AnneSiriusBlack;
Kika de Apus
Soffy
Lekc-chan
Muito, muito, muito, muito OBRIGADA PELA ESPERA...
VocÊs são as pessoas mais pacientes deste mundo... ONEGAI... Eu sei que demorei... Mas agora as aulas acabaram e hei de ter mais tempo, não só para esta fic, bem como para as outras...
AI TOU DE CONSCIENCIA PESADA... POR ISSO VOU TRABALHAR APARA A ALIVIAR...
Muito obrigada pelos vossos reviews...
Beijinhos
Capitulo 26 - Reencontro
A Kaoru caminhava atrás do Kenshin através da floresta. Tinham caminhado todo o caminho de volta até a casa do Katsura. Só aí ela conseguiu entender o quão longe ele a tinha trazido.
Não conseguia deixar de estar surpreendida com o acto heróico dele. Num dia virava-lhe as costas e deixava-a para trás como se nem a conhecesse e no mesmo dia salvava-a e trazia para um local seguro.
Eram dois opostos... Dois comportamentos complemente diferentes tomados pela mesma pessoa.
Era um misto de dois sentimentos diferentes... Esperança de que os seus actos fossem um reflexo de que ele ainda tinha uma réstia de sentimento por ela, mas era também agoniante vê-lo a reagir assim com ela, Indiferente.
"Deixa-me falar com a Yumi por favor..." - Ela pediu quando avistou a casa do Lider dos Ishishinshi surgiu ao fundo.
Ele continuou a andar.
O silencio dele irritava-a mais do que qualquer outra coisa, mas acima de tudo magoava-a muito, pois cada vez que isso acontecia, ela lembrava-se da falta de confiança dele nela: "Para!" - ela gritou - "Eu não entendo! Se achas que eu sou uma traidora, porque me levas para o meio do teu grupo? Para a casa do teu lider?"
Ele parou de andar e voltou-se para trás. Os seus olhos estavam violeta, era como se ele estivesse confuso...
Ela observou-o enquanto o vento soprou leve e fez o cabelo dele dançar... Engraçado que quando o sol reflectia no seu cabelo este ficava vermelho... como o fogo e contrastava com o hakama azul que ele usava naquele dia. O Kenshin estava exausto, podia notar-se no seu rosto... E confrontar-se com uma pergunta daquelas, para a qual nem ele tinha resposta, após uma noite inteira sem dormir era demais.
"Eu aviso a Yumi que tu estás bem" - ele simplesmente respondeu e continuou a andar
a Kaoru não sabia o que dizer... Era irritante não poder fazer nada Sentir que ele comandava a situação e que ela simplesmente tinha de obedecer. Por isso embora contrariada continuou a segui-lo.
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Chegaram a casa do Katsura. Ao contrário do que pensava foi recebida calorosamente pela Sakura e pelo Katsura...Após o Kenshin explicar a situação e Sakura não hesitou:
"Vem Kaoru... Vou mostrar-te o teu quarto..." - a Sakura levou-a imediatamente para dentro, a Kaoru olhou mais uma vez para trás para o Kenshin na expectativa de uma resposta, mas o olhar dele não a elucidou.
"Fico tão contente por estares aqui... Oh... Mas o que te aconteceu foi terrível não foi?Como estás amiga?" - A Sakura era muito simpática, era como um abrigo no meio de toda aquela tempestade.
"Estou bem obrigada." - a Kaoru respondeu - "Só estou preocupada porque Yumi e os outros ainda não sabem que estou viva..."
Chegaram ao corredor e a Sakura abriu a porta de um dos quartos: "Não te preocupes, isso vai se resolver. Pensa agora em descansar."
"Sim." - a Kaoru sorriu. Após alguns segundos lembrou-se da carta que tinha recebido na noite anterior. "Sakura, eu queria muito falar contigo."
A outra jovem sorriu: "Sim eu também... Agora já tenho com quem falar... Quer dizer... a Tomoe também tem cá estado nestes dias durante o tempo em que o Kenshin não está aqui... Mas sabes, ela não é muito faladora..."
"O QuÊ?" - a Kaoru exclamou
"Sim eu sei... não deve ser fácil para ti esta situação..." - A Sakura suspirou - "Mas amiga pensa, Não passa de uma farsa, Lembra-te disso... É só temporário este casamento... É só até ela não estar mais em perigo."
"Como?" - Os olhos da jovem quase rasgavam tão arregalados de admiração
"Sim, então ela estava a ser ameaçada e então o Iizuka pediu para ela ficar á protecção do Kenshin, porque era o único homem que não era casado e que podia protege-la sem levantar suspeitas."
Proteger?? Ah sim o Kenshin falou me nisso na primeira vez que o encontrei no restaurante com ela... Mas depois...
Depois tudo tinha mudado...
"Ah sim sim... O Kenshin falou-me... " - ela tentou fingir que já sabia... "Eu também tenho tido muito trabalho no restaurante e por isso... Tenho passado muito tempo fora..."
"Mas e tu como estás?" - a Kaoru perguntou - "Sinto-te triste... Passasse algo?"
A outra mulher sorriu. Ela tinha dois filhos lindos, uma casa linda, um marido que a amava mais do que tudo, mas, conseguia sentir-se uma solidão, uma melancolia fora do comum quando se deixava de falar dos outros e o assunto se centrava nela.
"É que eles ainda não conseguiram descobrir quem anda a trair o grupo, e, um dia destes num dos seus encontros, houve um ataque surpresa e alguns homens foram mortos..." - As suas mãos entrelaçaram-se uma na outra.
"Um ataque?" - aquela situação tornava-se cada vez mais perigosa.
"Sim...E eu tenho medo... O Katsura já contratou mais um homem para o proteger... Mas..." - Mesmo triste ela conseguia ser uma mulher muito bonita. Os seus tratos eram os tipicos de uma mulher japonesa. Olhos castanhos rasgados, com lábios bem pintados de vermelho, mãos pequenas, silhoueta elegante... O Katsura era um homem muito invejado pela esposa que tinha. "Eu nunca sei se ele vai voltar vivo para casa Kaoru... Se ao menos se descobrisse quem é o traídor, ao menos o meu coração conseguia descansar um pouco, sabes?"
Será que eu lhe devo contar? Era uma indecisão. Se lhe contasse podiam acontecer duas coisas: Ou ela acreditava nela e a ajudava, ou não acreditava nela e a Kaoru perdia a única pessoa em quem podia confiar naquela casa.
Será que dava para arriscar?
"Sakura... Eu queria muito contar-te uma coisa... Mas nao sei como vais reagir quando eu o fizer..." - A Kaoru tentou não soar alarmista - "Eu preciso que penses antes de agir, e que mantenhas a calma e me ouças até ao fim..."
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Tenho saudades dele...
Já não consigo ouvir a sua voz, sentir o seu toque...
A única coisa que me resta são as memórias de um passado recente que parece longínquo, e que turva quando lhe tento tocar...
Apesar disso, não consigo encontrar forças para vingar a sua morte.
Tenho uma semana para entregar o segredo do Battousai...
Mas ainda não descobri nada... Nada para além do facto de ele ser gentil demais para um assassino...
Ás vezes sinto que a assassina sou eu...
Uma assassina por nunca ter dito o que sentia, e o meu silencio levou-o á morte...
A Tomoe parou de escrever... Ouviu vozes no corredor. Levantou-se e foi espreitar.
Observou as duas mulheres caminharem calmamente lado a lado. Pareciam conversar acerca de algo, mas, a Tomoe não conseguiu perceber do que.
Assim que a viram pararam de conversar.
Finalmente a Tomoe reconheceu a outra mulher... A mulher do Battousai.
Sentiu que o olhar da Kaoru pousou directamente nela... Por um momento achou que a Sakura não estava ali e que a Kaoru estava prestes a dizer-lhe algo, mas conteve-se.
"Tomoe... Estavas a escrever no teu diário?" - a Sakura perguntou com um sorriso
Esta acenou com a cabeça. "A Tomoe escreve todos os dias no seu diário sabias Kaoru?"
"Aí sim?" a Kaoru tomou nota da informação mentalmente... Talvez um dia pudesse vir a ser útil...
"Tomoe, talvez queiras juntar-te a nós, vamos tomar um chá." - A Sakura convidou
"Sim." - Apagou a bela que tinha no quarto e seguiu-as.
Os corredores daquela casa eram estreitos, e estava tudo tão silencioso que era como se fossem as únicas habitantes daquele lugar.
Entraram na sala de chás e a Sakura deu ordens para que se fosse aquecer água para o chá das trÊs.
Após isso o silencio imperou naquele lugar. A Kaoru tinha a sua frente a mulher cujo primo era suspeito de ter estragado toda a sua vida e sujar o seu nome, para além disso, não conseguia esconder alguma inveja pelo facto de ela estar a viver com o homem que ela amava, na casa em da qual este a tinha expulso com tanta raiva.
"Estás a gostar da estadia?" - A Kaoru perguntou parecendo interessada "Soube que és da província."
A Tomoe olhou-a fixamente por um tempo antes de responder: "Estão todos a ser simpáticos comigo. Mais do que aquilo que estou habituada..."
"Acredito que sim... A tua família não parece assim muito... simpática, quer dizer, mais especificamente o teu primo... "
A jovem pestanejou: "Sim..."
A Kaoru olhou para a outra habitante da sala... Percebeu o que ela disse a pouco acerca de ela não ser grande faladora... Seria assim a mulher certa para o Kenshin? Começava a ter duvidas acerca de si própria, das suas habilidades como mulher... Naquele país tudo parecia ser ao contrário... Mulheres silenciosas eram as preferidas para serem esposas... As outras para amantes...Será que era justo?
A Tomoe era bela, disso não havia dúvida, qualquer homem podia comprovar isso... Qualquer mulher se sentiria ameaçada pela beleza que exteriorizava, no entanto, não era preciso muito para entender que algo se passava com ela... Algo de muito errado... Não sabia se era da pouca luz, mas, os seus olhos estavam escuros, era como se chorasse sem lágrimas, como se estivesse cansada de viver apesar de ser tão jovem.
Sim... O Yahiko tinha razão, era como se fosse metade de uma pessoa... sem força de espírito, sem vontade própria...
Como é que conseguiria descobrir algo de alguém assim como ela?
Elas parece estar tão á vontade uma com a outra, é como se fossem mesmo amigas...
A Tomoe reparava na maneira como aquelas duas mulheres interagiam, e na forma afável como se tratavam uma com a outra. Apesar de ser bem tratada naquela casa, ela nunca tinha permitido que as suas conversas com a Sakura fossem além do essencial, talvez devido ao seu receio de se envolver emocionalmente com as outras pessoas e acabar por delatar todo o complôt no qual se encontrava metida. Outra razão era a sua inata falta de habilidade para interagir com as outras pessoas... Sim, uma mistura dessas duas razões contribuía para que nada na sua vida, além do seu irmão fosse realmente verdadeiro...
"Muito bem amanhã vou contigo falar com a Yumi." - A Sakura acabou por dizer. "Ela deve estar preocupada contigo."
"Obrigada." - A Kaoru sorriu
Nesse preciso momento o Katsura entrou na sala, acompanhado do Kenshin.
Apesar de manter uma postura rígida, os seus olhos focaram directamente nela. E quando a viu a sorrir foi como se mais ninguém estivesse naquela sala.
Foi como se ela desse ritmo ao coração do esquartejador... O fizesse bater mais depressa...
"Vocês vão ficar todas aqui esta noite. É mais seguro..." - O Katsura informou. "O Kenshin vai ter que sair para cumprir ordens minhas e só voltará amanhã á noite."
"Sozinho? Não é perigoso?" - A Kaoru perguntou de imediato.
a Katsura deixou escapar uma gargalhada. "Perigoso para quem? Para os monarquistas?"
A Kaoru relembrou por momentos a luta prévia que ele tinha tido com o lider da 3ª patrulha de Shinsen... Sim, ele era extremamente cuidadoso quando lutava... Quem ousasse enfrenta-lo seria louco, pois estaria a colocar a sua vida em perigo...
Na sala fez-se silencio... APesar de saber que o Kenshin não precisava de ninguém para se defender isso não a sossegava...
"As senhoras devem recolher-se... Já é um pouco tarde para os vossos chás não acham?" - O Katsura disse brincando com uma mecha de cabelo da Sakura.
"Querido nunca é tarde demais para as mulheres porem a conversa em dia..."
Ambos sorriram e ele saiu da sala com o braço por cima do ombro dela.
A Kaoru levantou-se e deixou a sala... Era insuportável estar num ambiente fechado com o homem que amava e com a mulher que vivia com ele... Encaminhou-se para o quarto num passo lento... O seu quarto era o primeiro do corredor... Mas, não tinha sono... Por isso apressou o passo e foi até ao jardim...
Preciso de estar sozinha... Preciso de um ligar para pensar sem ser interrompida...
Já sei.
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Mais uma vez vou ser forçado a estar longe... O Kenshin vagueava pelo corredor sem saber se havia de partir já... Ele sabia que queria fazer algo antes de ir... A questão era... Será que o seu orgulho lhe permitiria fazÊ-lo?
Ele caminhou até á porta do quarto dela e ficou parado na sua frente. Repensando as palavras que lhe havia de dizer, quando sentiu que ela não poderia estar no quarto...
Onde estaria ela? Percorreu toda a casa á sua procura. Mas onde é que ela se meteu? Não pode ter saído daqui, os guardas na porta nunca a deixariam passar pelo portão sem me avisar. Ela tem que estar aqui...
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Misao? Sano? Será que algum dia vou puder voltar a ver os meus amigos?
As coisas estão tão mal aqui... Quem me dera que voces estivessem a meu lado para me puderem ajudar...
Sinto saudades vossas...
FLAShBACK:
"Olá!" - ela olhou para a menina á sua frente. Era tão magricela, mas tinha uma cara linda, e as suas tranças faziam-na parecer algum tipo de ser angelical...
ela continuou sem esperar resposta... "O meu nome é Misao... E sou nova na vizinhança... Moro naquela casa dali." - e apontou para uma casa ao fundo da rua... - " E não conheço ninguém... Queres ser minha amiga?"
A Kaoru ficou a olhar para a outra criança...
Na falta de resposta, a Misao desanimou: "Desculpa, se calhar já tens muitos amigos... Eu vou-me embora." e voltou as costas para partir.
"O meu nome é Kaoru."
A outra jovem parou.
"E gostava muito que fosses a minha primeira amiga... "
A Misao rejubilou: "A sério, primeira? Que booom?Sabes eu também não tenho mais nenhuma amiga... Isso quer dizer que vais ser a minha melhor amiga... Que vamos contar tudo uma á outra." - começou a enumerar - "Quando receberes uma prenda, quando te sentires triste, quando gostares de alguem rapaz, quando tiveres uma namorado, eu vou ser sempre a primeira a saber certo?"
A Kaoru acenou: "Sim" - sorriu
"Yupi! Melhores amigas para sempre!" - e desatou aos saltos incontrolável, sorrindo e pronunciando promessas de amizade eterna.
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As duas iam no caminho de volta para casa, Estava um dia quente e um gelado ia mesmo a calhar... Juntaram o pouco dinheiro que tinha sobrado do almoço e foram até ao café mais próximo comprar um gelado de baunilha e chocolate.
"Que bom... É metade meu, metade teu!" - A Kaoru disse
Continuaram o seu caminho trocando o gelado de vez em quando para cada uma usufruir a sua parte, quando trÊs rapazes que elas já conheciam da escola se colocou á frente delas.
"Dá me o gelado!" - um deles exigiu
A Kaoru recuou: "- Não dou!"
Aparentemente a recusa da Kaoru simplesmente fez com que ele tivesse mais vontade em lhes tirar o gelado.
"Muito bem... Eu quis ser simpático e pedir gentilmente, mas tu recusaste-te a fazÊ-lo... Por isso vou ter que tirar-to á força."
"Simpático? Eu não ouvi a palavra por favor!" - A Misao reclamou.
"Eh! Eh! Tu é que vais pedir por favor para eu parar quando te cortar essas tranças fala barato!"
"Não..." - a Misao e a Kaoru começaram a ficar com medo...
"Agora, vou negociar contigo... Se pedires á tua amiga para me dar um beijo, eu deixo-te ficar com o gelado."
"O quÊ? Eu nunca te daria um beijo!" - a Kaoru respondeu
"Ai não? PorquÊ?" - ele pergntou furioso
Foi aí que uma voz atrás delas disse:
"Porque és feio, burro estupído e cobarde... és tão nojento que nem mesmo aquela história do principe e do sapo se podia aplicar a ti, meu grande pote de borbulhas!"
Um rapaz de cabelo castanho e olhos castanhos começou a andar na direcção daqueles rapazes.
"Mas quem é ele?" - um dos trÊs perguntou
"É o Sanozuke Sagara do 4ºA... Dizem que ele é perigoso e vive nos bairros..."
"Eu não vou enfrentá-lo..." - disse o outro
"Nem eu..." - disse o segundo rapaz.
"O quÊ? Então eu fico sozinho?" - o rapaz que tinha ameaçado a Kaoru olhou para os outros dois a correrem.
"Sim... Tu é que tiveste a ideia de lhes roubar o gelado... "
O Sanozuke estalou os dedos... "Então como é, afinal? Só um? Isto vai perder a piada!" - antes de que fosse possivel o outro rapaz entender o que se estava a passar o Sano agarrou-lhe no braço com força e sussurrou-lhe ao ouvido:
"Queres apanhar á frente das meninas? e ficar mais envergonhado? Ou queres que te deixe fugir?"
O rapaz soltou-se do braço do Sano e correu a sete pés: "Esperem por mim!" - gritou para os colegas.
"Uau! és mesmo forte! Obrigada!" - A Kaoru gritou...
Ele passou a mão pelo cabelo: "Eu sei... de nada... Sabes, como recompensa por vos ter ajudado, nao podiamos repartir o gelado?"
::::FIM DO FLASHBACK
Ela estava no telhado.
Mas o que é que ela estava ali a fazer? Sem fazer barulho aproximou-se dela... Ela está ... a chorar...
Ela só o sentiu quando ele se sentou ao seu lado.
"Kenshin..." - ela balbuciou ainda atordoada com as lembranças do passado.
"O que se passa?" - ele perguntou referindo-se aos seus olhos vermelhos de choro.
Ela limpou as lágrimas " Recordações... sim... recordações...só isso."
"Boas ou más?"
"Boas..."
"Então porque choras?"
"Kenshin, tu nunca tens recordações?" - ela perguntou evasivamente
"Sim... Mas as minhas são sempre más... Referem-se ás mortes que causei." - ele foi frio na resposta.
"Vais partir?" - ela perguntou ignorando o seu comentário.
"Sim."
"Tem cuidado. O teu titulo dá te protecção, mas traz-te também muitos inimigos..."
"Sim. Inimigos como o Saito." - ele retorquiu
"Não te preocupes já com o Saito... ele não é o teu principal inimigo."
Ele odiava isto... Era parecia saber algo que ele não sabia, mas não partilhava com ele... Mas, agora não havia tempo para puxar "tirar nabos do púcaro", ele tinha vindo ali para lhe dizer algo, e ia fazÊ-lo.
" Tenta manter-te aqui em casa."
"O QUê?" - Ela perguntou indignada
"Até eu chegar, tu não sais daqui, ouvis-te?"
"PorquÊ?"
"Ouve Kaoru!" - ele agarrou-a pelo braço "Eu não sei com que tipo de gente estás envolvida.. Eu posso estar a cometer o maior erro da minha vida ao trazer-te para aqui." - ele parou de falar por momentos repensando em tudo o que estava a arriscar por alguém que, por mais que lhe custasse dizer, não confiava totalmente. "É ténue a linha que nos une... não a quebres."
Queria que ela ficasse com a ideia de que aquilo que ele estava a dizer era para cumprir, e que se não o fizesse as coisas teriam de mudar.
Ela olhou-o boquiaberta. Mas quem é que ele achava que era para a tratar assim? "Eu não tenho que seguir as tuas ordens!"
"Achas que não?" - ele vociferou - "Se alguém aqui em casa imagina o que tu fizeste... Já pensas-te no que te podem fazer?"
Ela respirou fundo tentando manter-se calma." Eu já te disse Kenshin, eu não fiz nada... é só isso que te quero provar... Assim que o fizer vou-me embora e nunca mais vais ter que olhar para a minha cara!"
As últimas palavras dela fizeram-no parar.
"Embora? Para onde?"
Ela baixou a cabeça... Nem ela mesmo sabia bem para onde... "Para longe de tudo e de todos aqui..." - e saltou do telhado para o átrio da casa.
Antes que ela pudesse entrar na área interior, ele agarrou-a pelo braço, fazendo a sua cara ficar tão perto da dele que conseguia sentir a sua respiração quente a bater no seu rosto. Ele olhou-a seriamente por momentos, e depois falou.
"Não faças estúpido."
Apesar daquele contacto visual se estar a tornar quase impossível de aguentar ela sabia que se desviasse o olhar estaria a aceitar as condições que ele lhe estava a impor, por isso manteve-se firme e olhou-o fixamente.
Porque é que ela está a tornar as coisas tão dificeis? É loucura tudo isto... E o maior louco sou eu por me estar a arriscar...
Teria ficado a entre-olhar-se durante horas se uma das portas do corredor não se tivesse aberto.
"Himura, está tudo bem?"
O Kenshin largou o braço da Kaoru e respondeu: "Sim. Estou de partida Katsura."
"Muito bem vou deixar-vos a sós por alguns minutos antes de partires."
O Kenshin acenou.
Assim que a figura do Lider dos Ishishinshi desapareceu o samurai voltou a sua atenção para a Kaoru de novo...
"Eu estou de volta amanhã à noite. Não faças nada estúpido por favor."
Dito isso, caminhou em direcção ao portão de saída sem olhar uma única vez para trás.
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"Kaoru! Estas a dormir?"
Era a Sakura.
"Sakura? Que horas são? Entra!"
A outra mulher espreitou por uma fresta da porta e sorriu perante o rosto ensonado da amiga. "Bom dia... Desculpa acordar-te... Mas dormiste a manha toda, e como disses-te que querias ir falar com a Yumi decidi acordar-te antes que fosse muito tarde."
"Fizes-te bem." - A Kaoru disse levantando-se repentinamente. Mas daí lembrou-se das palavras do Kenshin. "Mas eu não sei se devo ir"
"PorquÊ?" a Sakura perguntou.
"O Kenshin pediu-me para não sair.."
A amiga retirou-lhe um quimono do armário da roupa" Vais sim... É a única forma de resolveres o teu problema."
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As duas caminharam juntas até à casa onde a Yumi se encontrava a viver...
"Salvaste-te..." - o sorriso era verdadeiro - "quando o Battousai me contou eu não acreditei..."
" O Kenshin contou-te? Como?"
"Esteve aqui ontem..."
Ele cumpriu a promessa dele...
"Yumi, nós temos razão para acreditar que a pessoa que fez arder o teu restaurante, o fez propositadamente para matar a Kaoru..."
"O quÊ?"
A conversa foi longa... A Kaoru explicou À Yumi tudo o que tinha acontecido, bem como a ameaça que tinha recebido na noite anterior... a aliança com o Saito... a protecção do Aoshi... a desconfiança do Iizuka...
Durante todo o tempo a Yumi escutou com atenção os argumentos das duas mulheres À sua frente.
"Eu nunca gostei do Iizuka... Mas, ele é o tipo de homem meticuloso e calculista... Vai ser muito difícil apanha-lo despercebido ou fazê-lo cair numa armadilha..." - ainda horrorizada com toda a história a gueixa desabafou: "Tenho medo por ti e por nós... O Battousai devia saber disto..."
"Ele não acredita em mim... O Iizuka fez-lhe a cabeça..." - a Kaoru disse desesperada
"Então temos que fazer com que ele acredite em ti..." - a Yumi passou a mão pelo cabelo - "Temos que encontrar uma forma de ele confessar o que está a fazer e que o Battousai o ouça... "
"Mas como?" - Perguntaram as duas em unissono.
"Pois... Isso é que não sei... Mas hei de magicar algo."
"Yumi, pensa nisso... Eu volto cá dentro de dois dias... Este assunto é grave... Não é só a vida da Kaoru que está em jogo, mas também de muitas pessoas que acreditam que o melhor para este país é seguir os ideias dos Ishinshinshi... os ideais que o meu marido coloca em primeiro lugar na sua vida... "
Despediram-se...Já quase noite... Aquele dia tinha passado tão rápido...
"Kaoru, espera aqui por favor, Já está a escurecer... é perigoso voltar agora para casa... Aqueles homens trabalham para o Katsura" - apontou para dois rapazes ao fundo da rua. "Eu vou pedir para que nos escoltem até casa."
"Está bem.."
A Kaoru ficou a ver a Sakura caminhar até aos homens...
Só espero que a Yumi consiga arranjar uma forma de nos ajudar...
Quero tanto acabar com este pesadelo...
"Fico feliz por saber que estás viva..." - uma voz acordou-a dos seus pensamentos.
Voltando-se para trás deu de caras com o Aoshi.
"Aoshi!" Não pode evitar sorrir ao vÊ-lo... Era reconfortante...
"O incêndio foi um disfarce para o teu homicídio... Os meus homens encontraram a pessoa que pegou fogo ao restaurante e obrigaram-no a confessar."
"O quÊ?"
"Não te preocupes tudo vai correr bem..."
"Mas como? Oh! Aoshi..." - as lágrimas começaram a formar-se nos seus olhos. " Tu nem sabes o que isso significa para mim... é o fim de todo este pesadelo... "
"Faz com que o Battousai venha contigo ter à entrada de Edo amanhã por esta hora... Eu trato do resto..."
A Kaoru sentiu-se aliviada... "Tens a certeza que vai correr tudo bem? É que desejo isto há tanto tempo que nem me parece real."
Ele assegurou-lhe. :"Sim... Vai tudo dar certo."
"Obrigada Aoshi."
A Kaoru nem conseguia acreditar. Quando tinha acordado, pensava que ia ser apenas mais um dia de tentativas falhadas... sem respostas... Mas agora, com a ajuda do Aoshi tudo parecia ter tomado um rumo diferente. E, se havia alguém em quem ela confiava, essa pessoa era o Aoshi...
"Eu vou ter que voltar..."
O Aoshi não respondeu. Parecia que algo estava a prender o seu olhar... ou alguém...
"Aoshi, ouve tenho mesmo que ir... Obrigada por tudo..."
Quando se voltou para o sentido contrário nem queria acreditar. A sua boca abriu-se de espanto... Não podia ser. Só faltava esta.
"Kenshin?"
Ele não desviou o olhar do lider dos Oniwabanshu... "Eu pensei que te tinha dito para ficares em casa."
"Ela veio comigo Himura." - A Sakura que tinha chegado entretanto interviu
" E porquê que ela estava a falar com o Shinomori Aoshi?"
Apesar de saber que o Kenshin era um excelente guerreiro o Aoshi não demonstrou nenhum receio. " Porque eu falei com ela em primeiro lugar..."
"A partir de hoje não te diriges mais a ela." - o Kenshin ameaçou
"Porquê Battousai? Tens medo que lhe salve a vida, mais uma vez?" - o outro respondeu.
Rapidamente a mão do samurai voou para a bainha da espada, mas o Aoshi manteve-se imóvel.
Antes que algo acontecesse a Kaoru colocou-se no meio dos dois homens.
"Parem com isso... " - a Kaoru virou costas ao Kenshin " Aoshi, obrigada por tudo..." - novamente para o ruivo: " Vamos para casa."
Ele continuava com os olhos pregados no Aoshi. "Kenshin!" - ela chamou-o de novo, desta vez mais alto.
O Samurai olhou para a jovem e, embora contrariado voltou costas ao seu adversário e continuou a caminhar...
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