Olha que apareceu muito, mas muito antes da hora com capitulo novo e cheio de coisas importantes?!

Espero que vocês curtam essa surpresa e me deixem muito feliz com um montão de reviews!

Deixemos então de blá-blá-blá!

Boa leitura!


Há muito eu não me sentia tão ansiosa com alguma coisa em que houvesse Edward e eu na mesma equação. Para ser sincera, acho que não me sentia assim desde o início da gravidez, quando essa sombra da discórdia tinha pairado sobre o nosso casamento. Agora, com a perspectiva de acertarmos certos pontos pendentes em nossas vidas, incluindo o futuro da nossa filha, eu começava a enxergar um pouco de luz no final do tudo. De que talvez fosse possível acreditar e ter fé que dias melhores talvez estivessem à espreita, aguardando apenas que nós dois acreditássemos neles para seguirmos em frente, apesar de todas as pendências que ainda existiam sobre nós.

Era incrível o que as poucas horas naquela instituição fizeram por nós dois. Eu me sentia muito mais segura, apenas por ter encontrado um lugar onde eu poderia encontrar o apoio que eu tanto necessitaria. Mesmo com tão pouco tempo lá dentro, ficou claro que o La Rabida definitivamente era um lugar onde eu teria todas as nossas necessidades atendidas nos próximos meses. Não só pela estrutura de apoio à Grace, mas como para mim mesma, onde eu aprenderia a lidar melhor com certas limitações que teríamos quando minha menina estivesse aqui.

Engraçado que eu já não tinha mais em mente a volta para Washington, como planejara alguns meses atrás. Independente da condição do meu matrimônio daqui para frente, eu não queria mais voltar para meu estado natal. Por mais que Port Angeles e Seattle tivessem boas instituições que poderiam cuidar de Grace, algo aqui neste local em frente ao Lago Michigan tinha me atraído por completo; talvez tivesse a ver com a bela paisagem que poderia ser inspiradora pra minha filha, mostrando que existia um mundo inteiro a espera de seus pequenos avanços.

Enquanto eu pensava em tudo isso, Edward nos guiava de volta para casa, só fazendo um pequeno desvio durante o trajeto para nos comprar um pouco de Salada Ceasar para o almoço em uma das lanchonetes que eu amava. Na verdade, eu só percebi o quanto estava faminta quando o carro foi tomado pelo cheiro delicioso das anchovas vindo através dos potinhos de isopor.

Quando finalmente chegamos, outra vez ele parou o carro em frente de casa apesar do controle da garagem estar em seu chaveiro. Rapidamente ele desceu do veículo e deu a volta para abrir minha porta e estender sua mão para me ajudar a descer do banco. Sorri agradecida, porém não pude deixar de ficar preocupada; será que ele pretendia ir embora logo e deixar a nossa conversa de lado? Teria ele algum compromisso que considerasse mais importante?

– O que foi, amor? Aconteceu alguma coisa? – Edward perguntou, dando um leve aperto em minha mão enquanto caminhávamos até a porta.

– Não é nada... – ele ergueu uma das sobrancelhas enquanto me fitava e eu não consegui esconder minha curiosidade. – Você vai precisar voltar para o trabalho ou algo assim?

Ele balançou a cabeça negativamente. – A partir de hoje eu estou literalmente vivendo de renda, Bella. O último compromisso que tive com o escritório foi durante esse final de semana na Filadélfia. Todo o tempo que tenho agora é dedicado apenas a você e as crianças.

– Mas você não tem mais vínculo algum?! – perguntei surpresa à medida que entrava em casa e retirava o pesado casaco que usava – Eu pensei que tinha deixado claro para aquela velha cretina que você deveria ficar no conselho permanentemente!

Edward riu alto e me puxou para um abraço. – Não, boba. Assim como você quis, eu continuo no conselho dos advogados. – ele se afastou minimamente e me encarou. – Eu sei que você sempre teve um grande poder de persuasão, Bella, mas nunca pensei que isso pudesse funcionar com mulheres como Tanya Denali. Aquela velha aceitou suas condições sem problema algum. Qual foi o segredo?

– Talvez a convenci porque estava grávida. – comentei dando de ombros. – Não falei nada demais, eu acho.

Ele balançou a cabeça e rolou os olhos. – Duvido que tenha sido tão simples assim... Quer se trocar primeiro?

Porém, antes que eu pudesse responder, minha barriga roncou forte para minha total vergonha. Senti minhas bochechas enrubescendo e a risada livre de Edward ressoou alta em casa. Foi impossível não me sentir contagiada também pelo simples fato de que aos poucos, as coisas pareciam estar voltando ao seu devido lugar.

Lógico que não poderíamos voltar imediatamente ao ponto em que paramos. De certa forma, acho que isso seria impossível devido as atuais circunstâncias em que nós dois nos encontramos. Entretanto, se essa conversa fosse mesmo tudo aquilo que eu sinceramente esperava, podia haver uma chance real de que poderíamos sim ter uma vida juntos outra vez.

Na cozinha, nós compartilhamos a salada e dividimos uma jarra de suco que eu tinha preparado um pouco antes de sair. Enquanto comíamos, Edward explicou que o mal tempo havia feito com que os aeroportos na Pensilvânia permanecessem fechados por quase o final de semana inteiro, só sendo liberados na tarde de ontem. Após enfrentar o caos com milhares de passageiros, Edward só conseguiu uma vaga durante um dos voos da madrugada. Ele tinha praticamente vindo direto do aeroporto de Midway para o consultório da Dra Shelton.

Quando lhe perguntei sobre a bonequinha lilás que ele havia trazido para mim, Edward sorriu discretamente e apanhou os nossos pratos já vazios, os levando até a cozinha. – Eu a comprei em uma das lojas de conveniência do aeroporto. Não sei o por quê, mas algo chamou minha atenção para ela.

– Ela é linda. Obrigada, Edward.

– Mas ela não é sua e sim da Grace.

Eu sorri, colocando o último prato sujo dentro da pia – Eu vou tomar conta dela por enquanto.

Uma vez que tínhamos terminado de limpar tudo em conjunto, Edward voltou-se para mim e de repente, sua postura tornou-se um tanto que rígida.. – Tem certeza de que está pronta para me ouvir?

– Para dizer a verdade, eu estou meio que ansiosa desde que saímos do consultório mais cedo... – respondi com toda sinceridade

– Sério? – ele inquiriu levemente, mostrando-me seu sorriso torto – Você parecia muito mais ansiosa para ir para o La Rabida.

. – Digamos que eu ter te chamado até lá foi um teste, para saber até que ponto você pode nos aceitar em sua vida.

– E eu fui aprovado? – ele indagou, erguendo uma de suas sobrancelhas comicamente.

– Eu ainda não sei. Preciso saber o que foi que aconteceu com você nesses últimos dias antes de dar meu parecer final.

Ele fechou a porta do lava-louça e veio até mim, envolvendo meus ombros em um abraço e deixando um beijo na lateral do meu rosto. – Então vamos para a sala. Como eu já disse, essa será uma longa conversa.

– E porque vai ser tão longa assim?

– Porque eu preciso começar do começo, de onde tudo começou a mudar. Bem, pelo menos para mim.

Senti minhas sobrancelhas se cruzarem enquanto caminhávamos lado a lado até a sala. – Quando foi isso?

– Em Forks, logo depois que você pediu o divórcio.

– Oh... – foi tudo o que consegui balbuciar, aproveitando para me sentar no sofá que parecia ser bastante convidativo àquela altura.

– Bem, depois que eu saí do hospital naquele final de tarde, eu me senti um fracasso completo. – ele começou, sentando-se ao meu lado e pegando delicadamente uma de minhas pernas para colocar sobre o seu colo. – Em minha cabeça naquele ponto, eu só conseguia pensar que eu tinha feito tudo errado em minha vida, incluindo até mesmo esse bebê que você carrega.

"Então, eu chego a casa dos meus tios, me sentindo o pior merda possível quando encontro Esme insistindo em uma conversa que ela considerava urgente. Eu não quis dar muita atenção a ela mas foi impossível não parar os meus passos quando ela empurrou em meu peito uma foto do pequeno Joseph. Um primo que nunca sequer cogitei que pudesse ter Síndrome de Down também."

"O pior de tudo era que enquanto ela falava, invés de me sentir mais aliviado, era como se fosse exatamente o contrário. Eu não conseguia parar de pensar que aqueles eram meus genes. Que eu te culpava tanto por insistir em uma gravidez que tinha tudo para dar errado, mas que na verdade, a genética de um bebê assim vinha do meu lado da família. Que esse defeito era responsabilidade minha. "

– Edward, – eu o interrompi – Isso não tem nada a ver. Nesse quesito, não é questão de genética, mas sim de simples coincidência.

– Eu sei, amor, mas não era assim que eu via na época. – ele respondeu, começando a massagear levemente meu pé. – Por mais que minha tia tentasse, naquela noite, me fazer enxergar tudo por essa ótica, nada poderia mudar minha cabeça naquele instante. Só podia pensar que eu era o único culpado por estarmos nessa situação. O que era verdade, mas por aspectos completamente diferentes daqueles que eu imaginava.

– Você não tem ideia do quanto eu fiquei furiosa quando você disse com tanta convicção que você era o culpado por nossa filha ser assim. – respondi, sem deixar de encará-lo. – De todas as coisas que você já tinha dito, acho que essa foi uma das que mais me machucou. Você se culpando por um "erro" que nenhum de nós pôde controlar.

– Eu sei, mas na época eu não tinha passado por metade das experiências que eu passei no último mês. – ele respondeu, fechando os olhos por dois segundos antes de completar. – Acho que eu só posso agradecer por tudo o que eu vivi no último mês. Eu gosto de pensar que esses acontecimentos foram as últimas chances que eu tive para deixar de ser tão estúpido com você, com o Richie e com a bebê.

– E o que diabos aconteceu, Edward? Você está me matando aqui!

Ele riu, mas não parou um minuto sequer de esfregar o meu pé. – Bem, depois que eu voltei de Washington, eu estava me sentindo péssimo por ter estragado o Natal de vocês e pensei em me redimir. Talvez não da maneira correta, mas da única que eu achava mais fácil no momento: comprando presentes para vocês. Então, assim que cheguei em Chicago, no dia seguinte resolvi ir até a loja de brinquedos comprar aquele maldito skate que o Richie vivia pedindo tanto para nós dois.

"Eu pensava que por conta do Natal já ter passado as lojas estariam vazias, mas pelo contrário; todas elas estavam praticamente um inferno de gente e de crianças trocando presentes que não lhe agradaram tanto assim. Eu já estava em minha quarta loja diferente e já estava quase desistindo quando eu o vi chorando. Um choro constante e desesperado que mesmo de costas e escondido em um canto, não deixou de quebrar meu coração."

"Eu só pensava no Richie e o que eu queria que um estranho lhe fizesse, se acaso encontrasse nosso filho naquela mesma situação. Foi então que me aproximando devagar, eu coloquei minha mão no ombro do garotinho para falar com ele. E foi assim que eu conheci o Evan"

– Evan? O mesmo menininho que encontramos no La Rabida?!

Ele assentiu – Imagine a minha cara de idiota quando eu percebi que a criança à minha frente tinha Síndrome de Down e estava desesperado procurando por seus pais. Exatamente como qualquer outra criança em uma situação minimamente parecida. Então, com toda confiança do mundo... – Edward se calou e tomou uma respiração profunda antes de continuar –, como se me conhecesse há muito tempo, ele simplesmente me pediu para ajudar a achar a mamãe dele.

– Acho que ele confiou em você.

– Na verdade, acho que isso é algo que eu mesmo não soube lidar no momento. – ele respondeu sem jeito – Lembro de ter me perguntado internamente qual era a razão daquele menino ter acreditado em mim assim tão simplesmente.

Agora foi minha vez de dar de ombros. – Essas crianças tem o melhor da humanidade: elas são puras e não veem a maldade que pode existir em algumas pessoas.

– É, mas mesmo assim eu tenho que admitir que fui relutante em ajuda-lo. – Edward confessou – Eu estava com medo de que o responsável dele o tivesse abandonado ou algo assim e eu não ter ideia do que fazer com ele.

Meneei a cabeça e lhe questionei – Mas mesmo assim você o ajudou, não foi?

– Sim. Aquele pequeno pode ser muito insistente quando quer. Depois de passarmos juntos por várias sessões, mesmo sem eu ter ideia se ele sabia mesmo ou não a quem procurar, encontramos Mercedes, a mãe dele junto com uns guardas. Quando ela o viu ao meu lado, foi como se ela tivesse encontrado todo o seu mundo outra vez.

– Talvez todos os pais se sintam assim em uma situação como essa... – comentei, sentindo um leve aperto no peito ao me colocar um pouco naquela situação, afastada de algum dos meus filhos e sem saber ao certo como e com quem eles estariam.

Edward meneou a cabeça, porém ele tinha mais a dizer. – Você me consideraria idiota por admitir que naquele instante eu senti inveja daquela mulher?

– Inveja?! – indaguei confusa. – Por quê?

– Porque por mais estúpido que pareça, foi incrível para mim presenciar que aquela criança, mesmo cheia de limitações mentais, só conseguia pensar em reencontrar a mulher que amava; em encontrar sua mãe. Esse foi o primeiro sinal que eu tive de que talvez estivesse menosprezando além da conta a menina que você tem em seu ventre.

– Eu não consegui formar nenhum comentário coerente; na verdade é que talvez eu ainda estivesse em choque pelo o que ele havia acabado de revelar. Porém, ele não hesitou em continuar sua versão dos fatos, – Depois que a mulher me agradeceu profusamente por ter ajudado a encontrar o Evan, eu voltei para casa com o presente de Richie nas mãos e me sentindo péssimo por ter saído de lá sem deixar de pensar na garotinha que eu ajudei a formar, mas que em momento nenhum tinha dado a devida atenção. Somente quando cheguei em casa, foi que me passou a ideia de criar um quarto para ela, com a desculpa perfeita de que esse seria um presente para você. – De repente ele para e solta uma risada sem graça – O pior que eu não acertei de forma alguma. Você e ela odiaram o quarto que eu escolhi.

– Nós não odiamos, Edward. – eu afirmei – Eu também fui estúpida por ter te dito aquelas coisas da boca para fora. Tudo está absolutamente perfeito, tanto é que ontem eu terminei de organizar tudo por lá.

– Mas eu deveria ter pedido a sua opinião, não tentado me redimir com vocês duas usando dinheiro.

Estiquei minha mãe e coloquei a minha sobre a dele – Agora que eu sei qual foi sua verdadeira intenção, eu me sinto péssima por ter menosprezado tudo da forma que eu fiz.

– Você não tinha como adivinhar. Eu no seu lugar teria feito a mesma coisa, eu acho.

– Mas isso te machucou. – disse sem rodeios.

– Não tanto quanto na última noite, quando eu tentei tocar em sua barriga. – ele respondeu.

Eu não consegui encará-lo depois de ele ter dito isso. Abaixei meus olhos e senti o acúmulo de lágrimas se formando, porque eu tinha total noção do quanto minhas palavras tinham sido hostis aquela noite. Era notável que a partir de então, Edward estava tentando se redimir pelos seus erros e eu tinha sido a primeira a julgar e apontar os seus erros, quando na verdade deveria ter sido mais paciente e ter reconhecido que ele estava tentando se redimir por tudo o que tinha feito até então.

– Hey, baby, o que foi que aconteceu?

– Será que você pode me perdoar por ter sido tão grossa? – perguntei com a voz chorosa – E-eu não fazia ideia de que você estava tentando e...

– Shhh, amor. Já passou. – ele afirmou, impedindo que eu continuasse com minhas lamentações. – Eu não estou aqui agora para falar do passado, mas sim do que me fez querer mudar, pelo nosso bem e o de nossa filha.

Funguei um pouco, passando a mão livre para enxugar o canto dos meus olhos. – Mas eu preciso pedir desculpas.

E por mais absurdo que fosse, Edward riu – Sério que você está se sentindo mal por ter agido estupidamente uma única vez? Poxa, desse jeito você me faz acreditar que não existe redenção para mim, amor.

– Eu não devia ter dito aquilo. – sibilei sem jeito – Não quando você estava tentando finalmente se aproximar de nossa filha. Eu devia ter percebido que aquela era sua primeira tentativa de se aproximar de nós duas depois de tudo o que aconteceu... Daí então eu agir com uma verdadeira amargura ridícula que...

Minha tagarelice foi interrompida por um leve toque de seus lábios nos meus. – Não há nada para se desculpar, Bella. Na verdade, acho que sou eu quem irei precisar do seu eterno perdão por tudo o que te fiz sofrer nesses últimos meses. –, tentei contradizê-lo, mas ele me impediu ao levantar suas mãos. – Mas então, você quer ou não que eu termine de contar tudo o que aconteceu comigo?

Balancei minha cabeça assentindo e voltei a repousar meu rosto contra o seu peito. Ele se reacomodou melhor, chutando seus sapatos e colocando os pés sobre o sofá, fazendo com que suas pernas se estendessem contra as minhas.

– Então, como eu ia dizendo, – ele continuou, – acho que aquela noite, quando a Grace não correspondeu ao meu toque, eu me senti a pior pessoa do mundo. Principalmente porque dois minutos antes, nossa filha parecia bem animada brincando com o irmão dela, daí só foi eu me aproximar para que ela mudasse de atitude. Ali eu notei que eu não era só um estranho para ela, mas para você e para o Richie também.

"Eu passei aquela noite toda aqui neste mesmo sofá apenas refletindo sobre isso. Talvez não fosse certo de minha parte ficar impressionado, afinal é apenas um bebê. Porém, todas as vezes que eu repassava a cena, pensava que era minha própria filha que não havia me reconhecido. E desde então, eu só consigo pensar em como será quando ela estiver por aqui; qual será a reação dela, quando não reconhecer a minha voz ou não saber quem é o idiota que a menosprezava tanto"

Era explicita o tamanho de sua dor ao dizer essas palavras; era irrevogável que ele sentia-se profundamente arrependido por tudo aquilo que tinha feito nos últimos meses. Talvez isso se deva mesmo ao fato do nosso divórcio eminente, mas no fundo, acho que o que lhe amargurava mais era o fato de ter menosprezado alguém que não tinha culpa de absolutamente nada. Acho que as últimas semanas serviram muito mais como uma forma de autorreflexão; como se essa fosse a forma que a vida tinha lhe oferecido para rever suas atitudes antes que Grace viesse incrementar nossa pequena família.

Quanto a mim, não podia mais suportar que ele continuasse a pensar desta maneira. As mãos dele estavam em punhos ao lado do meu corpo era um sinal do quanto ele ainda estava travado, mesmo enquanto expunha seu coração para mim. Eu fiz a única coisa que era capaz naquele instante; peguei suas mãos entre as minhas e as repousei unidas no alto de minha barriga. E mesmo que nossa filha não estivesse disposta a se movimentar naquele momento, sabia que isso para Edward significava muito mais do que ele se sentia capaz naquele instante.

De início, seu toque parecia vacilante contra meu ventre; como se Edward não soubesse ao certo o que fazer. Contudo, uma vez que eu me mantive junto a ele, aos poucos ele foi ganhando mais confiança, ao ponto de correr livremente sua palma por toda extensão de minha barriga exagerada.

Sua carícia lenta continuou daquela forma, muito delicada até que ele murmurou acho que para si mesmo – Será que em algum momento antes de ela nascer, ela irá se mexer para mim?

– É claro que vai. – comentei, enquanto fazíamos carinho juntos em nossa filha. – Ela só é um pouquinho tímida. Aposto que com mais alguns dias, ela irá ficar toda agitada só de ouvir a sua voz.

Edward fez uma careta – Nós não temos esse tempo todo.

– Bem, então eu acho que você deve correr atrás do tempo perdido.

Ele me olhou de uma forma confusa que me fez rir, para completa frustração dele. – Não estou entendendo nada, Bella. O que você quer dizer com isso?

Levantei-me do meu lugar e estiquei minha mão para Edward, que a tomou de bom grado. – Eu acho que você precisa conhecer um pouquinho mais sobre nossa filha.

– Estou tentando, Bella. – ele respondeu, enquanto eu o rebocava escada acima, em direção ao quartinho dela. – Eu tenho tentado aprender mais sobre Síndrome de Down e tudo o que nós dois vamos precisar saber sobre isso apenas com a intenção de saber lidar com ela.

Balancei minha cabeça negativamente. – Eu sei que você está fazendo isso, mas quando eu digo que você precisa conhecer a Grace, não é nesse sentido que eu me refiro.

Com isso, chegamos à porta do quarto de Grace onde entramos devagar. Notei que Edward me olhava de maneira suspeita, no entanto, não saiu do meu lado por nenhum segundo sequer. Fui até o trocador, onde estava o álbum do bebê que Rosalie tinha me dado de presente alguns dias atrás. Logo na primeira página, haviam algumas fotografias das últimas ultrassonografias e algumas pequenas anotações que eu tinha feito ao longo das últimas semanas.

Edward olhou a primeira folha e afirmou – O lugar do nome ainda está em branco.

– É. Pode parecer meio bobo da minha parte, mas eu não sabia se você ia querer que ela tivesse seu sobrenome ou não.

– Eu não posso te culpar por pensar dessa maneira. – ele retrucou sem jeito. – Mas hoje eu quero deixar bem claro que a Grace terá todo e qualquer direito como minha filha. Eu não quero que nada nem ninguém venha se aproveitar de sua inocência.

Senti minhas sobrancelhas se cruzando em frustração. – O que você quer dizer com isso?

– Eu presenciei algo esse final de semana. E penso que foi isso que me fez mudar de vez minhas atitudes com a Grace.

– O que foi que aconteceu, Edward?

– Quando eu estava esse final de semana na Pensilvânia, eu vi algo no escritório de lá que me marcou. Simplesmente assisti a cena e não pude fazer porra nenhuma, porque não me dizia respeito.

– O que foi que você viu?

Imediatamente, vi sua postura ficar tensa outra fez. – Havia um irmão se aproveitando do dinheiro do outro, tudo porque ele tinha algum problema mental. O imbecil simplesmente fez com que o irmão inocente assinasse um termo, deixando-o como benfeitor total dos bens que ele possuía. O pior que era nítido que ele não tinha nenhuma boa intenção com essa atitude. Ele só queria o dinheiro e mais nada.

– Mas isso é simplesmente... nojento! – disse, sentindo arrepios de raiva tomarem conta de mim – E os pais deles? Onde é que estavam?!

– Provavelmente mortos e com toda certeza, muito decepcionados com a atitude do filho.

– E você não pode fazer nada?

Ele riu, mas não havia humor em seu tom. – Além de ter colocado o imbecil contra a parede e quase esganá-lo, eu não podia fazer mais muita coisa, baby.

– Espera aí?! – comentei, erguendo minhas mãos para o ar. – Você bateu no homem?

Ele deu de ombros. – Agi por impulso, eu acho. Tudo o que eu conseguia pensar naquele instante era que ele estava fazendo isso com a Grace, e não com o irmão dele, entende?

– Eu não sei... – balbuciei, ainda um tanto que chocada com a atitude dele.

– A verdade, Bella é que eu não quero que o Richie seja desse jeito: egoísta, egocêntrico e pensando apenas no que o dinheiro pode trazer. – ele afirmou, me encarando de forma tão intensa que era um tanto que desconcertante. –, não quero que no futuro, o nosso filho haja da mesma forma, achando que pode se aproveitar de uma inocente. Eu quero que ele respeite a irmã dele, independente de como ela seja.

– Edward, – disse ao me aproximar dele, pegando seu rosto entre minhas mãos e usando de toda convicção que eu tinha. – o Richie nunca será assim. Só o fato de você se preocupar com isso já mostra que você é um pai e tanto e que nunca vai permitir que ele se torne desse jeito.

– E eu quero ser o melhor, Bella. Para os dois, independente de como eles sejam.

– Sei disso, Edward. E eu acredito em você. Mas você também não pode me julgar, se eu achar difícil te perdoar de uma hora para outra. – admiti, expondo com sinceridade aquilo que havia em meu coração. – Eu quero e muito esquecer o passado e viver somente daqui para frente, só que eu não sei se consigo totalmente.

– O que você quer dizer com isso, amor? – como eu permaneci em silêncio, Edward insistiu. – Bella, nós precisamos ser sinceros um com outro se nós dois queremos que isso dê certo outra vez. Por favor, não tenha medo de me mostrar o que você sente de verdade. Eu prometo que vou tentar entender.

Eu sabia que ele tinha razão. Eu o amava e queria recomeçar, porém se eu não lhe mostrasse meus verdadeiros sentimentos naquele momento, talvez eu nunca mais tivesse uma outra oportunidade.

E foi pensando nisso que finalmente tomei coragem para lhe dizer – Edward, eu acho que não posso simplesmente apagar de minha mente todas as vezes em que você se referiu a nossa filha de doente ou monstrinha.

– Ah... – foi tudo o que ele falou antes de abaixar sua cabeça em direção ao chão coberto pelo tapete felpudo.

Respirei fundo, tentando controlar as emoções que ameaçavam dar vazão em meu corpo. – Isso me machucou demais. Ver o homem que eu amo, o cara que escolhi para viver ao meu lado dizendo essas coisas de nosso bebê... De um filho que você mesmo insistiu tanto para termos.

A essa altura, Edward já não fazia questão de esconder as lágrimas que rolavam por sua face. Sua expressão era cabisbaixa, entretanto, ele se mantinha forte ao me escutar. No fundo, acho que ele mesmo compreendia que precisava ouvir tudo isso que estava entalado em mim. Era quase que uma necessidade minha expor aqueles erros dele de forma tão massacrante. Por mais que me doesse a alma vê-lo tão aturdido, sabia que não existiria chance de um verdadeiro recomeço se acaso eu não desabafasse tudo aquilo que tanto me atormentou nos últimos meses.

Peguei uma das fotos da ultrassonografia entre meus dedos, e a fitei enquanto voltava a falar. – Nossa filha é perfeita, Edward. Ela é forte, saudável e linda. E o nome que escolhi para ela não é mero acaso; Grace definitivamente é uma graça em minha vida. Ela me mudou por completo em tão pouco tempo. Sei que hoje eu sou uma pessoa melhor pelo simples fato de poder ser mãe de uma pessoinha como ela. E eu nuncavou admitir de que me convençam do contrário. A melhor coisa que eu já fiz em toda a minha vida foi ter lutado por ela.

– Eu sei disso, Bella. – ele sibilou com a voz grossa. – Você sempre foi muito mais corajosa do que eu.

– Não se trata de coragem, mas sim de amor. – disse-lhe calmamente. – Eu amei nossa filha desde o primeiro segundo que eu descobrir que estava grávida. E amor de mãe não é algo irrelevante. Então, o simples fato de você ter desejado abrir mão dela só porque a Grace não era exatamente como queria... Ainda dói e muito.

– Isabella, – ele murmurou, puxando uma de minhas mãos para entrelaçar entra as deles. – não existem palavras no mundo que eu possa dizer o quanto eu estou arrependido por isso. Se existe alguém nessa história que agiu como um verdadeiro monstro, essa pessoa fui eu. Eu é quem fui o sem cérebro que não podia ver o óbvio bem à minha frente. Eu e meu preconceito quase me fez perder tudo o que eu mais prezo na vida. Tudo o que eu mais amo.

– Mas essa não é uma ferida que irá cicatrizar tão facilmente, Edward. Eu preciso de tempo para isso. Não é tão simples assim para mim.

– Eu juro que eu irei passar o resto de minha vida me redimindo por isso, baby, – Sua voz vacilou ao dizer isso, e ele precisou tomar uma respiração profunda para poder se concentrar outra vez. – Se preciso for eu irei viver o restante dos meus dias pedindo perdão a vocês duas por tudo o que eu fiz. Só o que te peço é uma única chance; uma única oportunidade de mostrar que eu mudei. Que eu quero ser o homem que você merece como marido e que as crianças precisam como pai.

Era complicado conter minhas próprias lágrimas ao mesmo tempo em que Edward fazia suas juras. – Eu sei que não deve ser fácil para você, amor, mas eu te imploro por um novo recomeço. Tudo o que eu preciso é essa única chance, somente essa oportunidade para provar que...

E então, ele não conseguiu mais continuar. Suas palavras foram interrompidas por soluços pesados e lágrimas escorrendo livremente por sua bochecha. Ele chorava sem receio algum, sem medo de me demonstrar o que verdadeiramente ele sentia. Edward me tomou em seus braços e chorou copiosamente sobre o meu ombro, colocando para fora tudo aquilo que também o atormentava nos últimos meses. Seus medos, seus preconceitos, suas atitudes duras... Eu sentia que ele, assim como eu, necessitava expor tudo isso para que conseguisse seguir em frente e deixar todos os temores para trás

Eu não sei por quanto tempo nós ficamos daquele jeito. Eu o acalentava ao mesmo tempo em que ele se transformava em um menino desprotegido, necessitando de colo e de alguém que pudesse entender um pouco de seus medos. E eu, mais do que qualquer outra pessoa no mundo podia entender perfeitamente tudo o que se passava na mente de Edward naquele instante. E, mesmo que eu me sentisse ainda traída e ferida pelo o que ele tinha feito, eu ainda o amava o suficiente para nunca abandona-lo em um momento tão crucial como aquele.

Depois de algum tempo, Edward foi aos poucos se acalmando a ponto me revelar seu rosto vermelho e completamente molhado devido ao choro. Eu lhe sorri tristemente, e passei meus polegares sob seus olhos e enxuguei a umidade que havia se acumulado no canto. Outra vez eu não disse nada, apenas me inclinei e tomei sua boca na minha, em um juramento mudo de que eu lhe daria essa chance. Uma chance para nós dois.

O beijo que trocamos naquele instante teve um gosto de recomeço. Da doce promessa que nossos lábios e línguas selaram de que existia sim a possibilidade de sermos como antes, se estivéssemos dispostos a encarar todas as dificuldades que viriam daqui para a frente. Era um tanto que infantil, mas era inquestionável que eu me sentia muito mais forte tendo Edward ao meu lado. Que ele, mesmo sem ter toda confiança em si mesmo, tinha uma maneira de fazer com que eu me sentisse mais segura; capaz de desafiar qualquer coisa se ele estivesse ao meu lado.

Cedo demais, nós tivemos que respirar, no entanto, isso não fez com que Edward afastasse seus lábios de mim. Ele simplesmente moveu sua boca por toda a extensão do meu rosto enquanto agradecia diversas vezes pela segunda chance que eu estava lhe oferecendo. Quando sua barba por fazer alcançou a lateral do meu pescoço, eu me encolhi, rindo por conta da sensação de cócegas que aquilo me causou.

– Eu te amo, Bella. E obrigado por resolver confiar em mim outra vez.

– Eu também te amo, Edward. E no fundo eu acho que nunca iria desistir completamente de você.

Ele sorriu para mim e novamente se inclinou em minha direção, porém nossa filha escolheu aquele momento para me chutar com um pouco mais de força.

Outch! Calminha aí, garota! – retruquei, esfregando minha mão onde ela havia batido.

As mãos de Edward foram como imãs para a lateral de minha barriga. Eu só não sabia se era apenas para se certificar de que eu estava bem ou porque ele ansiava em sentir qualquer movimento de Grace. – Você está bem? – ele perguntou, acariciando levemente a lateral do meu corpo.

– Sim, não foi nada.

– Você deve está cansada, amor. Foi um dia bastante agitado.

– Não, eu estou bem. Nem sequer comecei a te mostrar todas as coisas da Grace. – murmurei em resposta.

– Bella, – ele começou, com um tom de repreensão. – Lembra o que a médica disse? Você precisa de repouso, amor.

– Eu sei, mas eu posso descansar aqui mesmo...

–Talvez o melhor seja que você vá para a cama.

– Isso é uma proposta? – eu perguntei casualmente, mas o rubor em minhas bochechas me entregava de qualquer forma.

Ele riu. – Tentador, mas não. Talvez essa parte de nossa reconciliação deva ficar de lado... Pelo menos por enquanto.

Suspirei pesadamente e voltei a me recostar contra o seu corpo. – Eu sei.

– Por isso, eu acho que o melhor é que você se deite um pouco, amor. – ele murmurou ao mesmo tempo em que acarinhava meus cabelos. – Não podemos negar que sua gravidez se tornou de risco por conta de tudo o que eu aprontei nos últimos meses... que se acontecer qualquer coisas com alguma de vocês eu vou seu o único responsável... Eu não sei se serei capaz de viver com esse nível de culpa.

– Não vai acontecer nada, Edward. – afirmei enquanto me encolhia em um abraço que ele oferecia para mim. – Vai tudo dar certo para nós duas, você vai ver.

– É só isso o que eu espero. – ele suspirou, fazendo com que eu acabasse me movimentando junto com seu peito.

Nós ficamos por algum tempo apenas assim; eu recostada ao peito dele enquanto ele acarinhava distraidamente toda extensão da minha barriga, cada um perdido em seus próprios pensamentos. E mesmo que as circunstâncias não fossem as melhores, eu me sentia exponencialmente melhor, apenas por tê-lo ali do meu lado, e se demonstrando verdadeiramente arrependido por tudo o que havia acontecido conosco. Era quase que reconfortante para mim saber que ainda existia o meu Edward debaixo de toda aquela fachada de frieza na qual ele havia se escondido durante todo esse tempo.

De repente, ele riu. – Ela é mesmo nossa filha, não é? Tão teimosa... se recusa a se mexer para mim.

– Não fale assim dela. – resmunguei, escondendo meu rosto em seu pescoço – A Grace é apenas tímida, eu acho. Ou então ela se acalma, quando fica perto de você.

– É, quem sabe não seja isso. – ele suspirou, sem muita convicção. – Agora, por favor, vá se deitar um pouco. Em breve, o Richie chegará em casa e nós dois teremos muitas coisas para explicar para ele.

Aquilo fez com que eu mordesse meu lábio inferior com certa força. Particularmente eu não estava preparada para dizer ao Richie das mudanças de planos que tivemos. Seria muito repentino e confuso para a cabeça de uma criança de apenas sete anos que seus pais, depois de terem lhe dito que iriam se divorciar, aparecessem sem mais nem menos nas boas graças novamente.

– Edward... – balbuciei sem jeito enquanto retorcia minhas mãos. – eu não sei se seria uma boa ideia falarmos agora para o Richie sobre nós dois...

Sua expressão se franziu – Porque, Bella? Qual é o problema?

– Eu acho que isso poderia confundi-lo, sabe? De repente, ver nós dois juntos outra vez, como se nada tivesse acontecido. Nós temos que pensar nele por enquanto. Não quero que ele se decepcione ainda mais se...

– Se o que, baby?

– Se acaso isso não der certo, Edward. Se nós dois falharmos outra vez.

Seus olhos verdes ficaram ainda mais intensos enquanto ele me fitava com um misto de receio e medo em seus olhos. – Por que você está dizendo isso, Bella?! Você não acredita em mim?

– É claro que eu acredito, mas nós dois sabemos que somente isso não basta. – afirmei, sem deixar de olhar para ele. – Eu não quero dizer ao Richard agora que nossa vida será exatamente como antes. Nós precisamos ir nos acertando aos poucos, para que isso não afete nosso filho mais do que já afetou nos últimos meses.

Edward pareceu um pouco resignado, mas ele sabia que de fato eu estava coberta de razão. – Tudo bem, eu concordo com você. Nós não podemos nos jogar outra vez, sem medir todas as consequências de nossos atos. Porém, você há de convir que de forma alguma você tem condições de ficar sozinha em casa, nessa altura da gravidez e com todos esses problemas que você acredita não ter.

Eu fiz uma careta, porque afinal de contas ele tinha razão. – Eu acho que eu vou ter que ligar para a Renee. Isso é, se você não se incomodar que ela passe as próximas semanas mexendo em tudo por aqui.

Ele rolou os olhos e me puxou mais forte contra ele – Não seja boba: eu vou me sentir muito melhor se sua mãe estiver por aqui, já que eu não vou poder estar por perto.

– Obrigada de verdade por me compreender, Edward.

– Bem, eu estaria mentindo se dissesse que concordo cem por centro com o que você disse. – ele retrucou, colocando uma mecha de cabelo atrás de minha orelha antes de aproximar nossos rostos a meros milímetros de distância – Mas eu prefiro qualquer coisa a ficar sem você em minha vida outra vez. Perder vocês não é uma opção para mim, Bella. Eu quase te deixei escapar uma vez e não estou disposto a abrir mão de vocês de novo.

– Eu também não. – murmurei, sem conseguir segurar um bocejo.

– Agora vá dormir um pouco, amor. – Ele comentou, praticamente me puxando para fora do quarto de nossa filha. – Eu posso continuar conhecendo mais sobre nossa filha mais tarde. Você merece descansar.

– Você vai ficar? – eu perguntei, enquanto ele me guiava até a porta do nosso quarto.

– Enquanto você me quiser por perto, eu estarei bem aqui ao seu lado. – sorri-lhe e ele veio me beijar tão docemente, que foi quase impossível encontrar forças em mim para me afastar por completo dele. – Eu estarei lá em baixo, está bem?

– Não... Por favor, fica aqui comigo.

Ele pareceu surpreso pelo meu pedido. – Você tem certeza?

Assenti positivamente e Edward não hesitou em me acompanhar até lá dentro. Era quase como se estivesse flutuando; me sentia muito mais leve, a tal ponto que o sobrepeso da gravidez não parecia influir em nada em meu corpo. Deixei-o sentado a beira da nossa cama e corri até o closet, onde peguei um velho agasalho dele e um dos poucos moletons que tinha comprado para os últimos momentos da gravidez.

No banho, eu tentei ser o mais rápida que eu pude ao mesmo tento em que tentava acalentar um pouco o calor que parecia dominar todo o meu corpo. Arrepios se formavam por toda a minha coluna, só por saber que Edward estava do outro lado daquela parede me aguardando. E mesmo que eu soubesse que não tinha condições nem física e nem psicológica de fazermos amor naquele momento, o simples fato de tê-lo por perto me deixava muito mais segura.

Quando finalmente fui para a cama, Edward me aguardava de braços abertos. Aconcheguei-me em seu peito e deixei com que finalmente o cansaço das emoções desse dia tivesse o melhor de mim. O sono foi chegando com cada vez mais intensidade e foi impossível controlar minhas pálpebras por mais tempo.

Contudo, existia uma coisa em minha expressão que não iria mudar por um bom tempo; havia um sorriso fixo em meus lábios e um dos responsáveis por isso estava bem ao meu lado, mantendo um carinho constante em minhas costas e me levando para o mundo da inconsciência. Edward e eu estávamos nos acertando outra vez. E eu tinha certeza que desta vez seria para sempre, como havíamos prometido há tantos anos atrás.

Agora tudo o que faltava para que eu me sentisse completa era a presença de minha filha em meus braços. Ter o Richie e meu marido ao meu lado na medida em que juntos velássemos o sono tranquilo da Grace. Eu mal podia esperar para que esse momento finalmente chegasse. Nunca duas semanas pareceram um tempo tão longo.

No entanto, faltava muito pouco. Muito em breve, minha família estaria completa e eu mal podia esperar para aproveitar cada segundo ao lado de todos eles.


Capítulo curtinho, no entanto pra quem tava com saudade da bolha Robst... oops... Beward, deu pra matar um pouquinho a saudade né?

E antes que vocês me perguntem, A GRACE VAI NASCER SIM! Ela tá demorando, mas muito antes do que vocês imaginam, ela vai dar o arzinho de fofura só dela por aqui!

Outras perguntas, sugestões, críticas ou consultas ao SPC e SERASA, basta deixar uma review ou dá uma passadinha no meu Formspring (lineliss)

Uma ótima semana,

Line