Capítulo 25

Quando as Trevas se Encontram

Nuvens passam pela lua

Como um olho que mostra a morte pairando.

Tensão neste ar místico.

Sua miséria na vida

É seu êxtase na morte

(Demons - Offspring)


Ariadne andava de um lado para outro em sua sala. Havia acabado de sair da reunião da Ordem da Fênix, sentindo que quase fora descoberta, mas, por causa de Harry, ela não se comprometera. Contudo, já tirava a imagem do rapaz de sua cabeça. Precisava era pensar na maneira de ajudar a acabar com aquela guerra de uma vez por todas, pensar em destruir Nagini, mas... ainda havia o colar de Slytherin. Como ela poderia encontrar esse maldito colar em tão pouco tempo?

- Droga, Dumbledore! Por que você me fez prometer que ajudaria nessa maldita guerra?

Mas seus pensamentos foram interrompidos, pois alguém entrava em seu escritório.

- O que você está fazendo aqui? - ela perguntou surpresa ao vislumbrar Alexey.

- Eu precisava saber o que havia acontecido. Você não apareceu lá em casa, como combinamos.

- Alguém te viu entrar?

- Claro que não.

Ariadne foi até a porta, correndo os olhos pela sua sala e, não vendo ninguém, fechou a porta do escritório.

- Eu não fui até sua casa, porque teve reunião da Ordem da Fênix, agora cedo – ela explicou.

- Por que tão cedo? Aconteceu algo grave?

- Sim. Voldemort resolveu atacar Hogwarts hoje.

- Droga... Você sabe a hora?

- Não exatamente, mas Sebastian disse que eu devo me encontrar com ele quando o sol for oculto. Independentemente da droga que seja isso...

Alexey olhou as costas de Ariadne, que encarava o sol de sua janela. O céu já se tornando totalmente azul, indicando o amanhecer completo. Também podia ver a lua dali, em sua forma minguante.

- Ari?

- Hum?

- O que você sabe sobre a Lua Negra?

- Não muito. - Ariadne voltou a olhar para o primo. - Acho que ouvi uma vez ou outra, não lembro onde ou quando, mas... Chamam a lua minguante assim, não é?

- Exatamente. Mas, você sabe o que realmente isso significa?

- Não. Quero dizer... Acho que ela, tipo, abençoa as trevas, não é? - Embora não quisesse demonstrar, um arrepio perpassou pelo corpo de Ariadne quando seu olhar cruzou com o do primo. E ela percebeu que não gostaria do que viria pela frente.

- Grosso modo seria isso sim. Porém, há muito mais. Há rituais e significados para sua vinda, tanto quando ela apenas aparece no céu, ou quando há os eclipses - Alexey falou. - Dizem que a Lua Negra protege as Trevas quando elas se revelam. É como se, enquanto o sol não conseguir iluminar um lugar que seja, apenas as Trevas vão conseguir sobressair, entende?

Ariadne apenas confirmou com um aceno da cabeça, a qual já estava começando a ficar um turbilhão. Se as Trevas realmente fossem abençoadas, não queria nem imaginar o que viria pela frente.

- E tem mais – Alexey falou, chamando a atenção da prima para si. - Quando se derrama sangue inocente enquanto a Lua estiver na frente do Sol, ela vai, digamos, abençoar as Trevas com mais poder. Como se fosse a sentença de destruição de tudo o que é bom e puro. Como se, a partir daquele momento, a Luz não tivesse mais a capacidade de reinar. Apenas as Trevas.

- Deus! É por isso que, quando houve o último eclipse, eu me senti mais... forte - Ariadne falou hesitante e sentindo o corpo tremer levemente. - Eu pensei que fosse apenas uma sensação estranha, mas...

- Não foi. E esteja certa que quando há esse ritual na Lua Negra é muito pior. Dizem que caos atrai o caos. Com as Trevas não é diferente. Quanto mais se tem, mais se atrai.

Eles ficaram em silêncio por um tempo. Ariadne sabia que nada poderia impedir de que Voldemort derramasse sangue inocente quando a lua ficasse à frente do sol, como Alexey dissera. Ter um inocente em seu poder não era algo difícil.

- Ah, Lex, esse ataque não poderia ser hoje - Ariadne falou, sentindo-se perdida. - Ainda há tantas coisas para se fazer antes de Harry derrotar Voldemort.

- Quem? Aquele garoto que você levou para se encontrar com o artesão de varinhas?

- Ele mesmo.

- Ah... Ariadne, sinto muito, mas... Ele é apenas um garoto. Como vai destruir Voldemort? Quero dizer... Ele sequer pareceu notar quando o Círculo de Pedras em Drombeg reconheceu a magia e a alma dele.

- Eu sei, mas... É exatamente por isso que tem que ser ele.

Ficaram em silêncio apenas um momento, mas o necessário para Alexey se lembrar do que Ariadne dissera segundos atrás.

- O que você quis dizer quanto a ter coisas a fazer, antes que o garoto enfrente Voldemort?

Ariadne o olhou.

- O quanto de magia que você conhece?

- Depende. Da negra, com certeza o bastante.

- Voldemort fez Horcruxes - ela falou diretamente. E pelo olhar de Alexey, Ariadne percebeu que essa parte da magia o primo conhecia bem. Ela continuou: - Uma ainda precisa ser destruída, e outra, encontrada. E eu não faço a mínima idéia de onde está o maldito colar de Slytherin.

- Eu posso ajudar em algo?

Ariadne riu sem alegria.

- Acho que não. Não faço a mínima idéia de onde esse maldito colar está. Não estava no lugar que Dumbledore foi buscar, antes de ser morto. Tinha sido roubada, e não se sabe por quem.

- Bem, se foi roubado e alguém comercializou o tal colar não será impossível encontrar. Mas aí precisaríamos de tempo... - Alexey falou esta última sentença mais para si mesmo.

- Mesmo se tivéssemos esse tempo, Lex. Onde encontraríamos essa porcaria? Quem o adquiriu não gritaria aos quatro ventos, já que o comprou de maneira ilícita e, claro, roubou do Lorde das Trevas.

- Se você quiser, eu posso tentar. Comece pela descrição dele.

- Mesmo se o encontrarmos... Daqui a algumas horas, Voldemort vai estar nesta escola, Lex, e terá sua batalha com Harry. Se o garoto vencer e ainda houver uma Horcrux intacta, Voldemort vai fugir e ele não demorará a voltar.

- Como ele é? - Alexey perguntou decidido, fazendo Ariadne revirar os olhos. Mas, não vendo outra opção para solucionar aquilo, ela resolver pegar a que se apresentava à sua frente.

- É um colar de ouro. Na verdade, o que deve realmente interessar é o camafeu. Tem um S adornando a frente dele e parece mais uma cobra, e provavelmente ainda deve ter umas pequenas esmeraldas, eu acho, cravados nele...

- Você está me sacaneando, certo? - Alexey perguntou soltando uma risada curta.

- Não, eu... Você pediu a descrição e eu dei! - Ariadne disse aborrecida.

- Desculpe, não quis te irritar, é que... Já volto.

Ariadne ainda ficou parada no mesmo lugar em que estava. Em menos de dois minutos, Alexey desaparatou da sua frente e apareceu novamente. Mas, quando voltou, segurava em suas mãos um embrulho.

- Eu ia vendê-lo, primeiramente, mas acabei gostando e pensei em dá-lo de presente de Natal a você. Mas, com toda essa situação, acabei não entregando - ele falou, estendendo-o para a prima.

Avidamente, como se soubesse perfeitamente o que estava lá dentro, Ariadne abriu o pequeno saco de veludo cor vinho, e qual não foi sua surpresa quando retirou de lá um pesado medalhão que reconheceu imediatamente. O vira apenas uma vez nas lembranças de Dumbledore, quando o bruxo fora procurá-la, pedindo ajuda, mas foi o bastante para que guardasse na memória o formato exato dele. Estava em suas mãos, indiscutivelmente, o legítimo colar de Salazar Slytherin, o qual Alexey comprara de Mundungus Fletcher, em Bath.

xxx--xxx

Sirius se segurou o máximo que pôde, contudo, não conseguiu por muito tempo. E isso o fez se xingar com todos os nomes que tinha conhecimento.

Estava junto de Remus, fazendo feitiços de proteção no castelo, mas, assim que percebeu que sua cabeça não estava tão concentrada como devia, falou ao amigo que iria no andar superior e adiantar o serviço. Entretanto, assim que saiu das vistas de Remus, Sirius desceu o mais rápido que pôde até o terceiro andar daquele castelo.

Porém, fazer o que seu coração ordenava estava difícil, pois sua razão tinha fortes razões para impedi-lo. Ele ainda queria solucionar com Ariadne todo o mal entendido em que eles se encontravam. Haveria uma batalha dali em instantes e ele não queria enfrentá-la na situação amargurada em que estava. Sabia dos riscos de uma guerra, e não estava disposto a morrer com assuntos pendentes entre ele e Ariadne.

E Sirius não soube por quanto tempo ficou dentro da sala de Ariadne pensando se fazia uma última tentativa ou não. Mas, ao ouvir que ela conversava com alguém dentro de seu escritório, não conseguiu conter sua curiosidade. Principalmente ao conseguir reconhecer a voz de Charlie Weasley lá dentro.

- Você precisa contar, Ariadne - Sirius o ouviu dizer cansado.

- Não.

- Você não pode esconder isso por mais tempo. Quando a guerra terminar...

- Eu sei. Eu... Eu só preciso pensar na melhor maneira de fazer isso, OK?

- E se alguma coisa acontecer? Se seus planos saírem errado e...

- Não vão sair errados - ela o cortou. - Vai dar tudo certo.

- Se você assim diz...

Silêncio. Sirius encostou-se mais à porta, mas não conseguiu entender o que eles falavam lá dentro pela voz estar baixa demais. Somente depois de um tempo, ele voltou a ouvir Ariadne. Ela parecia irritada.

- E eu já avisei que não queria ouvir essa proposta insana novamente.

- Mas eu vou - Charlie falou também se irritando. - E aposto que o Snape vai adorar se redimir.

- Como assim, se redimir?

- Você me entendeu.

Ariadne suspirou.

- Severus cogitou realmente quando falei com ele de madrugada, antes de ir para a reunião da Ordem, mas... Não sei, Charlie. Vai ser muito arriscado.

- Ariadne, você precisa ir para a floresta quando for a hora. Não vai poder sair do lado de Sebastian ou de Voldemort. Deixe que eu vá até lá. E se o próprio Snape propôs, ele não vai opor-se a mim.

- Não, eu... Eu não posso permitir que você faça isso, Charlie. Vai ser arriscado, e se você morrer por causa disso, nunca vou me perdoar!

- Mas sei que você vai se sentir pior se acontecer algo a ele enquanto você estiver aqui. Ou você acha que vai poder deixar a batalha de uma hora para outra?

- Eu sei, droga! - Ariadne exasperou.

- Sebastian não vai deixá-lo sozinho.

Se Sirius pudesse olhar naquela sala, veria o olhar frustrado de Ariadne enquanto Charlie se mostrava decidido. Contudo, ele notou este último pelo tom de voz do rapaz:

- Eu vou falar com o Snape.

Sirius não pôde ver o que acontecia do lado de dentro, mas conseguia imaginar a expressão de dúvida de Ariadne. Ouviu-a então falar suavemente, embora também houvesse um desespero latente em sua voz:

- Eu não vou suportar perdê-lo para Sebastian, Charlie.

- Fique tranqüila, dará tudo certo. Confie em mim.

- Eu confio. - Novo silêncio, até Ariadne continuar: - Charlie, eu... Bem, é que... Olha, eu sei que já lhe disse isso, mas... Saiba que gosto muito de você. O que sinto por você é tão forte quanto o que sinto pelo Arktos. E também não suportaria que você me deixasse como ele.

- Pois saiba que não vou te deixar, Ari. Nunca.

Outra vez se fez silêncio. Sirius sentia seu coração bater tão forte que aquele som parecia ribombar por seus ouvidos, o que impedia de ouvir o resto da conversa. Ariadne estava aliada a Voldemort e ao vampiro Sebastian. Mas... como? E por quê? Além disso, se ele ouvira certo, Ariadne se encontrara com Severus Snape, e antes de ir para a reunião da Ordem da Fênix. Onde aquele assassino estaria escondido? E por que ela não contara a ninguém? E... Ariadne sabia dos planos da Ordem da Fênix e Charlie a apoiava em tudo...

Ela era o contato de Charlie Weasley do lado de Voldemort!

Uma dor tamanha atingiu Sirius. Uma dor que ele nunca achou que sentiria justamente por causa de Ariadne. Decepção. Era como seu uma pedra de gelo descesse por seu peito e uma mão imensa apertasse seu coração. Ele sentira raiva dela sim, pelo que haviam discutido na noite anterior, mas... Naquele momento era traição o que ele sentia atingir seu peito, ladeada pela decepção. E pela primeira vez em sua vida sentiu que nunca poderia perdoá-la. E essa certeza o atingiu como um baque: nunca poderia perdoar a mulher que amava.

Sirius nem soube como teve capacidade de se esconder quando Charlie saiu do escritório e partiu. E nem conseguiu impedir suas pernas de se movimentarem, se bem que ele nem as sentiu se mexer, e muito menos sua mão que empurrou a porta do escritório. Ele só pareceu sentir seus membros novamente quando vislumbrou Ariadne vestindo-se com uma capa escura de viagem.

- Diz que é mentira.

Ariadne virou-se assustada. Mas antes que dissesse alguma coisa, Sirius continuou:

- Diz que você não está aliada a Voldemort. Que não está protegendo o assassino de Dumbledore. Diz que tudo o que ouvi aqui é mentira, Ariadne. Que você não nos enganou. Me enganou! E muito menos que me traiu!

Mas Ariadne não disse nada. A única coisa que seu cérebro conseguia pensar era que aquilo não poderia ser verdade. Não estava acontecendo. Sirius não tinha descoberto seus segredos, seus medos...

Rapidamente, Sirius acabou com a distância entre os dois em poucos passos. Seu rosto ficou a milímetros do de Ariadne quando ele vociferou com os olhos tão escuros que a assustou:

- PELO AMOR DE DEUS, FALE ALGUMA COISA! - exigiu, segurando-a firmemente pelos braços.

- Sirius, me solta... - ela falou assustada. - Está me machucando!

- Não solto merda nenhuma! Não sem antes você me dizer que tudo o que ouvi é mentira!

Ariadne ainda se debateu, tentando se soltar, mas isso só fazia Sirius apertar mais ainda seus braços.

- Responda-me, Ariadne!

- POIS É VERDADE SIM! - foi a vez dela de gritar.

A afirmação serviu como um repelente para Sirius. Entretanto, Ariadne não se arrependera de dar tal resposta. Era como se, com ela, a mulher finalmente tivesse a oportunidade de extravasar toda a raiva que sentia, todo o medo e desespero que aquela guerra lhe trouxe. E ainda trazia.

Ela pensou que trazer Sirius dos mortos seria o começo de uma vida nova, por mais que insistisse consigo mesma de que não poderia ficar com ele. A vida dos dois como um casal nunca mais poderia ser vivida. E ela sabia disso, por mais que tentasse se enganar com o contrário. Entretanto, ver aquela certeza escrita nos olhos de Sirius foi pior que qualquer coisa para Ariadne. Era como se uma mão arrancasse todos os seus sonhos de uma só vez, deixando apenas dor e vazio, acabando com tudo o que ela um dia imaginou ter.

- Mentira... - Sirius ainda murmurou.

- Não é.

Sirius lhe lançou um olhar decepcionado e enojado, afastando-se dela, não a olhando mais. Não tinha estômago para isso.

Ariadne, em contrapartida, estava cansada. Sentia que não havia mais por que ficar mentindo. Não havia motivo para brigar por causa daquilo. E foi com a voz suave e estranhamente insensível que voltou a falar:

- Eu estou do lado de Voldemort sim. E fui eu quem contou ao Charlie que ele iria atacar Hogwarts hoje.

- Por quê?

- Porque sim - ela respondeu amargurada, embora quisesse ter gritado essa resposta.

Viu Sirius dar-lhe as costas e passar a mão pelo rosto de maneira cansada.

O que ele ainda estava fazendo ali? O que queria? Afinal, como ele mesmo dissera, ouvira os motivos dela, então, para que ficar perguntando? Mas sua voz não parecia querer obedecer a sua frustração, verbalizando seus pensamentos. Somente seus olhos começaram a demonstrar toda a tristeza que era ouvir aquela voz carregada de desprezo e ter visto este mesmo sentimento nos olhos que ela sempre amou e que sempre lhe mostraram tanto amor. Naquele momento, ela não se importou de estar chorando na frente de Sirius. Sentia que toda a dor que ela escondera e todo o sofrimento estavam finalmente deixando seu coração. Embora também soubesse que mais dor e sofrimento o tomariam. Soltou um suspiro cansado e trêmulo antes de continuar:

- Você ouviu os meus motivos, Sirius - resolveu falar, sem olhar para o homem; continuou no mesmo tom cansado e com a voz embargada: - E não vou repeti-los para você.

O homem finalmente a encarou e se aproximou, embora não muito.

- Pois espero que consiga viver com essa sua escolha, Ariadne. Agora saia deste castelo. Não precisamos de uma traidora do nosso lado.

E mesmo que sentisse estar agindo erroneamente ao ver as lágrimas deixarem em abundância aqueles olhos dourados - embora não soubesse o quão e como errado estava -, Sirius foi em direção à saída, mas, mal alcançou a porta, voltou a encarar Ariadne.

- Sabe... Eu poderia te entregar agora para o pessoal da Ordem, fazer qualquer coisa. Mas eu não sei por que não consigo fazer nada disso. E não sei se sinto mais raiva de você ou de mim por isso. Você poderia ter dado um jeito, mas não quis, preferiu... Preferiu aliar-se a Voldemort! - ele falou, ainda sem conseguir acreditar.

- E o que você queria que eu fizesse? - Ariadne retorquiu indignada.

- QUE AVISASSE QUE AQUELES MALDITOS ESTAVAM TE PRESSIONANDO! - Sirius gritou, irritado, voltando a se aproximar dela. - Você nunca foi medrosa, Ariadne, então, esse não é motivo forte o suficiente, ao menos não para mim, para você se aliar a esses assassinos!

- O quê? Você não... Como você não entende, seu grande imbecil?! - vociferou Ariadne, segurando Sirius pela camisa. A fúria em seu rosto contrastando com as lágrimas de angústia. - É o que você é, Sirius, um grande imbecil! Você queria que eu deixa-

Ele agarrou os pulsos de Ariadne, fazendo-a soltar-se dele e a impediu de continuar a falar:

- Exatamente, eu não entendo! E não me culpe ou xinge por isso, Ariadne! - ele falou agressivo e mostrando-se decepcionado. Suas mãos ainda segurando dolorosamente os pulsos de Ariadne. Falou entre os dentes: - Os motivos que você deu ao Weasley não são suficientes para eu entender. Como eu posso entender que a única mulher que eu amei em toda a minha vida, e que infelizmente ainda amo, se aliou a Voldemort? Aliou-se a vampiros? E por um motivo que poderia ser solucionado se ela não fosse tão...tão...fraca?

Ariadne abriu a boca e a fechou novamente, sem saber o que dizer. O que Sirius lhe dissera foi um baque. Ela pensou em sair dali imediatamente, contudo, não conseguiu se soltar dele.

- Meus motivos têm fundamentos sim, Sirius, e se você não entende é porque nunca me amou de verdade! - ela praticamente cuspiu essas palavras. - E não sei como você tem coragem de dizer que ama alguém depois do que me disse.

Ele a encarou, entretanto, independentemente do que fosse dizer, Ariadne não quis saber. Ela continuou falando amarga e rispidamente:

- Largue os meus pulsos. Você está me machucando.

- Você me machucou muito mais.

Ela o olhou nos olhos e repetiu entre os dentes:

- Largue-me. Agora.

Eles continuaram a se encarar, até Sirius abrir as mãos de supetão. Ariadne levou as mãos aos pulsos, sentindo o dano. Estavam vermelhos e, provavelmente, ficariam com hematomas.

- Seu trasgo imbecil. E ainda diz que me ama, tratando-me assim, como se eu fosse uma...

- Comensal da Morte - sibilou Sirius, ao que Ariadne irritou-se.

- Cale a boca!

- Uma comensal da pior espécie e que para minha desgraça eu amo! - cuspiu Sirius.

- ENTÃO ESSA DESGRAÇA É PROBLEMA SEU! - vociferou Ariadne. Esquecendo-se da dor em seus pulsos, falou ainda agressiva, os olhos já secos, embora continuassem vermelhos e inchados pelo choro de minutos atrás, e já querendo chorar mais e mais. - Se você não me entende, é porque não me ama porra nenhuma como você enche a boca para dizer! E agora, eu duvido que um dia tenha realmente me amado. Você - ela apontou o dedo para ele, acusando -, você pedia para eu lhe contar o que me atormentava, insistia, mas ainda bem que não contei. Eu só não me perdôo em ter me deixado levar por você. Por ter acreditado na porcaria de suas palavras vazias, por ter permitido que...

Ariadne hesitou, sem saber o que dizer. Mas logo continuou, sua voz carregada de dor e raiva. Os olhos voltando a deixar as lágrimas cair.

- Eu me arrependo do que aconteceu nesta maldita escola, por ter te tirado daquele maldito Arco da Morte. E me arrependo de ter feito amor com você quando nos reencontramos na porcaria daquele quarto!

- Feito amor? - Sirius falou com uma expressão de descrédito em seu rosto. Ao contrário de Ariadne, ele não chorava. Contudo, a dor que sentia ao ouvir tudo aquilo era como se alguém pegasse sua alma com as mãos e a arrebentasse sem dó e nem piedade. - Agora você chama de fazer amor? Pois saiba que eu também me arrependo em ter insistido. E mesmo que naquela noite meus desejos tenham sido saciados - falou amargurado e sarcástico -, me arrependo totalmente em ter transado com você, Ariadne. Arrependo-me por um dia ter acreditado em você! Alguém tão egoísta que sequer acredita no sentimento dos outros não merece o meu.

- Egoísta e mentirosa? Eu, Sirius? Pegue então tudo isso que você pensa de mim e VÁ PARA O INFERNO! - ela descarregou, sentindo-se acabada.

Deus, aquilo não estava acontecendo. Não poderia! Ariadne sentia que sua alma estava se partindo ao meio, se é que ainda tinha alma depois de ouvir tudo aquilo. Ficou de costas para Sirius, e sentia seu corpo praticamente se chacoalhar pela convulsão do choro. Passava as mãos pelo rosto, mas não conseguia secá-lo, pois as lágrimas pareciam infinitas! Assim como sua dor...

- Eu vou então para o inferno. Embora ache que já esteja nele - Sirius falou, e Ariadne notou que a voz dele estava embargada. Olhou-o, vendo-o lutar bravamente para conter também suas próprias lágrimas doloridas.

- Você quem é o maldito egoísta, Sirius. Você, que só se importa consigo mesmo, que também mentiu para mim. Disse que me amava, que não se importaria com o que me atormentava, que me ajudaria independentemente do que fosse, sendo que, na verdade, me olha com desprezo ao descobrir o que acontece comigo! - ela falou à medida que se aproximava dele. - Você perguntou por que te tirei daquele arco. E se faz tanta questão em ter a porcaria de uma resposta, eu te dou, mesmo que você a julgue egoísta. - Ariadne ainda esperou alguns segundos antes de responder entre os dentes, sua respiração mais ofegante do que antes: - Eu amo você, seu maldito filho da puta!

- Me ama, Ariadne? - Sirius retorquiu, sentindo-se indignado. Soltou um riso curto e sem alegria antes de continuar: - Você tem uma maneira um tanto paradoxal em demonstrar isso. Primeiro, me tira do Arco. Então, descubro que está aliada a Voldemort. - Ele a encarou furioso, seus olhos cheio de lágrimas ainda contidas. - Se você realmente sentisse algo por mim e se importasse com esse sentimento, teria escolhido ficar ao meu lado apesar do medo, e não ao lado deles.

Ariadne ergueu a mão, mais do que nunca desejando acertar o rosto de Sirius. Mas acabou desistindo, sentindo que não teria forças para isso.

- Por que desistiu? Aposto que você adoraria me bater, não é? Descontar em mim esse seu medo, essa sua frustração imbecil. Ou me ama demais a ponto de não me agredir? - perguntou com amargura e sarcasmo. - Vamos, Ariadne. O que você vai fazer? Continuar com esse teatro, fingindo que se importa com algo de bom nesse mundo, ou vai em definitivo para junto de seu lorde?

- Você não tem esse direito, Sirius - ela falou sentindo que estava prestes a morrer de tanta dor. - Não tem o menor direito de me fazer escolher entre você e Nicola.

- Eu estou me lixando.

- Então foda-se tudo isso! - Ariadne vociferou, afastando-se de Sirius, senão realmente o agrediria. - Eu não me arrependo de ter me aliado a Voldemort. Não me arrependo de nada do que fiz nessas últimas semanas só para ter Nicola vivo! E se você acha que tudo o que fiz é a merda de um egoísmo, Sirius, só para manter vivo o nosso filho... - ela bateu no próprio peito a mão espalmada ao falar de Nicola. - Eu agradeço por ter escondido de você toda a porcaria da verdade. Só espero que Nicola não sofra como eu estou sofrendo ao descobrir como você realmente é. Que a decepção dele não chegue nem na metade da minha.

E sem dizer mais nada e não querendo escutar mais acusações e mentiras, Ariadne desaparatou. E sua raiva e desespero eram tantos que nem percebeu a expressão de Sirius quando ela falou de Nicola.

No entanto, o fato de Ariadne ter desaparatado não foi à toa. Além de seu destino ser certo. Na verdade, ela precisava ir ao Castelo Negro de Strigoi, pois Sebastian a chamara. Entretanto, antes de entrar naquele hall, executou um feitiço em si mesma para retirar a vermelhidão que o choro proporcionara em seus olhos. Também respirou fundo para controlar a respiração falha que o choro sempre provoca e entrou.

- Achei que não viria mais, minha cara - Sebastian disse assim que viu a mulher à sua frente. - Estou te chamando há um bom tempo.

- Eu tinha mais o que fazer - ela falou rispidamente. - Mas já estou aqui. O que você quer?

- Qual o motivo de tanta agressividade, Ariadne? Você só veio aqui para saber a maneira de salvar seu filho. O que foi? Não está querendo mais ajudá-lo?

- Para o inferno as suas perguntas, Sebastian - ela disse entre os dentes. - Só diga a droga que quer. Ainda quero ver meu filho antes de ir para aquele inferno.

Contudo, Sebastian não disse nada. Ele parecia analisá-la, e por Ariadne não estar tão centrada em suas emoções, o vampiro conseguiu vislumbrar por um curto momento o que atormentava a mente dela. E isso pareceu diverti-lo por um lado e, por outro, irritá-lo.

- E mais uma vez a história se repete - falou Sebastian, num tom entediado, no que Ariadne o olhou com os olhos que pareciam duas fendas, tamanho sua irritação.

- Como você ousou? - ela perguntou, suas mãos fechando em punho.

Sebastian não lhe deu atenção.

- A bela e nobre Ariadne se apaixona por um mortal, o qual não a merece e ela acaba abandonada.

- Cale a boca.

- Ari, querida, você não percebe que, como na história de Creta, seu destino só será completo se você viver sua vida ao lado de um imortal tão poderoso quanto você?

- Diga o que você quer, Sebastian. Não estou a fim de conversinhas.

- Ah, sim... Já que você sofreu pela segunda vez o desprezo de um mortal, não é? Eu sei que a verdade é cruel, minha querida. O que você precisa é de alguém que a mereça, Ariadne.

- E esse merecedor seria você, não? - ela perguntou com raiva.

- Ora, e por que não?

- Simplesmente porque você fede. Você me dá nojo, Sebastian. E só estou aliada a você neste momento por causa do meu filho - Ariadne falou enojada. - Se não fosse por isso, eu já teria te matado.

- Você está muito corajosa, não, Ariadne? - Katrina falou em tom debochado. - Nem parece que o filho está nas mãos daqueles bruxos e que, a qualquer momento, podem matá-lo. Fica ameaçando o Sebastian, não levando em consideração também que Voldemort está com seu filho...

- Deixa de ser idiota e comece a pensar pelo menos uma vez na vida, mulher - retorquiu Ariadne. - Você realmente acha que Voldemort mataria Nicola? Por que, se isso acontecesse, ele seria o próximo.

- Ah, tão corajosa... - também provocou Adhara.

Sebastian não parecia se importar no que a provocação poderia acarretar, tanto é que se afastou ligeiramente, seus braços cruzados, apreciando ao "show". Assim como Aimèe, que também não parecia capaz de dizer coisa alguma.

- Se é assim - Adhara continuou com seu deboche -, por que não vai salvar seu filhinho das garras do bruxo malvado?

- Acho que vou fazer você abrir aquela cela, Adhara, assim você já derrete de uma vez quando tocar nas grades e pára de me encher o saco.

- Sebastian, querido... - falou Katrina, mas ainda encarava Ariadne - quando você vai nos permitir beber sangue novo?

- Escuta aqui, sua desgraçada - Ariadne falou, sua voz saindo rouca e seus olhos atingindo um vermelho intenso -, se você tocar no meu filho, num fio de cabelo que seja, irei acabar com você. Pessoalmente. Farei com que sinta tanta dor, mas tanta dor, que você vai se arrepender, pela primeira vez em toda sua existência medíocre, em ter se transformado numa vampira.

- Ah, sim. E você vai me destruir, não é? Sei...

- Sim, eu vou. E você sabe muito bem como.

Ambas continuaram se encarando, mas, sabendo o que aconteceria caso deixasse aquela provocação continuar, Sebastian resolveu intervir.

- Controle-se, Ariadne. Esse seu descontrole pode fazer mal à saúde de Nicola.

- Vá se ferrar, Sebastian! E enfie esses conselhos onde você bem quiser!- retorquiu Ariadne, olhando então para o vampiro com uma fúria enorme. Um sorriso surgiu nos lábios de Sebastian quando percebeu os caninos da mulher começarem a ficar pontiagudos. - Eu não acho que destruir todos vocês faça meu filho sentir-se mal.

- Não seja tola, mulher - disse suavemente, aproximando-se de Ariadne. - Se você destruir alguma de minhas mulheres, eu ordenarei que Samantha morda seu filho.

- E quem disse que essas vagabundas serão minha primeira opção?

- Porque, para me destruir, você precisa muito mais do que uma ligação consangüínea com o Conde, afinal, eu tenho este mesmo poder que você. Quem será que ganharia primeiro? Eu, você, Samantha ou Nicola?

Ariadne não respondeu. Realmente, se começasse uma luta com Sebastian, esta demoraria tanto para terminar que, assim que conseguisse sair daquele castelo, Samantha já teria mordido seu filho. E com certeza a vampira não esperaria um segundo para cumprir esta ordem. Ariadne estava realmente sem saídas. Ao menos por enquanto.

- Sebastian, diga logo o que quer.

O vampiro aumentou seu sorriso.

- Só queria dizer que está na hora de irmos. Nós iremos nos encontrar com Voldemort no centro da Floresta Negra de Hogwarts, onde algumas aranhas se escondiam.

- Ótimo. Mas vou primeiro ver meu filho naquela cela. E se Samantha se engraçar, pior para ela.

- Ela não vai, pois recebeu ordens. Pode ver sua prole tranquilamente. E te espero na floresta, Ariadne. Até daqui a pouco.

E sem dizer nada, Ariadne desapareceu.

- Você vai deixá-la ir assim? - indignou-se Katrina.

- Vou. Ela não pode fazer nada. Está com mãos e pés atados.

- Mas ela pode tentar salvar o garoto - disse Adhara.

- Pode, mas não vai conseguir libertá-lo. Samantha está dentro da cela de Nicola e Ariadne não pode abri-la.

- Mas... e se ela for com um bruxo até lá, no meio da batalha, para salvá-lo? - perguntou Adhara. - E se Ariadne deixar tudo e for atrás do moleque?

- Nesse caso, Samantha o morderá. Se bem que eu duvido que, assim que os comensais deixarem a fortaleza de Voldemort, ela perca algum tempo em fazer festinha com o filho de Ariadne.

- O que você quer dizer com isso? - Aimèe perguntou com a testa franzida.

- O que eu quero dizer, meu bem, é que, no momento em que o ataque à Hogwarts começar, Samantha tem ordens de transformar o garoto num de nós e, assim que o fizer, ir com ele para a batalha. Quero ver se Ariadne terá coragem de destrui-lo.

xxx

Sirius não soube por onde andava. Sequer havia percebido que deixara a sala de Ariadne depois que ela desaparatou. Nem sabia como andava, sendo que seu corpo estava anestesiado. Anestesiado pela dor, pela raiva, pelo vazio que insistia em permanecer em seu peito. E anestesiado pelo que ouvira daquela mulher.

Ainda não conseguia acreditar que isso era verdade. Ele achava que, pelo que ouvira atrás da porta, Ariadne apenas se aliara a Voldemort pelo vampiro a estar pressionando, causando-lhe medo, mas não! Eles tinham um filho, eles... Não, ele não poderia ter um filho com ela. Não tinha como isso acontecer, afinal, todas as vezes que eles fizeram amor não se esqueceram das medidas de prevenção. Disso ele tinha certeza! Ariadne sempre tomava conta disso, ela nunca deixava passar esse cuidado. Mas...

A verdade caiu então sobre Sirius como se fosse uma mãe enorme e muito pesada, e fazendo com que estacasse onde quer que estivesse naquele momento. Quando se despediram, antes da primeira guerra terminar, eles não usaram nenhuma proteção... E também no mês anterior, após o aniversário de Peter quando ela fora vê-lo. E desconfiava que Ariadne também não houvesse tomado nenhuma outra poção após tudo isso para impedir a gravidez. Se é que existia uma. Então, se tudo o que Ariadne lhe disse foi realmente a verdade, seu filho estava sob poder de Voldemort. Mas... onde?

- Sirius, você está bem?

O homem saiu de seus devaneios quando Remus o chamou. Ele, sem perceber, alcançara o primeiro andar do castelo.

- Não, não estou nada bem - ele disse ofegante como se tivesse corrido quilômetros até chegar ali, ainda chocado com tudo o que acontecera.

- Você foi ver Ariadne àquela hora, não foi?

- Como você sabe? - Sirius perguntou ainda entorpecido com tudo aquilo.

Remus apenas soltou um riso sem alegria pelo nariz. Ele conhecia demais aquele casal de amigos. Um mais orgulhoso e teimoso que o outro.

- O que aconteceu, meu amigo?

Mas quando Sirius não respondeu, uma feição compreensiva tomou o rosto de Remus.

- O que vocês conversaram? Ela lhe contou alguma coisa?

- Por que você está perguntando? Você sabia de alguma coisa, Remus?

Remus olhou para Tonks, que estava ao seu lado, incerto do que dizer. Isso foi o bastante para Sirius.

- Por que você nunca me contou?

- Porque... era Ariadne quem deveria dizer alguma coisa, Sirius, não eu.

- Você sabe há quanto tempo?

- Desde que ela voltou, no meio do ano passado. Ela me contou quando também me disse como te resgataríamos do Arco da Morte - Remus respondeu, achando que Sirius estava se referindo, na verdade, sobre a mulher ser uma vampira.

- Há quanto tempo Voldemort está com ele?

- Hã? Ele quem, Sirius? Do que você está falando?

- Do meu filho, Remus! De que mais eu estaria falando, droga?! - Sirius exasperou, dando um passo na direção do amigo de maneira quase agressiva.

- Você... Você tem um filho? Como...? Oh, meu Deus! Foi isso que Ariadne lhe disse agora? Merlin!

- Claro que foi isso, Remus! O que mais seria?

Contudo, Lupin não respondeu de imediato. E Tonks já estava quase perguntando do que eles estavam realmente falando mediante o silêncio do seu futuro marido, quando Hermione apareceu com Ron.

- A Profa. McGonagall está esperando por vocês no Salão Principal - disse a garota, percebendo, somente depois de tê-los chamado, a tensão entre aqueles três.

- Nós já vamos, Hermione - Remus respondeu.

Sirius, entretanto, falou:

- Não vamos porcaria nenhuma até que você me esclareça as coisas, Remus. Desde quando Ariadne esconde isso de mim? E o que mais ela está escondendo?

- Sirius, eu não acho que sou a melhor pessoa para lhe responder isso. É melhor você esperar a Ariadne, daqui a pouco ela deve estar chegando e...

- Mas ela não vai chegar droga nenhuma! - Sirius gritou, fazendo Hermione recuar assustada até chocar suas costas em Ron. - Nesse momento ela está lá fora, junto de Voldemort!

- Não... Mentira. Ela não se aliaria a ele, Sirius, isso deve ser algum engano e...

- Não é engano, Remus - naquele momento, a voz de Sirius estava derrotada. - Ela está aliada sim a Voldemort e àquele vampiro Sebastian. Ela confirmou isso para mim, agora há pouco. É ela a fonte de Charlie Weasley.

- Então eu estava certa em desconfiar.

E mesmo com a voz de Hermione saindo num murmúrio, já que falara apenas para si mesma, foi alto o bastante para todos ali escutarem.

- Mione, por favor - pediu Ron.

- Não - Sirius falou duramente, aproximando-se da garota. - Do que você está falando, Hermione?

Hermione abriu a boca receosa pela expressão de Sirius, então falou:

- Que, de-depois que descobrimos o que a Profa. Lakerdos era, desconfiamos dela. Ou melhor, eu desconfiei, já que o Ron dizia que Charlie não teria uma amiga comensal e...

- Eu também não acredito nisso, Sirius - Remus falou. - Tem algo por trás nisso tudo que...

- Claro que tem, Remus, e você sabe disso - Hermione falou sentindo-se mais decidida.

- O quê? - Sirius perguntou.

E embora percebesse que falara demais para o momento, Hermione sabia que, pelo que ouvira ali, esse fato logo seria descoberto por todos. Então, sem titubear, falou:

- Ariande Lakerdos é uma vampira.

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Alheios ao que acontecia no andar superior, o Salão Principal de Hogwarts, outrora sempre ocupado por crianças e adolescentes risonhos, encontrava-se em murmúrios tensos. Mas esses murmúrios lhe tomaram conta há apenas alguns minutos.

A notícia de que Voldemort atacaria a escola dali um tempo, fez o Salão Principal encher-se de medo e gritos. Entretanto, o controle e firmeza da Profa. McGonagall conseguiu conter os alunos.

- Todos os alunos menores de idade irão para o sétimo andar deste castelo. Os maiores de idade que não quiserem lutar poderão acompanhar os pequenos. Ninguém os irá julgar por medo, pois todos têm o direito de senti-lo numa situação dessas. Os que não podem e não querem ficar aqui, sigam o Prof. Slughorn e a Profa. Sprout.

Ficou decidido que a Sala Precisa seria o melhor lugar para um esconderijo. Ela, com certeza, não deixaria seus solicitadores na mão se eles soubessem pedir adequadamente por proteção. E assim que os que deveriam sair do Salão Principal junto dos professores o deixaram, Minerva McGonagall conseguiu avaliar quem de seus alunos estava disposto a lutar naquela guerra. Não era o exército apropriado se falássemos de força, com certeza, ou simplesmente de justiça. Mas seria o melhor, caso procurássemos em seus soldados a determinação da vitória e a fé de um dia de paz sem Voldemort.

Harry, assim como poucos alunos, encontrava-se em silêncio. Ele estava do lado de fora do Salão Principal, em frente à sua porta, olhando os jardins pela vidraça do corredor. Não via ninguém do lado de fora, mas sentia uma energia estranha que fazia os pêlos de sua nuca eriçarem. Ele sabia, embora não soubesse de onde vinha essa certeza, de que Voldemort já estava do lado de fora, esperando o momento certo para atacar.

Mas, no meio de toda aquela sensação da magia negra rondando Hogwarts, ele conseguia sentir o calor da esperança. E sabia muito bem de onde vinha. Nunca conseguiria agradecer o bastante por ter voltado em sua decisão. Se ele morresse nesse dia, sabia que ao menos uma parte de sua vida fora plena, e a responsável dessa plenitude também era responsável pela força que ele sentia naquele momento: a certeza de que a guerra acabaria naquele dia. E se ele caísse com ela, estranhamente não lhe importava, mas sabia também que Voldemort iria com ele.

Como se percebesse esse pensamento, Ginny apertou a mão de Harry na sua.

- Você tem idéia de como vai ser? - ela perguntou num sussurro.

- Não - Harry falou firmemente. E, depois de um tempo, completou: - Mas sei como vai acabar.

- Harry?

O rapaz olhou para a garota, fixando seus olhos nos de Ginny quando ela o chamou. E como se esperasse aquele momento, seu coração apertou-se de um jeito que ele nunca sentira antes. Já não tinha tanta certeza se deixaria-se morrer naquele dia caso não houvesse alternativas. Mas não dando cabo destes pensamentos, Ginny falou:

- Esses últimos dias foram os mais felizes de toda minha vida. Cada sensação que vivi com você nunca me deixará. E cada uma foi mais especial que a outra. Quando vi que você começou a me perceber como uma garota, e não como a irmãzinha caçula de seu melhor amigo. Nosso primeiro beijo, no salão comunal. A primeira vez que você sussurrou no meu ouvido, fazendo minha pele se arrepiar. A primeira vez que você me abraçou forte; quando ficamos falando besteiras; quando discutimos no verão ou aqui... E quando nos reconciliamos.

Ginny ficou de frente para ele, suas mãos segurando as de Harry. A garota sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas, mas continuou com a voz firme:

- Eu não quero pensar que essa noite foi a única que passamos juntos. Eu quero continuar a ter minhas primeiras sensações com você, e senti-las todas as vezes que repetirmos os mesmos gestos, e perceber que elas vêm cada vez mais intensas, mais verdadeiras, mais diferentes, se é que isso é possível... Eu não quero pensar que essa vai ser a última vez que vou dizer que te amo. Mas... Eu não sou boba, Harry, em pensar que também não haverá riscos.

Harry não falava nada, simplesmente por não saber o que dizer. Porém, sentia cada intensidade que aquelas palavras tinham. Cada poder que elas lhe proporcionavam. E, ao contrário do que muitos poderiam sentir no lugar dele, Harry Potter sabia que aquelas palavras lhe dariam a força necessária para a última luta que teria contra Voldemort. E ficou feliz por ter Ginny Weasley em sua vida.

- Mas... - Ginny continuou: - Se você não voltar para mim, ao fim de tudo isso, eu vou te buscar. Onde quer que você esteja.

- Eu vou fazer de tudo para voltar, Ginny. - E o rapaz a abraçou.

Um verdadeiro vidente poderia chegar e dizer que tudo daria certo, que não havia fundamentos para o medo deles. Mas, por mais esperançosas que tais palavras pudessem soar para ouvidos tão necessitados, eles sabiam que, para que o destino mudasse, poderia uma peça estar fora de lugar. E sorte era algo que Harry achava que, naquela batalha, não lhe seria mais uma arma poderosa como sempre lhe fora.

E seria errado dizer que apenas Harry e Ginny fizeram juras tão intensas naquele castelo. Não importava a idade ou o tipo de sentimento que cercavam todos naquela escola, eles prometeram que sobreviveriam e estariam ali para viverem dias melhores. Mas também seria errado dizer que todos cumpriram o prometido.

Enquanto os ocupantes do castelo esperavam na iminência da batalha, Minerva McGonagall olhava por aquele salão como nunca o olhara em toda sua vida.

Durante aqueles anos após a primeira guerra contra Voldemort, ela pedira aos deuses que pessoa alguma visse o que ela já vira, além de também ter pedido que não voltasse a ver e reviver os dias de escuridão. Mas nem sempre o que pedimos é atendido. E ela também sabia que não seria uma exceção.

Portanto, foi com resignação que ela respirou fundo e com dignidade que lançou seu olhar ao longe, visualizando pela janela o céu daquele início de primavera. E então ela viu algo que vira poucas vezes em sua vida: a lua tomar a frente do sol, enquanto nuvens pareciam acompanhar o ritmo e também bloquear qualquer luminosidade que o Sol poderia dar.

Para os trouxas, aquilo era apenas um eclipse solar. Mas, para os bruxos que sabiam o que se passava no mundo mágico, era a certeza de que a guerra iria se iniciar, pois a Lua Negra estava abençoando as Trevas. A mulher só pediu aos deuses mais uma vez: de que eles dessem força para todos de bem naquela batalha, e que sangue inocente não fosse derramado.

Contudo, sem que eles soubessem, naquele instante, no meio da Floresta Negra de Hogwarts onde antes era o viveiro de Aragogue, um punhal era cravado no coração de uma criança qualquer, que apenas estivera no lugar errado e na hora errada, propiciando seu seqüestro. E tudo isso porque era uma simples criança trouxa.

- É hoje que termino a guerra estúpida entre eu o maldito Potter - a voz de Voldemort ciciou no meio da Floresta Negra, olhando a criança, à sua frente, morrer enquanto seu sangue manchava o pequeno altar de pedras improvisado. - Hoje não vai ter como ele usar a sorte para se salvar. Hoje, Harry Potter morrerá.

Ariadne apenas olhou para a Lua, sentindo seu corpo todo se arrepiar e vibrar, como se o astro a abençoasse. Não se permitiu olhar para aquela pobre criança. Mas, se tudo desse certo naquele ritual - e que os deuses a perdoassem por pensar dessa maneira -, ela usaria essa bênção muito bem àquela noite. Lançou um olhar para Sebastian, ao seu lado, que lhe sorriu. Ela realmente saberia usar toda aquela bênção. E também sua maldição.

E dentro do castelo, também sentindo que chegara a hora, Harry soltou-se do abraço de Ginny, embora a garota continuasse ao seu lado e os braços dela continuassem mantendo-o bem firme.

- É hoje que tudo acaba, Ginny - ele falou suavemente. E não se surpreendeu, naquela vez, de quando a certeza o arrebatou. - De um jeito ou de outro, vai acabar hoje.

Ginny apenas ficou quieta, também vendo a Lua tomar a frente do Sol. Sabia que não havia nada a dizer. A não ser rezar para que aquela guerra terminasse da melhor maneira possível, e que tudo o que Harry viveu fosse apenas uma página que iria se virar também naquele dia, e se mostraria tão receptiva para a paz como nunca fora. Era só isso que ela pedia.

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A ficha de Sirius demorou a cair depois do que Hermione dissera. Contudo, à media que seu cérebro digeria o fato de Ariadne ser uma vampira, tudo parecia fazer sentido. Ela aliando-se a Voldemort, escondendo Severus Snape, sua aparência tão diferente, o jeito frio e mais amargurado e sarcástico que antes. Os olhos de Ariadne haviam perdido a inocência, a alegria que ele sempre vira; e só não pensara nisso antes com mais afinco porque apenas achou que seria cansaço daquela guerra.

Se não fosse tão burro e apaixonado por aquela mulher, teria percebido que ela realmente não era a mesma. Assim como ela lhe dissera, quando ele a puxou para seu quarto uma semana depois das aulas começarem. E este novo pensamento só deixava tudo sem sentindo, novamente.

- Foi por isso que ela conseguiu te tirar do Arco da Morte, Sirius - Remus falou, impedindo Sirius de pensar mais. - Como Ariadne mesma havia dito: ela já estava morta por ser uma vampira, então poderia entrar no arco e ter a chance de voltar.

- Você... Ela te falou por que me tirou de lá?

- Ela me disse que prometeu a Lily - Remus falou, sentindo que pisava em terreno frágil àquele momento. E vendo a expressão de Sirius, resolveu completar: - Mas, se eu a conheço como sei que conheço, esse motivo não chegou nem perto da verdade.

- Como você pode estar certo disso? - ele perguntou amargo. - Ela poderia ter enganado você como enganou a mim, Remus. Como me enganou durante todos esses anos.

- Você a está julgando, Sirius. Tenho certeza que Ariadne tem um motivo forte por estar ao lado de Voldemort.

- Claro que tem! - exasperou Sirius. - Como você bem sabe, Ariadne é uma vampira.

- Pois eu estou propenso a acreditar que nem todos os vampiros são ruins - Remus falou decidido.

- Ela é uma criatura das trevas. Ela é ruim sim! - gritou Sirius, contudo, se arrependeu ao ver a expressão de Remus.

- Se é assim que pensa, Sirius...

- Remus, eu não quis...

- Mas disse. E se você ao menos parar de agir com essa sua impulsividade que sempre te meteu em problemas, lembre-se da pergunta que me fez, Sirius, assim que nos encontramos nesse corredor, minutos atrás.

- Que pergunta? - retorquiu Sirius. Ele não conseguia se lembrar de nada.

- Há quanto tempo Voldemort está com seu filho.

- Filho? - retorquiu Ron, o que fez Sirius lembrar-se de quem poderia responder a pergunta que Remus repetiu.

- Onde está seu irmão?

- Qual?!

- Charlie.

- Acho que ele estava no Salão Principal, quando viemos aqui e...

Sirius já não ouviu mais nada do que Ron disse. Se ele se lembrava corretamente do que ouvira na sala de Ariadne, da conversa entre ela e Charlie, o rapaz estava indo buscar seu filho onde quer que estivesse confinado. Mas não iria sozinho. E se tivesse que trabalhar ao lado de Snape para isso, agüentaria pelo menos até poder entregá-lo para o Ministério.

O homem passou por Harry e Ginny em frente ao Salão Principal, mas sequer pareceu notá-los, via apenas Charlie, o qual se aproximava das pesadas portas de carvalho que já estavam fechadas, embora ainda não lacradas com feitiços protetores. Rapidamente o chamou, antes que saísse do castelo.

- Black? O que foi?

- Você está indo buscá-lo, não está? - Sirius aproximou-se do rapaz e perguntou, apenas para que ele lhe ouvisse.

- Quem?

- Nicola.

Charlie abriu a boca duas vezes, seus olhos demonstrando sua estupefação.

- Como... Ela te contou?

- Sim, por quê? Não gostou?

- Não, não é isso! Mas é que ela só disse que contaria a você depois da guerra. Só fiquei surpreso.

Na verdade, surpresa seria um eufemismo, principalmente por ver a feição amargurada de Sirius. Mas antes que o homem falasse novamente, Charlie já perguntava:

- Onde está Ariadne?

Como se fosse possível, os olhos do ex-prisioneiro escureceram-se mais ainda de raiva.

- Acho que você também sabe muito bem onde ela está. Mas não é Ariadne quem interessa neste caso, e sim o meu filho.

- Claro - Charlie concordou prontamente, embora não estivesse achando nada bom o tom de descaso com que Sirius falara no nome de sua amiga. - Ele está em Wiltshire, mas... Temos que ir até a casa de Ariadne, primeiro.

- E por quê? Não é lá que meu filho está preso.

- Não mesmo, mas precisamos nos encontrar com duas pessoas.

- Quem?

- Quando chegarmos, eu explico.

- Weasley, eu não quero demorar.

- Não iremos. Só vai depender de você.

- Então vamos logo.

E eles saíram tão rápido que Harry nem teve tempo de abordar seu padrinho para saber o que estava acontecendo.

- Mas... o que deu nele? - Ginny verbalizou a dúvida do namorado. - Onde ele e Charlie estão indo?

- Não faço idéia.

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Estava tudo silencioso, contudo, não se surpreendeu. Os olhos que se concentravam nele, desde que o dia nascera, ainda o encaravam ferina e desejosamente. Todos haviam ido para a batalha final, como ele escutara um Comensal da Morte dizer. Mas, mesmo com aquele silêncio, o ouvido dele parecia ser assaltado por um turbilhão, como se seu pensamento tivesse boca para gritar de dentro de sua cabeça.

Nicola encontrava-se sentado no canto de sua cela, as pernas próximas ao corpo e rodeadas pelos braços. Seus olhos não focalizavam nada em especial, embora percebesse os movimentos graciosos de Samantha sentada numa poltrona conjurada, do lado de fora. A porta da cela não estava fechada, pelo contrário. Entretanto, mesmo com ela escancarada, o garoto não se atrevia a tentar nada tão estúpido como uma fuga. Não enquanto a melhor oportunidade não se mostrasse. Sabia que, além da vampira, havia comensais no lugar. Outra coisa que ouvira. A cobra de estimação de Voldemort ficara na mansão, e eles estavam incumbidos de protegê-la com a vida, caso precisasse. Por que isso? Nicola não fazia idéia.

Mas ficar naquele silêncio, naquela espera por uma possibilidade de fuga, o estava enervando. Ele queria sair daquele lugar, mostrar a sua mãe que estava bem, que ela não precisaria mais ficar ao lado de Voldemort, e muito menos de Sebastian. Nicola apenas imaginava o quão torturante era para Ariadne ficar ao lado daquele vampiro que somente lhe fez mal, que matara toda a sua família. E o garoto também sabia que apenas ele poderia controlar a mãe caso ela perdesse a razão.

Levantando-se daquele catre tosco e duro, começou a caminhar pela cela. Mas apenas num pequeno espaço, para que Samantha não pensasse que ele queria fugir, aproveitando a porta da cela aberta. Não precisava de maior atenção da vampira. Entretanto, Samantha não ficou quieta por muito tempo, vendo-o daquela maneira.

- O que foi, meu querido? Qual o motivo da inquietação?

- Nada que te interesse - Nicola respondeu ríspida e rapidamente.

Samantha descruzou suas pernas e, distraidamente, olhou as unhas das mãos.

- Sabe de uma coisa? Você precisa de uma boa educação. Acho que Ariadne falhou um pouco nisso.

- Obrigado, mas estou feliz com a educação que minha mãe me deu.

- Ah, isso porque não é você quem está cuidando de um garoto petulante e mimado.

- Claro. - Nicola a olhou com um meio sorriso nos lábios. - Afinal, não sou burro a ponto de virar babá.

- E se isso foi uma indireta, quem você chamou de babá foi a mim, certo?

- Não, chamei de burra mesmo.

Samantha riu.

- Mas, meu bem, eu não sou burra. E você não sabe o quão rápido eu pego as situações no ar.

- Se você não fosse uma vampira, eu pensaria que você voava feito uma galinha para pegar as..."situações no ar". Então, acho que vou te comparar a um morcego mesmo.

- Pode ser deseducado o quanto quiser, Nicola, mas, quando eu for dar a educação que você precisa, não reclame.

- Vai me colocar num colégio interno? Estou chocado.

E por mais que essas provocações não soassem prudentes, Nicola não conseguia se segurar. Estava há tempo demais naquele lugar, rodeado de gritos de pavor, de dor... Outros prisioneiros morrendo por descaso, pela tortura. E ele sendo obrigado a ouvi-los morrendo, a ter pesadelos, pensando que nunca sairia daquele lugar, que sua mãe se perderia no momento em que o visse morto. Era demais para um garoto de quase dezesseis anos suportar e ficar quieto. E ficar sóbrio o tempo todo.

- Não, não seria bem um colégio interno, meu querido. E sim num castelo negro, na Romênia - Samantha falou. - Conhece?

Nicola olhou para a vampira e viu que os olhos dela brilhavam mais que tudo, a pupila numa junção perfeita com sua íris, sendo impossível de perceber onde terminava uma e começava a outra. E, mesmo não demonstrando, sentiu medo ao vê-la entrando na cela, pisando no chão de maneira suave e aproximando-se dele vagarosamente.

- E você acha que eu iria até lá de bom grado? - ele perguntou, estudando avidamente as possíveis rotas de fuga.

- Claro que sim. No momento em que eu cravar meus dentes nesse pescocinho.

- Você não pode tocar em mim enquanto eu estiver com esse colar. E minha mãe não está em outra dimensão, como da outra vez, para que o colar perca seu efeito.

- Eu sei da proteção que o envolve, meu bem - Samantha falou suavemente e com um sorriso em seus lábios. - Como eu lhe disse, não sou burra. Mas você se esqueceu que há comensais aqui? E que um simples feitiço pode arrancar essa correntinha idiota?

Instintivamente, Nicola levou a mão até a corrente que havia em seu pescoço, sentindo o adorno circular gelar sua pele.

- Vocês não vão conseguir.

- É mesmo? E quem vai impedir, meu bem? Sua mamãe?

- Não. Eu vou.

Samantha olhou na direção da porta da cela e viu um homem com uma feição furiosa em seu rosto. E se ela realmente tivesse a inteligência que tanto vangloriou para Nicola, teria saído daquele lugar no mesmo instante. Mesmo não sendo uma mãe que estava ali para proteger seu filho. E, por ela não saber quem estava à sua frente, achou que não perderia nada perguntando.

- Ah, e você seria quem? O papaizinho dele? - perguntou com sarcasmo e desdém, o que fez o homem dar um meio sorriso. E Samantha reconheceu aquele sorriso imediatamente. O mesmo que Nicola lhe dera há alguns minutos.

- Isso mesmo, meu bem. Prazer, sou Sirius Black.


N/B Georgea: Repetindo meus comentários durante a betagem: AI, MEU DEUS! Esse Sirius é tu-do! E se o filho puxar o pai... Ui! Rsrsrsrsrsrsrsrs Amei, ele descobrindo que é papai e, logicamente, a reação passional que se seguiu. Ótimo final, Livinha! Com direito à dancinha e tudo. \o/ Bjux, mana!

N/A: AH, eu amo Sirius Black e seu jeito imponente!! E quando esse jeito mistura-se ao jocoso, então!!rsss... Amo escrever isso!!hihihihi..

Mas... aihm... T.T Como me doeu escrever a cena da Ari e do Sirius... fiquei tão angustiada que nem sei!! Mas, a fic está indo para a reta final!!! E logo o "fim feliz" chega... (autora ergue as mãos pro céu e pede fervorosamente que isso aconteça - embora já saiba o final..hihihihi)

Espero que tenha conseguido passar a tensão que o capítulo tanto pede! E espero que tenham gostado. (Ou instigado a ler o próximo..rsrsrs).

Obrigada por quem acompanha a fanfic e também comenta!! Beijos especiais para:

Osmar, Sana, Michy, Amanda Regina Magatti, Bianca Evans, Kelly, Priscila Louredo, Tina Weasley Potter (fiquei muito feliz em tê-la como nova leitora, Tina! E sim, a Ariadne provoca várias emoções em nós..rsrs..) e Paty Black (eu tenho que me controlar com as provocações.. msn é uma coisa, mas aqui é outra..hihihi..)

E não se esqueçam de participar da campanha: FFF! Faça um Ficwriter Feliz! rsrs..

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Beijos a todos,

Livinha