Título: Muito Bem Acompanhada

Autoras: Tati Cullen Hopkins e Nina Rickman

Beta Reader: Dany Fabra

Personagens: Severus Snape/Marlene McKinnon

Rated: M – Cenas de Sexo (NC)

Quando: Sétimo Ano – Época dos Marotos.

Disclaimer: Severus Snape, Marlene McKinnon e cia são personagens de JKR. E "Muito Bem Acompanhada" pertence a Universal Pictures. Ou seja:

Não vamos ganhar nenhum dinheiro com isso, essas humildes irmãs autoras de fic só querem reviews!

"REVIEWS, ASSIM COMO SEVERUS, FAZEM MILAGRES!"

Avisos: Como citado acima, os personagens são de JKR e o filme pertence à Universal Pictures. Mas a fanfic Muito Bem Acompanhada, sua temática, seu enredo, e tudo mais que a compreende, é de autoria única e exclusivamente nossa. Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Portanto, qualquer cópia – integral ou parcial –, adaptação, tradução, postagem ou afins sem a nossa autorização será denunciado sem piedade. Agradecemos pela atenção.

Agradecimentos: Às nossas queridas leitoras (e leitor!) que revisaram o Capítulo 27 e nos presentearam com suas reviews: Lady Aredhel Anarion, Florence D. P. Snape, Gisele Weasley Potter, Coraline D. Snape, BCM, N. Black – Blackie, Olg'Austen, Emily Farias, Juli-chan, Fernando, Lari SL e Leather00Jacket.

Resumo do Capítulo: Por causa de Mulciber, Marlene e Severus acabam vivendo uma situação insustentável.


– CAPÍTULO VINTE E OITO –

INSUSTENTÁVEL

O momento seguinte ao que havia acontecido passou como um borrão para Marlene; ela largou o pomo tão rápido quanto o alcançara e quando se deu conta, Madame Pomfrey tinha chegado rapidamente ao campo. Felizmente, a curandeira constatou que Benjy não estava morto, não ainda, mas se encontrava gravemente ferido por alguma Magia das Trevas desconhecida. Enquanto Benjy começava a receber os primeiros socorros no próprio campo antes de seguir numa maca para a Enfermaria, Emmeline desmaiara nas arquibancadas e agora estava sendo levada para a Ala Hospitalar também.

Marlene queria acompanhar a movimentação até a Enfermaria, mas seus passos não seguiam seus comandos; como uma sonâmbula, ela andou vagueante até o vestiário e largou o corpo sobre o banco que o dividia; baixou a cabeça na direção dos joelhos, segurando o rosto com as duas mãos e desatou a chorar. O atentado que Benjy sofrera não era para ele e a corvinal sentia que tudo aquilo acontecera por sua causa, por motivos que iam muito além de uma rivalidade típica de Quadribol.

Imediatamente, a conversa que ela teve com Severus sobre Mulciber lhe voltou à memória.

Lembrança –

Promete pra mim que se você perceber qualquer atitude estranha dos meus amigos com você – Severus pediu, visivelmente preocupado –, você vai me dizer?

Prometo, claro – ela concordou, depressa. – Acho que, de estranho neles são só as Artes das Trevas, mas comigo, é só mesmo o Mulciber...

Principalmente quanto a Mulciber – Severus pontuou.

Eu sei que os seus amigos não gostam nem um pouco de mim – afirmou ela, pacientemente, como se aquilo fosse algo absolutamente normal. – E quanto a ele, Mulciber, eu já disse pra você que não gosto do jeito como ele olha pra mim... É como se ele quisesse me matar apenas com um olhar, entende? (...) Mas é claro que isso é uma bobagem – ela prosseguiu –, ele só não gosta de mim e pronto! – e com um ar divertido, acrescentou: – Acho que no fundo, ele é apaixonado por você! (...) Mas... Por que me perguntou essas coisas sobre Mulciber? – ela quis saber.

Acho que eu tenho a mesma impressão sobre ele querer te matar... – Severus murmurou, tomando as mãos dela entre as suas. – Você é importante demais pra mim, e eu não quero te perder...

Lembrança

E as palavras retumbaram em sua mente.

"É como se ele quisesse me matar apenas com um olhar..." – pensou ela. – "... como se ele quisesse me matar..."

Marlene então se recriminou: como pôde não ter percebido que era exatamente isso? Mulciber queria matá-la, sempre quis, e não se preocupou em esconder isso nem mesmo momentos antes do jogo.

"E talvez... você não saia viva desse campo pra comemorar! Eu disse, McKinnon: vai precisar de mais sorte do que eu!" – foram as palavras de Mulciber.

E agora, um grave acidente havia acontecido, um inocente que não tinha nada a ver com isso tinha sido ferido de morte e sua melhor amiga se encontrava desmaiada na Enfermaria. Mas, pior do que tudo isso, eram as dúvidas que assombravam Marlene e faziam seu coração apertar.

Depois daquela mesma conversa que tivera com Severus, na qual ele claramente se referia as atitudes de Mulciber, era impossível não se perguntar: será que ele já sabia que isso ia acontecer? Sabia que Mulciber planejava algum atentado e por isso toda aquela preocupação aparentemente sem sentido?

E se ele realmente soubesse? Bem... Essa não seria a primeira vez que Severus tinha escondido dela que sabia que alguma coisa poderia acontecer, ela pensou. Sem suportar essa incerteza, Marlene então se levantou de um salto, decidida a tirar essa história a limpo; ia falar com Severus agora mesmo, mas se surpreendeu completamente quando viu a estranha figura que chegava à porta do vestiário naquele momento.

– O que VOCÊ está fazendo aqui? – a pergunta raivosa escapou de seus lábios enquanto ela enxugava as lágrimas. – Foi Mulciber que mandou você aqui pra...!

– Você não me escutou antes McKinnon, mas me escute agora, por favor! – Regulus a interrompeu enquanto se aproximava e pediu numa súplica: – Talvez eu não tenha outra chance de te contar o que eu sei, o que eu vi!

Marlene então fitou intensamente os olhos cinzas que a olhavam suplicantes; estes lhe lembravam outro par de olhos cinzas, mas ao contrário dos do irmão mais velho, ela sentiu que deveria dar um voto de confiança ao que Regulus queria lhe dizer. Talvez estivesse mentindo muito bem, mas ele realmente não parecia em nada ter participado do atentado provocado por Mulciber.

– O que você viu, Regulus? – ela perguntou, baixando um pouco o tom de voz. – O que você sabe?

– Foi o que eu disse pra você – afirmou ele, ansioso, dando mais um passo na direção da corvinal. – Vi Mulciber enfeitiçando os balaços antes do jogo. Ele não me viu, acho que ele pensou que estava sozinho lá, mas eu ouvi quando ele disse que... – ele hesitou – ... que de hoje você não ia passar... E depois no jogo, quando eu vi que ele estava mandando todos os balaços em você, percebi que ele não estava brincando e tentei te avisar, mas você não acreditou em mim...

Marlene o interrompeu.

– Me desculpe – ela pediu com sinceridade, consciente de seu erro. – Eu achei que você queria me derrubar da vassoura, que era coisa de Quadribol mesmo e enfim, não pensei que pudesse ser verdade, que Mulciber teria a coragem de enfeitiçar os balaços! – concluiu ela, num suspiro indignado.

Marlene estava realmente indignada. Podia perfeitamente imaginar agora que Mulciber tinha mesmo preparado aqueles balaços para ela, exatamente como Regulus lhe dissera, o que num primeiro momento ela não acreditou, mas que agora, ela tinha plena certeza.

– Não tem problema – ele disse, e começou a falar com simplicidade: – Você tem uns bons motivos pra achar que eu não gosto de você, mas é exatamente o contrário. Eu gosto muito de você...

Ela piscou, estarrecida com aquela afirmação.

– Você... – ela não sabia nem quais palavras usar. – Você está dizendo que fez isso... que me contou tudo isso... por mim?

– É – Regulus admitiu. – Eu sei que talvez você nunca acredite nisso, mas eu sempre tive inveja do meu irmão... Só que era mais por causa de você. A verdade é que eu sempre tive um sentimento legal por você e acho até que eu continuo apaixonado...

Marlene voltou a interrompê-lo.

– Por favor, não diz uma coisa dessas! – ela disse, agitando ambas as mãos de maneira incomodada.Tem tanta gente nessa escola, tantas garotas bonitas, por que...?

– Porque eu não escolhi! – a resposta dele foi sincera e direta. – Já disse que eu gosto muito de você pra querer te ver machucada ou morta como o Mulciber queria e é por isso mesmo que eu precisava te contar o que eu sabia agora – ele desabafou. – Quando Mulciber me encontrar, eu não sei o que ele pode fazer...

– Mas ele não sabe que você sabe! – Marlene replicou, exaltada. – E eu tenho certeza que se você, se nós formos contar ao Dumbledore agora mesmo, Mulciber vai responder por isso!

Regulus a olhou apreensivo.

– Mulciber me viu conversando com você durante o jogo – ele interpôs. – Ele não é idiota, logo vai perceber o que me fez abandonar o pomo e me concentrar em você... Eu realmente não sei o que ele pode querer fazer pra resolver isso, antes mesmo que a gente procure Dumbledore. E mesmo que a gente consiga fazer isso, são os outros que...

– OS OUTROS QUE SE DANEM! – vociferou Marlene, e quando ele a olhou sem entender, ela explicou: – Se for pra fazer justiça, você pode contar comigo!

E sem que qualquer palavra fosse dita, Marlene abraçou Regulus, mais como uma prova de solidariedade e também de gratidão. Ele não correspondeu de imediato, tamanha fora a surpresa pela atitude de Marlene, mas assim que sentiu que aquele abraço era mesmo real, Regulus se deixou levar pelas suas emoções, a fantasia secreta de seu amor que ele bem sabia que não era correspondido. Ele até ensaiou estreitar seus braços em volta dela, porém foi só o que conseguiu fazer.

No instante seguinte, algo o arrancara daquele abraço: uma força inesperada o arremessava contra a parede e ele se encontrava no chão daquele vestiário. Ele sentiu a cabeça doer no exato instante que Marlene gritou:

– SEVERUS?

Ignorando a dor, Regulus também ergueu a cabeça para ver e a sua frente estava mesmo Severus Snape com a varinha empunhada na sua direção.

Marlene olhou para Severus sem acreditar que ele tinha atacado Regulus por causa de um simples abraço. Mas a situação era difícil por si só e ela ainda esperava uma resposta quando percebeu que seu namorado apenas a olhava com o rosto duro e a postura tensa, talvez com raiva demais para falar, pensou ela e instintivamente buscou a varinha entre as vestes, esperando pela torrente raivosa que viria dele, porém nada aconteceu.

Severus continuou mudo, apenas a observar aquela cena. Aquela tinha sido uma das raras vezes que ele tinha agido sem pensar. Mas, não era preciso pensar muito para entender o que acontecia ali.

Para encontrar Marlene depressa, ele atravessou a multidão que se formara em volta do campo por causa do acidente, pois não vira Mulciber em momento algum depois da confusão e tinha que impedir que seu "amigo" fosse atrás dela para continuar nos vestiários o que não conseguira fazer no campo.

Severus estremeceu só de pensar que, por pouco, seria Marlene estirada naquele chão ao invés de Benjy, atingido indiretamente por Mulciber e por um feitiço maligno que ele conhecia muito bem. Agora ele via que seu erro tinha sido exatamente subestimar a capacidade de Mulciber. Já tinha confiado muito na sorte, mas depois do que acontecera no campo, ele não duvidava que seu "amigo" estava mesmo disposto a tudo para acabar com Marlene.

Mas isso era algo que Severus nunca iria permitir. Naquele momento, qualquer vacilo seria fatal e por isso, sua primeira reação foi procurar Marlene, para evitar que Mulciber a encontrasse sozinha no vestiário, mas assim que adentrou o mesmo, estancou completamente diante da cena que viu.

De fato, Marlene não estava sozinha, mas não era Mulciber quem estava com ela e Severus até se surpreendeu; esquecera-se até de suas preocupações quando a viu abraçada a Regulus Black, tão confortavelmente que ele quase não acreditou. Pegar a varinha para afastar aquele outro maldito Black de sua namorada foi uma reação involuntária e agora Regulus jazia no chão enquanto Marlene vinha em sua direção, olhando-o desesperada.

– Por que você fez isso? – ela insistiu.

Severus finalmente se moveu; ele deu um passo à frente e Marlene se apressou diante dele, tentando-o reprimir.

– Acredito que ele estava lhe... importunando – respondeu Severus numa voz ácida. – Ou não?

– Não, claro que não! – ela replicou desesperada para que ele não entendesse aquele abraço de maneira errada. – Ele não fez nada!

– Eu vou embora – Regulus se pronunciou enquanto se levantava do chão, pois imaginava que Mulciber tinha uma amizade bastante sólida com Severus, além de respeitá-lo muito.

– Por favor, não! – Marlene se dirigiu a Regulus com a mão estendida, e depois voltou-se a Severus novamente: – Severus, ele só veio aqui pra me dizer que foi Mulciber quem enfeitiçou aqueles balaços, porque quando ele me disse da primeira vez lá no campo, eu não quis escutar! – e mudando completamente a expressão, ela perguntou incrédula: – Você sabia que Mulciber pretendia fazer isso? Sabia que isso podia acontecer?

Severus retorceu o rosto num esgar impaciente.

– Não exatamente – mentiu ele. – Mulciber sempre foi muito ardiloso em se tratando de Quadribol, mas...

– EU NÃO ESTOU FALANDO DE QUADRIBOL, SEVERUS! – ela gritou nervosa. Quando você disse que tinha uma má impressão, de que ele queria me matar... Era isso que você queria me dizer, não era?

– Eu tive essa impressão desde a primeira vez que ele pôs os olhos em você, assim que começamos a namorar! – Severus ainda tentou contornar, mas foi em vão.

– MENTIRA! Você sabia... Você sabia e não teve nem a decência de me contar...!

Severus não respondeu, ficar ali discutindo não os levaria a nada, ou melhor, talvez levasse o relacionamento deles a um caminho sem volta e num pensamento rápido, ele disparou:

– Vá para Enfermaria – ele disse a Marlene e dirigiu-se também a Regulus: – Vocês dois.

Marlene e Regulus se olharam sem entender.

– O quê? – perguntaram juntos.

– Vocês têm que estar em segurança enquanto eu vou falar com Mulciber – Severus anunciou, com um traço de tensão na voz. – Tenho que resolver isso antes que ele encontre vocês.

Marlene olhou apreensiva para o namorado. O rosto de Severus ostentava a expressão característica que ele assumia quando estava decidido a resolver alguma coisa à sua maneira. Apesar de estar bastante indignada por ter certeza que ele já sabia que tudo aquilo podia acontecer, ao mesmo tempo não queria que ele fosse procurar Mulciber para um acerto de contas, cujo ela temia acabar da pior maneira possível.

– Mas... não! – ela replicou.

– Vão para a Enfermaria, eu falo com vocês depois! – Severus disse, como se nem tivesse a ouvido.

– Então eu vou com você! – Marlene argumentou, porém sem êxito.

Não – ele respondeu, impondo seu tom. – Isso é entre mim e ele – e sem dizer mais nada, ele apenas girou nos calcanhares, deixando o ambiente às pressas.

Ela observou impotente a saída do namorado, depois se voltou para Regulus desesperada.

– Vai acontecer uma desgraça... – murmurou ela.

– Ainda não – ele respondeu, tentando demonstrar um pouco de confiança. – Mulciber sempre teve uma grande consideração pelo Snape, então acho que Snape tem razão em querer conversar com ele antes de qualquer coisa... Vamos fazer o que o seu namorado falou: vamos pra Enfermaria, todo mundo está lá agora, Mulciber não é nem louco de tentar aparecer lá, espero...

Marlene assentiu com a cabeça e então eles saíram dos vestiários indo em direção à Enfermaria, tomando todo o cuidado possível para não encontrar Mulciber pelo caminho, o que não aconteceu. Assim que chegaram à entrada da Enfermaria, ela e Regulus encontraram um aglomerado de curiosos que esperavam alguma notícia de Madame Pomfrey. Eles furaram o bloqueio adentrando o recinto e chegando mais perto das camas onde Emmeline e Benjy estavam, Marlene viu a amiga desacordada e ao lado dela, Benjy tinha toda a cabeça e grande parte do tórax enfaixado. Em pé ao lado das camas, ela encontrou James e Lily.

– Oi – Marlene dirigiu-se a eles ansiosa.

– Oi – James e Lily disseram juntos; o casal retribuiu a saudação dela com surpresa, sem entender o que Regulus estava fazendo ali, mas depois o cumprimentaram também e o sonserino se limitou a responder com um aceno de cabeça.

– Como eles estão? – Marlene voltou a falar, em tom baixo, apontando para a cama da amiga que ainda estava desacordada.

– A Emme só desmaiou, mas vai ficar bem; até a Dorcas não se sentiu bem, tanto que os meninos tiveram que levá-la de volta para a Grifinória – disse Lily. – E quanto ao Fenwick... – ela hesitou, concluindo com pesar: – ... entre a vida e a morte...

Marlene só balançou a cabeça para os lados, inconformada.

– Madame Hooch disse que a investigação sobre o que havia naqueles balaços já começou – comunicou James. – Um inquérito será aberto.

– Lá no campo, Madame Pomfrey disse que o Benjy foi atingido por uma Magia das Trevas desconhecida – Marlene disparou. – Mas isso não vai ficar assim! Nós – ela apontou para Regulus e para si – sabemos que foi Mulciber quem enfeitiçou aqueles balaços e ele vai pagar por isso.

– É isso que as Artes das Trevas fazem com as pessoas – disse a voz que soou atrás dela, imediatamente Marlene se virou, Regulus acompanhou seu gesto e ambos viram que Sirius tinha acabado de chegar; ele prosseguiu: – Ainda mais agora, que o tempo de se juntar a Voldemort se aproxima – ele olhou bem para o irmão –, eles estão cada vez mais audaciosos.

E, mesmo que não fosse essa a intenção de Sirius, ele conseguiu irritar Marlene profundamente com o que dissera.

– O SEVERUS NÃO TEVE NADA A VER COM ISSO! – ela esbravejou.

– Calma, Lene! – James interpôs. – Ninguém aqui está acusando Snape, embora...

– ... não falte vontade e nem motivos pra isso? – ela perguntou, e quando todos a olharam chocados, ela desabafou: – Não dá pra conversar com vocês! Não dá!

Quase sentindo ânsia, Marlene deu as costas aos amigos, saindo da Enfermaria a passos rápidos. Ela não suportava mais ouvir tanta coisa negativa sobre Severus, talvez porque o que ela não queria ouvir, era exatamente o que ela temia que fosse verdade. E, ignorando completamente o que seu namorado lhe pedira, ela decidiu ir falar com ele e Regulus a seguiu.

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Enquanto isso, Severus chegava rapidamente a sala comunal da Sonserina, e seu rosto enrijeceu quando ele se aproximou de seu dormitório.

– Mulciber! – ele chamou num grito raivoso assim que entrou no quarto, surpreendendo-se ao ver Mulciber sentado tranquilamente numa cadeira de frente a própria cama.

Mulciber apenas olhou para Severus, respondendo com uma tranquilidade imutável:

– Eu sabia que você iria querer falar comigo. E eu também tenho algo importante a dizer – ele anunciou, e então começou a falar com a voz repleta de sarcasmo: – Dentro de instantes, eu vou me apresentar na sala do diretor por livre e espontânea vontade. Então, vou estar sentado na cadeira dele respondendo a um inquérito sobre uso de Artes das Trevas em Jogos de Quadribol... Isso até valeria a pena... Se ao menos a filhote tivesse morrido!

– Se ela tivesse morrido, você não ia viver pra pagar o que fez! – Severus disse com firmeza, avançando na direção do outro. – Você não tinha nada que ter enfeitiçado aqueles balaços, Mulciber!

– É uma conclusão brilhante – Mulciber respondeu cínico. – Talvez tenha sido precipitado enfeitiçar reles balaços, porque acredite ou não, mais cedo ou mais tarde, dentro ou fora daqui, eu vou acabar com essa filhote traidora!

– Eu não irei permitir isso nunca! – Severus afirmou, visivelmente furioso; um momento depois, ele já tinha a varinha em punho e Mulciber se retorcia com falta de ar, sentindo como se mãos apertassem fortemente seu pescoço fazendo-o sufocar.

– O feitiço nos balaços... – Mulciber gemeu, o rosto completamente vermelho. – Lhe parece... familiar...?

Aquilo fez com que Severus parasse sua azaração de imediato; não era preciso mais nada para que ele entendesse que Mulciber se referia ao "Sectumsempra".

Livre da maldição, Mulciber assumiu a palavra novamente.

– Mas... não se desespere – disse ele, ainda ofegando; depois de respirar duas golfadas de ar, ele prosseguiu: – Eu estou disposto a assumir tudo sozinho, desde que a filhote não comente nada sobre as ameaças que eu fiz a ela no campo. Apologia ao uso de Artes das Trevas num simples Jogo de Quadribol, sem a intenção de matar, bem... isso a minha família consegue contornar. Já uma tentativa explícita de assassinato...

Severus contraiu o queixo e suas sobrancelhas se uniram; ele não respondeu.

– E então? – Mulciber insistiu. – Vai fazer a filhote ficar de boca fechada?

Severus respirou fundo, tinha estremecido por um instante, mas com algum esforço, conseguiu relaxar a expressão antes de responder:

– E se eu não concordar com isso?

– Eu sinto muito. Vamos ser expulsos, você bem sabe, afinal, ainda que indiretamente você participou de um atentado – Mulciber disse, dando grande ênfase as palavras. – Mas o que é isso, manter a filhote de boca fechada não deve ser muito difícil pra você, não é? Além do quê, um "Obliviate" resolveria tudo e...

– Você só pode ter enlouquecido! – Severus o interrompeu no meio da frase, com uma expressão realmente assustadora.

Mulciber ergueu as sobrancelhas e finalmente se levantou da cadeira.

– Eu não – ele disse sério pela primeira vez. – Você enlouqueceu quando se envolveu com essa filhote de Auror. Não duvido nada que quando chegar a nossa hora, você tenha um ataque de arrependimento e desista de se juntar ao Lorde. Mas, acho que você sabe o que acontece com quem diz "não" ao Lorde das Trevas, não sabe? – ele o indagou em desafio. – A propósito, eu gostaria que você pensasse melhor sobre isso, mas claro, somente quando não estiver enfiado entre as pernas da filhote!

Severus encarou Mulciber com um ódio mortal nos olhos.

Sect... – ele começou, quando duas vozes se fizeram presentes.

Expelliarmus! – Avery e Rosier entraram juntos com as varinhas empunhadas, de modo a ficarem entre Severus e Mulciber; obviamente estavam ouvindo toda a conversa no corredor.

– Encontre logo a filhote e impeça que ela conte tudo, que faça a grande bobagem que está prestes a fazer! – Mulciber gritou para Severus. – Você ainda vai me agradecer por isso!

Mulciber continuava reclamando enquanto Rosier o arrastava porta afora e Avery se voltou para Severus:

– Tá vendo as coisas que você obriga Mulciber a fazer? – ele disse em tom de advertência. – Você devia era provar que essa garota não significa nada pra você e tudo ia ser como antes...

– Guarde suas opiniões pra você – Severus respondeu com hostilidade e Avery lhe virou as costas, seguindo o resto do grupo.

Diante da situação insustentável, Severus suspirou fundo e largou o corpo sobre a poltrona onde outrora estava Mulciber. Fechou os olhos por alguns segundos e apenas se perguntou: como iria explicar aquilo a Marlene e principalmente: como iria fazê-la concordar com aquilo? Dessa vez, ele não teria como escapar.

SSMMSSMMSSMM


Notas das Autoras

– TATI –

1. Oi pessoal! Bem, depois deste capítulo, até eu acho que nós merecemos algumas pedras e tomates podres...! RSRRS. Honestamente, foi o capítulo mais difícil de escrever até então; é a pior coisa do mundo "desconstruir" desse jeito a imagem dos personagens que tanto amamos, mas foi necessário. Agora vamos ver como nossos protagonistas vão lidar com a situação!

2. Sabem aquele aviso sobre a fic ser única e exclusivamente nossa, um pouquinho antes dos agradecimentos no início do cap? Então, por favor, não o ignorem! Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Então, sobre o aviso, volto a repetir: não o ignorem!

3. E aqui, eu gostaria de pedir aos leitores fantasmas e a todos que colocaram a fic nos alertas e nos favoritos e que ainda não comentaram, por favor comentem! Afinal, as reviews podem sobreviver sem os favoritos e os alertas, mas não o contrário! E, quem tem tempo pra ler e favoritar, ou colocar nos alertas, também tem tempo pra comentar, né?

4. Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no balãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!

– NINA –

O recadinho de sempre:

GENTILEZA GERA GENTILEZA

REVIEWS GERAM CAPÍTULO NOVO!

O BALÃOZINHO DO REVIEW THIS CHAPTER É LINDO, NÉ?

ENTÃO CLICA NELE E DIZ PRA GENTE O QUE ACHOU! ;)

III

II

I