Disclaimer: O anime/mangá "Naruto" não me pertence, ele é de propriedade exclusiva do Masashi Kishimoto.
Warning: Descreve a relação entre duas pessoas do mesmo sexo (MaleXMale).
"A linha entre expectativas e decepções é tênue, menino. Mas as tentativas não são vãs ou vazias. O correr dos riscos nos impulsiona e nos aviva. Eu sei, a frequência dos acontecimentos é o que assombra. Cada episódio é fugaz e tão passageiro quanto nossas vontades. É que o futuro é abusado, ele vem e nem pede licença." – Aline Diedrich.
Capítulo 26
Naruto levou um susto, quando o celular começou a tocar como louco na mesa de cabeceira. Ele tinha dormido sem perceber, depois de ficar mais de 24 horas acordado, dirigindo de Nagano para Niigata e de Niigata para Nagano com apenas algumas pausas de descanso. Ele se sentia esgotado, tanto física quanto emocionalmente, e não queria lidar com ninguém no momento.
No entanto, ele só franziu a testa em contrariedade e se ergueu o suficiente para pegar o telefone que ainda esperneava. Sem ver quem era, atendeu:
- Sim? – perguntou com mau humor perceptível na voz rouca pela falta de uso.
Ele olhou em volta do quarto escuro e percebeu que já tinha anoitecido. Afora da janela aberta, ele viu os postes de luz acesos e se perguntou quanto tempo havia se passado, desde que caíra no sono. Seu corpo ainda parecia querer dormir umas 48 horas, antes de se levantar.
- Eu te acordei? – o timbre masculino e familiar perguntou do outro lado.
"Sasuke...", reconheceu dando um sorriso, sentindo sua raiva abrandar com um suspiro de alívio. Ele sabia que o homem ia chamá-lo em breve para conversar sobre a sua proposta, mas ele não esperava que fosse tão rápido. No fundo, Naruto temia a reação do Uchiha.
- Sim. – respondeu, esfregando os olhos. – Eu não dormi direito essa semana. – justificou, antes que o moreno perguntasse alguma coisa.
A linha ficou muda por um instante, enquanto o rapaz parecia hesitar.
- Eu te ligo mais tarde, então... – concluiu, soando preocupado e lhe tirando outro sorriso meio cansado, meio ansioso.
- Você já jantou? Eu nem sei que horas são... – indagou. – Você pode passar aqui e me pegar para comer alguma coisa... – jogou como se não quisesse nada. – Eu não aguento mais dirigir. – confessou com um gemido.
O homem bufou um riso condicente, e Naruto quase podia vê-lo balançar a cabeça negativamente, enquanto o encarava com repreensão velada.
- Você vai dormir em casa? – o Uchiha perguntou em um timbre que reclamava uma troca de condições e o loiro revirou os olhos.
- Eu durmo onde você quiser, – rebateu em tom de finalidade. – porque eu não estou com capacidade mental para discutir ou decidir nada agora.
Sasuke fez um som nasalado e debochado na ironia, porque, para alguém que não queria determinar nada, o Uzumaki estava muito mandão.
- Chego aí em 40 minutos. – murmurou, antes de desligar o telefone.
Naruto encarou o aparelho e piscou desnorteado para a despedida apressada. Era 20h15m. No final das contas, ele tinha dormido quase cinco horas desde que chegara em casa e tivera uma breve conversa com seus pais. Esfregando o rosto para minimizar a sensação de cansaço, ele se levantou e caminhou para o banheiro. Dava tempo de tomar um banho rápido para acordar, relaxar um pouco e se arrumar até que o Uchiha chegasse para buscá-lo.
Ele não sabia ao certo o que esperar do diálogo que teria com Sasuke. O mais velho parecia estar tranquilo do outro lado da linha, mas era difícil definir as emoções do homem à distância. Todos os sinais enviados pareciam positivos, no entanto, o Uzumaki preferia aguardar e ouvir do outro o que este realmente pensava, porque ele não sabia mais se estava disposto a tomar mais riscos. Se o moreno não se convencesse de que era digno de confiança nesse momento, ele abriria mão do relacionamento.
(***)
Naruto tinha acabado de colocar um copo vazio e recém-usado na pia, quando ouviu a buzina tocar do lado de fora. Seus pais haviam lhe deixado um bilhete em cima da mesa, avisando que estariam na casa de Jiraya e Tsunade, caso precisasse de alguma coisa. Então, ele utilizou o mesmo papel para escrever que tinha saído com o Uchiha e que não estaria de volta até o dia seguinte.
Ele apagou todas as luzes e saiu para encontrar o carro cinza escuro parado na calçada. O vento soprava gelado em suas orelhas e ele praticamente correu para o calor e conforto do carro. Ao bater a porta fechada, ele pensou em como o tempo havia passado rápido; era final de outono, e ele tinha conhecido Sasuke no meio do verão. Apesar dos poucos meses juntos, ele sentia como se ambos se conhecessem durante uma vida; passaram por tantas coisas...
- Hey... – ele cumprimentou com um beijo que deveria ter sido rápido, mas ele se sentiu repentinamente carente e emendou uma lambida despretensiosa, seguido de um chupão carinhoso no lábio inferior do mais velho.
Ele amava esse gosto.
- Hey... – o Uchiha retrucou num timbre distraído e ao mesmo tempo curioso.
Naruto entendia a estranheza, afinal, depois das brigas constantes nas últimas semanas, era difícil que um deles cedesse completa e facilmente ao contato físico. Ambos pareciam sempre preocupados e alertas, como se procurassem anteceder um ataque do outro e já estivessem preparados para se defender, caso necessário. E ele estava tão cansado dessa sensação de nunca ceder sem se sentir desconfortável e em falha consigo mesmo.
- Eu estou afim de comer no Ichiraku, pode ser? – perguntou diretamente.
Além de carente, talvez, ele estivesse se sentindo levemente nostálgico, com saudade de um tempo que não era tão duro e exigente. Quem sabe, ambos pudessem recomeçar pelo ponto que começaram em primeiro lugar. Pelo brilho intenso nos olhos escuros, Sasuke entendeu perfeitamente seu pedido singelo e aparentemente sem significados. Ele só acenou positivamente e colocou o carro em movimento, sem uma palavra sequer para dar a entender qualquer coisa, e o Uzumaki apreciou a compreensão silenciosa.
Havia várias sentenças não ditas pairando no espaço fechado do automóvel, mas ambos estavam determinados a ignorá-las. A quietude reconfortante os aproximava e calava as explicações que necessitavam ser dadas. Quando percebeu, o Uchiha estava com a mão firme em sua coxa e ele brincava com os cabelos escuros na nuca do outro. E no caminho inteiro, a única conversa entre eles foram os toques descompromissados.
O moreno estacionou o carro num lugar vago no lado oposto da rua e ambos andaram calmamente até o restaurante, que estava particularmente cheio de jovens e algumas famílias naquela hora da noite. Seus braços se tocaram às vezes, enquanto escolhiam os assentos distantes do restante dos clientes para que pudessem ter o mínimo de privacidade no diálogo que estavam prestes a iniciar. Havia chego o momento de falar além de gestos e colocar as cartas em cima da mesa, sem jogos.
- Oi, Naruto! – um senhor se aproximou rapidamente, apesar dos movimentos vacilantes sustentados por uma bengala de madeira escura. – Há quanto tempo eu não te vejo! O mesmo de sempre? – perguntou energeticamente e anotando o pedido sem esperar pela resposta do rapaz.
O loiro sorriu e balançou a cabeça em resignação.
- Sim, senhor Teuchi! – concordou e bateu um ombro no braço do moreno para chamar sua atenção. – E você, bastardo?
- Eu vou ficar com um Shoyu Lamen. – murmurou, tentando ignorar as ações infantis do homem ao seu lado. – Pode nos trazer chá de lavanda também?
- Claro! – exclamou, escrevendo a solicitação no papel. – Ayame-chan sempre me pergunta de você. Hoje ela está com Iruka, mas em breve, os dois estarão aqui para me ajudar a fechar o restaurante. – explicou. – Eu tento fazer tudo sozinho, mas ela acha que estou velho demais para dar conta. – riu.
- Eu acho que o senhor está ótimo, Teuchi-san! – o Uzumaki consolou com um sorriso divertido. Ele sabia bem das brigas entre pai e filha.
- Diga isso a Ayame-chan! – retrucou, enquanto se afastava. – Se precisar, eu estarei na cozinha. – despediu-se, passando o pedido para uma das meninas que corriam para atender todos os clientes.
Ele olhou para Sasuke e percebeu que o homem o encarava com intensidade.
- Iruka foi meu professor na escola. Foi ele quem me apresentou esse lugar. – começou, brincando com os guardanapos no recipiente. – Hoje ele namora a Ayame, aquela moça que nos atendeu quando viemos aqui na primeira vez. – explicou com um encolher de ombros.
Sasuke sorriu debochadamente e ele se sentiu defensivo.
- O quê?!
- Você sempre entra desse jeito na vida daqueles com quem se envolve? – o moreno perguntou com um toque de diversão. – Você é só um freguês nesse restaurante, mas faz parte da vida dos donos como um primo ou algo parecido. Você sai com o seu professor de escola. Propõe uma união comercial com o sogro, como se já não bastasse estar com o filho dele. – enumerou e lançou a indireta, fazendo o Uzumaki sorrir um pouco sem graça.
- Não estava nos meus planos propor esse acordo para o seu pai. – rebateu, passando a mão pelos cabelos e bagunçando os fios já desordenados. – Mas, a ideia surgiu e eu não vi o porquê de não tentar. Eu lancei a minha tentativa, mas é você quem decide o resto. Estou em suas mãos agora. – brincou para espantar o nervosismo, mas seu coração batia descompassado agora. Ele não teve noção do peso de suas escolhas, até aquele momento.
Sasuke olhou para os guardanapos e considerou brincar com eles como Naruto estava fazendo há minutos; só para se distrair das emoções conflitantes.
- É uma decisão importante. – murmurou. – É quase um pedido de casamento, você sabe... – divagou com um tom falsamente descontraído.
- Eu sei disso. – Naruto enfatizou o seu ponto com um aceno afirmativo. – Eu sei que estamos juntos há pouco tempo, mas nós já passamos por coisas o suficiente para decidir se queremos que isso continue ou não. Por enquanto, é só um acordo comercial, não é como se vamos precisar morar juntos ou adotar cachorros e gatos para formarmos uma família agora. Podemos levar as coisas devagar. Nós ainda vamos nos formar e, ainda vai levar um tempo até que meu pai decida se aposentar e passar tudo para o nosso controle.
- Esse é outro ponto que preciso conversar com você. – o Uchiha começou, mas parou quando uma mulher trouxe um bule cheio de chá e dois copos de cerâmica. Ela os cumprimentou com uma reverência e os serviu, sem notar o aceno agradecido de ambos. – Você se lembra do que aconteceu, quando viemos aqui pela primeira vez? – mudou de assunto rapidamente, só para aliviar o clima pesado.
- Como se eu pudesse esquecer. – resmungou, pegando o copo e tomando o chá para esconder o sorriso.
- Nós podemos repetir a dose, o que acha? – perguntou, insinuando a mão até debaixo da mesa e vendo o loiro afastar a cadeira com um sobressalto ruidoso e derramar parte do chá quente em cima da mesa.
- Não pense nisso! – exclamou com indignação, pescando os guardanapos para secar a bagunça que fizera. – Filho da puta. – xingou, atraindo uma risada do mais velho e começando a rir também. – Eu te odeio.
- Faz tempo que não fazemos nada arriscado. – Sasuke explicou, segurando o encosto da cadeira do Uzumaki e se aproximando até que seu peito encostou o braço do outro. Ele segurou a tentação de morder o pescoço bronzeado.
- Você sabe o que aconteceu a última vez que tentamos algo ousado. – bufou, tentando não se deixar afetar pela proximidade.
- Desde quando você se tornou tão certinho? – murmurou, correndo a mão direita para lateral do tronco delgado. O tecido grosso da blusa de moletom o impedindo de sentir as ondulações dos músculos firmes, pelos quais era tão apaixonado.
- Desde quando seu pai decidiu que eu sou uma má influência para você. – o loiro retrucou com insignificância. – Ele não sabe que eu era heterossexual antes de te conhecer. Se alguém aqui é uma má influência, esse alguém é você. – brincou, puxando o moreno para um meio abraço.
- Eu não chamo de má influência, eu chamo de mostrar os lados prazerosos da vida. – esclareceu, pegando o próprio copo de chá entre as mãos. A verdade é que ambos se libertaram. Naruto tinha aquela maneira livre de se entregar às pessoas que o contagiava. Quando estavam juntos, era somente os dois e mais nada importava.
Uma moça diferente trouxera os pedidos ordenados. Ela lançou um olhar curto para os dois como um cumprimento, antes de se afastar. Com a chegada da comida, eles se separaram para começar a comer. O silêncio era reconfortante, mas Sasuke se sentia pressionado. Ele precisava contar que, assim que terminasse a faculdade, ele sairia do país para fazer a pós-graduação. Agora, mais que nunca, ele estava motivado a estudar e dar tudo de si para fazer as decisões do Uzumaki valerem a pena. Ele queria fazer por merecer.
Se o mais novo reparou que o moreno estava tenso, ele não deu uma palavra para pontuar suas observações, pelo contrário, brincou e sorriu como se nada os incomodasse.
- O que os seus pais falaram sobre unir as duas empresas em um acordo? – o Uchiha perguntou, lembrando-se repentinamente desse detalhe.
- Minha mãe me deu livre arbítrio para decidir o que seria melhor para ambos os lados. No final das contas, acho que ela sabia desde o começo qual era a decisão que eu tomaria. Meu pai concordou, embora com certa relutância. Ele ainda está com um pé atrás em relação a Fugaku-san. Eu o entendo, mas não acho que seu velho continuará a nos perseguir. Ele pareceu me entender. – deu de ombros, enquanto limpava a boca com um guardanapo. – Minha mãe e o meu pai confiam plenamente em você. – confidenciou com aquele sorriso que lhe era tão característico.
Sasuke lambeu os lábios que ressecaram de repente.
- Não faça isso. – ele murmurou, tampando o rosto do outro com a mão.
- "Isso" o que? – perguntou com riso perceptível na voz. Era claro que o rapaz sabia o que "isso" significava, só pelo olhar necessitado no rosto pálido.
- Sorrir assim... – explicou, pegando o copo com chá para suprimir a vontade repentina de beijar o homem como se não houvesse o amanhã. Embora ambos adorassem se aventurar em lugares públicos pela adrenalina de serem pegos, Sasuke não gostava muito de demonstrações públicas de afeto.
- E depois eu sou o certinho. – o Uzumaki provocou, insinuando a mão para debaixo da mesa e esfregando a virilha do mais velho.
- Naruto! – rosnou em aviso. Os olhos negros brilharam em uma ameaça silenciosa, que o loiro não deu a mínima. Ele só acariciou o volume entre as pernas, antes de afastar a mão e morder o próprio lábio inferior.
- Eu só não continuo, porque não vou aguentar te provocar por muito tempo. – sussurrou num timbre mole, quase como se lamentasse o fato de estarem em volta de tantas pessoas, fazendo o Uchiha sorrir com diversão.
- Alguém está carente. – cantarolou com escárnio, ignorando o fato de que ele mesmo não estava aguentando a distância. Fazia tanto tempo que ambos não podiam estar juntos sem se vigiarem, que ambos se tornaram sedentos por algo que não podiam definir ao certo; talvez, a possibilidade de aproveitarem algo sem medo, sem questionamentos, sem inseguranças; longe de qualquer preocupação sobre o futuro ou o que a família e os amigos pensariam sobre suas escolhas, havia os tornado ansiosos.
- Você não pode me culpar. – justificou-se com um encolher de ombros. – Você me empurrou por semanas. – começou em um tom levemente emburrado. – Por vários momentos, eu achei que nada daria certo, que seria melhor cada um seguir o seu caminho e deixar tudo como estava. Cheguei a questionar se todo o esforço valeria a pena. – balançou a cabeça negativamente, enquanto refletia sobre o breve desabafo. – Mas, eu não sou alguém que desiste de algo assim tão fácil, mesmo dizendo que não aguentava mais a situação.
- Eu só fiz o que acreditava ser melhor para nós dois. – tentou se defender.
- Me empurrar para tentar resolver algo que ambos causamos não é uma boa ideia. Se você não confiar em mim, seu pai também não confiará. – explicou, brincando com o guardanapo distraidamente. – O fato de eu ter me afastado, só mostrou ao velho que eu sou alguém que foge nos momentos difíceis. E eu não sou assim. – lambeu os lábios. – E agora ele sabe disso.
Sasuke estalou a língua, enquanto mexia na sopa sem a vontade de comê-la. Ele perdeu o apetite. De certa forma, ele entendeu o que Naruto queria dizer: gestos falavam muito mais que palavras e, esconder o Uzumaki do problema só deu a imagem errada para Fugaku.
- Não pense muito nisso. – o mais novo pediu de repente, massageando o lóbulo da orelha do outro como forma de chamar a atenção para longe dos pensamentos perturbados do rapaz.
- Eu sou tão ingênuo... – murmurou com pesar e vergonha.
- Às vezes você é mesmo. – concordou sem hesitar. – Mas, eu amo esse ponto em você, – sorriu com diversão indisfarçada. – porque te torna mais humano, mais próximo de mim. – começou a comer distraidamente para ganhar tempo e pensar como explicar melhor seu pensamento. – Eu sou atrapalhado, distraído, temperamental e impulsivo. Eu tenho muitos defeitos que me fazem duvidar do motivo de estarmos juntos. Somos muito diferentes...
- Naruto... – tentou interromper o monólogo do outro, porque ele não gostava exatamente dessa linha de raciocínio.
- Não! – delimitou com um tom de voz mais firme. – Me deixa terminar, por favor? – pediu, fazendo o mais velho se calar. – Você tinha tudo para ter alguém melhor, atencioso, focado e bem-sucedido como você. Quem sabe uma pessoa mais séria e de poucas palavras também, não sei! – jorrou. – Mas, quando eu vejo que há algo que posso acrescentar na sua vida, eu me sinto mais ligado, como se, apesar de tudo, fossemos ainda mais capazes de nos complementar, sabe? – questionou com insegurança e, ao ver as sobrancelhas escuras erguidas em descrença, ele murchou. – Ok, eu soei brega como um filme de romance clichê. – fez beicinho.
Sasuke balançou a cabeça negativamente.
- Idiota. – murmurou, cutucando o nariz na bochecha marcada, "você me complementa em mais maneiras que pode pensar", pensou consigo mesmo, antes de voltar a comer com o humor mais leve.
(***)
Sasuke pegou um cinzeiro limpo em cima da mesa de centro na sala de estar e andou até a varanda para se sentar em uma espreguiçadeira. Com os gestos calmos, ele puxou um cigarro dentro do maço e o levou até a boca. Seus pensamentos distraídos o impediram de acendê-lo de imediato. Ele olhou as luzes reluzentes dos postes e contemplou o silêncio da madrugada, antes de riscar o isqueiro. Uma tragada curta para carburar o tabaco e outra mais longa como deleite.
Naruto estava dormindo profundamente no quarto. De tão cansado, o mais novo tinha começado a ressonar no carro mesmo, enquanto o Uchiha dirigia para Nagano. O rapaz só acordou para subir até o apartamento e, logo em seguida, voltou a dormir como uma pedra. Ele tentou descansar também, mas não conseguiu; sua cabeça estava a mil.
Conforme a noite foi passando, ambos conversaram sobre tudo e ele acabou deixando um dos tópicos mais importantes escapar. Em sua cabeça, os dois conversariam melhor em um ambiente particular, sem qualquer interrupção. No entanto, não houvera tempo para resolver o que deveria ser resolvido e, ao fim, nada fora decidido. Ele precisava dizer que estava de viagem marcada e que, apesar de precisar se afastar, ele voltaria para honrar o acordo proposto.
E quanto mais as horas passavam, mais ele se sentia nervoso e ansioso.
- Senti a sua falta na cama. – a voz do homem que ocupava seus pensamentos retumbou com rouquidão, assustando-o levemente.
Ele estendeu a mão como um convite para que o outro se aproximasse.
- Desculpe, eu não conseguia dormir. – respondeu calmamente, prendendo o cigarro no cinzeiro e o colocando na mesa ao lado da espreguiçadeira.
Naruto se aproximou e se sentou entre as suas pernas. Suas sobrancelhas claras estavam franzidas e era visível que sua admissão o deixara preocupado.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou com cuidado, um pouco receoso e desconfiado. Em sua cabeça, ele rezava para não ser outro problema.
- Preciso conversar com você. – ele começou, ajeitando-se para que o mais novo pudesse se encostar em seu peito. – Eu tenho uma viagem marcada para agosto do próximo ano, logo depois que eu terminar a faculdade. – explicou, deixando um espaço em aberto para que o Uzumaki tirasse suas próprias conclusões.
- Pela forma como você fala, não parece ser uma viagem de lazer. – supôs, virando o corpo para poder encarar o homem e avaliar suas emoções de perto.
- Eu vou fazer a minha pós-graduação na Suíça. Ficarei dois anos fora. – confessou, assistindo o loiro passar a mão pelos cabelos, desnorteado.
- Você me pegou de surpresa agora. – soprou a admissão num só fôlego. – Há quanto tempo você estava planejando isso? Não estava nos seus planos me contar? – tornou a franzir as sobrancelhas, mas de contrariedade dessa vez.
- Eu já estou planejando isso faz um ano e meio. Eu não sabia se o nosso relacionamento duraria. Caso o contrário, eu te contaria assim que terminássemos a faculdade, em torno de fevereiro. – deu de ombros, ignorando a raiva do outro. – Não está nos meus planos desistir. – antecipou, caso o rapaz decidisse fazer o pedido.
No entanto, a sua última declaração só fez Naruto aprofundar a careta e Sasuke se preparou para uma nova briga.
- Eu jamais te pediria para desistir dos seus objetivos. – o loiro resmungou. – Não vou mentir e dizer que estou completamente satisfeito com as suas escolhas, porque vai ser horrível passar tanto tempo longe de você, mas se é o que te faz feliz, então, só me resta te apoiar. – desviou o olhar e encarou as mesmas luzes que ele observara mais cedo.
Sasuke podia ver que Naruto estava muito chateado, mas ele não parecia querer fazer um alarde sobre o assunto, pois não cessara o contato físico e nem começara uma greve de silêncio. Sua mão ainda passeava pela sua coxa, como se reforçasse a sugestão de amparo.
- Eu não vou pedir que me espere. – declarou a contragosto, mesmo querendo pedir o contrário. Ele realmente não queria que o Uzumaki encontrasse outra pessoa em sua ausência, mas ele não podia ser tão egoísta.
- Mas, também não me peça para seguir em frente assim. – o loiro pediu, colando a testa na do mais velho e o encarando profundamente. – Eu posso sobreviver alguns meses sem sexo. – brincou, fazendo o Uchiha rir e abanar a cabeça negativamente.
- É só para isso que sou importante para você? – Sasuke o cutucou com o pé e arqueou uma sobrancelha. Ele tinha a dica de um sorriso impresso em seu rosto, mas ele tentou manter sua expressão séria.
- Só. – mentiu com um olhar autoexplicativo, agarrando o tornozelo magro e inclinando o tronco para roubar um beijo dos lábios pálidos. – Para que mais seria? – indagou de forma indulgente, recebendo um beliscão na parte interna da coxa. – Ai, bastardo! – se afastou, esfregando o local lesado.
- Idiota. – ele murmurou, antes de voltar a se reaproximar. Sua boca bateu na bochecha marcada em um pedido mudo de desculpas. – Machucou muito? – seu tom abaixou dois tons.
Naruto, mais preocupado em resmungar sua contrariedade, não percebeu o timbre predatório vindo do Uchiha.
- Óbvio! – rosnou. – Você não mede a sua força às vezes. – ele se calou, quando os dedos longos friccionou o local que já começava a ficar levemente avermelhado com o abuso.
- Aqui? – manteve a voz mansa, fazendo o mais novo engolir em seco e concordar com a cabeça.
Sasuke o olhava de maneira tão intensa, que sua mente se tornara um espaço nebuloso. Ele se sentia hipnotizado e quase não percebeu quando o moreno abriu suas pernas para enfiar a cabeça entre elas e beijar o local onde havia beliscado. Sua respiração engatou, enquanto sentia a língua massagear a sua pele e fazê-lo esparramar ainda mais as coxas.
O Uchiha riu com a súbita disponibilidade do homem. Nem parecia que há minutos, ele estava reclamando sobre um mero beliscão. Ele subiu a barra do samba-canção que o outro usava e deu um chupão particularmente duro perto da virilha, fazendo-o suspirar com dificuldade.
- Melhorou? – ele perguntou com um sorriso arrogante, que Naruto nem se dera o trabalho de reconhecer.
- Eu não sei... – o mais novo murmurou. – Dessa vez, eu sinto um incômodo aqui, - massageou o volume crescente em seu baixo-ventre. – mais pra cima, sabe?! – seu corpo estremeceu com expectativa, quando viu os olhos escuros caírem para onde ele indicava.
- Aqui? – perguntou e cobriu a mão bronzeada com a sua, intensificando a carícia com os dedos firmes.
Naruto assentiu com um gemido e se inclinou sobre a espreguiçadeira. Por um minuto, ele resistiu ao impulso de fechar os olhos para intensificar a sensação do homem tocando seu pênis, mas o loiro não conseguia parar de encarar as ministrações quase reverentes do outro. Ele se sentiu desejado, amado e, por que não, triunfante e arrogante? Era para ele que Sasuke mostrava esse lado entregue e despreocupado, quase como se o moreno à sua frente fosse alguém diferente daquele que as pessoas conheciam.
Seus dígitos correram pelo cabelo negro, atraindo o olhar do mais velho, e ele empurrou a franja escura para trás da orelha. O Uchiha roubou outro beijo de seus lábios, antes de descer o toque pelo peito largo, arrastando os dentes pela tez quente. Ele deu um aperto no membro rígido e o bombeou por cima do tecido de seda, arrancando mais alguns sons satisfeitos do Uzumaki. Com um sorriso quase sádico, continuou a carícia atrevida, sabendo como Naruto gostava de um tratamento um pouco mais áspero.
- Melhor? – soprou ofegante, fazendo os cabelos claros do homem se arrepiar com a necessidade flagrante em sua voz.
O loiro empurrou a calça que Sasuke usava com certa urgência e este chiou, quando o ar frio tocou seu pênis intumescido. As mãos seguraram o quadril magro e fizeram com que o moreno se levantasse, para que a pélvis pálida ficasse diante do seu rosto. Ele lambeu a pele lisa da virilha e esfregou o nariz nos pelos ralos, apreciando o cheiro, antes de chupar uma das bolas com delicadeza para não machucar.
O Uchiha estremeceu, gemeu e segurou os seus cabelos e um dos ombros com força para se firmar, e ele gemeu também, fascinado com a forma como os ligamentos das pernas longas ondulavam sob os seus dedos.
Seus lábios e língua se arrastaram pelo falo rígido até chegarem à ponta. Com um olhar provocativo, que Sasuke fez questão de responder com um puxão em um tufo de fios claros, Naruto começou a sugar o comprimento vagarosamente, tomando seu tempo para relaxar os músculos da garganta. Ele deixou que o homem fodesse com a sua boca e fez questão de mamar no membro túmido com entusiasmo, para que o mais velho sentisse sua laringe torcer sobre sua intimidade.
- Porra... – respirou em elogio, passando as mãos pelas mechas rebeldes que compunham a cabeça loira em um carinho entregue. Na verdade, ele queria dizer o quanto amava o Uzumaki, mas seu cérebro não era capaz de formar frases coerentes naquele momento.
Naruto agarrou o joelho esquerdo do moreno e fez com que ele apoiasse o pé na espreguiçadeira, correndo a palma pela coxa delgada até chegar ao saco escrotal, que já começava a inchar com o prazer. O mais novo dedilhou cada testículo com calma, vendo o Uchiha jogar a cabeça para trás e chupar o ar com força, e arrastou um dos dedos para pressionar o períneo e massagear a próstata sem a penetração. Sasuke rosnou e seu estômago se contraiu.
O loiro parou o boquete que estava fazendo para firmar o corpo masculino que balançou violentamente. Ele passou os braços pela bunda pálida e começou a espalhar pequenos beijos na barriga plana, a fim de acalmar as emoções do homem à sua frente. O mais velho, sentindo os movimentos tranquilos, soltou um suspiro contido; seus membros começando a arder ao estabelecer certa tensão e ele não via a hora de poder relaxar.
Os dígitos atrevidos do Uzumaki se arriscaram para a entrada enrugada e o mais novo levantou uma sobrancelha, quando sentiu a pele lisa de lubrificante e não encontrou resistência no anel de músculos em torno do ânus. Ele olhou interrogativamente para Sasuke e este lhe deu um sorriso complacente.
Naruto gemeu e jogou a cabeça para trás.
- Você vai ser a minha morte um dia, Uchiha. – soltou em um lamento longe de ser triste. Sua mente sendo preenchida por visões eróticas do homem tocando a si mesmo.
- Eu me preparei antes de te encontrar. – explicou com a voz rouca, remexendo o quadril de forma provocante e tirando outro gemido do mais novo.
- Você vai precisar sentar no meu pau agora, - resmungou, enquanto chutava o calção para fora do seu corpo com urgência, pouco se importando com o ar frio de encontro ao seu corpo quente. – porque eu tenho medo de não aguentar por muito tempo! – mordeu com certo temperamento, fazendo o moreno soltar um riso rouco e grave.
Sasuke segurou o rosto aquecido entre as mãos e roubou um beijo da boca avermelhada, antes de se posicionar sobre o loiro.
- Você é tão impaciente... – suspirou com os lábios no pescoço longilíneo, descendo sobre o membro túmido e suspirando com a sensação de estar preenchido.
Naruto correu as mãos pelas costas pálidas e ofegou com o aperto e o calor o engolindo vagarosamente. Ele respirou fundo para resistir à vontade louca de empurrar a pélvis com força, deixando o homem tomar o seu próprio tempo para se acostumar com a penetração.
- Diz aquele que começou o sexo sem mim. – tentou reclamar, agarrando o quadril delgado com pressa, quando Sasuke deu seu primeiro impulso para calar a sua boca. Ele gemeu e apoiou a testa no ombro do mais velho.
O Uchiha decidiu não articular uma resposta, ele começou a se movimentar, para frente e para trás, para cima e para baixo, testando a melhor forma de estimular o ponto que o levaria ao nirvana. Seus dedos pálidos agarraram o cabelo dourado levemente úmido de suor, enquanto sua boca reivindicava os lábios do outro em um beijo entrecortado por respirações rasas.
O vento frio batia em suas costas e o contraste arrepiava a sua pele, mas ele estava longe de se importar, quando a sensação do pênis massageando suas paredes internas parecia entorpecer todos os seus sentidos. Ele fechou os olhos e gemeu novamente. Naruto apertou a carne da sua bunda, espalhando-a, como se concordasse com o seu lamento. Era óbvio que o Uzumaki estava lutando pelo controle, mas Sasuke estava feliz em torturar o loiro, impondo seu próprio ritmo, não necessariamente lento, mas longe de ser apressado.
- Sasuke... – o mais novo respirou com dificuldade, passando os braços pelas costas delgadas e tentando estabelecer um compasso mais agressivo. – Mais rápido. – praticamente implorou. A ansiedade escorrendo pela sua pele.
Vendo que o homem estava prestes a perder a paciência, ele intensificou os movimentos, montando o membro com mais força e arrancando um rosnado satisfeito. Ele ofegou, sentindo seu conjunto de nervos esfregado com leveza, quase impaciente para sentir aquela tortura costumeira que o prazer intenso acarretava. Percebendo sua dificuldade, Naruto se inclinou para trás e revirou o quadril para acompanhar as cavalgadas.
Ele engasgou.
- Ali! – grunhiu com dificuldade em meio às respirações ofegantes.
Com pressa, o mais novo enfiou a mão entre seus corpos e tateou entre as pernas do mais velho até encontrar o ponto que procurava. Com destreza, ele pressionou o períneo com movimentos circulares, continuando o seu ataque na próstata, tanto interna como externamente. Sasuke estremeceu e segurou a mão que o atacava, pedindo silenciosamente que o outro parasse, uma vez que ele só conseguia lamentar a agonia do orgasmo iminente.
Mas, Naruto não parou e ele só teve tempo de chamá-lo pelo nome, antes de gozar. Seu estômago convulsionando com cada jato de esperma que saiu pelo seu pênis, manchando a barriga bronzeada. Ele rugiu com a força do clímax vibrando por todos os seus músculos, fazendo-o cair sobre o Uzumaki com o desgaste.
- Idiota. – fingiu raiva, enquanto tentava acalmar o fôlego.
O loiro riu de forma ofegante e o abraçou, acariciando as costas pálidas e dando tempo para que o outro pudesse curtir o relaxamento pós-orgásmico. Ele inverteu as posições, deitando o Uchiha sobre a espreguiçadeira e se colocando entre as pernas delgadas. Empurrando a franja dos olhos escuros semicerrados, ele começou a se mover vagarosamente, sentindo as mãos do homem correr pelos seus lados até chegar a sua bunda, a fim de empurrar a pélvis ao seu encontro.
Mesmo nessa posição, Sasuke gostava de ditar seu próprio ritmo e ele sorriu para o moreno, deixando-o conduzir o ato como quisesse.
No entanto, sua paciência não durou muito, quando o mais velho começou a comprimir o ânus ao redor do seu pau, empurrando-o para o orgasmo. Ele aumentou a intensidade das estocadas, tentando não ser muito agressivo para não machucá-lo, e gemeu; não tendo o suficiente do calor que o engolfava.
Seus braços prenderam o corpo masculino, reforçando o vai-e-vem vigoroso. Ele gemeu ainda mais ansioso, ao sentir seus músculos enrijecerem com o prelúdio do clímax. O moreno, pressentindo sua angústia, arrastou os dígitos pela sua coluna até à curva entre as nádegas, provocando a sua entrada com os dedos experientes, antes de penetrar um dedo no anel apertado, forçando-o mesmo com a resistência. Por um momento, Naruto perdeu o compasso dos próprios movimentos, sem saber para que lado se inclinar; o calor molhado que o devorava ou a intrusão provocativa que incitava.
Decidindo pelo loiro, o Uchiha empurrou ainda mais no canal estreito, fazendo com que o mais novo movesse o quadril em sua direção por reflexo. Ele ofegou ruidosamente em seu ouvido e Sasuke já estava começando a se sentir ligado novamente, só com o som ofegante e entrecortado e a forma como ele se entregava tão facilmente aos seus estímulos. Mas, não foi sempre assim? Com o loiro se deixando levar pelos seus incentivos?
Ele só podia agradecer mentalmente pelo Uzumaki ser tão curioso e aberto às novas experiências, porque ele não saberia dizer se o mesmo aconteceria se as situações se invertessem.
As costas bronzeadas se retesaram e Naruto comprimiu ao redor do seu dígito. O loiro rosnou e estremeceu sobre o moreno, liberando a tensão que construíra em seu corpo através do orgasmo. Sua cabeça afundou no pescoço pálido, e o mais novo inalou o cheiro característico do homem aliado ao almíscar do sexo. Ele ainda arriscou mais algumas estocadas, até que seu pênis tivesse liberado toda a sua essência.
Sasuke puxou as mãos para massagear os ombros fortes.
- Karin vai nos matar se souber que transamos em sua espreguiçadeira favorita... – o moreno comentou casualmente, totalmente confortável com o cobertor humano o aquecendo do frio de final de outono.
- Então, é melhor ficarmos calados, porque ela já prometeu me castrar, quando comentei que meu sonho era transar em cima daquela mesa de bilhar na sala... – respondeu com diversão.
- Ela prometeu te castrar. – provocou, cutucando as costelas do outro e sentido ele se contorcer todo. – Nós ainda podemos brincar se você for castrado, não vejo problema nenhum nisso. – caçoou, recebendo uma carranca azeda do Uzumaki; os olhos azuis brilhando como se lhe lançasse dardos.
- Não brinque com isso, bastardo! – resmungou. – Você iria sentir falta do meu pau fodendo você... – apertou as coxas que ainda o abraçava, para reforçar o que estava dizendo.
O Uchiha deu um sorriso jocoso e beijou a têmpora do outro.
- Isso não é problema, eu posso arranjar outro pau para me foder. – deu de ombros com indiferença, mas pelo silêncio incômodo do loiro, ele percebeu que tinha dito algo errado na hora errada. – Ei, eu estava brincando. – deu leves tapinhas nas costas bronzeadas para chamar a atenção do mais novo.
Naruto enfiou o nariz na clavícula do homem e aspirou o cheiro inebriante.
- Você promete que vai me dizer se encontrar alguém na Suíça? – ele tentou não pensar por esse ângulo das coisas, mas não conseguiu evitar, quando Sasuke mencionou encontrar outra pessoa.
O peito do moreno se apertou com o olhar distante nos olhos azuis.
- Nós... – ele continuou. – O que nós temos não tem nada a ver com o acordo que propus ao seu pai ontem. Uma coisa é trabalho, outra totalmente diferente é o que fazemos fora do escritório; ou dentro dele, dependendo da situação, mas você entendeu! – divagou com um sorriso meio chateado, meio brincalhão no rosto. – Essa sua viagem dá outra dimensão para o nosso relacionamento, sabe? E, por mais que eu queira mandar no futuro, ainda não temos garantia nenhuma do que acontece daqui para frente. – se levantou para se sentar entre as pernas delgadas, fazendo o Uchiha estremecer com o frio que penetrou seu corpo antes protegido pelo calor do loiro. – Eu sei que esse contrato é uma decisão importante, quase um pedido de casamento... – enfatizou, utilizando as mesmas palavras que Sasuke tinha usado mais cedo. – Mas, ele não nos prende a um matrimônio, você é livre para fazer o que quiser.
Ele ponderou por um instante, antes de puxar a figura masculina ao seu encontro novamente. Agora que seus corpos tinham resfriado, o vento gelado do outono estava ficando incômodo.
- Você quer terminar? – ele perguntou subitamente nervoso. Automaticamente, o moreno procurou pelo cigarro abandonado no cinzeiro, com a esperança de que este não tivesse queimado por inteiro sozinho, mesmo sabendo que só haveria o filtro esquecido ao lado das cinzas.
O Uchiha suspirou, caçando o maço e o isqueiro em cima da mesinha.
- Eu não quero dizer isso. – Naruto se defendeu. – Eu estou tentando dizer que podemos tentar e ver como as coisas acontecem. Só quero que você me diga se encontrar outra pessoa por lá e seja sincero, quando sentir que a distância não está trabalhando bem para o nosso relacionamento, entendeu?
- Se você fizer o mesmo... – não era uma chantagem, mas um pedido simples de reciprocidade. Ele não queria entender o ponto do Uzumaki, mas entendia. A vida não era como um filme de romance clichê; o tempo muda qualquer pessoa, ele não podia dizer com exatidão que ambos nutririam os mesmos sentimentos que nutriam para sempre. Mas, enquanto aquela relação continuasse, ele seria plenamente feliz. – Depois que você me chamou para trabalhar com vocês, dando parte da empresa para a corporação da minha família, eu só tive mais certeza do que queria. Eu quero ser e fazer o melhor para a Kyuubi Engenharia & Construção, para honrar a sua confiança. E é por esse motivo que não quero desistir. Você tem razão, quando disse para o meu pai que não nasci para ficar na sombra de Itachi; você está me dando uma oportunidade para provar o meu próprio valor dentro do meu clã, e essa foi a forma que encontrei para mostrar a minha gratidão.
Naruto apertou os braços ao seu redor e fungou.
- Você está chorando? – o moreno perguntou com perplexidade, se afastando para olhar nos azuis profundos.
- Você me deixou emocionado! – justificou-se com um beicinho mal-humorado, fazendo o Uchiha abrir um sorriso satírico. – Pare de ser um saco de merda!
E com isso, Sasuke gargalhou profundamente.
- Eu amo você. – murmurou em meio ao riso, apertando os braços na cabeça loira em um abraço, fazendo-o relaxar com a confissão.
- Eu também amo você. – suspirou e bocejou.
- Vamos entrar, está frio e eu acho que precisamos de um banho. – sugeriu, vendo o homem concordar com a cabeça.
Naruto se levantou e caçou as roupas jogadas pelo chão. Ele vestiu o próprio calção e jogou a calça de moletom que o moreno usava para que este pudesse vesti-la. O mais novo estendeu a mão para ajudar Sasuke a se levantar e começou a caminhar para dentro. O contraste entre o ar gelado do lado de fora e o ambiente aquecido pelo aquecedor os acolhendo rapidamente.
O loiro assistiu como o Uchiha se inclinou para o guarda-roupa, procurando algo limpo para vestirem. Seu peito se apertou em saudade antecipada. Ele não brincou quando disse que seria difícil passar tanto tempo longe, e que seria impossível seguir em frente, quando ainda havia aquela possibilidade de darem certo, mesmo com a distância. Ele era um bobo apaixonado, no final das contas, e ele esperaria.
