XXVI
Chegaram na casa de Közi. O "maluco", tendo algumas dificuldades com baliza como tinha, demorou pra estacionar o carro... mas tudo acabou se ajeitando. Depois, subiram para sua casa... e lá, Mana se deparou com os gatos. Apanhou a saia com ambas as mãos, como se os bichanos fossem subir por suas pernas através dela, e foi ligeiro até o quarto de Közi.
- Eh, cara, calma, sossega! - disse o outro, ao ver o namorado tão apreensivo com os "chaninhos" - Eles não mordem, não fazem nada! Qual o problema com os gatinhos, cara?
- Nenhum... o problema sou eu mesmo!
- Ah, coitados...! Eh, vem aqui gatinho! Vem, que o tio Mana tem medo de vocês. Vou deixar vocês na área de serviço enquanto isso, tá bem?
Os gatos miaram, roçando nas pernas do "maluco" - que se dedicava muito aos animaizinhos, mostrando assim que não era tão "maluco" quanto aparentava ser. Após prender aos bichinhos, Közi foi ao quarto ver o Mana, que pra variar, estava quase morto de vergonha por causa deles...
- Que é isso, cara, animais não fazem mal nem te julgam... por que tem vergonha?
- Não sei... não sei, Közi, não dá pra explicar isso racionalmente pro meu sistema nervoso!
- Oh, cara, e de mim? Não teve nunca vergonha de mim... nem no começo da amizade nem nada!
- Verdade... oh, Közi, mas em você... eu sempre senti que podia confiar!
- Oh, cara, que foda... foda mesmo, ver que com quase todo mundo você é assim retraído mas comigo é solto... mas vem cá, amorzinho... eu queria te dizer uma coisa.
Közi trouxe Mana para a sua cama e ambos se sentaram nela. Com o tempo e o namoro evoluindo, ele acabara comprando uma cama nova, de casal, pois Mana dormia lá com frequência, por mais que não morássem juntos. Sentaram nela, e Közi tomou as mãos do parceiro nas suas.
- Sabe que dia é hoje, Mana-chan...?
- Hum... vinte e nove de maio¹?
- Isso mesmo, amorzinho... mas... não lembra de nada além disso?
- Oh...! É seu aniversário! Desculpe, Közi, eu esqueci completamente no meio dessa correria...! E você, que sempre lembrava do meu antes mesmo de a gente começar a namorar...!
- Ih, cara, tem problema não...! Acontece. O importante é que estamos juntos aqui... e, cara... eu queria te pedir uma coisa...
- O que?
- É... é um presente de aniversário. Eu sei que isso não se pede, mas...
- Ah, peça! Peça, não tem problema...! Podendo comprar eu compro, não tenha cerimônias comigo...
- Ih, cara, nem é questão de dinheiro...! Não é algo que se compre.
- É o que...?
- Cara... - Közi coçou a cabeça, como sempre fazia quando ficava meio encabulado - Como, como eu vou te falar isso?
- É algo tão estranho assim...?
- É um pouco, entende...? Ainda mais pro tipo de relacionamento que a gente leva...
A cabecinha ansiosa de Mana logo começou a imaginar muitas coisas... que Közi ia pedir pra eles transarem com mulher, ou irem pra uma suruba, ou ainda fazerem algo ilegal... e começou a suar frio. Será que após dois anos, o namorado estava enjoando de transar só consigo...? Será que ele teria, em dois anos, o problema que Gackt tivera em dois meses...?
- Közi, isso está me deixando nervoso... o que é?
- Calma, cara, não é nada demais... quer dizer... é e não é. Eu que não sei como te dizer.
As mãos de Mana começaram a suar e a tremer nas de Közi. Não querendo que o namorado ficasse mal por mais tempo, o "maluco" enfim tomou coragem e falou:
- Eu, eu queria que você me comesse! É isso, eu sempre te disse que sou bissexual, gosto mesmo de pau e de homem. E sempre te encarei como homem, tão homem quanto eu. Logo... queria saber como é levar na bunda. Mas... não tinha a coragem suficiente de te pedir! Agora tive, já que é meu aniversário e tal... é isso, cara, eu queria que você me comesse.
Mana, o qual antes imaginara tanta besteira, de repente teve de lidar com aquilo. E era realmente inusitado, porém não passava nem perto das alternativas loucas que sua mente criara. E, tanto para aliviar ao nervoso quanto para demonstrar que aquela "opção", embora meio maluca, era bem menos doida do que ele esperava, desatou a rir. A rir mesmo, a gargalhar. Közi achou ruim:
- Ah, cara, tá vendo? Até você rindo de mim!
- Közi...! Não encare as coisas desse modo...! Eu quando fico nervoso, dou risada... vou fazer o quê!
- Mas... e aí? O que acha...?
Assim que o acesso de riso cessou, Mana, ainda sorrindo, disse o que pensava:
- Ah, Közi... bem... sei lá, pode ser... mas o problema... é que eu nunca transei com ninguém desse modo! Você sabe, o Gakuto jamais me deixaria fazer algo desse tipo nele, machista do jeito que era e deve ainda ser... e depois dele eu só transei com você.
- Ah, cara, eu também nunca dei a bunda pra ninguém não. Magine, aquele pessoal maluco com quem eu transava antes de namorar você... tá doido, cara! Nem quero imaginar o estrago que a pica daqueles caras devia fazer no fiofó de um, eu hein...! Eles não sabiam meter, não sabiam usar lubrificante, não sabiam nada...! Eu hein, tenho algum amor ao meu furico né!
Mais gargalhadas da parte de Mana.
- Oh, Közi... eu entendo! Mas em mim você confia pra isso...
- Confio, né...
- Mesmo eu nunca tendo feito isso antes...?
- Claro... ora, a gente se conhece bem, a gente transa junto há dois anos... logo, mesmo que seja um procedimento o qual a gente ainda não conheça direito - quer dizer, a gente conhece, mas os papéis que cada um tomaria seriam diferentes - acho que não tem problema. Ao menos pra mim não, né! Se você não curtir fazer isso, se não tiver vontade de fazer... tudo bem, não precisa fazer só por minha causa.
- Não, eu posso fazer sim... mas... Közi... como a gente faria isso?
- Como eu faço em você, oras. Só que dessa vez invertendo...
- Eu sei... mas... eu digo, como você quer inverter os papéis, gostaria que eu me vestisse... de homem?
- Oh, não, cara! Pelo contrário... eu ia até te pedir, se não desse muito trabalho... pra você se vestir de Lolita gótica², como se vestiu àquele dia, naquele show... lembra?
- Közi, uma Lolita gótica comendo você...?
- E qual o problema...? Já pensou que foda, eu ser o primeiro cara a poder dizer que uma Lolita gostosinha e "dark" tirou o pau debaixo da saia e me enrabou gostoso...? Oh, cara, fico excitado só de pensar...!
- Sério? Então seu fetiche é ver uma figura caracterizada de forma feminina, comendo você...?
- Sim. É, cara, eu tenho essa coisa com traveco - traveco pode ser mulher e ao mesmo tempo usar o pau, que eu, aliás, adoro... mulher não tem essa coisinha a mais, da qual eu tanto gosto. E homem "homem"... já viu, homem "homem" é uma coisa bem, bem escrota! Logo... uma coisinha assim, como você, seria o equilíbrio perfeito entre um homem e uma mulher... e é por isso que eu te adoro tanto. E, bem, o fetiche de chupar gostoso o pau de um homem vestido de mulher eu já realizei com você, bem realizado, várias vezes aliás... agora só falta eu ser comido.
- Eu entendo! Bem... eu acho que tenho alguma roupa do tipo aí no seu armário. Afinal, às vezes deixo alguns figurinos aí, pra quando passar as noites em sua casa... e tenho maquiagem na bolsa. Logo... é, acho que posso fazer alguma coisa. E você, como quer estar vestido...?
- Normal. Hahahahaha, não é por ser enrabado que vou deixar a indumentária de homem, entende? O povão acha que "ser comido" é coisa de "mulherzinha", mas eu acho que não... vou continuar de homem mesmo! Mas aí, vamos fazer o seguinte? Como tá perto do verão, vamos tomar um banhinho bem gostoso... aí depois do banho a gente vai cada um pra um canto. Eu me arrumo no quarto, de um jeito. E você pega as suas roupas e se arruma no banheiro, já que tem espelho e tal, pra se maquiar... e depois faz uma surpresa pra mim no quarto! O que acha, amorzinho?
- Bem... pode ser... mas aí eu vou fazer o seguinte: pegar uma sacola, guardar a roupa toda nela e levar pro banheiro... sem você ver! Quero fazer uma surpresa... e enquanto tomamos banho, a roupa fica guardada na sacola, escondida dos seus olhinhos atrevidos... só na hora você verá!
- Huuuuun, ele está levando a sério a coisa...!
- Estou sim... quero te dar um presente de aniversário bastante especial! E aí, vamos...?
- Vamos sim, amorzinho...
Sendo assim, Közi foi ao banheiro primeiro que Mana, o qual guardou a roupa, os sapatos, a maquiagem e os demais adereços numa grande sacola antes de sair. Após isso, ele também foi ao banheiro, e lá ambos se banharam. Como já estavam atentados inclusive pelo início das carícias que haviam tido no camarim na ocasião da entrevista, já estavam meio "acesos"... portanto, decidiram não se concentrar tanto assim nos carinhos e estímulos e sim no banho em si, senão acabariam se "comendo" ali mesmo, e isso estragaria toda a fantasia. Assim que acabou o banho, Közi foi pro quarto, se despedindo de Mana com beijos no ar. O amante lhe sorriu... e em seguida, assim que ele saiu do banheiro, começou seu ritual de beleza... com seus cremes, o perfume, a lingerie (ele tinha algumas peças de lingerie guardadas na casa do namorado)... e enfim a roupa.
Já Közi, como ia se vestir de homem mesmo, foi mais fácil. Se colocou no quarto, vestiu uma roupa habitual e ficou esperando... claro que o crossdresser demorou mais um pouco, dado que sua produção era bem mais complexa... e enquanto esperava, ficou pensando... caramba, ele havia enfim tomado coragem de pedir aquilo pro namorado! Enfim, confiava no Mana... devia ser bom, afinal de contas, o Mana mesmo parecia gostar bastante... e ele com certeza ia fazer com cuidado... ia ser bom sim!
Algum tempo se passou... e Mana, antes do que Közi pensava, já estava no quarto... todo arrumado, perfumado e penteado. Como não havia muito tempo hábil para penteados, ele pegou uma peruca que havia lá mesmo, de um figurino mais antigo.
Ele estava simplesmente magnífico aos olhos de Közi. O vestido era negro, rodado, com laços e rendas. A saia, parecida com a de uma boneca de porcelana, ia até quase os joelhos. Além disso, ele usava meias sete-oitavos rendadas, botas de cano longo, luvas de veludo, anéis de vários formatos nos dedos - incluindo a aliança. Nas oelhas, brincos de strass grandes, pendurados, em forma de cruz. No rosto, uma maquiagem mais pálida, o rosto branco, os olhos pintados de azul e negro, com maquiagem bem carregada... e o batom era azul escuro, pintado daquela forma que ele sempre fazia para aumentar os lábios.
- Oh, cara... está divino, como sempre...! Parece... ainda melhor do que aquela vez em que vestiu a roupa do Gakuto lá...!
De forma a parecer ainda mais teatral, Mana parou de sorrir e falar, como fazia em público. Apenas andou majestosamente até o amante e deitou-se ao lado dele, fazendo com que ele sentisse seu cheiro... de perfume acre, intenso, mesmo que ainda ostentasse algumas notas doces. Era aquele perfume forte que Mana usualmente utilizava quando ia a eventos mais "dark", "metal" ou góticos. Ele tinha realmente muitas faces...
Finalmente decidiu falar:
- E então, Közi... amour... como você quer fazer?
- Ah, cara... é meio estranho, entende? Como eu nunca fiz isso antes... então, a gente pode fazer... com você por cima. Que acha?
- Pode ser... mas você quer que seja... com a roupa, sem a roupa... como?
- Bom... eu posso ficar sem a roupa, entende? Mas você... oh, cara, eu ia adorar ficar com você de roupa... como eu te disse, a graça está na Lolita gótica... e ela, você sabe... é a roupa quem faz.
Mana sorriu de leve.
- Então está bem. Eu, de roupa, por cima de você... é, já dá uma ideia do que fazer. Vamos lá então...?
- Vamos, meu amorzinho... minha princesa gótica infernal...!
Ainda meio sem jeito, Mana deitou em cima do amante e o beijou profundamente na boca. Közi o tomou com as mãos pela cintura, e abraçou aquele que no momento parecia menos com seu corriqueiro namorado, e mais com uma entidade sombria que beijava a sua boca de maneira intensa e demorada, quase como se quisesse sugar sua alma pelo beijo...
Só aquela osculação já deixou Közi com um começo de ereção. Não só pelo ato, mas pelo cheiro de perfume, as rendas, a maquiagem... tudo. Tudo aquilo lhe fascinava grandemente.
Enfim, Mana passou as mãos por dentro da blusa do parceiro, começando a beliscar de leve seus mamilos... e a beijar seu pescoço. Logo, a camisa de Közi já estava no chão... e a boca azul, macia e habilidosa de Mana lambendo, chupando e mordiscando cada um dos mamilos dele.
- Oh, cara...! Cara, como você é bom...!
Mana sorria por dentro, pensando que mesmo ele estando todo caracterizado de mulher, Közi o chamava por nomes masculinos... ele nunca, jamais esquecia que Mana era homem...
Depois de deixar ao parceiro bastante excitado com as carícias, Mana começou a retirar a calça dele. Como Közi era "despachado" e nem tinha muitos rodeios, logo ficou completamente nu para seu lindo amor. Depois, beijando-o mais algumas vezes na boca, no peito e no pescoço, Mana se viu enfim em dúvida.
"Como vou fazer isso...?", pensou consigo mesmo, tentando ver por onde começar. Ora, ele fazia aquilo sempre com o namorado... porém estando na posição em que o outro estava. Logo, a situação era meio estranha... mas ele daria um jeito.
Sorriu ao amante, saiu da cama e tomou o lubrificante que estava em cima da cômoda. Retirou enfim as luvas e os anéis (apenas manteve, de propósito, a aliança na mão direita), derramou um pouco do líquido nas mãos e começou a masturbar o amante com a direita. Közi arqueou as costas, arfando de tesão, segurando o lençol com uma das mãos e com a outra aferrando-se na cintura do namorado, apertando-o firme, como se ele fosse... a sua tábua de salvação num mar revolto e incerto.
- Hun... Mana... se você continuar assim por muito tempo, eu... eu gozo muito rápido...!
- É...? Quer começar já?
- É o jeito, cara...! Vai, depois eu tento atingir outra ereção e aí você pode me punhetar à vontade, hahahahaha!
Mana sorriu a ele de volta, mas enfim... a parte "diferente" ia começar. Já não tinha mais como escapar dela... então... tomou mais um pouco do lubrificante, molhou dois dedos nele... e direcionou o indicador para a entradinha do paceiro. No começo não o penetrou, apenas passou o dedo para tentar pressentir o que fazer. E no entanto, apenas com aquele toque Közi gemeu de prazer de uma forma que impressionou a Mana... ele não saberia dizer se o amante estava daquele jeito pelo fato de aquela ser uma fantasia antiga e "reprimida" por muito tempo, ou porque ele próprio realmente era habilidoso para excitá-lo... não saberia dizer.
Közi abriu mais as pernas, a fim de facilitar o acesso ao companheiro. Mana, tomando alguma coragem enfim, foi colocando aos poucos o dedo para dentro dele... e quando colocou tudo que podia, sentiu, enfim, na própria pele, o que era aquilo que o amante sempre lhe dizia, de ser "apertado" e "quente". Céus, era quente mesmo... e parecia estreito, nem que fosse para apenas um dedo... quiçá para um membro inteiro...
"Não sei como entra sem dificuldade em mim", pensou afinal. E lembrou... que das primeiras vezes, em si, também não era algo tão fácil, apesar de também não ser penoso... porém, demorava um pouco para que sua entradinha cedesse. Mas quis esquecer esse tempo... pois suas primeiras relações sexuais foram vividas com Gackt, e isso era algo que ele, do fundo do coração, tentava incessantemente esquecer. Para si, seu primeiro namorado de verdade era Közi, uma vez que Gackt o tratara apenas como uma "conquista qualquer". E se ele pudesse voltar no tempo, teria com toda a certeza arrumado alguma coragem e perdido a virgindade com Közi, não com Gackt. Mas o passado... era um texto escrito sem possibilidade de retorno.
Então se consolava ao pensar que ao menos Gackt servira para lhe dar coragem de ir em busca de Közi. Na época em que Mana era virgem, nem Közi teria coragem de chegar nele, nem Mana teria a coragem de chegar em quem quer que fosse. O trauma ocasionado pela decepção de Gackt foi o que lhe dera coragem, enfim, de buscar ao antigo amigo e transformá-lo em amante e namorado afinal.
Tentou se concentrar no ato. Passou a mover o dedo dentro do amante, ao passo em que ele gemia mais de prazer...
- Oh caaaaara, se os homens por aí soubessem como isso é bom... davam sem preconceito nenhum!
- Közi... está gostando tanto assim?
- Sim... oh, cara, e isso é só um dedo...! Nem quero imaginar o resto...!
Vendo que o consorte se animava, foi colocando o segundo dedo... devagarzinho, acariciando o peito dele com a outra mão... e voltou a fazer o vai-e-vem nele, ao que o via começar a suar de prazer, a arquear as costas, a segurar ora sua cintura, ora a barra de sua saia, como se elas fossem as coisas mais preciosas que ele pudesse ter...
- Un... Mana-chan... meu amorzinho... minha lolitinha obscura... vamos fazer logo, que meu bimbo tá doendo de duro aqui... un...! Se você continuar me penetrando com esses dedinhos, mesmo que nem toque no meu pau, eu sinto que posso gozar muito rápido... é sério!
- Oh, sim... então sim, se está tão ansioso... vamos começar.
"Por onde começo...?", pensou o crossdresser, pois afinal de contas, Közi o queria vestido com a roupa de Lolita... então, precisava fazer de roupa. Mas a calcinha ele precisava tirar...
Direcionou as mãos para as ligas que atavam a calcinha à meia sete-oitavos, a fim de desatá-las e poder retirar a roupa de baixo, mas Közi o interrompeu...
- Eh, cara, que vai fazer com a liga? Tira não, deixa assim!
- Közi, eu preciso tirar... como vamos fazer a... "coisa" se eu não tirar a liga e a calcinha?
- Ih, cara, eu me esqueci... tu nunca penetrou ninguém, né?
O crossdresser fez que "não" com a cabeça. Közi continuou:
- É, cara, por isso você não sabe! Sabe, por estar acostumado a dar a bunda, você tem o costume de tirar a roupa de baixo... porque pra dar é preciso, né! Mas pra comer nem é. Só tirar o pau pra fora da roupa e tudo resolvido, dá pra meter numa boa.
- Sério...?
- Sério, cara! Olha, não querendo falar do meu passado escroto nem nada... mas antes de eu namorar você, quando eu andava na esbórnia... tinha vezes que a gente fazia "home parties" e arrumava mulher lá mesmo. Putz, cara, cê acha que aquele bando de marmanjo imbecil arrumava quarto direitinho pra todo mundo meter? Arrumava nada... tinha vezes em que a gente ficava num cantinho, num corredor aí... e pra não dar muito na vista, só abria o zíper da calça, tirava o pinto pra fora da cueca e já era. É, a minha vida sexual antes de você era uma merda, falaí! Mas era assim que a gente fazia... e dava pra colocar a camisinha e tudo, na boa. Por isso eu te falo, dá pra fazer sim. Tenta aí, tira pra fora.
Ainda achando muito, muito estranho transar de calcinha e tudo, Mana enfim retirou o membro já ereto pra fora da roupa íntima... e viu que dava, sim, pra manter o membro quase todo pra fora da saia e da calcinha.
- Hun, Közi... que coisa estranha!
- Ah, logo você acostuma... agora vem, cara, vem, mete essa rola gostosa em mim... oh, cara, só de ver você com essa saia linda levantada, esse "make up" todo gótico, e essa pica pra fora da calcinha... oh, cara, dá vontade de tirar uma foto e eternizar isso! Cê deixa eu tirar?
- Claro que não! - E ao ouvir que Közi queria tirar foto de seus "brinquedos", Mana instintivamente abaixou a saia, segurando a barra da mesma para baixo, como se o "flash" de uma câmera fosse logo vir e registrar o momento antes que ele pudesse impedir.
- Ih, eu me esqueço que é tímido... oh, cara, pensei que comigo não era!
- Com você não, mas com câmeras fotográficas sim!
- Ah, deixa, foi uma bobeira. Vai, levanta essa saia linda e mete no meu rabo... anda, tira o meu cabaço de trás...
Aquela última frase, proferida no afã do tesão por Közi, deu idéias a Mana... e ele, ligeiro, foi até o namorado, inclinando levemente suas pernas para que ele pudesse se encaixar entre elas... e enfim tomou mais lubrificante, passando-o em seu membro e em seguida na entradinha do parceiro. Közi passou as pernas pelos quadris de Mana, para que pudesse enfim encontrar uma posição mais adequada para aquele futuro enlace. Com alguma dificuldade, Mana conseguiu achar um modo de manter a saia levantada, a posição de penetração intacta e as mãos com algum apoio. Enfim... antes de começar com o ato, ele ainda acariciou os cabelos de Közi mais uma vez, beijou seu rosto e disse bem próximo de seu ouvido:
- Hun, Közi... quem diria... um maluco que nem você, que viveu na esbórnia por anos a fio... que só foi sossegar comigo... quem diria que ainda teria alguma espécie de "cabaço" pra perder, hein!
- Putz, é verdade cara! No meu furico ninguém nunca tocou, essa é a mais pura verdade... que coisa, hein! Hahahahahahaha!
- É... e Közi... por ser, também, a primeira vez em que eu penetro alguém... é como se isso ficasse especial... é como se fosse algo... só nosso.
- Mas é verdade... eu não confiaria em mais ninguém pra dar a bunda, imagine, como eu disse antes homem "homem" é uma coisa tão escrota... mas oh, cara, me come logo antes que eu morra de tesão, por favor...!
- Közi...
- Hun?
- Se for ruim, se doer... conta pra mim, tá? Eu não quero ver você fazer algo que não goste...
- Ih, cara, tu tomou tantas vezes no furico comigo e sempre pareceu gostar... por que eu não gostaria?
- Eu não sei, você sempre me pareceu tão "macho"...
- E é, porra, mas lembra daquilo tudo que a gente sempre discutiu? Hein, de não ter "coisa de homem" e "coisa de mulher"? Então, devo ser muito macho mesmo debaixo de outro macho! Ou debaixo de uma lolitinha gótica, que seja!
Ambos riram com gosto. Era assim desde sempre, o bom e velho Közi... e aquela familiariedade parecia somente ajudar no clima deles para a transa.
Com cuidado, ainda um pouco receoso, Mana tomou ao membro e encostou na entradinha do namorado. Parecia bastante apertado... mas ele tentaria devagarzinho. Foi o que fez. Empurrou uma vez, duas, três... devagar, tentanto vencer àquela barreira... e enquanto isso, acariciava o peito, o rosto e os cabelos do namorado. Közi não parecia nervoso ou ainda estranhar a situação... ele parecia bem à vontade... Mana, no fundo, tinha uma certa inveja desse ar "à vontade" de Közi. Tudo lhe parecia sempre bem... ao passo que Mana ficava sempre tão ansioso com tudo...
Enfim, ele entrou. Közi gemeu, achando um pouco estranho aquele primeiro contato com o membro do parceiro... porém, pensando que era a sua "linda lolita gótica" quem o tomava, aquilo lhe excitou tanto... que ele teve de se segurar pra não gozar na mesma hora.
- Uhn, cara...! Espera um pouco, cara, não começa a se mexer ainda não... senão acaba muito rápido...! Puta que pariu, um homem da minha idade sem saber controlar quando goza, hein...! Mas e agora...!
O "maluco" olhou pro rosto de Mana. E ele também parecia ter dificuldades para não gozar assim tão rápido... ora, finalmente o membro dele era apertado por uma cavidade macia, quente, aconchegante... e mesmo que ele pudesse continuar fazendo sexo da forma que fazia antes, "dando a bunda" como Közi falava... ia querer fazer mais vezes daquela forma também... era tão bom...!
- Hun, Közi... agora eu entendo... quando você falava daquilo, de ser apertado, quente... hun...
- É bom, não é? Você gosta de fazer assim também?
- Eu gosto... hum, Közi, eu acho melhor fazer devagarzinho no começo... porque senão eu também vou gozar muito rápido...!
- Dois tarados do cacete, hahahahaha! Ah, cara, faz devagarzinho porque parece que é gostosinho assim também... tá bom?
- Tudo bem... espera só mais um pouco...
Ainda sem saber muito bem o que fazer, porém excitado demais para pensar nisso, Mana começou a fazer o movimento de vai-e-vem em seu amante, entrando e saindo devagar, sentindo que a cavidade dele lhe apertava tão gostoso...
- Uhn, Közi...!
- Mana, cara, você mexe tão bem...! Cara, tem certeza que nunca meteu em ninguém antes...?
- Sim, amour...
- Oh, cara, você nasceu pra isso então...!
Mana sorriu, e continuou fazendo devagar... acariciando as pernas do namorado, beliscando de leve os mamilos dele... e enfim, como já havia se passado algum tempo e o risco de Közi gozar rápido não era mais tão grande, começou a masturbá-lo enfim. A reação dele não poderia ser melhor: gemeu mais alto, arqueou as costas e passou a empurrar os quadris contra o membro da sua "lolita", como se quisesse que ele entrasse mais do que podia entrar...
- Huuun, Mana...! Mete essa rola em mim, cara...! Mas mete bem, mete com força, mete de um jeito que faça com que eu nunca esqueça dessa pica...!
O crossdresser normalmente se constrangeria com palavras assim tão chulas e diretas... no entanto, àquela hora, aquele tipo de linguajar apenas o excitou mais... quase inconscientemente, aumentou o ritmo das estocadas que fazia no interior do outro, segurando firme em sua coxa com a mão livre, masturbando-o com mais intensidade... e Közi simplesmente enlouqueceu.
Era certo que ele tinha muitos anos de vida sexual. Era certo que, mesmo essa vida sexual sendo "zuada", como ele mesmo dizia, ele havia adquirido experiência. Mas uma coisa também era certa: mesmo a melhor parte de sua vida sexual ter começado com Mana após o namoro de ambos, ele se sentia como se fosse levado por um tsunami de tesão e prazer, o qual nunca o atingira antes, mesmo naqueles dois anos com Mana... fosse por ser algo novo, fosse pela roupa de Lolita de Mana, fosse por realmente se sentir a vontade na cama com o amante... era tão bom... que ele não lembrava de ter sido assim tão bom.
- Uuuuuuuhn, Mana...! Oh, cara, me fode...!
- Huuun, Közi gostoso...!
A excitação de ambos chegou em seu ápice. Mana, esquecendo de seu habitual "decoro", simplesmente passou a penetrar ao amante com força, com intensidade, com rapidez... mal acreditando que seu grau de tesão havia chegado àquilo tudo. As mãos simplesmente tremiam de êxtase. E para Közi, todo aquele afã, toda aquela entrega ao que faziam, apenas indicavam a si que Mana podia, sim, "trepar como homem". Utilizando todo o vigor, toda a vontade, todo o tesão necessários para isso.
Aquela penetração intensa apenas fez com que Közi ensandecesse ainda mais... e sentisse seu prazer ficar ainda mais intenso.
- Ooooohhhhnnn, cara...!
Por um segundo, Mana pensou em como nem naquelas horas Közi largava de usar a palavra "cara"... porém, logo teve de parar de pensar. O amante segurou com força em seus braços, empurrou os quadris contra os seus e... gozou fartamente em sua mão. Um gemido alto, como ele não costumava ouvir do namorado, foi emitido... enquanto o "maluco" mordia os lábios, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás, pensando se todo aquele prazer não o mataria afinal.
Após presenciar o prazer do parceiro, de ter seu gozo nas mãos... Mana não suportou mais. Entrou nele mais algumas vezes, fundo e firme, e gozou nele... preenchendo-o com sua seiva, gemendo alto e fechando os olhos... esperando que aquela onda de prazer também não o arrebatasse para a morte.
Quando tudo acabou, ambos os amantes estavam ofegantes, tremendo, cada músculo de seus corpos praticamente em frangalhos. Como...? Como podia ser tão bom...?
Com um último suspiro de cansaço, Mana desabou em cima do amante... enquanto ele lhe abraçava pela cintura, querendo sentir cada renda, cada tecido, cada contorno que fazia parte daquele vestido da sua linda "lolita gótica".
Respiraram mais um pouco, ainda abraçados... e quando enfim recuperaram um pouco o fôlego, naturalmente foi Közi quem primeiro tomou a palavra:
- E aí, cara...? Sou comível ou não sou?
Mana riu levemente, ainda tentando driblar a exaustão que o tomava após o ato.
- É, sim... bastante! E você, Közi... o que achou de fazer dessa forma?
- Oh, cara, quer saber? Quero fazer isso mais vezes depois...! Como foi bom! Sei lá, parece que a sua pica me tocava por dentro de uma forma...! Não sei explicar! Mas eu gostei sim, cara, gostei!
- Que bom... bem, Közi... se eu tivesse lembrado antes, tinha feito um bolo de aniversário pra você... pena que não lembrei.
- Ih, cara, isso se resolve em a gente indo comprar um na esquina mesmo... tem problema não! O que eu queria pra esse aniversário, eu já tive...!
Após ter dito isto, meio rindo, Közi tomou ao companheiro para um beijo na boca... e Mana correspondeu plenamente. Em seguida, o crossdresser deitou ao lado do amante, acariciando-lhe os cabelos e lhe dizendo palavras em francês, como costumava fazer... a mão de Közi ainda em sua cintura... quando, enfim, quase sem perceber, Mana adormeceu.
- Hum...? Ei, cara, vai dormir...? De maquiagem, botas, vestido e tudo? E essa agora! E o banho! A gente tem que tomar banho...
Pensando no que fazer ao ver o parceiro adormecido, Közi teve uma idéia bem insana... levantou da cama, mesmo ainda meio cansado como estava, foi até o banheiro, encheu a banheira que tinha em casa de água... e depois foi ao quarto. Delicadamente, para não acordá-lo, o doido pegou ao namorado no colo, foi andando devagarzinho até o banheiro... e lá o jogou na água, de roupa e tudo. O outro, claro, acordou na mesma hora, fazendo um esforço para não engolir água...
- Hunf...! Közi, seu sem noção! Me joga de roupa e tudo na água? A bota, a peruca, vai estragar tudo...!
O maluco ria... ria até não poder mais, se dobrando sobre a barriga.
- Aí, hora da bonequinha gótica tomar um banhinho! Hahahahahaha!
- Você vai ver o banhinho!
Levantando da banheira e saindo da mesma, Mana foi atrás do namorado... o qual começou a fugir dele pela casa. Todo vestido como estava, Mana fez uma molhação na casa correndo atrás dele... e enfim conseguiu capturá-lo, rápido como era... bateram-se de brincadeira, riram, se abraçaram, se beijaram... e enfim, Közi despiu ao parceiro da roupa que o cingia, fazendo com que por enquanto Mana não fosse mais a "gothic lolita". Tomaram banho juntos, jogaram video game, depois comeram algo que Mana cozinhou... e para comemorar aquele aniversário, compraram um bolinho na esquina e ficaram juntos até o dia seguinte... aproveitando aquele idílio romântico até onde ele podia ser aproveitado.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
¹Na verdade, a entrevista de "Bel Air" que citei na fic (que existiu de verdade, tem no youtube, rs) foi feita em setembro/outubro de 1997. No entanto, dei uma adaptadinha... rs!
E não é que o Közi é geminiano e faz niver apenas um dia antes dos meus gemas idolatrados (Saga e Kanon)? RS! Sabia que ele tinha alguma semelhança com o Kanon!
²O estilo "Gothic Lolita", que mistura os atributos de uma boneca inocente ("Lolita") com alguns do movimento gótico ocidental, foi bastante popularizado por Mana - mas não foi criado por ele. No entanto, ele admira ao estilo de tal forma, que até mesmo sugeriu a criação de uma revista, a "Gothic and Lolita Bible", no Japão, onde ele sempre sai em 2 ou 3 fotos, vestindo as roupas da grife que ele criou, a "Moi Meme Moitiê".
Beijos a todos e todas! Capítulo seguinte será um dos mais polêmicos!
