Capítulo XXVI – Sucesso indesejado
Gabriel só voltou à normalidade no dia seguinte. O sol batia-lhe na face e piorava a horrível dor de cabeça que sentia. Abriu os olhos e levou uma mão à testa, tonto. Onde estava ele? Aquele não era o seu quarto. E estava vestido. Porque tinha ele dormido vestido?
Então fez-se luz no seu cérebro e ele reconheceu aquele quarto. Não queria acreditar que estivesse ali e só se convenceu quando encontrou Brooke ao seu lado. Brooke? Que tinha acontecido no dia anterior? Gabriel estivera numa sala vazia com Carl até… O que é que tinha acontecido?
De repente lembrou-se de algo importante. Levantou-se da cama urgentemente e olhou para os seus pés. Quando viu que continuavam tão feios aos seus olhos como sempre pensara, concluiu que algo havia corrido terrivelmente mal.
Ao olhar para o relógio que ele sabia que existia na mesa-de-cabeceira da rapariga, ele viu que já passava das dez da manhã. Já tinha faltado a uma aula pelo menos. Com pressa, calçou-se e depois de olhar para a forma de Brooke, bufou zangado. É claro que ela ainda dormia. Tinha sido suspensa por uma semana. De qualquer modo, dali a uma semana ajustaria contas com ela. Naquele momento, ele só queria saber o que tinha acontecido.
Caminhar ao ar livre até à escola de algum modo apurou-lhe os sentidos e deixou-o a sentir-se mais leve, a dor de cabeça cada a vez a diminuir mais.
Mas, claro, o seu dia não podia melhorar muito mais. Para seu azar, a primeira pessoa com quem se encontrou mal entrou na escola, foi Jinette, que logo lhe enviou um olhar desagradável, significando que não teria sossego em casa. E desta vez, o homem obviamente teria razão, já que Gabriel não dormira em casa, não avisara que o iria fazer, e faltara a duas aulas. E não valeria a pena tentar explicar, Gabriel tinha a certeza que mesmo que Jinette estivesse disposto a ouvir, não iria acreditar na sua história louca. Victor talvez acreditasse. Michael Jinette, não. E Gabriel não podia criticá-lo: se ele próprio não tivesse passado por aquilo, talvez também não acreditasse.
Jinette descera as escadas até ao rés-do-chão, o que significava que saíra de uma aula, portanto agora era um intervalo. Célere, ele percorreu todo o recreio, em seguida a cafetaria, e só encontrou os amigos ao procurá-los na sala de convívio. Encontrou a pessoa que procurava com grande facilidade, era a única que parecia depressiva. Carl estava com a cabeça deitada no colo de Verona, uma expressão vazia a adornar-lhe a face. Parecia não estar a ouvir nada do que se conversava e naturalmente não o viu a aproximar-se. Outra pessoa, pelo contrário…
"Gabriel!" disse Anna, indo ao encontro dele e parecendo preocupada. "O que aconteceu?"
"O que aconteceu?"
"Sim!" exclamou ela, como se fosse a coisa mais óbvia. "Disseste que ias ficar até mais tarde com o Carl e depois não apareceste em casa?"
Gabriel quase riu e ia perguntar como ela sabia daquilo quando ela voltou a falar. "O Jinette ligou-me ontem, preocupadíssimo, e ficou ainda mais aflito quando eu disse que não fazia ideia de onde tivesses ido."
Desta vez, ele riu-se mesmo, mas parou ao sentir uma repentina dor no estômago e na cabeça ao mesmo tempo. Não estava a gostar nem um pouco daquela conversa. "Espera. Ele ligou-te a ti? Logo a ti?" perguntou ele, com um tom bastante desagradável. "Porque raio fez ele isso?"
"Gabriel!" quase gritou Carl. Chegou ao pé dele e não disse mais nada, apenas começou a abanar o rapaz mais alto, o que não melhorou o estado da cabeça dele. Carl estava excitado, ansioso, completamente descontrolado. Eventualmente, falou. "Podes dar-nos dois minutos, Anna? É um assunto de vida ou morte." Não esperou resposta e rapidamente arrastou Gabriel escadas acima até ao corredor em frente à cafetaria. Por isso não viram a cara de confusão e aborrecimento da rapariga.
"O que é que ela fez? O que é que aquela louca fez?" perguntou Carl, quando se viu longe da sala de convívio. Carl esperou a resposta, tremendo de medo e ansiedade, rezando que Gabriel não dissesse que Brooke não era louca alguma, mas o amor da sua vida. Implorou isto a Deus com todas as suas forças. Se isso acontecesse, ele nunca se perdoaria.
"Isso pergunto-te eu! Ia tendo um ataque do coração quando acordei no quarto dela. O que aconteceu?"
"Então tu não a adoras?"
"Eu! Não! Ainda a desprezo. Muito obrigado!"
"Graças a Deus! Graças a Deus! Não funcionou! A minha teoria é lixo! Que alívio, meu Deus!" Carl falou isto, deitando as mãos aos céus. Estava felicíssimo. Começou a explicar o acontecido numa grande velocidade. "Se soubesses o que eu sofri desde ontem até há pouco. Não vais acreditar no que aconteceu. Aquela maluca apareceu de repente e o Frank agarrou-me e não me deixou fazer nada. Ela começou a falar-te alguma coisa, só que eu não ouvi. Tu tinhas ficado quase que hipnotizado e ela ameaçou contar a toda a gente que eu te tinha deixado naquele estado. Levou-te para casa dela e eu só pôde esperar. Lamento imenso, Gabriel."
Gabriel não teve a certeza de ter conseguido ouvir tudo, mas apostava que o essencial, sim. "Não há problema, está tudo bem, agora," assegurou.
Carl sorriu, apreensivo. "Como te sentes?"
"Melhor. Muito baralhado."
Muito mais calmo e apto para pensar, Carl disse, "Baralhado?"
"Sim, existe um monte de brancas no meu cérebro. É horrível. Achas normal?" perguntou Gabriel.
Carl ficou algum tempo a ponderar e não gostou particularmente das possíveis explicações que pensou para o problema do amigo. "Não."
"Bem… dizes que o Frank te agarrou? Desgraçado." Gabriel sentia uma grande quantidade de antipatia pelo dito outro rapaz. Branca. Não sabia bem dizer porquê, mas sentia.
"Esquece isso por agora," aconselhou Carl. "Vamos ver como as coisas se passam contigo. Agora é melhor ires ter com a tua namorada, ela parecia preocupada."
Gabriel tinha começado a acenar com a cabeça e parou ao ouvir a última frase do amigo. Uma expressão confusa tomou conta do seu rosto.
"Namorada?"
N/a: Há mesesque não actualizava... :$ Mas pronto, cá está. É pequenino e tal mas eu tive de parar aqui. Adoro cliffhangers mwahahahaha!
