Capítulo 28 – O fim...
A imagem de Snape caindo ao chão e o piscar esverdeado de luz despertou a atenção de todos próximo ao Portão, mas para a sorte de Harry ninguém demonstrou grande preocupação com a morte do companheiro e muito menos decidiu investigar o que havia acontecido, a batalha que ocorria 50 metros à frente os entretinha muito mais.
A adrenalina tomou conta do corpo do jovem, assim como uma enorme satisfação pessoal por ter eliminado seu rival, mas não pode aproveitar muito esse momento, pois logo em seguida ele pode ver o que há tanto tempo procurava.
Nagini estava rastejando de um lado para o outro, próxima a onde Bellatrix e alguns outros comensais estavam, eles riam alto e não demonstravam ter notado a grande batalha que ocorria dentro dos portões de Hogwarts.
A mente de Harry trabalhava lenta e friamente, ele mal acabara de executar seu antigo professor e a única coisa em que pensava era a rota mais segura e eficiente para chegar próximo à cobra.
Mansamente o bruxo esgueirou-se por entre os comensais e os diversos arbustos do jardim, a cobra encontrava-se a apenas alguns metros de suas mãos, mas aparentemente sua presença não passou despercebida pelo animal. Nagini erguia sua enorme cabeça e agitava o ar com sua língua bifurcada, sempre mirando fixamente o ponto onde Harry se encontrava.
Assim como o garoto, a cobra não se movia, a tensão aumentava cada vez mais e isto não passou despercebido por Bellatrix.
- Qual é o problema desta cobra agora? – A bruxa saiu do meio do grupo de Comensais e parou próxima a Nagini. – O que você tanto olha?
Era claro que a bruxa não podia ver Harry parado bem a sua frente, mas tudo ficou claro para ela no instante seguinte. Com um impulso assustador e uma velocidade estonteante a cobra atacou o garoto, abrindo sua grande mandíbula e enrolando seu corpo no do bruxo.
Bellatrix não entendeu nada, mas aos poucos pode ver pequenas partes do corpo pálido e raquítico de Harry que apareciam cada vez que Nagini forçava mais seu corpo ao redor do bruxo. Ele tentava desesperadamente tocar suas mãos no corpo gelado da cobra, mas a capa da invisibilidade impedia o toque direto e cada segundo que se passava ele podia sentir seu corpo mais comprimido e o ar mais escasso.
O garoto já se encontrava próximo ao desmaio, quando em um lampejo de suas ultimas forças ele forçou um dos braços, tendo por sorte tocado a palma de sua mão na pele escamosa do animal e no mesmo instante pode sentir o "abraço mortal" desferido pela cobra se afrouxar e novamente aquele comichão se iniciar.
A realidade ficava cada vez mais distante e mais uma vez a escuridão levou sua mente.
" -Você tem total certeza do que você ouviu Snape?
- Sim meu senhor, total certeza, estava escondido logo atrás da porta do quarto e foi exatamente isto que ela disse.
- Há alguma chance desta profecia ser real?
- Realmente não sei Lorde das Trevas, mas Dumbledor aparentemente ficou um bocado preocupado e agitado.
- Interessante. Sendo assim mande Lucio e Bellatrix informarem-se de todos os nascimentos que ocorrerão no próximo mês e que me informem o mais rápido possível.
-Sim meu mestre.
- Quer dizer que ocorreram apenas dois nascimentos no fim do mês passado?
- Sim lorde das trevas, fiquei atento a tudo que acontecia e ambos os bebes são filhos de importantes aurores.
- Muito intrigante isto... Dois meninos, dois filhos de Aurores, o que os tornaria diferentes um do outro? – A voz saíra tão baixa da boca de Voldemort que nem mesmo Lucio, o qual estava ao seu lado, pode ouvi-lo.
- O que disse meu senhor?
- Nada. Pode se retirar agora, seu trabalho foi muito bem feito."
Harry recobrava aos poucos a consciência enquanto cada vez mais podia sentir o enorme peso da cobra que jazia morta sobre seu corpo, ele forçava ao máximo seus braços e pernas, mas mesmo assim mal conseguia mover-se, o animal era realmente muito pesado.
Ainda com pequenos pontos de luz brilhando em sua visão, ofuscando assim a imagem perfeita do que acontecia, o garoto pode sentir que alguém o ajudava a sair de baixo do animal e após algum esforço ele enfim se viu livre.
O mundo ainda rodava em sua mente e um forte enjôo o envolvia, ele se sentou na relva passando os braços em volta dos joelhos flexionados e forçou a vista para olhar ao redor. Alguns passos a sua frente o corpo de Bellatrix encontrava-se caído ao chão, assim como o de alguns comensais, ele não sabia como, mas aparentemente alguém havia acabado de salvar sua vida.
Por fim Harry pode ordenar sua mente e enxergar com clareza o que acontecia, a batalha ainda acontecia a algumas centenas de metros e um vulto esguio e exalando um forte cheiro de essência de maçã postava-se agachado ao seu lado.
- Harry? Você está bem?
- Hermione? - O bruxo olhava fixamente para a garota, a vontade de abraçá-la era enorme, mas ele não se mexeu.
- Sou eu – Um doce sorriso surgiu em sua face ao dizer isso. – Não pude ir com Rony, era óbvio para mim que você estava inventando toda aquela história de resgate...
- Você não pode ficar aqui, é muito perigoso... – Harry forçou os joelhos e se colocou de pé, olhou em volta, mas surpreendentemente todos os Comensais já haviam corrido em direção a batalha e não se importavam com as duas figuras paradas próximo aos portões.
- Eu sei me virar, mas agora eu preciso que você fuja. Voldemort esta aqui em algum lugar, provavelmente armando uma emboscada...
- Não posso fugir Hermione! Eu finalmente tenho tudo que é necessário para derrotá-lo, agora é o momento da minha vingança...
- Não Harry!
Infelizmente os apelos de Hermione foram tardios e ineficazes, de um punhado de arvores próximas um vulto alto e esguio surgiu caminhando calmamente enquanto sorria e balançava a varinha de um lado para o outro com as mãos.
- Ó que momento tocante, nunca imaginei que a lembrança de minha glória sobre Harry Potter seria coroado com a morte de outra sangue ruim. Simplesmente incrível! – O som ofídico da voz de Voldemort paralisou Hermione e agitou o coração e a mente do Potter – Vejo que por fim você aniquilou todas as horcruxes, muito obrigado por isto. – Um sorriso amedrontador surgiu na face pálida do bruxo.
- Como assim "muito obrigado"? – Harry colocou-se a frente de Hermione e apontou rigidamente sua varinha para o peito de seu algoz.
- Meu caro Potter, continua sendo ingênuo como uma criança... – Uma breve risada partiu da boca de Voldemort. – Entenda uma coisa, por muito tempo eu usei as horcruxes para me manter vivo e como uma segurança para nunca morrer, mas neste exato momento estas incríveis "salva-guardas" eram a SUA segurança de vida.
- O que?
- Não se faça de bobo menino, o único motivo de você ainda estar vivo é a alma que compartilha comigo, estas horcruxes protegiam tanto a mim como a você e agora não há mais nenhuma e, portanto, nada mais me impede de matá-lo! – Uma nova gargalhada irrompeu no ar, amedrontando mais ainda o garoto.
Harry não tinha mais palavras, o que Voldemort dizia poderia ser verdade, mas o garoto mantinha-se agarrado ao pensamento de que da mesma maneira que ele poderia morrer, Voldemort também poderia ser morto.
Ambos os bruxos olhavam-se fixamente, eles sabiam que aquele provavelmente seria um embate de apenas um ataque e somente o mais habilidoso sairia dali.
Voldemort observava o frágil bruxo dos pés à cabeça, apontando fixamente sua varinha para ele, calculando a todo o instante o momento certo de atacar, enquanto saboreava a adrenalina que surgia logo antes dele finalmente ter a chance de matar seu inimigo.
Com um movimento espantosamente rápido e agressivo Voldemort projetou seu peito para frente e lançou a maldição de encontro a Harry, o garoto não foi tão rápido, sentiu um forte empurrão e teve seu corpo jogado contra a grama, como que por reflexo seu ultimo movimento foi contra atacar com a mesma maldição e por fim sentiu o impacto da queda.
Bastou um piscar de olhos para Harry finalmente entender o que acontecia, ele estava caído de costas contra a grama, sua cabeça um pouco levantada ainda observava o frágil corpo de Hermione cair lentamente ao chão e com um baque surdo se eternizar na memória do garoto. Sem ele perceber, o corpo de Voldemort era atingido pelo feitiço produzido pela varinha gêmea a sua e em um instante os olhos frios e amedrontadores transformaram-se apenas em grandes olhos vazios.
Uma forte pontada perfurou seu corpo, sua mente apagou-se quase que ao mesmo tempo em que o corpo de Voldemort perdia sua aura amedrontadora.
O sol estava nascendo no horizonte quando Harry finalmente abriu seus olhos, ele ainda estava caído na grama da entrada de Hogwarts e tudo estava muito silencioso. Um leve cheiro adocicado de maçã preenchia o ar e sua mente foi tomada por um sentimento de calma e leveza que ele não experimentava há muito tempo.
Sua cabeça ainda girava um pouco e o mundo continuava a parecer um lugar esquisito, haviam muitas pessoas caídas ao seu redor, mas com um primeiro contemplar ele não pode achar ninguém que conhecesse.
Harry sentou-se e mais uma vez olhou ao redor, sua mente estava confusa e ele não se lembrava muito bem do que havia ocorrido. Aos poucos finalmente conseguiu focar as imagens e passou a novamente observar os corpos, em segundos ele viu o corpo de Hermione caído cerca de um metro a sua frente, sua face estava completamente pálida e seus olhos ainda estavam abertos.
Ele agarrou o corpo da amiga com todas as suas forças, chamando em vão por ela. Como que um raio, sua mente foi preenchida pelas imagens do ocorrido na noite anterior, sendo que a principio ele não acreditava, pensava que sua própria mente lhe aplicava peças, mas as imagens não paravam de reaparecer e logo a sua frente ele pode ver o corpo de Voldemort, ou do que um dia foi o Lorde das Trevas, inerte e branco como o mármore.
Após mais alguns minutos agarrado ao corpo de Hermione, ele finalmente se levantou e com calma iniciou uma caminhada vagarosa em direção ao castelo, carregando o corpo da amiga entre seus braços.
Ele se sentia exausto e o mais incrível é que não havia mais nenhum pensamento em sua mente, da mesma maneira que tudo ressurgiu como um raio, tudo se foi, deixando-o completamente calado, sozinho e chocado.
