Capítulo XXVIII - Willian pergunta para Sarah I
- Professor, é verdade que o senhor é casado?
Snape fez uma expressão de desalento. Sarah esmiuçando perto da verdade, nunca era uma sensação favorável. Agora, iria fazer o desgraçado que lhe dera com a língua nos dentes se arrepender.
- Porque você quer saber isso, Sarah? – ele perguntou, aparentando uma certa reserva.
- Não é por mal, lhe garanto.- salientou ela, sentando-se numa cadeira que ele lhe indicara. – Apenas uma pessoa me contou e fiquei curiosa por saber a verdade.
Ela observava o professor que pareia ficar perplexo sem saber exatamente o que lhe responder.
- Bem, Sarah... – ele sabia que não deveria tentar enrola-la, não muito. Talvez o ideal fosse elaborar uma resposta mista, entre a verdade e alguma cosia inventada naquele instante. Mas teria que ser o mais convincente que lhe possível. – é verdade, que fui casado. – Sim, era melhor admitir aquilo, porque era algo fácil dela descobrir por meio de outras pessoas.
- E com quem? – quis saber a menina em flagrante expectativa.
- Você não a conheceu Sarah. – ele procurou dizer isso da maneira mais convincente que lhe foi possível. - e mesmo ela já morreu! Antes mesmo de você nascer. - Sim, era perfeito. Se ele fosse viúvo, Sarah possivelmente se sentiria arrependida pelo questionamento e o deixaria em paz. Mas tinha o outro lado da moeda.. agora mais do que nunca ela resolveria encontrar-lhe alguma esposa.
- Sinto muito. – disse ela, como que arrependida de Ter tocado no assunto, pois era visível que o professor Snape estava transtornado com o que lhe contava. – Se o senhor quiser, pode parar de falar sobre isso. Eu nem deveria Ter lhe pedido essas coisas.. desculpe- Sarah evidentemente queria saber de tudo, mas achou que desta maneira pareceria educada. Ela conhecia bem o professor e sabia que assim como ela própria, jamais interromperia algo no meio.
A primeira intenção de Snape foi agarra-se com unhas e dentes a sugestão que ela lhe dava. Mas, a conhecia bem e se assim o fizesse, ela desconfiaria de algo, e portanto, mesmo não sendo essa sua vontade, achou melhor continuar.
- Não me importo de continuar, agora que comecei, Sarah. – dissera ele, heroicamente. – A única coisa que quero que você saiba, é que não tive nenhuma participação naquele acidente que vitimou os pais de minha esposa. O crime foi dado como sendo – ele silenciou e olhou para a sala de aula vazia, antes de continuar- como sendo realizado por gente nossa... – ele olhou significamente para a menina a sua frente.
- Entendo. – ela assentiu com a cabeça.
- Mas isso não foi verdade, embora tenha sido a versão que contaram a minha esposa e que ela acreditou. Nem tive direito a defesa. – ele falou com um desespero mal disfarçado na voz. – mas jamais teria intenções em matar os meus sogros simplesmente por eles serem trouxas, Sarah! – quando falou, ele quase levou a mão a boca. Desta vez falara demais.
- Os pais da minha mãe também eram trouxas. –comentou Sarah. – Mas eu não os conheci. Sei que muitas pessoas considera os descendentes de trouxas como sendo sangue ruins, mas não consta que o próprio Lord das trevas.. –ela parou, e olhou para Snape como que pedindo ordem para continuar. E ele assentiu com a cabeça. – Posso chamá-lo assim, uma vez que ele falou comigo?
- Pode Sarah.
- Bem, consta que o próprio Lord das Trevas não é inteiramente puro sangue, pois seu pai era trouxa. – tipicamente Hermione, cogitou ele. Os livros, livros e livros.
- Suponho que você deva Ter lido isso em algum lugar. – cogitou ele.
- Sim, no livro que o senhor me deu de Natal.
- É Sarah, mas não resta muito a contar. – ele deu de ombros. – Minha esposa morreu sem me perdoar, sem ao menos me deixar dar minha versão dos fatos.
- Que coisa triste! – comentou ela, levemente sensibilizada, uma vez que não se deixava impressionar por nada. – Mas se ela gostava dos senhor, porque não quis lhe ouvir?
- Boa pergunta, Sarah – disse ele, com um sorriso triste. – isso só ela mesma poderia lhe responder.
- Mas eu acredito no senhor. – disse ela, levantando-se e indo em direção ao homem.- Não sei da historia toda, e se um dia o senhor quiser poderá me contar, mas acho que como se casou com ela, era porque a amava e jamais faria algo assim, correndo o risco de perdê-la. – A menina abraçou-se nele, e ele acariciou os cabelos negros dela. Era incrível como aquele garotinha conseguia sempre lhe dizer a palavra certa.
- Que bom que ao menos você – ele salientou bem o você- acredita em mim.
- Não fique triste, professor – ela disse, ainda abraçada nele. Sentia que todo esse assunto deixara o professor muito triste. – Eu gosto muito do senhor e espero ser sempre sua amiga... se não posso fazer nada, ela ergueu as sobrancelhas num gesto típico do próprio Snape- ao menos estarei sempre aqui. – ela sorriu para ele, que na medida do possível retribuiu o sorriso.
- Eu sei Sarah. Tenho certeza disso.
- Agora vamos a assuntos mais amenos. – disse a garota sentando-se no seu lugar de origem. – Noticias do St. Mugus?
Era noite, pouco antes do jantar e cinco garotas estavam reunidas no dormitório do primeiro ano da Grifinória.
- Olhe Sarah. – era Pâmela Wood quem falava. – Pessoalmente essa historia toda me parece clichê demais. O Rosier é chantageado por um pai vilão, que quer que você o namore, por motivos ignorados.
- Talvez a Granger saiba os motivos. – considerou a Gêmea Fanny.
- É.. – considerou Sarah, sentada em sua cama. – mas não sei se vocês devem saber sobre as coisas das Trevas. è melhor que nem sabiam ... Para sua própria proteção.
- Se a Granger quer proteger a gente, das duas uma. - contrapôs Lucile. – ou ela quer nos deixar curiosas, ou a briga é coisa para peixes grandes.
- A briga é coisa para peixes grandes, Weasley. – dissera Louise, em sua voz pausada – Já estamos envolvidas até o pescoço nesta historia toda e não queremos prejudicar vocês.
- Está bem. – concordou Pâmela, após uma troca de olhares com as gêmeas. – mas sabem que eu estou pensando em me dedicar a literatura?
- Literatura? – estranhou Sarah.- Eu nem sabia que você conseguia unir duas sílabas Pâmela. Pensei que sua cabeça apenas servisse para segurar seus belos cabelos loiros. – trocou a morena, e as gêmeas riram com vontade, sob os pretos da colega de casa. – estou brincando, Pâmela. – disse Sarah procurando desfazer o mal estar causado.
- Fale-nos sobre seu projeto literário. – pediu Louise.
- Bem, o título do livro é " Paul Rosier, Sarah Granger e Willian Malfoy.. um romance de amor, ódio e desentendimento em meio as Trevas" – Pâmela falou numa voz solene , arrancando gargalhadas das quatro presentes, inclusive de Sarah que era a inspiração da outra. – Claro, "com participação especial do mau e terrível Severo Snape, como defensor da protagonista".
As outras quatro riam com vontade, até que Louise disse:
- Hein, Pâmela torça para que Sarah não conte ao professor Snape sobre a sua piadinha, senão você pode se considerar expulsa da escola.
- Nem é para tanto, Louise- desdenhou Sarah. Mas ela foi interrompida por uma batida na porta e segundos depois apareceu a cara de um garoto no vão.
- Qual é o tema da festa que já estamos vindo comemorar tbem...
Meio sem combinarem as cinco garotas atiraram travesseiro nele, enquanto Fanny o dispensava dizendo.
- Cai fora, Nesi.
Os dias se passavam e William e Sarah não trocavam mais do que duas ou três silabas ocasionais, mesmo quando ficavam sozinhos no esconderijo do grupo. Quando se falavam Willian procurava cortar o assunto mais rapidamente possível. Em certo momento, enquanto estavam os cinco no esconderijo estudando e conversando nas confortáveis poltronas, Willian fez a proposta.
- Porque não brincamos de verdade ou conseqüência?
Louise, sentada fazendo o dever de Herbologia em frente a lareira, estranhou e quis saber.
- O que é Verdade e Conseqüência?
Porém, Sarah já largava o caldeirão em que cozinhava uma mistura e olhava para ele, inquisidoramente.
- Porque isso agora, Willian?
O loiro deu de ombros com indiferença, e lhe mostrou um livro intitulado "Jogos para reuniões sociais".
- Achei que seria um bom passatempo, Granger. Apenas isso. – Desde que William a vira com Paul Rosier na biblioteca, ele não a chamara mais de Sarah. Apenas de Granger.
- Pode ser que seja, mas temos que explicar as regras.
- Então fale, a senhorita Granger que sempre sabe tudo. – troçou Carl.
- Bem, é um jogo em que são feitas perguntas uns aos outros, e bem.. podemos encantar uma varinha para que ela nos mostre quando a resposta foi mentirosa. Essa é parte da verdade.
- Está bem, Sarah- era a voz de George que foi ouvida. – mas e seu não quis responder a pergunta?
- Daí você escolhe Conseqüência e quem elabora a pergunta, lhe faz fazer alguma ação...
- Alguma espécie de prenda? – era Carl quem queira confirmar o que pensava.
- Exato Carl. – continuou Sarah - Mas você escolhe se quer responder ou pagar a prenda, antes de saber qual é o teor da pergunta.
- O joguinho me parece legal. – disse Louise, embora Sarah não estivesse gostando daquilo. Conhecia bem as ardilosidades de Willian – Mas Sarah, não seria mais fácil você roubar a Veritasserum do Snape?
Todos riram, inclusive Willian.
- Seria, mas essa só serviria para quando quiséssemos saber algo especifico de alguém, não como numa brincadeira. – Sarah elucidou os outros. – Vamos encantar uma varinha e talvez achar alguma garrafa, algo desse gênero que gire. Sentamos numa roda no chão e vamos fazer a brincadeira sugerida por Willian.
- Olhe aquele seu pote onde estão as ardósias, Sarah. – Era uma espécie de garrafa e Sarah concordou que poderia servir muito bem as finalidades deles.. Ela esmerou-se ao máximo em lavar e sacar o pote, explicando que não deveriam quebrá-lo, pois aquele pote lhe fora emprestado pro Snape.
- Sarah, nós sabemos muito bem, quais são os tipos de empréstimos que fizemos... –era George quem comentava, com um risinho mau. A varinha de Louise foi encantada com um feitiço da verdade enquanto as outras quatro varinhas ficaram expostas em cima de uma das mesas. Depois o grupo sentou-se em circulo não chão e a seguir todos ficaram se entreolhando. Ninguém tinha coragem de começar.
- Quem começa? – perguntou Willian
- Porque não você mesmo que foi quem sugeriu a brincadeira? – questionou Sarah
- È isso, ai. – concordou Carl. – comece você, Willian.
O loiro então, sob a pressão de quatro pares de olhos, girou a espécie de garrafa... Todos acompanhavam com apreensão a garrafa ir girando cada vez mais devagarinho até que ela parou na frente de Sarah Granger. Sarah apenas suspirou resignada, quando escutou Carl dizer.
- Willian pergunta para a Sarah....
