Capítulo 28 – O plano de Misha
N/A: Só para situar o leitor, este capítulo Se refere aos acontecimentos com o Misha, antes, durante e depois da bebedeira do Jensen, que foi contada no capítulo Anterior. Boa leitura a todos! E obrigado pelos vários e carinhosos reviews!
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Passaram-se cerca de uma hora e meia desde que Misha saíra do apartamento do policial Padalecki. Ele sequer cogitaria a possibilidade de que Jensen estivesse arrependido de tudo que dissera, embora quisesse crer que, cedo ou tarde, de fato se entenderiam. Estacionou a moto em frente à lanchonete da família do loiro, depois de ir a uma loja para comprar algo que, sem dúvida nenhuma, traria uma reviravolta à relação deles. Enquanto desligava o veículo, olhava para tudo ao redor. O lugar, nos mínimos detalhes, lembrava o namorado. As pessoas – tão conhecidas pelo policial mais velho –, faziam com que Collins se recordasse dele imediatamente. E as ruas significavam lembranças de momentos felizes vividos pelos dois.
Respirou fundo e balançou a cabeça, em uma tentativa de esquecer, por alguns instantes, tais pensamentos e, por fim, retirou o capacete e o amarrou no braço. Como teria de conversar com Donna para retomar o trabalho, não queria chorar na frente dela. Desceu da moto e, a passos lentos, adentrou o estabelecimento comercial. De cara avistou Josh e Megan, que atendiam a um grupo de jovens que solicitara diversos hambúrgueres e refrigerantes. O moreno dos olhos azuis viu a mãe de Jensen surgir por detrás do balcão, com o pedido de um outro cliente em mãos.
– Eu... Preciso falar com a senhora – iniciou, um tanto tímido, assim que ela passou por ele. – É possível, ou estão muito ocupados?
– Não, imagina! Eu só tive de cobrir a droga do seu horário! – reclamou Joshua. – Era pra você estar aqui trabalhando...
– Chega, filho – ordenou. – Quem dita as regras nessa lanchonete sou eu. E foi o seu pai quem o mandou embora de maneira estúpida e irresponsável. Portanto... Cale a boca. – Donna fez uma pausa. Demonstrava, com o tom áspero que empregava, toda insatisfação pelo comportamento infantil do filho mais velho. – É claro, rapaz – e olhou ternamente para Collins. – Venha comigo – e ambos se dirigiram a residência dos Ackles.
– Bem feito... Levou bronca da mamãe na frente dos clientes... Que feio, seu crianção! – comentou Megan, o tom brincalhão.
– Ora... Não me incomode! – pediu o irmão mais velho do loiro. – Não quero passar mais vergonha ainda!
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– Bem, Misha, fico feliz que tenha regressado – disse a mãe dos Ackles, enquanto ambos se acomodavam no confortável sofá da sala. – Como não terá problema algum em você cumprir os serviços por aqui, mesmo que namore o meu filho, pode começar quando desejar – ao ouvi-la mencionar Jensen, o moreno sentiu um aperto no peito. Engoliu em seco e fez de tudo para encará-la nos olhos.
– Obrigado, senhora. Mas não pretendo trazer maiores transtornos às vidas de vocês todos. Como o que houve é delicado, compreenderei que me demitam...
– Não, de modo algum! Eu gosto de você. Não sei porque, mas é verdade. E quem sabe se não nos acostumamos mais facilmente com o relacionamento de vocês dois com a convivência que terão conosco? – sugeriu.
– É, quem sabe – como se tratava de alguém experiente, Donna logo percebeu que havia algo errado.
– Aconteceu alguma coisa, rapaz? – perguntou, visivelmente interessada em ajudar.
– Não... Tá tudo ok, Sra. – garantiu, porém sem a mínima firmeza necessária.
– Certo. Quando quer começar a trabalhar? – quis saber, em uma tentativa de mudar de assunto, a fim de não insistir demais.
– Agora mesmo! Pode dizer ao Joshua que voltei – comentou aquilo com um sorriso nos lábios.
Ao obter tal confirmação, a mãe dos Ackles foi falar com o mais velho, a fim de lhe informar que poderia deixar o serviço para Misha. O homem não gostou do pedido feito, mas antes que ela protestasse e chamasse a atenção dele de novo, Josh ia em direção a casa para esfriar a cabeça e para tomar um ar.
O restante do dia seguiu tranqüilo. Poucos clientes apareceram na lanchonete, portanto Megan e o moreno foram liberados mais cedo do que o normal. A jovem pensou em convidar o colega para comer um hambúrguer com bacon, com o objetivo de distraí-lo, já que a tensão dele era visível, porém percebeu que ele não tinha disposição para aquilo no momento.
Misha tentou, apesar de todas as dificuldades, não transparecer tamanho abatimento. Esforçava-se para pensar no que o namorado lhe dissera a respeito da segurança financeira que teria, que assim seria melhor para todos. Queria encarar tais palavras da maneira mais suave possível, mas Collins não estava nada satisfeito, e sabia que Jensen também não devia estar. Refletiu acerca disso por um longo tempo, ainda que estivesse concentrado no serviço. Era grato a Donna, que o readmitira ali, apesar do envolvimento dele com o policial. Então não podia decepcioná-la. Entretanto, se sentiu aliviado quando o expediente terminou. Despediu-se da mãe dos Ackles e de Megan e, apressado, rumou para casa. A decisão estava tomada: telefonaria para o loiro e, mesmo que ele não aceitasse, retornaria ao apartamento de Jared para vê-lo, nem que aquilo lhe custasse um preço alto. Tudo que o moreno queria era ser feliz com Jensen.
Quando estava prestes a tirar o celular do bolso da calça, se surpreendeu ao escutar o aparelho tocar. Levou-o ao ouvido sem olhar o visor, esperançoso de que fosse o loiro, mas não foi o namorado quem falou.
– Oi Mish, tudo bem? Que bom que ainda está acordado. – O tom de Alan era apreensivo. O moreno intuiu, então, que algo ocorrera.
– Oi primo. Tudo mais ou menos – respondeu, o desânimo evidenciado no tom de voz. – Mas... O que houve? Você não está com o Jared?
– Sim, viemos para o apartamento dele agora à noite. – Contou. – E encontramos o Jensen completamente bêbado. Por isso resolvi telefonar pra você... É melhor que saiba como ele está, não é? – frente ao silêncio do outro, o jovem prosseguiu: – O que aconteceu entre vocês dois?
– Droga! – Resmungou baixinho, como se amaldiçoasse a si mesmo por ter saído do apartamento. – Ele tá bem?
– Sim, está dormindo agora – tranqüilizou o garoto. – Não se preocupe, tá tudo certo por aqui.
– Então me espere; chego aí num instante – falou, enquanto pegava as chaves de casa e o embrulhozinho que deixara em cima do armário da sala.
– Ok. Sei que vai se sentir melhor ao vê-lo, Mish, então venha pra cá. – Alan fez uma curta pausa. – E aproveite pra nos contar o que houve, tá?
– Bem... O Jen só expôs argumentos... Errrr... – o Collins mais velho pigarreou, em uma tentativa de espantar o aperto na garganta. – Ele disse que eu preciso ter uma estabilidade financeira... E que, talvez, seja melhor nos afastarmos por agora... Até que a família dele lide melhor com a situação. – Concluiu, a voz embargada.
– Então foi isso mesmo... Puxa... É complicado. Mas vocês precisam se entender, o Jen tem que se decidir – comentou. – Vai ser bom pra vocês se enfrentarem os obstáculos juntos.
– É, eu sei. – Misha respirou fundo. – Espere-me... Estou indo, ok?
– Sim, pode deixar. Tchau – Alan desligou o telefone ao ouvir o primo se despedir.
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– Pelo que o Mish me contou, o Jensen não disse mais nada – o Collins mais novo dirigiu um olhar a Jared.
– Também... Acho que meu amigo não precisava dizer mais nada mesmo – retrucou o moreno alto. – O Ackles tem merda na cabeça... Ou está com medo da família.
– A segunda opção é bem mais sensata, não acha? – Padalecki assentiu. – Mas eles vão se acertar.
– Vão sim. Penso, inclusive, que seja bom para eles irem embora de Dallas, nem que seja por uns tempos... Sei lá, o Jen pode pedir transferência...
– Por que não lhe sugere isso, então? – perguntou o garoto. – Aposto que ele vai ponderar.
– É, posso tentar... – Jared não concluiu a frase; Alan se aproximou devagar, colando os lábios no pescoço do maior.
– Eu acho que, agora, nós podemos ter outra conversa, não é? – o policial assentiu, puxando o menor para mais perto e selando os lábios dele. Somente se separaram para tomar ar.
Os beijos se tornavam cada vez mais intensos, as línguas buscavam espaço e exploravam cada pedaço da boca um do outro. Mas Padalecki pousou, de maneira gentil, a mão no ombro de Alan.
– O seu primo deve estar a caminho. E será um pouco estranho se ele me encontrar assim – Jared abriu os botões da calça jeans antes de abaixá-la e, com um olhar divertido, apontou para o membro ereto, que denunciava a excitação que sentia.
O Collins mais novo deu uma risada gostosa. – Então... Vista isso logo, por favor – o menor se referiu à peça de roupa. – Antes que eu não deixe você atender a porta.
– Ok... Eu já volto – o moreno alto correu para o banheiro. Se alguém fosse receber o rapaz, que fosse Alan. Afinal de contas, eles eram primos. Apesar de o policial ser bastante extrovertido, não ficaria bem aparecer na frente do outro – que, aliás, era o namorado do seu melhor amigo –, em condições tão... Sugestivas. Padalecki entrou no banho com tais pensamentos a preencher-lhe à mente, o que o fez rir ainda mais.
O moreno dos olhos azuis chegou poucos instantes após Jared entrar no banheiro. Alan lhe apertou a mão, em um gesto que lhe transmitia a coragem necessária. Misha, por sua vez, tinha os olhos marejados. Queria dizer tantas coisas, mas a voz não saía.
– Vai dar tudo certo, fique calmo, Mish. – o garoto o abraçou forte. – O Jensen ama você, isso é o que importa.
– Eu sei... Mas será que importa pra ele, primo? – questionou em um balbucio.
– É claro que sim. Amanhã, quando acordar, sei que o Ackles vai falar com você, que vai pedir desculpas. Tudo vai ficar bem, não se preocupe. – Alan deu dois tapinhas no ombro dele. – Eu sei que tudo vai dar certo. Não era o que o seu irmão sempre dizia? Ele queria o melhor pra você, Mish. E deve estar contente ao ver que busca sua felicidade assim. Seu pai também o amava, porém o protegia demais. Mas o Sasha... Ele transmitia força a você. E é o que tento fazer agora. Sei que não sou o menino... E nem tenho a intenção de ocupar o lugar dele aí dentro – apontou para o peito de Misha. – É só que... Quero que saiba que, como ele, estou do seu lado para tudo.
Tratava-se de uma grande emoção ouvi-lo falar assim. O primo podia ser um tanto irresponsável, podia ter se metido com drogas e ter tido uma vida tumultuada, entretanto tinha um bom coração. E tocara no ponto certo: Sasha. Porque ele sempre fora, para o moreno, quem o encorajava a seguir em frente, apesar da falta de dinheiro e de outras dificuldades. E, agora, Misha agradecia, com visível emoção, ao primo por ter relembrado alguém tão querido.
– Obrigado... Eu nem sei como dizer... O que dizer... Somente... Obrigado – caminhou em direção ao quarto no qual o loiro dormia.
– De nada. Se precisar... Jared e eu estamos em casa. Só não sei se vamos estar à disposição em um primeiro momento – comentou, um sorriso brincalhão nos lábios, enquanto se dirigia ao banheiro.
– Ok. Pode aproveitar. Você merece – o mais velho compreendeu o que Alan quis dizer.
Misha entrou no cômodo e observou Ackles. Sentou ao lado da cama e, devagar, aproximou seu rosto do dele. Beijou-lhe a testa ternamente, antes de se acomodar ao lado do namorado.
– Quando acordar terá uma surpresa... Espero que goste, Jen. – Sorriu para si mesmo, imaginando a cara de espanto do policial ao vê-lo ali.
Mexeu-se lentamente, com o objetivo de retirar do bolso um pequenino papel, cuidadosamente embrulhado.
– E... O melhor, eu trouxe um presente que você não poderá recusar – murmurou, depois de fechar os olhos. O moreno tinha em mente surpreender Jensen Ackles, para que pudessem, finalmente, ficar juntos.
N/A: Quero deixar meus queridos leitores curiosos! O que será que o Misha trouxe, hein?
