Capítulo Vigésimo Sétimo.
Severus e Pan saiam do Ministério, onde foram assinar os papéis que autorizavam o casamento, quando foram surpreendidos por Hope, meio apoiada numa bengala prateada, usando roupas que pareciam ser grandes demais para ela e uma peruca castanha, de fios longos e ondulados.
-Merlin! –Pan a abraçou- Por que você não me disse que ia sair do Hospital quando fui te ver ontem?
-Eu não sabia que ia sair até decidir fugir de lá. Eu estava ficando louca. –ela explicou- E você vai casar, eu devo ter coisas pra fazer como Madrinha.
-Será tudo muito simples, você não deve se preocupar com nada. –Severus disse, oferecendo o braço a ela, ajudando-a a subir os degraus que levavam ao pátio.
-Mesmo assim. Eu preciso de um vestido e eu preciso verificar se ainda tenho um emprego.
-Você não vai voltar a trabalhar estando ainda tão fraca! –Pan protestou.
-Vou sim. –ela disse, teimosa- Eu preciso respirar aquele ar com cheiro de coisa estranha que tem no DM! Eu preciso recomeçar meus estudos... estou muito perto de conseguir aprimorar o meu sistema de recuperação de mentes obliviadas.
-Sentir-se útil te fará bem. –Severus disse- Apenas tome cuidado.
-Vocês já tem uma data? –Hope mudou de assunto- E vocês conseguiram localizar Sirius?
-Sim e não. –Pan respondeu- Papai está muito bem escondido, obrigada. –disse irritada.
-Vou pensar em alguma coisa.
-E a data será no dia da Copa Mundial. –Pan explicou- Por motivos de que meu amado noivo acidentalmente colocou essa data no pergaminho, e ai você sabe como funciona...
-Isso não impede nada. O jogo é a noite. Você pode puni-lo por esse acidente e passar sua Lua de Mel assistindo Quadribol. –Hope disse- Bom, eu devo me apressar. Fudge está me esperando.
-Eu acompanho você até lá, tem escadas e elevadores com o que lidar. –Severus se ofereceu.
-Ah, eu aceito Severus, obrigada.
-Eu irei até a sessão de aurores enquanto isso. Quero ver uma coisa sobre os turnos de Azkaban.
Eles se separaram no hall. Severus tinha algo em mente quando se portou tão cavalheirescamente com Hope.
-Você é uma das pessoas que eu posso dizer que fariam qualquer coisa pra ver Pan feliz. –ele disse.
-Sim. –Hope concordou.
-Eu preciso de você pra fazer uma coisa.
Hope o encarou com uma leve curiosidade, mas ao ver a intensidade com que Severus a fitava percebeu que era sério.
-Apenas diga.
Dois dias antes do casamento, Pearll apareceu. Surgiu no portão da casa dos pais e entrou. Minerva conversava com uma mulher de vestido florido e boina verde. As duas se cumprimentaram como se tivessem acordado juntas, e não como se já fizesse quase um mês que Pearll sumira.
-Mamãe... –Pearll beijou a bochecha de Minerva que a abraçou rapidamente, e logo continuou conversando com a mulher estranha sobre flores.
Pearll entrou em casa, e no meio da sala Madame Malkins e Pan discutiam.
-Não! –Pan berrava, seus cabelos já estavam quase pegando fogo e os olhos dela estavam escuros- Eu não queria branco!
-Você é uma noiva e noivas usam branco! E sua avó disse que iria me transformar indefinidamente num molusco se eu aceitasse fazer seu vestido vermelho.
-Minha avó não faria isso, era uma ameaça vazia...
-Eu estudei com Minerva McG em Hogwarts. Eu sei que ela faria.
-E qual é o problema com esse vestido branco? Não é como se você não fosse a noiva mais bonita do mundo de todas as formas! –Pearll comentou, quando entrou na sala, indo agarrar a sobrinha.
-Tia P! –Pan choramingou- Eu estou parecendo uma... Eu estou de branco!
-Como todas as noivas devem estar. –Pearll arrumou os cabelos dela, que estavam revoltosos por conta do fogo que já havia se espalhado na superfície dos fios- É um vestido tão simples, tão bonito...
-Eu nunca gostei de branco.
-Mas imagine como ficará lindo... aquele penhasco, o vento batendo nessas saias de renda... o sol da manhã fazendo seus cabelos parecerem um incêndio... Pelo que ouvi, mamãe está preparando várias rosas coloridas para colocar lá... no altar ou onde quer que seja. Severus vai achar você a coisa mais linda do mundo, porque você já é.
-Eu estou nervosa e desapontada... Madame Malkins, me desculpe. O vestido está lindo, é só que... as coisas não estão saindo como eu imaginei.
-Eu posso tentar uma coisa... –a costureira disse, com um sorriso no rosto, indicando que tinha tido uma excelente ideia.
Já no quarto, mais empolgada com o vestido, Pan ouviu tudo o que a tia tinha a dizer.
-Bom, eu acho que entendo Eric. Ou Fawkes. –Pearll remexia nas jóias de família, que estavam sobre a cama da sobrinha, buscando algo que combinasse bem com o vestido, que era realmente bem simples, sem alças e com saias largas.
-Eu sei que você jamais quis falar sobre isso comigo, quando descobriu, mas eu acho que teríamos evitado muita coisa se eu pudesse dizer o que pretendo dizer agora.
-Fale... –Pearll disse, examinando um conjunto de brincos de diamante em formato de gota.
-Eu tenho as memórias de Fawkes. Algumas delas. A maior parte, na verdade, basta que eu queira acessá-las. Como nós nunca imaginamos isso... de Fawkes e Eric serem a mesma pessoa, eu nunca parei pra pensar... ou eu nunca tentei descobrir como aconteceu.
-E como aconteceu?
-Ele não pode evitar. Ele se sentiu conectado a você, desde sua infância. Quando ele percebeu que... te amava... Você estava saindo com o Tio Régulus. Ele até então, não sabia o que era sentir ciúmes. Você era dele, mas ele era apenas um pássaro. Foi que então... aos poucos e lentamente, ele começou a lutar pela forma humana. Depois de quase mil anos como fênix.
-Pamela, isso não me convence muito...
-E ai, decidido a lutar por você, ele desistiu de ser uma fênix e me queimou, é a primeira atitude a se tomar quando você decide deixar a imortalidade de lado. E há algo muito forte sobre como você é a continuação do Dumbie.
-Pan... - Pearll parecia chateada, impaciente- Isso não muda nada. A mentira continuará sendo imensa.
-Falta de treino... em ser humano e agir como tal.
-Ele sabe muito bem o que fazer quando humano, em diversos casos. –e assim encerrou o assunto.
Longe dali, num bosque bem fechados nas proximidades de Gales, Hope e Severus seguiam uma linha que saia diretamente da varinha de Hope e se embrenhava Bosque a dentro. Hope não estava forte o suficiente para longas caminhadas, por isso ambos esperavam que encontrassem logo aquilo que buscavam.
-Eu preciso de dois minutinhos, Severus... –ela disse, soltando o braço dele e se arrastando pelo tronco de uma arvore até o chão, onde estendeu as pernas e respirou fundo, fechando os olhos.
-Por Merlin, Hope! Eu sou um monstro por fazer você vir numa caçada dessas, nesse estado!
-Está tudo bem, eu me canso fácil, é isso.
-Eu posso carregar você.
-Isso fere meu orgulho, mas eu aceito... –ela disse sorrindo.
Mas antes que Severus pudesse erguê-la nos braços, ele ouviu um rosnado e se virou, com a varinha em punho. Um grande cachorro preto os encarava, parecendo ameaçador e ameaçado.
-Black! Eu estou aqui em nome de Pan! Ela precisa de você!–Severus gritou, abrindo os braços em sinal de não agressão, observando o cachorro mover a cabeça para o lado, com um ganido, talvez estranhando e pensando em como Pan precisava dele- Black, por Merlin! Você sabe mesmo se esconder!
O cachorro desapareceu por alguns instantes, atrás de uma moita, e logo um homem de cabelos desgrenhados surgiu, cobrindo o sexo com uma mão e segurando uma varinha com a outra. Hope virou o rosto para o lado, ainda jogada no chão.
-O que faz aqui? –a voz rouca e desacostumada à fala, soou bastante ríspida.
-Eu estou aqui para conversarmos. Sobre Pamela.–Severus conjurou um casaco e jogou para Sirius, que vestiu sem nenhuma cerimônia.
-Desculpe, moça. –ele disse enfiando o braço numa das mangas do casaco longo que recebera- Eu geralmente estaria vestido, se estivesse na minha caverna.
-Sem problemas. –Hope disse, com as bochechas coradas.
-Então, Seboso, o que você quer falar sobre minha garotinha?
Severus previu que não seria tão simples. Não com o homem chamando Pan de "garotinha".
-Eu vim até aqui para... pedir que você esteja pacifico e presente no... dia em que...
-Fale de uma vez!
-Eu quero sua autorização para me casar com sua filha. –Severus despejou, olhando para Hope, pedindo auxilio.
Mas ele não deveria ter feito isso, porque quando Sirius conseguiu articular em sua cabeça a natureza do pedido, atacou sem pensar duas vezes. E o fez ferozmente.
-Como você ousa imaginar que eu permitirei que minha filha se case com um bastardo como você? –ele rugiu, enquanto Severus se retorcia no chão, no que parecia ser uma Cruciatus involuntária.
-Pare! –Hope berrou- Pare! Black!
-Um Comensal da Morte! Um maldito!
Hope lançou um feitiço, que atingiu Sirius no meio do peito, libertando Severus da Maldição. Ele arfava, suado e cheio de folhas, já que rolara pelo chão. Seus músculos ainda doíam. Então rapidamente ela os prendeu num escudo, e mesmo presos os dois tentaram continuar se atacando. Gritaram injurias um pro outro e relembraram bem seus tempos adolescentes, parecendo duas crianças discutindo por algo que sequer estava claro.
-Ora, calem-se! –Hope gritou, fazendo com que os dois se calassem e olhassem pra ela- Sr. Black, eu sou Hope O'Brian, a responsável por encontrar você agora, e a responsável por contar para Pamela toda a verdade a seu respeito quando todos ainda pensavam que você era um assassino maldito e impiedoso, e que estava caçando Harry Potter.
Sirius apenas a olhou aturdido.
-Eu e Pan passamos juntas pela maior parte dos terríveis anos de escola, eu enfrentei junto com ela a adequação à nova idade, quando a fênix a queimou. Somos melhores amigas de toda a vida.
-Muito prazer. –foi tudo o que ele conseguiu dizer- E obrigado?
-Por nada. –ela disse, agora tentando ficar de pé- Severus e Pan tem um vinculo que eu levaria anos tentando explicar. Alguma coisa na magia da Fênix fez com que Pan necessitasse guardiões, e na época esses guardiões foram Albus Dumbledore, Minerva McGonagall e Severus Snape.
-Porque Snape?
-Pan foi criada em Hogwarts, junto de mim. –Severus explicou- Desde muito bebezinha, desde sempre. Eu estive presente na maior parte da vida dela. E não estou dizendo isso para mostrar que você não esteve. Foi assim que as coisas aconteceram. Com o tempo, Pan se envolveu de um modo estranho para nós.
-Foi uma fase difícil. Foi a época em que ela e Severus se afastaram quase que definitivamente. Ela se apaixonou perdidamente por ele. Mas ele não podia corresponder, já que...
-Já que eu via Pan como uma filha. –ele despejou- Foi bem difícil na época, ela havia saído de Hogwarts e quando ingressou no curso de aurores, tentando fugir do que sentia... ela deixou muita coisa pra trás. Ela me deixou sozinho, e eu tentei de todas as formas imaginar que aquele era o melhor jeito de proceder.
-Mas nós vivíamos juntas, já que após formadas em Hogwarts, ambas começamos a estudar e trabalhar pro Ministério. E durante todos os anos em que ela fugia dele, o sentimento que ela descobrira ser amor ficava cada vez mais forte.
-Então, como você deve imaginar... Pan retornou a Hogwarts quando você fugiu de Azkaban. Ela estava arruinada por dentro, seus sentimentos a seu respeito eram muito confusos e confesso que tudo o que eu queria era ver você morto. Em todo caso, quando passamos a conviver novamente, foi impossível pra mim negar que eu a amava e que a queria do mesmo modo que ela me queria. Foi quando começamos a nos envolver.
-Você devia ter negado! Devia ter ficado firme! Pamela tem treze anos de idade!
-Não ouse dizer isso a ela. –Hope advertiu- Pan não tem uma idade definida, mas algo em mim calcula que ela já tenha quase trinta anos. A carga emocional que ela começou a carregar desde a fênix foi muito intensa, tudo é muito intenso quando se trata dela. Você verá, quando começar a conviver com ela mais de perto.
-Com ela e com Snape! –ele cuspiu, olhando para o outro- Se vocês já tem a vida inteira programada, porque precisam de mim? Porque vir tão longe e encontrando obstáculos tão difíceis pra me achar?
-Porque eu sei que ela gostaria de ter você presente. Ela está procurando por você desde a fuga de Hogwarts. –Severus disse- Eu gostaria de dar a ela tudo o que ela merece. E eu sequer posso imaginar a felicidade dela se você estiver presente.
Sirius olhava para Hope, que para ele parecia ser mais confiável. Ela apenas fez um gesto afirmativo com a cabeça, abrindo um sorriso. Ele abaixou a varinha.
-Eu perdi tanto assim da vida dela? O suficiente para precisar que alguém me explique como ela escolheu o homem com quem vai se casar?
-Você pode recuperar o tempo perdido agora. Nós vamos proteger você. Não é, Severus?
-Se você aceitar minha proteção, eu não me negaria a isso. Eu agi mal com você quando éramos garotos. Agi mal me unindo aos Comensais da Morte. Eu agi mal com você quando tentei fazer com que os dementadores sugassem sua alma. Agi mal quando tentei convencer Pan de coisas que eu sequer podia ter certeza. Mas eu estou aqui agora, pedindo perdão pelos meus erros. Admitindo que não sou perfeito, mas que diante de muitas coisas, eu quero pelo menos tentar consertar meus erros.
-Eu tentei fazer com que Remus pegasse você quando estivesse transformado. Eu não imaginava que você poderia ter morrido, mas eu podia ter causado a sua morte. E também não é como se nós não tivéssemos feito você sofrer pra cacete quando estávamos em Hogwarts.
-Ok, agora apertem as mãos e vamos embora. Eu juro que estou prestes a desmaiar. –Hope anunciou- Você vem comigo, Sr. Black. Severus, você deve voltar para casa, tente fazer com que Pan não perceba nada até a hora do casamento.
-Você tem certeza de que ficará bem? –ele perguntou, aproximando-se de Hope.
-Sim. Ficaremos no apartamento do Beco Diagonal. Eu tenho um pouco de polissuco para que possamos providenciar vestes e coisas assim para ele. Agora vá.
-Como eu irei agradecer você por isso?
-Nunca deixe Pan sozinha.
-Eu não deixarei.
Era uma ensolarada manhã, no inicio de Agosto. Minerva e Albus instalavam os ornamentos preparados para deixar a cerimônia mais bonita. Elas e Remus conversavam animadamente próximos da beira do penhasco, calculando qual seria o tamanho exato da queda. O vento batia suavemente, deixando tudo muito agradável e perfumado a maresia. O som das ondas quebrando no Rochedo, que seriam o fundo musical do resto da vida de Severus e Pan, era relaxante.
No interior da casa, que era muito mais do que Pan imaginava, Pearll penteava seus cabelos, prendendo neles uma bonita joia em forma de borboleta. Os longos cabelos caiam em cachos comportados e o vestido branco, tão odiado a principio, agora guardava uma surpresa. Quando tudo ficou pronto, e os elfos de Hogwarts terminaram de aprontar uma única mesa branca, com cadeiras de vidro, onde seria servido um almoço para os poucos presentes, Minerva enviou seu patrono para Albus, que estava com Severus em Hogwarts. Logo, Hope fora avisada e todos chegaram praticamente juntos ao local.
-Sirius! –Albus o abraçou- Eu estou imensamente feliz em vê-lo! E perceber que Severus continua vivo após a conversa tensa que deve ter acontecido entre vocês.
-Você está permitindo tudo isso? –ele perguntou, apenas meio convencido de que Pan realmente amava Severus.
-Oras, e porque eu não permitiria? –Albus perguntou animado, afastando-se e indo até Minerva, que observava o trabalho com a ornamentação.
-Você está ótimo, Severus. –Hope elogiou, reparando nos cabelos presos num elástico e no belo traje negro que ele usava.
-Obrigado. –ele disse apenas, nervoso demais para qualquer outra coisa.
-Sirius, Pan sairá da porta da frente, certamente sozinha. A distância até a ponta do penhasco não é muita, mas ela caminhará sozinha por algum tempo. Se você a interceptar no meio do caminho...
-Terei tempo o suficiente para convencê-la a fugir. –Sirius disse com um sorriso na voz.
-Não. –Hope segurou o braço dele, sorrindo agradavelmente, posicionando-o exatamente onde ele deveria se esconder- Você irá ser o melhor presente do mundo, e mesmo que tenham que conversar durante algum tempo, você vai dizer que deseja que ela seja feliz. E assim, sua filha vai te amar ainda mais.
-Eu vou obedecer você. –ele disse- Não pensei que diria isso, mas o Ranhoso parece estar cuidando bem dela... Veja essa casa!
-Sim, ele sempre cuidou bem dela. Agora fique aqui, eu vou vê-la.
Hope caminhou até a casa, e entrou devagar. Pan estava de pé, olhando-se num grande espelho, que ficava no hall. Pearll prendia um delicado véu em seus cabelos e olhava para ela com lágrimas nos olhos.
-Você está linda. –Hope comentou, observando o rosto de Pan, nervoso e emocionado, aberto num grande sorriso.
-Obrigada! Já está tudo pronto?
-Sim. Eu vim avisar você.
-E eu realmente irei sozinha até o altar?
-Não é uma distancia longa. –Hope explicou- Pearll, vamos antes que você comece a chorar.
E as duas saíram, deixando a porta aberta. Do lado de fora, Hope murmurou um feitiço, que cobriu com um tapete de pétalas de rosas brancas, todo o trajeto até o altar. O vento fazia as pétalas flutuarem, o que faria parecer que Pan vinha no meio de uma nuvem de flores.
Pan encarou-se novamente no espelho, dessa vez mais séria. Olhou em volta, para a casa onde passaria o resto de sua vida. Era um lugar perfeito, iluminado e aconchegante. E logo seria o local onde ela e Severus iniciariam uma família. Ela retirou o envelope que havia escondido numa das gavetas de um belo móvel que ficava debaixo do espelho. Era um teste trouxa de gravidez, que ela não abrira. Aquela seria a primeira coisa que ela e Severus fariam juntos como Sr. e Sra. Snape. Guardando o envelope de volta na gaveta, ela saiu para encarar o dia que seria, certamente, o mais feliz de sua vida.
Ouviu as ondas batendo mais forte no rochedo, sentiu o calor do sol e o vento afagando sua pele. Começou a caminhar por um tapete de flores, observando que no final daquele caminho perfumado, estavam as pessoas mais importantes de sua vida. A visão apurada deteve-se em Severus e por um segundo ela teve vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo.
-Eu jamais esquecerei esse momento. –uma voz rouca soou a suas costas, e ela virou-se para observar Sirius saindo de trás de um arbusto.
Ela sequer conseguiu dizer nada, apenas se lançou contra ele, as lágrimas agora impossíveis de serem contidas.
-Pai! –foi tudo o que ela articulou, e Sirius secou suas lágrimas com as mãos calosas, mas suaves.
-Você não deve chorar. Você deve apenas olhar em frente... –ela olhou de volta para a ponta do penhasco- Se você realmente quer se unir a esse homem, serei eu quem a conduzirá até ele.
-Eu procurei tanto por você...
-Eu sei. Eu estarei por perto agora, sempre do seu lado. –e tomou seu braço, posicionando-se para conduzi-la até o altar.
-Quem encontrou você?
-Ele. E Hope. –Sirius disse enquanto caminhavam- Eu sou seu presente. Seria apropriado se eu estivesse embrulhado em papel brilhante e com uma fita vermelha amarrada em torno da cabeça.
Eles riram, o que afastou de Pan todas as lágrimas de nervosismo.
-Ouça... –ele continuou- Eu quero saber apenas se você tem certeza...
-Eu tenho, pai. Nós nos amamos.
-Merlin... –Sirius murmurou, olhando para ela, já a poucos metros de onde eles eram esperados- Se ele a magoar...
-Ele não vai.
-Mas se ele o fizer...
-Eu terei meu pai para me defender.
E com isso, Severus avançou alguns passos e recebeu Pan das mãos do pai. Sirius não disse nada, apenas trocou um significativo olhar com o genro e foi postar-se ao lado de Hope. Pan e Severus se encararam por uma pequena eternidade, ele segurando as mãos dela nas suas e beijando-as longamente. Minerva e Albus fizeram sinal para que eles se aproximassem. Agora parados diante deles, Pan pode perceber como cada um dos presentes ali parecia tão feliz quanto ela.
-Meus amigos! –Albus disse com alegria- Minha família, porque não dizer assim? O dia de hoje será memorável para todos nós, estou certo disso. Mas será mais importante ainda para esses dois jovens... Este casal unido fortemente por um amor tão sólido e bem construído que, tenho certeza, desafiará o próprio tempo. Estar aqui hoje, para selar essa união, é uma alegria tão imensa que eu sequer posso descrever. Pamela e Severus...
Eles agora ficaram diante um do outro, com as mãos dadas.
-Vocês sabem o que dizer. –Albus indicou- A noiva primeiro...
-Sev... –Pan começou com a voz trêmula- Quando meu avô me disse pra começar a pensar no que eu deveria dizer a você agora... eu me peguei imaginando o que eu poderia dizer que você já não soubesse. Você sabe que eu o amo, que sempre o amei, que talvez não tenha existido nenhum momento na minha vida inteira em que eu não precisasse de você... E agora, diante de todo esse mar de possibilidades e de uma vida nova, juntos, sendo construída... Eu estou apenas ansiosa por ver o que o futuro nos reserva, o que nós viveremos nesse lugar maravilhoso que você escolheu pra nossa família começar. Eu te amo. E se eu viver por uma eternidade, eu amarei você durante todo esse tempo.
-Pan. –Severus iniciou quando Albus indicou que eles deviam para de se olhar tão longamente e em silencio, ou eles sairiam dali apenas no dia seguinte- O que me conforta é essa sua eternidade. É saber que o ser mais perfeito do mundo e a mulher que eu amo mais do que qualquer outra coisa existente... é incapaz de morrer. Quando você chegou na minha vida, você me salvou, e a cada dia que tivemos juntos, você continuou me salvando. Eu também não sei mais o que dizer a você, já que vivemos de um modo tão intenso e tão forte que eu acho impossível que você não saiba o que se passa na minha alma. Eu te amo, mais do que tudo, mais do que a mim mesmo, eu amo. E eu amo ainda mais por saber que eu jamais estarei sozinho novamente.
-Pamela e Severus... –Albus disse em voz alta, quando os dois uniram as testas murmurando algumas coisas que eram audíveis apenas para os dois, ignorando a todos os presentes- Eu, Albus Dumbledore, utilizando os poderes conferidos a mim pelo Ministério da Magia para validar essa união, declaro alegremente para todos os presentes que vocês podem se beijar como marido e mulher.
Então, sorrindo, Pan lançou seus braços em torno do pescoço de Severus, que também sorrindo a envolveu pela cintura.
-Eu sou seu e você é minha...
-Para sempre...
E beijaram-se, envolvendo-os em uma cortina de fogo, bem rápida, que apenas serviu para deixar o vestido de Pan vermelho, dispersando no ar a cor branca inicial como uma névoa perfumada.
-E agora nós precisamos ir lá dentro. Meu presente está esperando numa gaveta no hall.
-Do que se trata?
-Eu ainda não sei. Mas descobriremos juntos.
( Notas da Autora:
Hey! Esse é o maior capítulo até agora, mas eu não dividi em dois porque... bem, eu não quis mesmo. *pensa* Bem que eu devia, ai quando me cobrassem um capítulo eu ia ter um na manga, mas sei lá... fiquei ansiosa pra mostrar a vocês.
QUERO DEIXAR BEM CLARO AQUI que caso eu morra antes de terminar de escrever essa fic, vocês devem procurar Pearll, essa moçoila citada na fic, que sempre faz comentários de puro amô, pq ela sabe de tudo, DE TUDO o que eu planejo fazer. Então né... já sabem! Morri, vão perturbar a P pra terminar a Hexalogia. Ela é competente ai extremo, mais que eu. Juro. u_u
Pearll: Sim, esse capitulo foi em total desapreciação (?) a Umbridge, e ela tinha que ser odiosa! Está vendo como sua mãe é compreensiva? Nem dá mais medo contar sobre o Eric né? Será que você vai fazer isso? ;) Essa minha vibe ultra criativa, que vem e vai o tempo todo, pesa em cima de você, pq ai eu escrevo a parada e te mando tudo, por motivos de SIM, e depois ainda fico cobrando análise e opiniões! Haha Obrigada (abraça) *-*
Ana Scully: meninë, eu vi uma foto uma vez de uma casa em cima de um penhasco e ai fiquei imaginando que seria um ótimo lugar pra ambientar certas coisas que virão mais na frente. E sim, eu super imaginei o Sev todo empolgado, falando e gesticulando, explicando como era a casa! Quero um omi desses pra mim bubu Obrigada por ler *-*
Guest: Cara, perdão '-' Juro que desistir eu não vou! As vezes me bloqueia a cabeça, mas quando eu volto, é tipo, com tudo, com um capítulo de 11 páginas de word como esse! Desculpe a demora e não me abandone *agarra*
Andy: Eu até escrevi a Minerva pirando, mas depois parei pra pensar... com duas filhas como as que ela teve... cara, ela deve ter ficado mais "de boa" com o tempo! Hahaha E é lindo quando o leitor se envolve na história! S2 Eu prometo que tudo vai começar a andar muito mais rápido agora! Os capítulos serão mais longos e pelo menos por um tempo eu quero ter um capítulo por semana pra postar e terminar logo a parte 3, porque a 4 vai ser tipo... nem sei explicar! Obrigada *abraça*
Sra McGonagall D: Você verá Minerva emputecida no futuro, pode esperar! Iahisuahsuihausihua Tipo, Umbridge está chegando... Beijos e obrigada!
