Eu estava ciente que Bella me mataria com as próprias mãos se eu sobrevivesse à fúria de seu olhar. Estava até me preparando psicologicamente para mais noites sem sexo do que o previsto, além dos dias sem carinho, o gelo e o que mais viesse.
Sim, eu merecia coisa pior pela besteira que tinha acabado de fazer. Provavelmente Esme e Carlisle também me crucificariam. Mas o que eu poderia ter feito diante do telefonema de Tanya? Nada. Absolutamente nada.
Bella diria que eu poderia ter dito "Não". Carlisle diria "Você deveria ter consultado Bella". Talvez minha mãe não me acusasse. Diria "Filho, nós vamos resolver".
Já estava feito e a bomba estava prestes a explodir em minhas mãos.
Passei a tarde na sala que antes pertenceu ao meu pai, no Hospital. Pela manhã do dia seguinte, haveria uma reunião bastante importante com a presença de toda a diretoria da Instituição e, como eu vinha fazendo no último mês, eu representaria Carlisle mais uma vez.
Eu deveria me ater aos papéis que eu segurava, mas a ligação de Tanya, que atendi ainda em casa, antes de ir trabalhar, não me saía da cabeça.
Bella estava prestes a chegar para jantarmos no seu restaurante preferido. Mal sabia ela que eu tinha estragado tudo.
O ramal que estava em cima da mesa tocou, me fazendo pular de susto. Coloquei no viva-voz. - Pois não, Kate?
- A senhorita Cullen já o está esperando.
Era melhor contar a verdade à Bella e estragar a noite de uma vez. - Deixe-a entrar, por favor.
Juntei os papeis e os depositei ao lado para futura análise, e esperei ansiosamente pela abertura da porta e da entrada da mulher mais linda do mundo. A minha.
- Eu realmente acho você super sexy com esta roupa de engomadinho, senhor Cullen - elogiou, rindo, e caminhando em minha direção. De fato, os tempos ruins estavam no passado.
Fiquei em pé, coloquei um sorriso falso no rosto e a puxei para mim. Somente quando me escondi atrás de seus cabelos pude ser sincero com o que sentia, mas bastou voltar a olhá-la que a "alegria" retornou ao meu rosto.
Me deu um selinho e encarou, séria - Cospe! - ordenou.
Tentei remediar. - Isso não é muito educado, amor. Cuspir é nojento. - Ri.
Ela continuou séria, esperando que eu respondesse. Me rendi soltando todo o ar dos meus pulmões e voltando para a minha cadeira. - Sente-se - apontei, rendido, para o móvel imediatamente em frente à minha mesa.
Sem nenhuma palavra, Bella sentou-se e esperou.
Respirei fundo, cocei a nuca, abaixei a cabeça e baguncei os cabelos. Tudo antes de começam a falar. Mas não havia mais como adiar. - Minha prima Tanya telefonou para avisar que chega a Nova Iorque amanhã.
- Eu deveria saber quem é a Tanya? - Bella soou fria.
- Uma ex-namorada - mas este não era realmente o problema...
- E eu deveria me preocupar com ela? – Bella soou cínica.
- Não com ela - minha cara deve ter me denunciado.
- Desembucha, Edward! – Bella soou brava.
Imediatamente dei a volta na mesa e me ajoelhei em frente à Bella. Levei minhas mãos até seu rosto e a fiz encarar-me.
- Amor, por favor. Confie em mim. Sei que pode parecer ruim, mas não é tanto assim. Apenas uma coisa inesperada. Eu não sabia o que fazer quando ela telefonou e disse a primeira coisa que veio à minha cabeça.
Bella trincou os dentes e eu sabia que a cada palavra que eu dizia ia ficando pior. Daria um dedo para saber o que ela estava pensando. E foi então que meu mundo desabou.
- Você é um desgraçado, Edward! - Bella gritou me empurrando ao chão e levantando-se. Ali, caído, e sem saber o que fazer, senti o grampeador atingir meu peito em cheio. Nem houve tempo para eu me defender. - Eu fui compreensiva com a Rosalie porque foi uma surpresa para todos, mas você ter escondido isso- - ela se interrompeu e virou de costas.
- Bella, por favor, me ouça - implorei levantando. - Não escondi nada de você. Estamos conversando sobre isso.
Bella se virou de uma vez e eu tive medo do seu olhar. - Se ela não tivesse telefonado você teria falado alguma coisa?
Andei mais dois passos em sua direção, com os braços erguidos a minha frente para proteger-me de mais algum objeto voador. - Não teria razão para falar sobre a Tanya, amor. Ela mora na Florida.
Bella estava com as duas mãos fechadas em punho. Quando reparei, a única coisa que me veio à cabeça foi que ela estava se preparando para me atacar. Uma lágrima escorreu por sua bochecha e ela, depressa, a limpou com as costas da mão. Aproveitei sua distração para abraçá-la. Segurei-a com força. - Me solta! - Bella se debateu muito em meus braços, mas não conseguiu seu objetivo.
Por fim, entregue, ela chorou. Chorou muito com a cabeça em meu peito. Eu acariciei seus cabelos ainda mantendo o abraço bem apertado. Nos levei até a parede, prensando-a com o meu corpo. - Por favor, vida. Me deixa explicar.
- Edward, como você pôde fazer isso comigo? - ela lamentava.
- Se eu soltá-la, você vai me ouvir? - perguntei. Sua reação exagerada me rendeu uma dúvida: O que será que Bella estava imaginando que eu falaria? As piores coisas passaram por minha cabeça, mas eu tinha certeza que nada se aproximaria da verdade. E eu não ia ficar curioso. - Tenho uma pergunta para você, amor.
Bella me encarou, incrédula - Que tipo de brincadeira de mau gosto é esta? - sua voz estava rouca pelo choro.
- É a nossa brincadeira, não é? Quando um quer saber algo do outro, podemos fazer perguntas que sempre devem ser respondidas - sorri meu melhor sorriso torto. Isso tinha que amolecê-la.
- Qual a pergunta? - disse, séria.
- O que você está pensando que vou te falar sobre Tanya? - soltei meu abraço e Bella escorregou pela parede, abraçando as pernas e apoiando a cabeça nos joelhos.
Ela nem me olhou ao falar. - Eu já sabia que você namorou uma prima e que tinha uma grande confusão envolvida. Também sei que ela tem uma filhinha de cerca de um ano.
Me sentei de pernas cruzadas ao seu lado. Acariciei seus cabelos. - Não, amor. A confusão não foi comigo. Eu só tentei ajudá-la - usei meu melhor tom compreensivo. - Você está achando que esta criança é minha?
- Não sei, Edward, mas você está enrolando tanto para falar. Não pode ser coisa boa. O cérebro de uma mulher pode ser muito fértil em certos momentos - ela parecia envergonhada.
- Desculpe. Eu deveria ter ido direto ao ponto. Olha para mim - pedi. Bella ergueu a cabeça e seus olhos estavam vermelhos, seu rosto corado e úmido. - O bebê não é meu, amor. Quando nós namoramos, ela já estava grávida e eu queria protegê-la da ira dos meus tios. Ela nunca me contou quem é o pai e preferiu morar com uma amiga na Florida para se ver livre dos problemas.
- O que ela queria? - Bella estava confusa.
Fiquei tenso. - Hummm... - desviei meu olhar, me encostando na parede e encarando a porta. - Bem, Tanya está vindo para Nova Iorque com Nessie. Elas chegam pela manhã. Eu não sabia disso. Na verdade, nem conheço a criança. Mas ela já tinha falado com Esme sobre sua chegada. Tanya vai trabalhar em um cruzeiro marítimo por quatro semanas e não tem com quem deixar a filha. Esme ficaria com ela se não estivesse fora. O detalhe é que minha mãe não lembrou de avisar Tanya. - Fechei os olhos. Era o momento mais temido. - E eu disse que nós dois podemos cuidar de Nessie.
Esperei pela gritaria. Não veio. Esperei os objetos voadores. Nada. Esperei ouvir choro. Ouvi silêncio. Abri apenas um olho e espiei. Bella estava em choque. Olhos e boca arregalados. Abri o segundo olho e virei para vê-la direito. - Amor? - chamei, quase sussurrando.
- Estamos ferrados! - foi sua constatação. A mim restou rir. - Você ri agora. Edward, você parou para pensar que dispensamos todos os empregados e que agora mal ficamos em casa? Como vamos cuidar de um bebê? E isso nem é o pior. Que experiência temos?
Um chá de realidade não faz mal à ninguém. - Se seu objetivo era me assustar você conseguiu, amor. Mas entenda. Eu não poderia dizer "Não". A vida da Tanya nunca foi fácil como a minha. Eu tinha que dar esta oportunidade a ela. A gente dá um jeito. Eu sei que podemos lidar com isso. - Peguei sua mão. - Nós vamos conseguir.
- Minha pergunta é: Você realmente acredita nisso ou só está tentando se enganar e enganar a mim?
Ri sem humor. - Você me conhece tão bem... Não vou negar. É mais como uma tentativa de me enganar. De verdade, estou aflito, mas penso pelo lado da Tanya ou mesmo da Nessie. Eu não posso imaginar como a vida delas deve ser difícil. E eu não tenho o direito de piorar as coisas.
Depois de alguns minutos de silêncio, e já que Bella não esboçava nenhuma reação, resolvi falar. - Tem mais uma coisa - a encarei à espera de mais um xingamento. Nada. - Você vai ter que recebê-las e ficar com a Nessie sozinha por um tempo porque eu tenho uma reunião importante e demorada.
Como eu imaginei, nosso jantar foi desmarcado e Bella preferiu que eu tivesse "uma noite para pensar", como ela se referiu ao meu castigo, ao invés de nos tirar da seca sexual das últimas semanas.
