Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling. Essa história também é inspirada em "A Shattered Prophecy", do Project Dark Overlord.
Chapter Twenty Eight – Duelling Clubs and Quidditch Teams
*Clube de Duelos e Equipes de Quadribol
Os grifinórios não estavam felizes. Eles ainda estavam no zero, quatro semanas completas desde o início do trimestre e não obtiveram qualquer resultado. Tudo por causa de uma brincadeira. Rumores a respeito de quem foi o responsável pelo vandalismo no Salão Principal se espalharam pela escola. Todo mundo sabia que a mercadoria de Fred e George foi usada para causar a destruição, e, naturalmente, nem todos acreditavam que os gêmeos peraltas eram inocentes. A eles dois foi dirigida a maior parte da animosidade, companheiros de Casa os repreenderam por fazer uma brincadeira tão estúpida. Aqueles que sabiam que os gêmeos não eram tolos o bastante para destruir a escola, exigiam saber a quem, de fora da Grifinória, eles venderam as mercadorias. Os gêmeos achavam que responder só serviria para deixar os outros mais irritados. Assim, optaram por mentir, dizendo que algumas mercadorias foram roubadas.
A suspeita prontamente caiu sobre a Sonserina, cujos alunos colocavam fogo na história ao zombar abertamente dos grifinórios e de sua falta de pontos. Draco Malfoy era o líder, provocando e atormentando qualquer grifinório que cruzasse seu caminho.
- Juro que se eu pudesse tirar aquele sorriso do rosto de Malfoy...! – Ron se irritou, olhando com raiva para o sonserino loiro do outro lado do Salão Principal.
- Ignore-o – disse Hermione, mas até ela não conseguia deixar de olhar furiosa para Draco.
- Eu aposto que foi ele que fez isso! – sussurrou Ron, tão irritado que sua comida estava intocada no prato.
- Como ele teria conseguido as coisas? – perguntou Ginny. – Não foram roubadas – sussurrou ela.
Ron olhou para Damien, que manteve o olhar focado propositalmente no prato.
- Você disse que os viu juntos – disse Ron a Damien. – Harry conhece Malfoy, não é?
Damien olhou para ele, exausto.
- Honestamente, Ron, eu não sei – disse ele, cansado. – Como eu já disse, eu não os vi conversando. Eles saíram do banheiro um após o outro, é isso.
- Mas só estavam os dois no banheiro – apontou Ron. - Eles poderiam estar lá conversando. Harry pode ter combinado para lhe entregar as coisas que conseguiu com Lee.
Damien deu de ombros.
- Pode ser, eu não sei.
- De qualquer forma, não temos prova de que Malfoy conhece Harry, ou que Harry entregou algo a Draco para usar na brincadeira – interrompeu Hermione. - Então, vamos simplesmente nos acalmar, deixar isso pra lá e nos concentrar em obter os pontos de volta.
- Como é que vamos fazer isso? - perguntou Ginny.
- Acertando todas as perguntas feitas em sala. – Ela bateu de leve no livro de Transfiguração, que estava sobre a mesa, próximo à garota. - Eu estabeleci horas de estudo, vamos estudar todos juntos, por isso cada um de nós...
O gemido de Ron abafou o resto de suas palavras. Ele olhou para Draco uma última vez antes de seu olhar correr para Harry, sentado na outra metade da mesa. Seus olhos azuis se estreitaram para ele. Odiava os dois, tanto quanto odiava estudar.
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Uma semana se passou e, lentamente, os alunos da Grifinória se recuperaram um pouco da perda dos pontos. Todos os estudantes, do primeiro ao sétimo ano, estavam trabalhando para ganhar pontos, fazendo de tudo: desde responder perguntas em sala de aula a fazer tarefas extras em troca de pontos para a Casa.
O único grifinório que não estava incomodado com os pontos era Harry. Seus hábitos antissociais resultaram em poucas pessoas falando com ele. O único que continuou a procurar sua companhia foi Damien.
Quando o menino entrou no Salão Principal, avistou Harry imediatamente. O mais velho estava sentado próximo à ponta da mesa, já na metade de seu jantar. Damien virou-se para os amigos.
- Tudo bem, vejo vocês daqui a pouco, a não ser que... vocês queiram se juntar a mim? – perguntou Damien, esperançosamente.
- Está se sentindo bem, Damy? – indagou Ron, incrédulo.
O garoto suspirou.
- Eu sei que o que aconteceu foi realmente errado – começou ele –, mas eu acho que deveríamos tentar superar. Quero dizer, dar outra chance a Harry.
- Damien! Ele quebrou o pulso de Ron! – sussurrou Hermione furiosamente.
-Eu sei, mas... – Damien olhou para Ron, vendo sua expressão irritada. – Ah, vamos, Ron. Você sabe que não devia tê-lo atacado. Ele estava sem varinha, ele só fez o que fez para se proteger. Foi legítima defesa.
Ron bufou.
- Legítima defesa? Ele poderia ter feito milhares de outras coisas em vez de quebrar meu pulso! – Irritou-se. – E quanto ao que ele disse com Hermione? – perguntou. – Que desculpa você tem para isso? Ou para a façanha dele? Ele é a razão de perdemos todos os nossos pontos!
Damien se calou.
- Está tudo bem, Damy – disse Hermione, colocando uma mão no braço de Rony para acalmá-lo. – Harry é membro da sua família. Deve ir se sentar com ele. Mas não espere que qualquer um de nós vá com você.
Damien assentiu em entendimento. Como ele podia exigir que seus amigos perdoassem Harry quando ele claramente não mostrou qualquer remorso por seus atos? Ele ofereceu um sorrisinho para Ron e Hermione e dirigiu-se à extremidade da mesa, para fazer companhia ao irmão no jantar.
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Naquela noite, os grifinórios se reuniram sala comunal. Ron e Hermione estavam em seus lugares favoritos, ao lado da lareira. A maioria dos alunos estava amontoada em torno do quadro de avisos, falando excitados sobre algo afixado nele.
Harry estava sentado em uma poltrona, longe tanto da lareira quanto do quadro de avisos. Um livro estava aberto em seu colo, mas ele não estava lendo. Já o lera todo, três vezes.
Ele viu Damien avançar pela multidão e correr em direção a Ron e Hermione.
- Começou! - quase gritou de emoção. – Finalmente! Estou esperando começar há semanas!
- Começar o quê? - perguntou Hermione.
- O Clube de Duelos! – gritou Damien, animado.
- Quê? Já começou? – perguntou Ron. – Geralmente é em novembro.
- Ah, cara! Mal posso esperar! – disse Damien. – Eu vou duelar de verdade com alguém! Isso é tão legal! – Ele estava praticamente pulando.
- Acalme-se. Vou te explicar as regras no caminho até lá – disse Ron, prestes a se levantar da cadeira.
Hermione levantou uma mão para detê-lo.
- Você está esquecendo alguma coisa, Ron? – perguntou ela, com firmeza.
O ruivo parecia perdido.
- Hum, você quer vir? – perguntou ele, incerto.
A garota revirou os olhos.
- Não, eu não estou esperando um convite – advertiu ela. – Nós temos que concluir a redação de Transfiguração. Você disse que trabalharia nela depois do jantar – ela o lembrou.
Ron se entristeceu e balançou a cabeça miseravelmente.
- Ah sim, certo. – Ele se virou para Damien, mas o menino sacudia a cabeça, já protestando.
- Você disse que ia comigo ao Cube de Duelos! – disse o mais jovem com um gemido.
Ron virou-se com um olhar suplicante para Hermione. A garota o encarava.
- Ron, você sabe que temos que terminar aquela redação. A Professora McGonagall vai ficar maluca se você não entregar a lição de casa de novo!
- Ano passado eu prometi a Damy que quando ele entrasse no terceiro ano e tivesse permissão para comparecer ao Clube, eu iria com ele. Eu não posso descumprir minha promessa agora, posso? – argumentou.
Hermione estreitou os olhos para ele.
- Tudo bem, vá ao Clube de Duelos, mas pode esquecer minha ajuda naquela dissertação!
Ron pareceu preocupado por cerca de um minuto, antes de sorrir para ela.
- Ah, vamos, Hermione.
Ela o ignorou, puxando um livro e desaparecendo por trás dele.
- Vamos? – perguntou Damien a Ron.
- Sim, vamos.
Os dois se levantaram. Damien empurrou a mochila debaixo da cadeira, para tirá-la do caminho até que voltasse. Ao se virar avistou Harry, sentado em um canto da sala.
"Droga, quase o esqueci." Pensou.
- Ei, Harry, você quer ir com a gente para o Clube de Duelos? – perguntou o mais novo.
Harry olhou para Damien, surpreso com o convite.
Ron parecia tão surpreso quanto o outro. Ele agarrou o cotovelo de Damien, virando-o.
- Você quer que ele venha com a gente? – sussurrou furiosamente, olhando para o mais novo como se ele fosse louco.
- Sim - respondeu Damien, - Vamos lá, Ron, qual é o mal de ele vir também? - perguntou em tom de súplica.
Ron lançou um olhar desagradável para Harry, mas não disse nada.
Damien virou-se para o irmão, sorrindo.
- Você quer vir? – tornou a perguntar.
Harry o observou com cuidado.
- Você realmente quer que eu vá? – perguntou Harry, sem saber se o menino queria mesmo convidá-lo ou se só perguntou por educação.
- Claro que sim. Vai ser legal ver você duelar – respondeu Damien.
Harry não sabia como responder àquilo, então decidiu dar de ombros para ele e se levantar.
- Claro, por que não?
O rosto de Damien se abriu em um enorme sorriso, mas Ron parecia furioso. Harry achou a visão muito divertida. Gostava de irritar Ron apenas com sua companhia. Os três rapazes partiram em direção à porta, Ron e Damien à frente e Harry em seguida. Antes que pudessem alcançá-la, a porta se abriu e Ginny subiu pelo retrato.
- Oi, Ginny! – cumprimentou Damien. – Estamos indo ao Clube de Duelos. Quer vir?
Os olhos da ruiva correram até Harry e ela lançou um olhar de nojo para ele.
- Não, obrigada. – Ela passou por eles em direção a Hermione. – Oi – cumprimentou a amiga. - Quer vir comigo à biblioteca? – perguntou.
Hermione ergueu os olhos para ela.
- Eu tenho que trabalhar na minha redação de Transfiguração – respondeu ela. – Tenho lição de Runas Antigas, e ainda tenho que pesquisar as propriedades de...
- Tudo bem, Hermione – interrompeu Ginny. – Eu entendo. Eu vou sozinha.
Ela se virou para sair e a outra soltou um suspiro antes de chamá-la.
- Ginny, espere! – Ela também se levantou, colocando o livro de volta na bolsa e jogando-a em torno do ombro. – Eu vou com você.
- Se estiver ocupada, tudo bem... – começou Ginny.
- Não, não estou - disse Hermione. – Eu prometi que te ajudaria.
Ginny sorriu para ela e as duas saíram correndo, passado pelos três rapazes. Harry, Ron e Damien se viraram para descer, enquanto Hermione e Ginny seguiram na outra direção, rumo à biblioteca.
- Ginny ainda está procurando por ele? – Damien perguntou a Ron.
- Ela é uma tola! - respondeu Ron. – Não quer admitir que nunca vai encontrá-lo. – Ele parou para esperar a escada reaparecer. – Quero dizer, ela nem sequer viu o rosto dele, apenas a máscara que estava usando. Como, em nome de Merlin, ela espera reconhecê-lo?
Harry tentou não escutar, mas a menção de Ginny à procura de alguém, de alguém mascarado, chamara sua atenção. O rapaz tinha se perguntado se a garota tentara descobrir quem a salvou naquele dia em Hogsmeade. Na verdade, os primeiros dias após o incidente o preocuparam imensamente. Não queria o Ministério ou mesmo a Ordem à procura de um garoto com uma máscara prateada que salvava as pessoas nos telhados. Repreendera-se por não "obliviar" a garota após resgatá-la. A verdade é que se envolvera no momento e a levara para Hogwarts, para a segurança, e só se deu conta do erro quando já era tarde demais.
Jamais planejara ir a Hogsmeade naquele dia e, certamente, a ideia de salvar alguém do ataque dos Comensais da Morte nunca passou por sua mente. Mas acontecera, estava passando por Hogsmeade, viu a marca negra pairando sobre várias casas e se aproximou para investigar. O que viu o irritou, tanto que seu pai teve que punir vários Comensais envolvidos.
Ainda se lembrava do exato momento em que ouviu o grito, virou-se e viu uma menina pendura por um fio no telhado. Disparara em sua direção, seu instinto aflorando. O cabo que a garota segurava estalou e ela caiu. Harry correra em sua direção, voando mais rápido do que nunca. Ele estendeu a mão e a agarrou, puxando-a facilmente para si e a segurando, controlando a vassoura só com uma mão. Sabia que tinha que tirá-la de Hogsmeade e, sem pensar, voou na direção do castelo, pensando em deixá-la nos portões de Hogwarts, sem a memória de como chegou lá.
Harry sabia que estragara tudo quando falou com ela, perguntou se ela estava bem. Chutou-se mentalmente ali mesmo. Mas ela parecia tão assustada. Chorava e tremia, e ele, apesar de tudo, sentiu pena dela.
- Ela vai superá-lo, eventualmente - disse Damien, tirando Harry de seu devaneio.
- Espero que sim – murmurou Ron. - No início, era engraçado, agora é simplesmente triste.
Harry caminhou atrás deles, pensando em Ginny. Fazia sete meses do incidente de Hogsmeade e ela ainda o estava procurando. Ele quase sentiu pena dela de novo. Sacudiu a cabeça com os pensamentos. E daí que ela ainda estava procurando por ele? Ela nunca descobriria que foi ele que salvara sua vida. Não planejava contar a ela ou a quem fosse sobre esse incidente. Se descobrissem, só serviria para Dumbledore encher a cabeça com esperanças tolas.
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Harry entrou no enorme salão que servia como o Clube de Duelos, e o primeiro pensamento que atravessou sua mente foi que a sala não era tão grande quanto seu campo de treinamento pessoal em casa. Mas para o padrão de Hogwarts, achou ser suficiente. Havia uma plataforma no meio do salão e alinhadas ao longo da plataforma havia quatro taças. Pareciam taças de troféu, as quatro eram de prata e possuíam inscrições estranhas. Quando Harry se aproximou para examiná-las, viu que eram os símbolos das quatro Casas: Grifinória, Corvinal, Lufa-Lufa e Sonserina.
O rapaz olhou à volta, examinando o ambiente. Como os outros salões de Hogwarts, este também tinha um teto alto e grandes janelas em forma de arco. Havia tochas penduradas nas paredes de pedra, mas o salão parecia mais brilhante, como se luzes de fontes ocultas o iluminassem. O salão estava movimentado com os alunos. A maioria era do sexto e sétimo anos.
- O que você acha, Harry? – perguntou Damien, olhando ao redor do salão. – Muito legal, né? Eu mal posso esperar para que comece!
- Você parece um pouco animado demais – comentou Harry. – É só um duelo.
O sorriso de Damien se alargou.
- Não há isso de só um duelo! – respondeu ele.
Harry o examinou, vendo como o menino parecia animado com a perspectiva de um duelo amigável. O rapaz não conseguia se lembrar de ter ficado tão animado assim com alguma coisa.
- Ora, ora, ora, o que temos aqui? – disse uma voz atrás dele.
Harry sorriu de lado, reconhecendo a voz arrastada. Ele se virou e viu Draco e seus dois capangas sonserinos, Crabbe e Goyle, diante deles. Os olhos cinza de Draco brilharam para ele e o sorriso de Harry se aprofundou.
- O que você quer, Malfoy? – perguntou Ron, olhando furiosamente para o rapaz.
- Vejo que tem carne fresca hoje – zombou Draco, olhando para Damien e Harry. - Vocês grifidiotas não cansaram de apanhar ainda?
- Veremos quem vai apanhar de quem, Malfoy! – desafiou Damien.
O loiro riu.
- Olhe, sigam alguns conselhos. Vocês não podem mais se dar ao luxo de perder. Então, poupem o que resta de sua dignidade e caiam fora.
- Obrigue-nos! – sibilou Damien.
Draco parecia achar graça, seus olhos foram até Harry.
- Não digam que eu não avisei – disse ele. - Se colocarem os nomes naquela taça – ele apontou para a taça de prata da Grifinória ao lado da plataforma –, estarão dentro. Se aquela taça cuspir o nome de vocês, têm que lutar. Não há como voltar atrás. – Ele sustentou o olhar de Harry. – Então, se eu fosse vocês, não colocaria meu nome ali.
Harry sorriu, divertindo-se com a tática do amigo para destacar sua preocupação sobre o Príncipe Negro participar de um duelo.
- É melhor rezar para seu nome não sair com o meu! – ameaçou Ron.
- Como se eu tivesse medo de um fuinha! – retrucou Draco.
- Você vai se arrepender de mexer com grifinórios! – sibilou Ron para ele, o rosto e as orelhas vermelhas.
Draco sorriu debochado para ele.
- É mesmo? O que você vai fazer?
As portas se fecharam com uma batida forte, chamando a atenção de todos. Eles viram uma bruxa de meia idade com cabelo curto de cor roxa e olhos azul safira parada à porta. Ela sorriu para os alunos e caminhou em direção à plataforma. Os alunos saíram do caminho, sussurrando animadamente. Draco lançou uma última zombaria para Ron e saiu, aproximando-se da plataforma. Damien, Ron e Harry também se aproximaram.
A bruxa de cabelo roxo subiu os degraus e caminhou até a plataforma. Ela ficou diante deles, sorrindo calorosamente.
- Boa noite a todos.
- Boa noite – responderam os alunos.
- Eu sou a Professora June – apresentou-se. - Para aqueles que estão comparecendo ao Clube de Duelos pela primeira vez, bem-vindos. Para aqueles que estão conosco novamente, bem-vindos de volta. Deixe-me explicar as regras antes de começar. – Ela examinou os estudantes ansiosos e continuou. – O Clube de Duelos não é uma desculpa para descarregarem sua raiva ou frustração – advertiu. - É um lugar para treinar suas habilidades, para aprimorar e melhorar suas técnicas de duelo. Só haverá duelos individuais. Todos que desejam participar de um duelo devem colocar o nome e o ano que cursam na taça de sua Casa. A taça escolherá o aluno e seu parceiro de duelo. Se quiser duelar com alguém de sua Casa, tem que pedir minha permissão. Não vou tolerar qualquer comportamento imprudente e se algum de vocês usar maldições inadequadas será banido do clube e, a depender das circunstâncias, até mesmo expulso.
Ela olhou diretamente para Harry. O adolescente de cabelos negros apenas sorriu de volta para ela. Mesmo que quisesse, ele não conseguiria lançar nenhuma maldição, já que sua varinha não era capaz de suportar tal magia. Ele olhou para Damien, que não estava prestando atenção alguma na Professora. O menino estava muito ocupado trocando olhares com um terceiranista magricela da Sonserina. Harry sorriu com a ideia de Damien duelando. Parecia muito bizarro para sequer se imaginar.
Harry estava ansioso para assistir os alunos de Hogwarts tentarem duelar entre si. Mesmo que fosse apenas um duelo amigável. Com base no que vira até então, não ficaria surpreso se a única coisa que conseguissem fossem feitiços simples para desarmar.
O rapaz descobriu que tinha razão.
A maioria dos duelos consistiu em alunos gritando "Expelliarmus" um para o outro e conseguindo desviar dos feitiços. Apenas alguns alunos do sexto e sétimo anos conseguiram bloquear as maldições que se aproximaram e, mesmo nesses casos, os feitiços conseguiram atravessar os escudos após alguns segundos. Harry não sabia se ria dos duelos patéticos ou se se encolhia de horror.
Os duelistas do momento, setimanistas da Corvinal e da Lufa-Lufa, saíram da plataforma sob educados, mas fracos, aplausos.
As quatro taças começaram a brilhar novamente e pequenos tufos de vapor saíram delas. A da Grifinória e a da Sonserina entraram em erupção e os dois nomes dos próximos duelistas se ergueram no ar.
Harry arregalou os olhos quando viu as palavras "Harry Potter" brilharem acima da taça da Grifinória.
- Eu não coloquei meu nome lá – defendeu-se.
- Eu coloquei seu nome – disse Damien ao seu lado.
Harry virou-se para encará-lo.
- Você? – perguntou. - Por quê?
- Por que não? – indagou Damien, parecendo confuso. - Qual é o sentido de comparecer ao Clube de Duelos, se você não vai duelar?
Harry tornou a olhar para a plataforma, seu olhar movendo-se para o nome ao lado do seu, e de repente ele sorriu. Ele se virou para encontrar o olhar petrificado de Draco. Harry virou-se para encarar as brilhantes palavras "Draco Malfoy" pairando sobre a taça da Sonserina.
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- Pensei ter te dito para não colocar o nome lá! – sussurrou Draco furiosamente quando ambos caminhavam para a plataforma.
- Eu não coloquei – respondeu Harry. – Alguém colocou meu nome.
Draco olhou em volta do salão, nervoso. O que devia fazer agora? Não podia desistir do duelo e não podia vencer um confronto com Harry. Não era possível. E quando perdesse, seria humilhado perante os sonserinos. Ele olhou para o amigo, que lhe lançou um sorriso cruel antes de subir na plataforma. Draco seguiu rapidamente, murmurando furiosamente para o moreno.
- Lembre-se Harry, eu sou seu amigo, seu único amigo. O.K.? Lembre-se disso.
Harry apenas sorriu de volta e respondeu-lhe em um sussurro.
- Eu não arrebento ninguém há quase seis semanas. – Ele estalou os dedos. – Então, no momento, você é um alvo, apenas um alvo – brincou.
Damien e Ron assistiam, sem ousar tirar os olhos dos dois garotos na plataforma. Damien sussurrou para Ron.
- Isso vai ser interessante!
- Também acho. – Ron estava dividido entre quem ele queria que levasse uma boa surra. Odiava Draco Malfoy com cada fibra do seu ser, mas também queria ver Harry cair do cavalo. Eles assistiram, juntamente com os outros alunos, Harry e Draco se cumprimentarem.
Harry permitiu que Draco começasse. O loiro se concentrou no que o outro dissera, antes de disparar um "Estupefaça" nele. "Ele é apenas um parceiro de duelo, não um amigo ou mesmo o Príncipe Negro, apenas um alvo".
O moreno facilmente desviou-se do feitiço e lançou um "Expelliarmus" em Draco.
O sonserino relaxou, apenas um pouco, com o feitiço simples de desarmamento. Foi exatamente o que Harry queria.
- Tarantallegra! – Harry lançou a azaração no outro.
Draco por pouco conseguiu bloquear o feitiço e seus olhos cinzentos se estreitaram. Ele lançou uma "Azaração Ferreteante" em Harry, que esperou até o jato de luz estar a alguns segundos de alcançá-lo. Então, ele desviou com facilidade e prática, enviando o feitiço de volta para Draco. Ele atingiu o loiro, colidindo direto em seu peito, fazendo-o dobrar, gemendo de dor.
Os alunos, principalmente da Grifinória, aplaudiram ruidosamente.
Draco se endireitou, seus olhos estreitados agora.
"Estupefaça!"
Harry esperou o feitiço chegar perto e depois simplesmente saiu do caminho no último instante. Isso lhe rendeu mais uma rodada de vivas e aplausos. Os alunos de Hogwarts jamais viram alguém com tamanho reflexo.
Draco estava começando a perder a paciência.
- Petrificus Totalus! – trovejou.
Harry ergueu seu escudo e o jato de luz ricocheteou nele e desapareceu. Os alunos ficaram boquiabertos de surpresa. Jamais tinham visto um colega erguer um escudo tão forte quanto aquele. Os escudos que a maioria dos alunos conseguia conjurar nada mais eram do que uma leve névoa branca que protegia contra feitiços muito simples e fracos, mas que caíam se alguma coisa mais forte do que um "Expelliarmus" fosse lançada.
A Professora June estava olhando para o escudo também. É claro que ela sabia tudo sobre Harry e esperava que o garoto mostrasse habilidades de duelo como estas, mas a visão de um escudo conjurado de forma tão brilhante tirou seu fôlego.
Harry baixou o escudo e sorriu maliciosamente para Draco
- Rictusempra! – O moreno lançou o feitiço de cócegas, sabendo muito bem o quanto seu amigo odiava que lhe fizessem cócegas.
O feitiço atingiu o alvo e o loiro começou a pular, suas risadinhas frenéticas ecoando pelo salão. Os espectadores também riram da humilhação do sonserino, que conseguiu bloquear o efeito do feitiço e olhou furioso para o outro. Seu rosto pálido estava lentamente ficando vermelho. Damien e Ron aplaudiam junto com os demais alunos, curtindo cada segundo. Draco levantou a varinha, seu temperamento fora de controle.
- Estupefaça! Confundo! – disparou duas maldições, uma após a outra, uma na direção da cabeça de Harry, a outra para sua cintura.
Os dois jatos de luz voaram para o rapaz. Só um pôde ser desviado. Com um aceno de varinha o moreno ergueu o escudo de corpo inteiro. Os dois feitiços o alcançaram e atingiram seu escudo azul, dissolvendo-se em fumaça. Os alunos no salão boquiabriram-se, assim como Draco. Ele não sabia que Harry podia fazer isso. A professora June assistia de boca aberta. Harry estava em pé dentro de uma bolha azul cintilante que o cobria da cabeça aos pés. O rapaz baixou o escudo, sorrindo para Draco.
- Minha vez – sibilou ele. - Confringo!
Imediatamente, Draco foi jogado para fora da plataforma e o sonserino bateu na parede e caiu dolorosamente de costas. Os alunos nunca tinham visto alguém ser jogado com tanta violência para fora da plataforma. Eles começaram a aplaudir com vigor, enquanto a Professora June corria preocupada na direção de Draco. Ele foi levantado e depois de a professora se certificar de que o garoto não se machucou, ela subiu na plataforma e declarou Harry como vencedor do duelo.
Os aplausos eram ensurdecedores, os alunos estavam gritando, todos eles, exceto os sonserinos. Os grifinórios gritavam elogios para Harry, mas ele simplesmente os ignorava. Ele começou a sair, mas a Professora June o deteve.
- Harry Potter! Por favor, venha aqui para frente – chamou ela.
Ele obedeceu, perguntando-se se seria banido do clube por causa de Draco. Não usou nenhuma maldição das trevas e o que aconteceu no final foi só para divertir. O jovem decidiu que não importava se fosse banido, não era divertido se não podia usar nenhuma maldição de verdade, afinal. Ele ficou de frente à professora de cabelo roxo.
- Sr. Potter, eu gostaria de vê-lo realizar o feitiço de bloqueio mais uma vez.
Harry piscou para ela em surpresa. Estava esperando uma repreensão, não isso. Recuou alguns passos e ergueu a varinha, pronto para o ataque.
- Estupefaça! – gritou a Professora June.
Mais uma vez, Harry levantou um escudo perfeito e aniquilou o feitiço instantaneamente.
O rosto da Professora June irradiou de alegria. Ela dirigiu-se aos alunos que os observava.
- Este é um exemplo perfeito de como eu desejo que todos vocês conjurem um escudo de bloqueio. Podem ver que o Sr. Potter consegue erguer o escudo muito rapidamente e com muita facilidade. Até o final do ano, eu espero que todos vocês consigam igualar suas habilidades às do Sr. Potter.
Harry bufou. "Os idiotas desta escola igualar as habilidades às minhas? Sim, certo!" pensou ele.
- Sr. Potter, eu espero que você continue a comparecer ao clube a cada quinze dias. Suas habilidades de duelo são muito avançadas e os demais poderiam aprender um pouco com você.
Harry olhou para a Professora, perguntando se ela estava caduca. Ela realmente achava que ele faria qualquer coisa para ajudar a treinar estes alunos, a geração contra a qual ele lutaria quando voltasse para o lado do pai?
- Sem ofensa, Professora – Harry brincou com a palavra –, mas eu preferia não perder meu tempo. Não há muita esperança de esses alunos aqui aprenderem alguma coisa e não vejo que possível benefício eu teria em ensiná-los. Afinal, esse é o seu trabalho, não é?
O rosto da Professora June corou e ela lutou para manter a calma. Harry sorriu debochado para ela. Amava irritar os professores de Hogwarts.
- Eu acho que você não entendeu. Eu não disse para você ensiná-los nada. Eu só esperava que você pudesse mostrar seu talento em duelo. Isso ajudaria de verdade seus colegas.
Harry aproximou-se da Professora.
- Ajudar os outros é pedir demais.
Harry lançou um sorriso insolente para a Professora antes de se afastar. Ele saiu do salão, deixando uma professora atordoada e muitos estudantes confusos para trás.
Quando o rapaz saiu do salão, ficou cara a cara com um furioso James Potter.
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- O que, pelo amor de Deus, você achou que estava fazendo? – perguntou James.
- Eu não vejo para que todo esse alarido, foi só um duelo!
- Só um duelo? Meu Deus, será que você não percebeu o que estava fazendo?
- Deus, pai, acalme-se. Não aconteceu nada!
Harry estava bastante entediado em assistir Damien e James gritarem um com o outro. Ele poderia muito bem não estar no quarto. Ninguém se reportava a ele.
James estava com o rosto vermelho, andando pelos aposentos para o qual arrastara Harry e Damien. O Potter mais jovem estava igualmente irritado, já que estava sendo gritado só porque Malfoy levara uma surra. Ele não entendia por que isso era algo ruim.
- Você nunca deveria ter levado Harry ao Clube de Duelos! – disse James, pelo que devia ser a décima vez no espaço de meia hora. - É completamente inadequado!
- Isso é injusto! – retrucou Damien. - Por que Harry não pode ir quando todo mundo do ano dele vai?
- Por causa do que aconteceu com Malfoy Júnior! – respondeu James com raiva.
- Pai, por favor. – Damien acenou com a mão para ele. - Malfoy só recebeu o que era devido. Ele está precisando de uma surra há anos! E, além disso, ele mereceu! Foi ele que lançou duas maldições em Harry. Se Harry não tivesse erguido aquele escudo de corpo inteiro impressionante, ele teria se machucado feio!
Os olhos de James de repente se arregalaram. Ele se virou para olhar para o filho mais velho, tendo acabado de perceber que o rapaz ainda estava no cômodo.
- Você conjurou o escudo de corpo inteiro de novo? – perguntou a Harry calmamente.
O rapaz respondeu sustentando seu olhar por um momento e, em seguida, afastando os olhos.
- O que aconteceu? Alguém disse alguma coisa sobre isso? – perguntou James pensando em como explicaria aos alunos curiosos por que um garoto de dezesseis anos de idade conseguia realizar magia que normalmente não podia ser feita pela maioria dos adultos.
- A Professora June ficou em êxtase, acho que eu nunca a vi tão feliz – respondeu Damien. – Ela pediu a Harry para comparecer ao clube a cada quinze dias para que possa nos ensinar.
Harry rosnou para Damien em aborrecimento.
James ficou sem fala com o choque. A Professora June sabia a verdade sobre Harry, como cada membro da equipe de Hogwarts, mas, mesmo assim, pediu para Harry ir ao clube a cada quinzena. Ela estava louca?
O pai virou-se para Harry.
- O que você disse?
- Ele disse que…
- Damien! Eu não estou perguntando a você. Harry pode falar – cortou James. Ele se virou para Harry, ignorando a expressão ofendida de Damien. - Bem? – indagou.
Harry se encostou à parede e cruzou os braços sobre o peito.
- Talvez – respondeu ele, curtindo a cor sumir do rosto de James.
- O que você quer dizer com talvez? Você não pode ensinar de verdade ao resto dos alunos, não é? Como vai explicar toda magia negra avançada que consegue fazer? – perguntou o auror.
- Vou contar-lhes a verdade, que Lorde Voldemort me ensinou. Eles não vão acreditar em mim, de qualquer maneira.
Tanto James quanto Damien respiraram fundo com a menção do bruxo.
Harry estava apreciando imensamente. Não tinha intenção alguma de ensinar suas habilidades, mas ver James surtar com a simples possibilidade de os alunos de Hogwarts aprenderem Artes das Trevas era uma oportunidade boa demais para desperdiçar. Damien entendeu o que estava se passando e decidiu vingar-se do pai por envergonhá-lo, arrastando-o do Cube de Duelos.
- Sim, Harry é um sucesso, de qualquer maneira. Todo mundo está falando sobre o seu duelo maneiro e agora todos vão querer ser ensinados por ele – acrescentou Damien casualmente. – A Professora June disse que iria deixá-lo duelar individualmente com alguns alunos também.
Os olhos de James quase saltaram das órbitas e sua boca se abriu. Harry e Damien quase não se impediram de rir alto.
- Ela... ela disse o quê? Ela está maluca?
Damien piscou para Harry e continuou.
- Sim, e quando Harry disse que pensaria sobre isso, a Professora June disse que não aceitaria não como resposta e que se certificaria de que Harry comparecesse a todas as aulas de duelo.
Harry observava o menino sob uma nova perspectiva. Ele estava se empenhando.
James não disse mais nada. Ele virou-se e saiu correndo, tropeçando nos próprios pés em sua pressa para sair. Ia encontrar a Professora June. Assim que a porta se fechou atrás dele, Harry e Damien explodiram em risadas. Desde a captura, era a primeira vez que Harry ria de fato. Damien riu junto com ele e só depois percebeu que foi a primeira vez que ouviu o irmão rir. Os dois finalmente se acalmaram e apenas se olharam, sem saber o que dizer um ao outro.
- Você contou umas mentirinhas – disse Harry por fim.
- Sim, bem, ele merecia – disse Damien. – Consegue imaginar o que ele vai dizer à Professora June? Então, quando descobrir que estávamos tirando sarro dele, vai ficar muito sem jeito. – Damien riu.
Harry olhou para o mais novo, estudando-o atentamente.
- Você não tem medo dele? – perguntou.
Damien franziu a testa.
- Medo? Do meu pai? Por que eu teria medo dele? – indagou. – Papai provavelmente é o pai mais relaxado que eu já conheci. Sei que os últimos dois meses têm sido difíceis, mas ele geralmente nem sequer me repreende. Ele é realmente um pai bacana.
Harry não disse nada, mas seu olhar permaneceu sobre Damien. Algo em seus olhos fez um arrepio percorrer a espinha do mais novo. Ele não conseguia explicar o que era, mas algo na maneira como Harry lhe olhara fez o seu estômago se contorcer. Seja lá o que fosse, foi-se num piscar de olhos e o mais velho desviou os olhos, endireitando-se para se levantar.
- É tarde – disse ele calmamente. – É melhor a gente ir.
Damien assentiu e ambos saíram dos aposentos e voltaram aos seus dormitórios. Caminharam em silêncio o tempo todo, Damien se perguntou sobre o olhar estranho que Harry lhe dera.
Os garotos esbarraram em James assim que estavam se aproximando do retrato da Mulher Gorda. O pai estreitou os olhos para Damien.
- Não teve graça, Damien Jack Potter! – disse ele, mas parecia mais envergonhado do que qualquer coisa. Obviamente estava aliviado que Harry não fosse ensinar Artes das Trevas aos alunos.
- Eu respeitosamente tenho que discordar, pai. Foi muito hilário! – Damien riu.
Os dois garotos riram da perplexidade do outro, antes de entrarem na sala comunal da Grifinória.
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O fim de semana chegou e com ele veio o primeiro treino de quadribol. Damien e Ron desceram correndo para o café da manhã, ocupados conversando sobre novas estratégias a serem adotadas. Ron era o goleiro da Grifinória e Damien tornara-se artilheiro no ano anterior. A capitã da equipe ainda era Angelina Johnson e os batedores eram ninguém menos que os gêmeos Weasley, Fred e George. Fazendo da equipe de quadribol da Grifinória um time inteiramente Weasley, Ginny era a apanhadora. Os quatro Weasleys trabalharam bem juntos e ajudaram a ganhar muitos jogos. Mas, apesar disso, a taça de Quadribol tinha ido para o time da Sonserina nos últimos cinco anos. Todos os anos o time da Grifinória prometia trabalhar mais e ganhar a taça. Este ano não foi exceção.
Ron sentou-se com Damien e serviu-se de alguns cereais, enquanto o mais jovem pegava uma fatia de pão e espalhava geleia sobre ela. Uma Angelina muito perturbada veio sentar-se ao lado deles.
- Vocês não vão acreditar no que aconteceu! – começou Angelina de imediato. - Perdemos Kelly!
- Quê? – exclamou Ron.
- Eu sei, é terrível – continuou ela –, os pais dela se separaram, ela vai ficar com a mãe, e elas estão de mudança para o exterior. Ela vai para outra escola de magia. Isso é horrível!
Damien e Ron não sabiam o que Angelina considerava horrível: os pais de Kelly se separando, Kelly ter que se mudar para outra escola ou o fato de estarem perdendo uma das artilheiras. Conhecendo a capitã, provavelmente era a perda da artilheira.
- Vamos ter que cancelar o treino e, em vez disso, às cinco horas, farei testes para um novo artilheiro. Quero todos vocês lá. É vital escolhermos alguém que satisfaça toda a equipe – concluiu Angelina, olhando com tristeza para os dois companheiros de equipe.
- Hum, Angie? Você não acha que é preciso dar mais um tempo de anúncio acerca dos testes? Quero dizer, você não anunciou nem sequer por um dia. Quantas pessoas espera que apareçam com o anúncio dado hoje de manhã? – perguntou Ron, um pouco hesitante já que o temperamento de Angelina era algo que ele não queria arriscar.
- Ron! Não temos tempo! Kelly só recebeu a coruja ontem, por isso eu não tive tempo para anunciar isso antes. Só temos duas semanas antes do primeiro jogo e Kelly está partindo semana que vem! Esta situação exige medidas desesperadas! – explodiu.
- Ok, sim, legal. Como quiser – apaziguou Ron, erguendo as mãos em sinal de rendição.
Damien segurou a risada quando Angelina se levantou e correu para se encontrar com outros companheiros de equipe para dar a terrível notícia. Os garotos trocaram um olhar e suspiraram silenciosamente. Sabiam que Angelina ia ficar muito pior antes de melhorar.
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Assim que o café da manhã terminou, Hermione arrastou Ron para terminar a lição de casa que ele prometera completar no dia anterior. Damien vagueou pelos corredores, tentando decidir o que faria com o seu tempo até às cinco da tarde. Ele partiu em busca de Harry. Virou no corredor e viu o irmão no meio dele, conversando com o Professor Snape. O menino viu de cara o quanto o homem parecia irritado. Ele parecia absolutamente lívido com Harry. Seu irmão, por outro lado, parecia bastante descontraído. Damien aproximou-se o máximo que ousou e escutou alguma coisa da conversa.
- ...eu não vou tolerar esse tipo de comportamento Sr. Potter, já deveria saber que não pode me assustar! – dizia Snape com muita raiva e frustração.
- Claro que não, por que eu ia querer assustar o Professor de Defesa? Quero dizer, se eu sair da linha pode ser que você confunda minha mente para prestar atenção às suas aulas inúteis. Isso sim é uma punição de verdade – respondeu Harry.
Damien abafou um risinho.
- Sr. Potter, eu estou lhe avisando para segurar a língua! – Snape estava tremendo de raiva agora, enquanto apontava um dedo pálido para o rapaz.
- Me avisando? O que vai fazer Severus? Me colocar em detenção? Descontar pontos? Eu acho que já ficou claro o efeito que isso tem sobre mim – disse Harry –, e se você quiser manter esse seu dedo, sugiro que o afaste.
Snape olhou perigosamente para o rapaz e, em seguida, sem dizer uma palavra, virou-se, desceu as escadas e foi embora. Harry se virou e viu Damien, meio escondido atrás da esquina. Ele gemeu.
- O que você quer? – indagou, em seu natural cumprimento a Damien.
- Merlin, Harry, como é que você não fica com medo quando ele olha para você assim? – perguntou o menino, referindo-se ao olhar de Snape. O menino odiava admitir, mas o Professor o assustava um pouco. Mesmo que seu pai sempre lhe dissesse que Snape era um 'idiota seboso' e para não lhe mostrar qualquer receio, ele ainda optava por ficar fora de seu caminho.
- É só para isso que ele serve, fazer caras estranhas para todos – disse Harry. – Ele não tem coragem de fazer mais nada, então, por que temê-lo? – Harry começou a caminhar pelo corredor com Damien. - Enfim, o que você está fazendo aqui?
- Eu estava te procurando – respondeu Damien.
Harry gemeu.
- Por quê? O que você quer agora?
- Nada. Na verdade, eu estava pensando se você queria sair. Talvez jogar alguma coisa, qualquer coisa que você queira jogar. – Damien deu de ombros.
- Damien, eu tenho dezesseis anos, eu não quero jogar nada, especialmente com você, então cai fora.
Damien sorriu, um pouco envergonhado.
- Eu não me referi a jogar como criança. Eu quis dizer... não sei, qualquer coisa como, talvez... Quadribol?
Damien decidiu que, mesmo que não fosse haver nenhum treino da equipe hoje, ainda era um bom dia para voar um pouco.
Harry olhou para Damien e depois balançou a cabeça.
- Não, eu não quero.
-Ahh, Harry vamos! Vai ser divertido.
- Cai fora, Damien! Pare de me aborrecer. – Harry amarrou a cara para o garoto de doze anos para tentar intimidá-lo a sair, mas isso nunca pareceu funcionar com o Potter mais jovem.
- Olha, apenas meia hora e, então, você pode fazer o que quiser, prometo – disse Damien. - Eu só quero jogar uma partida com você.
- Damien! – Harry tentou se afastar, mas o menino foi atrás dele mais uma vez, como um cachorrinho
- Uma partida, prometo – disse ele.
- Você não vai gostar de jogar comigo – disse Harry.
- Claro que vou! – respondeu Damien.
- Não, Damien, você não entende. Eu nunca joguei quadribol antes – explicou.
Damien ficou parado e apenas encarou o irmão. Harry nunca jogara quadribol antes! Ele não sabia como jogar quadribol! Como isso era possível? Todo mundo sabia como jogar quadribol. Era algo que você crescia sabendo. Uma coisa natural. Nem todo mundo era bom nisso, mas ainda assim era normal todos saberem como jogar o esporte mais amado do mundo mágico. Foi quando ocorreu a Damien que o irmão não teve uma educação normal. Ele não pôde ser uma criança normal, que ia a jogos de quadribol e jogava com os amigos no quintal. "Ele provavelmente nem sequer sabe como montar uma vassoura", pensou o menino enquanto seu coração se partia com o pensamento. Damien jogava quadribol desde muito jovem. Seu pai sendo tão fanático pelo esporte, encorajara-o a jogar assim que ele conseguiu sentar em uma vassoura.
- Você... você nunca jogou quadribol? – perguntou Damien, querendo ter certeza de que não tinha entendido mal.
- Não, e também não quero. É só um jogo estúpido e inútil. Eu tenho coisas melhores para fazer com o meu tempo - respondeu Harry.
Damien sentiu um caroço se formar em sua garganta. Pegou o irmão pela mão, surpreendendo-o, e começou a levá-lo aos terrenos de Hogwarts. Harry ficou em um silêncio atordoado enquanto Damien segurava sua mão e puxava-o para fora pelas portas principais. Ninguém jamais segurara sua mão assim. O gesto o chocara, fazendo-o seguir o menino. Antes que soubesse o que estava acontecendo, Damien o deixara em pé e desaparecera em uma pequena construção. Ele saiu após alguns minutos, segurando duas vassouras. Uma delas era nova e reluzente, e a outra era ultrapassada e desgastada.
Ele estendeu a nova e brilhante para Harry. Quando a pegou, o rapaz viu as palavras "Nimbus 3000" gravadas no cabo da vassoura. Harry tinha uma igual em casa e seu estômago sacudiu com a lembrança dela. Ele olhou para a vassoura gasta que Damien segurava. Tinha farpas saindo de todo canto e parecia ter muitos anos de uso. Harry olhou confuso para o mais novo.
- Damien, o que...?
- Você voa na minha Nimbus 3000. É o modelo mais novo. Papai comprou para mim.
Harry olhou para a vassoura esfarrapada nas mãos de Damien.
- Não se preocupe, eu vou usar a vassoura da escola hoje. É uma Cleansweep 500, coisa antiga, mas ainda serve.
Damien olhava para Harry com um brilho estranho em seus olhos e logo o mais velho entendeu o que acontecera. O menino tinha interpretado mal sua resposta sobre quadribol. Harry dissera que nunca jogou quadribol. Não quis dizer que nunca montara em uma vassoura antes.
- Damien, escute você não...
- Harry, não diga nada. Apenas me ouça e estará voando melhor do que qualquer um num instante – disse Damien, interrompendo-o.
Harry precisou se esforçar para não rir alto. O menino continuou a explicar as técnicas básicas de voo. O mais velho apenas ficou lá, achando graça da forma como Damien estava ditando o procedimento correto para montar numa vassoura e como retornar ao chão.
- O.K., Harry, entendeu? Bom. Agora vamos começar devagar. A sensação pode ser estranha, mas se lembre de segurar firme e vai ficar bem. Tudo bem?
Harry cansou, ele montou a vassoura e esperou Damien parar de falar.
- Bom, Harry, agora, como eu disse, basta dobrar ligeiramente os joelhos, e em seguida sair do chão, mas não com muita força.
- Assim? – perguntou Harry antes de impulsionar em uma velocidade surpreendente, que deixou Damien de boca aberta.
Harry sentiu a incrível alegria que voar sempre lhe proporcionava. Nunca tinha jogado quadribol antes, mas voava desde os seis anos de idade. Sua habilidade e estilo de voo salvara sua vida quando ele tinha apenas sete anos.
Harry sentiu o vento frio passar por ele enquanto subia. Desceu e fez dois looping no ar antes de acelerar direto para as balizas. O rapaz mostrou suas habilidades de voo ao circular os aros, fazendo looping, em uma velocidade surpreendente. De repente, sentiu algo voar ao seu lado. Virou-se e viu Damien sorrindo ao chegar perto dele.
- Seu idiota! Você disse que nunca tinha voado antes! - gritou o menino, mas tinha um sorriso estampado no rosto.
- Não, não disse. Eu disse que nunca tinha jogado quadribol, não disse nada sobre voar. Você apenas presumiu isso. - Harry riu de volta para ele.
Damien foi em direção ao irmão, para atacá-lo de brincadeira. Harry virou a vassoura bruscamente e correu para longe dele. Os dois meninos apostaram corridas, o tempo todo rindo incontrolavelmente. Nenhum deles deu muita importância a um pequeno grupo de alunos que se reunira para ver o voo incrível de Harry Potter. Eles também não notaram James de pé a uma curta distância, assistindo seus dois filhos voarem e rirem um com o outro. O auror sentiu lágrimas arderem nos olhos. Imaginou que a vida teria sido assim para Harry e Damien se Rabicho não tivesse traído os Potters naquela fatídica noite.
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Harry foi o primeiro a notar o grande grupo de estudantes abaixo deles. Ele sinalizou para Damien parar de voar e os dois desceram o mais rápido possível. Harry foi recebido com aplausos quando tocou o chão. Muitos alunos lhe perguntavam onde ele aprendeu a voar daquela forma e por que não estava no time de quadribol da escola. O rapaz, como de costume, ignorou e começou a sair do campo. Mas antes que ele pudesse sair, a professora de voo da escola, Madame Hooch, aproximou-se dele. Ela o encarava como se ele fosse feito de ouro.
- Sr. Potter, que voo excepcional! – elogiou. - Eu sugiro que compareça aos testes para o time da Grifinória esta tarde.
Harry olhou demoradamente para ela antes de responder.
- Olhe, Madame Pooch...
- É Hooch, Madame Hooch – corrigiu ela imediatamente.
- Seja como for, acho que não seria apropriado eu jogar em um time. Não trabalho bem em equipe. Eu sou meio que individualista e quero permanecer desse jeito.
Harry lançou-lhe um de seus sorrisos e começou a se afastar, mas Madame Hooch não desistiria tão facilmente.
- Ah, não se preocupe em ser individualista. Afinal, apanhadores geralmente trabalham só durante o jogo.
Damien, que estava ao lado de Harry, franziu a testa.
- Madame Hooch, já temos uma apanhadora, Ginny Weasley. Os testes são para artilheiro.
- Sr. Potter, a Srta. Weasley pediu para ocupar a posição de artilheira já que era a posição que ela originalmente queria – respondeu a bruxa. - Os testes são para o apanhador da Grifinória e eu acho que o Sr. Harry Potter seria uma excelente escolha.
Damien olhou com admiração para Harry, a Professora Hooch nunca sugeria ninguém para as equipes de quadribol. Ela não era de mostrar favoritismo por qualquer Casa, mas ali estava ela, sugerindo que Harry se tornasse apanhador da Grifinória. Ela olhou para Harry mais uma vez antes de sair.
- Pense nisso, Sr. Potter, seria um desperdício de talento você decidir não comparecer, mas a decisão é sua.
Harry ficou se perguntando como tinha se metido naquela confusão e, mais importante, como sairia dela?
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Eram quase cinco horas da tarde, mas Damien ainda estava na sala comunal da Grifinória, tentando fazer um relutante Harry concordar em ir aos testes.
- Por favor, Harry, por favor, venha para aos testes. Você devia concorrer a apanhador, você é perfeito – implorou-lhe Damien.
- Não! Você é a razão de eu estar nessa confusão. "Um jogo Harry, só um!" Agora olhe o que você fez! – repreendeu o mais velho.
- Madame Hooch está certa, você estaria desperdiçando seu talento se não participar. Afinal, qual é o sentido de voar tão bem se não joga quadribol? – disse Damien.
Harry segurou a cabeça com as mãos. Não queria jogar para a Grifinória. Quanto mais queria se distanciar dessa Casa, mais era dragado por ela.
- Grifinória não ganha a taça há anos. Mas com você na equipe, nós podemos ter uma chance! – disse Damien.
Harry ergueu os olhos para ele.
- Quem tem ganhado? – perguntou ele, já sabendo a resposta. Draco lhe contara nos últimos cinco anos.
- A Sonserina nojenta – disse Damien, fazendo uma careta.
Harry sorriu para si. Podia fazer bem se tornar o apanhador da Grifinória, afinal.
- Tudo bem Damien, eu vou aos testes idiotas – disse Harry, fingindo derrota diante do garoto de cabelos escuros.
Damien gritou de alegria e correu para o dormitório dos meninos, dizendo que ia se trocar e, em seguida, os dois iriam aos testes.
Harry observou Damien sair e tornou a sorrir.
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Enquanto se aproximavam do pequeno grupo de pessoas em pé no campo de quadribol, Harry não conseguia deixar de se sentir um pouco animado. Quando se aproximaram das arquibancadas, o rapaz notou os quatro Weasleys ficarem vermelhos.
- O que ele está fazendo aqui? – vociferou Ron para Damien.
Harry respondeu arqueando uma sobrancelha para o ruivo, mas Damien começou a explicar imediatamente.
- Harry vai fazer teste para apanhador.
Isto rendeu uma boa risada dos quatro ruivos. Damien podia sentir o rubor em suas bochechas.
- Caia fora, vocês não têm a menor ideia – disse Damien e depois foi dar uma palavrinha em particular com Angelina.
Harry sentou e observou os outros voarem, tentando pegar a bolinha dourada. Para ele, parecia que estavam voando em câmera lenta. A maioria apenas pairava no ar, procurando a bola dourada, sem enxergá-la mesmo quando vibrava loucamente sobre suas cabeças. Ele não conseguia entender. Não era tão difícil ver a bola.
Finalmente, ele foi chamado e Damien imediatamente tornou a colocar a Nimbus 3000 em suas mãos. Harry viu os olhos de Ron se arregalaram em choque. Quando Harry saiu do chão, ouviu vagamente Ron dizer a Ginny.
- Ele nunca deixa ninguém tocar naquela vassoura!
Harry nem sequer se esforçou, ele pegou o pomo de ouro em tempo recorde, três vezes, e voltou para o chão. Havia choque no rosto de todos, exceto, é claro, no de Damien, que estava radiante de orgulho. Harry caminhou até Angelina, que tinha lágrimas de alegria nos olhos.
Ela apertou a mão de Harry com entusiasmo, declarando-o o novo apanhador da equipe. Mesmo os Weasleys não podiam discutir com ela. As técnicas de voo de Harry eram impecáveis.
- Droga! Ele é bom! – murmurou Ron tristemente para Ginny.
A ruiva não respondeu. Ela encarava Harry, os olhos fixos no garoto de cabelos bagunçados. Sua forma de voar parecia familiar, muito familiar, e quando ele acelerara em direção ao pomo, a garota sentiu seu estômago revirar em reconhecimento. Ela balançou a cabeça para clarear os pensamentos. "Não é possível, não é possível mesmo!" disse a si mesma, enquanto o observava apertar a mão de Angelina.
Harry voltou para o castelo com um Damien falante ao seu lado, revisando as estratégias da equipe sobre como iam ganhar a taça este ano. Harry nem sequer o ouvia. Tornara-se apanhador da Grifinória. Estava perdido em seus próprios pensamentos.
"Os tolos nem sequer perceberam que acabaram de selar seu destino. Se ao menos soubessem que tomaram a pior decisão em me deixar jogar. Que o pesadelo da Grifinória comece."
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