Finalmente eu posso postar! Minha conta no fanfiction não queria carregar o capítulo de jeito nenhum... E depois que as trimestrais começaram, tive pouco tempo para rever o cap e ajeitar algumas coisas. Por isso devo afirmar que está com vários erros.

Admito que fiquei um pouco chateada quando minha conta voltou à funcionar, porque soube naquele momento que não poderia mais fugir desse final.

Amei escrever essa fic, e ela é a melhor que eu tenho.


POV Lily

Subi as escadas tenebrosamente, como se o mundo estivesse desabando a cada passo, e nada mais restaria além de James e eu naquele dormitório masculino.

Era muito provável que James simplesmente me olhasse e me mandasse embora, querendo ficar sozinho ou saindo para a aula de Transfiguração. E, de certa forma, senti um aperto no coração quando Sirius me disse que James ainda estava no dormitório, e um solavanco no estômago de que possa ter sido minha culpa.

Quem estou tentando enganar?

Foi minha culpa. Era por minha causa que ele estava naquele estado e lamentava ter me conhecido. E isso fazia de mim um monstro, obviamente.

- James?

Entrei no dormitório sem bater, achando que provavelmente ele estava na cama ainda, e não poderia ouvir meu toque.

Avançei pelo quarto às cegas na penumbra, sem saber ao certo onde era a cama dele ou onde James poderia estar.

- Lily?

Ouvi sua voz vinda do canto oposto, por onde eu havia acabado de passar, e deixei que meus olhos se acostumassem com o pouco de luz que havia, querendo por tudo abrir as janelas e deixar que o sol entrasse, ainda que viesse junto com o frio.

Mas achei mais cômodo que James ficasse à meia luz, ou seus olhos arderiam e ele me mandaria embora.

- Oi, Jay. - Sorri na direção que ele parecia estar.

Aos poucos, com a minha visão voltando ao normal, pude perceber que o quarto era cheio de pôsters de jogadores de quadribol, e modelos trouxas semi-nuas. O que era típico para garotos na idade deles.

Visualizei a cama dele no lado oposto do quarto, e presumi que o amontoado de cobertas fosse James, naquele frio de lascar deitado quentinho em seu dormitório. Tive vontade de me deitar com ele e não sair de perto nunca mais.

- O que você está fazendo aqui? - A voz rouca de James propagou-se pelo quarto.

Juro que nunca senti tanto medo em minha vida.

Apenas uma palavra, e James poderia me mandar embora para sempre da vida dele e eu choraria todos os dias até a minha morte.

Então, me aproximei da cama com dificuldade para respirar, e sentei no espaço vazio que havia na ponta, não querendo chegar muito perto para não incomodá-lo.


POV James

Sentia seu perfume adocicado mais forte e mais embriagante à cada novo passo que ela dava em minha direção. Era inacreditável tê-la ali dentro, cada segundo mais perto de mim, e principalmente quando conseguia sentir o cheiro do seu remorso.

Por Merlin, Lily estava cheia de remorso.

E eu estava odiando vê-la assim, por minha causa. Ela não devia se sentir culpada quando na verdade a culpa era minha.

Senti quando ela se sentou em minha cama, um pouco decepcionado com a distância, mas ainda assim satisfeito com sua presença.

- Eu tinha que falar com você. - A voz de morango me emudeceu.

Ela tinha? Quer dizer... Isso me soa como um dever, correto? Ela precisava me ver.

Respira, James. Vamos, isso não quer dizer nada...

- Tinha? - Tentei não parecer um abestado, sem muito sucesso. - Bom, aconteceu alguma coisa?

Percebi que minha voz estava desejosa, mas como era possível disfarçar? Enquanto tentava não me aproximar de Lily, e fingir que sua presença não era tão interessante quanto realmente era.

Eu podia ver seus cabelos ruivos se destacando na penumbra, e sua pele alva que cheirava tão bem. Também podia ver a hesitação dela em continuar fingindo que nada havia acontecido.

- Muita coisa aconteceu. - Lily respirou fundo.

E eu também tive que respirar.

- Eu não devia ter dito tudo aquilo. - Tentei não olhar para ela, enquanto dizia o que devia dizer. - E nem te deixado lá, na casa dos gritos, enquanto saía feito um...

- Cala a boca. - Lily falou de repente.

Estanquei nas palavras, tropeçando por algumas vogais, até que a verdade caiu sobre os meus ombros com um baque absurdo, e concluí que realmente havia ouvido Lily Evans pronunciar as palavras "Cala a boca".

Ela havia me mandado calar a boca!

- Sou eu quem precisa dizer alguma coisa. - Lily aparentemente havia fechado os olhos. - Depois de tudo o que fiz à você...

- Mas você não fez nada! - Tentei interferir.

- Quieto! - Lily bateu em meus joelhos. - Eu preciso dizer algumas coisas.

Então esperei que ela se recompusesse, e por tudo querendo que voltasse a pousar suas mãos em meus joelhos, que jaziam tão frios agora. Queria que Lily voltasse com sua posição de monitora certinha, pois pelo menos assim eu sabia o que ela estava pensando.

Mas agora, ela havia retornado com aquela Lily quieta e distante, ousada e linda, difícil e desafiadora. A Lily que em geral, todos costumavam temer... E eu amar.

- Você disse que gostava de me beijar. - Ela falou, enquanto corava até a raiz dos cabelos. - E preciso saber se é verdade.

Meu coração descompassou, e me perguntei quantas vezes mais eu poderia beijá-la depois dessa conversa. Porque se nunca mais pudesse... Desejaria que Lily fosse embora, e que me deixasse nunca mais ter um último diálogo com ela.

Passei a língua em torno dos meus lábios tentando me lembrar de seu gosto, e descobrindo satisfeito que a presença de seu cheiro me lembrava de seus lábios.

- É. - Estalei a língua, tentando ser convincente. - Você sabe que eu não mentiria sobre isso.

Lily deu de ombros incerta, como se ainda tivesse dúvidas quanto à isso.

- Poderia ter mentido. - Ela meneou.

Suspirei sorrindo, encarando suas feições angelicais.

- Não. - Falei, observando seus olhos verdes relampejarem em minha direção. - Impossível mentir para você.

Houve mais um minuto de silêncio em que Lily corou e eu continuei sorrindo em sua direção, e querendo por tudo que aquela conversa não desse errado.

Não... Eu simplesmente não deixaria ela ir embora.

- De qualquer forma... - Lily segurou a barra da saia em um gesto nervoso. - Eu não sabia que você gostava de mim.

Engoli em seco perante o comentário, sem saber ao certo se deveria ou não chegar mais perto dela, e perguntar de uma vez por todas se ela estava tentando me torturar.

- Eu sempre gostei. - Encarei as cobertas.

Um ruído alto indicou que o vento havia aumentado soprando contra a Torre da Grifinória, o que acabou fazendo Lily se arrepiar e encollher os braços de frio, botando os pés para cima da cama.

- Foi egoismo meu não perceber. - Ela falou, depois que seus pés estavam quase se aquecendo.

Seus olhos verdes procuraram os meus em busca de uma resposta.

- Foi. - Confirmei com a cabeça, estarrecido por ela ter concluído isso sozinha e com medo de que simplesmente fosse embora.

Por incrível que pareça, Lily começou a rir na minha frente, como só ela conseguia fazer. Riu até suas bochechas ficarem coradas e seu sorriso aberto largamente no rosto.

- Me desculpa, James. - ela escondeu o rosto nas mãos.

Me estiquei até alcançar sua mão, e segurá-la entre as minhas, para satisfazer um pouco a vontade de abraçá-la.

- Pelo quê, exatamente? - Ergui as sobrancelhas para ela.

Aceitando meu convite, Lily se levantou com frio e deitou-se ao meu lado. Abracei-a por baixo das cobertas, esperando que seu corpo se esquentasse e enterrei meu nariz em seus cabelos, esperando por sua resposta...E ao mesmo tempo querendo que ela nunca viesse.

- Por ser uma decepção para você. - Lily segurou minhas mãos, na esperança de esquentar os próprio dedos. - Penso que deve ser horrivel gostar de alguém como eu.

Brinquei com seus dedos frios e tentei esticar mais o cobertor para que se esquentasse.

- É horrível sim, Lily Evans. - Concluí nervoso, e temendo que ela me deixasse. - Eu odeio te amar tanto assim.

Lily riu em escárnio, e botou sua mão em meu peito, enquanto eu passava a alisar seus cabelos.

- Por que está dizendo essas coisas terríveis? - Lily perguntou, erguendo seus olhos para mim.

- Porque eu já disse que não consigo mentir para você. - Continuei sentindo a textura de seus cabelos.

Um novo ruído se propagou pelo dormitório escuro, e senti junto com Lily o vento adentrando pelas frestas da janela, de modo que abracei-a mais forte enrolando seus cabelos em meus dedos.

- Eu te adoro, James. - Ela falou.

Eu estava sem certeza, sem a certificação, sem a confirmação de que aquela frase estava na lista de palavras que Lily tinha que dizer. Pouco me importava, pois eu sabia o que elas significavam.

Era basicamente: Eu gosto de você, mas não do jeito que você gosta de mim.

Soava estranho, e até mesmo cômico aos meus ouvidos. Como um filme de terror sangrento que não faz sentido algum, e te deixa mais enojado do que aterrorizado.

Não foi a primeira vez, mas talvez tenha sido a última em que as palavras de morango me machucaram.

- Você me adora. - Engoli em seco, ainda sorrindo triste, e angustiando pela próxima pergunta. - Mas não me ama, certo?

Para aumentar a minha angústia, Lily não respondeu. Seu cheiro doce me matava e parecia me fazer sufocar, enquanto uma terrível vontade de chorar se alastrava junto ao vento, que vinha pelas frestas da janela.

Mas não chorei, e nem tornei à perguntar. Não queria forçá-la à nada...Nem nunca quis.

E nós ficamos ali por algum tempo, até que adormeci com seu cheiro em mim, com a maciez de seu cabelo ruivo entre os dedos e o rastro quente em meu peito de suas mãos.


POV Lily

- Precisamos festejar! - Falou Lene.

Estávamos no almoço, depois das aulas de História da Magia... E com o burbúrio de todos os alunos enquanto comiam e conversavam, comemorando o fato de que não teríamos aula naquela tarde de sexta- feira.

Lene tagarelava alegremente ao meu lado, principalmente depois da revelação que lhe fiz de que Remus e Laurie estavam juntos, e que haviam matado aula a manhã inteira.

É claro que eu ocultei algumas partes... Como o fato de que eu descobri isso quando James me levou à Hogsmeade em uma madrugada e que fomos até a casa dos gritos onde James me beijou mais uma vez e me disse que não me beijava só por beijar e...

Céus. Isso não saía da minha cabeça.

E também tratei de ocultar a parte em que subi para o dormitório masculino e James confirmou que me amava e gostava de me beijar, e eu não respondi quando ele perguntou se o sentimento era recíproco, apenas me deitei em seu peito sentindo seu aroma que eu gostava tanto, e vi satisfeita que ele havia dormido.

Então desci e pude seguir para as aulas restantes antes do almoço, onde Lene fez questão de me perguntar tudo sobre Remus e Laurie em um pergaminho de cinco centímetros.

- Precisamos comemorar, Lily! - Lene continuou insistindo ao meu lado, empunhando um perigoso garfo de três dentes onde ela havia espetado uma batata. - Remus e Laurie estão juntos!

- Espera...

Lunny se aproximou de nós, sorrindo como não a via em tempos, e segurando um prato de lasanha com cheiro bom, que parecia ser de queijo.

- Eu ouvi a palavra "comemorar"? - Ela perguntou, enquanto se sentava ao meu lado.

- Ouviu. - Lene explanou novamente.

- Ótimo! - Lunny sorriu satisfeita. - Que tal uma festa no Salão Comunal da grifinória?

Então, adivinha? As duas começaram a conversar sobre o que deveriam fazer. Preparativos como comida, comida e comida foram acrescentados à lista, assim como caixas e mais caixas de cerveja amanteigada e doces de todos os tipos.

Bom, eu não estava em clima de festa, de modo que apenas segui com Sirius por um corredor à parte depois do almoço, e começamos a caminhar juntos sem dizer uma palavra, apenas refletindo sobre tudo o que estava acontecendo e as decisões que devíamos tomar.

- Ele acordou. - Sirius falou simplesmente.

Olhei para o teto do corredor onde estávamos, e descobri que haviam algumas estalactites preenchendo o vácuo sem graça de tintura descascando que havia.

- E ele disse alguma coisa? - Perguntei, com meus pensamentos se voltando para James e em como sua respiração era morna e seu abraço quente e aconchegante.

- Não. - Sirius deu de ombros. - Ele sempre fica meio calado quando conversa com você.

E foi isso. Sirius e eu não trocamos mais nenhuma palavra depois dessas, com medo de talvez a tensão no ar atrapalhar nossa conduta pelos corredores.

E ela foi interrompida com a chegada de Marlene.

- Lily? - ela se aproximou, alisando suas vestes e corando um pouco. - Podemos conversar?

Ergui as sobrancelhas me perguntando o motivo de Lene estar sendo tão formal, até que me lembrei de que Sirius estava me acompanhando, e ela sempre ficava formal na presença do maroto de olhos cinzentos, desde que eu me lembrava.

- Claro, Lene. - Afastei os cabelos do rosto de olhei para Sirius, que ainda estava com os olhos fixos em Marlene, como se jamais tivesse parado para olhá-la durante tempo suficiente. - Sirius, nos encontramos mais tarde?

Por um momento ele abriu a boca sem saber o que responder, até que desviou o olhar de Lene e tornou à prestar atenção em mim, ainda gaguejando.

- O q- quê? ãh, claro! - Ele tentou sorrir, descontraindo o clima sem graça, mas ainda deixando sua risada de cachorro solta no ar.

Então, saí com Lene pelos corredores, sabendo que ela era o exato oposto de Sirius... E que não iria calar a boca durante nossa caminhada.

- Preciso te contar uma coisa. - Lene segurava os livros contra si nervosamente.

Acredite em mim quando digo que poucas coisas no mundo podem deixar Marlene McKinnon nervosa.

- Aconteceu alguma coisa? - Segurei seu braço em apoio.

- Bom, er, na verdade aconteceu. - Lene mordeu o lábio inferior.

Em geral, Lene não conseguia esconder as coisas de mim durante muito tempo, e muito menos eu conseguia esconder dela. Sempre acabávamos revelando tudo o que havia acontecido uma para outra, de alguma forma inexplicável e eficaz.

É claro que as palavras que vieram em seguida, vindas da boca de Marlene McKinnon, me chocaram de uma maneira que jamais irei esquecer. Palavras que me fizeram rir, chorar de nervosismo, gargalhar em escárnio, e socá-la mil vezes no ombro por ter sido tão idiota.

- Foi isso. - Lene suspirou aliviada, limpando as lágrimas e sorrindo feito louca, enquanto segurava meu braço e seguíamos caminhando (agora pelos jardins) apreciando a paisagem.

- Então, ele simplesmente aceitou isso? - Eu a encarava incrédula, sorrindo vivamente peranta as palavras hilárias e aparentemente impossíveis de Lene. - Gustav Lewis aceitou fingir ser seu namorado durante semanas?

Lene apenas confirmou com a cabeça, me deixando chocada.

- Só porque você queria ganhar uma aposta? - perguntei, novamente incrédula.

Lene meneou com a cabeça.

- Bom, não foi bem assim. - Ela sorriu para mim, corando por ter admitido algo tão refratório. - Eu precisei fazer alguns temas de casa para ele.

Fechei a cara para ela, enquanto Lene ria sem parar.

- Então, ele fingiu ser seu namorado todo esse tempo? - Tornei a perguntar, sem conseguir acreditar que isso fosse mesmo verdade.

- Isso. - Lene confirmou.

- Lene, você é maluca! - Empurrei-a forte, rindo sem parar de suas babaquices.

A morena emudeceu, olhando para o lago que estava refletido em seus olhos grandes e castanhos. Suspirei ao lado dela, confusa demais para querer pensar em alguma coisa, apenas querendo aproveitar o momento ao ar livre.

Mas era inevitável pensar em como Sirius gostava dela, e estava disposto a arriscar qualquer coisa por Lene, disso eu tinha certeza. Sirius havia mudado tanto por Lene quanto eu havia mudado querendo acreditar em James.

E eu sabia que de alguma forma, Lene também gostava dele. Ela emudecia, deixando de ser histérica, completamente formal quando se aproximava dele. E só retirava sua pose de princesa quando era para xingá-lo.

E Sirius, eu sabia, só à provocava como desculpa para ficar perto dela.

- Lene, ele vive perguntando por você. - Me aproximei dela, também encarando o lago.

Lene pareceu acordar de um transe com a minha aproximação.

- Ele quem? - ela se fez de sonsa.

Esperei que um vento gelado passasse, carregando algumas folhas da floresta proibida, e voltei a encará-la... Temendo que Lene não quisesse conversar sobre isso.

- Você sabe quem. - Botei as mãos nos bolsos.

Estava estampado na testa dela de quem eu estava falando, estava claro até mesmo para quem não acompanhara a relação deles durante todos esses dias.

E quando o vento gelado finalmente cessou, deixando apenas algumas folhas pairando pelo ar, Lene passou os braços em torno de si e começou a se balançar para frente e para trás, como se de alguma forma ela estivesse tentando evitar o choro.

Mas Lene não chorava facilmente, muito menos se deixava intimidar. Ela não seria mais uma das quatrocentas garotas que ficavam aos prantos pelos corredores por culpa de Sirius Black.

Não, ela era simplesmente mais que ele. E o próprio Sirius sabia disso.

- Eu gosto dele, Lily. - Lene virou-se de costas para mim, escondendo seu nervosismo. - Eu gosto muito dele.

Devo admitir que não sabia o que fazer, e muito menos como agir. Principalmente quando estava em um problema tão grande quanto ela...

- Pode parecer bobagem, mas eu sei disso. - Encostei no ombro dela de leve, querendo dar todo o apoio possível. - Lene, você não precisa se sentir assim.

- Assim como? - Ela sussurrou, ainda que eu pudesse ouvi-la.

- Culpada. - Falei, estremecendo de frio. - Por gostar dele.

Eu queria voltar para o castelo. Aquele vento gelado pareciam diversas facas entrando em meu corpo, e eu tinha uma leve impressão de que a Sala Comunal estava bem quentinha naquele momento.

O jeito era apressar as coisas, e fazer Lene entender logo que o sentimento era recíproco e Sirius não iria à nenhum lugar sem ela.

- O Six mudou, Lene. - Tentei falar devagar, sem expressar minha louca vontade de correr para o castelo. -Ele não é mais o mesmo.

Ela se virou para mim, no momento em que eu havia decidido seguir com a conversa e tentar esquecer o frio.

- Por que eu deveria acreditar nisso? - Lene perguntou, tristonha e encolhida.

Me angustiei perante o seu comentário.

- Porque você não é como eu! - Joguei ambos os braços para cima em um jesto típico de alguém. - Nós duas precisamos acreditar no que está na nossa frente, ainda que seja arriscado!

- Você sabe como ele é... - Lene riu em escárnio.

- Sim! Eu sei como ele foi. - Sorri descaradamente para ela. - E garanto que ele não é mais assim.

Eu implorava à Morgana que Lene confiasse em mim, e que ela simplesmente não tachasse Sirius de Amos, pois os dois eram evidentemente o contrário um do outro.

- Por favor, Lene. Será que podemos voltar ao castelo? - Falei gaguejando, já não aguentava mais de frio. - Quem sabe você não se distrai com os preparativos para a festa?

Faço tudo por um calorzinho, não é? A verdade é que eu não estava nem um pouco afim de ir nessa tal festa, e precisava imediatamente de um lugar para me isolar e morrer de vergonha por não ter coragem de encarar o James.

- Vamos... Você precisa de uma distração. - Puxei Lene pelo cotovelo e arrastei-a em direção ao castelo.


POV James

- VOCÊS VÃO FAZER O QUÊ? - perguntei, completamente atucanado.

Era natural que Sirius revirasse seus olhos de cachorro e pedisse que Remus se explicasse, antes que eu explodisse com ele e o mandasse para você sabe onde.

- Marlene está planejando uma festa. - Remus deu de ombros, enquanto folheava um livro qualquer completamente distraído.

- No nosso Salão Comunal. - Sirius também parecia estar distante.

Estávamos embaixo do Salgueiro, e era normal que começássemos a planejar as próximas azarações que seriam aplicadas nos novatos, para que Filch não estivesse presente na hora do ato, e Lily não aparecesse berrando comigo e marcando detenções para todos nós.

Mas agora, tudo o que fazíamos era ficar sentados embaixo da árvore deixando a desejar.

- Por que não azaramos ninguém? - perguntei à eles.

Houve um minuto de silêncio, em que eu jurava que podia ouvir as engrenagens enferrujadas de Sirius funcionando pela primeira vez em meses, enquanto Remus possuía uma resposta básica e suficiente.

- Laurie iria me matar. - Aluado falou.

Isso era um fato. Como uma das amigas de Lily, era pouco provável que Laurie não partilhasse da mesma opinião.

- Lene nunca mais iria olhar para mim. - Sirius fitava o lago.

Eu era obrigado a pensar que Lene se encaixava no mesmo padrão.

- E Lily provavelmente deixaria de me adorar. - Declarei.

Sirius, sentindo-se ultrajado, virou-se para mim depois de um longo tempo em transe.

- Te adorar? - Ele praticamente cuspiu na minha cara. - Ela te ama, cara!

- Diga isso para ela! - Retruquei nervoso, encarando o lago e querendo que a conversa acabasse logo. - Se ela me amasse, teria dito.

Remus continuou distraído com seu livro, sem ter os olhos realmente focados nas páginas. Enquanto Sirius ainda olhava feio para mim, como se fosse se tornar o Tarado da Machadinha à qualquer momento.

- O que foi? - Me virei para ele, começando a ficar chateado.

- Você é um idiota! - Sirius bufou.

- Ah, então eu sou o idiota? - Me levantei furioso, esquecendo completamente do quanto estava frio. - Sirius, você nem teve coragem de dizer à Lene que a ama.

Remus finalmente desviou o olhar fixo de seu livro para nós, e não tentou falar nada, apenas querendo observar o nosso assassinato mútuo.

- Eu não amo ela! - Sirius esbravejou.

Encarei-o furioso.

- Ok, talvez um pouquinho. - O maroto fez sinal de pouquinho com os dedos.

Remus revirou os olhos e fechou o livro, parecendo estar indignado e prestes à nos dar uma detenção.

- Acho que deveríamos ajudar as garotas nessa festa. - O lupino concluiu.

- O quê? - Olhei para ele aborrecido.

- Sim, James. - O lobo falou. - Vamos ajudá-las.

Minha vontade era pegar o livro que estava na grama e meter guela abaixo no Remus, só para ele se ligar de que iríamos estar no covil das panteras.

- Hey, só porque você tem que ajudar a sua namorada - Sirius cruzou os braços desafiador. -, não quer dizer que também tenhamos que participar disso.

Olhei para Sirius fazendo um sinal positivo, como se realmente estivesse nessa com ele. Mas ao primeiro berro que Remus desse, eu já estaria caindo fora.

- Tudo bem, façam o que quiser. - Aluado deu de ombros. - Só acho que será um disperdício de comida.

Imediatamente, as orelhas de Sirius pareceram se destacar em seus cabelos pretos, e eu previ que ele havia saltado fora primeiro.

- Comida? - Almofadinhas perguntou.

Merda. Havíamos perdido.


POV Lily

Me debrucei sobre a mesa de doces, tentando distinguir os grifinórios orgulhosos que ali estavam e roubar uma tortinha de morango que parecia ter se apaixonado por mim.

Lene havia organizado a festa principalmente para Laurie e Remus, mesmo que eles não soubessem. E duvido que o lobo ficaria muito satisfeito ao saber que toda aquela baubúrdia era para ele.

De qualquer forma, eu estava ali plantada por ordens da Senhorita Lunny, que havia insistido que eu deveria pelo menos dar um oi para o James e parabenizar Remus por sua nova conquista.

Mas depois que toda aquela bagunça acabasse, adivinha quem limparia tudo aquilo?

Se você disse Lily Evans, acertou.

- Hey, Lil.

Ouvi uma voz me chamando, até que Sirius veio em minha direção com um simplório sorriso tímido, que não combinava nada com ele.

- Você viu o Rabicho? - O maroto perguntou.

Senti a nota tremulando em nervosismo de sua voz, e neguei com a cabeça, me lembrando de que ainda não havia visto Peter naquele dia.

Havia tanta coisa que eu queria dizer à ele. Tanta coisa que aliviaria aquela expressão tensa que ele carregava que eu simplesmente não conseguia ficar por perto para ver toda a sua agonia.

Observei a festa crescer, as pessoas voltarem dos jardins e se dirigirem à mesa de doces e salgados. Vi quando Lunny chegou acompanhada de Amos, e desviei o olhar, sem querer voltar com todas as emoções das últimas semanas.

Mas depois esqueci... Pois estava concentrada em rir e observar Peter e Maria McDonald se agarrando na mesa de bebidas, como se estivessem se engolindo. E famintos do jeito que eram, eu duvido muito que não fosse assim.

Vi Lene conversando com Flamy, e Laurie tendo seus momentos de dança com Remus. Mais felizes que eles, impossível.

E houve o momento em que James finalmente entrou na Sala Comunal, com sua expressão séria e preocupada, olhando em volta à procura de Remus. Nossos olhares se encontraram por um instante, e eu não soube que expressão usar, apenas ergui meu braço em um aceno mudo, e James fez o mesmo.

- Lily?

Era Sirius. Seus olhos pareciam cansados me fitando, e ele se debruçou na mesa de doces ao meu lado.

- Quantos doces você já comeu? - Ele tentou sorrir para mim, apontando para os buracos na mesa de doces, onde obviamente haviam alguns há tempos atrás.

- Perdi a conta. - Dei de ombros, completamente azeda.

Sirius deu sua risada própria de cão e me acompanhou na vistoria da festa.

- Quando vai dizer para ele? - O maroto perguntou.

Em circunstâncias normais, com pessoas normais, eu teria feito as habituais perguntas de quem, onde e como. Mas na questão Sirius... Eu sempre sabia do que ele estava falando, ou até onde queria chegar.

- Eu sou um desastre. - Bufei irritada, como sempre, descontando tudo em Sirius. - Se não consegui dizer até agora, jamais conseguirei.

O maroto ao meu lado pegou um bombom de uísque de fogo que estava em cima da mesa, e colocou-o em minha mão, em um gesto de consolo.

- É oficial. Lily Evans se tornou uma baleia. - Declarei, enquanto encarava o bombom.

Sirius ria sem para do meu lado, apenas para descontrair, enquanto eu pensava em como James devia me odiar dos pés à cabeça e no por que de ser tão orgulhosa.

- E a Lene? - Imediatamente, me lembrei que não era a única a ter problemas.

O cachorro roubou o meu bombom de uísque de fogo e engoliu-o de uma só vez, como se aquilo fosse fazê-lo se sentir melhor.

- Bom, vou ter que esquecê-la, não é? - Sirius deu de ombros.

Esquecê-la? Não! Ele não podia desistir dela... Nem pensar! ...Isso iria destruir Lene por dentro e faria dela praticamente um vegetal.

- Ai, ai, Morganinha. - Levei minhas mãos ao rosto, completamente ciente do que estava prestes a revelar. - Sirius, eu preciso te contar uma coisa.

Após comer mais um bombom, na maior lerdeza do mundo, Sirius virou-se para mim com expressão tensa.

- Fala.

- Bom, é sobre a Lene. - Fechei os olhos, sem querer ver a reação dele. - Sabe o Gustav? - Tentei fazer gestos com a mão para aliviar. - Então, e-eles...Eles não tinham nada!

Sirius continuou calmo e passivo, completamente indiferente ao que eu explanava.

- Você não entendeu? - Pisquei atordoada para ele. - Tudo foi uma farsa!

Não podia ser, eu tinha certeza de que havia sido convincente e perfeitamente clara! Mas Sirius continuava me encarando com seu olhar de tédio e sua boca suja de chocolate.

- Eu já sabia. - Ele disse, dando de ombros.

- Como assim? - Encarei-o perplexa.

A ideia de que Sirius Black sabia algo que eu não sabia me deixou escandalizada. Quer dizer, Lene havia me contado a verdade naquela tarde, e Sirius provavelmente devia ter descoberto há tempos com seus meios assustadores de saber tudo o que acontecia no castelo.

- Quando Lene pediu ajuda à Lewis - Sirius engoliu em seco, afastando os docinhos sobre a mesa. -, eu estava lá, sob a capa de invisibilidade.

A capa de invisibilidade. Como eu poderia ter esquecido? Foi com ela que James me levou à Hogsmeade sem que pegássemos uma tremenda detenção.

- Então você sabe. - Suspirei, sem saber ao certo que conclusão chegar.

- Sim. Desde o início. - Sirius sorriu para mim. - Lene é uma ótima jogadora.

Definitivamente, era.

- E por que não à entregou? - Ergui minhas sobrancelhas e peguei mais um doce. - Você teria ganhado a aposta se tivesse entregado.

Sirius suspirou, como se estivesse cansado, e baixou a cabeça pousando-a na mesa, grudando sua testa em um docinho de caramelo.

- Eu não sei, Lily. - O som de sua voz saiu abafado. - Eu não sei de mais nada.

O que eu poderia dizer? Na verdade, acho que estava falando demais naquele dia, e pensei que talvez fosse uma tentativa de deixar o nervosismo de lado. Uma tentaiva terrível, diga-se de passagem, pois me embrenhar nos problemas de Sirius e Marlene só estava deixando tudo pior.

- Eu também não sei de mais nada, Six. - Concluí insatisfeita, na dúvida se pegava mais um doce ou não. - Só quero que essa noite acabe.

Quem sabe tudo não acabava logo? Assim eu poderia ir dormir e sonhar com o dia em que não estava apaixonada por James Potter, e minha mente se dirigia apenas aos corvinais bonitos e charmosos, assim como aos jogadores de quadribol internacionais. Eu voltaria à ser a monitora exemplar, que sempre escolheria o melhor para todos à sua volta, sem se queixar de nada e sorrir como conveniente.

Não haveria olhos castanho-esverdeados na minha cabeça todo o tempo, assim como cabelos bagunçados e macios fazendo os meus dedos formigarem só de pensar. Os ombros quentes e os braços acolhedores jamais vagariam pela minha mente de novo, sem a etiqueta enorme escrito "porto seguro".

Para que pensar em Potter? Se jamais tivesse descoberto a verdade, eu ainda estaria nos braços do Amos, como se nada tivesse acontecido. Talvez em algum momento ele me despachasse, mas não doeria tanto quanto realmente doeu naquela noite.

Seria mais fácil... Mais ingênuo. E mais digno de realidade.

James nunca teria acontecido em mim. Nunca teria oportunidade de se aproximar e me segurar nos braços, me consolando... Ou de sorrir para mim em uma daquelas manhãs de inverno, jogando inúmeras bolas de neve em Sirius e esperando meu conssentimento.

Já imaginou uma Lily Evans livre disso? Porque eu já imaginei, como você mesmo está vendo.

Ela seria pútrida, alcalina, desmanchável... Desconfiada e tola.

E decididamente, não poderia se dar ao prazer de compartilhar docinhos com Sirius Black em uma mesa de festa, enquanto observava os demais casais dançando em meio à Sala Comunal, completamente indiferentes à inércia que era a vida de Lily Evans.

Eu já não era mais daquele jeito... Nunca mais seria.

Jamais poderia desfrutar de organizações escolares, conversas entre conhecidos que me admiravam, ou troca de feitiços de moda entre as garotas mais populares do colégio. Porque de um dia para o outro eu havia decidido andar com a máfia, e curtir para valer.

E era ali onde eu estava, ao lado do meu novo melhor amigo. Olhando e ouvindo todos irem e virem, engolindo os olhares terríveis que me lançavam ao passar.

- Almofadinhas! - James gritou em meio à multidão de casais. Sua voz masculina e sexy chegou aos meus ouvidos e de Sirius, que logo ergueu à cabeça na direção do maroto.

- Pontas? - O cachorro respondeu, querendo saber o exato motivo de James Potter ter interrompido a comilança de doces na mesa que ele compartilhava comigo.

- Venha logo aqui! - James pediu, fazendo um aceno para que Sirius entendesse se não tivesse escutado.

O cachorro me encarou inseguro, provavelmente pensando se seria viável deixar uma dama gulosa como eu sozinha na mesa de doces mais saborosa da festa.

- Tudo bem, vai lá - Encorajei-o, engolindo em seco depois de ter os pensamentos interrompidos pela voz de James. -, eu cuido aqui.

- Cuidar, eu sei que você cuida. - Sirius sorriu maroto. - Mas gostaria que fosse comigo. - Ele fez uma mesura.

Ergui uma sobrancelha e tirei os dois cotovelos da mesa.

- Por quê? - Perguntei, de forma nada casual.

- Porque não confio em James. - Sirius meneou com a cabeça e enrugou a testa, de maneira tensa. - E penso que ele esteja tramando algo.

- Tramando algo? - Dessa vez, as duas sobrancelhas foram erguidas. - Por quê?

- Porque ele pode. - Sirius pegou minha mão, se assegurando de que eu não fugisse. - E se James pode, ele faz.

Concordei silenciosamente, sendo guiada por Almofadinhas pela multidão de grifinórios e visitantes de outras casas. Tudo estava muito cheio, e todos ainda me olhavam diferente quando eu passava.

Era como se de repente, Lily Evans não fosse mais ela mesma.

O que eles não sabiam é que finalmente eu estava sendo quem queria ser.

- O que acha que ele vai fazer? - perguntei à Sirius, morrendo de curiosidade.

O maroto não respondeu até que chegássemos ao nosso destino. E ao final desse, obviamente a resposta não foi necessária.

Senti meu estômago despencar e minhas pernas fraquejarem quando James se aproximou de nós. Seus olhos castanhos esquadrejando o perímetro, e suas mãos quentes nos bolsos... O que indicava que ele estava nervoso.

- Sirius, Lene está mal. - James se remexia inquieto ao encarar o cachorro.

Temi que ele estivesse me evitando, enquanto prendia a repiração surpreendida pelo uso do nome "Lene".

- O que aconteceu? - Perguntei à James, me esquecendo completamente das reações que o moreno me causava.

- Ela se recusou à ajudar nos preparativos - O moreno arqueou as sobrancelhas numa expressão preocupada. -, e disse que todos poderiam vir com a roupa que quisessem.

Houve uma pausa de choque e inexpressão, em que todos nós visualizamos a silhueta de Lene sentava atrás da mesa de bebidas. Os cachos castanhos acoplados em um coque, e o olhar perdido na pista de dança.

O rosto da morena estava inchado... E eu podia jurar que ela andava chorando.

- O que que tem? - Sirius perguntou-me.

- Lene não é assim. - Encarei-o nervosa, querendo ir até minha amiga e tentar consolá-la. - Todo mundo sabe que ela é louca por preparativos e planejamentos...

- ...E jamais deixaria que todos fossem à uma festa vestindo o que quisessem. - James completou.

Marlene McKinnon poderia estar com problemas muito maiores do que eu, se isso era possível. Seu rosto inchado prevalecia, e suas roupas, pela primeira vez na vida, não combinavam.

Olhei para James, completamente confusa. O Salão parecia ficar mais frio e mais sem vida à cada minuto que passava... Era como se nada estivesse dando certo, quando tínhamos tudo para dar.

A expressão do maroto era resoluta. James me encarava como das outras vezes... Mas dessa vez, eu o conhecia.

Conhecia James Potter como ninguém. Sabia que as ruguinhas em sua testa eram de preocupação com Lene, e talvez com algo mais. Sabia que seus lábios não estavam apenas vermelhos de groselha: o maroto havia os mordido. Também sabia que seus olhos no castanho escuro queria dizer que também estava confuso... E talvez chateado com algo.

- Precisamos fazer alguma coisa. - James pronunciou.

- Eu vou falar com ela. - Anunciei, completamente decidida.

Lene merecia que alguém lhe desse crédito naquele momento, e dissesse à ela que apesar de todos os acontecimentos recentes, ela era uma ótima amiga e companheira... Além de ser leal e sincera.

- Não, Lily. - Sirius segurou meu braço de leve, puxando-me de volta à posição inicial e olhando na direção de Lene, como se quisesse ir no meu lugar.

Eu não pude discutir. Era Sirius quem Lene queria... Mesmo que eu não pudesse dizer isso à ele, e era ela quem ele queria... Como havia me contado há semanas.

E James, finalmente percebendo o que Sirius pretendia fazer, olhou dele para Lene completamente confuso, para enfim compreender com um aceno de cabeça e um olhar atônito.

- Você já sabia disso? - James me perguntou.

Confirmei silenciosamente, observando Sirius se afastar e ajeitar a gola da camisa em torno do pescoço.

- Almofadinhas. - James chamou, interrompendo a trajetória de Sirius pelo meio do Salão. - Mas e a Mirella? Vocês não estão juntos? - Ele perguntou, ainda sem satisfazer sua curiosidade.

Olhei novamente para Sirius, questionando com o olhar, e pensando se havia alguma possibilidade do maroto desistir do amor que sentia por Lene e voltar para a Sanders... A corvinal alta e loira, coberta de maquiagem e com um ego maior que um trem.

- Ela está em outro. - Sirius falou, rápido e conciso.

- Quem? - James insistiu.

O moreno de olhos cinzentos fez um gesto de pouco caso na direção do amigo, como se ele fosse uma mosca irritante que estivesse impedindo-o de beber seu leite. A metáfora, na verdade, consistia exatamente em James impedindo Sirius de chegar em Lene.

- Diggory. - Sirius respondeu. Sua paciência havia se esgotado.

- O quê? - James estava escandalizado.

Mas não havia mais tempo... Sirius já estava quase chegando à mesa onde Lene divagava e às vezes chorava baixinho. E eu parei para refletir nas palavras dele, pensando em como e quando Mirella Sanders havia tido a oportunidade de trocar seus planos maléficos com Amos Diggory, quase como figurinhas.

Observei Sirius conversar com Lene de onde estávamos, e vi quando minha amiga corou pela presença do maroto, tentando esmaecer a expressão de tristeza e fingir que estava tudo bem.

E depois de uma pequena conversa, da qual não consegui ouvir uma única palavra, Sirius guiou Lene para o meio do Salão, onde começaram a dançar.

Primeiro afastados - como se Lene quisesse continuar com um certo limite entre eles - e depois um pouco mais próximos, como se fosse inevitável que se aproximassem.

Em algum momento, a morena encostou a cabeça de leve no ombro de Sirius, e eu suspirei resignada... Com um pouco de alívio, e talvez sentindo um certo peso voltar aos meus ombros.

Algumas pessoas no Salão ainda me olhavam estranho, como se não me conhecessem mais, e me perguntei se alguma vez na vida conseguiria ser feliz com alguém, como certamente Lene seria com o Sirius.

Por que eu estava dizendo aquilo? Simples. Nas últimas semanas, havia arrecadado provas suficientes para concluir que ambos se amavam, apesar de manter isso em segredo.

Ainda não entendo porque todos gostam de me contar segredos.


POV James

Aquilo tudo ainda me deixava anestesiado. Era como estar em um universo diferente, com as mesmas pessoas, mas com o impossível acontecendo.

Lily estava ao meu lado. Seu cheiro à minha volta, como uma droga que jamais prentendia deixar. Ela mordia seu lábio inferior, enquanto olhava para Sirius e Marlene dentre os casais que estavam dançando, e sem perceber... Estava sendo sedutora demais para o meu gosto.

Eu entenderia se nossa amizade nunca mais fosse a mesma, e se talvez ela jamais quisesse falar comigo novamente. Fazia todo o sentido pensar isso quando me lembrava da declaração que fiz à ela na tarde daquele mesmo dia, onde disse que à amava, ainda que ela já soubesse.

Passei a mão pelo cabelo, deixando-o mais bagunçado que o normal e me lembrando de quando fazia esse gesto apenas para impressioná-la, e tudo o que recebia em troca eram xingamentos em tom agudo. E por que não parava?

Simplesmente amava vê-la de mal-humor, estressada, raivosa...corada.

E agora Sirius dançava com Lene, como se jamais tivessem se odiado, ou fingido tão sentimento.

Todos haviam amadurecido. Até mesmo Remus, que já era responsável e exemplo de autonomia entre nós, havia aprendido que não devemos deixar de viver pelos nossos problemas.

Eu, James Potter, antigamente o apanhador popular e maroto irresponsável, estava começando à ficar consciente de que nunca mais seria a mesma coisa.

De que importava a fama? as provas? as azarações?... De que importava o Quadribol?

De nada importava. Porque todas essas coisas juntas jamais seriam tão preciosas quanto Lily. E eu estava ciente de que queria passar o resto da minha vida com ela.

E só agora estava me dando conta de que não era apenas o meu futuro que estava envolvido, mas o de todo mundo... O de Sirius, Remus, Peter, Lily, Flamy, Laurie, Lene e fosse quem fosse, iria mudar.

E foi nesse momento de percepção, que Sirius finalmente se afastou de Lene, ainda encarando-a nos olhos.

Olhei para Lily de esguelha, e ela sorriu fracamente para mim... Quase como se estivesse prestes à chorar.

Lene encarou o cachorro com um olhar intenso, que provavelmente deveria significar algo maior para os dois. Sirius tomou-lhe o rosto com as mãos, acariciando suavemente, e finalmente cortou a distância que havia entre eles, beijando Lene nos lábios.

A cena arrancou gritos, palmas, e assovios do público em volta. E todos que estavam dançando pararam para observar o casal, impressionados.

De fato, era inesperado.

Sirius Black e Marlene McKinnon era o último casal que todos esperavam ver juntos. Sempre andavam brigando, discutindo, se xingando pelos corredores...Sempre na disputa para ver quem era melhor em quadribol, ou em qualquer outra coisa.

Era simples: Lene era do time de Lily, completamente incorrigível. E Sirius era do meu time, o time dos marotos, eternos desordeiros.

Qual seria a reação de todos eles se vissem Lily e eu juntos?

Olhei mais uma vez para ela, seu rosto bonito, suas mãos macias, suas pernas delicadas...

Enquanto Lily olhava fixamente para Laurie e Remus, que dançavam juntos no canto do Salão, como se nada mais importasse para eles.

Pensei que adoraria estar nesse universo privado com ela. Adoraria dizer que ela era minha, significando que era minha de verdade... Com possessividade em maiúsculo.

E me perguntei se Remus estava arrependido de não ter ficado com Laurie antes, se não havia reparado no enorme erro que cometera punindo a si mesmo por uma maldição idiota. Mas aquela não era hora para repreendimento... Que tal se eu falasse isso quando os dois já tivessem se casado?

Sim, ainda tínhamos muito tempo... E era decisão de Lily se ela gostaria me ter ao seu lado ou não. Porque se dependesse de mim, estaríamos juntos por toda a eternidade.

Sorri para mim mesmo pensando... Havia cinco minutos que tinha me tocado do que iria fazer com o resto da minha vida, e já estava pondo Lily nesse meio, como minha, para sempre.

E a festa foi interrompida quando um novo casal entrou pelo Salão, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Ligeiramente, pude ver os cabelos cacheados de Lunny chegando na companhia de alguém que decididamente não esperava.

Gustav Lewis segurava a mão da morena, e sorria para todos na festa, achando normal todas as exclamações de surpresa e olhares de cobiça. Ele acenou na direção de Lene por um momento, e ela retribuiu o sorriso, acompanhado por um olhar mortal lançado por Sirius...

Esses dois ainda teriam muito para contar.

E no canto oposto, John Wood segurava a cintura de Flamy guiando-a em uma dança simples e agradável em que a garota ria e sussurrava palavras no ouvido do namorado. Flamy estava radiante como sempre, e eu suspeitava de que ela estava tramando mais alguma detenção até o final do ano.

Quando a marota olhou para mim, lancei-lhe uma piscadela alegando que estava de olho nas detenções que ela arranjaria desde ali. E então, voltei à olhar para pista de dança, vendo alguns casais se separarem aos poucos e irem para algumas mesas ao redor.

Nunca havia ficado em uma festa sem pegar alguma garota, ou beber até cair com o Sirius. Mas havia alguma coisa que me impedia de sair de onde estava, como se nada mais importasse, ou como se estivesse surpreso demais com tudo o que estava acontecendo.

Para o meu contentamento, Lily também aparentava estar hipnotizada com os fatos, pois não saiu do lugar nem por um instante. Fiz uma careta de raiva quando um garoto se aproximou dela, convidando-a para dançar.

Mas, gentilmente, Lily negou o pedido.

É claro que negou... Ela devia desconfiar que se aceitasse eu iria azará-lo, e provavelmente levariam o pobre coitado para a Ala Hospitalar.

Sorri com o pensamento maligno em minha mente, pensando no quão chateade Lily iria ficar, e quanto tempo dessa vez ela se negaria à falar comigo.

- Relaxe, James. - Remus se aproximou de mim, depois de ter deixado Laurie conversando com Lunny e ter pego uma bebida. - A Lily vai ceder.

Dei um passo para trás, ficando ao lado do lobo, e peguei seu copo de ponche virando todo o conteúdo em minha boca.

- Ela não me ama, Remus. - Engoli a bebida, sentindo o gosto cítrico. - E não quero que ela fique comigo por pena.

Imaginei o quão triste seria para ela ficar ao meu lado sem realmente querer, e cheguei à conclusão de que se eu à amasse o suficiente, deixaria ela ir.

- Relaxa, cara. - Remus sorriu enigmático e jogou o copo na lixeira. - Você sabe que a Lily não fará nada que não queira.

Visualizei o perfil da monitora perfeita, tentando ignorar todo o seu físico sensual e me concentrar em seu jeito de levar as coisas.

Lily jamais deixava barato para alguém que à machucava, ela jamais deixava de seguir sua rotina para fazer algo que não quisesse. Desse modo, era realmente difícil pensar que ela aceitaria uma coisa dessas por pena.

- A festa ta acabando, Pontas. - Remus me alertou, dando algumas palmadinhas em meu ombro. - Acho que irei levar a Laurie para dar um passeio.

- Tudo bem. - Sorri para ele. - Eu fico para arrumar as coisas.

Esperei que todos saíssem, depois de conversarem e comerem bastante. Sinto muito se falo deles como se fossem animais, mas eu estava os odiando naquela época pela repulsa que mostravam quando Lily passava. Sendo que ela jamais mereceu tal coisa, principalmente por ser uma excelente monitora e sempre ter se preocupado com todos.

O Salão Comunal da Grifinória foi se esvaziando aos poucos, e pude notar que já deviam ser umas duas da manhã e McGonagall iria matar à todos nós se não fôssemos logo para cama.

Desejei boa noite à Peter e aos demais que foram subindo aos poucos para o dormitório masculino, e ajeitei a gravata em torno da gola me preparando para arrumar toda a bagunça com alguns simples acenos de varinha.

- Se eu fosse você, não faria isso. - A voz de morango surgiu pela sala, me fazendo engolir em seco e sorrir involuntariamente.

- E por que eu não deveria fazer? - Retruquei desconcertado.

- Porque as pessoas que saíram para um passeio ainda querem aproveitar. - Lily explanou docemente, se referindo à Sirius, Lene, Remus e Laurie.

Virei-me para ela à tempo de vê-la sorrindo docemente e olhando a janela. Vestia seu uniforme da grifinória, com o distintivo de monitora ainda preso ao peito, e um olhar distante que nunca fora característico dela. Seus olhos verdes brilhavam mais do que nunca, e seus cabelos ruivos pareciam estar oleosos dando à Lily uma aparência cansada.

- Acho que você precisa dormir. - Sorri para ela, sem deixar de ficar sem graça pela sua presença mais uma vez.

- Desculpa se estou sendo chata - Lily desceu os degraus que faltavam e se aproximou do meio do Salão. - , mas você é quem precisa.

Esperei que seus pés pousassem no círculo de poltronas, e observei quando ela se jogou em uma confortavelmente.

- Lily, você parece cansada. - Me aproximei do círculo.

- Acho que todos nós estamos cansados. - Ela riu sem graça, enquanto as labaredas da lareira refletiam em seus olhos. - Mas um tanto aliviados.

- Parece que todos estão se dando bem. - Troquei o peso das pernas, corando a cada momento próximo à ela.

Lily puxou as pernas para cima da poltrona, se encolhendo confortavelmente. Ao fazer isso, sua saia deixou transparecer mais uma parte de suas coxas onde a pele era alva e aparentemente macia. Sem corar ou perceber tal feito, a garoto puxou a saia de volta cobrindo o feixe mais íntimo, o que me fez desviar o olhar depressa e fingir que não havia visto.

- Estou feliz por eles. - Lily falou, transparecendo ainda mais cansaço na voz.

- É. - Sorri com o pensamento em Sirius e Lene. - Parece que tudo se resolveu, não é mesmo?

Lily se encolheu ainda mais na poltrona e sorriu para mim, seus olhos verdes no tom escuro e brilhantes. Seu sorriso foi esmaecendo aos poucos, e a aparência de cansaço voltou ao seu rosto, as vezes parecendo não pertencer à ela.

- Eu estava pensando - Parei na frente dela sorrindo enviesado, enquanto o calor da lareira me engolfava. -, se você não queria dançar comigo.

Diga-se de passagem... Eu não danço bem. Mas qualquer coisa para ficar perto dela naquele momento, e tentar convencê-la de que estava pronto para qualquer escolha que ela tomasse, me incluindo ou não.

Lily me encarou de cima abaixo, como se medisse a sua vontade de me aturar naquela noite de festa e cansaço. O impasse parecia inédito e complicado, e havia grande probabilidade dela simplesmente me ignorar e subir para o dormitório feminino, principalmente depois deu tê-la magoado dizendo coisas horríveis durante tantos anos.

Foi uma surpresa quando senti os dedos de Lily encostarem nos meus, e minha mão se fechando automaticamente ao redor deles, puxando-a para fora da poltrona.

Lily levantou-se devagar, sua expressão indecifrável e os olhos mais escuros do que nunca. Ela não questionara o fato de não ter música, e nem ao menos me chamou de louco por convidá-la quando a festa já havia terminado.

Antes que pudesse pensar em alguma reação por parte dela, envolvi minhas mãos em sua cintura trazendo-a para mais perto e suspirei pesadamente quando seus braços finos e macios se fecharam em meu pescoço.

Conduzi Lily para o meio do Salão Comunal, e as horas atravessavam a madrugada sem que eu notasse ou quisesse parar. A Ruiva respirava em meu ombro, acompanhando meus passos medíocres e arrastados pelo tapete vermelho. Não sabia ao certo que horas os outros iriam chegar, por isso aproveitaria bem todo o tempo a sós com ela.

O vermelho de seus cabelos quase refletia as chamas da lareira, e havia momentos em que Lily soltava por completo seu peso sobre mim, e eu a aparava prazerosamente...Como se essa fosse uma brincadeira que costumássemos fazer todo o dia.

Quando baixei minha cabeça em sua direção, grudei nossas testas e encarei-a nos olhos temendo perder a razão neles. Lily, supostamente minha melhor amiga, parecia sempre ter estado por perto, me fazendo sentir um idiota por jamais ter corrido atrás dela.

Me lembrei dos dias em que a presença da Ruiva era notável, e me incomodava de tal forma que ir atormentá-la era algo tremendamente necessário. Então eu caminhava até ela, e ficava assediando-a com convites para Hogsmeade e elogios rudes.

Em resposta, seu rosto corava docemente e seus lábios formavam a palavra "não", quando na verdade queriam dizer que aquela fora mais uma tentativa em vão.

Simplesmente odiava quando outros garotos idiotas se aproximavam dela, cheios de elogios e melosidades para cima da Ruiva. E ela sorria para eles enquanto corava, e os nós das minhas mãos se esbraquiçavam por baixo da mesa.

De alguma forma sempre fomos próximos, ainda que entre tapas e azarações. Eu lhe dirigia a palavra todos os dias e, mesmo que de pouco caso, Lily me ouvia antes de me xingar com repulsa e insatisfação.

Nos víamos nas detenções também, quando Lily tinha que monitorá-las na ausência da Prof McGonagall, e eu estava nelas ao lado de Sirius e Peter depois de aprontar umas e outras...

Acabei me dando conta, um pouco tarde demais, que se soubesse que receber o sorriso de Lily era tão realizador e compulsivamente viciante, teria feito tudo para me aproximar dela muito antes e da maneira certa.

E agora, seus pés me acompanhavam pelo tapete em uma dança simples e silenciosa, como se Lily sempre estivera ali pronta para ser conduzida por mim.

Sorri para as sardas suaves em seu rosto, e ergui minha mão até o seu queixo voltando à encontrar seus olhos.

- Foi um longo dia, Lily. - Suspirei contra o rosto dela, ainda acariciando a pele macia.

A Ruiva não passou recibo e pousou a cabeça em meu peito, suspirando pesadamente. Me perguntei se ela podia ouvir meus batimentos cardíacos, que aceleraram de tal modo que achei que meu coração iria sair pela boca.

- Você se lembra daquele café da manhã? - sussurrei em seu ouvido, sem querer causar nenhuma reação de susto nela.

- Qual deles? - As esmeraldas de Lily brilharam quando a ruiva ergueu a cabeça em minha direção.

- O melhor deles. - Umideci os lábios devagar, deliciado por possuir a atenção dela. - Aquele em que você sorriu para mim.

Lily piscou os olhos atordoada, para logo sorrir vagarosamente e acariciar minha nuca de leve.

- James, eu estou sempre sorrindo para você. - Ela sussurrou contra meu peito.

Escorreguei minhas mãos de volta à sua cintura, e tentei imaginar qual seria a reação da Ruiva se soubesse que eu me lembrava de cada um deles - Cada um dos sorrisos cativantes que um dia fora dirigido à mim.

- Mas aquele sorriso foi o primeiro. - Aspirei o perfume suave dos cabelos dela. - Você estava linda naquela manhã.

Lily me encarou profundamente, como se buscasse por mentiras ou ironias no meu sorriso dirigido à ela. Suas sobrancelhas arqueadas e os olhos intensos. Novamente, ergui minha mão até seu rosto e acariciei a pele delicada.

- A manhã estava fria. - Minha voz saiu rouca e quebradiça. - E você chegou até mim, toda preocupada...

Lily corou levemente e a pele onde eu acariciava parecia se esquentar. Minhas mãos passearam até seus cabelos, onde toquei-os de leve sentindo a textura.

- Você parecia estar mal. - A voz de morango alagou meus ouvidos, e pude sentir um quê de indiferença e exasperação nela.

- Eu estava mal, de fato. - Engoli em seco fechando os olhos. - Mas você chegou sorrindo e eu...e eu...

Lily ergueu a mão fina e macia até o meu rosto, acariciando-o de leve.

- Você me disse que estava mal porque tinha um problema. - A voz de morando ressoou novamente, me fazendo estremecer e arrepiar ao toque dela.

- Aquela manhã. - Umideci os lábios novamente, segurando o pulso de Lily levemente. - Tudo parecia tão irreal.

- Eu sei. - A Ruiva sussurrou lacivamente. - Para mim também.

Era possível? Tudo foi diferente para mim... O sorriso dela, o toque, o cheiro, os olhos virados e fixos apenas em mim. Como se de repente o mundo fizesse sentido...

- Antes do Diggory aparecer - Abri meus olhos novamente, apreciando o olhar compreensivo dela. -, você parecia estar tão diferente comigo...

Foi a vez de Lily fechar os olhos pausadamente, como se quisesse absorver todas as minhas palavras. Sua mão em meu rosto voltou para minha nuca, acariciando de leve.

- O Amos era tudo para mim. - Lily continuou de olhos fechados, como se sentisse vergonha. - Ele era o meu sonho e todo o meu futuro.

- Futuro? - Ergui as sobrancelhas para ela.

- Na minha cabeça, éramos feitos um pro outro. - Lily sorriu sarcasticamente, e um tanto corrompida. Seus olhos se orvalharam e senti suas mãos tremendo em minha pele. - Então, houve aquela manhã...

Engoli em seco, esperando pelas frágeis e angustiantes palavras dela...Que eu sabia que uma hora ou outra teriam que vir. Para mim, Lily era perfeita e necessária de todas as maneiras, me forçando a fazer qualquer coisa por ela.

Mas Lily jamais fora obrigada à gostar de mim e me aceitar na sua vida. Ainda que durante muito tempo eu tivesse à adulado para que aceitasse sair comigo e fôssemos para algum canto escuro do castelo nos agarrar.

Esses foram os meus erros, e o que eu queria que ela entendesse é que jamais os cometeria novamente.

...A menos que ela pedisse.

Seus olhos verdes orvalhados e seu nariz vermelho salpicado de sardas, os cabelos ruivos oleosos indicando que precisava de banho e descanso.

- Você parecia estar tão diferente. - Lily sussurrou absorta em seus pensamentos. Suas mãos tremiam contra a minha nuca, e seus lábios convidativos sussurravam morangos. - Eu simplesmente odiei te ver tão para baixo... Então tive que ir até você.

- Eu sei. - Minha voz rouca se propagou novamente. - Você se sentou ao meu lado.

- Eu...Eu... - A voz de Lily se quebrou, apesar de ainda clara e forte. - Notei algo em você naquele dia.

Meu coração descompassou por completo, e as mãos quentinhas de Lily fizeram minha nuca se arrepiar.

- Algo que eu não podia ter notado. - Os passos dela ecoaram em meus ouvidos, como marteladas. - E de repente, você se tornou um James Potter bonito, doce e compreensivo.

- Bonito? - Tentei sorrir sexy para ela.

- ...Ainda que continuasse sendo cheio de si. - Lily enrolou, corando e sorrindo para mim. - Da noite para o dia você se tornou importante para mim.

- "Importante". - Saboreei o som de morango estasiado. - Eu gosto dessa palavra. - Umideci os lábios.

Esperei que o arrepio causado pelas mãos de Lily passasse, e movi meus pés mais para perto dela sem deixar de encará-la nos olhos.

- Você sorriu para mim. - Retornei ao assunto, piscando atordoado para ela. - E eu não entendi por que.

Lily parecia respirar arduamente.

- Eu...Eu... - ela encarava o chão, como se quisesse que ele o engolisse. - Me senti mal por você.

Eu sabia que aquilo era tortura para ela. Lily era tão orgulhosa quanto eu, e seus padrões de humildade eram elevados. Mas algo me fazia querer que a verdade saísse dos lábios de morango dela sem fingimentos ou ironias. Era como exijir dos morangos o que eu sabia que eles iriam me dar.

- Então você sentiu pena. - Minha voz saiu mais grossa que o normal.

- Não! - Lily se apressou em responder. - Quer dizer, não apenas isso. - Ela logo corrigiu.

Ergui minhas sobrancelhas angustiado e acompanhei seus passos pelo tapete.

- Estava lá porque senti saudades de você. - Lily ainda não me encarava, apenas olhando para o chão entre nossos pés . - Senti saudades da pedra no sapato que você era. - Ela pareceu choramingar.

Sorri abobado segurando sua cintura com as duas mãos e deixando que a Ruiva respirasse, sem pressioná-la ou forçá-la à qualquer explicação maior. Eu sabia que havia chegado no limite, tanto para mim quanto para ela.

- Então você apreciava minhas investidas? - Peguei sua mão macia e beijei-a fazendo cerimônia.

- Não. - Lily respondeu friamente, como se percebesse o jogo que eu estava fazendo com ela. - Apenas apreciava sua persistência nelas. - A Ruiva me olhou enigmaticamente.

Seus olhos verdes fixos em mim, já estavam aparentemente secos de novo. A compreensão tomou os meus ao lado da gratidão de todos os esforços adquiridos para que ela percebesse do que eu era capaz.

- Você me disse que gostava de alguém. - Lily resguardou seus últimos resquícios de orgulho retomando a conversa.

- Sim. - Eu confirmei, engolindo em seco e sem querer encará-la. Agora era minha vez.

- Disse que ela era diferente das outras garotas. - A Ruiva acompanhou meus passos em uma dança lenta até a janela.

De fato, era. Quando Lily iria perceber que cada traço seu era original? Cada movimento que ela executava era como um alarde sob meus olhos.

- E disse que eu também era diferente. - Ela suspirou resignada, fazendo com que o ar à minha volta se esquentasse.

Me lembrei da dor que senti no Três Vassouras, quando Amos se aproximou bruscamente dela e roubou-lhe um beijo. Minha raiva quando Lily continuou calada, sem gritar com ele ou fazer qualquer careta de nojo.

Não era como quando eu roubava-lhe um beijo em meio ao corredor... Quando tentava me aproximar perigosamente dela na biblioteca... Ou passava rápido os dedos pelos seus cabelos antes que ela se virasse e me batesse.

Por que eu? Por que ela simplesmente me marcara para não ser aceitado?

- Então você disse que era impossível alguma garota não gostar de mim. - Sussurrei no ouvido dela, enquanto tocava uma mecha de seus cabelos com toda a liberdade possível. - E Diggory chegou todo nervosinho...

- James. - Lily sussurrou fracamente sorrindo.

- ...Te tirando de mim como se eu fosse venenoso. - Dei de ombros como se a lembrasse ainda fosse desgostosa. - E você foi embora com ele, sem olhar para trás.

Era como ter algo preso na garganta, entalado e dolorido. Que você quisesse tirar para fora ao invés de engolir. Lily estava na minha frente, linda como sempre, de cabeça baixa e mãos tremendo.

Quem eu estava enganando? Estava forçando-a a dizer algo que não precisava dizer.

- Eu achei que estava certa. - A voz fininha sussurrava quebrando aos poucos, fazendo meu coração doer. - Achei que Amos fosse o cara certo...

Não era para que o assunto chegasse à esse ponto. Não era nem apropriado que Lily se sentisse obrigada a revelar tais critérios. Bufei indignado quando percebi o estrago que tinha feito, e me arrependi imediatamente do ato.

Lily se assustou com a minha reação, achando que era culpa dela. Seus olhos se arregalaram e sua boca emudeceu, fazendo-a saltar para trás e desprender os braços dos meus.

- Desculpe, Jay. - Seus pés foram andando para trás, e minha visão foi se tornando embaçada.

A voz de Lily se quebrara completamente, e senti que faltava pouco para que ela entrasse em soluços compulsivos. Seu rosto estava escondido pela cortina de cabelos acaju, e suas mãos pararam de tremer no momento que se afastaram da minha pele.

"Desculpe, Jay."

Era eu quem deveria estar pedindo desculpas. Desculpas em ter falhado em conquistá-la, desculpas por ter feito ela sofrer, e desculpas por incomodá-la metade da minha vida.

Lily estava quase subindo as escadas, seus passos sonoros e lentos como alguém que se arrasta. Estava cansada depois de um longo dia de acontecimentos.

Mas com sua tolerância ou não, eu arranjaria um jeito de ter uma resposta. Não iria deixar que Lily simplesmente se afastasse de mim sem me responder de uma vez por todas.

Precisava saber se o que ela tinha visto em mim naquela manhã era algo mais, se ela havia sentido o que eu senti durante os beijos que lhe dei, e que foram retribuídos. Não era possível que ela não tivesse sentido nada! Não quando eu havia sentido o mundo inteiro...

- Ruiva. - Chamei-a ainda da janela, com voz embargada e me sentindo um bebê.

Lily não se virou, e pude notar que havia colocado as mãos no rosto aparentemente úmido, e suas mãos haviam voltado a tremer.

- Eu não queria... - Tentei dizer em vão, me desculpando depois de já ter feito o estrago.

Quase não percebi quando Lily se moveu em minha direção, seus quadris no movimento costumeiro e seus olhos verdes com expressão decidida.

- Mentira. - Ela golpeou, fechando as mãos em punho fazendo os nós dos dedos se esbranquiçarem.- Você queria sim me fazer lembrar! - Lily esbravejou em fúria.

- Não foi a intenção! - ergui os braços me defendendo.

- O que você queria que eu dissesse? - O verde orvalhado jazia como larva incandescente. - Que as últimas semanas foram fantásticas... - Lily engoliu em seco. - Que fiquei mais confusa do que jamais desejei estar?

- Lil, você não... - Tentei mais uma vez lhe dizer o que pensava.

- Não me venha com arrependimentos, James. - Sua voz de morango quebrada ressoava com ousadia. - Você quer exatamente isso, não é?

A Ruiva se aproximou perigosamente. Ainda que seu rosto estivesse úmido, e seus olhos verdes no tom furioso... Lily Evans conseguia ser sexy quando queria, sem restrições.

- Você quer que eu caia em seus braços com juras de amor. - Lily botou as mãos na cintura e empinou o busto. - Mas ambos sabemos muito bem.

- Sabemos o quê? - Intervi abobalhado, enquanto involuntariamente baixava o olhar pelas pernas dela.

- Que ainda que seus sentimentos por mim forem verdadeiros, você me jogará fora assim que vir à calhar. - Lily respondeu intrépida e fervorosa, como quem tem certeza do que diz.

Minha cabeça pareceu dar um giro completo de trezentos e sessenta graus. Minhas mãos imediatamente começaram a suar, e meu coração já palpitante pareceu subir pela boca.

- Por que está dizendo essas coisas? - Minha voz saiu rouca novamente, e minha cara de parvo fez com que Lily risse em escárnio.

- Porque é verdade. - As lágrimas finalmente saltaram de suas esmeraldas, e suas sardas sumiram na vermelhidão que chegou ao seu rosto. - A parte da verdade que você ignora.

Eu queria gritar para ela, empurrá-la contra a parede e não deixar sair até ter dito tudo que havia dentro de mim. Mas Lily parecia à beira de um precipício, e seus suspiros eram tão grandes que achei que se dissesse algo naquele momento ela avançaria para cima de mim.

- E é essa parte que faz de você um insuportável. - Lily falou amargamente, como se eu não tivesse percebido o meu maior erro. - Que sabe o que eu sinto, e brinca com isso.

Meus punhos se fecharam, e me lembrei da madrugada anterior, quando Lily nos avaliou dizendo que fora apenas um momento...

Ela não havia percebido o quanto isso doía em mim? o quanto eu apreciava toda as vezes que ela retribuía os meus sentimentos?

- Eu mudei por você. - Meu sangue subiu à cabeça, e minha voz se quebrou completamente. - E fiz o possível e impossível para que você percebesse.

- Eu percebi. - Lily choramingou, se aproximando cada vez mais de mim, fazendo minhas veias dilatarem e minha cabeça relaxar com seu cheiro. - Que droga, James. - Ela sorriu em escárnio, secando o rosto úmido. - Eu te amo.

Minha garganta ficou seca de repente, meus membros adormeceram e teriam cedido se meus pés não estivessem grudados ao chão. As lágrimas frescas de Lily escorriam pelo seu rosto de porcelana emoldurado por esmeraldas cintilantes de orvalho. Seus cabelos vermelhos não refletiam mais a lareira, mas os raios de sol que surgiam na janela ao nosso lado.

As sobrancelhas arqueadas e a testa franzida, como se não acreditasse no que havia acabado de dizer, mas quisesse por tudo confirmar que era verdade. Os lábios mais vermelhos do que nunca, que davam sabor às palavras coerentes e muitas vezes decisivas que Lily pronunciava.

Simplesmente não conseguia falar. Minha garganta trancou falhada, e se conseguisse dizer algo provavelmente sairia completamente embargado. Minha cabeça embaralhada juntou as peças, apesar das diversas tentativas inúteis de tomar alguma ação.

Só consegui me mexer quando Lily se aproximou mais um pouco e me encarou como quem pergunta se a outra pessoa está bem.

Meu braço se movimentou até ela, e eu pude acariciar seu rosto mais uma vez, vendo-o iluminado pelos raios de sol e pelas lágrimas cristalinas agora quase secas...

Um filete de água ainda escorria por sua face, como se mostrasse todo o percurso pelo qual passamos para descobrir tudo o que estava bem na minha frente. Naquele momento eu descobri que iria querê-la para sempre, sem me importar do que isso dependesse, ou de quais desafios deveriam enfrentar.

- Lily - sussurrei embriagado. Eu queria contar à ela que também a amava, apesar de já ter dito tantas e tantas vezes. Queria dizer o quanto seus carinhos, seus beijos e seus xingamentos significavam para mim, e que queria tudo isso para sempre. Mas minha garganta seca e minhas mãos suadas me impediram de dizer o que tinha que ser dito, dando lugar à frase mais tola que já disse em minha vida. - Tem uma lágrima aqui.

Olhei fixamente para os lábios dela, vendo que uma última lágrima cristalina pendia neles, querendo cair e escorrer pelo seu queixo à qualquer segundo.

- É óbvio, James. - Lily explanou, fazendo com que a lágrima em seu lábio superior escorresse mais alguns milímetros. - Eu estou chorando.

Num impulso muito bem calculado, prendi à lágrima com os lábios...Roçando meus lábios nos de Lily levemente, querendo apreciar devagar o gosto salgado dela em minha língua. Me afastei após o experimento, sentindo resquícios da lágrima descerem por minha garganta, fazendo com que ela umidecesse e senti-se sede de morangos.

- Eu te amo. - Sussurrei roucamente contra os lábios de Lily.

Quando arrastei minhas mãos de volta à sua cintura, senti a ruiva estremecer sob meu toque, fazendo com que eu encontrasse uma brecha entre a blusa e saia que ela usava. Acariciei suas costas quentes, e grudei nossos corpos em um abraço.

E quando me afastei para encarar os olhos que tanto amava, senti o queixo de Lily se arrastar contra o meu, me fazendo parar e ignorar por completo o lindo nascer do sol que nos acompanhava.

Lily acariciou meu rosto e sorriu confiante, como se soubesse algo sobre mim que nem mesmo eu sabia. Seus olhos verdes resplandeciam mistério, surpresa, e o orgulho resguardado que fazia James Potter ser tão apaixonado por ela.

Meu orgulho resguardado. Meus beijos de morango. Meus gritos severos de repreensão.

Ela era Minha Ruiva.

Propriedade de James Potter.

Toque, Converse, Trate indevidamente...E eu avado você.

E tudo pareceu ainda mais certo e inaugurado quando foi ela quem tomou a iniciativa. Lily encostou seus lábios nos meus, me deixando tão surpreso e abobado que quase suspirei quando ela os entreabriu.

Lily entreabriu os lábios e deixou que sua língua quentinha com gosto de morango encostasse nos meus. Passei meus braços em torno de sua cintura possessivamente, e colei ainda mais meu corpo ao seu me preparando para o choque de estações que eu sabia que viria.

Fosse o terceiro, quarto ou centésimo beijo... As sensações gigantescas que Lily me causava apenas aumentariam, tornando-a um vício perigoso, completamente necessário. E, definitivamente, nada saudável.

Morangos demais nos fazem entrar no êxtase entre o amargo lacivo e o doce ambrósio. E fosse imaginação minha ou não, Lily Evans ultrapassava os limites do divino.

Quando nossas línguas pausaram o ritmo frenético e em sincronia, deixei que morangos descessem pela minha garganta, enquanto eu descia meus beijos pela nuca quente dela, traçando um caminho até seu colo e voltando para morder de leve o seu queixo.

Lily arranhava minha nuca e me fazia suspirar, vez ou outra arrastando uma de suas perigosas mãos por minhas costas. Quando beijei seu pescoço, ela ergueu a perna sexy e enroscou-a na minha.

Durou verões inteiros o nosso ritual, ou pode ter sido apenas alguns minutos... Mas valeram uma eternidade.

Porque beijos lacivos de amor não podem durar apenas um "momento", ainda que quem os partilhe seja um idiota arrependido e uma ruiva orgulhosa.

Lily e eu riscamos a palavra "momento" do nosso vocabulário.

Tudo estava bem.


Lady Aredhel Anarion: Espero realmente que o final Sirius e Lene tenha lhe agradado, e agradeço por ter acompanhado a fic até o fim.

deny weasley: Aí está ele, e espero que tenha gostado '-'

Vanessa S.: Adorei escrever a amizade Six e Lily. Simplesmente amo o companheirismo deles *-* Obrigada por acompanhar.

Natti Black: Realmente acredito que você tenha chorado, porque eu chorei escrevendo, rsrsrs. Desculpe pela demora, foi culpa do net. Obrigada por ter acompanhado.

Tati Black: A reconciliação Lily e Lene me deixou muito satisfeita, rsrsrs, gostei de escrevê-la. Espero que você tenha apreciado o final. Obrigada por tudo.

Raquel G. Potter: Que bom que você gostou do capítulo anterior '-' Também estou triste porque a fic acabou, mas senti que era aqui que eu devia ter terminado.

Tay DS: Admito que sou realmente um ser sem coração ao fazer o James sofrer tanto pela Lil, mas posso afirmar que foi tudo por um "bem maior". Espero realmente que tenha gostado, e obrigada por acompanhar '-'

Juli M. Black: rsrsr,m o Six e a Lene finalmente se acertaram e eu teria escrito mais se essa fic também fosse sobre eles. Enfim, espero que tenha gostado do último cap e agradeço por tudo.

Regina: Desculpe por ter feito todos terem que esperar tanto, mas eu também estava muito ansiosa para postar. No final, tudo correu bem e o resto deixo para a imaginação de vocês. Obrigada por acompanhar, reviewzar e chorar, rsrsrs. (eu também chorei um monte)

Lilian Jackson: rsrsrs, desculpe por não terminar os momentos, acho que tenho algum bloqueio mental! Espero que tenha gostado desse último, e obrigada por acompanhar.

Juli M. Black: hahsahsua' que bom que leu de novo. Obrigada por todos os elogios! Espero realmente que tenha gostado... Bjs.

Não se preocupem, se me deixarem reviews neste cap, prometo fazer mais um capítulo para responder à todos. Estou triste por terminar a fic, mas acho que tudo na vida é assim... As coisas boas acabam e deixam marcas.

Nós temos uma lágrima aqui. O companheirismo dos marotos, o amor de James e Lily, a amizade dela com Lene...

Pequenas lembraças felizes de um passado finito, que sabemos que acabou em uma triste tragédia de maldições imperdoáveis.

Resumi em uma lágrima, e espero que tenham apreciado.

Talvez algum dia no futuro eu me lembre que terminei uma fanfic de James e Lily 50 dias antes do término do grande fenômeno mundial.

E vou me lembrar de vocês, é claro, que aguardaram os capítulos tão ansiosamente quanto eu.

Agradeço à todos que deixaram e reviews, e àqueles que não deixaram também.

Obrigada mesmo.

Por tudo.