O renascimento da verdadeira Coragem:

Minhas pernas tremeram, eu cairia se Eros não amparasse minha queda, estava confusa com tudo aquilo. Tantas coisas pairando em minha mente, uma história completamente absurda, algo que eu jamais imaginara. Motivos para meus olhos felinos, para a perseguição dos servos ainda naquele dia, a resposta para de que criança falara Thanatos no dia em que o venci. Era coisa demais, respostas demais, olhei em volta, para os olhares preocupados dos três ao meu redor, e quase gaguejando tentei ter certeza do que estavam me dizendo.

-- Que... Que história é essa, Eros? Do que vocês estão falando. A constelação... Os olhos... Eu...

-- Você, Nala, é a reencarnação de nossa querida filha, que tentamos proteger com todas as nossas forças.

-- Eu... Eu sou... Uma...

-- Uma Deusa, Ariná. – respondeu Ânteros. – Ou Nala, ou seja lá como quiser ser chamada. Você já teve nomes pra caramba.

-- Isso mesmo. – diz Psique – As asas dessa Kamei são como as minhas, pois fui eu que as dei quando sua armadura recebeu o sangue de Atena.

Estava pálida como papel, ainda tremendo de incredulidade. Tudo aquilo não poderia ser verdade, por mais que eu estivesse ligada à guerras e à Atena à muitas encarnações, tal proximidade era algo absurdo. Psique sabia o quanto eu estava surpresa e confusa, chegou perto de mim, com seu sorriso terno, e me abraçou. Sentia nela o mesmo calor e bem estar de quando minha mãe me abraçava, algo de que eu tinha tantas saudades.

-- Está tudo bem, minha filha. Não fique assim tão assustada, e não vou mais embora.

-- Mas... Eu que fui embora...

-- Ela fala dessa vida. – disse Eros – Nós também descemos à Terra como humanos para te proteger, apagando nossas memórias para impedir que fôssemos descobertos. Éramos os seus pais desta vida.

-- Vocês?! Ai, meu cérebro vai dar um nó.

Ânteros se aproxima de mim, sentando-se do meu lado amigavelmente, o cara que eu teria de me acostumar a chamar de tio, colocou a mão no meu ombro e me explicou com todas as palavras, e com bastante calma para que eu não entrasse em parafusos de uma vez.

-- Nala, é por isso que não queremos que lute, mesmo tendo um poder descomunal e tendo desperto o nono sentido, o sentido que faz de seres que o possuem divindades, você ainda está num corpo humano, ainda é uma humana. Se Hera descobrir que você é Ariná, ela a destruirá com certeza, e estará fácil descobrir se você estiver lutando contra ela. Numa batalha dessas, você ainda não tem tanta experiência para despertar um poder capaz de te proteger dos ataques dela.

-- Estamos com medo... – disse Psique com olhos baixos e marejados. – Pois ela certamente descobrirá se você continuar aqui, e então, ela não só te matará, mas destruirá para sempre o seu espírito. Você não existirá mais.

-- Na maioria de suas encarnações, por causa de sua natureza, você esteve ligada a guerras por liberdade e justiça, ligada ou não à Atena. Por causa disso seu poder foi crescendo interiormente e agora está no nível de um Deus. Mas não no nível que Hera pode alcançar se descobrir a verdade.

Repentinamente um frio percorre minha espinha e aperta meu coração, uma sensação terrível e amedrontadora, um cosmo que eu conhecia e amava acima de tudo parece agonizar. Eles percebem minha preocupação, eu repentinamente pareço esquecer de tudo o que está sendo dito, mudando completamente o assunto.

-- Como estão meus amigos? Quem venceu quem? Me digam!

Eles explicam, dizem todos os Deuses inimigos derrotados, meus amigos pareciam todos bem. Dizem também que Ártemis é quase tão poderosa quanto Hera, e que acabara de ser vencida por Hyoga, restando apenas Apollo e Hera. Mas apenas o Cisne não corria para o templo do Deus do Sol. Minha expressão se torna severa, corro para a pia.

-- Me mostra o templo de Hera!

-- Ariná... Acalme-se.

-- Me mostra!

-- Por favor – torna Eros – Você tem que deixar o Olimpo.

-- É para o seu bem. – completa Ânteros.

-- Por favor, Psique. Se me mostrar, eu abandono a batalha.

Ela olhou para os outros dois, querendo mais do que tudo que eu deixasse aquela guerra para não ser destruída, ela aceita, e me mostra o templo da rainha dos Deuses. Hera tinha uma maliciosa expressão de vitória estampada na cara, uma mulher emperiquitada, mas muito bonita, tanto quanto Afrodite. À sua frente estava seu prisioneiro, que facilmente reconheci, estava muito machucado e sujo de sangue, preso a pesadas correntes.

-- Huhuhu. – ria ela – Você será minha bela isca, não pode fugir, e seus amigos virão para tentar te soltar. Mas todos perecerão em minha armadilha.

-- Desgraçada! – ralhava ele – Eu não permitirei isso, eu a derrotarei!

Ele faz força para escapar, mas seu cosmo não parece fluir, e ele se contorce quando um brilho emana das correntes, causando-lhe uma incomensurável dor, que o faz desmaiar. Meu coração se aperta em desespero, os dentes rangem de raiva, as garras riscam a beirada da pia. Ânteros se afasta vagarosamente, como quem percebe um perigo aterrador em mim. Viro-me com o olhar determinado e retalhador, colocando novamente o capacete.

-- Eu vou até lá.

-- O que?! – surpreende-se a Deusa – Mas você disse que...

-- Eu menti.

Estão mais surpresos do que eu esperava vê-los, não esperariam que eu mentisse, já que nunca o fizera, ainda mais admitindo que o fizera com tanta naturalidade. Mas mantive-me séria para eles, e firme em minhas idéias.

-- Eu sou uma Amazona de Atena, não deixarei de lutar por nada. E muito menos abandonarei meus amigos.

-- Nala, está querendo ser destruída? Eu não vou deixar que faça isso!

-- Ânteros... Vocês deviam entender. Por que querem me proteger?

-- Por que a amamos, claro! – disse Psique antes de qualquer um.

-- Então deviam me entender mais do que ninguém. Se eu sou mesmo a filha do amor e da alma, então é isso que me guia não é mesmo? Foram vocês durante todas essas eras, mas, agora, eu sou madura o suficiente para me guiar por mim mesma. Meu poder só se fortaleceu durante minhas vidas por que eu fortaleci cada vez mais o meu espírito, com minhas experiências, com meus desafios. E também, o amor já nasceu dentro desse meu espírito, provavelmente não é desta vida, mas eu o cultivei com muito carinho e dedicação. Agora eu tenho minha própria alma forte e meu próprio amor, tudo graças a vocês, mas agora eu terei de andar com minhas próprias pernas, definitivamente, fazer minhas escolhas, me arriscar no que eu acho que deva. Só assim poderei fazer renascer dentro de mim, com essa minha alma e esse meu amor, a verdadeira Coragem que me fará digna de ser sua personificação.

-- Ariná... Querida...

-- Nala... Meu nome agora é Nala. – e abrindo um sorriso confiante – Mas não importa o nome, eu nunca deixarei de ser sua filha, né?

Ela sorriu, chorando, e abraçou Eros, que também trazia os olhos marejados e cheios de orgulho. Ânteros estava tão surpreso que mal podia manter seu queixo preso à cabeça. Eros olhou para mim, se dando por vencido.

-- Parece que vamos ter que deixá-la ir, não é mesmo?

-- Vocês podem dizer que eu nasci como Deusa na era mitológica, mas depois disso, eu cresci como humana, e conheci humanos maravilhosos em meio aos baixos e mesquinhos. Entre eles que é o meu lugar, é entre eles que tenho de lutar, eu escolho o caminho e a luta dos humanos, eu sou e serei sempre humana, mesmo que com sangue divino. Além disso, não posso deixar meu amor morrer, ou não seria digna de ser a filha de Eros, se não lutar por ele até minha última gota de sangue, até a última fagulha de meu cosmo, será como se minha vida não valesse nada, eu teria traído a mim mesma. Por isso, peço que entendam, que me perdoem, mas eu quero lutar, mesmo que isso cause minha destruição, é esse o destino que eu escolho.

Lágrimas escorrem dos olhos de três Deuses alados, mas eles sorriem orgulhosos, tentando desfazer-se do medo. Eros se aproxima de mim.

-- Tem razão, minha filha querida, eu devia entender. Não há do que perdoá-la, pois é esse mesmo o caminho que se espera dos verdadeiros corajosos e honrados. Mas o medo não nos deixava permitir que seguisse seu caminho. Eu só queria poder continuar te protegendo.

-- É a minha sobrinha. – diz Ânteros de boca cheia – Que garota. Isso é que eu chamo de Coragem. Você já a despertou por completo, Nala.

-- Tenha cuidado, minha filha. – disse Psique carinhosamente. – Desperte o poder maior, e não deixe que Hera a destrua. Por favor, fique bem.

-- Eu estarei, prometo, mãe.

Ela se surpreendeu, então, cheia de felicidade, e me abraçou uma vez mais. Desta vez eu a correspondi, era mesmo o abraço carinhoso que eu tanto queria sentir outra vez, depois de tantos anos. Agora eu tinha certeza de que minha mãe estaria sempre bem. Cheguei então perto de Eros, um tanto sem graça por ter dito as coisas sobre ele me lembrar Hyoga. Ele sorriu novamente, sempre brincalhão.

-- Tudo bem, Nala. Dizem que quando uma garota ama o pai ela procura, num jovem a quem amar, aquilo que ela inconscientemente mais gostava em seu pai.

-- Por que os pais são sempre nossos heróis, né?

-- Talvez...

-- O que Hyoga tem que lembra você é a profundidade nobre e carinhosa de seus olhos, quando olha para mim.

-- Puxa, assim vou ficar convencido. – brincou.

-- E eu com inveja. – riu o irmão.

-- Mas vocês são iguaizinhos... – tornei.

Abracei Eros inesperadamente, surpreendendo-o, mas ele logo me abraçou também. Ele tinha uma maravilhosa energia, um carinho enorme, um aroma doce e suave aconchegante. De repente parecia que sempre o conhecera.

-- Obrigada... Por tanto tempo de proteção. Obrigada por tudo, pai...

Ele sorriu, quando nos afastamos, deu um doce beijo em minha testa, como Milo sempre fazia. Andei alguns metros, toquei minha testa lembrando-me de meu irmão, e me voltei para trás uma vez mais.

-- A propósito... Se vocês são Deuses, e foram meus pais nesta vida, então Milo também...
Ânteros riu.

-- Já ouviu falar em novo rico? Digamos que Milo é um novo Deus, só que ele ainda não sabe disso. Aliás, todos os seus amigos são. Hahaha.

Sorri, acenando e correndo pelo caminho em direção ao templo de Hera. Sorri por um instante, perdida em pensamentos. "Queria ver a cara dele quando ficasse sabendo...". Mas agora era a hora de uma batalha decisiva, e meu coração se espremeu dentro do peito ao pensar em Hyoga, acorrentado por aquela bruxa emperiquitada. Meu semblante voltou a ficar severo, e corri ainda mais rápido, queria chegar lá o mais logo que pudesse.

-- Ela vai ficar bem, Eros? – perguntou a jovem Deusa, amedrontada.

-- Não se preocupe, querida, eu não esperava que ela estivesse com tamanha energia emanando dela. Está forte demais, talvez ela consiga cumprir o destino previsto pelo Oráculo há tantos milênios.

-- E pensar que eles mudaram seus destinos tantas vezes, agora ela escolhe, de bom grado, correr atrás de um destino que já havia sido mudado.

-- Isso é porque... – diz Psique, com os olhos fixos na direção da morada de Hera – A flecha está prestes a ser disparada, como disse a lenda.

Nos meus olhos, apenas determinação, as pupilas felinas parecem as de quem caça ferozmente sua presa, a indignação está estampada em seu brilho, agora já diferente do que sempre fora, durante todos aqueles milênios de divindade selada. O que estaria para enfrentar eu ainda não sabia, mas pouco me importava, atravessaria qualquer tempestade ou tormenta para vencer aquela Deusa de luxúria e covardia, qualquer avalanche para estar ao lado de Hyoga mais uma vez, para lutar mais uma vez, como humana, por humanos, com a honra que aprendera ao longo de incontáveis vidas.

--

Nala: O.O

Ikki: Mer... É isso mesmo...

Sorento: Q medo... O.O

Shiryu: Eu disse que ñ precisava explicar... u.u

Shaka: Confesso... Estou surpreso... -.-

Shun: NHA!! Então é por isso q o Hyoga tinha akela mania de q vc é diferente, Nala!!

Nala: COMO ASSIM?? O.O

Shun: Er... Quer dizer...

Nala: EXPLICA ISSO!!

Shun: Droga... E ele disse q ñ era p/ eu contar...

Nala: Por favor... (cara de choro)

Ikki: Caramba... Vc é uma Deusa. Pára de pedir e manda... O.o

Nala: Eu ñ sou assim... u.u

Shun: É... Nala escolheu ficar c/ a gente, como humana n.n

Shiryu: Então ela é q nem a Saori n.n

Ikki: Só q mais legal... Ao invés de querer evitar briga ela vai p/ cima :P

Nala: HEI!! Vcs tão mudando de assunto! Shun...

cricricri (cricrilar de grilos)

Nala: Ué, cadê ele... O.o

Sorento: Fugiu :P

Nala: Droga... -.- Bom, fazer o q... Quem sabe os próximos capítulos me expliquem... Próximo!