N/A: Obrigada ônibus chique da Bruna que permitiu que ela betasse o capítulo graças a wifi maravilhosa!
Pessoal, desculpa pela demora! Vou ser rapidinha porque sei que vocês querem saber o que aconteceu e esse é um capítulo que vai deixar muita coisa a limpo!
Respondendo a pergunta, a última fofoca que ouvi foi que uns colegas da escola que se pegavam casualmente AINDA estão se pegando casualmente (faz 6 anos que nos formamos HAHAHA).
Agora vamos ao capítulo!
Capitulo 25
Edward saiu do restaurante de Bernard, após a segunda etapa de sua entrevista, com um sorriso no rosto. Sabia que havia agradado, pois o chef foi bem claro com seus comentários, mas o fato de não ter tido uma resposta imediata acabara por o deixar profundamente curioso. Tinha o desejo de pegar seu caderno e escrever detalhe por detalhe o que acontecera. Caso não fosse aprovado, Edward ao menos tinha a convicção, maior do que nunca, que nascera para fazer aquilo. Havia se encontrado. Seu corpo estava cansado, mas mesmo assim caminhou até o apartamento em que poderia afundar seu corpo no colchão e respirar aliviado. Havia feito o seu melhor e não poderia estar mais orgulhoso.
Poderia parecer masoquismo, mas Bella estava deitada na cama aguardando o relógio marcar meia noite. Questionava-se o tempo todo como será que Edward estava se sentindo naquele momento. Ansioso? Desesperado? Será que pensava nela? Não sabia qual resposta seria pior para a última pergunta.
Quando o novo dia foi anunciado pela marcação no aparelho digital que se encontrava ao lado de sua cama, Bella sentiu seu coração pesado. Era uma dor misturada com melancolia. Não era uma combinação que ela apreciava e por tal razão, tentou fechar os olhos e dormir, porém só caiu num leve torpor quando já se aproximava das 3 horas da manhã.
Acordou quase que choramingando. Desligou o celular e quis se privar do resto do mundo. Já era demais ter que conviver com os próprios pensamentos e com os involuntários sonhos que tinha. No desta noite, havia sonhado que Edward se casava com ela. Era uma cena que poderia até mesmo fazer parte de um dramalhão mexicano. Edward estava parado no altar esperando Lauren e, de repente, ao invés de Lauren, Bella aparecia na porta da igreja vestida de vermelho. Não sabia descrever direito quem eram as pessoas que os agradavam dentro da igreja e muito menos a decoração do local. Para Bella, o que ficou registrado desse sonho, foi o olhar de felicidade que Edward a oferecia. O olhar que compartilhavam sempre que estavam juntos.
Ela levantou da cama, tentando não focar no relógio que ficava na cozinha ou no que os ponteiros poderiam indicá-la. Dependendo do horário, ele já seria um homem casado. Era até bobo pensar que uma aliança no dedo agravaria a situação, afinal de contas, ela aceitara se relacionar com Edward quando ele era um homem comprometido, independente de um anel e um juramento feito perante a Deus. O que tornava tudo doloroso para Bella neste momento, é que ele teve a chance de escolher. Queria ser a única e sabia que não havia nada mais justo do que isso.
Preparou um café da manhã sem graça, sentia sua boca seca e mastigava sem vontade seu pão de forma emplastado de manteiga de amendoim. Tentou se distrair com Anthony e Marie, mas era impossível. Mais difícil ainda foi quando ela (não tão) sem querer, viu no relógio que faltava apenas uma hora e meia para o casamento.
Agora era o momento de sentir raiva. Como ele pode escolher Lauren? Queria pegar o celular e gritar com ele. Xingá-lo de covarde, de idiota. Será que não percebia que estava prestes a cometer o maior erro da vida dele? E que direito ele tinha de fazer isso com Bella? A fúria dela era tremenda, andava de um lado para o outro em seu minúsculo apartamento, seus olhos secos, não queria se permitir chorar.
Ligou o rádio e tentou se distrair, estava bufando. Ela ia ser forte, estava determinada a ser forte. Lutou até onde pode, foi até seu limite.
Perambulou mais um pouco, seus ouvidos nem mais registravam a música contente que tocava ao fundo. Seu coração doía, seus olhos ardiam, um nó se formava em sua garganta. Tentava puxar o ar com mais força, não queria se permitir chorar. Todo esforço foi em vão.
Como foi que cheguei até aqui?, pensou.
O relógio marcava 10 horas. Mais uma hora e ele seria um homem casado.
Alguns se enganariam achando que ela sairia correndo de sua casa e entraria naquela igreja gritando aos sete ventos para que impedissem o aguardado casamento. Ela o amava, não restavam dúvidas. Porém, ainda possuía seu orgulho.
Sua face tinha uma expressão de ódio, mas as lágrimas que molhavam suas bochechas provavam que a menina era muito mais frágil do que queria parecer.
Sucumbiu ao conforto de sua cama e deixou que suas lágrimas molhassem o travesseiro. Nada adiantava chorar, mas seu cérebro parecia ter entrado em sincronia com seu coração. Seus olhos se fecharam e as lágrimas secaram em seu rosto enquanto ela dormiu um sono sem sonhos. Acordou assustada com um batuque sem fim em sua porta, a campainha não parava de tocar.
- Quem é? - questionou levantando desnorteada, estava preocupada.
- Sou eu.
Bella abriu a porta e se surpreendeu ao ver Rosalie. Será que Edward havia mandado a irmã checar como ela estava? Ou será que a loira havia aparecido em sua porta apenas para falar mal do casamento? Sabia muito bem que Rosalie jamais aprovara aquele casamento.
- O que aconteceu? - Bella questionou. - Que horas são?
- Meio-dia. - Rosalie respondeu. - Merda, Bella, fiquei preocupada. Você demorou tanto para atender a porta que por alguns minutos achei que você tinha feito alguma besteira.
- O que aconteceu, Rose? - indagou ainda confusa.
- Meu Deus, você está terrível. Edward é mesmo um idiota. - murmurou.
- Você pode me responder, pelo amor de Deus? O que houve, Rose? Por que você não está no casamento?
- Não teve casamento, Bella.
- O quê? - perguntou perplexa. - Como assim não teve casamento? O que está acontecendo, Rose?
- Posso entrar? - a mulher questionou não querendo dar muitos detalhes no corredor do prédio.
- Claro.
Bella puxou uma das cadeiras da mesa que usava para comer, mas Rosalie pareceu não notar e sentou direto no sofá que ficava próximo a cama. A morena até ficaria sem graça ou faria algum comentário sobre sua humilde casa, mas não o fizera porque sua curiosidade estava gritando. Só faltava sacolejar Rosalie e a pedir para despejar todas as informações que sabia.
- Por que não houve casamento? - Bella questionou mais uma vez. Dessa vez estava sentada na cama encarando a irmã de seu amado.
- O casamento foi cancelado. - Rose explicou. - Merda, eu tinha tudo ensaiado na minha cabeça em como te contaria isso.
- O que foi, Rose? Ele está bem? Pelo amor de Deus, me conta logo. - dessa vez ela se levantou, estava aflita.
- Edward apareceu na minha porta há duas semanas. Ele estava lá, com a marca de dedos no rosto e malas ao redor de seu corpo. Malas que ele fez as pressas, provavelmente aquela filha da mãe já deu um jeito de tacar fogo em tudo que restava. - disse claramente com ódio.
Bella queria pedir que Rose parasse de falar, mas não teve forças para isso. As palavras pareciam não conseguir sair de sua boca, estavam enclausuradas. Rosalie, percebendo a postura da menina, ficou quieta. Por mais que ela não conseguisse expor verbalmente o que estava passando por sua cabeça, seu corpo fez questão de expor o que ela estava sentindo. Seu rosto foi ficando pálido e Rosalie na mesma hora pegou uma almofada do sofá e começou a abanar a morena.
- Puta que pariu, não vai desmaiar, Bella. - abanou mais um pouco. - Eu sei que foi muita informação de uma vez só, mas eu precisava fazer isso. Estava preocupada com você, eu sei muito bem o que é terminar um relacionamento com uma pessoa que eu ainda amo. Sei o que é a dor e o que ela é capaz de nos fazer pensar e se não formos fortes o suficiente, ela toma conta da gente. Respira fundo, vamos lá.
- Ele não casou?
- Não.
- E ele terminou com Lauren há duas semanas?
- Creio que sim. Ele não me contou detalhes, ele simplesmente me informou que agora estava livre e ia precisar temporariamente da minha ajuda, mas detalhes eu não soube.
- E ele não pensou em momento algum em me contar? - Bella questionou retoricamente em voz alta. Rose sentia que agora a cor já estava voltando para a face da menina. Na verdade, o rosto pálido ficava cada vez mais vermelho. - Eu fiquei na merda e ele não casou. É isso, né?
- É por isso que eu falei que ele era um idiota. - justificou.
- Um idiota? Ele é um ... argggh! - gritou. Rosalie não foi capaz de entender as palavras de Bella. Na verdade pareciam mais gemidos de raiva do que qualquer xingamento. - Eu vou matar o seu irmão! Como ele se acha no direito de não me contar que não casou? Era o mínimo que ele poderia fazer se tivesse o mínimo de consideração comigo! Meu Deus, não acredito que ele foi capaz...
- Eu já falei com ele, eu falei que era estupidez, que vocês deveriam conversar, mas ele fala para eu ter calma.
- Calma? Meu Deus, Rose, eu vou precisar de muita calma para não sair daqui agora e ir atrás do seu irmão pronta para falar poucas e boas no ouvido dele.
- Bella, não vim aqui com a intenção de te deixar com raiva ou fazer você ficar cheia de sangue nos olhos e ir correndo atrás do meu irmão no intuito de matá-lo. Edward anda introspectivo nos últimos dias, ele está tentando se dedicar, achar o caminho dele... Sei lá, ele não tem conversado muito comigo e a única hora que estamos juntos é no jantar. Ele tenta não falar muito do que passa na cabeça dele e eu parei de questionar depois de perceber que não ia ter respostas. Sabe o que me intriga?
- O quê?
- Ele vive escrevendo em um caderninho. Eu já questionei se ele estava escrevendo um diário, meio de palhaçada, mas ele não respondeu. Ai eu perguntei se ele me deixaria ler, ele disse que não.
- Foi um presente meu para ele. - contou.
- Hmmm, então faz sentido...
- o quê?
- Quando eu perguntei se ele deixaria você ler, ele disse que sim. Admito ter ficado um pouco magoada, pois eu cresci com ele, sou da família, mas acho que o compreendo. De qualquer forma, eu nunca sequer abri o maldito caderninho. - falou abrindo a bolsa e tirando o caderno de dentro. - Mas eu o trouxe, já que ele disse que deixaria você ler. Não sei se são justificativas, se é algo que vai ser apenas pior para você. Espero que independente do que for, conforte seu coração. Eu sei que confortava o dele.
Bella ficou encarando o presente que dera para Edward há um pouco mais de um mês. Tinha medo de abrir e folhear suas páginas, por outro lado, estava morrendo de curiosidade.
- Ele quem pediu para você trazer isso aqui?
- Não, de forma alguma, Edward não sabe que eu peguei isso dele. Tenho certeza que escutarei bastante quando ele souber que eu trouxe isso para cá sem a permissão dele, mas foda-se, eu lido com o meu irmão. Posso estar cometendo um erro, querendo apressar as coisas, me metendo onde eu não devo, mas eu resolvi me arriscar...
- Por quê?
- Porque às vezes a gente faz coisas assim pelas pessoas que a gente ama. Eu quero vê-lo feliz, Bella. Nesse tempo todo eu nunca me meti em nada, mas como uma mulher que já sofreu por amor, eu me vi no momento de interferir. Se for em vão, pode ter certeza que eu fiz tudo com a melhor das intenções e sei que ao menos consegui evitar que você passasse o dia inteiro lamuriando pela casa. - levantou-se. - Não quero me estender, tenho algumas coisas para resolver e, de qualquer forma, a opção de ler o que está escrito em todas essas páginas é sua.
- Eu vou me sentir invadindo a privacidade dele. - respondeu.
- Já falei que a escolha é sua. Eu ouvi da boca dele que não teria problemas em deixar você ler, mas caso isso fique pesando em sua consciência, não há nada que eu possa fazer.
- Obrigada por me contar. - caminhou até a porta.
- De nada. - abraçou a menina. - Espero que vocês dois fiquem bem. Independente de juntos, separados... Espero mesmo que vocês fiquem bem.
Bella não soube o que responder, estava confusa.
- Quando quiser, pode me ligar. - Rose informou. - E cuidado com esse seu porteiro, hein? Eu dei 50 dólares para ele me deixar subir sem interfonar e o danado deixou. Pode deixar que vou dar uma bronca nele quando tiver saindo do prédio.
As duas se despediram e Rosalie fez o que prometeu. Na verdade se ela desse uma nota de um dólar, o homem teria a deixado subir. Estava hipnotizado por sua beleza e depois ainda mais por seu jeito mandão.
Bella ficou sentada na cama encarando o caderno. Levantou, sentou. Levantou novamente.
- É só um maldito caderno! - disse a si mesma. - Somente uma página. Ele disse que eu poderia ler... Se bobear ele não escreveu nada na primeira página...
Parecia uma louca falando sozinha em seu pequeno cômodo. Sentou-se na cama e dessa vez virou a capa do caderno. Deixou seus olhos passarem rápidos, curiosos pela primeira página, mas não precisou de muito esforço para ler rapidamente o conteúdo daquela folha, afinal se tratava de uma repetição que não parecia ter fim. "Eu não vou desistir"
- O que diabos... - murmurou.
Ela virou mais uma página e ficou surpresa com o conteúdo, pois era o mesmo que o da página anterior. Imaginou que aquela era uma forma de Edward tentar assegurar a ele mesmo que as coisas dariam certo. Virou mais uma página e viu novamente as mesmas palavras, desta vez com uma caligrafia um pouco mais desajeitada. Se perguntou momentaneamente se o caderno seria todo escrito daquela forma, mas após virar mais algumas páginas, viu algo diferente. A princípio ela desviou o olhar, mas não conseguiu fazer isso durante muito tempo, cedendo a sua enorme curiosidade.
Fiquei pensando na ligação de Bella. Tinha tanta coisa que eu gostaria de falar para ela, mas acho que agora realmente não é o momento. Acho que estamos certos em nos permitirmos ter esse espaço. Minha vida anda tão complicada. Lauren não para de falar sobre o bebê e eu continuo na mesma. Não queria ser pai. Não nessas condições. Minha mente fica descontrolada essa hora da noite. Lauren dorme enquanto eu fico imaginando milhões de possibilidades e alternativas da minha vida. Por exemplo, o que teria acontecido se eu fosse um cara bem sucedido? Será que teria conhecido Bella? Será que meus valores teriam mudado? E se Lauren não estivesse grávida, será que Bella e eu conseguiríamos permanecer juntos? Será que eu nunca teria tido a coragem de descobrir quem eu verdadeiramente sou?
Bella tentou buscar respostas para as mesmas perguntas que Edward fez, mas sabia que era em vão. Não tinha como ficar supondo coisas que não aconteceriam, pois voltar no tempo não era possível e não queria ficar perdendo tempo com especulações. Pensou se deveria virar mais uma página, estava com medo do que poderia estar escrito ali. Movida pela curiosidade, acabou desvendando mais um pouco do conteúdo do diário.
Me sinto patético olhando através da janela. Não consigo observar nada no apartamento de Bella porque as cortinas estão fechadas e a janela é pequena. Fico pensando no que ela faria se descobrisse que agora eu quem estou bancando o maluco tentando saber o que ela está fazendo.
- Cacete! - ela exclamou chocada e queria desesperadamente que tivesse alguém do lado dela para poder dividir sua surpresa.
Eu vi uma coisa na televisão esses dias enquanto mudava de canal. Era uma mulher que falava para si mesma "você é linda". Acho que ela não se sentia linda, mas não posso afirmar com toda certeza pois o filme já estava terminando. De qualquer forma, ela parecia tentar se convencer daquilo e num puro ato de curiosidade, resolvi falar algo para mim mesmo enquanto espalhava a espuma de barbear pelo rosto. "Você é capaz". Pareceu ridículo, mas não consegui parar de pensar nisso o dia inteiro. Acho que estou começando a acreditar nisso e meu estômago começa a revirar, mas de uma forma incrível.
Sem hesitar, virou mais uma página e não conseguiu de forma alguma conter o sorriso que estava em seu rosto.
Eu sou capaz. Tenho certeza que sou capaz. Minha conversa com Marcel me deixou tão confiante. Como eu não pude perceber isso? Um talento! Meu Deus, eu tenho um talento. Eu tenho certeza que eu sou capaz. Queria poder contar para ela. Para todo mundo.
O que seria aquele talento que Edward possuía? Bella não conseguia tirar a pergunta da cabeça. Ela tinha plena certeza que Edward era capaz de arrumar um bom emprego e não depender de ninguém, mas pelo jeito que ele escreveu, parecia que tinha descoberto alguma coisa incrível que poderia fazer, algo que ele amava. Não fazia ideia de quem era esse tal de Marcel, mas ficou feliz por ele ter passado pelo caminho de Edward e o guiado para o que quer que seja.
Sua barriga roncou e por mais que estivesse desesperada para saber o que está escrito no resto daquelas páginas, a garota resolveu tomar um banho e sair de casa para comer alguma coisa. Mal podia acreditar na loucura que aquele dia havia se tornado. Pela sua mente passavam milhões de perguntas. Se Edward não havia casado, significa que Lauren estava do outro lado da rua morando naquele apartamento sozinha? E o bebê? Eram tantos questionamentos e até agora nada foi capaz de responder cada um deles.
Arrumou a bolsa colocando uma carteira, o celular e, por fim, o diário que havia dado para Edward só porque não foi capaz de se controlar.
Ela comeu uma salada em um restaurante perto de seu apartamento e o tempo todo ficava pensando no maldito diário. Queria abri-lo naquele instante e ler pelo menos mais uma página. Era como se fosse um livro de ficção tão bom que ela não podia soltar de maneira alguma. Tinha curiosidade para saber o que viria a acontecer com o personagem principal, qual seria o fim, o que levou ele a tomar as decisões que tomou. Queria saber por que, por mais que se assemelhasse a uma trama ficcional, aquilo era a vida de alguém que ela amava e sabia que tudo que estivesse contido em cada página teria uma influência em sua vida.
- Só uma página. - prometeu a si mesma tirando o livro da bolsa enquanto esperava o garçom trazer a conta.
Sonhei com o cheiro dela.
Não posso me casar.
Eu não vou me casar.
Os olhos de Bella começaram a arder e ela respirou fundo não se permitindo chorar. Queria xingar Edward. Por que diabos ele não contou que não ia se casar?
Decidiu que era melhor continuar aquela leitura fora do restaurante. Caminhou até o Central Park e se sentou num banco qualquer, pois sabia que ali ninguém a perturbaria e não queria ficar no confinamento de seu próprio apartamento.
Fiz algumas entrevistas esses dias, mas a que eu realmente quero é amanhã. É para ser assistente de um pequeno restaurante francês aqui no Soho. Estou tão animado que me dá até nervoso. Espero que essa seja minha grande chance. Deus sabe que eu já paguei por tantas escolhas erradas e agora eu estou fazendo a escolha certa. Fico que nem um bobo me imaginando trabalhando nisso daqui um mês. Me sinto até ambicioso pensando que talvez, daqui alguns anos, tenha a oportunidade de ser considerado um chef de nome aqui em Nova Iorque. Me sinto jovial, renovado. Rose não para de sorrir toda vez que nós conversamos. Acho que agora ela está verdadeiramente orgulhosa de mim. Tenho um pouco de medo de decepcioná-la, mas ao mesmo tempo minha irmã me dá muita força. Não sei se teria conseguido fazer tanta coisa nas últimas semanas sem a ajuda dela. Ela prometeu segredo e não contou para ninguém sobre as entrevistas que eu tenho feito. Quero surpreender nossos pais. Falei para ela que me sentia bobo e ela me respondeu que era normal, isso acontecia quando a gente se sentia muito feliz. Se posso ser honesto, eu realmente me sinto feliz. Apesar de tudo, apesar dos problemas com Lauren, da saudade que sinto de Bella. Nunca pensei que diria isso, mas me sinto tão feliz comigo mesmo.
Bella queria desesperadamente ligar para Edward e o abraçar. A cada virada de página a raiva que ela sentia por ele não ter dito a ela que não havia se casado diminuía um pouco, porém estaria mentindo se dissesse que ainda não estava guardando um pouquinho de rancor.
A entrevista foi incrível. Ele quer que eu venha cozinhar para ele dia 10. É um dia antes do casamento. Eu sei o que tenho que fazer. Não quero esperar o resultado sair, receber uma resposta positiva ou negativa não muda o jeito que eu me sinto. Não sei por que prolonguei isso por tanto tempo. Estava fazendo tanta coisa errada não só na minha vida como na de todos que estavam ao meu redor. Não consigo sentir mais nada por Lauren, toda vez que me deito na cama com ela, nossos corpos ficam tão afastados que provavelmente seria possível colocar mais uma pessoa naquela cama entre nós. Ela continua falando sem parar do bebê e fico me perguntando o que ela faria se eu a mandasse calar a boca. Toda vez que ela me mostra alguma nova coisa para mostrar para a criança minha cabeça começa a latejar. Tá tudo tão errado. Não sei como vão ser as coisas, mas preciso falar para ela hoje que não vai dar mais. Não podemos continuar com essa farsa. Estamos nos enganando e eu vou tentar diferenciar as coisas, irei assumir meu filho, mas não tem como ser um casal. Fico mentalmente ensaiando como irei falar para ela que quero romper o casamento faltando apenas duas semanas. Ela vai querer me matar, tenho certeza. Vai dizer que foi um grande vexame e tudo mais. Tenho medo que ela me chantageie ou tente fazer alguma coisa para me prender, mas acho que já deixei o medo me prender demais. Eu vou acabar com isso hoje. Cansei das humilhações, de me sentir inferior... Cansei de tudo. Vou fazer minha vontade. Eu mereço e elas não merecem viver com as consequências de minha covardia.
Depois disso não tinha mais nada contido naquele diário. Nada. Ela ficou olhando para as coisas ao seu redor, mas não verdadeiramente enxergando alguma coisa. Pensou em tudo que havia acontecido com os dois e em todas aquelas palavras que estavam escritas. Leu e releu mais algumas vezes. Seu coração doía toda vez que lia sobre o dia que ele sonhou com o cheiro dela. Era algo tão pessoal, uma tortura para ela e, provavelmente, ainda mais para ele.
O dia escurecia e Bella tentou se conter, mas ultimamente ela se tornara uma mulher que não conseguia conter muito bem seus impulsos. Por esta razão, ela chamou um taxi e indicou que ele seguisse para o Soho. Era hora de ver Edward e ouvir a verdade.
Edward estava tentando conter sua irritação enquanto via Rosalie com o rosto vermelho de raiva. Os dois haviam entrado numa forte discussão. O motivo, obviamente, era o diário de Edward.
- Você não tinha direito algum de pegar o meu diário. - ele protestou.
- Para de falar isso, você soa como uma menina de 13 anos.
- Rosalie, não é hora de piada. Se eu não falei com Bella, era porque estava esperando o momento certo.
- Não existe esse momento certo, Edward. Não quando uma pessoa está seriamente magoada. Você tinha que ver o estado que Bella estava pensando que você tinha se casado! Pelo amor de Deus, larga de ser idiota!
- Você invadiu minha privacidade!
- Eu não li porcaria nenhuma que estava escrito naquilo! Eu te perguntei se você deixaria Bella ler aquilo e você me respondeu que sim.
- Ela vai ficar tão irritada comigo.
- Acredite, ela ficaria mais irritada se levasse mais tempo para descobrir. - respondeu.
O interfone do apartamento tocou e Rosalie saiu da sala para atender. Deixou o irmão falando sozinho, não estava com saco de escutar ele choramingando por ela ter tomado uma atitude que deveria ter tomado há semanas.
- Alô?
- Rosalie? É a Bella. Eu... eu queria falar com o Edward, ele está aí?
- Sim, pode subir. - ela respondeu apertando o botão que abria a porta.
A loira caminhou até a porta e pegou a bolsa que estava no sofá.
- Vou sair logo para encontrar com Emmett.
- Quem era?
- Bella. - respondeu abrindo a porta do apartamento e dando um beijo na bochecha da morena que ficou surpresa com o timing de Rosalie ao abrir a porta, não sendo nem necessário tocar a campainha. - Desculpa, mas já estou de saída, querida. Edward está te aguardando. Nos falamos depois.
Com isso, Rose passou por Bella e deixou a morena parada na porta, encarando um completamente surpreso Edward.
- Oi... - ele disse.
Bella caminhou devagar em direção a ele. Mais uma vez tentou se conter e não conseguiu. Seus punhos cerrados atacavam o peito de Edward. Ela socava o rapaz de forma desajeitada enquanto finalmente descontava sua raiva em algo.
- Eu não acredito que você não me contou! - deu mais um soco. - Eu fiquei na merda! Na merda, Edward! E você não me contou! Você não casou e mesmo assim não me quis! Quando as coisas estavam todas fodidas eu estava do seu lado e agora que você não está preso a mais ninguém, você não me conta!
- Me desculpa. - ele a abraçou.
- Eu te odeio! - ela gritou dando socos que já estavam ficando cada vez mais fracos.
- Eu te amo. - ele respondeu. - Me desculpa.
- Por que você não me contou? Por que você não me poupou? - questionou.
- Porque dessa vez eu queria fazer as coisas da maneira certa.
- Da maneira certa? - revirou os olhos. - Merda, Edward, se ao invés de escrever nessa porcaria de diário você tivesse me falado isso tudo... Eu estou sentindo tanta raiva e ao mesmo tempo tanto orgulho de você que isso me faz sentir mais raiva ainda. A gente precisa conversar e agora. Não é esperar por momento certo ou tentar fazer tudo da maneira que você julga certa. Eu quero saber de tudo e quero saber agora.
N/A: Não sou Britney Spears, mas Oops, I did it again! Finalzinho de fic merece deixar vocês com curiosidade, vai! Sigo dizendo que estou tentando escrever rapidinho, mas basicamente fim de semana é quando eu tenho tempo para escrever e manter a vida social, e bom, a vida social vem primeiro hahaha.
Então o grande mistério que fazia vocês roerem as unhas foi parcialmente desvendado. E agora, pessoal? Era o que vocês esperaram? (espero não me arrepender de perguntar isso hahaha).
Bom, a pergunta da vez é: Qual foi seu último sonho?
Vejo vocês em breve, pessoal! Meu objetivo e terminar DQA nesse mês de maio! Temos 3 capítulos e um epílogo pela frente! Torçam pra minha inspiração vir com tudo!
Beijoca!
