Estou até com pena de publicar este capítulo. É mais um daqueles capítulos preferidos que vemos como um filhinho pequeno que não queremos deixar que saia de casa. Mas o que posso fazer? Depois de tanto acalentá-lo, ele cresceu, amadureceu e criou asas. Enfim, espero que gostem.
Um abraço a todos e mais uma vez obrigada a:
Sadie (Obrigada por suas preciosas sugestões!)
Reggie Jolie, Gessi - Ane Sekhmet, Dani, Vindalf Dvergar, Marina, Gilda H, Danda, Anna Pantelarou, Nim , Marcela (Soi)!
Um forte abraço em Myriara, minha eterna mestra, cujas palavras sobre esse texto me trouxeram uma alegria que não consigo descrever!
Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.
Frigga, de pé, observava enquanto o marido dormia. Ela não conseguira conciliar o sono. O temor pelo bem-estar do rapaz roubara-lhe a capacidade de repousar. Refletia em como lhe custara demovê-lo de frente da fornalha e do estado precário no qual ele se encontrava quando o trouxeram. Não fossem as abençoadas recomendações de Holda sobre as ervas que lhe entregara como presente de casamento, não teria sido possível ajudar Thórin a vencer a febre e adormecer. Havia muitas incertezas em seu coração, porém, tomara uma resolução: agiria. Iria a Valle tão logo seu esposo se recuperasse. E foi planejando os detalhes do que pretendia que Frigga viu a noite ir-se embora. Quando o raiar do dia já se acercava e o sol iluminava os pinheiros por sobre a Montanha Solitária, a princesa pode ter seus temores sobre a recuperação do marido mitigados.
A consciência de Thórin retornava ao poucos. Um gemido deixou Frigga em alerta. Após uma noite aparentemente tranquila em que a mente do khuzd estivera tão entorpecida que fora incapaz de ser incomodada pelos sonhos que costumeiramente o atormentavam, a princesa observava enquanto o marido abria os olhos sentindo ainda o torpor em seus membros. O príncipe de Erebor buscava pelos próprios movimentos, tentando sentir os dedos das mãos, movendo a cabeça de um lado para o outro. Procurou erguer-se, contudo, o corpo não obedeceu. Frigga sentou-se a seu lado na cama, debruçando-se sobre o jovem.
- Não se esforce – disse baixinho – o remédio que lhe deu é muito forte. O efeito permanecerá ainda por um bom tempo.
- Remédio? – ele indagou sussurrando, pela dificuldade de encontrar a própria voz.
- Foi preciso. Estava ardendo em febre – ela explicou pousando a mão no rosto dele.
O carinho atraiu a atenção de Thórin, que segurou a mão da jovem e indagou com a voz rouca.
- O que aconteceu?
- Não se recorda de nada?
Thórin fechou os olhos.
- Não busque pelas lembranças se estas não lhe vierem voluntariamente – a mão de Frigga permanecia na face do marido, que manteve a sua por cima da dela e começou a responder a pergunta sem abrir os olhos.
- Estava com Dwalin, nos níveis inferiores... minha mente começou a ficar perturbada, como se um daqueles malditos pesadelos estivesse me alcançando, mesmo acordado. Vi chamas que se aproximavam e me consumiam. Eu não conseguia me mexer, imerso no fogo.
A princesa compreendeu. A situação estava de fato se agravando, pondo a vida do esposo em perigo.
- Não se recorda de mais nada? – indagou Frigga decepcionada.
Thórin abriu os olhos. Fitou a esposa. Ele era astuto, percebeu em seus olhos uma verdade escondida, pois a princesa não era hábil na arte de dissimular.
- Do que eu deveria me lembrar, Frigga?
'Ele não se lembra!', pensou consigo mesma, baixando os olhos.
- Diga-me o que aconteceu! – ordenou, segurando o braço da jovem.
- É verdade aquilo que você disse – Iniciou ela a narrativa, tentando disfarçar sua decepção - Estava com Dwalin quando, sem explicação alguma, caiu de joelhos diante de uma fornalha. Tanto ele quanto Balin tentaram demovê-lo em vão.
- Entendo.
- Então...
- Então?
- Balin mandou me chamar. E nós o trouxemos para cá – respondeu esperando que sua explicação bastasse para a mente cansada de Thórin, contudo, a jovem parecia ainda não haver compreendido que o obstinado khuzd que desposara não se contentava com meias explicações.
- Só isso?
- Sim.
- Quer então me convencer de que Dwalin e Balin não conseguiram me tirar de lá e que você, Frigga, filha de Nain, logrou tal intento? Deve ser muito forte, minha esposa.
A jovem fitou o marido, sem saber se estava mais contrariada com sua amnésia ou com sua aparente desconfiança.
- Não se preocupe, meu esposo, da próxima vez deixarei que cozinhe diante da fornalha juntamente com sua arrogância – disse levantando-se da cama.
Thórin segurou-a pelo braço fazendo com que se sentasse novamente. No olhar do anão a princesa pôde entrever a tentativa de um pedido de desculpas, todavia o orgulhoso Thórin hesitava em fazê-lo. Frigga o olhou, resolveu ceder. Apesar de desperto, ainda estava fraco.
- Ao chegar aqui – prosseguiu – estava ardendo em febre de uma forma tal que... temi por sua vida.
O rapaz soltou o braço da jovem e passou as mãos pelo rosto cansado, esfregando os olhos, resolvendo deixar para depois os esclarecimentos que lhe eram negados.
- Providenciei para que tomasse um chá feito à base de uma erva muito poderosa. Seu efeito é rápido. Debela a febre de forma eficaz e entorpece a mente.
Thórin franziu o cenho.
- Entorpece?
- Sim. Impede que pensamentos tortuosos perturbem o sono.
- Por isso não me recordo de haver sonhado?
- Exato. É recomendável que permaneça em repouso pelo menos até amanhã pela manhã. Seus sentidos voltarão aos poucos.
O príncipe olhou para a própria mão, abrindo e fechando os dedos seguidamente.
- É verdade, sinto meus reflexos alterados, contudo, só o fato de não haver sonhado... – disse fitando o vazio – Eu não poderia tomar deste chá todas as noites? – indagou ansiando pela possibilidade de um alívio para seus tormentos noturnos.
- De forma alguma – ela foi taxativa – ou após alguns dias simplesmente não acordaria. Trata-se de uma infusão muito forte, não de um simples chá calmante.
Thórin suspirou, vendo a esperança esvair-se por entre seus dedos. Seria bom demais para ser verdade. Expulsar os malditos pesadelos apenas com algumas folhas. Deveria se conformar com sua sina de uma vez. Restava-lhe apenas prosseguir como sempre fizera, dia após dia.
- Preciso de um banho – ele comentou, retirando o cobertor que o envolvia.
- Entendo – disse ela, levantando-se e estendendo a mão para ajudá-lo.
Thórin recusou com um meneio de cabeça.
'Teimoso', pensou Frigga por ter sua oferta de ajuda recusada.
Uma vez de pé, ele fez sinal para que a jovem permanecesse no quarto enquanto se dirigia ao banheiro lentamente, apoiando-se nos móveis e paredes.
'Obstinado, orgulhoso'. As características khazâd tão presentes no marido, e até então questionadas pela esposa, a seus olhos pareciam cada vez mais qualidades e não defeitos. 'Quiçá seja dessa obstinação que tira sua força para suportar tantos tormentos.' Refletiu enquanto via a figura masculina fechar a porta. Suspirou, aliviada em vê-lo de pé.
Frigga permaneceu no quarto. Temia que, caso o deixasse só, o khuzd retomaria as suas atividades a despeito do que lhe dissera. Pois sabia que não era apenas o senso do dever que o fazia se entregar obstinadamente ao trabalho. Também o fazia a fim de fugir de si mesmo e de suas trevas interiores.
No banho, Thórin sentia a água molhando-lhe os cabelos e o rosto, trazendo-lhe de volta parte da sanidade que jurara haver perdido. O contato desta com sua pele renovava suas forças e relaxava os sentidos, permitindo-o pensar com mais clareza. Fechou os olhos jogando sobre o rosto mais um pouco do líquido abençoado, recordando-se de que mais uma vez Frigga estivera lá, para ele, com sempre estava. Todavia, não lhe revelara tudo. Como ela conseguiu fazer com que saísse do transe no qual caíra? Qual seria o motivo de lhe ocultar uma informação tão simples?
O khuzd, contrariando o pedido da esposa, buscava em suas lembranças a informação que lhe fora negada. Recordava-se do calor. Imenso. A pele ainda ardia. A língua lhe pregava no céu da boca, resquício da sede que lhe queimara a garganta. De súbito, uma luz como um relâmpago em sua mente. Lembranças que se acercavam dando forma a um quadro ainda envolto em sombras. Uma imagem e uma voz diante de si. Palavras cujo significado não recordava, todavia reconhecia como um apelo, um chamado para que retornasse do subterrâneo no qual estava imerso. Palavras que revelavam um sentimento até então julgado por ele, improvável da parte dela. 'Uma declaração? Frigga?' Uma sensação, primeiramente no rosto. 'Uma mão?' 'Tocou a própria face certificando-se de que outros dedos a haviam tocado em meio às chamas. Depois, nos lábios e na garganta. 'Um beijo? Abriu os olhos. Considerando. Ponderando. 'Não pode ser', pensou. Pousou a mão nos lábios ressequidos. A recordação de outros lábios nos dele clareando a mente. Uma resposta tomando forma.
Fitou a porta que se interpunha entre ele e o quarto no qual Frigga aguardava. Quase pode visualizá-la, sentada na cama, preocupada, esperando por ele. O peito de Thórin arfou ante a possibilidade que se descortinava. A lembrança do hálito morno em seu rosto tão nítida quanto à luz que mandara embora a escuridão da noite. 'Por que não me disse nada, Frigga?', refletiu baixando os olhos e deixando que um pequeno sorriso brotasse nos lábios. Meneou a cabeça antes de voltar a mirar a porta. 'E como poderia me dizer algo, não é, minha princesa? Já me havia dito e minha mente ingrata olvidou-se!' Fechou os olhos, refletindo sobre sua falha imperdoável. Passou as mãos pelo rosto molhado, buscando em si a força para o pedido de perdão. Talvez uma das atitudes que mais exigissem a coragem dos khazâd.
Vestiu o roupão, determinado a esclarecer o ocorrido. Abriu a porta que dava para o quarto. Os cabelos ainda pingando. Ela estava lá, sentada na cama. Aguardando.
- Minha garganta queimava – começou a descrever, para confusão da esposa que o fitou, franzindo o cenho – ansiava por água que viesse por fim a uma sede infinita. De alguma forma, ela veio. Senti a sede aplacada.
- Do que está falando, Thórin? – perguntou Frigga diante dos aparentes devaneios do marido, temerosa de que a febre houvesse retornado.
- De como saí da fornalha.
O coração da jovem disparou. O khuzd pode perceber pelo arfar do peito a alteração da respiração dela.
O anão se aproximou, pondo-se diante de Frigga. Segurou-a pelos braços, fazendo com que se levantasse e pondo-a diante de si. Olhos nos olhos. Assim não haveria como lhe esconder nada. Thórin sabia.
- Descobri de onde veio sua força – disse-lhe.
A princesa mirou o marido. Os olhos azuis-safira fitando-a através dos cabelos ainda molhados. Sentiu a mão dele sobre seu coração.
- Daqui – sussurrou o khuzd – e daqui – prosseguiu pousando as pontas dos dedos por sobre o seus lábios – não estou certo?
Frigga nada respondeu, nem poderia. O rosto de Thórin muito próximo ao seu, a espera de uma confirmação. Uma permissão, que Frigga queria dar, mas não deu, o peito ainda magoado com o esquecimento do marido.
- Sinto muito – sussurrou ele – perdoe a fraqueza de minhas lembranças. Posso lhe garantir que não fazem jus ao sentimento que trago em meu peito.
Silêncio.
O anão fechou os olhos, envolvendo o rosto de Frigga com suas mãos e encostando sua testa na dela. 'Quer me fazer implorar de joelhos por seu perdão?' Os lábios masculinos ansiando pelo contato, para certificar-se de que não estava enlouquecendo. Necessitando da confirmação daquilo do qual a água benfazeja lhe fizera recordar.
- Tenho seu perdão?
Frigga sentia a respiração do marido em seu rosto, amaldiçoando-se pelo orgulho de não abrir-lhe a guarda. A teimosia do khazâd em sua versão feminina persistia em suas veias.
'Não me disse que sim', pensou Thórin. 'Tampouco me negou'.
Tomou-a pela cintura, aproximando os corpos. Faria com que o perdoasse.
- Deixe-me conduzi-la – solicitou ainda com a testa na dela.
O pedido inesperado, falando aos sentidos da jovem. Lembranças da cerimônia de casamento. Da primeira dança. Da primeira noite, cheia de questionamentos. Das primeiras conversas, plenas de revelações. Do conhecimento mútuo travado durante noites de agonia. Do primeiro beijo recentemente trocado em um momento de lucidez em meio à febre. Lábios femininos também desejando o toque.
Thórin viu nos olhos dela que a resistência estava no fim e trouxe à tona as palavras que ele sabia invencíveis quando ditas do fundo da alma.
- Você encontrou o caminho para o meu coração. Eu te amo.
Frigga quedou-se com a boca entreaberta. Thórin sorriu.
- Deixe-me conduzi-la – repetiu ante o silêncio dela.
- Conduza – ela disse cedendo ao apelo interior, permitindo que o perdão libertador envolvesse a ambos.
Thórin abriu os olhos. Estava lá, nos olhos dela, a permissão. Ele aproximou sua boca da dela lentamente. O toque úmido contrastando com o calor que emanava dos lábios que se entregavam apaixonadamente. Ela envolveu o rosto dele com as mãos, fazendo-o objeto de suas carícias, enquanto o calor dos lábios se misturava e o abraço se intensificava. Desejo extravasado qual rio que vence a represa que o detinha.
Todavia, não mais. A paixão de Thórin e Frigga encontrava seu caminho, fortalecendo-se à medida que se entregavam um ao outro, entre carícias e arroubos. O calor que se estabelecia entre ambos trazendo a ele uma lembrança indesejada, inquietante. Fazendo-o duvidar da realidade que se concretizava.
Thórin interrompeu o beijo por um momento e contemplou a face ruborizada de Frigga.
- O que houve? – ela indagou, pousando a mão no peito do rapaz, sem compreender o porquê da interrupção – Algum problema?
Ele sorriu, inebriado com o desejo ardentemente correspondido.
- Custo a crer que a tenho em meus braços – disse segurando-lhe o rosto entre as mãos – chego a duvidar que o calor que sinto em meu corpo se deve apenas ao meu desejo por você e não a algum pesadelo que se acerca, cheguei a preferir as noites frias e solitárias às chamas que aqueciam, mas que me recordavam de...
- Shiiiii – sussurrou Frigga, selando os lábios de Thórin com a ponta dos dedos – Não haverá pesadelos dessa vez. É chegada a hora de possuir meus lábios e meu corpo.
Thórin ergueu as sobrancelhas, parecendo satisfeito com o que a proposta de Frigga revelava.
- E quanto a sua alma?
Frigga pousou as mãos no peito dele, fitando-o com intensidade.
- Conquistou-a pouco a pouco, desde o dia em que me encontrou naquela oficina. Ganhou terreno quase sem se deixar notar, qual estrategista habilidoso que se apossa do país que decidira tomar para si. Cada palavra sua, cada gesto seu, um prelúdio da conquista inevitável. Ainda tem dúvidas quanto a isso, Thórin de Erebor?
- Não mais – disse ele, acariciando a face de Frigga, antes que lançar a ela o questionamento final.
- E quanto a você? Não vai se certificar de que possui a minha?
Frigga estreitou os olhos, aproximando a boca do ouvido do príncipe e sussurrando.
- Sei que já a possuo.
Thórin sorriu, mirando em seus olhos.
- Parece-me bastante convencida de suas habilidades femininas, minha esposa. Como pode estar tão certa da conquista que afirma?
- O senhor mesmo deu-me a certeza, quando diante daquela fornalha sua alma emergiu do subterrâneo em que se encontrava, atendendo ao meu chamado.
Thórin fitou-a com intensidade, hesitando em admitir que fora conquistado sem sequer dar-se conta. Sua princesa o surpreendera de todas as maneiras possíveis e apesar do guerreiro dentro dele se desagradar, e muito, com o reconhecimento de tamanha derrota, o marido se orgulhava daquela que lutava por ele, sem se deixar intimidar. Afinal, o desfecho de tal embate só poderia redundar em benefício para ambos.
- Dou-me por vencido, então – disse ele, abrindo os abraços em atitude de rendição.
Frigga olhou-o. Se deixasse de lado o significado das palavras por ele pronunciado, dificilmente se poderia ver em Thórin a figura de alguém que se entrega. O porte ereto, o olhar altivo e o sorriso confiante asseguravam-lhe que tal rendição era mais espontânea que forçada, como quem recua em vista de uma conquista ainda maior. E era exatamente do que se tratava.
- Sei que não tenho diante de mim um guerreiro derrotado – disse ela.
- Tampouco a vejo como um terreno conquistado – completou ele, segurando-a ternamente nos ombros.
Olharam-se por mais alguns instantes, enquanto a compreensão mútua dava seu arremate final na relação que se firmava entre eles. Os sorrisos que brotavam dos lábios selando a aliança acordada há tanto tempo atrás.
As mãos dele percorreram os braços dela até chegarem às mãos delicadas que tanto alívio lhe deram em suas noites de agonia. Entrelaçaram os dedos, desejosos de se tornarem um só. Almas que se fundiam, sem abrir mão da própria individualidade.
- Mahal a forjou para mim – disse ele solenemente.
- Assim como te reservou para mim – completou ela.
- E agora seu fogo une nossas almas, com um aço de têmpera inédita.
- O aço do respeito.
- Da tolerância.
- Da compreensão.
- Da confiança.
À medida que as palavras eram pronunciadas, os corpos se aproximavam, atraídos por um magnetismo irresistível. Antes, contudo, que uma proximidade maior se concretizasse, Thórin baixou os olhos e fitou o tecido vermelho que envolvia o corpo da esposa. Veio-lhe um pensamento que não poderia deixar de expor.
- Sabia que sua camisola esteve presente em muitos de meus sonhos, Frigga?
- Do que está falando? – perguntou intrigada.
- Desde a primeira noite. Confundia-se com o fogo... não posso dizer que ela não tenha me atormentado... ao contrário de você, que sempre foi um bálsamo...
Frigga segurou novamente o rosto do marido entre suas mãos, atraindo seu olhar para si. Os olhos cor-de-mel em chamas pareciam hesitar.
- Livre-se dela então...
Thórin entreabriu os lábios ante a declaração da esposa. Um sorriso enigmático e safiras escuras foram a resposta que Frigga obteve antes das mãos de Thórin tocarem o tecido vermelho, retirando-o do corpo da amada.
Após tantos rodeios e desencontros, finalmente a entrega. O que se seguiu foi consequência.
- Se não fosse uma indiscrição imperdoável – comentou a princesa, nos braços do marido – eu escreveria agora mesmo a Holda contando-lhe que há casos em que o efeito do remédio não dura nem um dia completo.
- E o que a fez chegar a essa conclusão? – indagou Thórin aumentando a intensidade do abraço.
- Não vou encher ainda mais seu ego – ela disse, olhando o rapaz nos olhos – já é arrogante o suficiente sem que eu o exalte.
Thórin riu um riso irresistível. Uma felicidade que vinha do fundo da alma e que o jovem anão há muito não experimentava.
- Parece que nos entendemos – sussurrou, beijando castamente os lábios femininos.
- Caso escrevesse – prosseguiu a jovem – diria também que além de debelar a febre e anestesiar a dor, o remédio possui outras propriedades...
- De forma alguma – retorquiu Thórin girando o corpo e pondo-o por cima do da esposa – isso é mérito de Thórin de Erebor.
Foi a vez de Frigga rir um riso cristalino.
- Como é convencido!
- E a convencerei, da mesma forma! – disse antes que um novo beijo e um novo depois.
