Capítulo XXV

Saphira? Saphira!

Era um tom preocupado, carregado de angústia. Eragon passava correndo por todas a celas das masmorras tentando encontrar seu dragão azul. Não era possível que não estivesse ali!

Subiu mais um lance de escadas após aquele corredor. Encontrara apenas um sentinela dormindo a sono solto e os outros deveriam ter sido chamados para defender o lado de dentro do castelo.

Saphira?!

Pequeno?

SAPHIRA!

As escadas davam para outro corredor com mais prisioneiros e Saphira ocupava a maior das celas. Estava segura entre correntes com magia e havia muitos feitiços sobre sua jaula. Eragon arrebentou a grade sem nem mesmo dizer qualquer palavra e atirou-se ali para abraçar seu dragão.

Não saberia dizer mais tarde quanto tempo havia se passado enquanto estavam ali, mas estar perto de Saphira novamente era a melhor sensação do mundo. O cavaleiro também não fez questão de segurar as lágrimas que vinham de saber que seu dragão estava ali, ao seu lado, e era de onde nunca deveria ter saído.

Saphira bufou, chorando de sua maneira. Cavaleiro e dragão não precisavam dizer nada para expressar o quão feliz estavam.

Eu sabia que você viria! Foi você que causou todo esse barulho?? Como você coneguiu entrar, Eragon? Você não devia!

Deixe-me tirá-la daí.

Tem idéia de como isso pode ser perigoso? Como você pretende sair daqui sem ser visto?

Tenho tudo planejad,o Saphira! Riu ele em resposta e passou a murmurar todos os feitiços complexos que sabia para libertar o dragão. Saphira rosnou contrariada. Confie em mim, sussurou Eragon.

E ela o olhou com suas grandes orbes. Ela confiava. Era seu pequeno, seu cavaleiro e ele estava ali, junto dela.

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Nasuada era habilidosa com a espada, certamente, mas estava exausta. Murtagh defendia todos os seus golpes com destreza e não parecia cansado que maneira nenhuma. Ela sabia que ele estava quase brincando com ela, pois ele nunca a surpreendia e golpeava como se soubesse que poderia defender-se.

Ela afastou-se por um momento e enxugou a testa com o braço. Olhou-o como se esperasse algum comentário ou um ataque súbito mas Murtagh continuava com aquela mesma expressão esquisita.

Era óbvio que ele estava surpreso com aquela invasão. Duvidava que Galbatorix tivesse previsto qualquer coisa parecida; de certo muito confiante de que seus inimigos eram tão mínimos que seria impossível colocar em prática algo tão audacioso. Subestimar o oponente era típico do tirano; o orgulho acima de tudo.

Murtagh não desejava machucar Nasuada. A última coisa que precisava era duelar com a líder dos Varden, mas seu juramento ainda valia. Portanto, a saída era continuar a desviar de seus golpes e esperar que alguma coisa interferisse.

Thor continuava a se engalfinhar com Georhgio pelos ares e chamas atingiam os telhados do castelo, destruindo-o pouco a pouco e aterrorizando os que ainda estavam em seu interior.

Não havia como sair dali, Murtagh imaginava. O exército do próprio Galbatorix estava bloqueando as passagens e defendendo as muralhas. Mas algo devia estar errado.

Um pouco distante dali, o cavaleiro via homens gritando e tentando se aglomerar numa nova formação; deixavam a muralha para virar-se para a direita. Nasuada não fazia questão de mover-se novamente, pois também observava a confusão que se formava.

Então ele viu. Uma fileira de elfos, sempre altos e graciosos, marchando em uniformes carmim numa sincronia perfeita, quase hipnotisante. Como eles haviam conseguido entrar? Era a cena mais aterrorizante que ele já havia visto e imaginou-se do lado de fora do castelo, onde haveria centenas deles caminhando resignados para a batalha.

Apesar de horrorizado, esboçou um meio sorriso. Se a vitória fosse possível... Mas não conseguiu concluir o raciocínio, já que Nasuada havia se recuperado da entrada de seus aliados e partiu para o ataque novamente.

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George, antes que Thor pudesse rosnar para logo mordê-lo, gafastou-se e girou o rabo comprido velozmente, direto no focinho de seu inimigo.

Thor voou para longe e rugiu alto para o dragão esmeralda, mas este não demorou-se em mergulhar para dentro do castelo atrás de sua cavaleira.

VIOLET!

A garota estava no chão, de joelhos, juntando toda a sua energia para levantar-se, ainda que sentisse o peso do mundo sobre seus ombros, foçando-a para baixo. Sangue lhe escorria pelos braços e pigava por entre os dedos das mãos. Estava também ferida no rosto, manchado então de escarlate.

Lágrimas rolavam por sua face, tamanha era sua frustração por não poder erguer-se para continuar. Galbatorix a olhava satisfeito, um sorriso indecente em seus lábios finos. Seu dragão negro rosnava baixo, num ruído constante e tedioso, sempre igual.

Georhgio rugiu, quebrando o que restava das janelas do salão principal. Mostrava os dentes para a criatura que o olhava inexpressivamente, algo ainda menor que desprezo.

- Ah... Muito bonito o seu dragão. Uma graça.

E a última palavra saiu arrastada, tão irônica e cruel, e ainda assim, Galbatorix não havia movido os lábios, de modo que ainda sorria.

Violet finalmente tornou sua cabeça para cima, para encará-lo. Sentia-se pesada, inerte fisicamente. Mover os olhos já exigia força demais; a magia do tirano colava-a ao chão. E não era só. O ar que os envolvia também era pesado, mórbido e a cavaleira nunca havia se sentido tão fraca. Mal podia ouvir George berrando em sua mente, tentando comunicar-se.

O dragão esmeralda rugiu novamente, empurrou Violet violentamente com a cabeça, a fim de despertá-la daquele estado e voou para cima de Shruikan. Este parecia ter previsto o ataque e abriu a asas como que para acolher o outro e George embolou-se em mais uma luta.