N/A: O capítulo ainda não foi betado porque eu terminei hoje, e tinha prometido que ia postar hoje, então não deu tempo de mandar pra beta, então, me perdoem pelos erros. Quando me empolgo e escrevo rápido demais acabo cometendo erros que crianças de alfabetização não cometeriam mais. T.T
Capítulo XXVII – Esperança
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"O homem não é nem uma marionete dos deuses, nem tampouco é senhor do seu próprio destino, ele é um pouco de ambos."
-Elizabeth Gilbert
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Com um grito, Gwen foi jogada para trás. Equilibrou-se com dificuldade e levou uma mão ao rosto, parecendo estar sentindo extrema dor. Depois de alguns segundos, levantou os olhos para Ginny. As íris verdes e opacas tomando um brilho inesperado, carregado de raiva.
-Maldita seja, Ginevra! – ela bradou. – Não tem ideia de como isso dói!
-Você já tentou isso antes não tentou? – Ginny pressionou, acusadoramente, fazendo com que Lady Slytherin revirasse os olhos com impaciência. – Você já tentou fazer isso comigo! Eu me lembro!
-Uma ou duas vezes ao longo dos milênios. – Gwen admitiu como se não fosse grande coisa. –E se você não fosse tão teimosa...!
-Não querer ceder minha alma para você não é ser teimosa Gwen! É pura auto preservação!
E então outra lembrança veio a Ginny: a relação entre ela e Gwen, mesmo forte e antiga, não era apenas floreios e afagos. Na verdade, agora que conseguia sentir melhor, parecia ser uma relação muito atordoada. Cheia de conflitos, frustrações e brigas misturados com amor, cumplicidade e amizade.
-Você seria esperta se decidisse se unir A MIM! – bradou Gwen irritada. – SE NÃO FOSSE TÃO TEIMOSA PODERÍAMOS FAZER GRANDES COISAS JUNTAS! MAS VOCÊ SEMPRE TEM QUE VIR COM ESSE PAPO...
-GWEN! Mesmo se um dia fomos uma alma só, nos separamos por uma razão! Não quero perder minha identidade pra você!
Gwen soltou um rugido frustrado, vindo do fundo da garganta, que ecoou pelos terrenos enevoados e vazios.
-Você SEMPRE vem com essa! NÃO MUDA NUNCA!
-Você nunca quis me dar a eternidade quis? Nunca quis me dar onipotência que você tanto fala! Tudo isso foi só uma estratégia para você se apossar do meu corpo para que VOCÊ tivesse vida eterna e VOCÊ se tornasse uma deusa entre os mortais!
Gwen suspirou alto e revirou os olhos novamente.
-Sempre tão dramática com essas suas teorias de conspiração.
Ginny cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas, pressionando-a.
-Se você tivesse me deixado completar o ritual da união de nossas almas NÓS DUAS seríamos isso tudo. Estaríamos juntas para sempre. – Gwen explicou. Seu tom amansando a cada palavra. – Você não se sentiu ótima quando estava se unindo a mim? Não sentiu um prazer indescritível, como nunca sentiu na vida?
Ginny desviou o olhar, desconfortável, fazendo com que Gwen soltasse uma risada sarcástica.
-Eu teria conseguido. Seríamos uma agora. Eternas e poderosas. Poderíamos salvar o mundo se não fossem esses malditos espíritos de luz que te seguem para todo canto.
Ginny pensou por alguns segundos. Sua percepção naquele lugar era muito estranha. Parte dela não era totalmente alheia a concepção destes espíritos de luz, mas seu consciente não fazia ideia do que ela estava falando.
-Espíritos de...
-Espíritos de luz, isso. – Gwen completou, impaciente, alongando-se, como se ainda estivesse dolorida do súbito empurrão de Ginny. – Vocês não podem ver, mas os seres humanos, muggles e bruxos, vivem cercados de espíritos. Bons e maus, sussurrando conselhos e pensamentos em seus ouvidos. Quanto mais você escuta os bons, mais eles se fortalecem e espantam os maus. E quanto mais você os escuta, mais fácil fica para eles de te defenderem, mais fácil fica para você de ouvi-los. Depois de vidas e mais vidas em que você se aliou aos seres de luz, não vai poder mais se livrar deles, que foram quem arruinaram tudo agora.
Gwen bufou. Estava extremamente irritada e frustrada.
-Até quando você não pode fazer decisão nenhuma agora eles estão ao seu redor. Só me deixaram entrar no seu corpo para salvá-la depois que aquele cara... – ela fechou a mão em punho como se segurasse uma adaga e desferiu um golpe no ar.
Ginny instintivamente levou a mão ao lugar onde Zacharias Smith havia afundado uma faca há anos atrás. Acariciou o local. Mesmo totalmente curada, às vezes ainda sentia dores e tensão ali.
-Você não teria sobrevivido se não fosse por mim naquele dia. – Gwen afirmou, sorrindo como se estivesse lembrando de um belo dia ensolarado. – Você lembra? Foi a primeira vez que você falou comigo com sua consciência de Ginny. Tão bonitinha. Não fazia ideia do que estava acontecendo.
Ginny encolheu os ombros com as más lembranças, sentindo um embrulho no estômago. Gwen estava com ela todo aquele tempo, toda uma história envolvendo-a se desenrolava em um plano de existência diferente, do qual ela não havia tomado conhecimento até aquele encontro.
-O que são esses espíritos de luz? Espíritos humanos? – Ginny perguntou.
-Creio que alguns são, mas a maioria são mais velhos do que isso. Não saberia dizer, Ginny. Mesmo depois de todo o tempo que os observei não consigo definir suas formas. Não saberia lhe explicar. E estamos nos desviando do que realmente importa.
-E o que realmente importa, Gwen?
Lady Slytherin se aproximou rápida, sem realmente dar nenhum passo. Até ficar bem próxima de Ginny, olhando-a com ternura e súplica.
-Você e eu. – disse, levando as duas mãos ao rosto de Ginny acariciando-o e enrolando os dedos em seus cabelos, fazendo a ruiva sorrir involuntariamente. – Viu? Estar próxima de mim faz bem pra você! Nossas almas sempre estiveram em busca uma da outra. Em carne ou em espírito, sempre estivemos nos buscando. Por que não se unir a mim então? Assim nunca teríamos que nos separar. Poderíamos nos sentir assim pra sempre.
Como Ginny não movia um músculo, Gwen desceu as mãos para seus braços, acariciando-os enquanto continuava:
-Eu cuidaria de você. A deixaria sempre quentinha e confortável. Você nunca mais teria que lidar com problema nenhum. Eu cuidaria de tudo. Nunca mais teria que sentir dor ou dúvida. Eu posso te dar o mundo. – disse carinhosamente, sua voz abaixando conforme ela se aproximava da ruiva que, involuntariamente, fechou os olhos.
O aroma delicado de Gwen impregnou o ar, e Ginny percebeu que corria o risco de entrar naquele mesmo estado de maravilhoso transe no qual quase cedera às vontades de Gwen.
-Eu sei que você quer isso também. Eu posso sentir. – Gwen afirmou, suplicante. – O mundo é seu, Ginny. Venha pegá-lo.
-Eu não o quero. – Ginny sussurrou fracamente, sem convicção.
-Quer sim. – riu Gwen. – Só está com medo. Por isso estou aqui.
Ginny, reunindo o máximo de força de vontade que tinha, deu um passo para trás. Para longe dos braços de Gwen. Abriu os olhos para a expressão confusa da amiga.
-Gwen... como posso aceitar qualquer proposta sua se você ainda não me contou tudo?
-Claro, meu amor. – ela respondeu carinhosamente com um sorriso travesso surgindo em seu rosto. – O que você quer ouvir? Me pergunte qualquer coisa.
-Draco. – Ginny se surpreendeu de como aquelas duas sílabas soaram fortes saindo de sua boca. E como a força daquele nome a deixou mais lúcida e menos encantada com Gwen. – O que ele tem a ver com tudo... isso?
-Boa pergunta. – Gwen disse, parecendo, no entanto, extremamente entediada com a menção de Draco. – Eu costumava gostar dele, mas ele é tão inconstante. Quase arruinou tudo várias vezes. Bom, talvez eu tenha tido uma parcela de culpa, subestimei os sentimentos dele um pouco...
-Desde o início, Gwen. – Ginny ordenou fortemente, antes de completar: - Por favor.
Gwen a analisou por alguns segundos antes de concordar. Andou até a margem do lado e sentou-se, ajeitando o vestido embaixo de si. Ao ver que Ginny não a imitara, bateu levemente no chão ao seu lado, convidando-a.
-Por onde começar... o que eu já lhe contei... – ela ponderou por alguns segundos enquanto Ginny sentava ao seu lado. – Eu já lhe contei a minha história... agora acho que posso continuar pelo momento em que voltamos a nos encontrar. Antes de você nascer como Ginny Weasley você estava comigo, aqui nesse plano. Tentando me ajudar a resolver meus problemas e me convencer a me desapegar da minha antiga vida mortal para que pudesse voltar a encarnar. Como você sempre faz. Então chegou a sua hora de encarnar e eu a perdi de vista até que o meu colar chegou a você por meio de Percy.
"Não consegue imaginar minha alegria quando você colocou o colar em volta do pescoço pela primeira vez. Você o usou algumas vezes e rapidamente, sem perceber, tornou-se dependente dos poderes da pedra elemental que a nutria e fazia mais forte."
Gwen sorriu com vaidade.
-Tornou-se dependente de mim. – disse, com óbvio contentamento. – E o colar a fez mais irresistível do que nunca. A ponto de até mesmo lhe causar problemas. A verdade é que: tudo em excesso faz mal. Até mesmo o amor. E Harry já a amava o suficiente. Então quando os poderes do colar adicionaram um pouco mais de atração aos sentimentos dele... acabou transbordando. E ele acabou começando a te pressionar... mas você lembra disso. – Gwen concluiu, descartando o resto da história com Harry. – Agora, a atração do colar fez com que Draco Malfoy não mais pudesse esconder a quedinha que ele tinha por você. Um pouco mais de atração, naquela época, foi a dose certa para que ele começasse a expressar o interesse por você. Não só ele. Lembra como você floresceu naquele ano? Como ficou mais linda, mais ativa, mais esperta?
Ginny não respondeu. Manteve a cabeça baixa. Apenas ouvindo.
-Você e Draco não são de hoje. Tem umas ligações de outras vidas. Uma ligação turbulenta, envolvendo relações amorosas frustradas. Não importa a vida, vocês sempre serão magnéticos. Então decidi me aproveitar desse magnetismo. Eu sabia que se você passasse o tempo certo com ele ia acabar se apaixonando. E essa sempre foi sua fraqueza Ginny. Os maiores pecados que você cometeu enquanto estava em carne foram em nome do amor. Você sempre amou cegamente e irresponsavelmente, e muitas vezes pagou caro por isso. E muitas vezes repetiu esse erro. E não me enganei, não foi? Você se apaixonou por ele eventualmente. E essa é a parte engraçada. Meus planos só foram terrivelmente atrasados porque o mesmo que aconteceu com Harry aconteceu com Draco.
Ginny levantou os olhos para ela, com o cenho franzido, sua mente chegando aonde Gwen queria antes que ela falasse qualquer coisa.
-Draco... - chamou empurrando-o pelo peito. Ele agarrou-a pelas coxas trazendo-a para perto novamente, enquanto seus lábios alcançavam seu colo. - Pára, eu não quero isso.
-Lembra do seu aniversário de dezessete anos? – Gwen perguntou com as sobrancelhas erguidas e um sorriso debochado no rosto. – Na mansão de Draco, na frente da lareira, no tapete...
Ignorando-a solenemente, uma mão dele subiu sua perna e o quadril, puxando sua calcinha. Ginny moveu as pernas para evitar que a peça deslizasse para fora do seu corpo. Ao tentar empurrá-lo acabou dando-lhe a oportunidade de empurrá-la de volta para o tapete, novamente, com o corpo dele acima do seu. Sentiu-se suja enquanto a mão dele agarrava seu seio.
-Draco! - exclamou com a voz embargada enquanto tentava socar-lhe o peito numa tentativa frustrada de escapar.
-Como eu poderia esquecer? – Ginny sussurrou mais para si do que para Gwen.
Ele olhou-a. Suas feições demonstrando uma espécie de dor que ela não entendia.
-Me perdoe - ele pediu. Os relances azuis de seus olhos tirando qualquer dúvida que Ginny poderia ter quanto à honestidade do pedido. - Me perdoe porque eu nunca vou te deixar ir embora. Me perdoe porque eu nunca vou te perder. E me perdoe por que você não vai mais conseguir me parar.
Gwen analisou Ginny e sua expressão por alguns segundos.
-Aquela noite ele fez tudo direitinho até essa parte. – Gwen afirmou. – A cortejou, a fez se sentir amada, a fez se sentir segura... ele estava no caminho certo para ganhar seu coração até que... estragou tudo. Não se afastou de você como deveria ter feito quando você pediu.
Ginny tinha os olhares fixos grama. Suas mãos agarrando-a fortemente. Mesmo em seus momentos mais felizes com Draco, ainda tinha pesadelos com o pânico que sentira naquela noite. Um pânico que parecia esmagar seus pulmões e dobrar seu estômago. O pânico supremo que toda mulher tem de um dia ser tomada contra sua vontade.
Quaisquer resquícios de excitação do corpo de Ginny haviam desaparecido e as lágrimas vieram com força enquanto, gritando, ela tentava libertar-se.
-Por favor, pára! - gritou desesperada. Tão desesperada que não reconheceu a própria voz.
-Sshh! - ele fez, enquanto, numa nova tentativa, puxava sua calcinha para baixo. - Eu não vou te machucar.
-Bom... – Gwen continuou, dando de ombros. – Correndo o risco de você me odiar... – ela sorriu no meio da frase com confiança de que isso nunca aconteceria. - ... isso foi uma... falha técnica minha. Subestimei o amor e o desejo dele por você. Cada dia para Draco era uma luta ao seu lado. Ele realmente não queria te machucar, mas ao mesmo tempo a desejava intensamente e ficava cada vez mais difícil esperar que você retribuísse seus sentimentos...
Gwen suspirou profundamente antes de sua confissão.
-Mas não foi a paciência dele que acabou. Foi a minha.
Diante do olhar confuso de Ginny, Gwen sorriu de lado, divertida.
-Paciência nunca foi meu forte Gin. – ela admitiu, com uma expressão travessa. – No lugar de Draco? Com uma menina tão maravilhosa a minha mercê, - levantou a mão e segurou o queixo de Ginny entre seu polegar e o indicador, trazendo-a para mais perto de seu rosto e falando como se falasse com um bebê: - Eu não seria capaz de esperar nenhum segundo.
Ela riu levemente com a expressão assustada de Ginny, achando-a adorável com aquelas feições de menina assustada.
-Lembra daquela vez que eu encarnei homem, quando nós...
-Gwen. – Ginny interrompeu sentindo uma pontada gelada no estômago. – O que você esta dizendo? O que você fez naquela noite?
-Bom... eu estava extremamente impaciente. Eu precisava de você frágil para que pudesse me ouvir. Precisava que você entendesse que o mundo não era tão preto e branco como você o via. O certo e o errado eram conceitos tão claros para você naquela época... isso lhe dava uma força que me atrapalhava. Que me impedia de me aproximar de você como... – Gwen sorriu, passando os dedos em uma carícia suave pela clavícula da ruiva. - estou próxima agora. Eu sou uma energia cheia de sombras, pois trago muitos ressentimentos da minha antiga encarnação. Você não podia me ouvir, pois os espíritos de luz me bloqueavam. Eu precisava que você descobrisse tons de cinza. A área nebulosa onde fica extremamente difícil distinguir o certo do errado e tudo o que você pode fazer é seguir seu coração e fazer o que achar melhor. Precisava que se criasse uma brecha na barreira para que eu pudesse falar com você como estou falando agora. E se apaixonar por um comensal da morte...
-Seria a forma perfeita para isso. – Ginny completou. – Dividida entre um amor puro, entre o lado bom que eu via em Draco e a culpa de amar um comensal da morte que havia colaborado no massacre de minha família.
Gwen pareceu satisfeita com as palavras de Ginny, concordando com a cabeça.
-O homem que aspirava o bem, mas não conhecia nada além do mal. Perfeito para aflorar o lado negro de sua essência.
-E funcionou. – Ginny admitiu em um sussurro rouco. – Eu não sei mais o que é certo e errado. Eu achei que tinha perdido a cabeça por causa disso.
-Funcinou agora. Depois de todos esses anos. Teria funcionado antes se eu não tivesse sido tão impaciente. – Gwen admitiu. – Eu queria que ele a conquistasse logo. Então mandava estímulos para motivá-lo, para que ele se esforçasse mais. O único problema é que ele já a amava até demais. Já a desejava demais. Além do saudável... Harry ainda foi capaz de lutar contra o desejo exagerado e manter um relacionamento bom com você, mas Draco nunca foi virtuoso como Harry. Draco sempre foi cercado de negritude que estimulava sua pior natureza... e minhas provocações, meus estímulos foram o que o fizeram perder a cabeça.
Ginny desviou os olhos de Gwen para o lago, vendo a névoa dançar em espirais acima dele, enquanto tentava processar tudo.
-Se ele tivesse passado a vida como Harry, cultivando luz e virtude dentro de si, talvez ele tivesse resistido fazer o que fez com você. Mesmo comigo mandando-lhe pensamentos tentadores. Mas do jeito que ele era cercado por escuridão, acabou se tornando influenciável. A verdade é que ele era fraco, Ginny. Muito fraco.
-Era. – Ginny enfatizou. Instintivamente defendendo-o.
-Era. – Gwen concordou. – Porque o babaca não só não conseguiu cumprir sua missão de corrompê-la na época como ainda foi contaminado por você, por seus ideais e seu caráter. – a mulher soltou uma gargalhada que soou para Ginny extremamente fria. – E aí ele passou esses anos todos procurando a luz. A luz que sentira em você. Que nunca havia sentido antes na vida. E você continuou por todos esses anos com o coração puro. Como um anjinho. – brincou.
-Não. Eu tinha raiva. Muita raiva...
-Raivinha de anjinho. – zombou Gwen, fazendo uma voz irritantemente infantil. – Você nunca experimentou a fúria de verdade, Ginevra. Sua raiva era justificada, não era uma fúria cegante e destruidora como... a de sua amiga Suzan Bones por exemplo.
-Espera... volta só um pouco. – Ginny pediu. – Se Draco já me amava tanto... – ela tentou articular, confusa. – Por que na Toca ele...?
-Ah sim. Aquela noite. - Gwen lembrou. – Ele ainda não a amava naquela noite. Só a desejava tremendamente. E ressentia você por rejeitá-lo. Minha teoria é que essa raiva de ter seu amor frustrado também não é de agora. Vem de outras vidas também.
-Então você não...
-Naquela noite foi tudo ele, Ginny. Não posso assumir a culpa em relação àquilo. Só posso assumir a culpa pela pedra elemental tê-la enfraquecido, mas é só isso.
Ginny fez que sim.
-E porque ele se manteve tanto tempo afastado da Ceifatorus depois que me colocou lá se me desejava tremendamente.
-Isso já não foi culpa minha. Foi sua. – Gwen disse com certa irritação pela lembrança. – Sua e desses espíritos irritantes que servem você. Que ouviram seu apelo desesperado e fizeram de tudo para manter Draco longe. Você ficou tão apavorada com a possibilidade de ele machucá-la mais ainda que, sem perceber, emanou magia para mantê-lo afastado. Para que tudo passasse na cabeça dele, menos ir atrás de você.
-Como isso é possível? – Ginny perguntou, boquiaberta. – Eu estava tão fraca, como pude...?
-Eu já lhe disse. Draco era fraco. Você, mesmo na sua pior forma, ainda era mais forte do que ele. Pelo menos mental e espiritualmente. E esses espíritos que te seguem também são poderosos então...
-Se eu sou tão poderosa assim, como não fui capaz de afastá-lo depois disso?
-Bom, primeiro porque a falta de alimentação, companhia e condições básicas de vivência, mesmo com a ajuda da esmeralda, a deixaram bem mais fraca. Então a magia que mantinha Draco afastado enfraqueceu. Eu influenciei aquele capataz a chamá-lo, e tcharam! Draco voltou. Sem entender como conseguira ficar tanto tempo longe de você e se culpando terrivelmente por isso. – Gwen riu. – E além disso, quando eu percebi que você não ia ser fácil de quebrar, comecei a jogar pesado a favor do garoto. Emprestei para ele uma força que ele não tinha na época. Foi difícil pra mim, no início, ir contra você, mas me acostumei logo. Me motivava saber que tudo era para que esse dia chegasse.
Ginny suspirou longamente, levando as mãos à cabeça, atormentada.
-E valeu a pena. Mesmo com os contratempos. Eu estava certa o tempo todo em minhas ações. – ela gabou-se. – Voldemort não queria que eu lhe entregasse para Draco.
-Voldemort. – Ginny suspirou. Ainda havia tantas perguntas. Tantas nuances. Tanto que ainda precisava saber.
-Sim, ele começou a fazer parte dos meus planos na noite do massacre à Toca. O plano inicial era que toda sua família fosse morta. Eu então fiz com que Voldemort aparecesse na Toca para lembrar que faltava você... de lá, influenciei Lucius Malfoy, encarregado da missão, a encarregar o filho de fazer isso. E Draco... eu não toquei em Draco naquela noite. Mesmo que fosse tão fácil. É tão fácil manipular essas pessoas envolvidas em escuridão. Mas Draco eu não precisava. Eu conhecia seu coração. Sabia que ele não ia matá-la.
-Então você o deixou me torturar. – Ginny acusou.
-Claro. Não podia deixar que você revidasse e fugisse dele. E ele estava adorando aquilo. Ficando cada vez mais louco por você e eu precisava dele assim. Então o deixei. Mas acredite... não foi nada. Em outras vidas você enfrentou coisas muito piores. – Gwen sorriu com malícia. – Eu mesma a fiz experimentar coisas bem piores...
Ginny mexeu-se discretamente, afastando-se um pouco da figura sombria de Lady Slytherin. Mesmo que a mulher lhe atraísse, ela sentia cada vez mais o quanto de fato precisava tomar cuidado. O quão perigosa ela realmente era.
-O que você prometeu a Voldemort para que ele seguisse seus planos? A imortalidade?
-Precisamente. Eu não menti para ele em relação a isso. Para ser imortal, ele precisava de uma constante. Precisava de uma alma como a sua, superior e adaptável, ligada a dele, para ajudá-lo a superar a passagem das gerações. Daria certo se fosse isso que eu pretendesse fazer. Dar a imortalidade a ele. – ela admitiu. – Mas não se preocupe com isso. Nossa união com Tom será temporária. Talvez o mantenhamos por um ou dois séculos. Mas só.
Gwen soltou uma leve risadinha ao perceber a expressão de nojo de Ginny. Ela parecia estar prestes a passar mal.
-Você fez um bom trabalho o seduzindo. Tom é atraído por coisas belas e puras, justamente por não entendê-las. Ele é poderoso e manipulável. Perfeito para os meus planos.
Ginny sentiu um tremor violento subir por sua espinha. Essa era uma definição que nunca pensou ouvir ser usada para Lord Voldemort. Manipulável. O mestre da manipulação... e Gwen o considerava manipulável. Lady Slytherin era de fato, extremamente perigosa.
-Ele é um deficiente sabe? Meu Tom. Ele não consegue sentir como outros seres humanos sentem. É triste. Pessoas como ele passam a vida toda em busca de satisfação e prazer. Caçando-os sem escrúpulos, sem nunca realmente encontrá-los. E isso os faz manipuláveis. Acaricie o ego deles, prometa prazeres inimagináveis e poderes que nada mais importará. Psicopatas, são como os humanos chamam pessoas como Tom. Pessoas desprovidas de sentimentos.
"Você, Ginny, sente mais prazer em uma hora do seu dia do que ele sentirá pelo resto da vida. A psicopatia, na verdade, é uma doença da alma. Acomete aqueles que passam o tempo todo, várias encarnações, à procura de prazeres baixos e temporários. Com o tempo a alma esquece o que é prazer de verdade, e se torna incapaz de senti-lo. Então eu prometi a Tom você e a eternidade e ele vem trabalhando para mim desde então."
Gwen calou-se por alguns minutos, deixando que Ginny raciocinasse tudo o que acabara de ouvir e organizasse seus pensamentos.
-Então você fez Voldemort me entregar a Draco... – a ruiva finalmente disse, estimulando Gwen a continuar a história.
-Ah sim. Ele fez um escândalo. Acho que parte do seu apelo para ele era você ser virgem. – ela riu. – Mas eu o convenci de que só assim nossos planos dariam certo. Que você nunca seria capaz de amá-lo e aceitar uma ligação entre eles se não experimentasse das sombras antes. Isso foi difícil, porque feria o ego dele ter que admitir que não teria capacidade de fazer com que você se apaixonasse por ele. Eu tive que convencê-lo de que você só se apaixonaria por Draco, não por ele ser de alguma forma superior a Tom, mas porque vocês já se amaram em outras vidas...
-Então... eu me apaixono por Draco, porque isso estava fadado a acontecer graças a suposta ligação de nossas almas. Me apaixonando por um comensal da morte, eu não mais seria limitada por conceitos de certo e errado. Ficaria fragilizada e confusa, e você poderia me seduzir e me fazer aceitar a imortalidade. E para Voldemort, ao aceitar a imortalidade, eu estaria garantindo a imortalidade dele também.
Gwen fez que sim.
-Basicamente. É isso.
-Uau. Isso é... uau.
-É. – rui Gwen. – Aí ele te colocou na Ceifatorus como eu ordenei. Você manteve Draco afastado com magia. Você enfraqueceu. Draco voltou. Fez de tudo para seduzi-la. Eu trabalhava em sua mente para ajudá-la a se sentir atraída por Draco, exagerei na dose provocando-o. Draco a ataca e estraga tudo. Aí Tom e eu somos obrigados a facilitar sua fuga. Deixando que seus amigos a resgatem naquele hospital.
-Espera... o que?
-Oh sim... você estava muito traumatizada depois do que aconteceu. E sinceramente, eu não confiava mais em Draco com você. Então a deixamos fugir. Naquele momento achei melhor fazer com que você passasse um tempo longe dele. Pensei em descartá-lo dos meus planos e comecei a procurar outras formas de corrompê-la. E aí que entra o delicioso Dean na história.
-Dean? – Ginny perguntou assustada, elevando o tom de voz involuntariamente. – O que Dean tem a ver com tudo isso?
-Você não adora Dean? – Gwen perguntou. – Os olhos dele são tão intensos. Ele me lembra um pouco do meu primeiro marido.
-Gwenyfar! O que Dean tem a ver com isso?
Gwen riu com humor da impaciência da ruiva.
-Ele também amava você então eu decidi que talvez esse amor me fosse útil. Alimentei esse amor. Estimulei você a se apaixonar por ele novamente... Depois de tantos anos com o colar foi ficando mais fácil para mim influenciar você. Mandar pensamentos e ideias para sua mente... mesmo que ainda não pudesse me comunicar diretamente. Então eu a incentivei a amar Dean, mas nem eu sabia muito bem aonde ia chegar com isso. No fim tudo acabou saindo melhor do que eu planejava.
Ginny fechou os olhos tentando segurar as lágrimas. Antecipando as palavras de Gwen.
-Eu achava que você perderia sua noção de certo e errado só ao se apaixonar por Draco, mas foi melhor do que isso. Além de você se apaixonar por um comensal da morte, você traiu um homem de bem com um comensal da morte. – Gwen sorriu cruelmente enquanto as lágrimas vertiam pelo rosto de Ginny. – Traiu um homem que te amava de forma tão pura. Traiu um homem que depois de tantos sofrimentos, precisava e se apoiava no seu amor. E ao fazer isso, Ginny querida... minha Ginny virtuosa e perfeita... – cuspiu as últimas palavras com escárnio. – você estimulou o mal dentro do coração dele.
-Eu nunca quis machucá-lo. Nunca. – Ginny falou com a voz embargada pelas lágrimas.
-Mas não para por aí! – Gwen bradou entre risadas. – Agora eu queria o serviço completo! Então fiz com que Voldemort tirasse as defesas da casa de Malfoy para que a Ordem pudesse resgatá-la e levá-la de volta para Dean. Queria que ele soubesse. Queria que você o visse destruído... queria que você transasse com ele. – Gwen concluiu cruelmente, sorrindo ao ver Ginny levar a mão à boca para conter o pranto. – Imagine o que seu amado Draco não vai pensar quando souber que você dormiu com Dean? Depois de ter dividido a cama com ele tantas vezes durante aquela fase de lua de mel de vocês? Ter se entregado a outro homem depois de ter dito que o amava e que o queria para sempre?
-Eu nunca quis machucar ninguém. – Ginny chorou.
-Hum. Não é a estrada para o céu que a paveada com boas intenções, meu amor. – Gwen riu.
Ginny curvou-se com as lágrimas, sentindo um peso forte em seu coração, esmagando-a e sufocando-a.
-Pequena Ginny. Tão forte. Tão virtuosa. Tão cheia de caráter. – Gwen zombou, eufórica ao vê-la contorcer-se em culpa. Contorcer-se de dor e pranto. – Tão vadia.
-Não! Eu nunca fui contra o meu coração. – Ginny disse, tentando limpar as lágrimas que insistiam em inundar seu rosto. – Eu amo Draco e eu amo Dean. Eu amo Dean.
-Oh! Agora você quer os dois? – Gwen ironizou.
-Não! Eu... aquilo era pra ser...
-Uma despedida? – Gwen perguntou, fazendo uma voz enjoativamente melosa. – Um último ato de amor?
-Sim! Antes de começar um relacionamento de verdade com...
-O comensal da morte. – Gwen completou. Fazendo com que Ginny afundasse em soluços, enterrado a cabeça nas mãos, que deslizaram por seu couro cabeludo, arranhando-o enquanto ela inclinava-se para o chão com a força do seu pranto. A força da sua culpa.
Gwen aproximou-se, fazendo-a deitar a cabeça em seu colo e acariciando seus cabelos.
-Ginny. Tão certa. Tão cheia de valores. Tão superior a todo mundo. – disse suavemente, rindo do desespero da ruiva. - Tão cheia de moralismos que quando foram colocados a prova, não valeram de nada.
Calou-se, satisfeita com a falta de reação da ruiva, sentindo-a absorver suas palavras dolorosamente. Sentindo-a ser consumida pela culpa. Pela confusão. Pelo pecado que contaminava sua perfeita alma.
Essa foi sua deixa para se aproximar lentamente, tirar delicadamente as mãos da ruiva. As unhas dela chegaram a machucar seu couro cabeludo. Com movimentos suaves, a fez descansar a cabeça em seu colo, onde continuou a chorar.
-Vale a pena, Ginny? Vale a pena ter todos esses valores e ideias do que é certo e o que é errado para acabar assim? No final, seres humanos são todos iguais. Maus, egoístas, pecadores. Alguns apenas decidem eliminar a culpa.
O pranto da ruiva, foi ficando mais fraco. As lágrimas ainda vertiam em grande quantidade, molhando o vestido de Gwen, mas seu corpo começou a relaxar, e os soluços foram ficando mais espaçados.
Sorrindo, Lady Slytherin acariciou os cabelos rubros e sedosos de Ginny.
-Não é tão mais fácil aceitar nossa natureza? Sermos felizes aceitando quem nós somos? Sem nos impor tantos limites e tantas regras?
Ginny engoliu em seco, tentando impedir o choro.
"Já chega, Ginny."pensou fortemente, tentando se controlar.
Ela não merecia chorar depois de tudo o que fizera. Chorar era o caminho fácil. Sentir pena de si mesma era fácil. E depois de toda a confusão que ela armara com Dean e com Draco, tudo o que Ginny não merecia era o caminho mais fácil.
-Eu nunca fui tão regrada como você diz, Gwen. Nunca fui certinha. – Ginny começou, odiando como sua voz saíra trêmula e fragilizada. Engoliu em seco e afastou-se de Gwen, voltando a encará-la. – Minha única regra sempre foi não deixar que minhas ações machucassem ninguém. E essa única regra, que deveria ser tão simples, eu quebrei. E por isso eu estou assim.
Gwen revirou os olhos.
-Oh Deus, você é tão repetitiva.
Ginny estranhou, mas esperou Gwen terminar de balançar a cabeça impaciente para o nada. Aproveitando para limpar suas lágrimas e acalmar-se.
-Isso é que é o chato de eu ficar presa na mesma consciência enquanto você pula de uma encarnação para outra. Você se torna repetitiva. Acha que acabou de descobrir coisas que você já sabe há milênios. E que já me falou há milênios. E que fica repetindo pelos próximos milênios. – a mulher revirou os olhos.
-Eu já...?
-Você não muda. Não importa onde você nasce. Você não muda.
Ginny sentiu-se um pouco aliviada ao ouvir as palavras de Gwen. Era estranho quando Gwen falava dela, sendo que conscientemente ela não se lembrava de ter encontrado a mulher antes. Saber que mesmo tinha as mesmas ideias, mesmo sem se lembrar fazia-a se sentir mais segura de si mesma. Com mais certeza de seu caráter e mais controle de suas ações.
Talvez ela não estivesse tão perdida assim.
Talvez ela pudesse compensar seu erro, ou pelo menos minimizar os danos e aprender com a experiência. Talvez ela não precisasse perder toda a sua identidade por causa daquilo. Não quis exprimir tais sentimentos em voz alta mesmo que Lady Slytherin pudesse captar a mudança em seu estado de espírito. Gwen estava distraída em seus próprios pensamentos para notar que Ginny havia se acalmado consideravelmente. De repente ela virou para a ruiva, como se tivesse chegado a uma conclusão.
-Você sempre diz que está aprendendo. Que nós esquecemos nossas experiências de outras vidas e temos que redescobrir o mundo várias vezes diferentes por que só com repetição e prática nós aprendemos. E que cada experiência, até nossos erros, se bem aproveitados, elevam nossas almas.
-Eu disse isso? – Ginny perguntou.
-Sim. Você sempre diz isso quando está tentando me fazer superar minhas correntes para poder voltar a encarnar. – Gwen sorriu de lado. – É claro que eu quero encarnar, mas eu não quero esquecer. Não estou pronta para deixar de ser Gwenyfar Wildeblood.
Ginny a analisou por alguns segundos, repassando a história de vida de Gwen. Aparentemente ela já tivera seus próprios ideais e um coração puro. Claramente se arrependia por ter sido deixada levar pelo ódio que sentir por Salazar, e tinha um profundo rancor contra seu antigo marido. Com o fim trágico que tivera sua vida, Gwen nunca tivera a oportunidade de reparar seus erros. A forma como ela se apresentava como Gwenyfar Wildeblood ao invés de seu título oficial, Lady Slytherin... ela não deveria gostar de ser lembrada como a esposa de Salazar. Não deveria gostar de ter seu nome automaticamente associado com o dele. De ser uma figura histórica só porque foi amada por um dos ilustres fundadores de Hogwarts, a escola que ela tanto desprezava.
Talvez essa fosse a sua ânsia de voltar à vida, de ter onipotência e eternidade do seu lado. Queria marcar o mundo como ela mesma. Como Gwen. Como Wildeblood. Se livrar finalmente das correntes de Slytherin. Agora, talvez ela quisesse aproveitar para fazer história sem a interferência dele.
-Eu ainda não entendi por que precisaríamos de Voldemort para seguir seus planos Gwen. Achei que no momento em que nossas almas se unissem, o colar poderia...
-As pedras elementais são muito poderosas. Você pode ter feito um trabalho magnífico contendo e controlando a magia da minha esmeralda, mas duas? O dobro do poder é muito difícil de controlar. E como eu disse, as pedras estão vivas. Você poderia enlouquecer. No entanto, nossas almas unidas se tornariam tão poderosas que poderíamos unir as duas pedras e controlá-las.
-E Voldemort?
-Ora, eu precisava impedir que ele a matasse não? – Gwen perguntou. – Ou você acha que a sua Ordem ainda existiria se eu não estivesse tentando te proteger?
Ginny arregalou os olhos.
Não. Isso não.
A Ordem da Fênix fizera um ótimo trabalho escondendo-se e trabalhando contra os comensais debaixo dos narizes deles. A Ordem era brilhante em seus esconderijos e missões. Não havia jeito de Voldemort saber de suas sedes... ou...
-Ele sabia onde você estava. Não percebeu que foi só você abandonar a Sacremagia para que a escola fosse atacada?
Ginny levou as mãos à boca. Claro que já pensara nisso, mas achara que havia sido um golpe de sorte ter saído logo antes dos comensais descobrirem a academia na França.
-Eu a deixei lá porque sabia que você estava desenvolvendo sua magia. E isso é importante Para quando nos reunirmos. Eu não uso magia há tanto tempo... preciso de um corpo poderoso. Nós precisamos. De um corpo forte o suficiente para aguentar a energia dos colares quando nos livrarmos de Tom e fundirmos os dois em uma pedra só.
-E porque precisaríamos mantê-lo por algum tempo? – Ginny perguntou.
-Porque esse provavelmente é o tempo que a pedra de Salazar levará para matá-lo. As entidades das esmeraldas geralmente só levam algumas décadas para absorver completamente a magia e a alma de um bruxo normal, mas, mesmo não sendo imortal, Tom tomou providências para alongar sua vida e tem muita magia para ser sugada em pouco tempo. Enquanto esperamos, nossa esmeralda vai ter tempo de nos fortalecer mais ainda, e quando chegar a hora certa, e Voldemort finalmente estiver drenado, vamos matá-lo e assumir sua posição. Assumir o controle do mundo que ele capturou e trouxe para a escuridão, e vamos trazer a esse mundo paz, e governar com uma mão firme, porém justa e boa. Vamos trazer prosperidade, alegria e fortuna para esse mundo sofrido, Ginny.
-Mas, ele não iria estranhar? Que estivéssemos ficando fortes enquanto ele esta ficando cada vez mais fraco? Ele não iria adivinhar o plano?
-Claro que não. Essa é a beleza da esmeralda. Ela mima você. Faz você se sentir bem e poderoso para te distrair do fato de que sua alma está sendo devorada. E quando você percebe, já está fraco demais para fazer alguma coisa. E é quando Voldemort chegar nesse ponto que vamos matá-lo. Alguns séculos ao lado dele, fingindo ser submissa, não serão nada perto de uma eternidade de supremacia e paz. Acredite em mim.
-Você realmente pensou em tudo.
-Eu tive tempo. – Gwen deu de ombros. – Você pode pensar que estou fazendo isso por razões egoístas, mas eu também estou pensando em você. Nós precisamos uma da outra, Ginny. Você se tornou dependente da esmeralda e de mim. Não vai mais conseguir viver sem isso. E sem mim seus amiguinhos, os que você mais ama, estariam todos mortos como sua família. Sem mim a sua causa estaria morta. Voldemort está muito mais poderoso do que parece. Ele ainda está segurando seu poder porque quer ter certeza de sua imortalidade antes de se expor, mas ele é imbatível. Sem mim, sem esse meu plano, a nossa causa morre.
-E você precisa de mim por causa do meu corpo.
Gwen concordou. Seu olhar transmitindo certa compreensão e misericórdia para a confusão e preocupação nos olhos de Ginny.
-Eu vou ser honesta Ginny. Eu quero sentir o gosto da magia novamente. Quero a eternidade. Quero o poder. Mas não quero fazer mal a ninguém. Pelo contrário. Quero proteger os justos e punir os maus. – ela se aproximou um pouco mais. Seu tom era manso, tentativo, tão diferente de seu tom duro e sarcástico de pouco tempo, quando atacava Ginny com xingamentos e palavras dolorosas. – Queremos a mesma coisa. Queremos salvar o mundo da podridão dos comensais. Dessa forma poderemos salvar o mundo não só dos comensais, mas de qualquer outra forma de magia negra que tente ascender e oprimir pessoas de bem.
Ginny olhava para o chão fortemente. Mesmo não acreditando ser merecedora de tamanho poder, não podia negar que as palavras de Gwen eram tentadoras e faziam muito sentido. E se Ginny fosse destinada a isso? E suas experiências a tivessem preparado para esse momento? E se ela fosse capaz de controlar e não se deixar corromper por essa quantidade absurda de poder? Poderia trazer prosperidade e paz para o mundo, como Gwen falara. Sem mais guerras, sem mais dor, sem mais ouvir sua família morrendo presa no seu quarto sem poder fazer nada para ajudar, sem mais mulheres sendo abusadas e violentadas, sem mais crianças perdendo suas infâncias para a guerra, sem mais pessoas de bem sofrendo nas mãos de gente gananciosa e sem escrúpulos...
Quando levantou a cabeça, Gwen estava perigosamente próxima. Os olhos verdes levemente arregalados, analisando Ginny cuidadosamente.
-Você sabe que eu estou certa, não sabe?
Ginny não respondeu. Queria ter mais tempo para pensar.
-Agora é a hora da decisão, Ginny. – Gwen pressionou. – Una-se a mim. E eu prometo que traremos paz e prosperidade para o mundo, ao mesmo tempo em que viveremos uma eternidade de regalias e alegria. Me recuse, e Tom terá minha permissão para acabar de vez com a Ordem da Fênix. Ele aniquilará seus amigos e toda e qualquer esperança do mundo de um dia sair do seu reinado de escuridão.
Ginny engoliu em seco. Finalmente Gwen havia colocado a proposta em termos brutos. Finalmente parara de dar voltas e explicara a realidade nua e crua.
-Você está me chantageando.
-Claro que você iria ver as coisas dessa forma. Sempre tão radical. Estou tentando fazê-la ver o brilhantismo da minha idéia. – ela estendeu a mão para Ginny, sorrindo meigamente. – Venha, querida. Chegou a hora.
Ginny encarou a mão de Gwen por alguns segundos, pensando no que estaria aceitando. Nunca mais seria ela mesma depois disso. Não só deixaria de ser Ginevra Weasley como desistiria da própria essência de sua alma ao fundi-la com a de Gwen. Desistiria de sua humanidade ao se tornar em um ser imortal. Iria para sempre ficar fundida a carne. Nunca iria mudar. Nunca mais poderia se mesclar a uma multidão. Nunca mais poderia se sentir parte de uma comunidade porque não existiria nenhum ser semelhante a ela no planeta.
-Não tenha medo da solidão. – Gwen pediu, olhando-a nos olhos. – Teremos uma à outra. Você nunca mais estará sozinha.
Depois de alguns segundos encarando os olhos de Gwen, Ginny retribuiu o sorriso fracamente.
-Você nunca mais vai ter que sentir culpa, ou dor. – Gwen continuou baixinho. – E se minha presença não for o suficiente para aplacar sua solidão poderemos trazer seu verdadeiro amor de volta à vida.
Os olhos de Ginny brilharam esperançosamente para Gwen. Suplicantes.
-Harry?
-Sim, meu bem. Harry. – Gwen sorriu, como que emocionada pela felicidade de Ginny. – Tudo vai ficar bem agora. Tudo o que você tem que fazer é dizer sim.
Ginny olhou para a mão estendida de Gwen novamente. Sabia que aquilo não era certo. Sabia que aquilo não era natural e que ela teria uma eternidade inteira para se arrepender disso. Mas naquele momento, era a única opção que lhe restava. Não poderia deixar o mundo a mercê de Voldemort, e se tivesse que desistir de sua humanidade, de seus valores e de sua própria alma para proteger aqueles que amava, era isso que ela faria.
Levou, devagar, a mão na direção da de Gwen hesitando por alguns segundos, antes de finalmente permitir que a mulher entrelaçasse seus dedos nos dela.
A corrente de energia e magia que passou de uma para a outra foi instantânea. A aura de Ginny abria-se para a de Gwen conforme ela se aproximava para envolvê-la novamente em um abraço. Ginny fechou os olhos em um consentimento silencioso, despedindo-se para sempre de si mesma.
Despedindo-se para sempre de sua humanidade.
Despedindo-se de Ginny Weasley.
-Você fez a escolha certa. – Gwen murmurou em seu ouvido antes que as duas fossem impossibilitadas de proferir qualquer outra palavra. Luz começou a emanar das duas almas.
A aura opaca e cinzenta de Gwen desprendendo-se de seu corpo e envolvendo-se com a luminosidade brilhante que se desprendia de Ginny.
Ginny não sentiu mais seu corpo tocar o chão. Não sabia se o cenário se desfazia ao seu redor ou se a luminosidade era tão forte que borrara sua visão. Tudo o que sentia eram os braços de Gwen ao seu redor. Aquela sensação de bem-estar que experimentara antes voltou redobrada, fazendo Ginny arquear e sorrir involuntariamente.
-Gwen. – tentou sussurrar sem êxito. Mas a mulher pareceu ouvir, pois a apertou ainda mais fortemente em seus braços, enquanto Ginny envolvia seus próprios nela. Ela nem tinha mais certeza se tinha braços. Se tinha alguma forma corpórea. Sentia-se se dissolver cada vez mais na energia que emanava de dentro dos corpos das duas. Não conseguia ver nada, só luz.
Foi então que seus pensamentos começaram a se embaralhar. Uma onda nova de sentimentos e lembranças a invadiu. Sentiu o clima e o cheiro de uma época diferente. Uma mistura de cheiro de cavalo, grama e terra molhada. Sentimentos extremos, como ódio intenso, amor intenso, determinação, vaidade... então lhe ocorreu que ela estava sendo invadida pelos sentimentos e lembranças de Gwen.
Abraçou a sensação como algo natural até que uma onda de pensamentos fortes e angustiados a invadiu com uma força que tirou o ar de seus pulmões.
Gwen estava repleta de raiva, angústia, melancolia e sede de vingança. No meio daquele mar de pensamentos obscuros ela viu fantasias macabras. A imagem de Salazar misturando-se com a imagem de Tom. Uma sede de sangue tão intensa que Ginny sentiu seus olhos arderem e sua garganta se fechar como se tivesse engolido cinzas.
Mas nenhuma daquelas imagens sombrias a fez abrir os olhos como a imagem de Draco, misturada à lista dos que Gwen pretendia punir quando voltasse a sua forma corpórea. Sentiu dolorosamente na própria pele o desprezo que Gwen sentia por Draco. Por seus crimes e por sua semelhança com Salazar ele deveria ser condenado. E seria, se os planos de Gwen seguissem seu curso.
Quando Ginny abriu os olhos sentiu o pavor tomar conta. Ela não mais podia ver seu corpo. Apenas luzes escuras e macabras com o formato de mulher a engolindo e sufocando.
-Tarde demais, Gin. Depois desse ponto, é impossível voltar. – ela ouviu a voz de Gwen reverberar dentro de si.
Ginny então fez o que ela sempre fazia em situações de perigo. Engoliu o pavor. Engoliu o medo. Afastou o pensamento de que não tinha nada que ela poderia fazer. Tentou empurrar Gwen só para descobrir que não sentia mais seus braços. Ela não queria mais aquilo! Não queria perder sua identidade para Gwen! Não queria dar a ela poder o suficiente para machucar ninguém! Para machucar Draco! Quem era Gwen para julgar quem era bom ou mau? Quem era Gwen para se achar digna de govenar o mundo?
Invocou imagens das pessoas que amava. Mortas e vivas. Sua família, Hermione, Harry, Luna, Neville, Dean, Remus, Hagrid, Dumbledore, McGonagall, Suzan e até mesmo Snape. E obviamente pensou em Draco. Concentrou-se no amor que sentia por todas essas pessoas... no amor que sentia por Draco. Deixou que esse sentimento puro envolvesse a sua alma. Esse sentimento tão puro, colidindo com a raiva e a obscuridade de Gwen, tornando as duas almas tão incompatíveis quando água e óleo. Impossíveis de se misturar.
Inundada por aquele sentimento tão profundo como nunca sentira antes, mentalizando Draco, por um milésimo de segundo, Ginny viu a sombra de duas criaturas que ainda viria a amar. Que ainda viria a amar mais do que Draco. E foi nesse milésimo de segundo, com essa imagem desconhecida que ela foi capaz de achar novamente seus braços. Suas mãos afastando Gwen de si. Um barulho horrendo se projetando quando ela o fez. A mistura do grito disforme de Gwen com um som de algo se rasgando. E depois uma explosão que a arremessou para trás.
Depois de algum tempo arfando, Ginny percebeu que estava intacta. Tudo doía, como se estivesse em carne viva. Mas estava inteira. Era ela. Conseguira revertar aquela terrível união... quando virou-se para Gwen, esperando vê-la esbravejando novamente, surpreendeu-se ao vê-la debruçada, com o rosto virado para o chão, seus ombros balançando em um profundo pranto.
-Você mentiu para mim, Gwen. Eu tive que parar. – Ginny disse. – Você pode se vingar de mim. Você pode destruir a Ordem, me matar e matar todas as pessoas que eu amo, mas você nunca vai conseguir destruir a causa. Nunca vai destruir a esperança. Ela é paciente, e persistente. Mate, estraçalhe, julgue... não importa o que você fizer. Não importa o que Voldemort fizer. O quão poderoso ele se torne ou quantas pessoas ele mate. A esperança é imortal.
Então, enquanto falava, Ginny entendeu porque Gwen estava chorando. Em sua mente surgiu algo que ela não prestara atenção quando estava praticamente unida a Gwen. Uma pequena luz no meio de toda aquela angustiante escuridão. Conforme Ginny pensava na luz, mas ela se parecia com os olhos gentis de um homem que sorria encantadoramente. Um sorriso reconfortante, transbordando de confiança, charme e amor.
-Eu sei que a esperança não morre, Ginny. – Gwen disse entre as lágrimas com a voz amargurada. – Eu tentei matar a minha. Mas ela simplesmente não morre.
E voltou a chorar intensamente, sem vontade ou poder de controlar suas próprias lágrimas.
-Aquele homem que eu vi, ele era...
-Cadmus Peverell. – Gwen confessou. – Meu primeiro marido. O homem que eu mais amei e que Salazar matou tão perversamente. O homem com quem eu devia ter terminado minha vida.
-Peverell?
-O irmão mais velho de Cadmus viveu o suficiente, e teve três filhos que foram os protagonistas da lenda das Relíquias da Morte. Ignotus Peverell é antepassado de seu querido Harry Potter.
Ginny tentou organizar seus pensamentos, raciocinar logicamente e trazer sentido a todas aquelas informações.
-Gwen...
-Eu lhe disse que estávamos todos conectados.
-Gwen, nós não somos vocês. – Ginny disse, aproximando-se. – Pare de tentar relacionar sua história com a minha como se isso fosse mudar alguma coisa. Draco não é Salazar. Harry e Dean não são Cadmus e eu não sou e nem nunca serei você.
-E você vai pagar por isso. – Gwen disse com a velha amargura com a qual ela já tinha familiaridade voltando a sua voz, enquanto ela erguia o rosto para encarar Ginny duramente. – Vai pagar por isso.
-Mesmo se eu não tivesse parado você, Gwen, você não poderia trazê-lo de volta. Ele já está muito longe. Ele não pode mais ser alcançado. – Ginny disse, mais uma vez só tendo certeza de suas palavras quando estas saíram de sua boca. – Da mesma forma que você não pode me fazer voltar a ser quem eu fui em alguma vida passada, não vai poder fazer isso com ele se o encontrar novamente.
-Ele não encarnou desde aquela época. Ele pode estar...
-Esperando por você. – Ginny constatou, fazendo que sim. – Provavelmente ele está. Mas não da forma que você pensa.
Novas lágrimas transbordaram de Gwen e sua expressão caiu, enquanto ela era inundada por uma onda de soluços.
-Depois do que eu me tornei, ele nunca mais poderia olhar para mim. Ele não pode estar me esperando para seguir em frente.
-Ele amava você. Como Salazar nunca teria capacidade de te amar. Da mesma forma que... eu amo Draco. – Ginny disse. – Eu não sei como, mas eu sei disso. E ele está te esperando Gwen. Ele está te esperando para seguir em frente.
-Como ele poderia estar me esperando? Ele era bom. Bom de uma forma que eu nunca entendi. Bom como Harry. Bom como você. Como poderia me perdoar pelos meus crimes? – ela balançou a cabeça negativamente, limpando as lágrimas. – Eu o amava tanto. Se eu seguir em frente, eu vou esquecer disso. Eu vou esquecer de meus crimes e eu nunca vou poder me redimir e pedir perdão a ele se nos encontrarmos.
-Por isso você vem se segurando a essa consciência por tanto tempo? Na esperança de reencontrar Cadmus e se redimir com ele enquanto ainda lembra de seus crimes? Enquanto ainda lembra que Salazar o matou por sua causa?
Gwen não respondeu, apenas fechou os olhos enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto.
-Gwen, isso é insano. – Ginny disse mansamente. – Você pode esquecer coisas que aconteceram, mas você nunca vai esquecer que o ama. Um amor assim não morre. Eu não me lembro de você, mas eu sei que te amo. Eu tenho certeza disso.
Ela se ajoelhou em frente à Gwen, segurando o rosto dela em suas mãos.
-Esqueça essa consciência macabra Gwen. Liberte-se. Siga em frente. Deixe que o destino cuide da sua história e a de Cadmus. Quanto mais você se prender a memória dele, mais vai se privar de um dia vê-lo novamente.
-Eu não quero esquecer. – Gwen afirmou duramente. – Eu não mereço esquecer.
-Você nunca vai esquecer de verdade. Mas você nunca vai poder começar a se redimir de seus crimes se não seguir em frente. Se não se libertar. E você tentou não foi? Você sacrificou sua vida naquela época para prender as entidades dentro do colar permanentemente, e impedir que elas se libertassem, adquirissem forma corpórea e trouxessem horrores para o mundo. Mesmo não tendo sido reconhecida por isso você salvou inúmeras vidas das consequências das Artes das Trevas de Slytherin. Gwenyfar Wildeblood pode ter tido uma vida de sofrimentos mas existiu para salvar o mundo da loucura de Slytherin.
-Não foi o suficiente. O que eu fiz... meu filho...
-Siga em frente! Seu filho, sua família, Cadmus... você só vai poder se redimir e encontrá-los novamente se parar de se agarrar a Gwenyfar Wildeblood. Seu nome, sua aparência e suas ações naquela época definem quem foi Gwenyfar Ekatierina Wildeblood Slytherin. Mas é seu coração que define sua alma. E sua alma é quem você é de verdade. Sua essência eterna.
Gwen franziu o cenho, tocando o rosto de Ginny levemente.
-Como você pode saber de tanto?
-Porque não é Ginny Weasley quem fala agora. É a consciência atemporal que reside dentro dela. – a ruiva sorriu, ternamente. – Eu não esqueci dessas coisas porque encarnei. Você também não vai esquecer.
Gwen apertou os olhos e encarou Ginny com os olhos transbordando de lágrimas por vários minutos antes de envolvê-la em um abraço. Um abraço diferente dos sufocantes e restritivos de antes. Um abraço confortável e calmo. Ginny fechou os olhos, tentando transferir para aquela alma perdida todo o amor que sentia naquele momento.
-Você tem o mesmo olhar que ele. – Gwen disse entre as lágrimas. – Exatamente o mesmo olhar. Eu sinto tanta falta...
-Eu sei querida, eu sei. – Ginny consolou, esfregando as costas dela de forma consoladora.
-Eu queria voltar à vida com o conhecimento que adquiri no último milênio e poderosa o suficiente para redimir meus pecados. Queria impedir a dor e o sofrimento desse mundo. Queria ser boa.
-Você pode ser boa. Mas não pode deixar sua ganância corrompê-la tanto. E nós não somos dignas de dizer o que é melhor para o mundo Gwen. Tudo o que podemos fazer é lutar pelo que acreditamos e esperar que nossos corações estejam nos guiando pelo caminho certo, mas não podemos querer controlar os outros. Não podemos querer controlar o destino e o mundo.
-Eu subestimei você, Ginny. – Gwen sussurrou. – Você é mais forte do que eu.
-E Draco não é Salazar. Salazar era cruel. Draco é... confuso.
-Você o ama tanto. Eu senti o quanto você o amava quando nossas almas estavam se unindo.
Ginny sorriu, afastando-a e olhando-a nos olhos.
-Amo. Amo mais do que a mim mesma. – disse.
-Ele a ama também. Não da forma que Salazar me amava, mas da forma que Cadmus me amava. – Gwen admitiu. – Eu senti isso dentro dele, mas era mais fácil para mim negar e tentar relacioná-lo com a imagem de Salazar. Mas vocês são mais evoluídos do que Salazar e eu.
-Você não é o monstro que pensa que é Gwen. E nem o monstro que você está tentando ser. – Ginny disse. – Eu não amaria um monstro.
Gwen sorriu com a frase familiar, tocando a mão de Ginny em seu rosto. Todas as lágrimas que segurara por mil anos decidindo verter de seus olhos naquele momento.
-Eu preciso voltar, Gwen. – Ginny disse. – Me ajude. Por favor. Não se volte contra mim. Me ajude a acertar as coisas. – ela pediu.
Gwen sorriu de forma um tanto triste, com uma serenidade atípica. Como se após a conversa com Ginny um enorme peso tivesse se levantado de si. Parecia leve e...
-Eu não posso fazer muito para ajudá-la, Ginny. – ela confessou. – Tudo o que eu posso fazer agora é te dar meu apoio e forças, e não interferir mais. Você é forte. Vai conseguir sem mim. Nas minhas tentativas de fragilizá-la, eu a tornei invencível. Achei que amar Draco a deixaria confusa e fraca, mas você se tornou ainda mais forte.
-Mas... – Ginny começou, sendo interrompida ao perceber que a opacidade de Gwen havia sido substituída por um cálido brilho, que dava serenidade as suas cores.
-Você fez as luzes chegarem a mim. – Gwen disse, havia um sorriso em seu rosto, mas uma espécie de arrependimento em seus olhos. – Eu queria poder ficar mais tempo para ajudá-la, mas depois de séculos tentando chegar a mim, o muro que eu criei que mantinha a luz longe se quebrou e agora elas...
-Estão te levando embora. – Ginny constatou, sorrindo entre lágrimas.
Gwen voltou a abraçar Ginny.
Antes de se afastar e de ser engolfada pelas luzes que a levariam para seu descanso, sussurrou no ouvido de Ginny, longamente, tudo o que ela precisava fazer. Tudo o que ela precisava para garantir o triunfo da esperança.
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N/A: Dracoless chapter again. Mas pelo menos eu não fiz vocês esperarem milênios pra ter outro capítulo sem Draco. Haha! Infelizmente vou entrar em época de provas e ainda vou fazer uma viagem então não posso dar previsão de quando vai sair o próximo capítulo. Só posso garantir que no próximo tem Draco.
Mesmo com a ausência dele, esses dois capítulos foram necessários para o tão esperado desfecho da fic e para dar todas as explicações. Ainda tenho muito o que explicar, mas a "parte grossa"já foi. Então quem ainda tiver dúvidas, por favor, pergunte. Como eu disse antes, as vezes uma coisa já está tão óbvia pra mim que eu esqueço que não está óbvia para vocês e acabo não explicando direito.
Espero que vocês tenham gostado e tenham entendido tudo direitinho. Eu não gostei muito desse final do capítulo, achei que poderia ter feito algo melhor, mas eu prometi que ia postar hoje e não queria fazer vocês esperarem mais.
Respostas de algumas perguntas feitas nas reviews:
Draco tem alguma relação com Salazar?
Sim, mas não da forma como todo mundo estava pensando. Eles não tem nenhuma relação direta. O colar de Salazar foi parar na família de Draco porque a antepassada de Draco o venceu do filho de Salazar. Além disso, Draco ama Ginny desde a época de Hogwarts (e, segundo Gwen, talvez de outras vidas) e Gwen viu nesse amor a oportunidade de corromper Ginny. Ela precisava corromper Ginny para chegar perto dela. Para poder falar com ela.
Ginny é a reencarnação da Gwen?
Não. Tavlez, há muuuuuuuuuuuuito tempo atrás elas tenham sido uma alma só e por isso tem uma ligação especial. Antes de Gwen ficar presa em uma só encarnação elas sempre se encontravam em outras vidas e tinham suas histórias interligadas. Mas Gwen ficou presa em uma só consciência enquanto Ginny decidiu evoluir.
Não seria bem mais fácil se Gwen tentasse unir sua alma a de Ginny desde o início?
Pra unir sua alma a de Ginny ela precisava do consentimento dela. Enquanto Ginny estivesse forte e com certeza de si mesma ela nunca iria concordar. Ela tinha muito definido o certo e o errado e sempre sabia muito bem o que fazer. Gwen a fez passar por tudo isso porque queria que ela percebesse que nem sempre existe uma resposta certa. Não existe só preto e branco. Existem áreas cinzas em que a gente não consegue dizer o que fazer. Ela precisava que Ginny experimentasse essa confusão. De querer fazer o certo, sem saber o que é certo. Só assim, Gwen, que é só escuridão, seria capaz de se aproximar de Ginny e falar com ela. E além disso, capaz de convencê-la de que a união entre suas almas era o certo a se fazer. Fragilizada, Ginny quase caiu. Mas o amor dela por Draco a deixou mais sábia e mais forte, e não mais confusa.
Reviews:
Larissa: Oi Larissa!
Então, vamos começar com as duvidas.
Não, Ginny não é reencarnação da Gwen. Elas só têm as almas conectadas ha muuuuuuuuitos milênios, sendo que algum dia podem ter sido uma alma só. Mas isso ha muito tempo atrás. Tipo, antes de existirem seres humanos ate. O colar funciona com a Ginny porque ela é uma pessoa virtuosa e incorruptível, alem de ser muito poderosa e parecida com a Gwen que foi a primeira hospedeira do colar.
Draco não tem nenhuma relação direta com Salazar. A única relação que D/G tem com S/G é pelos colares. Mas Gwen explica que a relação entre Draco e Ginny também é antiga. De outras vidas. Mas eu não vou explorar esse lado na fic.
Obrigada pelas perguntas! Como eu disse, preciso que vocês me perguntem essas coisas para eu não deixar pontas abertas!
E muito obrigada pelo elogio! Você é uma fofa!
Mil beijos!
Debs Malfoy: Oown! Muito obrigada Debs! Adorei sua review! Eu me esforço pra deixar a fic legal e é muito bom saber que esse esforço está sendo reconhecido! Muito obrigada mesmo!
E não se preocupe, eu não exijo que as pessoas deixem reviews em todos os capítulos porque eu mesma não tenho saco pra fazer isso nas reviews, mas é muito bom saber que tem gente lendo, gostando, torcendo, e me apoiando. Obrigada mesmo! Isso é muito importante para mim!
Mil beijos!
Mila B: Não é certeza que um dia elas foram uma alma só. É só algo que ela teoriza e acredita porque parecia uma explicação plausível para a ligação excessiva entre as duas.
Eu nunca cheguei a assistir Full Metal Alchemist, mas meus amigos que gostam de animes sempre me falam desse. Parece bem interessante! Talvez eu assista nas férias!
Conhecemos um pouco mais do primeiro marido de Gwen nesse capítulo. A importância dele foi o efeito que ele teve em Gwen. Mais explicações sobre eles, só em outras fics. Hehe. As semelhanças entre Draco e Salazar, Cadmus e Harry (e Dean), Gwen e Ginny foram essenciais para a loucura de Gwen. Para que ela quisesse controlar a história deles como se, ao controlar a história deles ela pudesse consertar a sua própria. Gwen a dissuadiu e a faz perceber que isso era loucura. Iei! Haha.
Muito obrigada pela review Mila! Como sempre, adorei! Espero que tenha gostado desse capítulo também e que ele tenha explicado mais do que deixado dúvidas. Hahaha! Mas se tiver dúvidas pergunte, por favor! E não se preocupe que eu não vou desistir. Até porque a fic ta perto de acabar. Acho que faltam uns cinco capítulos... ACHO.
Beijos! E muitíssimo obrigada!
Tuty Frutty: Ainda não foi nesse que Draco reapareceu, mas prometo que no próximo tem muito dele! E viu? Nem demorei! Uhuul! Haha! Obrigada pela review e pela força em relação a minha mãe. Ela está bem melhor. Ta até cuidando dos meus avós agora.
Beijos! Espero que tenha gostado (e entendido) esse capítulo.
Dani: Você estava certa e errada. Gwen realmente amava Ginny, mas suas razões eram meio egoístas e ela estava realmente manipulando a história toda. Ginny quase se deixou levar, mas foi mais forte do que isso! Ainda faltam uns 4 ou 5 capítulos para a fic terminar. Não sei direito. Depende do quanto eu escrever. Eu previ mais 4 capítulos, mas quando um fica muito grande eu tendo a dividi-lo em dois.
Obrigada pela review e por acompanhar a fic Dani! Espero que tenha gostado do capitulO! =D
Gabriela Manfio: Ainda não teve Draco, mas clareou as coisas mais ainda nesse capítulo. Ou não? HAHAHA! Se não clareou é só me perguntar viu? E não, Gwen não é uma pessoa ruim. Ela se sacrificou pelo mundo, mas depois da morte ficou cheia de amargura e dor. Cometeu inúmeros erros, mas Ginny a mandou pro caminho certo agora.
Obrigada pela review, por apoiar a fic e por me apoiar! Muito obrigada mesmo!
Mil beijos!
MeninaAzul: Nesse Gwen mostrou as garras mais ainda. Hahahaha! Também to sentindo falta do Draco. Próximo capítulo vai ter muito dele, prometo! Mil beijos e muito obrigada pelo comentário! Espero que tenha gostado desse cap e que continue acompanhando a fic!
Helena Malfoy: Não se preocupe! Assim que terminar a fic eu vou fornecer um arquivo em PDF pra vocês. Eu já pensei até em imprimir a fic, mas meu Deus, isso ia dar muito trabalho. Ia ficar de um tamanho de um livro! Hahahahaha!
Obrigada pelo apoio Helena! Adorei a review! Espero que você tenha gostado do capítulo! Mesmo sem o Draco me esforcei pra deixar legal! E prometo que tem Draco no próximo! \o/
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É isso aí gente!
E lembrem-se: Quanto mais perguntas vocês fizerem mais me ajudam a dar um final bem feito para a fic!
Mil beijos! E muito obrigada!
Ella Evans
-G
