Olhei o resultado do exame Beta HCG e sorri, dobrando e enfiando no bolso da minha calça jeans. Ainda não posso acreditar que estou grávida, porém, a felicidade me consome. Edward e eu teremos outro bebê não programado, mas que não irá afetar basicamente em nada a nossa programação, somente irá mudar toda a nossa vida do mesmo jeito que Zoe deixou tudo de cabeça para baixo e fora do lugar. No lugar certo. Ela só nos trouxe alegrias. E também um pouco mais de agitação, que me fez esquecer de tomar minhas pílulas por três dias seguidos, mas não me impediu de fazer amor com Edward em todas essas noites. Tanto Alice quanto Ângela me perguntaram se minha vida sexual com Edward mudou. Ângela quer engravidar logo que terminar a residência, porque sempre quis ser mãe e Alice é uma bastardinha curiosa mesmo. Eu não respondi nenhuma das duas, mas nossa vida sexual continua a mesma. Não falta sexo. Zoe dorme a noite toda e durante a tarde. Dá tempo para papai e mamãe ter muitas conversas...

E nessas conversas, mais um bebê foi fecundado. Não me permiti enlouquecer porque era algo que nós planejamos e depois que Zoe chegou me sinto mais aberta para surpresas da vida, não me apegando mais aos meus planejamentos. Viver com Edward é uma surpresa. Ele trouxe um cachorro para casa ontem, um filhote que encontrou em uma caixa no lixo do hospital. Também não me permiti surtar, apenas disse que ele vai cuidar, levar ao veterinário e dar de presente para Alice, que adora bicho e tem uma casa imensa, com quintal e funcionários para tomar conta. Eu não posso dar conta de uma gravidez, um bebê crescendo na barriga, da nossa casa e o meu trabalho somando com um cachorro pequeno querendo roer minhas coisas. Realmente não dá. Ele fez um beicinho por vinte minutos e depois concordou, voltando a ficar insuportável com a gravidez. Ele está feliz, assobiando ainda mais pelos cantos e nossos amigos estão desconfiados, mas eu só irei contar a Jasper e sei que ele manterá segredo.

O andar da obstetrícia estava bem vazio quando cheguei após as seis da tarde. Edward estava em cirurgia e eu entrei fugindo da maioria das pessoas mais próximas. Combinei a consulta sem que ele soubesse, porque já que Rosalie abriu a boca grande para dizer que estava atrasada, não tive como fugir das muitas perguntas dele sobre fazer um teste e contei, mas agora quero fazer uma surpresinha para ele como se tivesse contando agora, mesmo que duas semanas após, vou poder fazer uma ultrassom e começar o pré-natal normalmente. Jasper estava em uma consulta e me viu, sinalizando para o final do corredor. Segui até lá e encontrei uma enfermeira que já me esperava. Entreguei meu exame positivo, ela sorriu, pediu para subir na balança e fez toda anamnese de rotina antes de me dar uma série de folhetos e livretos sobre gestação.

Jasper entrou e eu já estava com o vestido de exame. Ele pediu que deitasse na cama e não podia esconder o sorriso. Ele aproximou a máquina do ultrassom e colocou o meu pendrive para gravar o vídeo, eu me acomodei, sentindo a intrusão do aparelho, mas ansiosa. Ele colocou os olhos na tela e logo reconheci o meu bebê. Jasper fez todas as aferições e eu mesma reconheci que estava dentro do esperado, emocionada com os seus batimentos cardíacos. E as minhas contas estavam certas... Oito semanas. Ele tirou várias fotos e mandou imprimir, digitando o exame ali mesmo e mandou imprimir também, enquanto isso, ouvi o coração do meu bebê bater em sua plena saúde e permaneceria assim até o fim do seu crescimento na minha barriga.

Voltei a vestir a minha roupa e sentei, ouvindo os procedimentos padrões, as vitaminas e ele me indicou o máximo de repouso que conseguir, eu quase bufei. Entre ser cirurgiã, noiva e mãe, repouso era a última opção da minha lista.

- Como médico, deixei tudo esclarecido? – perguntou e assenti animada. – Como amigo, vem aqui garota. – abriu os braços. – Não posso acreditar que teremos mais um bebê. Vou convencer a Alice de fazermos um.

- Boa sorte com isso, palhaço. Ela é muito novinha.

- Tenho meus meios. – piscou e eu ri. – Espero que ela goste.

Despedi-me de Jasper que prometeu, sem nenhuma necessidade, que ninguém saberia até a décima segunda semana. Eu estava bem que ninguém no casamento iria saber, porque não queria esse tipo de atenção. Saí do hospital e voltei para casa, encontrando Zoe e meu pai brincando no chão da sala. Tinha tanto brinquedo espalhado que parecia que havia mais crianças na casa. Peter estava no sofá, deitado, assistindo filme e me deu um sorriso maroto. Adoro esse garoto. Dei a ele um conjunto de pinças e bisturis semana passada e Charlotte me ligou com muitos palavrões porque ele estava dissecando sapos na mesa da cozinha. Eu ri tanto que não consegui pedir desculpas, mas em minha defesa, foi Edward quem o ensinou a dissecar o bicho.

- Nós vamos ao cinema. – Charlie me entregou Zoe, que me deu um sorriso gostoso. – Quando irão para Hampton?

- Amanhã de manhã.

- Ok. Está tudo certo para nossa ida?

- É claro. Vou esperar vocês ansiosamente.

Edward e eu combinamos que agora que o pai dele teve alta do hospital e o casamento está próximo, iremos passar uma semana sozinhos em Hampton, com Zoe, curtindo o bebê e nossa filha, para depois passarmos três dias com nossos pais, respectivamente, e logo no quarto dia seria o casamento. Depois do aniversário dele aqui em casa, praticamente não vimos Elizabeth e Edward. Eles estavam... Sozinhos. E Edward quer ficar um tempo com o pai e acho muito necessário essa ligação.

Depois que Charlie saiu com Peter, coloquei Zoe na cadeirinha para brincar com um nabo e uma cenoura enquanto comecei a preparar meu jantar romântico para meu marido. Edward e eu já casamos, a cerimônia será uma mera formalidade e confraternização com nossos amigos. Ângela ainda não consegue entender como vou casar antes dela, mas começando que nós já temos o local próprio e temos apenas um terço da quantidade de convidados dela, o que influencia muito na marcação da data em todos os aspectos. Rosalie, que irá casar somente ano que vem, já conseguiu deixar Alice fora do sério com seus detalhes e exigências. A baixinha já deixou claro para Jasper que eles irão casar em Las Vegas, sem nenhum preparativo, apenas diversão.

Dei o jantar de Zoe. Ela está muito amorosa, sempre dando seus beijos de boca aberta. Enviei uma mensagem para minha sogra, que também está me ajudando na singela comemoração de um ano dela, que será mês que vem, após o meu aniversário. Sua esperteza é tanta que já chama "mama" o tempo todo e "papa" também. Tanto Edward quanto eu decidimos que sua primeira palavrinha completa foi "não". Ela também é muito sapeca ao dançar as músicas que Edward coloca, sacudindo e dando seus passinhos com auxílios de nossas mãos e ela ainda irá completar onze meses no fim do mês. É simplesmente incrível o seu crescimento. A velocidade que aprende nossos ensinamentos é impressionante. Sou muito orgulhosa da menina linda que está se tornando. Durante o seu banho, brincou com o patinho e depois me pediu colo. Dei-lhe sua chupeta e um pouco de balanço na cadeira e ela logo estava adormecendo.

Edward e eu começaremos uma obra neste apartamento. Ele é espaçoso o suficiente para ter mais quartos e não queremos nos mudar, porque nos apegamos a viver aqui e por ser tão perto do hospital. Pensamos em procurar outro, maior, e só encontramos coberturas longe daqui e nenhuma que nos desse o gostinho de casa como aqui. Já procuramos um arquiteto e um engenheiro, que nos apresentou a planta e Zoe precisará ficar conosco em nosso quarto enquanto a obra será feita. Nosso quarto será ampliado e a porta ao invés de frente para sacada, será de frente para o corredor, com um closet e banheiro, que permanecerá no mesmo lugar. Construiremos dois quartos no andar de cima e um pequeno quarto que será armário para roupas de cama, tolhas e panos de pratos.

Abaixo da sacada, será feito um escritório e um quarto de hospedes.

Os quartos de cima serão para nossos filhos.

Já informei a Félix que logo começará uma obra que se estenderá até acima do bar e eu acho que o barulho noturno não será incomodo, ele não costuma oferecer música ao vivo e o ambiente é bem fechado, quase não dá para ouvir do lado de fora, dirá para cima. Estou excitada com todas essas mudanças. Louca para acontecer logo, porque nós pedimos que essa obra dure até meus oito meses ou menos. Eles me garantiram por um preço exorbitante que será feito.

Coloquei Zoe no berço e peguei o monitor, encostando a porta e descendo no momento que Edward abriu a porta da sala. Sorri e pulei em seus braços, enchendo de beijos no rosto. Ele sorriu e me ergueu no colo, sentando comigo no sofá, sem tirar os lábios dos meus, uma mão apertando minha bunda e a outra o seio.

- Que recepção maravilhosa. – disse no meu pescoço e gemi. – Zoe?

- Dormindo. – respondi antes de atacar seus lábios novamente. – Espera. Fiz o jantar.

- Ok. Podemos comê-lo depois. – disse e eu ri, empurrando-o. – Você anda com um tesão incontrolável.

- Vamos casar. – ergueu um dedo. – Você está grávida. – disse erguendo outro dedo. – Eu já queria fazer amor o tempo todo, agora eu percebi que eu posso fazer amor o tempo todo.

- Nós fizemos... De madrugada e hoje de manhã.

- Adoro que Zoe esteja dormindo a noite inteira mais vezes que antes. – sorriu e bati no seu ombro. – Temos que aproveitar para fazer todo sexo do mundo enquanto tiver vontade e depois não teremos tempo e quando tivermos, o bebê vai estar acordado. Viveremos de rapidinhas no chuveiro. – disse e ele tinha um ponto. O jantar poderia esperar.

Edward e eu fomos para o quarto e encostamos a porta, precisando fazer silêncio enquanto o nosso bebê dormia no quarto ao lado. Tirei minha roupa e deitei na cama, cobiçando seu corpo. Amo as suas coxas grossas e seus ombros largos. Amo seus braços definidos e a sua barriga não definida, com os poucos pelos espalhados pelo peitoral. Ele sorriu ao perceber que eu estava admirando-o e pegou meu pé, beijando o tornozelo e subindo com seus lábios peritos até o meio das minhas coxas, fazendo-me ansiar pelo seu toque no ápice entre minhas pernas.

Quando descemos novamente para comer, já era o começo da madrugada e eu estava faminta. Conforme as semanas foram passando depois que descobri a gravidez, percebi que sinto mais fome que o habitual, mas nada alarmante, ainda como a mesma quantidade que antes. Sei que conforme minha barriga for crescendo, a minha fome crescerá na mesma proporção ou em dobro. Preparei coq au vin, que me deixou com água na boca. Coloquei o Ipod na base e deixei a primeira música tocar enquanto começávamos a devorar nosso jantar no balcão da cozinha. Edward estava no vinho e eu no suco, enrolados em roupões e ainda tinha a sobremesa.

De repente, a música parou e o som do coração do nosso bebê começou a tocar. Edward parou com o garfo no meio do caminho e ficou pensativo, sorri quando ganhei seu olhar e balancei a cabeça, confirmando que era o nosso bebê saudável. Eu não podia expressar o amor no meu coração. Beijei sua bochecha e peguei meu telefone, acionando o vídeo da minha ultrassom. Ele ficou parado, olhando, maravilhado e chorou.

- É real. Nosso bebê é real. – sussurrou e sorriu ainda mais. Era essa reação que eu sabia que ele teria e merecia ter, o pacote completo de se emocionar. – Seremos pais novamente.

- Fomos bem rápidos, significa que não podemos dar bobeira, ou teremos um time de futebol em casa.

- Farei vasectomia depois do quarto. – piscou e eu ri.

- Uma gravidez por vez, a cada vez que falamos, você aumenta um bebê.

- Nós podemos ter uma grande e linda família, daquelas bem ruidosas com filhos fazendo bagunça e brigando na mesa.

Por sermos filhos únicos, concordamos em ter mais de um bebê e eu pensei que essa seria a minha única gravidez, mas parece que Edward está contando com mais um bebê daqui a dois anos e meio. E eu entendo e até aceito. Teremos uma família numerosa. E nossos filhos nunca serão sozinhos. Terminamos de comer e limpamos tudo, descendo as malas prontas para a sala. Cuidadosamente desci meu vestido e deixei esticado, apoiado na porta junto com a roupa de Edward do nosso casamento. A caixa com meus itens pessoais do dia do casamento ficou junto a porta. Eu estava muito animada nessa pequena pausa antes do casamento. Muito animada com o meu casamento e quero mesmo curtir a festa. Não sou uma pessoa festeira, mas esse é o meu momento com Edward. Estamos saboreando muitas coisas boas juntos e quero aproveitar.

Acordei com Zoe em cima de mim, puxando a minha blusa. Tentei focar na minha névoa sonolenta o que ela estava fazendo e Edward a pegou, colocando-a na cama e virei para vê-lo lutar com ela para trocar sua fralda. Depois de trocada, ele ofereceu a mamadeira, ela disse que não e voltou para cima de mim, não satisfeita até me ver totalmente acordada. Olhei para o relógio e era quatro da manhã. Edward deitou de novo, se cobrindo e eu fiquei quieta, não dando confiança para as brincadeiras e conversas dela até que aceitou a mamadeira e adormeceu. Ajeitei-a entre nós dois e fechei meus olhos de novo para cochilar por meia hora antes de acordar e sentir a falta dela.

- Cadê a Zoe? – perguntei acordando Edward.

Ele abriu os olhos assustado pela forma brusca que o sacodi.

- No berço. – respondeu virando na cama. – Ela dormiu e eu fiquei com medo de adormecer mais pesado e virar na cama.

Edward não consegue dormir quando Zoe está entre nós porque ele tem medo de sufocá-la. Encaixei-me deitando em seu peito e alisei sua barriga. Ele abriu meio olho, observando minha mão subindo e descendo. Beijei bem acima do seu coração e desci distribuindo beijinhos até ficar debaixo da coberta, abaixando a calça do seu pijama com a cueca e dando um beijo suave na cabeça do seu pênis. Depois de ouvir um gemido baixo e profundo, tomei-o todo em minha boca, começando a nossa manhã sacana de pré-casamento. Após a minha arte de dar ao meu marido um boquete matinal, tomamos banho e nos unimos para acordar Zoe. Ela tem um sério problema em ser acordada e eu estava disposta a aturar seu mau humor porque teríamos um lindo dia e ela não poderia perder por estar dormindo. Quando acorda e demora a dormir, ela fica a manhã inteira completamente apagada, acordando somente na hora do almoço. Hoje isso não irá acontecer.

Irritada e sem nos dar confiança, seguiu a viagem de carro até Hampton com beicinho e o cenho franzido. Esperei com muita paciência que finalmente acordasse. Edward tirou nossas coisas da mala e arrumou tudo sozinho, deixando nossas roupas do casamento no fundo do closet do nosso quarto. Ele também armou o berço portátil e guardou todas as roupinhas delas. Decidimos ir ao mercado enquanto ainda era bem cedo e ela não parecia animada. Com as coisas coloridas e muito que mexer, Zoe voltou ao seu humor usual e até aceitou nossas brincadeiras sem ficar nos encarando com o ar de que acabamos com a sua soneca. Em casa, demos seu café da manhã, arrumamos as compras e colocamos biquíni. Eu queria ficar na praia, então, Edward carregou cadeiras, guarda sol, mesinha e todos os brinquedos de Zoe. Também encheu uma bolsa térmica com água, suco e algumas garrafas da sua cerveja favorita.

Edward pegou a câmera e ligou no momento que coloquei Zoe na areia a primeira vez. Ela estava de pé entre minhas pernas e ficou olhando para a areia com cara de espanto, logo fazendo a sua clássica expressão de que iria chorar. Fez força para voltar para o meu colo, quase tirando a parte de cima do meu biquíni do lugar e depois que a peguei, tentou tirar a areia do pé, reclamando que a mão estava suja. Limpei seus pés e mãos e ela deitou, nenhum pouco impressionada com a praia, olhando emburrada para Edward que estava cavando um pouco de areia com a pazinha. Ela ficou tranquila no meu colo por um bom tempo, bebeu água e suco. Sentei com ela na beira, deixando que a onda viesse bem próxima a nós, mas ainda assim ela não demonstrou interesse, apenas me olhou como se pudesse dizer "vamos embora daqui".

Tentamos fazê-la socializar com a natureza por toda manhã, sem sucesso, fiquei com ela na piscina brincando, algo que ela já encarava com animação enquanto Edward preparava nosso almoço, olhando-nos da janela da cozinha.

- Mama! – Zoe gritou, chamando minha atenção e eu sorri com meu coração tomado de amor por essa menina que transformou toda a minha vida. – Ah Mama! – gritou novamente, exibindo os dentinhos pequenos e um sorriso saudável. Ser mãe sempre foi algo abstrato, um plano, nada me preparou para a plenitude. Eu teria me arrependido se a deixasse ir. Não posso imaginar um segundo da minha vida sem o seu sorriso e minha sogra tinha razão, no trabalho sinto saudades dela e em casa, sinto saudades do trabalho. É um sentimento agridoce, porém, é assim que ter que ser. Não há duelos, apenas quem eu sou. Mãe e cirurgiã. E agora, uma esposa muito amada e mimada.

Edward voltou para aérea da piscina, colocando pratos na mesa da varanda. Ele estava de bermuda, sem camisa e com um avental mal colocado. Observei suas costas, ciente que sempre amei seu corpo. A primeira vez foi a sua altura e porte, a segunda o quanto ele tinha força para me pegar de jeito e seu tamanho todo me faz sentir segura. Ele é pesado e alto, uma combinação boa de se olhar, com músculos discretamente trabalhados, nada muito grotesco. Suas mãos são delicadas, devido a nossa profissão, porém, seus dedos são longos e não tão finos. Mãos que fazem mágicas em pacientes e em mim. Ele sorriu quando me viu abertamente paquerando-o, mas Zoe não estava satisfeita em não ter minha atenção e jogou água, rindo e fazendo gracinha.

Lembrei-me da noite do seu aniversário, semanas atrás, no qual reunimos todos nossos amigos e alguns parentes dele que não tomaram a dica que o convite era por educação. Foi uma noite muito agradável, mesmo que não tão íntima, em nossa casa. Rosalie e eu preparamos tudo que foi servido, do petisco ao doce. Foi divertido cozinhar com ela enquanto observávamos Zoe e Mason brincar lado a lado, mas não juntos. Eles não pareciam interessados em interagir. Costumo brincar que toda essa indiferença será amor em algum futuro próximo. Emmett adora a ideia, já Edward... Ele mostra sinais que é um pai bem ciumento e que não existem argumentos contrários. Não sei como lidar com essa irracionalidade machista que domina a mente de pais de menina. É fofo somente se for brincadeira.

Saí da piscina com Zoe e sentei para almoçar, faminta e salivando pelo bife.

- Não olhe rápido. – Edward disse baixinho e virei lentamente para ver Zoa ficando de pé sozinha, ela deu um passinho e ela logo caiu de joelhos, continuando a engatinha. – Ela vai começar a andar logo.

- Nosso bebê está crescendo. – funguei emocionada e ela riu, apertando minha mão. – Espero que ela esteja andando na sua festinha, para aproveitar mais.

- Ela aproveitará de todo jeito, adora uma bagunça.

- Seus pais confirmaram que vem mais cedo?

- Sim... Eles vão sair da bolha por uns dias. – murmurou meio secamente.

- São cinco anos de atraso, dê um tempo a eles. – pisquei e ele grunhiu, voltando a comer. – Não seja bobo. Eu tenho que ver Charlie beijando Charlotte, isso é muito para mim.

- Ela é bonita, adorável e muito a ver com seu pai. Ela o coloca em seu lugar... Chega ser engraçado.

- Sempre foi assim, desde que eu era criança. Charlotte nunca foi de ter medo do meu pai.

- Você conheceu o Peter, marido dela?

- Sim, ele era legal, mas muito na dele, vivia fora, viajando... Não tinha muito jeito com o filho, o que é bem normal...

- Seu pai parece se entender com Peter.

- Logo que identificamos que ele era como eu, eles ficaram próximos.

- Olhe de novo. – Edward pediu e Zoe deu dois passinhos. Meu coração bateu forte ao vê-la andar e depois caiu com as mãos apoiadas na frente. – Temos que ficar com a câmera ligada e carregada a partir de agora. Ela pode disparar a andar a qualquer momento.

Zoe perdeu o equilíbrio mais uma vez e caiu, batendo com o queixo no chão. Seu grito foi de gelar meus ossos, levantei tão rápido que não sei como não caí também. Segurei-a em meus braços e nós duas nos refugiamos no colo de Edward que nos deu o carinho e conforto o suficiente para aplacar a dor. Não houve machucados, olhei seu queixo e sua boquinha, foi apenas o susto da pancada, provavelmente o choque da colisão e não a permiti dormir mesmo no horário que eu sabia que ficaria com sono à tarde. Brincamos e zoneamos a sala inteira. Depois do banho, não teve jeito, ela dormiu no meu colo.

- Eu amo ser pai. Acho que encontrei algo que amo mais que a medicina. – Edward disse secando-se e olhando para o pequeno projeto de furacão adormecido em meus braços. – E preciso me exercitar mais para acompanhar o ritmo dela. Minhas costas estão me matando.

- Pensei em fazer Ioga durante a gravidez... Pode me ajudar na hora do parto.

- O parto. – Edward murmurou pensativo.

- É melhor se preparar psicologicamente para me ver sentir dor.

- Eu sei. – disse ainda pensativo. – Eu sei... – suspirou. – Dor. Certo? Gritar e tudo mais.

- Vamos trabalhar isso com os meses à frente.

Coloquei Zoe no berço e desci com Edward para diminuir a quantidade de brinquedos espalhados. Deitamos no sofá e assistirmos televisão, coisa que não conseguimos fazer juntos já tem um bom tempo. Na metade do filme, ele levantou e foi à cozinha, fez pipoca e voltou com vinho. Sorri porque fazer isso era algo que eu sentia falta e não tinha mais tempo. Eu bebi só meia taça, que não faz mal e nem me deixaria tonta, mas comi o balde de pipoca praticamente sozinha porque ele não liga muito.

Na manhã que nossos pais chegariam, observei Edward cantar para Zoe deitada preguiçosamente entre nós dois. Eu ainda estava muito sonolenta para levantar devido as nossas atividades noturnas, mas com fome, sorri para o momento pai e filha e ouvi o barulho de uma buzina. Edward levantou, para o descontentamento de Zoe e disse que era meu pai. Troquei de roupa porque ele já estava de bermuda e camiseta, descendo atrás com nossa menina empolgada por ouvir a palavra "Vovô". Charlie faz muita bagunça com ela. É um caso de amor e gritos pela casa. Zoe ainda não teve muito contato com o seu avô Edward, mas sei que o amará também. Ela é muito carinhosa.

Meu pai pegou-a após me dar um beijo na bochecha e dizer que trouxe um engradado do meu espumante de vinho favorito. Sorri e troquei um olhar com Edward. Eu não queria contar a ninguém agora, mesmo a nossa família, porque sei que eles não irão se conter de felicidade e vão espalhar a notícia, principalmente os avós de Edward. E não seria justo contar para uns e pedir segredo para outros, no fim, não daria certo. Quero passar essas doze semanas sem me preocupar com nada externo influenciando nesse crescimento tão delicado do bebê. E se acontecer algo, não quero a pressão da família em cima de mim quando apenas precisarei de Edward. Nesse momento, só preciso dele, das suas reações e felicidades. Após o primeiro trimestre, toda nossa família será muito bem vinda em comemorar esse tempo conosco.

Charlotte logo se apoderou da cozinha e Charlie subiu para ajudar Peter a trocar de roupa. Eles trouxeram peixes frescos e Edward deu a ideia de fazê-los na churrasqueira. Troquei a fralda de Zoe para uma a prova d'agua e vesti seu maiô de bolinhas azuis, colocando um biquíni azul também. Eu mal tive tempo de reclamar de fome quando ouvimos outro carro se aproximando, dessa vez fui abrir a porta e sorri ao ver minha sogra estacionar cuidadosamente atrás do carro do meu pai. Edward, meu sogro, foi o primeiro a sair do carro. Fiquei admirada o quanto ele era bonito sem a aparência de doente. Ele era de tirar o fôlego. E sei como meu marido ficará daqui a uns anos e tenho que me preparar para acompanha-lo na jovialidade e beleza.

Elizabeth me abraçou apertado e ela estava tão feliz que parecia outra mulher. Zoe adorava o jeito esfuziante da avó e logo se jogou no colo dela. Meu sogro também me deu um abraço, mas era a sua neta que ele estava ansioso para ver. Edward chegou na sala e abraçou os pais com carinho, não escondendo a sua emoção de estar com o pai tão bem. Essa história era o milagre da nossa família.

- Essa menina é tão linda. – Edward Pai disse pendurado no ombro de Elizabeth, que fazia arrulhos para Zoe gargalhar. – Vocês foram muito abençoados. Lizzie e eu deveríamos termos tido mais filhos. Não tenham um só pela falta de tempo na carreira ou os projetos profissionais, tenham mais que um, para que ela não cresça sozinha ou tenha que contar com um amigo como Emmett. – brincou e o meu Edward riu.

- Ele foi um bom amigo.

- Ele só te colocou em enrascada. Aquele moleque só sabia aprontar.

Elizabeth revirou os olhos.

- Como se o teu filho fosse santo. Foi ele quem riscou o fosforo para atear fogo naquelas palhas na fazenda.

Olhei horrorizada para Edward, que teve a decência de corar de vergonha.

- Eu era uma criança. – encolheu os ombros.

- Espero que nossos filhos não te puxem.

- Edward era terrível. Sempre que Emmett assumia a culpa, eu sabia que tinha dez dedos do meu filho no meio. – Elizabeth disse olhando para Edward. – Não eram simples traquinagens, eram pesadas. Como amarrar o rabo do gato da vizinha, derrubar a escada de incêndio, colocar inseto de mentira na comida dos outros, colar chiclete no cabelo e fazer aposta em brigas da escola. Eu tinha que correr antes de algum paciente ou no meio de alguma sessão para tirar esse garoto da encrenca.

- Uma vez deixamos que fosse ao acampamento da escola... Tivemos que buscá-lo em dois dias porque ele e Emmett aterrorizaram as outras crianças, recriando as histórias de terror mais conhecidas no meio da noite. – o pai dele disse e até as orelhas de Edward ficaram vermelhas.

- Você tinha que ter me contado essas coisas antes. – acusei de brincadeira e ele me abraçou. – Espero que nossos filhos não puxem a você, não sou boa educadora, a Zoe faz arte e eu rio. Vamos criar um monte de monstrinhos.

- Vamos criar um monte de monstrinhos. – concordou e eu ri, beijando seu pescoço. – E essa monstrinha precisa terminar de comer. Vamos para cozinha, Charlotte está arrumando as coisas para o almoço e Charlie está na piscina com Peter.

- Vou trocar de roupa, então.

- Escolham o quarto que quiserem ficar, todos estão limpos. – disse a minha sogra e eles subiram com as coisas. Edward estava com Zoe, oferecendo seu café da manhã e me deu um olhar. – Você disse que era um anjinho.

- Até onde me lembro, isso só são as acusações dos meus pais. – piscou e eu ri mais ainda.

O pai de Edward era exatamente da forma que foi descrito. Falante ao extremo, brincalhão, muito piadista e alto astral. Era muito reconfortante ver o quanto o meu Edward e Elizabeth estavam felizes com ele.

Deitei na espreguiçadeira depois de comer muito no almoço e discretamente Edward deitou comigo, beijando minha barriga e trocamos um olhar, felizes que nosso bebezinho estivesse bem protegido e crescendo. Zoe pediu colo e a coloquei deitada entre nós dois. Edward nos abraçou e era impossível não amar a sensação de me sentir tão abertamente protegida e amada por ele. Nós duas somos mimadas diariamente e muito bem cuidadas. Vivi tanto tempo triste, em um mar de amargura e solidão que ainda sinto vontade de chorar quando percebo quão abençoada me tornei depois que conheci Edward. Ele é luz. Ele é a minha luz do dia, que chegou de fininho entre as nuvens densas, como um filetinho de esperança e agora tomou conta de todo meu céu, transbordando-me de amor e felicidade.

Dois dias inteiros com nossos pais foi o reforço necessário para o nosso casamento. Na manhã, acordei bem cedo. Edward saiu da cama para ajudar a montar as cadeiras e todas as coisas que faziam parte da decoração. Não contratamos muitas pessoas e contamos com a ajuda dos nossos amigos para fazer parte de cada momento. Ao invés de um dia de beleza, fiquei no quintal arrumando as mesas, fixando as flores e todos os arranjos da decoração. Envolvemos as cadeiras com os forros e enfileiramos todas que ficariam na areia para a cerimonia. Meu pai e Jared cavaram dois grandes buracos para prender com firmeza meu arco de flores, onde o juiz nos casaria em formalidade. Já assinamos os papeis e sou a Senhora Masen há alguns dias. Edward concordou que seria uma mudança brusca para minha carreira mudar completamente para Dra. Masen, então, por enquanto eu seria a mulher hífen, sendo chamada de Dra. Swan-Masen, mas, com o tempo, iremos introduzir a mudança. Quero ser reconhecida pelo nome do meu marido.

Logo que todas as coisas do quintal estavam encaminhadas, subi com Rosalie, Alice, Ângela, Jéssica, Charlotte, Esme e Elizabeth para começar os preparativos femininos. Era muita mulher no mesmo quarto, mas nos divertimos muito e rimos de todas as gracinhas de Zoe. Tomei banho e Alice secou e escovou meu cabelo, fazendo o penteado que vimos na internet. Ela prendeu a pequena coroa fina de pedrinhas de diamante no meu cabelo, uma ostentação que tenho de herança da minha avó. Rosalie fez a minha maquiagem simples e com uma ajudando a outra se arrumar, ficamos prontas. Meu vestido era um modelo sereia, todo justo até os pés, com uma calda de tamanho médio. Eu iria casar descalço por causa da areia funda. Jéssica estava linda com seu vestido rosa claro e colocou a coroa de flores na cabeça.

Minhas madrinhas estavam com vestidos longos, azul bem claro, de tecido fino, com mangas ciganas e lindas coroas adorando suas cabeças. Eu não podia dizer quem era a mais bonita de todas. Charlotte, Esme e Elizabeth usavam modelos diferentes, mas com o mesmo tom de amarelo suave.

Zoe usava um vestidinho rosa também, toda de menina, porque entraria com Peter para trazer as nossas alianças.

Quando as meninas desceram para o meu pai entrar, ele ficou parado na porta com lágrimas nos olhos. Apesar de ser o meu segundo casamento, ele nunca me viu de noiva e nem esteve presente na primeira vez. Hoje, ele está realizando algo que sei que é um sonho. Com cuidado, tirou um colar do bolso e eu reconheci como um dos que minha mãe usou muito quando eu era criança. Pensei que ela tivesse vendido quando as coisas ficaram ruins.

- Phil mandou. Ele queria que você usasse hoje. – disse e virei de costas, observando a pequena pedra em forma de gota. – Sua mãe disse a ele que eles nunca deveriam vender porque ela só poderia te dar isso em seu casamento. Ela não entregou na primeira vez, sabemos o motivo, tenho certeza que entregaria agora.

Abracei meu pai apertado, confiando que a minha maquiagem era realmente a prova d'água. Rosalie sabe que estou grávida, mesmo que não tenha dito nada. É assim que nós somos com a outra. Apenas olhamos, não precisamos de palavras. Ela previu que meus hormônios me deixariam enlouquecida. Com cuidado, descemos a escada e saímos da casa pela lateral. O vizinho estava ali, a postos para me ajudar a passar sem ser vista por Edward. Quando cheguei ao fim do corredor, o casal que contratamos começou a cantar a nossa canção em versão acústica, então caminhei, apaixonada, emocionada e muito feliz em direção ao homem da minha vida. Ele demorou trinta e um anos para chegar até a mim, eu demorei trinta e cinco para chegar até a ele. Agora nós temos o para sempre, para compensar todo tempo que perdemos longe do outro.

Estamos apenas começando.

FIM.