á Estados).

- Sorte então que tu não chegou a ver quando eu repreendia ele - Sorriu nostálgico - Acho que Paraná tem receio até hoje de ficar perto de mim por causa disso.

Espi ergueu as sobrancelhas impressionado e fazendo uma nota mental para perguntar isso ao seu 'tio postiço' mais tarde. E assim seguiram vendo as imagens.

Retratos dos dois juntos na época do ciclo do café, foto da República da Espada...E repentinamente o carioca avançou para quase o final da pasta, prestes a chegar às fotos antes da Revolução; ES achou melhor não comentar o feito.

Já nas verdadeiras fotografias, em cores e recentes, se encontrava das mais diversas ocasiões, fotos depois das reuniões num café ou restaurante qualquer, pôde perceber como São Paulo sorria bem mais do que imaginava.

Nas que ele aparecia meio de lado, mostrando que fora o mesmo que tirara a foto, estava sempre sorrindo ou até mesmo rindo. Vezes que ambos tiravam o dia para importunar Brasília ou talvez alguma piada engraçada para paulistas e cariocas...Não sabia realmente qual era o motivo que levava Sampa a tirá-las, mas a verdade é que havia muitas e muitas fotos.

E estava quase a ponto de tirar mais uma foto do fluminense, devido a forma quase hipnotizada que via uma dessas em que Sampa sorria abertamente ao seu lado, ambos parecendo cansados, porém muito felizes, um apoiado sob o ombro do outro.

- Esse dia nós ganhamos um campeonato de dança num shopping - Respondeu mesmo sem o capixaba ter-lhe perguntado.

- Pera, pera, pera um pouco ai! - Exaltou-se - Você eu até entendo...Mas...SAMPA num campeonato de dança?! Nem que fosse por muito dinheiro e-

- 50 litros de chopp

- ...É, é um bom motivo - Convenceu-se. O fluminense riu.

- Não é dança comum, são umas máquinas eletrônicas, era uma promoção de um bar junto a um fliperama, aquele que fizesse uma pontuação maior que o antigo recorde ganhava o prêmio, e nesses jogos eletrônicos Sampa é melhor que eu, embora eu dance melhor. Ele me ensinou como funcionava e assim ganhamos.

E sem prévio aviso, seu sorriso se esfumaçou, tomando lugar a uma expressão afligida.

- É por isso que...Eu não devia tê-lo beijado...

- Desculpa...Acho que perdi alguma coisa... Que tem haver chopp com o beijo?

- Não é isso!...É que... Ele é...Importante pra mim, um amigo simplesmente insubstituível...- Fechou os olhos - Eu não estou pronto...Eu não quero correr o risco de perder essa amizade por causa de uma gayzice idiota...

E sem deixar tempo para seu irmão mais velho responder, a antiga capital cancelou dita pasta e encerrou o computador, levantando-se e recolhendo o relatório da impressora na parte de baixo da escrivaninha, que nem vira mandar imprimir.

- Rio... - Tentava conciliar seu irmão, ainda sentado sobre o leito vendo-o de costas. - Cê já parou pra pensar que isso tudo pode ser bem mais que uma "Gayzice" ou mesmo excitação?! Você já parou pra pensar que pode estar apa-

- Esse é o problema! - Alterou a voz como quando Capital, assustando o espírito-santense. - Eu não quero pensar nisso.

Soltou um suspiro longo e afogado.

- Não quero ter que começar do zero com ele outra vez...

E fez menção de deixar o apartamento, apagando as luzes e pegando a chave, e Espírito Santo não teve outra opção que não seguí-lo, ainda tinham uma reunião com Brasília essa noite...

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Quase duas horas haviam se passado e os dois irmãos encontravam-se agora esperando o elevador para subir até onde a reunião seria realizada e entregar o tal relatório. Rio voltara a seu silencio absoluto.

- Rio... Fratello...Me desculpa, eu só estava tentando te ajudar...

- ... Eu sei...

- ... Talvez você esteja vendo tudo de uma forma negativa demais...

O elevador chegou e ambos embarcaram.

- ... O que é estranho, geralmente você é tão positivo...

- O que tu quer que eu faça? - Questionou sarcástico olhando para o menor - Vire para o mundo e grite "EU SOU GAY E SOU FELIZ ASSIM?!"

E foi nesse momento que voltou-se para frente para ver em que maldito andar estavam que nunca chegavam.

E foi ai que viu a maior de todas as suas dores de cabeça: São Paulo de óculos escuros na porta do elevador com as sobrancelhas erguidas, tendo claramente escutado seu último berro, e ao seu lado, um cearense atônito com a nova informação.

E as portas se fecharam, sem que nenhum dos dois se mexesse para entrar.

- Hmm...Rio? - Chamou-o, por que ainda seguia de boca aberta olhando as portas fechadas.

- Meeeu paaai! - Exclamou batendo as mãos contra a cara - Paaaaraa o muuundo quueee eu queeerooo desceeeeeeeeeeeeeeer!

E nem Espírito Santo, nem Rio de Janeiro compareceram à reunião daquela noite, este primeiro tentando impedir que o segundo cometesse alguma forma, inútil e idiota, de suicídio...


Ta dãaaa \o/

Espero que vocês tenham gostado ^^~

E lembrem-se! O desafio dos mistérios está de pé!

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Ninguém aceita do desafio?