N/A: Atlanta era uma cidade na Austrália, mas com o tempo descobriram que nos Estados Unidos também tinha uma cidade chamada Atlanta, então mudaram a cidade da Austrália de nome. Não me lembro muito bem, mas ou é Sidney, ou é Weipa... Enfim, Blaine tá na Austrália!
– Ele não quer falar com ninguém, e Blaine não está atendendo ao telefone porque está dentro de um avião atravessando o oceano. Você é minha última esperança! - Finn se encostou ao lado do armário da amiga, fechando os olhos e lembrando a situação de Kurt.
A loira fechou seu armário e encarou o grandalhão.
– Deixe comigo.
[...]
Kurt estava deitado em sua cama, com seu travesseiro em cima de seu rosto. Estava assim fazia um tempo já. A tarefa de esquecer Blaine estava quase completa. Escorregou seus dedos até o criado-mudo.
"São 15:30hrs. De um domingo, dia 31."
Merda. A missão "esquecimento do médico fofo" foi totalmente arruinada. Kurt fechou seus olhos e ouviu batidas rápidas na porta.
– Posso entrar?
– Tenho escolha?
– Kurt, você está na fossa. - Quinn brincou, se jogando em cima do amigo. Kurt gargalhou por alguns segundos, mas depois se lembrou de que não estava bem o suficiente para rir. - Ei, qual é? Vai tirar essa bunda gorda de casa ou não?
– Não. - Falou gargalhando baixo.
Quinn torceu os lábios e caminhou até a cortina, a fechando. Kurt ouvia a loira em seu quarto, mas não tinha a menor ideia do que a líder de torcida estava fazendo. Tirou o travesseiro de cima de seu rosto e se sentou na cama, procurando algum sinal do que Quinn aprontava.
A loira saiu do quarto e desceu as escadas. Era isso? Ela iria embora? Já não bastava Kurt se sentir sozinho o suficiente, ainda acabava afastando as pessoas de si. Quando pensou em descer e chamar por Quinn, a loira já estava de volta ao quarto, mexendo na prateleira do Hummel.
– O que você está fazendo? - Perguntou curioso com uma pitada de ciúmes de suas coisas.
– Onde está aquele filme que você tanto me enche o saco para assistir com você? - Quinn deixou algo cair, mas não se importou. - Nossa, seu quarto é uma bagunça.
– Quinn! - Gritou, chamando a atenção da loira. - O que você está fazendo?
Quinn deu de ombros e ligou a televisão no canto do quarto de Kurt. Inseriu o dvd, pegou o controle em suas mãos e se sentou no lado vago da cama de Kurt. O castanho apenas a encarava, como se perguntasse qual diabos era sua intenção ali. Kurt queria ficar sozinho, com um ou mil travesseiros em seu rosto, queria fazer greve de conversações, greve de fome, greve de pensamentos. Queria apenas deitar e ficar ali, sem pensar, apenas deitado.
A loira deu uma colher para o amigo e pegou uma para si, enquanto colocava o pote de sorvete em seu colo.
– Quinn...? - Perguntou incerto.
– Olha Kurt, como é sua primeira vez nisso vou te ajudar. - Quinn deu play e o filme começou a rodar na televisão. - Términos são difíceis, sei que são. Veja por mim. Estou na casa do meu ex-namorado após pegar uma carona com ele e sua atual namorada, e saber que não posso descer as escadas porque senão vou presenciar uma imagem não muito agradável dos dois se devorando no sofá da sala. - Kurt soltou um sorriso bobo. - Mas como qualquer término, nenhum é mortal. - Abriu o pote de sorvete de flocos e colocou entre os dois corpos. - Temos que levantar a cabeça e ficar firmes, porque eles não devem nunca saber que estamos por baixo. E como dizem, sempre há um vencedor e um perdedor após um término... Você quer ser qual dos dois? - Quinn encarou Kurt.
– Você é qual dos dois? - Falou Kurt limpando a garganta e mudando o foco da conversa.
– Bom, como eu disse, Finn está aos beijos com Rachel Berry nesse exato momento... Acho que eu ganhei essa, certo? - Ambos os amigos gargalharam.
– Obrigado. - Disse Kurt apoiando sua cabeça no ombro da loira.
– Você fica me devendo uma. - Sorriu. - Mas agora me conte a história do filme porque estou sem entender nada até agora.
– Então, Baby viaja com seus pais e fica entediada a viagem toda, quando descobre uma festa escondida entre os arbustos. Lá ela dança com um professor de dança, por quem acaba se apaixonando e... - Quinn o interrompeu.
– Chato.
– Apenas... Preste atenção. Dirty Dancing é um clássico!
Quinn não prestou muita atenção ao filme, apenas prestou atenção no sorriso nos lábios de Kurt ao "assistir" ao filme e devorar o pote de sorvete praticamente sozinho. Era sua primeira experiência em términos de namoro. Quinn não podia prometer que o coração do cego nunca mais se quebraria, mas poderia prometer que estaria ali para juntar os pedaços.
Kurt foi se recuperando com o tempo. Seria idiotice minha falar que ele havia esquecido o médico, sentia a mesma falta de antes, mas agora Kurt sabia controlar. Seus dedos tremiam para não discar o número do moreno em seu celular, mas preferiu esperar Blaine o ligar. Ele nunca ligou.
Kurt já comia normalmente e fazia planos para a cirurgia que iria fazer - sim, ele se arriscaria por dois motivos. O primeiro era que talvez isso o desse a chance de voltar a enxergar, e para Kurt, esse era o que o garoto mais queria no momento. Mas não sejamos bobos, Kurt estava morrendo de medo da cirurgia, de acontecer alguma coisa errada, mas não desistiu, pois no fundo esperava que Blaine voltasse, nem que fosse para um rápido "não faça isso". Blaine nunca voltou.
Blaine partira em dezembro. Dia 25 de dezembro. E desde então Kurt não teve nenhuma notícia do moreno. As folhas das árvores de Lima começavam a brotar e toda a neve que antes preenchia a rua havia escorrido para um bueiro mais próximo. Era o jeito do mês de março dar "olá".
Kurt se sentiu particularmente empolgado naquele dia. O motivo de tamanha alegria estava dentro de uma caixinha de música ao lado de sua cama. Tomou um banho rápido (e com rápido, eu quis dizer demorado, porque afinal, ele era Kurt Hummel), colocou roupas simples (as mais chiques do guarda-roupas) e pegou seu ticket dentro da caixinha, rápido o suficiente para impedir aquela maldita bailarina de cantar. La Vie en Rose costumava ser uma das músicas preferidas de Kurt, agora... Agora era só uma lembrança ruim.
Kurt desceu as escadas correndo, ignorando o perigo que pudesse ser. Hoje fazia exatamente um ano que perdera a visão, mas o castanho conhecia aquela casa de canto por canto. Chegou ao andar de baixo, escutando risadas vindas da cozinha, então caminhou até Finn e Rachel.
– Ainda não acredito que estamos indo para Nova Iorque. - Gritou.
– É só por alguns dias, até acharmos um lugar para morar, mas é maravilhoso! - Rachel abraçou o amigo, Finn apenas sorria.
– Onde está Quinn? - Perguntou confuso. Havia ouvido a voz da loira também.
– Foi atender um telefonema de Carl. - Finn revirou os olhos. Não que estivesse com ciúmes da ex-namorada, mas é que Finn sempre teve esse comportamento que, mesmo se não quisesse, tudo que um dia já havia o pertencido, ainda era seu.
– Bom. - Kurt batia palmas. - Minhas malas já estão prontas, meu pai disse que daqui a alguns minutos estará em casa para nos levar ao aeroporto e estou com o ticket de embarque em minhas mãos! - Disse animado. - Falta alguma coisa?
– Que tal um abraço de despedida? - Perguntou Carole com uma voz chorosa. Kurt correu até a mãe e a abraçou com todas as forças.
– Ei, eu volto em uma, duas semanas no máximo. - A abraçou da mesma maneira que Carole havia o abraçado meses atrás, um pouco antes de terminar com Blaine. Aquele maldito cheiro do cabelo de Carole lembrou Kurt daquele dia, o que fez o castanho tirar o sorriso do rosto.
Não demorou muito até Burt chegar em casa. Carregaram a caminhonete do mecânico com as malas de Rachel, Finn, Kurt e Quinn. As duas mulheres estavam no banco de trás conversando animadas sobre John Mayer ser visto em um voo para Nova Iorque e sobre a possibilidade delas o encontrarem no aeroporto. Finn jogava algum jogo no celular, flappy bird era seu nome. Tinha sua testa franzida e seus dedos tremiam: como um jogo poderia ser tão horrível? Faltava apenas Kurt para poderem ir até o aeroporto.
Kurt se despedia da madrasta e a prometia que iria voltar em breve. O castanho deu uma última suspirada antes de sair do conforto de sua casa e caminhou até o carro com o pai. Colocou seus óculos escuros e guardou sua bengala, ficando de frente para o homem mais velho.
– Kurt... - Disse Burt com os olhos marejados.
– Pai, se você chorar eu choro, e se eu chorar meus olhos vão começar a doer e você vai me impedir de entrar naquele avião. - Kurt soltou uma risada gostosa. - Todos sabemos que meus sonhos de morar em Nova Iorque, broadway, vogue e tudo mais estão arruinados...
– Não fale assim...
– Não estou me tratando como vítima, estou falando a verdade. - Kurt segurou as duas mãos do mais velho. - Você sabe que só estou acompanhando o casal do ano porque tenho uma consulta marcada com o oftalmologista mais famoso de Nova Iorque. Quinn irá me levar até o consultório enquanto Finn e Rachel escolhem uma casa, e iremos agendar minha cirurgia. Sei que Blaine falava que era perigoso, - Suspirou ao lembrar do ex. - mas é um risco que tenho que tomar. Já conversamos sobre isso, certo?
– Sim, mas... - Burt deixou uma lágrima rolar em seu rosto. - Já não me bastasse o que aconteceu com você naquele maldito dia, te ver imóvel em uma cama cheio de machucados... Não quero passar por aquele desespero novamente.
– O que é isso? Nem parece o Burt Hummel que eu conheço! - Kurt abraçou o pai, que puxou o filho pra perto (muito perto). - Eu vou ficar bem. Nós vamos ficar bem! Se esse médico também falar que a cirurgia é de risco, eu não a faço. Assim fica melhor pra você?
Burt assentiu, ainda perdido na curva do pescoço do filho. Ficaram alguns segundos ainda abraçados, quando o mais velho soltou o castanho para ir.
– Agora vá, antes que você perca esse voo e fale que foi minha culpa. - Deu uns tapinhas nas costas do filho.
Kurt sorriu para o pai e entrou no carro. Finn acenou para a mãe, assim como Rachel e Quinn e logo o carro descia a rua. O caminho até o aeroporto foi silencioso. Kurt apreciava o vento da janela em seu rosto, e se odiou pelo fato de não enxergar nada em sua primeira vez à Nova Iorque, mas sabia que isso era uma condição temporária.
Assim que o avião pousou e todos os adolescentes finalmente estavam no saguão do maior aeroporto do país. Nova Iorque os chamava cada vez mais forte. O barulho era imenso, quase ensurdecedor e Kurt queria naquela hora não ter melhorado sua audição durante a cegueira. Mas apesar de todos os sons, as pessoas os empurrando para passar ou a confusão no canto do aeroporto, um sorriso se instava nos rostos daqueles jovens.
– Nova Iorque. - Rachel gritou animada.
Finn suspirou e caminhou com a morena até os taxis. Quinn "engalfinhou" seu braço no do amigo e foi atrás do grandalhão e da judia. O taxi seguiu até uma cafeteria apertada entre dois prédios, mas para o alívio dos jovens aventureiros, estava praticamente vazia.
– Um cupcake e uma água com gás para Rachel... - A garçonete leu o nome no café. - Um donut e um achocolatado para Finn e um média expresso para Kurt. - A garçonete finalmente olhou para Quinn. - Um prezzel para Quinn, junto com um cappuccino e o número do meu telefone.
E com uma piscadinha saiu de cena, rebolando enquanto levava as bandejas de volta para o balcão.
– Nem em Nova Iorque, Quinn?
Rachel gargalhava, mas a loira apenas deu de ombros. Alguns minutos se passaram e a conversa foi ficando mais animada. Rachel e Kurt tagarelavam sobre os musicais, peças que estavam em cartaz por toda a Time Square, já Finn e Quinn se perguntavam se o hotel tinha canais esportivos.
– Então... - Rachel mudou de assunto, chamando a atenção de todos. - Daqui a alguns minutos temos um encontro com Belle, a nossa corretora. Nos e-mails ela me disse que tem ótimos apartamentos, e que o preço é maravilhoso... - Sorria.
– Porém...?
– Como você sabe que tem um porém, Quinn?
– Apenas diga. - Deu uma mordida em seu café-da-tarde.
– Porém... - Quinn sorriu e Rachel se deu por vencida. - Porém o aluguel só começa a baratear a partir de quatro moradores. Finn e eu já nos decidimos e iremos morar aqui, e qualquer um desses apartamentos será nosso.
– Isso é você pedindo para morarmos com você? - Quinn franziu o cenho.
– Eu venho. - Kurt deu de ombros.
– Mesmo? - Assentiu. - E você, Quinn? Por favor...
– Que seja. Mas quero que meu quarto seja o mais longe do de vocês. Não quero ter que ouvir o barulho das banhas de Finn se esfregando em você. - Fingiu uma cara de nojo.
– Tudo bem. - Finn sorriu sem graça. - Caraca, já estamos atrasados. Vamos?
O casal se levantou da mesa, mas Quinn e Kurt continuaram sentados. A loira encarou o cego por alguns segundos, e voltou a encarar Rachel e Finn.
– N-nós... - Perdeu as palavras.
– Tenho uma consulta marcada daqui a alguns minutos também. Foi por esse motivo que vim para Nova Iorque, mas boa sorte, escolham o melhor apartamento possível. Provavelmente o que Rachel gostar, eu apoio. - Kurt deu um sorriso fraco.
– Hey, bro. - Finn andou até o irmão. - Então quer dizer que você vai mesmo fazer essa cirurgia? Poxa, você se lembra do que Blaine disse. É arriscado e pode até te matar!
Kurt limpou a garganta e completou: - Não dou a mínima pro que Blaine disse. Vou me consultar com um médico aqui em Nova Iorque e ele vai me aconselhar se devo fazer ou não. - Os jovens sentiram o desprezo na voz de Kurt. - O nome dele é George Whil, e dizem que ele é um dos melhores.
– Se você diz... - Finn deu de ombros. Deu um abraço caloroso no irmão e na amiga e se despediu da cafeteria, indo encontrar a corretora de imóveis. Quinn segurou a mão do melhor amigo e ficaram ali por mais algum tempo, não muito para não se atrasarem.
O taxi até o consultório do doutor Whil demorou anos para chegar. Kurt poderia contar quantos segundos faltavam para o próximo semáforo abrir, e para o outro fechar. Porque diabos Nova Iorque estava tão agitada em plena segunda-feira? Mais alguns minutos e o maldito taxi estacionou em frente a um enorme edifício - não como se Kurt pudesse ver, mas ele sentiu o sol se esconder atrás de uma enorme plataforma.
Pagaram quase todo seu orçamento do final de semana naquela consulta, mas Kurt tinha um sorriso no rosto e não se arrependia de ter gasto um centavo. Entrando no prédio caminharam até o elevador, já que o tal consultório ficava no sexto-andar.
– Está com medo? - Quinn pegou a mão do amigo.
– Apavorado. - Apertou a mão de Quinn novamente.
Os amigos andaram de mãos dadas até a porta com enormes letras que diziam Dr. George Whil, oftalmologista geral. Quinn deu o primeiro passo e logo estavam dentro da sala do doutor. Kurt tinha em mãos seus antigos exames com o Doutor Anderson e esperava ansiosamente sua vez.
– Kurt Hummel, o doutor irá vê-lo agora.
Disse uma secretária baixinha que Quinn julgou já ter visto em algum lugar antes, mas ignorou e acompanhou o Hummel até a sala de George. Era grande e bem decorada, e Quinn pode jurar que suas pernas bambolearam assim que viu o doutor. Porque todos os oftalmologistas eram gatos?
– Sr. Hummel, queira se sentar, sim? - Falou o homem com uma voz grossa, porém amigável. Kurt associou a voz e o nome ao de George Clooney, então era isso. A partir de agora, seu médico era George Clooney. - Tudo bem?
– Digamos que meus dias andam escuros. - Brincou, fazendo o médico dar uma gargalhada baixa.
– Vejo aqui em seus exames anteriores que você tinha um dos melhores médicos para seu caso, o doutor... Anderson. - Dizia folheando os papeis. - Porque encerrou suas consultas com ele?
– Hm... - Kurt gaguejou. - E-ele se mudou, encerrou os serviços na minha cidade. Disseram que o senhor é o melhor, então talvez pudesse me ajudar. - Sorriu sem jeito. Quinn ainda estava babando pelo médico.
– Senhor? Muita formalidade para um médico de 27 anos. Me chame apenas de George. - Kurt sentiu um frio percorrer por sua espinha. - Mas então, Kurt, o que você veio exatamente fazer aqui?
– George. - Repetiu para si mesmo. - Como o Blai...-Doutor Anderson colocou nos meus exames, eu ainda tenho sensibilidade à luz, dores de cabeça, enjoos... - Foi interrompido.
– E ele te recomendou a rara cirurgia de Recuperação de Sulco e Fluídos? - Perguntou antecipado.
– Não, não. Ele achava muito arriscado e tinha medo que pudesse me perder... - O médico arqueou uma sobrancelha. - ...Perder um paciente na mesa de cirurgia. Mas eu li, pesquisei sobre essa cirurgia e mesmo tendo apenas 55% de chances de voltar a enxergar, ou até mesmo, continuar vivo... - Engoliu seco. - É algo que eu quero fazer, e se você me falar que não, irei provavelmente atrás de outro médico até achar algum que aceite essa opção.
– Bom, Kurt... - George tirou seus óculos e colocou sob a mesa. Procurava algum modo de dizer que não soasse como "hey, seja minha cobaia", mas precisava. - E-eu aprovo essa cirurgia.
– Mesmo? - Perguntou Quinn, saindo de seu devaneio.
O que George estava pensando? Não podia pegar uma pessoa e simplesmente a deixar fazer uma cirurgia arriscada para terminar seu livro. É claro que, se a cirurgia ocorresse tudo certo, George ficaria entre os médicos oftalmologistas mais conhecidos do mundo, mas se não desse, a vida desse garoto estaria em jogo. O médico podia ver através dos óculos escuro do cego a esperança, o brilho nos olhos de Kurt.
– Mesmo, doutor? - Kurt tinha uma pitada de esperança.
– S-sim. - "George, seu maluco. O que você está fazendo? Ele é apenas um garoto de 18 anos, que ficou cego por causa de um acidente lastimável e você está o usando como cobaia?" dizia o lado sensato de seu cérebro, porém também havia o lado irracional que gritava "que se dane, faça isso logo! Seu livro completo pode trazer à outras famílias experiências, e se esse garoto morrer na sala de cirurgia, será apenas uma fatalidade, nada que seja sua culpa". George ignorou seus pensamentos e resolveu seguir o lado errado. - Mas é claro que precisamos ter uma bateria de exames antes... - GEORGE! - Mas, sim, eu posso ser seu oftalmologista.
Kurt tinha um sorriso enorme no rosto, de orelha à orelha praticamente. Quinn abraçou o amigo e ficaram de mãos dadas esperando o médico terminar de observar os exames.
– E então, doutor... Qual é o primeiro passo? - Perguntou se recuperando das lágrimas.
– Bom... - Fechou o prontuário de Kurt. - Primeiramente teremos que fazer uma cirurgia básica antes da principal. Ela irá raspar sua córnea para deixá-la pronta para a cirurgia de maior risco... - O médico suava frio. Como conseguia ser tão malvado com um menino cheio de esperanças? - Como seu caso é muito, mas muito raro, queria pedir sua permissão para fazer um pequeno documentário, coisa básica, para uso pessoal... Apenas relatando a cirurgia e os resultados depois dela.
– Tudo bem, parece justo. - Quinn assentiu, e Kurt concordou com a loira.
– Dependendo de sua pressa, as coisas irão se ajustar... Como aonde fazer a cirurgia, e com quem fazer.
– O quanto antes possível. - Atropelou o médico. - Confio em você! Escolha o médico, o lugar e até a cor dos lençóis. - Falou confiante.
– Kurt, você não acha que está indo rápido demais?– Sussurrou Quinn, mas Kurt deu de ombros. Seu coração batia forte. Queria, mais do que tudo, voltar a enxergar e pular essa fase horrível de sua vida.
– Tudo bem. Irei agendar sua primeira cirurgia para semana que vem. - Kurt assentia animado. - Irei lhes dar um documento com seus dados para preencherem, e assim que estiver tudo pronto, lhes mando as passagens. Obviamente, o hospital cobrirá todas as despesas.
– Passagens? - Perguntou Kurt curioso.
– Sim. A cirurgia pré-recuperação de sulcos e fluídos é bem rara e somente um hospital é capaz de fazê-la com cem por cento de exatidão, então mandaremos você e toda sua família para um hotel perto desse hospital.
– E onde fica? - Quinn perguntou animada. Estava louca para tirar férias mesmo.
– Em Atlanta, na Austrália.
