Autora: Toynako

Betada por: L. Kathar


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Prison Magic

Capitulo 26 (ou 27, se for no Nyah!)

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Os dois de olhos verdes se entreolharam, engolido em seco. Ambos ali gostavam demais da loira para imaginar tal fato acontecendo. É claro, cada um gostava de um modo distinto.

O primeiro a se aproximar fora Vectorius, contendo as lágrimas de puro ódio nos olhos, chegando perto do que era até mais baixo que si e dando um beijo nos lábios dele. Aquilo era nojento, mas teriam que fazer para poder livrar a loirinha das garras daquele louco vil.

"— Saia de perto de mim!" – Bradou Oroi, empurrando o outro. "— Não permito que me toque!"

"— Cale a boca, acha que faço isso por querer! É a minha Lucy que está em jogo!" – Rebateu no mesmo tom de voz, já cansado daquilo.

"— Se você tivesse realmente pensando nela, não teria sido besta de ter brigado quando teve a chance de vê-la!"

"— Sua criança desgraç-"

"— Chega." – Mandou o Puro Sangue interrompendo a fala de Vectorius, sentado na cadeira, já impaciente com aquilo. "— Não devo mandar novamente, não?" – A voz saia fria, sem emoções, da mesma forma que olhava-os como simples objetos para o satisfazer.

"— Mestre..." – Oroi murmurou baixinho, passando a costa da mão nos lábios beijados pelo outro. "— Entenda... Sou seu."

"— Por isto, posso usá-lo como bem entender. Não passas de um servo usado para me satisfazer, que por sorte tem uma utilidade além de ser 'usado'."

O moreninho abaixou a cabeça, contendo valentemente as lágrimas, sentindo asco de si por ter que se entregar a outro. Apenas fechou os olhos, respirando fundo, focando-se em tudo que aquele vampiro havia lhe dito.

Era verdade, sabia.

E por saber devia obedecer.

"— Vectorius..." – Mordeu de leve os lábios, antes de terminar a frase, olhando fixamente para o verde do olho deste. "— Estou a sua... Disposição." – Disse por fim.

Se tudo aquilo iria gerar prazer ao seu Mestre, aceitaria.

"— Que nojento... Acho impossível me animar com um ser tão baixo e submisso quanto tu."

"— Por favor... Não quero mais discutir..." – Apenas inclinou o rosto para o lado, com um sorriso meio vazio. "— A ordem de meu Mestre vem em primeiro lugar."

"— És um tolo..." – Sibilou baixinho, voltando a se aproximar, tocando no rosto dele, ainda com repulsa. "— Serias mais feliz se morresse. Podes muito bem fazer tal coisa."

"— Não posso." – Riu baixinho, dando um tapa na mão dele. "— Minha vida pertence a alguém, vivo por esta pessoa, existo apenas por ele. Por este amor unilateral."

"— ..."

"— Não entende?" – Arqueou uma sobrancelha. "— Não ama a senhorita Lucy desta forma? Não desejaria morrer em seu lugar, viver só por ela?"

"— ..." – Ficou mudo novamente.

"— Vectorius... Realmente a ama!" – Arregalou o olhar, surpreso por tudo indicar que o outro não a amava da mesma forma que ela o amava.

"— Não seja besta! Eu a amo! Só amo ela... Só a ela... Por isso... Por isso..."

"— Por isso vão parar de frescura e começar logo a 'ação'... " – Reclamou o mais velho, já cansado de todo aquele drama.

"— Nunca entenderia, meu Mestre..." – Balbuciou Vectorius.

"— Não?" – Riu alto. "— Você, minha cria, ama uma utopia. E você, minha criança, ama um monstro vil."

"— O senhor não é sempre um monstro..." – Sorriu de lado Oroi, olhando de canto de olho para este.

"— E uma utopia pode se tornar realidade." – Sorriu também a cria do mais velho, rindo baixinho em seguida.

"— Bravo, bravo..." – Bateu palmas lentamente, fazendo o som ecoar pelo lugar. "— Agora, chega desta brincadeira. Oroi, torture-o até que este se anime para fazer o que tem que ser feito."

"— Sim, meu Mestre." – Este virou-se rapidamente para o mais velho, curvando-se e voltando para Vectorius.

O trançado nada mais disse, apenas andou lento pelo cômodo, desfilando para que seu Mestre pudesse o ver com perfeição, só parando em frente a mesa com os itens de tortura. Precisava usar algo novo no outro.

Os olhinhos verdes jade vagaram pela mesa com real admiração, havia tanta coisa deliciosa ali a seu ver, tanta coisa que adorava sentir em seu corpo. Tantos tipos diferentes de dor e prazer reunidos em uma única sala.

Vagando o olhar por ali achou uma linha fina, um fio de aço. Pegou aquilo rapidamente, olhando a cor prateada que possuía, em seguida olhou para cima sorrindo pervertido ao ver ganchos no teto.

"— Já lhe darei a dor que precisas Vectorius." – Avisou-o, vendo este encostado na parede, como se ignorasse o que iria fazer.

Com o fio em mãos fora para onde tinha os ganchos, só que infelizmente era alto demais o teto. Seria simples resolver aquilo, era só fazer como o Puro Sangue fazia, usar magia para passar o fio pelo gancho.

Simples. Porém era um iniciante ainda, e coisas 'fúteis' como estas, estava deixando de lado para focar-se só no essencial para poder ajudar seu Mestre caso este precisasse. Acabou por olhar para este com um sorriso nos lábios e mostrando o fio para ele.

"— Mestre poderia, por favor, passar o fio lá em cima?" – Pediu-o.

Este apenas deu um sorriso cúmplice, murmurando algo baixo e movendo as mãos, para no instante seguinte a ponta do fio ganhar vida própria. Esta deslizou pelo menor, cortando-o um pouco ao descer, serpenteando pelo chão e subindo pela parede.

Todo o trajeto não demorou muitos segundos, pois logo o fio de aço passou pelo aro do gancho e desceu, pousando na mão do que tinha saído inicialmente.

Oroi apenas sorriu, chamando Vectorius com o dedo. Estava bem lógico que o meio vampiro só estava colaborando por medo de perder a amada, por isto andou até onde o outro estava, já estendendo as mãos juntas para ele.

"— Ohhh... Então sabia o que eu faria..." – Zombou o menor.

"— Isso não passa de uma brincadeira de criança... Trate de fazer decentemente." – Retrucou no mesmo tom.

"— Não se preocupe, sentirá bastante dor."

"— Assim espero." – Desafiou-o com os lábios lentamente formando um sorriso de deboche.

O sorriso continuou nos lábios do de cabelo prateados, enquanto sentia o fio ser amarrado em seus pulsos com força, a ponto de os ferir. Não se importava mais com a dor, nem com o que teria que fazer, desde que a garota ficasse livre do louco que era seu Mestre.

Ficava apenas a ver o sorrisinho no rosto daquele outro, sem entender o motivo de tamanha burrice que este fazia. Afinal, ninguém em sã consciência ficaria com Shisue Abyssinian por livre e espontânea vontade.

Quando notou que já estava bem preso afastou suas mãos, apontando com a cabeça para uma manivela na parede. Não queria mais enrolações, era só terminar aquilo e sair dali o quanto antes, dormir um pouco se lhe fosse permitido e ir ver a garota finalmente.

"— Você não é divertido..." – Murmurou Oroi, andando para a manivela.

"— Não tenho porque ser divertido neste lugar. Não passo de uma ferramenta, cujo nem o motivo de utilidade real sei."

"— Eu... Eu também não sei o meu." – Comentou meio sem jeito.

Naquele castelo ninguém sabia qual era sua real utilidade, os servos sabiam que assim que tal coisa misteriosa fosse cumprida suas vidas se findariam. E esse era um pavor geral de todos.

Exceto para o trançado, que aguardava contentamente o dia que realmente seria de suma utilidade para seu Mestre. Não importavam as consequências de ter conseguido isso. Apenas aguardava.

O menor respirou fundo, indo até a manivela e rodando esta, vendo o outro vampiro ser erguido por conta disto. Focou seu olhar para os pulsos deste, aquele fio fino de material cortante estava de fato dilacerando a pele dele, criando mais cortes, onde o sangue escorria abundantemente pelos braços.

"— Rápido... Chega de demoras..." – Reclamou de cabeça baixa, deixando que um manto prateado e vermelho -por conta do sangue sujando- caísse para frente.

Aquilo era nefasto, horrível, e de fato aquela era sua vida -ou morte, tanto faz- e não tinha e nem podia fugir mais desta. Da última vez havia conseguido, por ajuda de Luna e de seu 'pai'. Mas sabia que desta vez ninguém poderia o ajudar.

A elfa devia estar enraivecida por ter largado ela e ido para os braços de Lucy, ainda mais por ela sempre ter tido um ciúme enorme da loira. Mesmo que tenha dito para a Luna que nunca gostou de fato dela, e só estava junto por necessidade do corpo.

Energias élficas são boas. Não tanto quanto as malignas, mas davam para o gasto.

Quanto ao outro, este até poderia ter forças para o tirar novamente do inferno que vivia. Mas sabia o quão louco o mesmo era, seria algo como trocar meia dúzia por seis.

Não restava ninguém, ninguém viria o salvar.

Nem mesmo Cain.

Talvez este, somente este tentaria vir salva-lo. Mas era burrada demais um príncipe herdeiro comprar briga com um vampiro louco só por conta de um amigo. Nunca que sua vida valeria mais do que as milhares do lugar de onde ele veio.

"— ... Isso está perdendo a graça..." – Murmurou este baixinho.

Sua vida era de seu Mestre, por conta disso não poderia findar com ela. No início havia tentado várias vezes isso, mas só o que conseguia era ser torturado mais, já que era uma 'cria' dele, e nada poderia mudar tal fato.

Olhou então escárnio para seu Mestre sentado naquela cadeira a apreciar a tudo. Maldito Puro Sangue era aquele, vivia a tramar e ninguém sabia o que tanto ele queria.

Seus pensamentos foram mudados de foco quando sentiu uma chicotada nas costas, desferida pelo menor. Não era daquele jeito que gostava, era fraco demais, sem força aquilo mal o animava.

Teria que esperar sua pele ser toda dilacerada para ver se conseguia fazer o que seu Mestre queria com aquele servo inútil e ladrão de namoradas.

-x.X.x-

Dentre os daquela tripulação, o que mais mudara fora o jovem príncipe, não só fisicamente, mas também mentalmente. A vida e as lutas frequentes em um navio pirata fizeram-no amadurecer muito nestes últimos anos.

Da mesma forma como infelizmente deixaram-no mais fraco com relação ao íncubo. Cain quase nunca estava mais no controle do corpo que era seu por direito.

Não que Yami o estivesse expulsando, mas sim pelo próprio saber que o hospedeiro estava sobrecarregado de tanta energia maligna, mesmo que este não soubesse qual era a causa de tudo isso.

Antes quem cuidava deste excesso era o Veck que se alimentava constantemente, noite após noite, drenando sua energia e deixando por consequência o humano no domínio do corpo.

Mas agora... Este não estava perto.

Uma das mudanças mais visíveis era a aparência do príncipe. Antes eram roupas tão alinhadas, costuradas exclusivamente para ele e cujo tinha tanto cuidados com estas, agora vestia-se de qualquer forma. Usava a primeira coisa que via na frente.

No entanto, nem por isso o estava deixando feio, muito pelo contrário, aquele modo meio 'desleixado' de se vestir o estava deixando com um ar mais selvagem, tentador e incrivelmente mais erótico.

Mesmo que o dono do corpo não notasse tal coisa.

Tanto Cain quanto Yami agora estavam gostando de usar roupas folgadas, com um ou outro rasgo nestas, a camisa de mangas longas agora vivia com seus botões fora das casas, mostrando-lhe o tórax desnudo e já mais desenvolvido.

Os cabelos estavam levemente maiores e um tanto desalinhados, pois o moreno havia descoberto da pior forma que o loirinho não tinha dons para ser cabeleireiro. Por meses seus cabelos haviam ficado bem curtos e mal cortados.

Naquele tempo, a tripulação não se cansava de tanto debochar do corte que tinha por conta de Guille e só foram, de fato, parando de tirar sarro quando os meses passaram e os cabelos voltaram a crescer.

Mas agora, com eles quase no meio das costas, estavam deixando todos fascinados, e até admirados que com aquele corte horrível do loirinho transformou-se em algo tão bonito, como se emoldurasse o rosto dele, deixando-o exótico por causa daquelas inscrições no mesmo.

Era até uma sorte grande que Yami estivesse no controle daquele príncipe, pois os piratas daquele navio estavam todos de olho no corpo do jovem rapaz. O íncubo já havia cansado de criar confusões no lugar, por uma ou outra mão boba que sentia sobre o corpo que controlava.

Da mesma forma que Luna já quase perdeu alguns de seus homens por conta das vezes que eram jogados no mar, ou dos hematomas que ficavam nestes.

Nos últimos meses o demônio estava ficando extremamente possessivo com relação ao seu hospedeiro e um tanto mais zeloso por ele também. Achava que talvez fosse pelo fato de que Cain era o único que parasitou cujo realmente queria ajudá-lo.

Se bem que sua memória para com estes era um tanto turva e bagunçada, mal se lembrava de quando estava no corpo de Yumi, fazendo com que as lembranças se somassem em uma espécie de bolo onde não se sabia de qual era qual.

A única coisa que em todos eram iguais, era a forma como estes encaravam a maldição do trono. Para estes parecia que um monstro estava dentro de si e que tinha que o matar a todo custo, não importando a quem tinham que pedir ajuda para isso.

Com Cain era diferente, este estava presente quando descobriu sobre seu passado e por muitas vezes disse verdadeiramente - e sabia ser verdade mesmo - que o ajudaria. Por este fato controlava-se bem.

Uma das coisas que haviam feito bastante nesses anos, fora conversar, sabia decorado toda a vida do moreninho. Os acontecimentos mais marcantes para este, como a perda da mãe no parto da irmã, o jeito como todo mundo o tratava no reino - não que o tratassem mal, muito pelo contrario, era 'valorizado' demais por conta de ser o príncipe herdeiro- e também a morte do pai.

Dali em diante já sabia de tudo, pois estava sempre com este, acompanhava-o dês do momento que ele segurou aquela espada negra, e cortou-se um pouco com o cabo desta. Era neste mundo o ser que mais o conhecia.

Às vezes ficavam a conversar na proa do navio, sentados na beirada observando o mar, os marinheiros a princípio haviam estranhado um cara falando com ele mesmo, mas logo foram informados de tal dupla personalidade.

Estava até mais sociável, é claro, só com o moreninho. Se é que Cain ainda podia ser denominado assim. Já que estava mais alto que antes, não tanto, e com um porte físico mais avantajado. Nada muito exagerado, só que os músculos ficaram mais firmes.

Cain fora o que mais mudou naquela tripulação com toda certeza, em vista que Guille era um caçador, Nyha e Luna elfos e, alguns do barco, eram alguns outros seres.

Os dias e noites naquele navio eram cansativos e por diversas vezes traiçoeiros, faziam hospedeiro e parasita refletirem sobre diversas coisas, mas por algum motivo quase todas chegavam a um ponto em comum; Veck.

O príncipe já estava até assustado com a falta que sentia do amigo, nem de seu reino sentia tanta saudade assim. Era estranho - bem estranho -, mas chegava até a sonhar este. Aquele jeito frio do começo que logo se mostrou um grande amigo.

Quando sonhava com este, sentia seu peito doer assim que acordava. Já Yami, por dividir o mesmo sonho por obrigação, sentia era a falta do corpo do meio vampiro. Desejava deslizar seus dedos pela pele clara.

Tinha ganas de possuir por completo aquele ser imutável.

O demônio lembrava-se com perfeição da última vez que esteve com esse. O corpo levemente mais gélido junto ao seu, sendo prensado em uma das várias árvores da área. Os gemidos, os suspiros, os espasmos de puro prazer escapando por aquela boca que era constantemente beijada.

Suas mãos deslizando pelo corpo macio - como se pudesse provar seu sabor - indo para o sexo dele e torturando-o mais, até conseguir furtar-lhe o fruto proibido. Aquele doce pecado, provando-o em seguida. Não entendia como a 'pureza' de Cain tinha o deixado conseguir fazer aquilo. Mas desconfiava que havia acontecido algo que o vampiro não queria dizer.

Só que era torturante para si não conseguir tocar mais aquele ser, queria e faria-o ser sua primeira 'refeição', já que agora sabia ser um íncubos.

"— Ca- digo, Yaminho melhor ir jantar..." – Aconselhou Guille chegando perto deste.

O olhar intensamente ametista deslocou-se do mar para observar o loirinho, acabando por soltar um muxoxo por aquele caçador ter o incomodado. Pulou da borda do navio onde estava sentado, para pousar na proa, cruzando logo os braços e olhando sério para este.

"— Não sinto fome, vá perturbar outro." – Avisou-lhe frio.

"— Mas, nem o Cainzinho está com fome? Já é bem de noite..."

"— Também está sem fome. Eu não seria tolo para negar algo deste porte ao meu hospedeiro."

"— Nem se eu disser que com os morangos que consegui da última vez, eu fiz um delicioso bolo de morango?"

"— ... Não gosto de..." – Calou-se, arqueando a sobrancelha, desviando os olhos do menor. "— Quê? Francamente Cain... Eu não... Me convenceu, mas eu irei cobrar depois..." – Conversava consigo mesmo, dando algumas pausas e voltava a falar sozinho, com toda lógica era com Cain. "— Certo, loiro dos infernos, conseguiu chamar a atenção dele com tal coisa." – Resmungou agora para o loirinho, vendo este sorrir divertidamente.

-X-

As noites naquele navio piratas eram mais sombrias e solitárias que os dias. Mas, por sorte -muita até-, havia conseguido ficar naquele quarto que ficara da última vez. Luna relutou bastante sobre isso, alegando que o príncipe era apenas mais um da tripulação.

Teve que ir o irmão dela e o loirinho tentar argumentar vários fatores a respeito de que Cain era um príncipe para esta aceitar deixá-lo ali. Nyha e Guille haviam ficado no mesmo quarto, o que da ultima vez ficara o Veck.

"— Yami... Você acha que o que estou fazendo é certo...?" – Comentou o dono do corpo.

Já estava na hora de dormir, só que não tinha sono, pois ficava maior parte do tempo dormindo quando o demônio controlava a tudo. Por isso muitas vezes ficava acordado a noite, conversando com o outro.

" Você me pergunta isso toda vez Cain... " – Ouviu em sua mente, quase como se tivesse pensado, mas era a resposta do outro.

"— Eu..."

" Você quer ele... Digo, como amigo..."

"— Eu..." – Calou-se, virando-se na cama de um lado ao outro, com insônia.

" Agora lembrando... Você me deve algo pelo bolo de morango..."

Cain encolheu-se mais ainda. Sabia já -com o tempo de vivência- quando o demônio 'queria' algo. Por isso acabou ficando tenso e se enrolando no lençol.

" Vejo que notou o que quero..."

"— ... Ce-certo... Pode ficar com o controle..."

" Desta vez faremos diferente... Todas as vezes quem fazia era eu, mas quem irá fazer é você."

"— Negativo, isso não é coisa que um príncipe faria."

"Antes de você ser príncipe, ainda és um homem, e eu já estou cansado de suprir as necessidades do teu copo."

"— Minhas necessidades? Você está suprindo as suas, seu íncubo pervertido." – Ficou completamente vermelho, pegando o travesseiro e tampando o rosto.

" Você não me deixa escolhas Cain..."

O príncipe sentiu uma leve tontura, e de um instante para outro, já era o demônio que o controlava. As 'trocas' agora eram tão rápidas que as vezes nem notava isso. Mas, se ele iria controlar a tudo não precisaria passar por aquela vergonha.

Só... Apreciar.

"— Você gosta disso todas as vezes que eu sei, só que é covarde demais para isso..." – A voz estava mais rouca, pois era o demônio no controle do corpo.

" Pare de ficar me provocando Yami, faça logo o que quer, assim eu durmo em paz..."

"— Um homem deste tamanho com medo de se tocar... Francamente..."

O outro ficara mudo, e o íncubo sabia que este estava bem constrangido. Só que apenas continuou seu plano, retirando a camisa lentamente, deixando-a pousada ao lado da cama, para depois retirar a calça, ficando só com a roupa íntima.

Mas se Cain achava que iria fazer tudo para ele novamente, estaria redondamente enganado. Fechou os olhos, ficando com uma parcialidade do corpo, deixando as sensações mais fortes para o hospedeiro.

Lambeu então o dedo indicador deixando-o bem úmido para depois deslizar dos lábios para o queixo, do queixo para o peito, descendo como uma serpente traiçoeira até o baixo ventre, deixando um instigante rastro por onde passava.

Fazia tudo bem lento, sabendo que estava agoniando o outro por tal demora. Normalmente seria até um pouco mais bruto, mas sabia que o hospedeiro gostava de delicadezas.

"— Quer que eu te toque mais...?" – Indagou-lhe baixo, rindo suavemente.

" ... Pare de me provocar..."

Só que o demônio não parou. Lambeu agora cada um de seus dígitos, descendo-os pelo corpo, o mesmo caminho que havia feito com o outro, só que agora usando todos os dedos.

"— Imagine isso como se fosse uma língua... Uma língua quente a deslizar pelo teu corpo... A língua de 'alguém'..."

Instigou-o mais, sabendo que tais falas teriam resultado no moreninho, pois o conhecia mais até que a si mesmo. Continuou a repetir o processo, cada vez ousando mais, descendo mais em direção a algo que parecia já se animar.

Não iria abrir os olhos, deixaria-os fechados, tentando deixar as reações do corpo por conta de seu hospedeiro. Era muito fácil para si saber o que fazer para provocá-lo. Tanto que era isso que fazia.

Ameaçava agora abaixar a ultima peça que faltava, descendo-a um pouco, para então deixá-la do jeito que estava.

" Faça logo... Acabe logo com isso... " – Pediu manhoso e um tanto constrangido.

"— Não. Se quiser 'algo' faça você mesmo..."

Era tão forte a mistura das sensações de ambos que até já imaginava os dedos –que controlava- como se fossem a língua. A língua daquele vampiro ousado e idiota que deixou ambos para ir atrás de uma morta que comia mais mortos.

No entanto, Cain mesmo imaginando a mesma coisa, ainda não associava a 'língua' ao amigo. Não que estivesse imaginando uma mulher ou um homem, era até meio estranho, imaginava apenas aquela língua serpenteando por si, causando todas aquelas sensações que não sabia como lidar.

Era como se estivesse de olhos fechado também, sem saber a quem imaginar. Só sabendo que alguém fazia isso em si.

" De quem... É essa língua...? "

Yami riu baixinho, percebendo o quão seu hospedeiro estava compenetrado naquilo, até mais que o normal. Talvez por estar provocando-o tanto. Acabou por levar novamente os dedos a boca, mas agora enfiou dois destes dentro dela, simulando um beijo de língua.

Serpenteava a língua pelos dedos, fazendo estes brincarem com ela, de uma forma completamente impúdica e amoral. Pensou até que o Cain iria estranhar aquilo, só que o que aconteceu, surpreendeu até o íncubo.

Era como se tivesse perdido o domínio das pernas, pois estas se juntaram, movendo-se de uma forma carnal, como se quisesse conseguir -e estava- prazer daquilo. Então Cain queria mais daquilo, se ele queria daria-o.

Deslizou a mão livre pelo corpo, dedilhando cada ponto deste, descendo até a peça íntima. Não a retirou, apenas ficou acariciando o volume por cima desta, arrepiando-se por tal toque.

Aquilo era uma tortura para si mesmo, onde já se viu um íncubo utilizar a própria mão para se dar prazer, normalmente era para ter sempre um aos seus pés se voluntariando para tal coisa.

Só que não podia 'ousar' nada, nada que o corpo do hospedeiro já não tivesse feito, e esse era o fato que o intrigava até hoje. Não por estar se tocando, mas sim por ter tocado o vampiro naquela fatídica noite.

Cain nunca havia feito aquilo, ou havia? Essa dúvida consumia a sua mente vez ou outra pois não tinha como o hospedeiro fazer algo sem que soubesse. Estavam juntos, eram o mesmo ser.

Mas se lembrava de quando tudo começou, fora daquela vez que ambos desmaiaram misteriosamente por causa do 'sol'.

" Pare de ficar divagando e faça algo!" – Reclamou Cain, não aguentando mais aquela demora.

"— Já disse, se 'quer' faça você mesmo... Eu só o irei atiçar..." – Melodiou sibiladamente, apertando um pouco mais aquele volume.

" Porque... Porque faz isso comigo...?" – A voz parecia chorosa, completamente agoniada.

"— Vai ser seu 'presente'..."

Mal o demônio terminou de dizer aquilo, e enfiou a mão por dentro da roupa, segurando com gana aquele membro já bem rijo, tocando-o com cuidado, provocando a ponto de deixar ambos -hospedeiro e parasita- loucos com aquilo.

"— Ahnnn... Veck..." – Mal notou que chamou o nome do vampiro entre os gemidos.

" Veck! Yami no que você está pensando! Pare! Pare! Não pense no nosso amigo dessa forma!" – Desesperou-se por conta do que ele havia gemido.

Pior, por conta deste gemido agora tudo se modificara. Agora parecia que era o amigo que tocava em si, que fora a língua desse a serpentear pelo corpo e o mais estranho era que aquilo o fez ficar mais aceso.

Chorou de verdade, deixando a sua face molhada, e retomando com firmeza o controle do corpo, tirando as mãos de si rapidamente.

"— Eu não quero!" – Gritou desesperado, sentando-se na cama e abraçando os joelhos, deixando as lágrimas caírem sem controle pela face.

" Cain..." – A voz do íncubo ainda denunciava a excitação do corpo. " Pare com isso... Você não é uma criança..."

"— E muito menos sou uma mulher! Para ficar pensando em um homem ao fazer isso." – Reclamou em voz alta, em prantos.

" Não é um homem... É o Veck, o seu amigo... O nosso Veck... Não é qualquer um..." – Tentou argumentar o outro, vendo que não estava dando muito certo.

Talvez ter se descontrolado e gemido o nome deste não fora a melhor das idéias, só que estavam tão fortes as sensações, as misturas das emoções. A luxúria, a amizade. Não tinha mais como consertar, iria terminar com aquilo de vez.

Tomou novamente o controle do corpo, tendo um pouco de resistência desta vez, mas sabia que estava bem mais forte que o hospedeiro. Não se demorando em tirar aquela ultima peça que faltava, jogando todas as roupas longe para este não tentar se vestir.

"— A cada ano que passa, parece que você vira é mais criança, Cain!" – Bradou, já cansado daquilo.

" Pare!" – Pediu agoniado, mesmo sabendo que o íncubo faria aquilo de qualquer forma.

"— Sabe há quanto tempo eu estou sem comer!" – Não esperou pela resposta, apenas levou a mão ao membro, acariciando-se com força. "— Cento e vinte anos! Acha que é saudável um íncubo passar tanta fome assim!"

" Hn... " – Gemeu baixinho, mal notando o outro falar, mais concentrado no que este fazia.

"— Eu já estou acusado de ser a babá de um príncipe mimado!" – Dizia fora do controle já, pouco se importando com o hospedeiro. "— Eu penso nele sim! Pensei todas as vezes que fiz isso! Imagino ele me tocando! E melhor, eu tocando ele!"

" Pare... Por favor Yami..."

"— Quer saber Cain? Cresça!"

O íncubo já estava cheio de tudo aquilo. Cansado de 'cuidar' de uma pureza que o dono do corpo possuía. Aturar aquilo chegava a dar raiva por muitas vezes, ainda mais por conta de ser um demônio da luxúria.

O plano inicial era deixar Cain fazer aquilo, só que no estado que este estava, era capaz que se deixasse o controle para ele, este sair correndo para ir tomar banho. Se era assim, faria ele mesmo.

Segurou mais firme aquele membro com ambas as mãos, deixando uma deslizar por toda a extensão ao que a outra cuidava apenas de acariciar a ponta do mesmo. Precisava daquilo para não enlouquecer de vez.

Antes, querendo ou não, as mordidas de Veck eram um tanto pervertidas, e 'alimentavam' -mesmo sem saber na época- a sua fome por sexo. E, sem contar que no último encontro havia provado do sabor dele.

Era desesperador, vista em mente que era um íncubo, sentir fome e ter que fingir que esta não existia. Já era até bem estranho o fato de ter que se dar prazer para pelo menos não perder o controle.

" Ahnn... Eu... Hn... Pare..."

Riu baixinho, escutando os gemidos do moreninho em sua mente. Mal tinha começado a se tocar e ele já estava gemendo? Cain com toda lógica daria um ótimo passivo em uma relação.

"— Não vou parar... Não até conseguir o que queremos..." – Falou baixo, um tanto rouco pelo nível que estava aquilo em mãos.

" Yami... Ah... "

"— Pare de gemer me-hnn... Meu nome... Isso é estranho." – Parou um pouco de mover as mãos, dando uma pausa para respirar.

" Não pare Yami..." – Pediu baixo.

"— Para de chamar meu nome..." – Agoniou-se por aquilo sem nem saber o motivo. "— Se quer gemer por alguém... O nome deste 'alguém' é Veck." – Disse pausadamente, retomando já o fôlego.

O íncubo voltou a fechar os olhos com força, deixando suas mãos trabalharem ali novamente. Só que agora imaginava com tanta clareza o vampiro que chegava a ser estranho. E por demais delicioso também.

Sabia o que era aquilo, era Cain. O hospedeiro que estava pensando o mesmo, e a junção das duas mentes a imaginar a mesma coisa formava algo bem mais real, tentadoramente real.

Imaginava-se por cima tocando as curvas do corpo pálido, com aqueles olhos incrivelmente verdes o fitando com desejo, com a luxúria estampada neles de uma forma tão pecaminosa que era impossível não gemer por tal coisa.

Aquele ser imortal era realmente muito bonito...

Só que uma coisa fez o demônio arquear uma sobrancelha, em instantes a sua 'imagem' do Veck se modificou para este em cima de si o tocando da mesma forma que imaginara a instantes.

"— Hei Cain! Para de imaginar isso!" – Pediu, imaginando uma mão muito boba do vampiro indo para suas nádegas.

" Eu... Não estou imaginando nada... Hnnm... É você que está fazendo isso... Ahn... Mas está mais agradável que do que da outra forma..."

"— Que! Agradável nada, seu desgraçado, volta para a outra cena!"

" Ahn... Será que dói se ele enfiar o dedo...?"

Yami acabou por abrindo os olhos, quebrando aquela ligação de mente entre os dois, tomando por completo o domínio daquele corpo.

Que absurdo fora aquele!

Como Cain teve a ousadia de pensar tal coisa?

E ainda o levar junto em tal pensamento?

"— Chega disso, vou fazer como todas às vezes. E fique quieto Cain!" – Falou emburrado.

Não iria ser passivo nunca! Nem em pensamentos. Principalmente agora que sabia que era um íncubo. Tinha um orgulho a zelar afinal de contas.

" Não! Esse corpo é meu!"

Desta vez fora o demônio que sentiu a vertigem forte, de tão brusca que fora o humano tomando de volta o corpo que era dele por direito.

"— Pare de me controlar!" – Esbravejou Cain, agora já no controle do corpo.

Este sentou-se melhor na cama, levando a mão ao peito como se tal coisa o ajudasse a respirar, ou ao menos a normalizar a respiração.O que de fato ajudou um pouco. Olhava para si mesmo, as escrituras da maldição pelo corpo, desenhadas bem claras por si, quase imperceptíveis.

Agora mesmo se tivesse o domínio completo, estas ainda estavam espalhadas pelo corpo. Levou o dedo indicador para uma destas escritas em sua coxa, deslizando por ela como se soubesse lê-la.

Não sabia.

Mas aquele toque o fez chamar atenção para o sexo ali, o fazendo engolir seco. Talvez um banho ajudasse a resolver aquilo. Respirou fundo então, levantando-se da cama e rumando para a porta que dava ao banheiro dali.

Entrou no outro cômodo anexo, dando de cara com o espelho que ficava encima da pia, ficando um tempinho ali observando o próprio rosto, aquelas inscrições em sua bochecha que mais pareciam duas listras, de tão pequenas que eram.

"— Seu pervertido."

Falou olhando para o reflexo, com toda certeza tal comentário era feito para o demônio depravado que o fez imaginar aquele bando de besteira. Apenas virou o rosto para o espelho, indo logo para o box.

Girou a maçaneta do chuveiro, testando a temperatura da água com a mão antes de entrar. Estava congelante, afinal já era bem tarde da noite quando decidira tomar aquele banho. No entanto sabia que era bem melhor aquela temperatura na água, em vista que precisava se 'livrar' de algo.

Respirou fundo, entrando de baixo do jato d'água, arrepiando-se com o frio que estava. Ergueu a cabeça, deixando que a mesma passasse por todo seu corpo, deixando sua mente branda, apenas sentindo a água de encontro a face.

No entanto, sentia seu corpo ainda quente. Acabou por abrindo os olhos, olhando para seu baixo ventre, 'aquilo' ainda estava ali. Não tinha mais jeito, desligou o chuveiro, encostando-se na parede e levando as mãos a aquela área.

Era só para se livrar daquilo, só fazia aquilo por este único motivo.

" Será mesmo Cain?" – Escutou a voz do outro em sua mente.

"— Cale-se, pensei que estivesse bem contido!"

" Como conseguir forças para me conter, provocando prazer em ambos assim? Isso só faz me alimentar."

"— Cale-se!" – Disse mais alto desta vez, agoniando-se por não conseguir se conter.

Não era o íncubo que o controlava, era sua própria vontade, esta que dizia para continuar para - infelizmente - mover mais as mãos sobre o sexo.

Que patético estava virando...

-x.X.x-

Vectorius já estava a horas - realmente horas - sendo chicoteado pelo Oroi, e de tanto fazer isto já estava era se cansando de tudo aquilo. Era completamente sem graça continuar com isso.

Não negava que a princípio fora bem divertido, só que o mais velho de olhos verdes não se animava em nada com a dor que lhe causava, este mantinha-se de cabeça baixa, soltando breves resmungos ao ser acertado por si.

Quanto aos ferimentos que causava, estes se fechavam rapidamente, quase que de imediato, mas a causa disso sabia. Era o sangue de seu Mestre no corpo daquele vampiro, era isto que o estava deixando resistente.

Parou então de fazer aquilo, soltando o cabo e deixando o chicote cair, será que nem naquilo era bom? Será que seu Mestre o ignoraria por não conseguir reação da cria dele?

Agoniou-se, respirando pesado, olhando para os próprios pés.

"— O que foi 'minha criança', cansou de me chicotear?" – Pronunciou-se Vectorius, zombando claramente do modo como o Puro Sangue o chamava.

"— Não me chame assim, não tem o direito." – Resmungou baixinho, fazendo um notável bico com os lábios.

"— E o que pretende fazer se eu continuar a te chamar assim? Me chicotear por mais horas? Não seja patético."

"— Eu não teria que te chicotear se não fosse impotente." – Oroi ergueu o olhar, fitando o outro vampiro com um sorriso perverso nos lábios.

O que se seguiu fora a risada divertida do mais velho dos dois ali, este acabou por se levantar, rumando a aqueles dois no centro do cômodo enorme. Aquilo era para lhe deixar excitado ou era para o fazer rir?

Deixar aquilo nas mãos de dois desmiolados não deu nada certo. Rapidamente o Puro Sangue recuperou de seu semblante sério, fazendo com que parecesse que não havia rido há instantes atrás.

"— Francamente vocês dois... Não conseguem nem exercer uma simples ordem? " – Comentou em puro escárnio o mais velho, dando passadas longas até os dois. "— Sabiam que existe limite para enrolação? Já estou esperando 'algo' acontecer a horas..."

"— Desculpe-me meu Mestre... Não consegui nada..." – Oroi pediu baixinho, abaixando a cabeça perante o outro moreno.

"— Mestre, fui treinado para aceitar 'suas' dores, e não dor alheia. Se quer realmente ver algum show aconselho que faça o senhor mesmo a tortura."

"— Minha cria me dando conselhos? Não me faça rir Vectorius." – Estreitou o olhar, de modo gatuno para ele.

"— ..."

O que estava acorrentado apenas sorriu, lambendo os lábios em seguida. Queria descansar, já estava realmente cansado de tudo aquilo, ainda mais por conta daquele ladrão de namoradas.

Olhou para cima então, observando atentamente aquele fio de um material metálico enrolado em seus pulsos, mantendo-o quase nas pontas dos pés. Estava definitivamente chato aquilo...

Puxou então a mão, vendo mais sangue escorrer dos ranhos que o fio causava, não se importou em arrancar a pele da mão no processo de se livrar daquilo, deixando esta em carne viva em algumas partes.

Quando conseguiu retirar, sorriu pervertido e completamente frio para o estado lastimável que sua mão havia ficado. Sorriu mais, pegando o pedaço grosso da pele que havia cortado, dando um puxão para tirar logo de si.

Iria nascer uma pele nova mesmo.

"— Já estou realmente cansado disso..." – Comentou baixinho, vendo sua regeneração se ativar.

Estava em um nível tão atenuado de dor que nem notava mais se causassem outro ferimento. Esperou suas mãos cicatrizarem, utilizando-as para ajeitar o cabelo, jogando-o para trás devidamente.

Logo o olhar esmeralda se focou no que tinha coloração jade, dando uns passos até este. Tocou-lhe o rosto com delicadeza, notando o olhar curioso e - de certa forma - de nojo do mesmo.

Teria que fazer aquilo, então faria. Recuou a mão, mas somente para dar um tapa naquele rosto, fazendo o som ecoar pelo cômodo sombrio. Aquela era sua vida. Era só voltar a ser o 'Vectorius' de sempre, e esquecer que um dia fora 'Veck'.

-X-

Um ser de cabelos desregulares e dourados andava pelo castelo, procurando em que sala de tortura seu Mestre havia se enfiado com os outros. Novamente estava perdido, pois parecia que do nada tudo havia trocado de lugar.

"— Puro Sangue louco..." – Resmungou Vitor, olhando de um canto ao outro.

Este sabia que Shisue escutava e sabia de tudo que se passava em seu castelo, mas reclamar sobre os modos dele não era nada demais. Precisava falar com o seu Mestre, pois havia acabado de chegar uma visita para este.

E sabia, que se deixasse 'quem chegou' sozinho e perambulando pelo castelo iria sobrar para si. Já que, de certa forma, era o encarregado da segurança daquele lugar, mantendo os escravos e servos contidos.

Continuou a andar, com os pensamentos perdidos, completamente sem foco dessa vez. Já fazia mais de ano que não via o caçador loiro e, por conta disso o plano estava parado em demasia.

Não se atreveria a ir atrás deste e estragar um possível plano que o loirinho estivesse armando, afinal, seu Mestre sabia de tudo. Que era filho dele e possivelmente sabia que andava se encontrando as escondidas para planejar a morte dele.

"— Onde estou...?"

Notou então uma porta que nunca havia visto ou entrado, e era realmente surpreendente tal fato já que vivia ali a mais de cem anos. A curiosidade - típica de sua espécie - fez entrar no cômodo, abrindo lentamente a pesada e grandiosa porta de madeira negra.

Olhou para baixo assim que a porta se abriu percebendo uma nuvem branca e o ar extremamente gélido se fazer presente só por conta daquela fresta aberta. Não parou, abrindo mais e entrando, estranhando o que estava vendo.

Aquele era... Seu Mestre? Não, era extremamente parecido, mas não era... Não podia ser.

Observou um garoto, em um grande cilindro - maior até que o da Lucy-, com algum liquido de coloração esverdeada. E o que mais lhe dava uma sensação de arrepio era que quem estava ali era quase um clone de Shisue Abyssinian.

Aquele que estava dentro do cilindro devia ter seus dezessete anos, e estava completamente desnutrido, tanto que dava para ver o contorno dos ossos na pele clara. Um contrasta com a cor tão negra dos cabelos, tanto que mesmo não havendo luz parecia que alguns lugares a cor dos fios era azulada.

Igual ao seu Mestre...

Aproximou-se mais, não conseguindo evitar em tocar o vidro, olhando mais atentamente para o corpo desnudo. Percebendo uma numeração no braço dele '03' cravado como se o próprio braço tivesse sido arranhado por algo.

"— Mestre...?" – Não conseguiu evitar perguntar tal coisa, aquele definitivamente era o Shisue, só que mais novo, desnutrido e anoréxico.

"— Sangue..."

Vitor estremeceu da cabeça aos pés, ao escutar aquela voz baixa, quase muda ecoar pela sala, acompanhada de um mover tão discreto dos lábios daquele ali que de uma forma bem estranha o encantou.

Era um vampiro então? Ou um experimento zumbi de seu Mestre... Se bem que estava mais parecendo uma espécie de clone do mesmo...

Estava com o olhar fixo, sem conseguir se desviar daquele corpo magro por um instante, analisando tudo naquele ser, seja lá o que fosse. Sentindo em instantes um novo arrepio trespassar seu corpo quando aquele ali abriu os olhos.

Eram negros. Negros como as trevas, como as sombras. Uma obscuridade total onde parecia querer roubar toda a luz a volta e transformar em algo sombriamente fúnebre. Olhos frios, sem alma, capaz de aprisionar alguém com uma simples fitada.

Os olhos de Shisue.

"— Sangue..." – Pediu novamente, olhando para o louro.

Vitor olhou em volta, tentando achar um jeito de alimentar o outro com o próprio sangue, entretanto, não havia como fazer isso, o cilindro era conectado do solo ao teto, sem jeito de se abrir, e ainda, tinha aquele líquido dentro.

Se tentasse abrir, iria causar problemas.

"— ... Saia." – Mandou agora dessa vez, fechando os olhos e voltando a dormir.

O loiro obedeceu, pois sabia que tinha visto o que não devia. Pelo estado que a sala estava, suja e empoeirada aquele experimento não era recente, mas havia ganhado todo o sigilo do Puro Sangue.

Voltou então ao seu rumo, fechado a porta e tentando esquecer o que quer que fosse aquilo.

.

.

.


CONTINUA...

08/10/10


Nota da autora:

Bem... Primeiramente, mil perdoes por conta da demora...

Mas está uma confusão a facul que nem adianta explicar sobre isso...

Por este motivo irei comentar só um pouco sobre o CAP. Sim, ele demorou, primeiro pelo assunto abordado anteriormente e depois porque eu definitivamente não consegui fazer um ShisuexVeckxOroi, e muito menos descrever a parte do 'Cain'...

Eu fiquei tão agoniada com o YamixCain ((Se é que pode ser chamado assim)), Cain é o meu filhotinho e não consegui acreditar que ele iria fazer aquilo... Mesmo com seus vinte anos... Mas, o que acharam? Como tinha gente querendo ver o moreninho de volta eu adiantei este pedaço *sorri que nem boba*.

Ah! Vitor achou algo interessante, não é? Huhuhuh~

Comentário da beta:

. . . Meu SxVxO… Cadê? Cadê? *Desespero total e absoluto* Não gostei do capítulo, odiei o capítulo! T-T Essa era a parte mais esperada(por mim) até agora… E simplesmente…. i.i Não teve. Agora lá vou eu encher a cara de Treesomes pra ver se compensa, talvez até escreva um i.i me deu vontade de chorar(sim, muita)… Não é justo! i.i O que salvou o capítulo foi o Vitor(pois é, eu gosto dele, é meu segundo favorito. 1º - Veck, 2º - Vitor, 3º - Shisue) e a coisa que ele achou, mas mesmo assim não me conformo, não! Nãããããão! i.i Não teve YainxYain nem teve SxVxO. NÃO GOSTEI! *Revolta, faz um abaixo assinado*