Capítulo 27 - A Primavera

As batidas do meu coração eram altas e desconfortáveis no meu peito enquanto nos aproximamos das duas figuras paradas em silêncio na varanda.

Alice estava ao meu lado, Santana atrás de mim, e tudo que eu podia ver era a minha frente.

Um nódulo desconfortável se formou na minha garganta enquanto os dois homens viraram para nos ver quando nós fizemos nosso caminho lentamente na direção deles. Cada passo que atingia o solo era pesado com a ansiedade, excitação, tensão e expectativa. Eu reconheci o cabelo loiro de Jasper claramente no ar luminoso, o sol refletindo o dourado. Mas toda a minha atenção estava voltada para o homem silencioso à sua esquerda.

Eu podia sentir mais do que eu podia ver o intenso olhar de Edward dirigido inabalavelmente em mim.

Olhei de soslaio para Alice, minha mão apertando a corda de Santana momentaneamente. Parecia que toda a animação despreocupada da manhã havia se dissipado em poucos segundos. Eu podia sentir a tensão e a energia nervosa se construindo dentro de mim, e tudo o que tinha sido fácil e maravilhoso sobre o dia parecia fora de alcance, como se tivesse sido algo de outra vida.

Esta manhã havia sido a primeira vez que senti verdadeiramente a primavera.

A neve estava quase completamente desaparecida, tornando o solo mole e lamacento no caminho até a cabana. A grama que tinha saído de debaixo da cobertura de gelo era dourada e marrom, com apenas uma ponta nua de verde. As árvores estavam naquele estágio silencioso e indescritível exatamente antes dos brotos começarem a aparecer em seus ramos; uma promessa silenciosa do que estava por vir. Eu quase podia sentir a mudança acontecer.

Enquanto eu andava, senti como se toda a terra tomasse uma respiração profunda, em preparação para o crescimento e floração e para a vida. Tudo que eu podia sentir era a antecipação e esperança em torno de mim, e eu era incapaz de ignorar isso.

Quando eu tinha chegado à cabana dos Whitlock um pouco depois das sete, Alice estava esperando por mim lá fora, batendo os pés com impaciência na varanda. Seus olhos brilharam quando ela me viu me aproximando, e antes mesmo de eu alcançá-la, ela moveu seus pés e estava fazendo o seu caminho para mim com um largo sorriso esticado através das suas feições.

"É primavera!" Ela gritou em júbilo, ecoando os meus pensamentos simples e claramente, a mudança no clima tão clara e óbvia para ela como estava para mim.

Eu sorri para ela. "Sim, é".

Pegando a minha mão, ela levou-me ao redor para os cavalos, conversando animadamente enquanto levamos os cavalos para os campos. Assim que os soltamos, eles rasgaram toda a pastagem, seus cascos chutando até pedaços grandes de terra afofarem. Nós prestamos atenção a eles por um longo tempo, nossas risadas cortando claramente através da terra, flutuando no amanhecer sem esforço.

O resto da manhã foi gasto com uma energia exuberante, irreprimível. As barracas demoraram muito mais do que normalmente demoravam, enquanto conversávamos e atirávamos feno no cabelo uma da outra e éramos distraídas com nada e tudo. Toda vez que nós despejamos nossos carrinhos de mão, Alice subiria no meu e pediria para eu empurrá-la de volta para o celeiro o mais rápido que eu pudesse. Eu correria e correria e correria até que batia em um pedaço de barro e, em seguida, perderia o controle, despejando-a no chão. Isso aconteceu três vezes antes de Alice desistir da idéia.

Algumas horas mais de tarefas lúdicas nós nos encontramos arrastando os cavalos para fora do campo para uma caminhada ao redor da propriedade. Alice se pendurou em sua pequena Jesse sem sela, guiando-a apenas com a corda do seu cabresto. Santana se arrastou atrás de mim com facilidade, comportando-se no ar quente. Mas de vez em quando, eu sentiria um pequeno cutucão no meu cotovelo, que eu ignorava. Isso se transformou em uma divertida puxada na minha camisa e, finalmente, pequenas roçadas contra a minha pele. Quando eu chicoteei ao redor para encarar o cavalo, ele empurraria sua cabeça para cima e me olharia inocentemente. Eu sorriria e nós continuaríamos andando.

Mas quando voltamos, ele estava me esperando na varanda da cabana.

Eu não estava infeliz ao vê-lo, eu não estava relutante, ou com medo, ou sentindo alguma coisa, como eu teria sentido semanas antes. Eu certamente não tinha esquecido que ele estaria vindo para terminar o telhado. De fato, desde que Emmett se foi na tarde de quinta-feira, eu tinha pensado muito pouco nisso. Era quase como se eu esperasse me sentir diferente quando nos encontrássemos, quando nos falássemos. A impossibilidade da expectativa pesava sobre mim, tudo correndo de volta até a frente da minha mente quando eu o vi ali, olhando-me da cabana dos Whitlock.

Aproximei-me com ansiedade, puxando meu rabo de cavalo enrolado com uma mão e olhando para a minha roupa suja com tristeza. Os dois homens desceram as escadas para nos encontrar e quando paramos diante deles, eu finalmente olhei para cima e encontrei os olhos de Edward.

O ar primaveril havia combinado com ele e pareceu afetá-lo da mesma forma que tinha afetado tanto Alice quanto eu. Havia uma onda de cor em seu rosto, que era dramática contra a sua pele de alabastro. Seu cabelo parecia absorver a luz do sol em vez de refleti-la e seus olhos brilhavam um verde vibrante quando trancaram com os meus. Meu olhar se perdeu na camisa de mangas compridas cinza e no jeans velho que ele estava vestindo confortavelmente, me perguntando se eu já tinha o visto tão à vontade.

E essa era a diferença.

Havia uma leveza sobre ele que era completamente inesperada. A intensidade do seu olhar tinha sido substituída por um olhar de curiosidade despretensiosa, como se tudo no mundo fosse novo para ele.

Inclusive eu.

Quando seus lábios tremeram em um pequeno sorriso, eu percebi que estive encarando.

"Oi." Eu disse baixinho, limpando a minha garganta.

"Olá." Ele respondeu. Seus olhos dispararam brevemente para o grande cavalo que eu estava segurando e eu recostei-me inconscientemente. Senti Santana contra as minhas costas, poderoso e sólido, e eu me senti um pouco mais forte, um pouco mais calma.

"Oi, Edward." Alice disse com um sorriso, sua voz surpreendentemente quente, considerando o teor da conversa tensa deles de antes. Ela pulou sem esforço do lombo do seu cavalo e se moveu para ficar ao meu lado.

Edward acenou com a cabeça educadamente em reconhecimento antes do seu olhar voltar para mim. "Então." Ele perguntou. "Amigo seu?" Seus olhos permaneceram fixos no cavalo vermelho atrás de mim.

Olhei por cima do meu ombro para Santana, que estava olhando fixamente para o meu marido, seus olhos escuros e suas orelhas eretas para frente. Ele estava - notadamente - completamente parado atrás de mim, não arranhando o chão, ou dançando ao redor como sempre fazia. Seu corpo inteiro estava tenso, no entanto, e todas as suas roçadas brincalhonas e puxadas foram esquecidos no passado. Era estranha como a sua postura e atitude espelhavam a minha.

"Sim." Eu disse com um sorriso tímido, observando Santana encarar Edward com uma confiança que eu não sentia. "Eu acho que sim".

Arrastei meus olhos para longe do cavalo sobre o meu ombro, olhando de volta para Edward e esperando ansiosamente que ele dissesse alguma coisa.

"Você vem aqui todas as manhãs?" Ele perguntou por fim, seus olhos ainda sacudindo para Santana a cada poucos segundos. Eu não poderia dizer se havia uma preocupação em seu rosto, ou se era tudo uma curiosidade desmascarada.

Pisquei para ele por um momento, confusa, antes de responder. "Não?"

"Só hoje?" Edward sorriu um pouco mais, seus olhos faiscando com algo como diversão. Disfarçado, embora houvesse um pedaço de dor que estivesse quase imperceptível, mas que eu vi nas linhas apertadas da sua mandíbula.

Ele não fez a outra pergunta. Você veio aqui para me evitar?

Ele não teve que perguntar. Eu a ouvi.

"Eu ia voltar logo." Eu disse rapidamente, verdadeiramente. "Eu não estava esperando que você chegasse até o meio-dia".

O rosto de Edward relaxou um pouco.

"Eu sei." Ele deu de ombros, concordando. "Mas eu tenho muito trabalho a fazer".

"Quer que eu o acompanhe até a casa da fazenda?" Eu me ofereci, sem sequer pensar nisso.

Houve uma longa pausa.

Edward me encarou, sua boca ligeiramente aberta. Alice e Jasper permaneceram em silêncio, olhando para frente e para trás entre nós, sem dizer uma palavra.

Sentindo meu rosto corar um pouco, eu acrescentei, "Eu posso ajudar com o telhado".

Isso pareceu estalar Edward do seu choque.

"Oh." Ele gaguejou, sem jeito. "Não, se você quiser ficar aqui, não." Ele balançou a cabeça com firmeza. "Isso... não é necessário".

Sentindo meu rubor se aprofundar com a rejeição, eu olhei para longe, para os meus pés. "Ok, bem..."

"Oh, por favor, Bella. Vá com ele!" Alice gritou de repente, sua voz brilhante e alegre. Isso cortou o esforço e tensão imediatamente.

Meus olhos se agarraram aos dela com confusão, só para encontrá-la olhando para mim incisivamente.

"Você tem que se trocar se você e eu vamos fazer aquele banquete." Ela disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Então ela fez uma pausa e – inclinando-se para a frente levemente - ela cheirou-me com uma careta. "E você pode querer tomar banho também".

Eu tinha certeza que a minha pele estava à beira de explodir em chamas. Eu bati meus braços para os lados rapidamente, rígida de mortificação. Alice sorriu com a minha reação e eu olhei para ela em aborrecimento. "Do que você está falando?" Eu murmurei, incapaz de esconder a irritação que eu sentia em minha voz.

"Jasper pode ajudar Edward com o teto." Alice disse, piscando para o seu marido antes de voltar para mim com um sorriso. "Não que você seja de muita ajuda, de qualquer maneira".

"Hey!" Eu disse, indignada. "Eu ajudei Emmett com... a coisa das medidas".

Alice balançou a cabeça e deu um tapinha em cima da minha cabeça indulgentemente. "Sim, você ajudou".

Eu estava debatendo se devia ou não empurrá-la na lama quando Jasper falou.

"Eu ficaria feliz em ajudar." Ele disse suavemente, sua voz suave e gentil e imediatamente nos acalmando.

Olhei para os dois homens, que pareciam estar assistindo a nossa troca com algum interesse.

Edward virou-se para Jasper com um sorriso chocantemente cordial. "Eu tenho que admitir." Ele disse, parecendo aliviado. "Seria bom ter alguém lá em cima que sabe o que está fazendo".

Jasper concordou com a cabeça em silêncio.

Os dois voltaram a olhar para mim e eu suspirei.

"Então nós vamos fazer o jantar?" Perguntei a Alice, a contragosto.

"Não, Bella. Nós não vamos fazer o jantar." Ela disse com desgosto. Então ela abriu seus braços em um grande gesto e declarou confiantemente, "Vamos fazer o mais delicioso e magnífico banquete de Ação de Graças".

"Nós vamos?"

"Sim." Ela disse com um aceno firme. "Nós vamos".

Com isso, Alice enxotou-nos para longe, prometendo que Jasper faria o seu caminho para lá depois que ele a ajudasse com os cavalos. Eu relutantemente entreguei a corda de Santana e me virei para Edward, imediatamente sentindo-me estranha. Por alguma razão, sem o grande cavalo vermelho nas minhas costas, eu me senti extremamente vulnerável.

Edward enfiou as mãos nos bolsos e acenou com a cabeça em direção à casa da fazenda em uma pergunta silenciosa. Eu balancei a cabeça em resposta e ele virou para caminhar de volta, comigo caminhando ao lado dele.

Caminhamos em silêncio até que estávamos em cima da colina.

"Como foi sua semana?"

Olhei para Edward enquanto caminhávamos, surpresa com a sua pergunta repentina, mas ele estava olhando para a frente, seu rosto revelando nada dos seus pensamentos.

"Boa." Eu respondi, afastando-me dele com um encolher de ombros. "Foi bom ver Emmett".

"Ele me disse que você estava parecendo um pouco doente naquele dia." Ele comentou.

Eu não pude segurar o pequeno sorriso que tocou os cantos dos meus lábios.

"Não." Eu discordei. "Eu só estava me cagando de medo de cair do telhado em uma morte certa".

Eu ri um pouco, mas Edward ficou quieto ao meu lado.

"Ele não deveria ter forçado você a ajudá-lo." Ele disse depois de um momento, sua voz surpreendentemente dura.

Eu olhei para ele, levantando as sobrancelhas quando eu o vi pressionar seu maxilar, como seus olhos tinham se estreitado ligeiramente.

"Foi divertido, Edward. Sério." Assegurei a ele, um pouco perplexa. "Eu não sou tão indefesa quanto você acha que eu sou." Ele olhou para mim no momento exato e eu corei. "Ou... eu sou," eu me corrigi, "mas eu não quero ser".

Edward se afastou de mim outra vez com um aceno de cabeça, seu tom de reprovação crescendo. "Não creio que arriscar sua vida é a maneira correta de aprender a ser independente".

Eu me senti como uma criança.

"Eu não estava arriscando a minha vida." Eu respondi, minha voz um pouco mais afiada. "Você subir e descer aquela escada não é um problema. Eles chamam isso de medo irracional por uma razão, você sabe".

Edward suspirou, mas não relaxou.

"Você tem que admitir, porém." Ele disse quando chegamos à casa e subimos os degraus da varanda, lado a lado. "Você é a própria encarnação da Lei de Murphy." Houve um pequeno sorriso que desapareceu rapidamente sob uma carranca e outra chacoalhada firme da sua cabeça. "Foi irresponsável da parte dele".

"Então hoje, se Jasper não tivesse se oferecido, você não teria me deixado ajudá-lo?" Perguntei a ele, parando em frente da porta e balançando para encará-lo.

Ele me olhou fixamente e não disse nada.

Quando eu finalmente decidi que não receberia uma resposta, eu me virei e caminhei pela porta da frente rapidamente. Eu não tinha certeza se ele me seguiu ou não, mas pelo tempo que saí para voltar para a cabana, ele e Jasper já estavam trabalhando em cima do telhado.

Eu não o vi novamente até o jantar.

Eu estava colocando uma tigela de purê de batatas fumegante sobre a mesa quando Edward e Jasper entraram. Eles estavam sujos e um pouco suados e mesmo do outro lado da cabana eu poderia dizer que eles estavam famintos. A camisa cinza de Edward estava enrolada até seus cotovelos e coberta com lascas minúsculas de madeira. Seu cabelo estava uma bagunça, seus olhos brilhavam, e ele sorriu para mim quando me viu.

Eu arrumei a mesa e limpei as mãos nervosamente no meu jeans.

Saudações foram feitas, Alice afastou Jasper para longe quando ele tentou tocá-la, e ela exigiu que eles lavassem as mãos imediatamente. Eu me pendurei ligeiramente para trás e murmurei um silencioso "olá" quando Edward passou por mim no caminho para a pia.

Era tão estranho como eu me sentia nervosa em torno dele.

Eu sabia que era diferente do medo que eu tinha sentido nos últimos meses, que era o medo nascido da raiva e ódio e culpa. Este era um nervosismo na boca do estômago, que me fazia ficar tensa e insegura de como agir. Meu estômago girava com a visão dele, ou com a idéia de falar com ele, ou de tocá-lo. Era como se de repente eu estivesse apavorada com o que ele pensava de mim, de como eu deveria me comportar em torno dele, do que era adequado e o que não era. Coisas que eu nunca tinha me preocupado ao redor dele e de repente estavam consumindo todos os meus pensamentos e movimentos.

Fui a última a me sentar, garantindo que tudo estava perfeito antes de deslizar silenciosamente para a cadeira ao lado de Edward. Alice me deu um sorriso encorajador do outro lado da mesa e eu acenei de volta, puxando o guardanapo no meu colo.

"Então, Edward." Alice disse, uma vez que todos estavam estabelecidos e tinham começado a comer. "Como está o telhado?"

Edward engoliu rapidamente antes de responder. "Perfeito." Ele disse, sua voz mais feliz do que eu tinha ouvido em muito tempo. "Embora a maioria das coisas tenha sido Jasper que consertou".

Jasper balançou a cabeça em sinal de protesto. "Eu mal balancei um martelo".

"Certo, me desculpe." Edward pediu desculpas de brincadeira antes de emendar: "Eu fiz todo o trabalho real... e ele me disse o que fazer".

Jasper riu e Edward sorriu de volta para ele. Senti uma pequena pontada, observando-o sorrir tão largamente. Eu me senti como se, antes deste momento, eu tivesse esquecido como ele era quando fazia isso.

"Mas você cumpriu as minhas ordens muito bem." Jasper disse encorajadoramente enquanto bebericava seu vinho. E ele acrescentou com um sorriso, "Já pensou em entrar na construção? Você poderia ter um futuro de verdade nisso".

Edward revirou os olhos quando vi uma pontada leve de rubor corar através das suas bochechas. "Muito engraçado." Ele resmungou para o sorriso de Jasper.

Alice olhou entre os dois curiosamente, seus olhos brilhando. "O que estamos perdendo?"

Jasper bufou e admitiu, "Edward pode ter... se machucado no cumprimento do dever".

Com isso, Edward levantou a mão esquerda timidamente para que Alice e eu pudéssemos ver a gaze branca acondicionada em torno de dois dos seus dedos.

Mesmo sem perceber que eu estava fazendo isso, eu agarrei o pulso da sua mão esquerda e o puxei para perto de mim para examinar sua mão, meus dedos percorrendo o curativo com cuidado. "Você está bem?" Perguntei-lhe em voz alta, a minha testa franzida.

Edward não resistiu ao contato, permitindo-me tranquilamente segurar a sua mão com a minha surpresa, mas a mesa ficou em silêncio quase que imediatamente. Tão logo percebi os olhares e o calor da sua pele em minha mão, eu a liberei em horror. Eu podia sentir meu rosto queimando intensamente e agarrei o copo de vinho na minha frente, tomando um gole quando afundei em minha cadeira, constrangida.

"Estou bem." Edward disse suavemente, olhando para mim com uma expressão curiosa quando deixou cair sua mão de volta em seu colo.

Foram vários minutos de silêncio depois disso enquanto nós comíamos.

Escolhi a minha refeição sem entusiasmo, não realmente provando muito da comida enquanto eu a arrastava até meus lábios. Encontrei-me inclinando para longe de Edward minuciosamente, como se o retorno repentino da tensão estivesse fisicamente me empurrando para longe dele. Desejei com todo o meu coração que eu não tivesse tocado nele e que ele não tivesse olhado para mim daquele jeito. Como se eu fosse uma estranha.

Edward não pareceu notar o meu desconforto. Na verdade, tanto ele como Jasper pareceram não perceber nada pelos próximos minutos, exceto a comida em seus pratos. Eles a comiam com vontade e entusiasmo. Alice comeu mais do que eu, mas ela estava comendo devagar, olhando para mim de vez em quando com cuidado. Revirei os olhos para ela e levantei uma grande garfada de batata na minha boca.

Alice, incapaz de permanecer em silêncio por mais de cinco minutos em uma hora, falou no final. "Então, o que vocês acharam?" Ela perguntou, olhando de Edward para Jasper e vice-versa.

Jasper engoliu uma grande mordida, lavando-a com o vinho antes de olhá-la intensamente. "Eu nunca experimentei uma refeição tão deliciosa." Ele disse com uma notável quantidade de sinceridade.

Alice balançou a cabeça, satisfeita. "Correto".

Ela sorriu para ele e ele bateu o ombro contra o dela carinhosamente, antes que ele voltasse a comer vigorosamente. Eu não pude deixar de sorrir suavemente para os dois, olhando para o meu próprio prato e cutucando meu garfo na cenoura.

De repente, senti uma lavagem de ar quente no meu ouvido.

"Está delicioso." Edward disse baixinho, inclinando-se e olhando diretamente para mim.

Eu puxei minha cabeça para cima, surpresa com o elogio, e ele sorriu para mim amavelmente.

Eu podia sentir aquele rubor inevitável começando a engatinhar por trás do meu pescoço e eu olhei para o meu prato de novo, desta vez com um prazer silencioso.

"Alice fez a maior parte." Eu disse com um encolher de ombros.

"Bobagem." Alice disse em voz alta, acenando com a mão. Quando olhei pra ela, ela piscou para mim antes de rir. "Bella fez todo o trabalho real... eu só disse a ela o que fazer." Ela repetiu as palavras de Edward.

Eu encontrei-me rindo levemente junto com todos os outros.

Edward se virou para olhar para mim com um sorriso. "Eu vejo que nós somos fantoches nas mãos deles".

"Nós somos um casal de bodes expiatórios." Eu concordei com um aceno.

Eu podia sentir o constrangimento estranho na sala se dissipar lentamente depois disso, todo o meu corpo relaxando finalmente para a noite e a companhia. Eu beberiquei meu vinho e me permiti sentir o calor do meu corpo, as bordas afiadas do brilho da sala até que estivessem suaves. Eu não vacilei quando os dedos de Edward roçaram os meus quando eu passei-lhe o pão e eu não corei quando ele pegou meu guardanapo do chão e entregou-me com um sorriso.

Eventualmente, todos abrandamos, acabando a refeição um por um. Eu fui a primeira a parar de comer e Edward foi o último, finalmente empurrando o prato para longe às oito horas com um sorriso satisfeito e inclinando para trás em sua cadeira. A conversa acabou quando todos nós caímos nos efeitos calmantes e agradáveis da comida e do vinho. Terminei meu terceiro copo quando nós todos nos levantamos para limpar a mesa. Deixamos pratos e talheres sobre a pia e cobrimos os restos de comida para colocar na geladeira.

Enquanto eu lavava meu prato, Edward se moveu para ficar ao meu lado, raspando seu prato no lixo. Eu estendi minha mão e o peguei dele.

"Você já teve a chance de entrar para ver o quarto frio?" Perguntei a ele curiosamente, já não me sentindo nervosa quando falava.

"O quarto frio?" Alice perguntou do outro lado do balcão. Ela andou até ficar no meu outro lado, ligando a torneira e pegando o prato das minhas mãos para começar a enxaguar. Então, ela o devolveu para mim, acenando para o escorredor sugestivamente. Eu sequei o prato e o coloquei no balcão.

Eu sorri para a pergunta dela quando começamos a trabalhar e expliquei, "Você conhece o quarto dos fundos da casa que você estava me ajudando a limpar? Bem, o calor não chega naquele quarto, por isso nós o chamamos de 'quarto frio'".

Alice zombou, "O lugar perfeito para um quarto".

Abri minha boca para responder, mas a fechei novamente quase que imediatamente.

Eu realmente não queria dizer a ela que eu tinha dormido nesse mesmo quarto por meses, que ele tinha sido meu santuário e prisão por meses. Nem queria dizer a ela que ele havia pertencido a Edward. Nenhum desses fatos eu particularmente senti a necessidade de ocultar ou guardar segredo, eu só sentia que eu particularmente não queria compartilhá-los.

Eu podia sentir os olhos de Edward em mim quando assenti com a cabeça e permaneci em silêncio, não respondendo a Alice. Eu não poderia dizer se ele estava agradecido ou aborrecido.

Eu me virei para olhar para ele de novo, esperando a sua resposta.

"Não." Ele disse com um sacudir apologético da sua cabeça. "Eu não o vi. Na verdade, eu não entrei na casa".

"Oh." Eu disse, me sentindo um pouco desapontada por ele não ter visto o meu trabalho. "Bem, está praticamente metade feito. Tive que recorrer à ajuda de Alice por alguns dias e Jasper pode ter nos dado alguns conselhos inestimáveis envolvendo água e vinagre... mas eu devo ser capaz de terminar a maior parte dele sozinha em poucos dias".

"Bem, se você quiser ir à cidade quando tiver terminado, podemos comprar algumas tintas." Edward sugeriu.

Pisquei para ele. "Tudo bem".

Edward acenou com a cabeça e sorriu para mim antes de sair, de volta para a mesa onde Jasper estava levantando guardanapos e escovando migalhas da madeira. Voltei a concentrar-me na secagem dos pratos, um clima calmo, agradável e contente entre Alice e eu.

Alguns minutos depois, ouvi um barulho de metal perto da porta da frente e eu chicoteei ao redor para ver Edward pegando as chaves do carro enquanto falava com Jasper em um tom baixo, sua voz calma e ininteligível à distância.

Eu guardei o último prato, sem secá-lo, jogando o guardanapo no balcão e atravessando a sala rapidamente. "Você vai embora?" Perguntei a ele, a minha pergunta nem pressionando, nem exigindo, mas sim um pouco de ambos.

Edward me olhou com uma surpresa momentânea.

Jasper desculpou-se calmamente e dirigiu-se para tomar o meu lugar com Alice na pia.

"Está ficando tarde." Edward respondeu finalmente, com um encolher de ombros.

Mordi meu lábio, lutando comigo brevemente antes de eu botar para fora, "Você pode ficar lá em casa." As sobrancelhas de Edward subiram e eu engoli em seco, tomando uma respiração profunda. "Eu limpei um pouco o quarto de Rosalie. Quero dizer, a maior parte do lixo ainda está lá, mas eu limpei a cama e lavei os lençóis e cobertores e espanei tudo e..." Eu parei, sentindo-me tola.

Edward deu um passo em minha direção e sorriu suavemente. "Isso é muito gentil da sua parte, Bella, mas eu realmente deveria ir para casa".

"Você tem certeza que está bem para dirigir?" Perguntei, lembrando-me da semana passada.

"Eu não bebi nada esta noite." Ele me disse baixinho.

Abri a boca, tentando lembrar dele bebendo o mesmo vinho que o resto de nós. Eu só podia lembrar dele bebendo água do copo ao lado do seu vinho, o líquido púrpura completamente intacto ao meu lado. "Oh".

Um silêncio constrangedor desceu e eu pude sentir meus nervos começarem a retornar. Edward estava me olhando atentamente, e embora o seu olhar não fosse cruel, ele não oferecia qualquer indicação do que ele poderia estar pensando. Olhei para os meus pés como se fossem, de repente, profundamente fascinantes.

Sem aviso, senti um leve escovar contra o meu braço. Um choque de calor percorreu-me com o contato e minha cabeça levantou lentamente, olhando de soslaio para os dedos longos que estavam traçando ao longo do tecido da minha manga com uma suavidade incrível.

Após um momento, a mão de Edward caiu de volta ao seu lado e olhei para o seu rosto, meus olhos encontrando com os seus curiosamente.

"O jantar foi maravilhoso." Ele disse calmamente, sua voz tranquilizadora. Em seguida, ele acrescentou, "Ligue-me quando quiser para procurar as cores de tintas e nós vamos trabalhar em algo".

"Ok".

Edward hesitou antes de limpar a garganta. "Bem, eu vou te ver em breve".

"Ok".

Ele se afastou de mim e então deu um adeus a Alice e Jasper, agradecendo-os por toda a ajuda e hospitalidade. Eu mal ouvi o que ele disse, eu só o observei em silêncio, desejando que eu tivesse a coragem de dizer algo mais a ele. Eu olhei para ele, para a satisfação no seu rosto e o brilho em seus olhos; senti o calor remanescente do seu breve toque, e era primavera. Eu podia sentir o calor e a calmaria correndo em minhas veias e me perguntei se não era nada além de um efeito colateral do álcool.

Eu me senti mais fria, só um pouco, quando Edward saiu pela porta da frente e a fechou atrás dele.


Nota da Irene: Oi meninas, ai ai... a Bella está tão apaixonada. Quando ela não tem coragem de falar eu me imagino gritando pro Edward atrás dela: Se toca, ela te ama seu leso!

Mas essas lembranças dela, cada vez mais nos levam a acreditar que ele sofreu demais por ela. Então anos de sofrimento Não são curados só pq ela agora acha que está apaixonada por ele. Certo?

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