Capítulo 26

- Lily, você está bem animadinha hoje não é mesmo? – Tonks ergue uma sobrancelha para mim enquanto eu sorrio largamente para ela.

Estou mesmo com um humor maravilhoso. Tão maravilhoso que desejei um bom dia para todas as pessoas que encontrei no meu caminho até a entrada do meu departamento no Ministério da Magia. E, imagine só, ajudei uma moça perdida a encontrar o lugar que ela procurava.

Se eu fosse Tonks, aproveitaria esse estado de espírito no qual me encontro para me dizer o que ela estava fazendo ontem na casa dos meninos. Eu a vi saindo de lá de madrugada pela janelinha do banheiro, enquanto esperava James sair do estado de choque em que ele se encontrava por ter descoberto que vai ser pai.

James vai um super papai para minha pequena baby Jade. Que bom que ele vai estar presente para me ajudar com o bebê. Sozinha eu não sou capaz de cuidar dessa criança!

Veja bem...

Jade Lilian nem nasceu e já é mal educada, ela fica me fazendo ter enjôos o tempo inteiro. O tempo inteiro. Não consigo comer direito, toda hora eu passo mal.

Tudo bem. Eu estou planejando minha vingança.

Quando ela crescer vou me vingar fazendo-a passar vergonha na frente dos amigos dela. Vou ser dessas mães que fica mostrando fotos da filha bebê peladinha para os pretendentes e obviamente vou contar todo tipo de histórias ridículas. Se prepare Jade. Se prepare.

Sinto uma pontada forte no meu estomago e simplesmente decido ignorá-la. Tenho que mostrar quem manda aqui. Deve-se começar a dar disciplina desde cedo, não é mesmo?

- Viva! – Eu coloco meus braços em volta da cintura de Tonks e a ergo um pouco no ar. Ela dá vários gritinhos histéricos.

Hilário.

- Me coloque no chão, sua louca! Pare com isso!

Ouço algumas risadas e vejo Régulus e Gideon observando a cena toda de suas mesas. Gideon se senta bem perto da gente agora que teoricamente fazemos parte da mesma equipe. Ele tem andado muito amigável ultimamente. Amigável demais para o meu gosto.

Bom, hoje eu estou de bom humor então vou dar uma colher de chá para o pobre coitado.

Mais uma boa ação.

Minha nossa! Que alma caridosa baixou em mim hoje?

Coloco Tonks no chão (a essa altura ela já está roxa até as pontas do cabelo de tanto que gritou) e corro na direção dos meninos abraçando Régulus bem apertado e esmagando as bochechas cor de rosa de Gideon.

Gideon resmunga envergonhado com minha demonstração de afeto e Régulus me abraça de volta todo empolgado.

Já falei que eu amo esse jeitinho fofo de Régulus?

- Gideon! – Dou um tabefe nas costas do meu colega de trabalho. – Não fique encabulado! Nós somos assim: uma equipe calorosa!

Ele obviamente fica mais tímido do que antes e praticamente se esconde embaixo da pilha de papéis que toma conta de sua mesa.

E isso foi o suficiente para me fazer passar a manhã toda alternando entre ir ao banheiro passar mal e jogar aviõezinhos de papel na mesa dele. Não que eu não tenha um monte de coisas para fazer... Só que hoje estou com um humor bom demais para ser desperdiçado com trabalho. Principalmente quando trabalho se resume a pesquisar crimes aleatórios ocorridos nos últimos 15 anos e possíveis ligações desses crimes com "Comensais da Morte".

Quando finalmente chega a hora do almoço Gideon voa para fora do escritório para não acabar tendo que almoçar com a gente. Acho que talvez eu tenha exagerado um pouco nas brincadeiras com ele hoje. Talvez amanhã eu peça desculpas.

Chegando a nossa mesa habitual encontramos Emmeline olhando para as unhas, visivelmente entediada. Seus olhos se iluminam quando ela nos vê.

- Emme!

- Lily!

Abraçamos-nos e damos pulinhos felizes no meio do refeitório, chamando a atenção de uma boa parte do pessoal. Régulus e Tonks acabam por se juntar a nós formando um abraço coletivo.

- Onde está Alice? – Regis pergunta quando já estamos devidamente sentados e comendo, sua boca cheia de torta de rim.

Nossa é mesmo! Não tinha percebido que Alice não estava aqui hoje.

- Não sei. – Emme parece ter acabado de notar a ausência de Lice também. Ela da uma olhada pelo refeitório procurando nossa amiga. - Não a vi hoje.

- Será que ela passou mal? – Tonks para uma garfada de seu pudim de fígado a meio caminho da boca e nos encara com um quê de curiosidade.

Régis deixa um pedaço da torta dele cair.

- Lógico que não, ela só deve estar atrasada. – Eu tento acalmá-lo e nos poupar da visão nojenta de sua boca arreganhada cheia de comida semi digerida.

- É, mas e se ela passou mal em casa sem ninguém para ajudar ela? – Tonks insiste.

Régulus se remexe em sua cadeira. Ele até mesmo parou te comer.

- Regis, isso não aconteceu, ok? – Faço um feitiço para limpar a boca de Régulus toda suja de torta. - Lice deve ter ido almoçar com alguém do trabalho.

- E se ela tipo, desmaiou no banheiro e bateu a cabeça na privada e está lá estatelada porque ninguém viu?

- Não aconteceu nada! – Digo mais para me tranqüilizar do que qualquer outra coisa.

Ótimo Tonks, você conseguiu dar um jeito de acabar com meu bom humor.

Agora tudo o que eu consigo fazer é ficar imaginando Alice toda sorridente escovando os dentes e então caindo e estatelando a cabeça no chão sem ter nenhuma alma viva para ajudá-la.

Pelo jeito que os outros estão encarando a comida com olhos arregalados acho que devem estar pensando a mesma coisa que eu.

Em algum momento Tonks se levanta acenando para uma garota de cabelos pretos presos em um coque estranho.

- Eu vou ali perguntar para aquela garota do departamento dela...

O resto do grupo permanece esperando seu retorno com as novidades. Nem cinco minutos se passam e Tonks volta com uma cara nada boa o que me deixa mais aflita. Ela encara o prato dela e mexe nos talheres.

- E aí? – Emme pergunta impaciente.

- Ela não veio trabalhar hoje.

É claro que não veio! Ela não veio porque está toda morta no chão do banheiro da casa dela com um buraco imenso no meio da testa. A MEU DEUS ALICE! Ela ia ter um bebê! Pobrezinha! Pobre Alice!

Levanto-me de supetão e os outros me acompanham.

Não precisei nem dizer qual é o plano: Vamos todos para a casa de Alice é claro.

Enquanto corro pelo ministério em direção as lareiras fico pensando que tipo de providencias devem ser tomadas quando um bruxo morre. Afasto esses pensamentos da minha mente quando aparatamos na frente da casa de Lice e entramos sem nem bater na porta.

- Alice? – Emmeline chama Lice com cuidado quase como se não quisesse acordar os mortos.

Não ouvimos resposta.

Meu Deus! Espero que o cérebro dela ainda esteja dentro da cabeça e que ela não tenha perdido muito sangue.

Corro em direção ao banheiro enquanto os outros a procuram pelos outros cômodos da casa. Revejo em minha mente todos os feitiços de primeiros socorros que aprendi durante meu treinamento de salva vidas quando resolvi trabalhar por dois meses em um parque aquático lá nos Estados Unidos.

A porta está trancada então eu dou um urro e a chuto com força o que, além de ter sido ridículo, foi totalmente não funcional e deixou meu pé dolorido. Um resmungo do meu inconsciente diz: "Você é uma bruxa Lily!" então lanço um feitiço de alomoha e pulo para dentro do banheiro cheio de azulejos fofos da casa de Lice.

E o que eu vi ficará em minha memória para sempre... Não é nada mais, nada menos do que a visão constrangedora de Frank Longbotton sentado na privada, com as calças abaixadas, um livro na mão e uma expressão de intenso desconforto.

- Ah – Sinto meu rosto queimar, devo estar da cor dos meus cabelos. – E aí Frank? Tudo na boa?

Frank coloca a revista em cima da calça tampando suas partes reveladoras.

- Tranqüilo. – Ele responde enquanto eu caminho devagar até a entrada do banheiro.

- Legal, cara! A gente se vê.

Fecho a porta e dou de cara com uma Alice assustada.

Dou um grito de alívio e abraço minha amiga com força.

- Ai, Lice! Você está bem! – Alice fica parada com os olhos arregalados enquanto eu examino sua cabeça. – Não bateu a cabeça nem nada!

- PESSOAL ELA ESTÁ AQUI! - Régulus nos encontra no corredor e imediatamente avisa os outros.

Três segundos depois Emme e Tonks se reúnem a nós e então estamos todos inspecionando nossa amiga. Quando vemos que ela está realmente bem a abraçamos.

- Lily! Tonks, Régulus, Emme... O que vocês estão fazendo aqui? – Ela pergunta quase tão sem graça quanto Frank Longbotton sem-calças-no-banheiro-lendo-uma-revistinha.

- Lice, você está bem? – Emme começa a inspecioná-la novamente a procura de algum tipo de arranhão, hematoma ou rachadura gigantesca na testa.

- Ok, pessoal... – Alice da alguns passos para trás, assustada. – Vocês estão um pouco bizarros e por um pouco eu quis dizer MUITO! O que está havendo?

- Você não foi trabalhar hoje!

- A gente pensou que alguma coisa tinha acontecido com você!

- Você passou mal?

- Caiu? Se machucou?

- Não aconteceu nada comigo! Eu estou bem! – Alice dá uma olhada na direção do banheiro deixando bem claro o motivo real de sua ausência no trabalho. Bom, para mim pelo menos, já que os outros não chegaram a ver Frank fazendo o número dois no banheiro de azulejos fofos de Alice.

Puxo Lice pelo braço em direção a sala dela, os outros nos seguindo bem de perto. Sentamos-nos no sofá cheio de almofadas rendadas...

- Achei que vocês tinham dado um tempo. – Digo em voz baixa, não quero que ele me escute.

Emmeline, Régulus e Tonks se sentam perto de nós e prestam atenção na conversa sem entender muito bem do que se trata.

-Nós tínhamos, mas ele apareceu aqui há dois dias chorando. Ele foi expulso da mansão.

-Ah – Régulus pega uma bala de hortelã no pote de cristal que Alice deixa exposto em sua mesinha de centro. – Então é para cá que ele veio!

- Você sabia disso Régulus? – Eu pergunto.

Régulus assente com a cabeça.

- E não disse nada!

Percebo que Alice está bastante incomodada com o assunto. Ela fica o tempo inteiro encarando a porta do banheiro e cruzando os dedos sem parar. Porque será que ela está assim?

Será...

- Você contou pra ele? – Deixo a pergunta escapar.

-Ainda não... – Alice confessa. - Eu meio que ia dizer agora. Então, se vocês puderem ir... Depois nós conversamos sobre tudo isso. Pode ser?

Os outros não queriam sair de jeito nenhum, mas consegui convencê-los. Na verdade, eu os arrastei para fora da casa de Alice. Despedimos-nos com um abraço caloroso.

- Você consegue Lice! – Eu sussurro em seu ouvido e lhe dou um beijo na bochecha.

- Obrigada, Lily! – Ela agradece com um meio sorriso e fecha a porta.

Antes de aparatarmos na entrada do Ministério escuto a voz curiosa de Frank Longbotton:

- Me contou o que?

Aposto que a reação dele vai ser mais alarmada que a de James.

Chegando de volta na entrada do Departamento de Segurança Bruxa eu noto que Tonks e Régulus estão bastante inquietos olhando para o relógio.

Percebo então que ficamos um bom tempo fora na casa de Alice. Precisamos de alguma desculpa para o caso de Moody perguntar onde estivemos.

Faço sinal para a direção do bebedouro e nos reunimos ali na frente fazendo fila como se fossemos beber uma água.

- Vamos fingir que nada aconteceu! – Sussurro enquanto encho meu copo com água. - Entenderam? Nunca estivemos fora do escritório!

- E onde exatamente a gente estava? - Claro que Tonks sempre precisa de todos os pequenos detalhes.

- No departamento de mistérios, fazendo uma pesquisa. – Respondo ainda em sussurros.

- Sobre o que?

- Sobre Tíntalos. – Acabo por dizer a primeira coisa que se passa em minha mente.

- Tíntalos? – Tonks ergue uma sobrancelha, desconfiada.

- É.

- O que são Tíntalos? – Pergunta Régulus.

- Acabei de inventar.

- Mas Lily, ninguém vai cair nessa!

- Lógico que vão. – Digo com falsa confiança enquanto caminho em direção a entrada do departamento.

- Lily! Vamos levar a maior bronca!

- Calados! Vai dar tudo certo.

Abro a porta do escritório e respiro profundamente tomando coragem para entrar. Ergo minha cabeça e tento caminhar o mais casualmente possível. Olhos para trás e vejo que Tonks e Régulus estão parecendo dois robôs de olhos arregalados. Não está nem um pouco na cara que estávamos fazendo algo de errado, nem um pouco.

"Certo Lily, vai dar tudo certo" – Digo para mim mesma e continuo andando até a minha mesa como se nada tivesse acontecido.

E é claro que quando chego ao meu lugar, lá está Alastor Moody sentado lendo um dos relatórios que estávamos terminando, com um enorme sanduíche jogado na mesa.

Que beleza.

Sinto meus dois companheiros esbarrando em mim e então deslizando para trás como duas crianças assustadas.

- Essa é a versão final do relatório que eu pedi? – Moody pergunta sem tirar os olhos do pedaço de pergaminho que ele está lendo.

- TÍNTALOS! – Régulus grita atrás de mim eu o encaro com a minha melhor expressão de "Cale a boca"

Moody levanta uma sobrancelha indagadora.

- Estavamosotempotodonodeparta mentodemistériospesquisandot intalosparaorelatórioevamosc olocarnorelatório. – Tonks praticamente vomita as palavras com uma voz esganiçada.

Vou matar esses dois.

Meu querido chefe da uma mordida em seu sanduíche nojento, então coloca as mãos na barriga e solta um arroto daqueles antes de se levantar e caminhar em nossa direção com os olhos estreitos.

- Quero esse relatório pronto amanhã na minha mesa! – Ele sussurra sinistramente como se o relatório fosse algum tipo de segredo importante.

O bafo dele é de atum com maionese e molho de tomate e me deixa bastante enjoada. Atum, ECA! Controlo-me ao máximo para não fazer cara de nojo e não passar mal ali na frente dele. Seria bastante embaraçoso se isso acontecesse.

Moody tem andado bastante estranho esses tempos. Ele tem esse olhar meio vidrado, meio maníaco, perambula por aí falando sozinho e come o tempo inteiro. Sem contar nas inúmeras vezes em que ele surpreende as pessoas e grita com elas por estarem distraídas, muito mais do que o normal. Acho que ele está ficando maluco.

Troco olhares significativos com meus colegas de equipe.

- A sim, claro. – Respondo sorridente ao nosso querido chefe. – O relatório vai estar na sua mesa, conforme o combinado.

Prendo a respiração quando ele volta a falar.

- Não se esqueça de colocar essa parte sobre os Tíntalos. Estou curioso.

- Pode deixar senhor.

Moody vai embora com passos de tartaruga. Finalmente volto a respirar e me sento em minha mesa alarmada. Tenho que terminar esse relatório até amanhã e não estamos nem na metade.

Gideon olha para mim de sua mesa com olhos curiosos:

- O que são Tíntalos?

Tonks e Régulus dão uma tossida.

- Você vai descobrir quando o relatório ficar pronto, Gideon. – Respondo rispidamente.

- Xiii, o bom humor foi embora é? – Ele resmunga.

- Desculpe, Gideon. Não precisa chorar por causa disso!

Gideon mostra a língua para mim e volta a trabalhar em alguma coisa.

Quando volto minha atenção para as migalhas de sanduíche que Moody largou na minha mesa, noto que Tonks e Régulus estão rindo da minha cara por algum motivo que eu não sei. Eles parecem muito melhor agora que o chefe foi embora.

- O que foi?

- Gideon tem uma queda por você. – Régulos diz fazendo beicinho e uma voz melosa.

- UHUUUU – Tonks ri.

Os dois começam uma sessão de risos e piadinhas, primeiro baixinho e depois alto o suficiente para que o coitado de Gideon escute.

- Calem a boca! – Eu rosno.

Olha para o lado e vejo as orelhas de Gideon mais vermelhas que o cabelo dele. Claro que ele ouviu. Vou matar esses dois!

Vou matá-los 50 vezes seguidas.

Minha expressão de puro desgosto e meu repentino silêncio faz com que eles percebam que não estou mais de bom humor. Na verdade agora estou muito irritada.

Concentro-me em reler o que fizemos até agora e organizar as idéias para poder concluir o relatório de maneira satisfatória. Percebo, com muita tristeza, que não vamos conseguir terminar isso no horário comercial.

- Precisamos ficar até mais tarde hoje para terminar esse relatório e colocar alguma coisa sobre os Tíntalos nele.

A reação de Tonks e Régulus não é nada boa, conforme eu havia previsto.

- Lily, não existem Tíntalos! – Régulus guincha em pânico. – O que vamos fazer?

- E, além disso, – Tonks aponta para o mural de recados. – Tem aquele lance das horas extras! Já batemos a meta de horas extras do mês e não podemos mais ficar. Moody proibiu! Também não podemos levar nenhum relatório para fora do ministério, ou seremos presos!

Maldita hora em que entrei para essa equipe de caça aos comensais da morte. Por causa de uma medida de segurança cretina, todos os relatórios estão enfeitiçados para que um alarme toque caso eles sejam retirados do departamento. De acordo com Moody isso é uma forma de prevenir que informação seja roubada. Eu chamo isso de paranóia. No mais alto nível.

- Ele não vai ficar sabendo disso! Vamos fingir que fomos embora e quando não tiver ninguém no escritório entramos escondidos.

Os dois trocam olhares assustados.

- Mas e se Moody descobrir?

- Ele não vai descobrir.

Não sei se é por causa dos hormônios da gravidez ou qualquer outra coisa, mas durante todo o resto da tarde eu estive prestes a gritar de ódio dos meus dois colegas de equipe. Tudo o que eles fizeram me irritou profundamente. Talvez seja por que eles têm agido como dois covardes, como eles sempre agem quando Moody está envolvido. Os dois morrem de medo dele.

Gente, Moody é apenas um velho ranzinza com um hálito que me dá náuseas. Não há nada de assustador com ele.

No final do dia enquanto esperamos última pessoa do escritório sair - escondidos no armário de papéis - estou tão nervosa com os dois que já os matei umas 100 vezes em minha mente enquanto disfarço tentando sorrir.

- Lily, você está com esse sorriso sinistro. Não gosto quando você fica assim. – Régulus choraminga.

- Acho que a última pessoa já saiu, foi Gideon! – Tonks afirma, enquanto eu transformo Régulus em uma enorme paçoca e o esfarelo em minha mente.

Nem percebi o tempo passar de tão concentrada que fiquei nesse maldito relatório. Só resolvo olhar no relógio quando meu estomago começa a fazer barulhos. São 21h45 já e eu nem jantei. Sinto o bebê reclamando de fome dentro de mim.

Engraçado isso, Jade está aqui dentro já faz algum tempo (não sei bem quanto), porque não sentia ela antes?

Por falar nisso, acho que o bebê não gostou do nome que James sugeriu. Toda vez que penso em Jade sinto um embrulho característico. Pensando bem, também sentia isso quando pensava em Melanie. Será que esse bebê é um menino?

Não, não. Ela só não gostou desses dois nomes. Só isso. Não é um menino.

Meu estomago se embrulha de tão forma que toda a fome que eu estava sentindo antes é substituída por um enjôo terrível.

Tonks me dá um cutucão no ombro, me tirando de meus devaneios e me distraindo do meu enjôo. Ela aponta para a janela que dá para o corredor e faz sinal de silencio.

Escutamos um barulho de coisas caindo no chão e vemos distante que parece estar se aproximando da entrada do Departamento. "Aposto que é Moody" eu ia dizer a meus companheiros. O que eu não consigo fazer, pois sou imediatamente arrastada para baixo da mesa.

Ótimo, os dois devem estar morrendo de medo de serem pegos pelo chefe.

A porta se abre bem devagar, como se a pessoa que entrou estivesse tomando cuidado para não ser ouvida.

- Eu falei, não falei? – Ouço uma voz conhecida dizer. – Foi só um idiota que se esqueceu de apagar as velas. Não tem ninguém aqui.

Ouço passos e o barulho da porta se fechando.

Bom, não é Moody.

Olho para Tonks e Régulus fazendo sinal para permanecermos escondidos. Estou achando a atitude desse sujeito um tanto suspeita. Os dois concordam.

- Foi combinado que ele deixaria os pergaminhos na mesa cinco para nós. – A voz conhecida fala novamente. De onde eu conheço essa voz?

- Então pegue logo e vamos embora daqui. – Outra pessoa responde rispidamente, pelo timbre da voz deve ser uma mulher. - A reunião começa em poucos minutos.

Ouvimos passos e o barulho de papeis sendo remexidos.

- Onde vai ser mesmo? – Pergunta a pessoa número 1.

- Onde vai ser mesmo? – A mulher imita a pessoa número 1 visivelmente irritada. - Na catedral Saint Paul! Você não presta atenção em nada do que eu digo?

- Se não fosse por mim, não teríamos conseguido esses relatórios todos sobre as buscas que estão fazendo. - A pessoa número 1 resmunga em resposta.

- Ótimo! Então pegue essas porcarias e vamos saindo daqui.

- Não posso sair com eles, estão enfeitiçados. Espere-me fazer as cópias.

- Porque não deixou para fazer isso antes?

- Tinha gente aqui!

Então quer dizer que no final das contas todas essas medidas de segurança de Moody não foram paranóia. Tem mesmo comensais da morte infiltrados no Departamento de Segurança. E o pior é que as medidas de Moody não funcionaram em nada.

- Comensais! Eram comensais! – Régulus enfatiza o óbvio enquanto se arrasta para fora do esconderijo. (Depois que os dois vão embora ainda ficamos um tempo em nosso esconderijo, vai que um deles resolve voltar e nos pega ali.)

- Vamos logo encontrá-los!

Ah, mas agora eles estão agindo como dois corajosos idiotas.

- Não vamos fazer isso! – Eu ordeno. – Vamos chamar alguém e então vamos atrás desses caras.

- Lily, até alguém aparecer eles já se reuniram e já foram embora. Com toda a burocracia que essa missão tem...

- Tonks, pensa bem. – Tento colocar um pouco de juízo na cabeça oca dela – E se algum deles nos descobre na reunião e nos mata? Ninguém vai saber que os comensais estão monitorando nossa operação!

Ela fica em silencio.

- Gente, – Régulus diz - São 22h00 ou nós vamos atrás deles ou abrimos um inquérito para missões especiais, mas temos que tomar essa decisão agora porque em 15 minutos eles vão se reunir.

- Ah Droga, vamos ter que abrir um inquérito para missões especiais.

- Pois é disso que eu estava falando, Lily. O tempo de abrirmos o inquérito é o tempo de a reunião acabar.

- Tudo bem – Eu desisto. – Vamos atrás deles.

Eu sinto um enjôo só de pensar nisso, mas não há muito que eu possa fazer. Os dois estão certos, só o tempo de abrir esse inquérito idiota e a reunião dos comensais já começou e já acabou. Não podemos perder essa oportunidade.

E além do mais, a Catedral Saint Paul é relativamente perto daqui.

Uma pequena pontada no meu útero me diz que o bebê também não gostou nadinha dessa idéia. Coloco a mão no lugar onde eu acho que a pequena Jade ou pequena Mel está e penso "Calma, pequeno grão de areia, nada de ruim vai acontecer, vamos ficar bem".

Do lado de fora está um tempinho nada agradável, é uma típica noite de Janeiro na Inglaterra: Fria e úmida. Meu coração palpita cada vez mais agitado enquanto guio meus companheiros pelas ruas geladas em direção ao local da reunião dos comensais. Meu estomago dá várias voltas. Sinto o bebê flutuando em meu útero de mal humor. Eu sei por que ele está assim: primeiramente é porque ele deveria estar quentinho e confortável deitado na minha cama e não perambulando por aí as 22h00 da noite.

E também deve ser por causa do lance de eu chamá-lo de menina. O dia inteiro eu passei mal ao me referir a ele como Melanie ou Jade Lilian. Suspiro, resignada, vou ter que aceitar que esse bebê é um menino, e um menino bem genioso.

"Eu prometo que não vou comprar vestidos pra você" Penso enquanto ajeito meu cachecol "Agora vá dormir e deixe a mamãe trabalhar". Como um passe de mágica meu mal estar estomacal vai embora deixando apenas o palpitar irregular do meu coração. Vou ter que fazer uma lista de nomes de menino quando chegar em casa hoje.

Chegamos bem próximos a Catedral e eu sinto os pelos da minha nuca eriçados. Odeio Igrejas, principalmente à noite. Há algo muito sinistro sobre elas depois que o sol se põe não sei bem o que é.

Arrasto Tonks e Régulus para um lugar mais reservado para definirmos melhor nosso plano de ação.

- Vamos apenas espionar. – Eu concluo nossa discussão rápida. – Evitar ao máximo sermos pegos e tentar reconhecer o máximo de pessoas possíveis. E se acontecer qualquer coisa nos separamos e fugimos para o ministério para abrir o inquérito. É onde nos encontraremos novamente. Todos de acordo?

Os dois concordam com a cabeça, vejo rugas se formando em suas testas, seus lábios não passam linhas finas. É muito estranho vê-los assim tão sérios.

Respiro fundo o ar gélido de inverno e tento ficar menos nervosa. É praticamente impossível.

- Vamos nessa! – Digo antes de entrarmos nos terrenos da catedral como um bando de ninjas espiões assassinos - Pelo menos é isso o que eu imagino que nós devemos estar.

Eu tomo a dianteira do grupo, minhas mãos tremem e eu tento segurar minha varinha da forma mais firme possível. Tonks vem logo atrás de mim e Régulus é o ultimo sempre atento a nossa dianteira para não sermos surpreendidos pela aparição repentina de algum comensal.

Vamos avançando cautelosamente pela entrada.

Conforme adentramos os territórios da catedral meu coração se aperta em meu peito. Inicialmente o único barulho que conseguíamos escutar é o dos carros passando na rua mais abaixo e o pio de uma coruja empoleirada em uma árvore próxima.

O som dos carros vai ficando cada vez mais longe.

Longe demais.

Não deveria estar tão longe.

Há algo estranho no ar.

O frio se torna mais intenso. Sombras dançam por entre nós me deixando cada vez mais nervosa.

O pio da coruja desaparece em meio a um silêncio nada acolhedor.

Luto contra meu joelho que parece estar querendo se transformar em gelatina. Todos os pelos do meu corpo estão arrepiados, um aviso óbvio de perigo.

Há uma luz fraca mais a frente. Uma luz meio azulada.

Faço sinal para que os outros se abriguem entre a parede e um canteiro de rosas e então continuamos.

Estamos cada vez mais próximos da luz azulada. O silêncio opressor começa a ser substituído pelo ruído baixo de vozes cantando um feitiço antigo. Um feitiço de morte. Os sons da noite se misturam com o feitiço. Estou tremendo tanto que meus dentes rangem, tento controlar, com medo de que os comensais escutem o barulho alto de meus dentes batendo uns nos outros.

Enfim alcançamos a fonte da luz azul. O lugar onde a reunião dos Comensais da Morte está acontecendo. Camuflamos-nos entre as paredes da catedral e um canteiro de onde conseguimos ver tudo da melhor maneira possível.

Há uma fogueira com chamas azuis faiscando pelo céu negro e sem lua. Em volta dela, homens e mulheres dançam algo antigo e assustador. Suas sombras se movem imensas pelo chão. Estão todos usando máscaras e capas negras. Não vamos conseguir identificar ninguém desse jeito.

Meu bebê se remexe assustado dentro de mim e meus instintos mais aguçados me forçam a tomar uma decisão.

Preciso sair desse lugar.

Preciso sair agora.

Olho para trás a fim de dizer aos outros para irmos embora. É quando eu vejo...

Um vulto surgindo alguns metros atrás de nós. Ele caminha silenciosamente, seus pés mal tocam o chão, é como se ele estivesse flutuando na escuridão. Sua capa é negra, tão escura que parece ter absorvido toda luz do mundo deixando apenas um mar de trevas em seu lugar. O rosto está coberto pelo capuz, só posso ver o queixo cinzento e lábios finos e roxos.

Faço um movimento vagaroso com o braço esquerdo puxando Tonks e Régulus mais para dentro da sebe. E ele passa por nós sem nos ver.

Ficamos paralisados observando enquanto o ritual sinistro dos comensais da morte se dissolve assim que ele chega. Os mascarados se ajoelham e o veneram como se ele fosse um Deus.

Está tão frio agora. Meus dedos estão ficando roxos. Passo a mão tremula pelo meu rosto e noto que cristais de gelo se formaram nos meus cílios. Se não formos descobertos e assassinados pelos comensais, com certeza vamos morrer congelados.

O Senhor das Trevas faz um sinal com a mão esquerda ordenando que seus súditos se levantem. Ele abaixa o capuz e eu sufoco um grito de pavor.

O rosto não passa de um eco do que um dia foi um homem, a pele é cinza como de um cadáver em decomposição, há olheiras profundas e negras abaixo dos olhos vermelhos com fendas negras no lugar das pupilas. Eu reconheço por trás daquele rosto transfigurado pela magia negra: Tom Riddle.

O choque é evidente não apenas para mim, mas para Tonks também. E principalmente Régulus. Ele está tão branco que quase consigo confundi-lo com a parede da catedral.

Desde que conheci Tom Riddle, naquele dia em que ele foi até minha casa me intimar para o chá da tarde com Lene, eu senti que havia alguma coisa de muito estranha com esse homem. Só nunca imaginei que ele era Voldemort. Será que ele de alguma forma tem participação na maldição dos Clow?

Não duvido em nada disso, não enquanto o vejo dar seu discurso sobre como os bruxos são a evolução máxima da humanidade e não deveriam viver escondidos e marginalizados enquanto homens sem dom nenhum dominam e destroem toda a Terra. Ele fala sobre como os trouxas poluem e acabam com as matas e rios com seu estilo de vida primitivo, como eles se descartam do lixo de forma inapropriada causando danos irreversíveis ao solo. Como eles irão envenenar a Terra até que não sobre mais nada. E como os bruxos deveriam assumir seu lugar como mais poderosos e dominá-los. Os trouxas devem ser tratados como os animais irracionais que são. Eles são uma praga que deve ser contida e apenas o exército dos Comensais seria capaz de cumprir essa missão.

Seus súditos vibram com seu discurso e riem dos planos que envolvem a morte de centenas de pessoas inocentes como se aquilo fosse uma grande piada.

As palavras de Voldemort me deixam mais e mais angustiada. Sei que vou ouvi-las em meus sonhos por um bom tempo, junto com sua risada que vai ecoar nos meus pensamentos para sempre.

Isso se eu conseguir sair viva daqui.

Já não sinto mais meus pés de tão gelados que eles estão. Mais um pouco e vou acabar perdendo algum dedo, ou a ponta do meu nariz. E Voldemort continua caminhando e falando e rindo, como se o frio não o afetasse em nada. Talvez ele tenha perdido a capacidade de sentir qualquer coisa. Não sei. Pensar nisso me deixa mais assustada do que eu já estou.

Não entendo como foi que ele ficou desse jeito, faz algum tempo desde a última vez em que o vi. Cinco meses talvez. O que será que ele fez?

Deve ter sido algum tipo de magia muito poderosa para causar esse tipo de transformação em seu corpo. Olhando-o assim fico com a impressão de que ele perdeu um grande pedaço da alma dele e tudo o que sobrou do antes belo Tom Riddle foi Voldemort.

Ouço um "crack" muito perto de onde estou e meu coração para quando vejo um homem todo de preto com uma mascara correndo em direção a reunião. Lanço um olhar de desespero para Tonks e Régulus. Será que ele nos viu?

Bom, se nos viu ou não, não acredito que ele terá alguma chance de dizer a seus colegas. Ele não foi nem um pouco bem recebido.

Vejo com horror o grupo lançar repetidas vezes a maldição cruciatus no comensal atrasado.

Como podem fazer uma coisa dessas? Se eles fazem isso com um membro do grupo, imagina o que eles são capazes de fazer com outras pessoas?

O Comensal se contorce no chão e solta gritos de pavor que me deixam angustiada.

Eu quero fazer alguma coisa. Quero ajudá-lo. Mas não me atrevo a sair do meu lugar.

Não posso arriscar minha vida assim - e não só minha, mas a de Tonks, Régulus e do meu grãozinho de areia. O Comensal está apenas sofrendo as conseqüências de uma escolha que ele fez.

Mas deixá-lo ser torturado dessa forma sem fazer nada é...

Sinto-me como...

Como se eu fosse um deles.

Fico me remoendo em meus pensamentos, a varinha na mão, prestes a correr e gritar implorando para que parem. A tortura está tão intensa que a máscara cai no chão e se quebra, se desfaz em vários pedaços. Meus olhos se enchem de lágrimas quando eu reconheço a figura dilacerada, caída no chão.

Peter.

Tonks me segura firme, me impedindo de correr até lá e tirar meu amigo do meio daquela gente.

Peter. O que você está fazendo com os comensais da morte?

Não é verdade. Ele não pode ser um deles.

Não pode.

Peter não.

Voldemort faz com que os comensais parem de torturar Peter. Ele o joga para o lado como se ele fosse apenas alguma coisa atrapalhando sua passagem. Não consigo mais ouvir o que eles estão falando, minha atenção está focada em Peter.

Preciso tirá-lo de lá.

Ele deve estar passando por algum tipo de problema para ter se juntado a essa gangue. Eu preciso ajudá-lo. Ele vai melhorar, vai desistir dessa vida.

Em algum momento ela me puxa mais para dentro da sebe e eu noto que os comensais estão indo embora vagarosamente. A reunião acabou e eu nem percebi. Não consegui mais prestar atenção em mais nada depois de reconhecer Peter.

Um a um os comensais vão embora, até que resta apenas seu líder.

Tonks continua me segurando, seu aperto cada vez mais firme. Isso é bom, pois inibe meu impulso de correr até Peter para ajudá-lo. Não posso fazer isso ainda. Tudo o que posso fazer é esperar que Voldemort vá embora e o deixe. Infelizmente, acho que isso não vai acontecer. Acho que Voldemort vai matá-lo.

Eu simplesmente não vou conseguir ver isso. Não vou.

Escutamos o último bruxo aparatar. Então vemos Voldemort caminhando até o corpo estirado de Peter.

Meu Deus é agora. É agora que ele vai matá-lo. Isso se ele já não estiver morto.

Voldemort lança um feitiço em Peter. Um feitiço de animação.

Sinto um alívio intenso ao perceber que ele está vivo. Muito machucado, mas vivo.

- Senhor! – Peter arrasta pelo chão até os pés de Voldemort e então os beija.

O lorde das trevas o encara com desprezo, seus olhos vermelhos de cobra tão frios quanto a noite.

- Você teve o que mereceu. – Ele diz. - Eu lhe dei uma ordem e ela não foi cumprida. Espero que tenha uma boa desculpa ou seu castigo será ainda pior.

- Não, meu Lorde. Eu consegui, consegui...

As palavras fracas de Peter trouxeram uma mudança repentina em Voldemort. Seu rosto desfigurado começa a adquirir os traços bonitos de Tom Riddle novamente.

Ele se abaixa ficando na mesma altura de Peter e o chacoalha.

- Onde ela está? – Ele sorri. Sua voz não é mais fria, é ansiosa. - Você a trouxe de volta para mim?

Peter treme diante de seu mestre.

- Não senhor.

Uma expressão sombria se apodera de Tom Riddle, vejo Voldemort retornando. Peter também vê e entra em desespero.

De quem é que eles estão falando?

- Não, meu Lorde, meu senhor, me escute.

- CALE-SE!

Ele vai matar Peter. Ele vai.

Eu aponto minha varinha na direção de Voldemort me preparando para lançar algum feitiço, qualquer feitiço que consiga salvar meu amigo.

Tonks arregala os olhos para mim em pânico. Meu bebê se remexe loucamente dentro de mim. Sinto muito, mas não posso deixar Peter nessa situação.

Estou prestes a sair do meu esconderijo para fazer alguma coisa quando vejo um senhor barbudo em um dos banquinhos perto da entrada da catedral olhando para Tom Riddle com curiosidade.

Era só o que me faltava, um senhorzinho no meio de tudo isso.

Olho para meus colegas de trabalho e aponto para o lugar onde o senhor está. Apenas para me surpreender novamente...

O senhor está segurando uma varinha branca nas mãos enrugadas e lançando um feitiço de desarme em Voldemort.

- Expeliarmus. – Ele diz com a voz calma, seus olhos de um azul claro e brilhante. Os óculos de meia lua refletindo a luz dos postes.

Voldemort o encara visivelmente contrariado.

- Tom, o que você pensa que está fazendo?

Sinto-me extremamente aliviada ao reconhecer a figura parada diante de Voldemort recolhendo Peter do chão.

Dumbledore.

Só espero que ele não seja um comensal da morte também.


As coisas na mansão tem andado muito estranhas ultimamente. Há três dias Artur não via sinal do Patriarca em lugar nenhum. Nenhum grito, nenhuma risada.

Isso não era nada comum.

E agora nem mesmo Tom Riddle, o mordomo que estava sempre perambulando pelos cômodos da imensa casa, saia de seu quarto.

Sem contar nas diversas vezes na última semana que Artur vira Mundungus, o possuído pelo macaco, sair com peças antigas da mansão e voltar sem nada. Estava bastante claro que Mundungus estava vendendo essas peças para comprar drogas, ele estava se aproveitando da ausência de Tom Riddle para fazer isso.

Artur simplesmente não conseguia assistir àquilo em silêncio, por isso decidiu que iria confrontar Mundungus.

Ele só precisava encontrá-lo antes.

Não conhecia o macaco muito bem, não se falavam muito. Mas sabia que Mundungus estava quase sempre na cozinha, por isso foi lá o primeiro lugar em que o procurou.

Quando abriu as portas brancas do cômodo, percebeu uma movimentação estranha. Vários dos elfos domésticos se posicionaram na frente de uma porta que ele nunca tinha visto ali.

- Senhor, deseja alguma coisa senhor? – Perguntou um dos Elfos tentando distraí-lo.

Ele simplesmente o empurrou para o lado e se aproximou da porta. Havia uma escada imensa ali. Algumas tochas iluminavam um corredor com paredes de pedra e um elfo descia as escadas com uma bandeja de comida.

Para onde aquele elfo estava indo? Tinha alguém ali embaixo?

Artur deu um pontapé na Elfa doméstica que tentou impedi-lo de descer e correu escada abaixo. Conforme ele descia percebeu aquele lugar provavelmente era a masmorra onde o possuído pelo gato costumava ficar. Acontece que Remus Lupin já não vivia na mansão. Então quem estava ali embaixo?

Ele chegou ao fim das escadas bem a tempo de ver o Elfo doméstico abrir uma porta de ferro grande e grossa onde uma mulher de cabelos longos e loiros se encontrava, acorrentada em uma cama e visivelmente grávida. Ele entrou em estado de choque quando a reconheceu.

- Meu Deus, Narcisa! – Arthur jogou o elfo no chão e pegou as chaves que ele estava carregando. Então correu para destrancar as correntes de Narcisa. Ela não disse nada, nem se mexeu. Devia estar sobre algum feitiço.

Quem teria feito uma coisa dessas com uma mulher grávida?


NA: Olá pessoal, como vão todos?

Um Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todos meus leitores :D

Segue aí mais um capítulo de Fruits Basket. Finalmente vocês viram como foi que Lily, Tonks e Régulus foram parar no meio de uma reunião dos Comensais da Morte.

O que será que Peter ia dizer ao Lorde das Trevas? Será que ele realmente viu o baú na casa de Sirius?

E Dumbledore? Seria ele um Comensal da Morte?

Continue lendo e talvez você descubra no próximo capítulo.

Muito Obrigada pelas Reviews: Lady Miss Nothing, Kait Weasley, HelloCullenPotter, Maria Mauraders Fernandes. Espero que vocês tenham gostado desse capítulo.

Vou tentar postar mais rápido. Quero terminar essa história logo para poder me focar em "Até que a morte nos separe" (minha outra fic)