NOTAS: Não, vocês não estão sonhando! Eu finalmente atualizei a fic! *fogos de artifício* Mil desculpas pela demora, mas a vida, a vida... bem... *tosse* Muitíssimo obrigada a todas as reviews, e aos emails, e a força que vocês me sempre me deram e dão até hoje! Sem vocês eu acho que nunca teria encontrado forças pra terminar a fic. Esse é, em tese, o último capítulo, mas ainda vou escrever um epílogo. Já peço desculpas pelos erros de gramática... não tive tempo de revisar. Espero que vocês gostem do capítulo! Por favor, deixem recadinhos! Eles fazem a autora feliz. =)
Capítulo 26
Harry Potter já não era mais um homem casado. A notícia estampava praticamente todos os jornais e revistas do mundo bruxo, e a opinião pública variava. Alguns estavam espantadíssimos, outros, "amigos que preferiam ficar anônimos", diziam que a relação dos dois sempre havia sido morna, e que o divórcio era mesmo uma questão de tempo.
A palavra "morna" ficou ecoando um tempão na minha cabeça, e muita coisa passou a fazer sentido. O relacionamento perfeito não era tão perfeito assim no final das contas.
Minha reação num primeiro momento foi de êxtase completo, que se transformou em dúvida cruel ao ver que o tempo passava e Harry não aparecia para o tão esperado desfecho. A essa altura do campeonato eu já nem mais ligava se o resultado seria positivo ou negativo. Só o que minha alma queria era um ponto final naquela história. Embora eu estivesse me recuperando bem, meu psicológico continuava frágil, e estava totalmente entrelaçado a Harry de acordo com o curandeiro que o próprio havia arrumado para cuidar de mim.
Era imperativo, portanto, que eu conseguisse falar com Harry, ao menos uma última vez. Harry era a chave de tudo. Minha cura ou minha maldição. Eu demorara anos para chegar a essa conclusão, e mais ainda para aceita-la, mas não havia mais como negá-la. Incrível como Harry passara a ser o centro de minha vida desde aquele fatídico encontro na Madame Malkin. Mais incrível ainda foi ver minha inveja e obsessão irreversivelmente se transformando em amor. Um amor que eu nunca pensei fosse ser correspondido.
Mas enquanto Harry não viesse me procurar, nossa história continuaria em aberto, para o meu desespero.
Soltei um suspiro de frustração e fechei a tampa do piano. Estava sem inspiração hoje, e Réquiem de um Malfoy continuava inacabado. Culpa do maldito Potter. Que direito o desgraçado tinha de ter tanta influência na minha vida? Já não havia decidido que, qualquer que fosse a atitude de Harry, eu continuaria a seguir em frente? Já não havia decidido que eu era dono do meu próprio nariz? Tinha coisas muito mais importantes para me preocupar. Harry Potter era apenas um detalhe. Um detalhe deveras essencial para o meu bem-estar, mas um detalhe mesmo assim.
Fiz uma careta de desagrado. Autoengano nunca havia me levado a lugar nenhum.
Ouvi barulho de passos do lado de fora da sala, e logo em seguida latidos. A porta entreaberta foi escancarada por Angel e meus quatro mosqueteiros, que agora o seguiam onde ele fosse. Abri um sorriso e também os braços. Angel adorava abraços, e embora no começo eu estranhasse todo aquele carinho dirigido a mim, agora não conseguia ficar sem ele.
A presença de Angel e Alfred fora indispensável para minha recuperação rápida. A energia dos dois era contagiante. Embora Alfred ainda mantivesse um ar rebelde, já não mais lutava contra tudo e todos. Suas aulas particulares iam muito bem, e ele finalmente começava a aceitar a ideia de ir para Hogwarts. Angel, por sua vez, ficava cada vez mais doce, embora às vezes arteiro, a cada aula. Seus poderes mágicos eram incríveis para um menino da sua idade, e ele sempre conseguia deixar Astória e eu boquiabertos. Angel, eu tinha certeza, seria tão ou mais importante do que Dumbledore, e até mesmo Harry.
- Túria me mandou dizer que o lanche da tarde está pronto. – avisou Angel com toda a pose de um pequeno lorde.
"Túria" era o nome carinhoso com que ele chamava Astória. Meu apelido era "Drake". Alfred, como todo adolescente engraçadinho, costumava me chamar de "Dragon", enquanto que Astória era "Senhora Malfoy".
- Angel, a Senhora Malfoy já pediu diversas vezes pra você não correr dentro de casa... – ralhou o irmão mais velho, aparecendo na porta. – Você sabe que pode se machucar! Além disso, os cachorros ficam muito excitados e sempre acabam quebrando alguma coisa pelo caminho.
Alfred podia bancar o rebelde comigo, mas com Astória ele era o cavalheiro em pessoa. O poder materno de Astória era deveras incrível. Meu poder como pai já não era assim tão excepcional. Suponho que seja porque minhas conversas com Alfred eram sempre regadas a sarcasmo. O que eu podia fazer? Nós nos divertíamos com nossos jogos de palavras.
Angel assentiu com a cabeça, e por um milésimo de segundo pareceu arrependido pela desobediência. Imediatamente, olhou para mim esperando pela minha desaprovação.
- Alfred tem razão. – banquei o pai disciplinador. – Da próxima vez, tome cuidado, ok?
Angel assentiu novamente, e duas covinhas apareceram em seu rosto quando ele sorriu. Tive vontade de lhe apertar as bochechas.
- Bem, se a Senhora Malfoy está chamando, é melhor nos apressarmos. – levantei-me, e quando vi Angel começar a correr, me adiantei, - Sem correria, Angel.
- Mas pressa não significa que a gente tem que ser rápido? E pra ser rápido eu não preciso correr? – ele me perguntou com aquele rosto de anjo que escondia um grande diabinho.
Alfred riu, mas voltou a ficar sério quando eu o fulminei com o olhar.
- Não necessariamente. Foi só um modo de dizer.
- Mas...
Se Astória não tivesse surgido naquele momento, tinha certeza de que teria se iniciado uma das longas conversas "filosóficas" que costumávamos ter de vez em quando com Angel.
- Ah, aqui estão meus meninos. Angel, Cisne fez seus biscoitos favoritos! – Astória anunciou, fazendo os olhos de Angel brilhar. – Vamos?
Os dois caminharam tranquilamente de mãos dadas, enquanto eu e Alfred seguíamos atrás com meus cães ao nosso lado, comportadíssimos. Na frente de Astória, Athos, Porthos, Aramis e Dartagnan também procuravam não fazer tanta bagunça.
Astória era realmente a mulher da casa, e novamente me peguei imaginando o que seria de mim quando ela finalmente fosse morar em Hogsmeade para ficar perto de sua loja. A reforma da casa que havíamos comprado em Hogsmeade estava ficando perfeita, e a loja estava prevista para ser inaugurada no começo de Abril. Embora eu quisesse muito ir morar com ela e com os meninos, ficava imaginando a gana de problemas que aquilo causaria.
Harry Potter e sua mulher não eram os únicos divorciados. Astória e eu também havíamos chegado à conclusão de que era hora de seguirmos nossos caminhos separados. Não de todo. Como mulher maravilhosa que ela era, Astória me garantira de todas as formas que sempre estaria ao meu lado, e que ela sempre seria minha melhor amiga. Eu poderia, inclusive, morar com ela em Hogsmeade, desde que eu entendesse que ela não seria mais minha mulher. Fora estranho, e um golpe e tanto, para dizer o mínimo, quando Astória me dissera que estava interessada em alguém que conhecera durante suas idas a Hogsmeade para cuidar da decoração da sua loja. Por conta disso, e porque Harry agora também era um homem livre, era mais do que apropriado que eu e ela nos separássemos também.
Ficar longe de Astória não me agradava, e me irritava profundamente saber que ela estava apaixonada por um homem desconhecido, porque ela se recusava a me dizer quem era o desgraçado.
- Eu nem sei se ele está interessado em mim. – ela vivia dizendo quando eu a pressionava. – Eu lhe direi quem é se as coisas ficarem mais claras para mim também.
Nem preciso dizer que meus instintos Sonserinos me fizeram contratar um detetive particular. Infelizmente, até o momento, a investigação continuava no vácuo. Astória era, afinal de contas, uma Sonserina. Nenhum homem com quem ela mantinha contato em Hogsmeade parecia ser do tipo que uma mulher como ela se apaixonaria, e todos eles mantinham uma distância fria e respeitosa daquela que era a mulher de Draco Malfoy.
Imagino se o tom de respeito continuaria o mesmo se eles soubessem que ela era a ex-Senhora Malfoy.
Temia o dia em que finalmente teríamos que anunciar ao mundo que já não éramos casados. Tanto a família dela quanto a minha ficariam horrorizados. Temia ainda mais a quantidade de homens que passariam a lhe cortejar. Eu podia não deseja-la fisicamente, mas sabia muito bem o quão atraente ela era.
Astória, no entanto, era uma mulher forte e independente. Com certeza bem mais forte que eu. Ela ficaria muito bem sem mim. E eu... Bem, eu não tinha o direito de prendê-la. Além disso, talvez as coisas funcionassem entre Harry e eu.
E mais uma vez, meus pensamentos invariavelmente se voltaram para Harry. Soltei um suspiro, e Astória me olhou com certa apreensão. Sorri para ela e dei uma mordida num brioche, tentando passar a impressão de que tudo estava bem e ela não mais precisava se preocupar comigo.
- Drake, quando a gente morar em Hogsmeade, você vai mesmo visitar a gente sempre? – perguntou Angel com a boca cheia de biscoito.
- É claro que eu vou. – garanti, não pela primeira vez.
- Angel, querido, é feio falar com a boca cheia. – Astória lhe chamou a atenção com o tom suave de sempre.
O pequeno mastigou, mastigou até engolir e dizer:
- Desculpa.
Angel havia sido o mais afetado pela notícia da nossa separação, e só depois de muito conversa ele se convencera de que as coisas continuariam bem. De vez em quando, porém, ele voltava ao assunto, como para se garantir que eu e Astória não havíamos nos esquecido da promessa que fizéramos a ele.
Alfred e Escórpio aceitaram a noticia quase como fato inevitável. Escórpio sempre soubera que nosso relacionamento era muito mais de amizade do que marido e mulher. E Alfred... Bem, várias vezes ele dera sinais de que sabia muito bem dos meus sentimentos por Harry, e imaginei se ele não possuía sentimentos parecidos pelo ex-líder da Gangue dos Bruxos, Matthew. Alfred não tinha o hábito de trocar confidências comigo, e eu não me sentia à vontade para perguntar-lhe sobre sua vida amorosa. Mas tentava, de vez em quando, e através de indiretas, deixar claro que, se ele quisesse conversar sobre o assunto, eu estava ali.
Tinha arrepios só em pensar na conversa que já deveria ter tido com Escórpio sobre sexo. Lembro-me até hoje da minha conversa com Lucius e de quão embaraçosa ela havia sido. Não adiantaria tentar fugir dela, no entanto. Era apenas questão de tempo.
Numa tarde fria de fevereiro, resolvi caminhar sozinho pela propriedade. Agasalhei-me o máximo que pude. Astória não ficou muito contente por eu sair, ventava demais. Mas eu já não era o mesmo Draco Malfoy doente de antes. Aqueci minhas roupas com um feitiço e sorri. Um mero feitiço já não me deixava mais exausto, nem zonzo. Talvez com o tempo eu ficasse tão autossuficiente que pensar em Harry já não doeria tanto. Eu poderia voltar a ser o mesmo Draco Malfoy de antes, totalmente egoísta e narcisista.
Fiz uma careta. De jeito nenhum voltaria a ser o mesmo de antes. Já havia aprendido a lição, e das piores maneiras possíveis.
Meus únicos acompanhantes eram Athos e Aramis. Os meninos estavam em aula, e Astória estava ocupada com detalhes administrativos de sua loja. Apreciei o silêncio. A neve já ia se despedindo, e tive que tomar cuidado para não escorregar em alguns pontos.
Entrei em um pequeno gazebo e sentei-me. Um raio de sol tímido bateu em minha face. Fechei os olhos e respirei fundo. Senti tal paz de espírito naquele momento como há muito tempo não sentia. Queria aproveitar ao máximo a sensação de liberdade, o pensamento de que o velho Draco Malfoy já não me perturbava o espírito. Sabia que assim que abrisse os olhos e voltasse para casa, a sensação me deixaria. Eu ainda tinha muito chão pela frente, muita coisa pra enfrentar. Meu pai era uma delas. Harry Potter era outra.
Suspirei.
- Draco Malfoy e a sua eterna teimosia. – falou a voz que desde os meus onze anos me deixava louco de raiva, e desde os quinze despertava minha libido.
Abri os olhos de imediato. Meu coração foi a mil em segundos. Harry Potter estava bem ali, parado a poucos metros de distância, os cabelos negros sendo ligeiramente despenteados pelo vento, as mãos nos bolsos do casaco preto, os olhos verdes brilhando como jade. Tão absolutamente irresistível que quase me levantei de impulso e corri em sua direção para beija-lo até que ambos ficássemos sem fôlego. Como um maldito colegial.
- Teimosia por quê? – consegui perguntar com um tom bem Malfoy.
Harry deu um sorrisinho. Meu coração perdeu o compasso.
- Está deixando sua mulher preocupada, Malfoy.
- Ex-mulher. – corrigi sem pensar.
Pensei ter visto um brilho de satisfação nos olhos verdes. O sorriso escarninho foi aos poucos sendo substituído por aquele que me deixava com as pernas bambas. Levantei-me devagar, mas não fui na sua direção. Ainda não, pensei comigo mesmo. Não enquanto as coisas entre nós não se esclarecessem. Era a hora da verdade. O momento que eu tanta esperara estava bem ali.
- O que Astória te disse?
- Que eu o encontraria em algum lugar do jardim, passando frio e arriscando-se a pegar uma pneumonia.
Talvez o momento pedisse um comentário engraçadinho do tipo: 'estava esperando você vir me aquecer', mas só o que saiu foi:
- Estou perfeitamente bem e aquecido. Preocupado, Potter?
- Pode apostar que sim. – ele disse naturalmente, como se aquilo não fosse extraordinário. – Você percorreu um longo caminho para voltar a ficar doente de novo por um mero descuido da sua parte. Ou deveria dizer capricho?
- Capricho? – fiz uma careta. – Só estou dando uma volta. Nem está mais nevando. E estou perfeitamente protegido por feitiços, Potter. Já não estou mais tão fraco como antes, e meus poderes mágicos estão cada vez mais fortes.
- Foi o que ouvi dizer. – ele bem que tentou esconder o sorriso, mas não conseguiu. – Fico feliz em saber que está se sentindo tão bem a ponto de bancar o irresponsável.
Era uma provocação óbvia, mas por trás dela eu podia perceber que ele estava realmente feliz. Só mesmo Harry Potter tinha o poder de me fazer sentir tanto em tão pouco tempo. Já nem conseguia mais dar nome às sensações que me acometiam a cada sorriso dele.
Queria me jogar em seus braços como um tolo apaixonado. Claro que eu não o faria. Eu estava mudado, mas nem tanto.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, um analisando o outro. Embora Harry ainda parecesse abatido, sua aparência já não era mais de exaustão como da última vez que o vira. Imaginei se o coração dele batia tão apressado quanto o meu naquele momento. Sua postura dava a impressão de que nada naquele encontro o afetava, mas eu sabia que não era verdade. A verdade estava em seus olhos que soltavam faíscas de desejo, e no sorriso que vez ou outra ele deixava escapar. Não consegui me conter e sorri também.
- O que é tão engraçado? – perguntou ele, finalmente quebrando o silêncio, e fingindo um aborrecimento que não sentia.
- Você demorou, Potter.
Ele deu de ombros.
- Eu estava ocupado. – respondeu, como se aquilo bastasse.
- Eu também. Mesmo assim... – deixei as palavras soltas no ar.
- Sentiu minha falta? – ele me provocou.
Arqueei a sobrancelha. Será que um dia nos cansaríamos daquele jogo?
- Talvez sim. Talvez não.
Tinha comigo que aquela conversa deveria estar rumando para um caminho diferente, mais sério, mais... dramático. E, no entanto, as coisas estão tomando um rumo completamente inesperado. Talvez fosse melhor assim. Um recomeço mais leve. Sem dramas nem lágrimas. Somente dois homens que finalmente se davam conta que queriam ficar juntos porque já haviam perdido tempo demais.
Harry se aproximou finalmente. Será que ele conseguia perceber que a cada passo que ele dava meu coração batia cada vez mais forte? Será que ele conseguia ouvir seu descompasso?
Ficamos frente a frente. Molhei os lábios com a ponta da língua. Os olhos verdes foram atraídos imediatamente para minha boca. Suas mãos deixaram os bolsos e, numa lenta agonia, tocaram meu rosto. Não contive o suspiro de satisfação quando as pontas de seus dedos entreabriram meus lábios. Quis ronronar como um gato.
Meus dedos inquietos procuraram seu coração, e pude senti-lo bater tão sem compasso quanto o meu. Nossos olhos se encontraram.
- Com medo, Potter? – provoquei, evocando uma cena há muito esquecida.
- Vai sonhando, Malfoy. – disse ele rente a minha boca.
Enfim, nos beijamos. E danem-se as explicações. Naquele momento nada importava a não aquele momento, aquele beijo. Nós dois éramos livres. Só o que restava agora era beijá-lo muito, fundir-me a ele, matar a saudade.
- Não devia ter demorado tanto, Potter... – desabafei. Como uma criança mimada. O beijo de Harry havia derrubado todas as minhas defesas. Chamá-lo de "Potter" agora tinha muito mais gosto de preliminar do que qualquer outra coisa.
Ele mordiscou meu lábio e sussurrou:
- Estava apenas aumentando a antecipação do nosso reencontro.
Tive vontade de dar uma gargalhada. Quem diria que Harry e eu estaríamos aqui juntos e brincando um com o outro.
- Parabéns. Estou em ponto de bala. – disse.
- Acha que eu também não estou?
Para provar que estava falando sério, friccionou sua pélvis na minha. Senti seu membro roçar o meu. Em resposta, dei-lhe um beijo faminto. Nossas línguas se procuraram afoitas. Nossos corpos se moveram automaticamente. Achei que fosse gozar ali mesmo.
Quando percebi, estávamos ambos dentro do gazebos, completamente protegidos e escondidos do mundo lá fora por feitiços que nem escutei Harry conjurar. Caímos numa confusão de braços e pernas num colchão que também não estava ali há um minuto.
- Essa demonstração de poder está me deixando com tesão, Potter.
- É de propósito. Eu sei que você tem uma queda por poder.
Não me senti ofendido pelo comentário. Harry não estava me atacando e sim me provocando. Rimos, nos beijamos e nos despimos com a velocidade de um Pomo de Ouro. Sabia que não ia durar muito, e verbalizei o mesmo. Como resposta, Harry mordiscou a curva do meu pescoço e desceu deixando um rastro de fogo com a língua. Não pude evitar pensar que Harry parecia bastante inspirado e afoito. Tanto quanto eu. Seus gestos deixavam cada vez mais claro que ele sentira a minha falta. Enterrei minhas mãos em seus cabelos fartos e o puxei para cima num beijo faminto.
A fricção dos nossos membros um no outro nos levou rapidamente ao clímax. Gemi agarrado a Harry, minha boca na dele, nossas línguas entrelaçadas.
Nossa respiração entrecortada demorou a voltar ao normal, e mesmo quando isso aconteceu continuamos nos braços um do outro. Harry usou de magia para limpar os traços de nosso orgasmo. Por um instante fiquei triste. Era como se ele estivesse apagando os vestígios do que acabara de acontecer para que o mesmo não fosse usado contra ele. Era um pensamento bobo. É claro que Harry não faria isso. Como que para provar que eu estava sendo idiota, assim que o sêmen desapareceu, ele voltou a me abraçar e a me beijar.
Não queria deixar o mundo lá fora interferir no nosso mundinho. Não naquele momento. Mas algo dentro de mim insistia para que esclarecêssemos alguns pontos antes de prosseguirmos para a segunda rodada.
- Harry... – chamei numa voz rouca, ainda trêmula de desejo.
Harry afastou-se um pouco, apoiou a cabeça na mão esquerda e me olhou com tanta ternura que grande parte das minhas dúvidas se dissipou instantaneamente. Nunca tinha visto Harry me olhar daquela forma.
- Antes de qualquer coisa, - ele começou, - eu te amo. A verdade é que nunca me senti dessa forma com ninguém.
Meu coração quase saiu pela boca.
- De que forma?
Harry fez uma careta, e pude ver que ele estava desconfortável.
- Você sabe muito bem... – seu rosto ficou levemente vermelho. Achei adorável. Não era desconforto exatamente o que ele sentia. Era embaraço. O todo poderoso Harry Potter era apenas um homem no final das contas.
- Você está corando, Potter. – disse com um sorriso deliciado.
Ele escondeu o rosto no braço e murmurou um 'cala a boca, Malfoy'. Depois suspirou e me olhou novamente. Seus olhos brilhavam.
- Não vai tornar as coisas fáceis pra mim, vai? – ele perguntou.
- É claro que não. – respondi.
Harry me olhou intensamente, então procurou minha boca para um beijo profundo.
- Você me deixa maluco... – ele sussurrou entre beijos. – Encontrar você de novo me fez perceber certas coisas...
- Como o fato de que você me deseja tanto quanto eu te desejo?
- É.
Nossas testas se tocaram.
- Desde que nos encontramos de novo, não paro de pensar em você, o que pra mim é algo totalmente atípico. Eu sempre tive orgulho da minha capacidade de separar meus sentimentos pessoais dos meus deveres. Mas com você sempre foi diferente. Sempre. Desde o começo. Desde aquele primeiro encontro no Beco Diagonal. Você sempre teve o poder de me fazer perder a cabeça.
A voz de Harry soava zangada e incrédula conforme ele ia se abrindo. Eu podia até ficar chateado, mas a verdade era que eu sabia exatamente do que ele estava falando, porque eu me sentia da mesma forma quando o assunto era ele. Sempre.
- Talvez na nossa adolescência eu já soubesse bem lá no fundo que o que eu queria mesmo era te arrastar para uma sala de aula e me enterrar em você até eu me cansar... Mas com tudo o que aconteceu, era óbvio que eu nunca iria perceber, ou mesmo aceitar.
- Eu entendo. A mesma coisa acontecia comigo.
- E Gina... – Harry continuou. – Gina era o meu porto seguro. Eu sabia que podia contar com ela. Ela era a mulher ideal pra mim. Minha companheira, sem ser enxerida. Gina sempre me apoiou em tudo, mas ainda assim manteve sua personalidade. E me deu três filhos maravilhosos. Mesmo assim... Há muito tempo nossa relação vinha esfriando.
Os olhos de Harry ficaram perdidos no passado.
- Algo estava faltando, mas ao invés de analisar o assunto eu preferi me enterrar no trabalho, até que Gina se encheu e foi procurar o que eu não conseguia dar a ela em outro lugar...
Franzi o cenho.
- Está me dizendo que ela teve um caso? – perguntei estupefato.
Que cadela!
- Estou dizendo que se as coisas estivessem bem entre a gente, ela não teria me traído. E pode ir tirando esse sorrisinho do rosto. Meu ego ficou mais ferido do que meus sentimentos, o que por si só já dava a ela razão suficiente para eu não condená-la.
E também explicava bastante o comportamento de Harry nos últimos tempos.
- Então quando dormimos juntos... Foi uma forma de vingança contra ela?
- É claro que não! Não escutou o que eu disse? Não condeno que ela não dormiu com outro homem para me machucar. Mas o fato abriu todo o tipo de discussão, e no final das contas saí de casa. E você entrou na vida como um furacão. De repente toda a paixão que eu devia sentir por minha mulher estava sendo direcionada para você. Imagine o meu choque.
Eu imaginava muito bem. Tive vontade de me aconchegar a ele, mas deixei que ele continuasse. Harry precisava desabafar, e eu precisava ouvir o que ele tinha a dizer. Era importante que tirássemos aquele obstáculo do caminho.
- Você disfarçou muito bem seu desejo, Harry.
Ele deu um sorriso amargo.
- Eu tinha que disfarçar. Além disso, aquele desejo arrebatador me pegou completamente desprevenido, e no meio de um trabalho extremamente complicado. Eu nem sabia se podia confiar em você, ou até que ponto você estava envolvido com Os Poderosos e com a Gangue dos Bruxos. Tudo era uma incógnita, e você não pode negar que seu passado te condena, Draco.
Foi o meu nome sendo dito daquela forma tão natural que me impediu de ficar zangado com ele. De qualquer forma, eu não tinha o direito de culpar Harry por duvidar da minha inocência. Não quando eu havia sido um peão nas mãos do Lorde das Trevas.
- Seu pai também mais atrapalhou a investigação do que ajudou. Mas em sua defesa, ele estava mesmo preocupado com você. Da maneira deturpada dele, mas estava...
Suspirei. Soava mesmo como Lucius.
- Não quis usar você. – Harry disse baixinho.
- Eu me deixei ser usado. E você sabe que não poderia ter colocado as mãos no Livro dos Mortos sem a minha ajuda.
- Eu deveria ter levado seu pai.
Fiz uma careta.
- Meu pai é extremamente Sonserino, Harry. Ele conseguiu confundir a nós dois afinal de contas. Aposto que ele teria dado um jeito de colocar as mãos no livro sem se ferir e ainda deixar você preso lá dentro.
- Ah, eu gostaria de vê-lo tentar.
As mãos de Harry passearam distraidamente pelo meu abdômen.
- Sinto-me terrivelmente culpado por tudo o que aconteceu com você.
- Você não tem culpa de nada, Harry. – enlacei sua mão na minha. – As escolhas que fiz foram erradas, e paguei por elas. Ver minha magia se esvaindo foi o pior que poderia ter acontecido... Acho que muito do meu orgulho se foi no momento em que me juntei aos Comensais, e quando você tomou minha varinha... Bem, aquilo foi como um soco no estômago. A varinha de um bruxo é praticamente uma extensão dele mesmo.
- Eu sei. Se fizer você se sentir melhor, sua varinha se adaptou perfeitamente a mim.
Arqueei a sobrancelha, e já ia reclamar quando percebi o seu olhar maroto.
- Varinha traidora. – disse.
- Na verdade, sua varinha é mais esperta do que nós dois. Ela me aceitou plenamente. Não entende o que isso significa?
- Que eu sempre fui caidinho por você?
- Que somos perfeitos um para o outro. Sempre me senti bastante a vontade usando sua varinha. Ela acabou virando uma extensão minha também.
Sorrimos. Nunca tinha pensado daquela maneira. Perder minha varinha para Harry sempre havia sido uma humilhação. Mas saber que ela servira a ele tão perfeitamente me deixava satisfeito.
- Isso está mesmo acontecendo? – perguntei mais para mim mesmo do que para ele.
Harry chegou mais perto e me deu um beijo.
- Você e Astória estão mesmo se separando?
- Já te disse uma vez que eu e Astória sempre fomos mais amigos do que um casal.
- É, eu imaginei mesmo. Com todas as indiretas que ela vivia dando pra cima de mim...
- Indiretas?
- Sobre você e eu. Astória é uma mulher extremamente observadora.
- E sábia. – completei. - Astória sabe do que eu sinto por você, e sempre me deu a maior força.
- Percebi mesmo, principalmente quando ela me abraçou quando cheguei, me deu uma bronca por ter demorado tanto, e me disse que estava muito feliz por nós dois.
Dei uma risada ao imaginar a cena.
- E agora, Harry?
Ele respirou fundo.
- Não sei. Só sei que quero ficar com você. Quero continuar a explorar tudo o que você me faz sentir.
Ele me beijou o queixo, depois a testa, a ponta do meu nariz, e finalmente minha boca. Fiquei imaginando se algum dia eu me cansaria de seu gosto. Puxei-o para cima de mim.
- Eu te amo, por mais absurdo que isso pareça. – ele disse.
- Acredite, eu também acho bastante absurdo. – sussurrei entre um beijo e outro.
- Eu sou o salvador do mundo bruxo, Malfoy. É perfeitamente natural que você esteja apaixonado por mim.
Mordi seu ombro com força. Como retaliação, Harry prendeu minhas mãos acima da minha cabeça.
- Engraçadinho. – eu disse.
O sorriso cristalino e sereno de Harry me contagiou, e logo estava rindo também.
- Eu te quero. – murmurei.
Dessa vez nosso beijo foi mais longo e intenso. Senti Harry ficar excitado, e gemi de antecipação. Entreguei-me a ele por completo e senti lágrimas escaparem dos meus olhos quando ele se moveu dentro de mim.
- Eu te amo. – gemi.
Senti Harry estremecer, e em pouco tempo ele estava gozando. O prazer em seu rosto me fez apressar os movimentos da minha mão no meu membro e me aliviar quase que de imediato. Abraçamos-nos. Acariciei seu rosto e depois corri os dedos pelos cabelos negros molhados de suor.
- Acho que devíamos ter um primeiro encontro. – Harry sugeriu enquanto seus dedos passeavam pelo meu peito.
- O que as pessoas diriam?
- Ah, com certeza seria o escândalo do ano.
Seria engraçado, se não fosse pela dor que aquilo causaria aos nossos entes queridos.
- Teremos que ser discretos... – eu disse com resignação e tristeza. – Pelos nossos filhos.
Ser discreto não me incomodava. O que me incomodava era o fato de eu estar com Harry tomar proporções tais que afetasse o relacionamento que tínhamos com os meninos.
Harry concordou comigo.
- Eu sei.
- Disse alguma coisa a alguém? – perguntei. – Sobre nós?
- As pessoas mais próximas a mim sabem. Hermione foi a única que não quis me matar. Gina... Bem, ela me disse que só quer o melhor pra mim. E Ron provavelmente deve estar planejando o meu funeral. Os Weasleys foram bastante compreensíveis, embora Molly tenha ficado bastante chocada. Mas ainda não contei aos meus filhos.
O covarde em mim quis se esconder. Se eu pudesse, adiaria a conversa com nossos filhos pelo máximo de tempo possível. Meu medo não era nem da reação dos meus, mas dos de Harry.
- Ainda temos um longo caminho pela frente, Malfoy. – Harry suspirou e me fitou. – E não vai ser nada fácil.
- Se você está disposto a ficar comigo, Potter, tenho certeza que eu posso encarar qualquer coisa que venha pela frente. Quer dizer, sobrevivemos a Voldemort.
- Ah, finalmente perdeu o medo de falar o nome dele em voz alta? – ele me provocou.
Fiz uma careta, que foi cortada por um beijo doce.
- Vamos mesmo ficar juntos? – perguntei antes que pudesse me conter.
- Eu estou aqui, não estou? Exposto. Literalmente nu. – Harry me aconchegou em seus braços. – E completamente viciado em Draco Malfoy. Ah! Esse sorrisinho sacana eu aprovo.
Meu sorriso apenas se largou. Harry Potter, o desgraçado. Mas todo meu a partir de agora.
Tive a certeza naquele instante que uma nova fase começava para ambos.
FIM
Próximo capítulo: Epílogo!
