Gente, estamos cada vez mais perto do final da primeira parte da fic! Minha cabeça está fervilhando de ideias, eu gostaria de ter mais tempo livre para escrever e postar para vocês. Mas estou em contagem regressiva para a minha formatura e isso quer dizer que finalmente terei mais tempo para me dedicar as minhas histórias! Bom, chega de falar. Espero que gostem do capítulo.
A Lenda da Lua
Paola B. B.
Capítulo XXVII. Estratégias
PDV Edward
A menina poderia ter parado de colocar seus pulmões para fora, porém seus pensamentos praticamente me tiravam os sentidos. Tudo o que eu escutava era o sarcasmo doentio dos vampiros misturado com o som de ossos se quebrando seguido de gritos e lamúrias de dor. Tudo o que eu enxergava era a beleza esmagadora dos rostos de anjo contrastando com a crueldade nos olhos de sangue. E então veio a memória, a minha própria memória. O arrepio subiu pela minha espinha e eu lutei para não ser tomado pelo desespero. O ataque contra as pobres adolescentes foi cometido por Victória e seu parceiro. E, de minhas próprias lembranças, eu o reconhecia. James.
Meus braços automaticamente trouxeram Bella para mais perto. Eu a sentia tremer em meu peito enquanto as atrocidades ocorridas nos meses de guerra na Lua violavam as barreiras da minha mente.
- Vou levar Bella para casa. – foi a primeira coisa que disse assim que recobrei minha visão. Meu foco era em Daniel.
Era impossível não me sentir intimidado pelo par de orbes cinzentos. O príncipe estava furioso, todavia eu também conseguia identificar a preocupação latente.
- Eu ficarei com Charlie e Carlisle, vocês todos vão para a nossa casa. – seu tom de voz não permitia aberturas para discussões e então eu ouvi seu pensamento com clareza. – James?
Apenas assenti em resposta e ele logo assumiu seu tom de comando.
- Mantenha-se preparado, peça a Jasper e Emmett que cuidem do perímetro da casa, Nat é boa lutadora então é melhor que Esme fique com Bruna para que minha companheira possa lutar sem preocupações se caso for necessário. E por tudo o que é mais sagrado, não saia do lado de minha irmã!
- Eu não vou. – respondi antes de me levantar. Deixei minha namorada grudada em meu corpo e praticamente a reboquei para a mesma porta em que a menina tinha entrado.
As pessoas ainda não sabiam o que fazer. A maioria estava estanque, apenas observando a Dra. Davis tratar a ferida. Eu podia ouvir os bochichos, alguns curiosos, outros assustados e muitos teorizando sobre o que poderia ter acontecido, havia ainda aqueles que acreditavam que aquilo era apenas uma grande brincadeira de Halloween.
Já aqueles que correram para fora tinham apenas pensamentos horrorizados. E assim que todos nós chegamos ao lado de fora tivemos o mesmo pensamento aterrador. Meus olhos travaram na mensagem gravada com sangue na parede. Parte de meu cérebro gravava Charlie e Carlisle verificando os corpos e falando com o xerife que tinha os pensamentos apavorados com a ideia de ter de lidar com um assassino em série na pequena e pacata cidade de Forks.
Eu apenas não conseguia tirar minha atenção da mensagem. Como eles nos encontraram?! Victória havia nos visto em Seattle. Como ela conseguiu deduzir que estávamos em Forks?! Era impossível! Impossível... Não para James. O vampiro era um caçador por diversão e, para a nossa agonia, um caçador extremamente competente. De alguma forma ele conseguiu nos rastrear e agora mais do que nunca Bella está em perigo.
O corpo da lunar de repente ficou pesado em meus braços e tirou minha atenção das palavras de sangue. Olhei para o seu rosto e me apavorei ao notar seus olhos cobertos pela película branca da visão do futuro. Abaixei-me segurando seu corpo e logo percebi Daniel ajoelhando-se ao nosso lado. Ele repousou sua mão direita no rosto de Bella e no mesmo instante os olhos do príncipe foram cobertos pela mesma película branca e agora eu podia ver a previsão através da mente dele.
Vidros se quebravam a minha direita e eu podia sentir o calor esquentando minha pele. Pessoas corriam e gritavam, eu olhava para todos os lados procurando por alguém. Eu não conseguia identificar o lugar em que estava, tudo parecia borrado. A imagem de repente mudou de direção. Eu notei que estava no mesmo ambiente, mas não no mesmo lugar. Rosnados arrepiaram minha pele e então novamente eu estava em outro lugar do ambiente. Foi então que virei meu corpo e me deparei com o sorriso sagaz de Victória.
- Olá, princesa! – seu tom falsamente simpático.
Virei-me para fugir, mas neste momento seus braços de aço envolveram meu corpo e me vi preso e sem esperança. Puxei o fôlego e gritei.
- Edward! – de repente tudo ficou silencioso e em minha frente estava James. Sua expressão era pura alegria enquanto ele brincava feito um malabarista com uma bola de fogo. Eu seguia o vermelho correr envolta do corpo do vampiro como se fosse um animal treinado. Era bonito e apavorante ao mesmo tempo.
Então a pequena chama flutuou sobre a mão direita dele. Ele sorriu e olhou para alguém a sua direita. Segui o seu olhar e notei que era eu. Eu obviamente estava furioso e mal segurava meu rosnado.
- O que acha de virar pó novamente? – perguntou e senti o desespero crescer assim como o aperto de aço em volta de meu corpo. – Ou então seja melhor acabar com ela primeiro... O que você acha, leitor de mentes?
E sem um segundo pensamento o braço do psicopata fez um movimento rápido e a chama veio em minha direção. A resignação durou o tempo de enxergar meu corpo se colocando na frente do ataque.
Puxei o fôlego com força ao sair da visão de Bella. Eu olhava para Daniel que nunca me pareceu tão perturbado. As mentes agitadas de nossa família me chamaram a atenção e só então notei que eles haviam formado uma barreira com seus próprios corpos a nossa volta. Voltei minha atenção para a princesa em meus braços. Ela estava desacordada e de seus olhos escorriam lágrimas de sangue.
[...]
PDV Daniel
Encostei-me a uma árvore e cruzei meus braços no peito. A minha frente estava Alice com seus olhos perdidos no futuro. Nós aguardávamos a chegada dos lobos Quileutes numa clareira não muito distante da divisa entre Forks e La Push. Evitei fechar meus olhos, pois a cada vez que o fazia eu revivia as lágrimas de sangue escorrendo pelas bochechas de minha irmã. Aquilo nada tinha a ver com sua suposta doença, eu tinha certeza disso. Falta de energia não causa esse tipo de sintoma em um lunar. E isso só pode significar uma coisa. Bella estava recuperando sua memória.
Todavia tudo indica que algo a está impedindo e eu não falo do seu subconsciente fugindo do sofrimento passado. Não, não era o que eu pensava. O bloqueio não era psicológico, era físico. Era algo causado por algum lunar poderoso e eu fico furioso só de imaginar o responsável. Isso era tão a cara dele!
- Finalmente! – exclamou Alice me tirando de meus devaneios. Segundos depois cinco lobos gigantes adentravam a clareira.
Os dois líderes imediatamente voltaram a forma humana e rapidamente colocaram suas bermudas.
- Desculpem por isso, pensamos que o leitor de mentes estaria aqui. – explicou Jacob não soando muito preocupado pela recente nudez.
- Ele se recusa a sair do lado de Bella. – esclareceu Alice batendo suas mãos em suas pernas como se limpasse alguma poeira do tecido.
O outro homem aproximou-se de mim estendendo sua mão em cumprimento.
- O senhor deve ser príncipe Daniel. Eu sou Sam, alfa da matilha.
- É um prazer finalmente conhecê-lo, Sam. – retribui o aperto de mãos e então acenei para os outros três lobos.
- Já soubemos do ataque durante o Halloween, mas o que exatamente aconteceu? A princesa foi atacada? – perguntou o lobo alfa.
- Bella não foi atacada. – respondeu a vampira. – Mas três adolescentes foram completamente drenadas.
- Nós cruzamos com um rastro durante a madrugada e perseguimos um casal de vampiros... – Jake começou sua narração, mas eu o cortei sabendo exatamente como aquela história terminaria.
- Deixe-me adivinhar... Um homem loiro com uma risada sádica e uma mulher ruiva com um comportamento malicioso. Vocês estavam prestes a pegá-los quando uma grande barreira de fogo os impediu de seguir em frente e então vocês os viram desaparecem diante de seus olhos.
Os lobos trocaram um olhar e então me fitaram com seriedade.
- Basicamente isso. – concordou Jake.
- A ruiva se chama Victória. É uma vampira astuta, mas todas as suas ações são motivadas pelo o que ela sente pelo seu parceiro James. Ela tem a capacidade de se teletransportar para pequenas distâncias. Ela usa suas habilidades para manter ela e James longe das consequências de seus atos. – narrou Alice. – Já James... Ele é um completo psicopata. Suas motivações só fazem sentido para ele mesmo. Ele sente prazer em torturar e matar. E como se isso já não fosse ruim suficiente, ele ainda é capaz de manipular o fogo.
- E como matamos um vampiro que não se queima com o fogo? – perguntou Sam, ele parecia perturbado com a ideia. Ele não poderia estar mais certo.
- James manipula o fogo vermelho. – ergui minha mão direita formando uma pequena chama sobre a minha palma. – O mesmo fogo que eu manipulo... Assim como brincamos com uma vela ao passar o dedo pela chama e não se queimar a manipulação também depende do quão rápido percebemos o calor. – demonstrei passando a minha mão esquerda por dentro da chama e então a parei dentro do fogo. – Para nós, quando sentimos o calor crescer podemos impedi-lo de nos machucar. O único jeito de matar James com fogo vermelho seria se ele estiver inconsciente e isso é quase impossível de fazer com um vampiro.
- Basta esquartejá-lo, não? – eu gostava do jeito simples com que Jacob enxergava as coisas, mas nem sempre ele tinha razão.
- Com Victória ao lado dele é praticamente impossível chegar perto suficiente para isso. – pontuou Sam. – Mas... O fogo vermelho pode não queimar imediatamente, já o fogo azul...
- Sim, você está certo. Bella pode acabar com James com apenas uma flechada. – concordei entendendo seu raciocínio, mas desta vez Jake foi rápido em captar o problema.
- Mas Bella está doente.
- Temos mais um problema. – avisou Alice com seus olhos perdidos. – Carlisle e Charlie estão ajudando o legista. Eles estão prestes a perceber que as três garotas atacadas possuem características similares. O xerife está certo de que se trata de um Serial Killer e vai pedir ajuda ao FBI. Forks está prestes a virar um circo.
- O FBI não irá assustar James. O número de mortes só aumentará. – murmurei preocupado.
- Nós traremos as rondas para o entorno da cidade. Os dois pareciam bem surpresos com a nossa presença, talvez eles se sintam ameaçados pelo desconhecido.
- Se vocês se aproximarem demais da cidade, Jacob, eu ficarei completamente cega! E prever um ataque pode ser o único modo de impedirmos a tempo que vidas inocentes se percam.
- Eles já estão levando em consideração as falhas em suas visões Alice, caso contrário você teria previsto o ataque. – observei com cuidado, eu não queria ofendê-la. A vampira apenas deu de ombros e retrucou.
- Nas ultimas semanas as minhas memórias do passado estavam interferindo em minhas visões. Além do mais eu estava focada em buscar uma cura para Bella. Mas agora eu me lembro de praticamente tudo e a prioridade passa a impedir James e Victória. – ela então se virou para os líderes da matilha. – Mas para eu conseguir captar alguma coisa eu preciso de vocês longe!
- Você tem se virado muito bem com a minha presença na escola...
- Isso é porque você é só um! Eu posso ver ao redor do vácuo que é o seu futuro, mas a partir do momento que a matilha se aproximar a conexão entre suas mentes estenderá esse borrão e colocará a todos nós em perigo!
- Alice, eu entendo sua aflição. – tentei usar um tom que pudesse acalmá-la. – Contudo acho que a força dos lobos será de grande ajuda no caso de um embate. – ergui meu dedo impedindo que ela retrucasse. – E também acho que não podemos nos dar ao luxo de ficar sem seus olhos de águia. Temos que montar a melhor estratégia para acabar com James e Victória, mas também manter os inocentes a salvo. Acho que podemos verificar o melhor raio do centro da cidade para que você possa enxergar o futuro e ainda assim os lobos não estejam longe demais para ajudar.
- Os humanos ficarão desprotegidos. Mesmo que escutemos um ataque talvez não dê tempo para salvar quem quer que esteja em perigo. – preocupou-se Sam.
- Eu já pensei nisso. Nos últimos anos eu estive viajando pelo mundo reunindo lunares, tentando reestabelecer nossa comunidade. Meu povo tem se misturado entre os humanos, trabalhando e vivendo em paz, escondendo sua real natureza. Entre eles existem lunares trabalhando nas forças de segurança dos humanos. Há policiais, soldados...
"Não me lembro de lunares trabalhando no FBI, mas não me surpreenderia se houvessem. Eu também estou em contato com antigos membros da Guarda Real Lunar. Vou trazê-los para nos ajudar na proteção da cidade. Desta forma Alice não ficará no escuro e a força da matilha não será desperdiçada."
Os três se entre olharam e então assentiram em concordância com meu plano.
- Eu o vejo viajando para a capital no final de semana.
- Não tenho planos de viagem, não com Bella tão fraca.
- Mas terá. – seu rosto franziu em confusão, um espelho ao meu próprio. – Você se encontrará com uma jornalista.
- Tem certeza que está vendo o futuro direito? Isso não faz nenhum sentido.
Seus olhos me queimaram.
- Você pode até ser meu príncipe, mas eu ainda chutarei sua bunda real se desdenhar de minhas visões.
- Hey! Calma! – ergui meus braços em sinal de paz. – Eu só não vejo porque eu viajaria num momento como esse.
- Talvez você não terá escolha.
- Er... Nós já terminamos aqui? – a voz grossa do alfa da matilha nos tirou de nosso pequeno colóquio.
- Ah! Sim, desculpem. Eu entrarei em contato com a Guarda Real o quanto antes.
- E se Jacob vier conosco eu já posso informar o raio mínimo para vocês organizarem suas rondas.
Todos nós concordamos e seguimos nossos caminhos. Minha mente voou na possível viagem que faria. Qual seria o grande motivo para que eu fosse para a capital? Tudo ficou claro quando chegamos em casa.
Na sala de estar Nat, Esme e Rose tinham os olhares preocupados voltados para a televisão. Na imagem estava uma repórter de cabelos loiros e olhos verdes, ela passava a impressão de ser uma mulher doce, porém sua expressão era um misto de medo e preocupação.
- Temos relatos de ataques por todo o mundo, pessoas estão sendo massacradas aparentemente sem motivo. Outras estão desaparecendo. A polícia diz que não há ligação entre os casos e que a repórter que vos fala é apenas uma lunática assustada. Mas os fatos não podem ser acobertados. Nós estamos em perigo.
- Lunática... Ela não usou essa palavra à toa. – suspirei. – Parece que descobrimos o motivo de minha viagem, Alice.
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Próxima postagem: 18/12/2017
