Saudações caros amigos...

Primeiramente, peço sinceras desculpas por demorar tanto a postar. Senhor dos Dragões já esta em seus capitulos finais, por isso vou dar prioridade a ela, até conclui-la completamente.

Outra coisinha que tenho de mencionar, alguns traillers que eu tinha postado no youtube foram deletados. Ainda não pude atualizar os links e postá-los em outros lugares. Mas acontece que uma criatura ignorante e implicante, andou marcando alguns videos meus como 'violação de direitos autorais' mesmo eu dando todos os devidos creditos , a imagem e audio e deixando bem claro que os traillers são um projeto sem fins lucrativos.

Enfim, por essas e mais aquelas, a gent vai seguindo.

Ademais, agradeço a todos de coração que vem acompanhando Senhor dos Dragões e ainda perdem um pouquinho mais de tempo pra comentar.

Um forte abraço a todos.

Dama 9


O SENHOR DOS DRAGÕES

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Aishi, Eraen, as valkirias, Amélia, Aaron, Cadmo e Alana são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Importante!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!


CAPITULO 28: Desperato.

.I.

Com cuidado dobrou as últimas peças de roupa e colocou-as dentro da mala. Ouviu o suspiro impaciente da amiga sentada na cama, mas continuou, desde o começo já haviam decidido quais caminhos tomar caso acontecesse algum imprevisto, como agora.

-Não consigo entender por que tanta pressa; Diana reclamou. –Provavelmente foi àquele sanguessuga que te convenceu a ir até lá assim, sem mais nem menos; ela espezinhou.

-Aidan não tem nada a ver com a minha decisão Diana; Jéssica falou respirando fundo, não era fácil ficar no meio do fogo cruzado entre aqueles dois, estar com Aidan apenas reforçara a opinião da amiga de que homens prestavam apenas para ocupar espaço e tempo útil, e a animosidade entre os dois só aumentara. –Alem do mais, gostaria que não o chamasse assim; ela completou lançando um olhar de aviso à amiga.

-Desculpe; Diana balbuciou envergonhada. Às vezes era difícil de acreditar em todas as mudanças que ocorreram com a amiga ao longo dos últimos anos, principalmente as transformações durante a missão na Trânsilvania.

Não queria vê-la sofrer, entretanto Aidan Dracul era sinônimo de problemas, sempre soube disso, mas era obrigada a admitir que ela andava bem menos retraída e arredia desde que ele aparecera, três meses atrás.

Balançou a cabeça levemente para os lados, como diria Shakespeare, "Há razões que a própria razão desconhece". E aquele caso ilustrava bem isso, uma caçadora, um vampiro e o mundo parecia ter virado de cabeça para baixo quando as Moiras decidiram juntar aqueles dois.

-Sei que prometi ao Gio estar em casa para as festas de final de ano, mas preciso resolver isso o quanto antes Di; Jéssica falou, enquanto aproximava-se da penteadeira e pegava um livro antigo de capa marrom e lombada gasta que estava sobre ela.

Distraidamente deixou a ponta dos dedos correr sob o couro envelhecido, sentindo as ranhuras e elevações do objeto. Passara a noite lendo aquele livro, alias, a madrugada, já que Aidan chegara com o mesmo por volta da meia-noite.

Evitaram comentar qualquer coisa sobre como o livro fora obtido, mas a decisão de partir já havia sido tomada.

-Esse não é um bom momento para ficar zanzando por ai Jéssica; Diana persistiu. –Você sabe muito bem que a Terra esta entrando em colapso por causa de Asgard, o que garante que você vá chegar em segurança até a ilha?

-É só uma ilha, Di; ela falou guardando o livro na mala, sobre as roupas. –Alem do mais, já estive lá uma vez;

-Há muitos anos, você não sabe como estão as coisas agora; ela ressaltou. –Mas como sei que você não vai mudar de idéia, decidi que vou junto; a amazona completou.

-O que? - Jéssica quase engasgou.

-Isso mesmo, vou junto, assim se você precisar de alguma coisa eu posso ajudar; Diana explicou casualmente.

-Agradecemos a gentileza, mas não é necessário; Aidan falou surgindo sabe-se lá de onde, antes de posicionar-se ao lado da jovem de melenas vermelhas.

-Você! – a amazona exasperou, levantando-se na defensiva.

-Aidan; Jéssica falou dando um pesado suspiro, já pedira a ele que não entrasse em seu quarto daquele jeito, principalmente quando Diana estivesse lá, mas ele parecia adorar provocá-la.

-Alem do mais, eu estarei junto com a Jéssica e não vou deixar nada acontecer; ele falou arrogante.

-Você e nada, da no mesmo; Diana falou resmungando diante do olhar estreito do vampiro. –Mais um motivo para eu ir junto;

-Nem pensar; Aidan rebateu.

-Não é você que decide isso; a amazona rebateu voltando-se para Jéssica. –Não é mesmo?

-Diana, por favor... Aidan; ela pediu voltando-se para os dois, tentando acalmá-los. –Eu já disse, não há perigo algum em ir a Melyora. Alem do mais, enviei uma carta a Avalon avisando que chegaria em dois dias, os habitantes da ilha não nos causarão problemas;

-A princesa celta? –Aidan indagou curioso lembrando-se de ter ouvido falar sobre a ilha dos alquimistas e a princesa celta que os governava.

-Princesa? –Diana falou quase rindo.

-Diana; Jéssica falou em tom de aviso. –De qualquer forma, não pretendo demorar mais do que quatro dias e vou encontrar com você em Verona;

-Já que não tem outro jeito, procure chegar em tempo para as festas, ou Gio vai ficar uma fera; Diana falou dando-se por vencida.

Como diria Sherlock Holmes, "Vingança é um prato que se come frio", e nesse momento queria ser uma mosquinha para ver a cara de Aidan quando ele descobrisse que Avalon não era Ela e sim Ele. Um Deus Viking, ruivo, de quase dois metros de altura e olhos capazes de fazer uma mulher esquecer o próprio nome; Diana pensou com um sorriso nada inocente nos lábios.

-Não se preocupe, vou ficar bem; Jéssica falou sorrindo.

-Melhor irmos então; Aidan falou pegando a mala que ela acabara de fechar, de sobre a cama.

-...; Jéssica assentiu, antes de abraçar a amiga. –Se cuida;

-Você também; Diana respondeu antes de voltar-se para ele. –É melhor cuidar bem dela, ouviu?

-Você manda, chefe; ele respondeu em tom jocoso.

-Vamos então; Jéssica falou puxando Aidan consigo, antes que os dois resolvessem se atracar.

Acenou para Diana antes de deixar o apartamento e entrar com Aidan no elevador, encostou-se na parede espelhada vendo o marcador indicar com letras fluorescentes, os andares que passavam.

-Ainda não entendo porque vocês dois se detestam tanto; Jéssica falou pensativa, lembrando-se de todas as brigas que presenciara entre eles.

-Nunca disse que a detestava; Aidan falou encostando-se na parede ao lado dela.

-Mas...;

-Respeito Diana; o vampiro continuou eloquente. –Ela é uma mulher forte, que apesar de todas as adversidades, não desistiu de lutar. Sei que durante muito tempo vocês foram a ancora uma da outra, nunca foi minha intenção me colocar entre vocês nesse quesito, mas querendo ou não, eu represento um perigo a segurança que ela construiu durante os últimos anos;

-Uhn? –ela murmurou confusa.

-Se as brigas dão algum domínio emocional a ela, não me importo de ser o catalisador dessa hostilidade; ele falou dando de ombros. –Só gostaria que ela entendesse de uma vez que não pretendo me colocar entre a amizade de vocês, tampouco afastá-las;

-Talvez ela saiba disso; Jéssica comentou. –Mas vocês estão tão acostumados a discutir por nada, que ela não quer quebrar o paradigma; ela completou sorrindo, diante da explicação lógica dele.

-Que seja; Aidan resmungou, enlaçando-a pela cintura. –Da mesma forma que não me colocaria entre vocês, não estou disposto a permitir que alguém se coloque entre nós; ele completou de maneira possessiva.

-Aidan;

-Estou errado em pensar assim? –ele indagou num sussurro, antes de impedir que qualquer outra palavra fosse dita quando seus lábios se encontraram.

-o-o-o-o-o-

Fechou a porta e suspirou pesadamente, era hora de fazer as malas também, não havia motivo para estender sua estadia em Paris por mais tempo, já que depois de Melyora, Jéssica e Aidan iriam direto para Verona.

Balançou a cabeça levemente para os lados, embora soubesse que a amiga estava segura com o vampiro, jamais iria admitir isso. Aidan já era egocêntrico demais para que precisasse de mais alguém para massagear-lhe o ego; ela pensou.

Se bem que, depois de ver Avalon, possivelmente ele fosse precisar de um up. Ainda se lembrava do que Jéssica contara sobre sua permanência na ilha e sobre o príncipe celta.

Entrou em seu quarto e jogou sobre a cama a mala aberta, era melhor começar a arrumar as coisas, quem sabe conseguisse fazer um chek-in num vôo ainda àquela noite para Verona; ela pensou, enquanto notava uma caixa de papelão abrir-se no fundo da mala.

Franziu o cenho, havia se esquecido completamente dela ali, alias, estava tão acostumada a carregá-la consigo para onde fosse, que não pensava muito no assunto.

Sentou na beira da cama e com cuidado, tirou-a de dentro da mala, colocou-a sobre o colo e fitou com atenção os pequenos objetos que estavam guardados ali, fotos da sobrinha quando era apenas um bebe, outras de Ettore e Giovanni os dois irmãos mais velhos, algumas das fotos eram suas e de Jéssica em suas viagens.

Retirou-as uma a uma, colocando-as empilhada a seu lado na cama, até que encontrou um molho de cartas no fundo da caixa unidos por uma fita vermelha. Respirou fundo, sentindo as mãos tremerem quando as segurou.

-Parece que faz um século desde que as li pela última vez; ela murmurou acariciando suavemente as folhas de papel marfim.

Guardou todo o conteúdo da caixa novamente, não valia a pena viver de passado, mesmo que algumas feridas ainda estivessem abertas. Ler aquelas cartas, lembrar-se dos sentimentos que lhe moveram numa época que não voltaria, tão pouco traria de volta a vida o homem que tanto amara, seria apenas cultivar mais dor.

Como Jéssica dissera uma vez, o futuro não espera ninguém, vem como uma onda veloz, disposta a arrasar e derrubar aqueles que seguiam a maré. Vinte anos já haviam se passado, estava na hora de tomar um pouco de juízo e dar um rumo mais especifico a sua vida; ela pensou começando a fazer as malas.

Talvez nunca mais amasse outro homem como amou Miguel, mas se o destino decidiu que seus caminhos seguiriam rumos diferentes naquela vida, não podia fazer nada. Apenas desejar que em outra, se assim fosse o certo, pudessem se encontrar numa época menos complicada, onde a influência dos antigos deuses não pesasse sobre seus destinos, tão pouco sob seus corações.

.II.

Argos galgou a neve num ritmo calmo, estavam se aproximado do castelo, podia ver as torres cobertas de neve, de onde estavam.

-Estamos chegando ao palácio; Amélia comentou, tentando entabular uma conversa entre eles, já que há quase duas horas seguiam pelas trilhas em completo silêncio.

-Você mora no palácio? –Emmus indagou casualmente.

-Não, estou em Asgard de passagem; ela limitou-se a responder.

-Parece que você esta sendo esperada; ele falou quando atravessara a ponte arco-íres e notaram algumas pessoas saindo de dentro do palácio, dentre as quais, uma jovem de longas melenas douradas chamou-lhes a atenção.

-FREYA! – Amélia gritou, quase saltando do cavalo para ir até ela.

-Aquela é...; Emmus balbuciou, enquanto se aproximavam.

Parece que os anos passados, nunca existiram para ela. Os mesmos olhos, os mesmos cabelos, até mesmo o sorriso branco e cristalino eram os que se lembrava.

Puxou as rédeas de Argos, fazendo-o parar a poucos passos da jovem que se aproximava, sua presença já fora sentia por alguns ocupantes do palácio, conhecidos e desconhecidos. Não iria demorar até que pudesse ver alguns pares de olhos através das janelas, espiando seus passos; ele pensou, enquanto inclinava-se de lado e estendia o braço a jovem, para que Amélia pudesse desmontar.

-Obrigada; ela sussurrou.

-Disponha; ele respondeu controlando as rédeas.

-Bem... Então é aqui que dizemos adeus; ela falou sem jeito, vendo-o assentir. –Espero que faça uma boa viagem;

-Obrigado; Emmus respondeu serio, vendo de soslaio Freya discutir algo com o aquariano, que aparentemente tentava conter sua ansiedade. –Se cuide!

-Você também; Amélia falou afastando-se, mas antes que ele pudesse partir a voz estridente de Freya refreou seus passos.

-Não se atreva a ir embora mocinho... não antes de eu falar com você; a divindade falou aproximando-se com um olhar decidido.

-Eu tinha esperança de evitar isso; Emmus resmungou.

-Não duvido; Freya falou com um sorriso nada inocente, como se soubesse que ele preferiria estar em qualquer outro lugar naquele momento, do que obviamente, prestes a enfrentar um interrogatório daqueles. –Agora desça daí e venha me dar um abraço, onde já se viu, que sobrinho mais desnaturado você se tornou; ela falou indignada.

Suspirou pesadamente, ignorando alguns olhares espantados e igualmente curiosos que colavam-se as janelas agora. Detestava esse tipo de atenção, mas infelizmente Freya não parecia se dar conta disso, ou fingia se importar. Segurou as rédeas de Argos antes de apear e desmontar.

Acariciar-lhe a crina negra e ouviu-o relinchar cansado, procurara não exigir muito dele naquela viagem, mas temia que o animal, não sendo mais tão jovem como se lembrava tivesse sofrido com o percurso acidentado; ele pensou murmurando suavemente algumas palavras de agradecimento em um idioma que apenas Argos poderia entender, antes que se afastasse.

Ouviu-o relinchar novamente, agitando a crina negra antes de disparar num troque suave pela neve, até atravessar a ponte, desaparecendo em seguida. Voltou-se para Freya, encontrando o olhar complacente e porque não dizer compreensivo sobre si. Respirou fundo e seguiu aproximou-se dela.

-Tia Freya, continua tão linda quanto os raios de sol numa manhã de primavera; Emmus falou com um sorriso charmoso, quando ela de maneira carinhosa, abriu os braços para si.

-Deixe disso menino; Freya falou corando furiosamente, mas mesmo assim abraçou-o fortemente. –Ah! Meu querido, senti tanto sua falta; ela falou sentindo os orbes marejarem.

-Eu também; Emmus murmurou, afagando-lhe os cabelos, ouvindo o baixo soluço vindo dela. –Queria ter estado aqui quando vocês precisaram de mim, mas nossos caminhos seguiram por outras estradas;

-Mas você esta aqui agora; ela falou erguendo a cabeça hesitante. –Você cresceu tanto; Freya falou tocando-lhe a face carinhosamente. –Se tornou um homem lindo; ela completou sorrindo.

-E você, os anos continuam-lhe sendo generosos; ele brincou acariciando-lhe a face ternamente.

-Esse é meu dom e minha maldição; Freya respondeu com um sorriso triste.

-Apenas se você quiser encarar como um fardo; ele falou de maneira enigmático.

-Uhn? –ela murmurou confusa.

-Só existem dois caminhos a seguir Freya, em frente ou em frente; Emmus falou sorrindo. –Não temos como parar o tempo, tão pouco impedir as coisas de acontecerem, quando assim precisam ser. Algo que aconteceu no passado, não iria voltar, mesmo que assim fosse a vontade de Ojezed;

-Pensei que você não acreditasse no destino; ela falou fitando-o intensamente.

-Não acredito, mesmo porque, tudo acontece através das nossas escolhas e da força de vontade que possuímos quando queremos realizar nossos pequenos milagres. Atribuir as nossas aflições e temores ao destino incerto, é apenas uma forma de mascarar o medo que não aprendemos a controlar. As Moiras podem reter em suas mãos o conhecimento do passado, presente e futuro, mas somos somente nós que os fazemos acontecer; Emmus afirmou eloqüente.

-...; Freya assentiu pensativa.

-Sua mente decidiu um dia que você já havia amado de mais, que ninguém poderia substituir aquele que fez seus olhos brilharem; o cavaleiro falou afastando uma fina mecha dourada que caiara sobre os olhos dela. –Mas talvez esteja na hora de ouvir seu coração, que parece estar se rebelando contra isso. Nem sempre razão e emoção caminham lado a lado em harmonia. Você pode achar que amou o bastante ou o suficiente, mas seu coração deseja viver, sentir e pulsar novamente com essas emoções e mesmo que você lute contra isso, vai acabar perdendo...; ele completou.

-Palavras sabias demais para uma criança; ela falou ficando emburrada ao compreender que não foi preciso ele ler seus pensamentos, para saber tudo que vinha lhe atormentando o coração.

-Mamãe sempre dizia que eu era precoce; ele brincou, afastando-se.

-Por falar nela; Freya hesitou, baixando os olhos. –Sinto muito pelo que aconteceu;

-Uhn?

-Sobre a última batalha... Àquela vez em Londres, procurei você para contar o que aconteceu; ela explicou. –Mas devido à circunstancias, acabamos não conversando e depois, você sabe... ; ela falou gesticulando nervosamente.

-Não se preocupe, eu já sei de tudo; ele falou calmamente.

-Mas...;

-Tem coisas que podemos mudar e outras... Também! Mas tudo à seu tempo; Emmus falou fitando-a de maneira inquietante, antes de erguer os orbes e fitar por sobre o ombro dela, o cavaleiro de Aquário. Arqueou a sobrancelha levemente ao notar as olheiras profundas e o ar cansado. –Você está péssimo, Aaron;

-Sua sinceridade é tocante, sabia? – o cavaleiro falou sarcástico, aproximando-se.

-Se bem que, da pra dar um desconto, a senhorita andou tirando o sono de muita gente nos últimos meses; Emmus falou lançando um olhar enviesado a Freya, que sorriu timidamente. –De qualquer forma, fico feliz que você tenha aparecido... Esse não é um bom momento para andar por ai sem proteção; ele completou trocando um olhar serio com Aaron, que assentiu.

-Pretende ficar quanto tempo em Asgard? –ele indagou curioso.

-Já estou de partida, tenho algumas coisas pra resolver antes de voltar pra casa; Emmus explicou.

-Tão pouco tempo; Freya reclamou agarrando-se ao braço e fitando-o como se dissesse "Só por cima do meu cadáver".

-Prometo voltar num momento mais tranqüilo; Emmus falou segurando-lhe as mãos entre as suas e acariciando-as levemente.

-Antes de você ir, quero que veja uma coisa; ela falou indicando o castelo.

-Tudo bem; ele concordou, antes de voltar-se para Amélia que observava tudo num misto de confusão e curiosidade. –Entra conosco?

-Ah! Por Odin; Freya exclamou, ao acompanhar-lhe o olhar. –Amélia, quase não te reconheci; ela falou passando por Emmus e correndo até a jovem. –Nossa, parece séculos desde a última vez que te vi;

-Nisso eu tenho de concordar, madrinha; ela falou sorrindo ao receber o abraço apertado da divindade.

-Uhn! Mas... Onde vocês estavam, que chegaram juntos? –ela perguntou lançando um olhar nada inocente aos dois.

-Nos encontramos em Ehnoryen e por coincidência, Christine estava esperando por nós lá; Emmus respondeu, notando com uma inquietante satisfação o rubor tingir a pele alva da jovem de melenas prateadas.

-Aff! Aquelazinha; Freya falou indignada, com os orbes violeta serrados perigosamente.

-Mas agora ela é parte do passado ou melhor, um problema a menos; ele completou.

-Estranho ela ter sobrevivido; Freya comentou pensativa. –Me lembro que, quando a última guerra estourou, nem ela, nem Kari estavam na Terra Média, alias, Eraen havia exterminado Kari na primeira revolta dos dragões;

-Mas àquele bastardo ainda está vivo, tia; Emmus respondeu vendo o olhar surpreso dela. –Ah menos de um mês ele despertou completamente, durante quinze anos ele ficou adormecido nos vulcões de Muspell se recuperando do estrago que mamãe fez nele, naquela guerra. À pouco tempo ele voltou e começou a absorver o cosmo de alguns seres ancestrais que ainda habitavam essa terra, para acabar com as seqüelas que ficaram;

-Os unicórnios de Eldar; Amélia falou surpresa, lembrando-se da investigação que Leda fizera na terra dos elfos e o que ela relatara sobre a condição precária dos animais, que sobreviviam a custa de muito sofrimento depois do ataque que sofreram.

-Isso mesmo, quanto mais puro a energia do ser, mais rápido se torna à recuperação. Atacar Fenris e Hell foi apenas uma forma de desviar as atenções. Quem ele realmente queria era Freya; Emmus completou dando um pesado suspiro. –Mas esse não é o tipo de coisa para falarmos aqui fora; ele completou estreitando os orbes diante dos olhares que sentia sobre eles, vindo das diversas janelas do palácio.

-Sim... Sim... Vamos entrar então; Freya concordou, enlaçando em um braço Amélia e em outro Emmus, enquanto Aaron seguia atrás, apenas balançando a cabeça levemente para os lados.

Tinha até dó daqueles dois, quando Freya começasse o interrogatório, Emmus não iria conseguir sair de lá tão cedo como desejava; ele pensou escondendo o sorriso.

Entretanto, pelos longos anos que já conhecia o cavaleiro, tinha de admitir que ali ele parecia sentir-se em casa. Mesmo com a tensão eminente da guerra, ele andava relaxado e com desenvoltura. O olhar de predador absorvia tudo a sua volta, mas seu cosmo possuía uma vibração de reconhecimento, como se dissesse "Enfim... De volta!".

.III.

Os longos cabelos vermelhos esvoaçaram com o vento, serrou os orbes lentamente, enquanto observava a antiga construção. Ainda haviam sinais de luta recente ali.

Aspirou o ar, sentindo o cheiro de dois dragões, provavelmente aquilo acontecera a menos de dois dias.

-Ainda não consigo imaginar quem fez isso; Hany falou aproximando-se de Mirav e indicando a superfície límpida do lago. –Até onde me lembro, da última vez essas águas estavam infestadas de enxofre e piche;

-Mas agora foi totalmente purificada; Mirav comentou. –Somente alguém com uma energia muito poderosa, seria capaz de mudar a composição da água de forma que eliminasse todas as impurezas e a tornasse potável novamente; ele falou.

-É necessário uma alquimia muito forte para purificar algo assim; a guardiã das águas falou. –Fico pensando se isso tem algo a ver com Ydashi;

-Acha que ele ainda vive nessa Terra como nós? –Griffin perguntou se aproximando.

-Tudo é possível, da mesma forma que passamos os últimos dez anos adormecidos em Asgard, é possível que, como a maioria dos dragões, ele tenha deixado a Terra Média e morrido depois de uns anos, ou não; o dragão da terra comentou.

-Talvez não, se foi ele a fazer isso; Hany ressaltou.

-Pode não ter sido ele; Mirav comentou pensativo. Não fora Ydashi, conhecia o cheiro do dragão e a energia emanada dele. Ydashi não era um dragão elementar como eles, ele era um Lung Asiático.

Uma espécie de dragão que vivia perto dos rios, riachos e lagos, que normalmente possuíssem cavernas submersas. Quanto o Lung atinge a maior idade seu tamanho varia entre doze metros de cumprimento e mais ou menos três e meio ou quatro de altura. São herbívoros, por isso, mais dóceis que outros dragões.

Entretanto, Ydashi possuía milênios de existência, quanto mais velho mais poderoso o dragão se tornava. Por isso, dificilmente um dragão revela a idade que tem, mas não era difícil saber o poder que Ydashi possuía, já que podia muitas vezes transmutar a própria forma, para a de um humano comum e mantê-la durante dias e até anos se fosse preciso.

Mas não fora ele a purificar a água, tinha certeza; ele pensou.

-Como? Quem pode ter feito isso alem de Ydashi? – Hany perguntou sobressaltada.

-Quem foi à única pessoa que Ydashi aceitou como pupilo ao longo de todos os seus séculos de vida? –ele indagou casualmente.

-Mas...;

-Pense Hany, não é difícil concluir que foi Emmus; ele a cortou. –Ele ainda era um filhote quando a essência do dragão negro despertou nele. Não me surpreende se tiver sido o cosmo dele a purificar o lago. Mesmo naquela época, Ydashi já o iniciava nos preceitos da alquimia e sua essência e o nível dele era mais avançado do que muitos magos;

-Mas se ele estiver realmente vivo, não deve ter mais do que trinta anos Mirav, um filhote ainda para ter um nível tão elevado; Griffin falou.

-Se ele fosse como nós, eu concordaria, mas cada dragão negro possuiu uma habilidade única. Acredito que apenas eles tenham a total noção do que são capazes. Quando nosso lorde assumiu a Terra Média, tivemos apenas uma pequena amostra de todo seu poder ao longo das guerra, até mesmo Eraen não mostrou tudo, com o pequeno não seria diferente; ele completou em tom contemplativo.

-Tomara, porque vamos precisar de todos os aliados que aparecerem. Jamais pensei que as pretensões de Kari fossem tão longe. Trazer Fallon de volta é um absurdo; Dalyn exasperou.

-Mas ele só vai conseguir isso se derrubar as terras livres primeiro; Hany falou preocupada. –Eldar e Sindar jamais deixaram de lutar, tão pouco Dalien a Terra dos Magos;

-Mas Asgard ainda é a nossa maior fraqueza; Griffin lembrou. –É apenas questão de tempo até Asgard cair e as outras terras serem atacadas. Devido à antiga aliança, Eldar e Sindar serão obrigados a suprir a falta de guerreiros em Asgard e com isso ficaram desprotegidos e abertos a um ataque;

-Precisamos reunir os dragões que ainda estão vivos e garantir que Eldar e Sindar não sejam atacadas enquanto Asgard estiver na linha de frente; Dalyn falou.

-Façamos isso então e o quanto antes, melhor; Mirav responde, vendo todos concordarem.

.IV.

Entrou no cômodo silenciosamente, apenas para encontrá-la sentada no beiral da janela, com um olhar perdido. Pensou que no decorrer da noite ela já teria tomado consciência de todos os equívocos e más escolhas que fizera, entretanto, o olhar melancólico lhe dizia que ainda haviam algumas coisas pendentes.

-Alanis; Cadmo chamou cauteloso.

-Uhn! –ela murmurou voltando-se para ele, ainda com o olhar perdido no nada.

-Vim me despedir; ele falou inquieto. Não sabia bem ao certo como aquilo iria acabar, ou melhor, se terminariam como amigos distantes, ou amantes casuais. Embora nada mais intimo tenha acontecido entre eles, o pouco tempo em que interpretaram um casal, não foram passados apenas com caminhadas de mãos dadas.

-Sinto muito; a jovem murmurou, baixando os olhos, enquanto escorregava do beiral e colocava-se em pé. –Causei muitos transtornos pra você, não é?

-Não foi nada que eu não tenha concordado; Cadmo respondeu, não se eximindo da culpa que carregava por não ter confiado mais no amigo.

-Mesmo assim, depois do que aconteceu, tive muito tempo pra pensar; Alanis falou indo sentar-se na beira da cama, ao lado da mala dele. –Minha vida nos últimos anos tem sido uma comedia de erros... É frustrante isso, mas tenho de admitir que preferi escolher a saída mais fácil, do que enfrentar os problemas;

-Todos erramos uma vez ou outra; ele falou sentando-se ao lado dela. –Você não foi à única...;

-Vocês eram amigos, temo ter destruído isso também; ela murmurou com os orbes marejados.

-Também tenho minha parcela de culpa Alanis, mas tive bastante tempo pra conversar com Aaron e acertarmos nossas pendências; ele falou.

-Então, você... Contou a ele? –ela indagou, vendo o Escorpião assentir.

-Era o mínimo que eu podia fazer; Cadmo respondeu. –Aaron merecia a verdade, embora eu tenha pressentido que ele já desconfiava; ele comentou pensativo.

-Queria não ter causado tantos problemas; Alanis falou dando um suspiro cansado. –Mas desde o começo você sempre foi o intermediário entre nós, não é? –ela falou com um sorriso triste. –Mas o problema nunca foi ele... De qualquer forma, não se pode chorar sob o leite derramado;

-Não, não mesmo; Cadmo concordou. –O que pretende fazer agora?

-Vou pra casa; Alanis respondeu, diante do olhar surpreso dele. –Leda já é grandinha e provou que pode cuidar de si mesma, e também, já tive essa idade, fui amazona e sei como é ter um objetivo e lutar por ele com todas as garras. Ninguém vai ser capaz de demovê-la do objetivo de lutar por essa terra e só posso apóia-la nesse momento, nada mais;

-...; ele assentiu.

-E também, não tem nada mais pra mim aqui; ela completou tremula.

-E o Aaron? - Cadmo indagou.

-Compreendo que eu me equivoquei e alimentei falsos ressentimentos com relação a Aishi, agora vejo que foi infantilidade da minha parte acusá-la dos problemas que eu havia causado, mas eu seria idiota se não aceitasse que não existe mais uma chance pra nós... Digo, Aaron e eu;

-Porque diz isso? –ele perguntou confuso.

-Ele tem uma história com Freya, digo isso, não apenas pelo que Leda falou mais cedo, mas existe algo entre eles, que eu não tenho como competir, alias, nem tenho direito de tal pretensão. Já causei problemas demais pra ele e ele merece alguém capaz de fazê-lo feliz e se esse alguém for ela... Paciência; ela falou tentando manter-se forte e não demonstrar ao amigo, o quanto dizer aquilo lhe matava por dentro.

-Tem certeza disso Alanis? – ele indagou intrigado. –Você pode estar cometendo mais um erro desistindo da guerra, apenas porque perdeu uma batalha.

-Tenho, é a única coisa que posso fazer agora. Deixá-lo em paz e tentar seguir minha vida da melhor maneira possível; ela completou antes de abraçá-lo fortemente.

Respirou fundo, sentindo o queixo tremer enquanto se apoiava no último fio de força que ainda possuía.

-Desejo também que você encontre alguém capaz de fazê-lo feliz, quando você chegou, senti que você estava com um problema também, mas fui egoísta demais e só pensei em mim e ignorei o que você estava sentindo;

-Alanis; ele sussurrou, envolvendo-a em um abraço reconfortante e libertador.

-Vai voltar pra Atenas? –ela indagou.

-Não, vou pra Verona, já tem um tempo que prometi a Giovanni passar um tempo no Palazzo Rossini ; ele respondeu.

-...; ela assentiu silenciosamente se afastando.

-E você, quando pretende partir?

-Amanhã cedo.. Eu não sabia se ia conseguir convencer Leda a voltar comigo, mas já deixei a passagem comprada; ela explicou dando de ombros.

-Se você precisar de algo, qualquer coisa, entre em contato comigo; ele falou levantando-se.

-O mesmo digo pra você; Alanis falou, enquanto ele pegava a mala e acenava, deixando o quarto em seguida.

Suspirou pesadamente, antes de levantar-se e começar a arrumar as próprias coisas. Como dissera a ele, fora uma comedia de erros desde o começo. Estava na hora de tomar as decisões certas e não se lamentar era a primeira delas; Alanis pensou.

.V.

Folheou um por um dos cadernos de partitura, tinha um repertório pra montar, mas nenhum animo pra lhe motivar. Maldição! Aqueles dois estavam lhe tirando a pouca paz que tinha; ela pensou irritada.

Deixou os cadernos de lado e abaixou a tampa do teclado, era melhor desistir por hoje, do que acabar desafinando o instrumento por conta de sua agitação.

-Você parece a ponto de esganar alguém, Carite; uma voz conhecida soou atrás de si.

-Se você estivesse no meu lugar, estaria do mesmo jeito; ela reclamou, voltando-se para a jovem de longos cabelos negros e orbes violeta que estava encostada no batente da porta, com os braços cruzados.

Qualquer pessoa pensaria de cara que ela era sua prima, mas bastava um olhar um pouco mais apurado, pra saber que a verdade era ainda mais complexa do que Freud seria capaz de explicar.

-Não acho; Ariel Considini falou com ar serio e seguro, típico de sua personalidade. –Problemas são pra serem eliminados, seja de forma tranqüila ou menos civilizada; ela completou com um sorriso quase sádico.

Quem achava que a jovem não passava de uma menina frágil como cristal e doce como o sopro de Zéfiro na primavera, estava completamente enganado. Aqueles longos anos de vida a tornaram mais forte, restando pouco da jovem inocente que acreditava no melhor de tudo.

A Ariel que conhecia agora era tão implacável quando Caos, mantinha o próprio destino em rédeas curtas, presas por mãos de aço. Não se permitia errar, nem fraquejar quando a fé ameaçava esmorecer.

Ela e Emmus eram iguais nesse ponto, ambos protegiam os seus com unhas e dentes e não permitiam que aqueles que estivessem a seu alcance sofressem mais do que o necessário para seu próprio aprendizado. Às vezes eles acabavam esquecendo que eram humanos, que também podiam ter fraquezas e errar como qualquer outra pessoa.

-Não ouvi você chegar; Carite comentou mudando de assunto.

-Eu sei; ela respondeu com um sorriso petulante. –Eu fiquei aqui, imaginando quanto tempo mais você insistiria em olhar partituras, enquanto àqueles dois idiotas lhe deixam maluca;

-Puff! –ela resmungou.

-Mas como sou uma pessoa precavida em praticamente tudo, tenho uma solução para seus problemas; ela falou sorrindo largamente.

-Uhn! Não sei se gosto disso; Carite falou desconfiada.

-Não seja estraga prazeres, você vai gostar; Ariel falou gesticulando casualmente.

-O que tem em mente? –ela indagou ainda com um pé atrás.

-Aguarde e verá; a jovem respondeu.

.VI.

Subiram as escadas calmamente, observou atentamente a forma como Freya agia, mesmo se ainda restassem duvidas de quem realmente era o jovem de melenas negras, agora era impossível duvidar mais.

Freya não se enganaria, tão pouco dissimularia uma felicidade tão premente em vê-lo assim, se fosse a pessoa errada; ela pensou, ficando mais tranqüila.

-Não acha Amélia? –a divindade indagou voltando-se para ela.

-Uhn! O que? –ela indagou piscando confusa, ao notar que estava alheia a conversa.

-Que as garotas não são nada discretas espiando por passagens escondidas nas paredes; Freya explicou indicando alguns pontos que Amélia avaliou rapidamente.

Mesmo que não pudesse vê-las, nem sentir seus cosmos, conseguia sentir o cheiro de cada uma das garotas misturado a mofo e umidade nas paredes. Outra pessoa possivelmente não sentiria o cheiro, mas seu faro apurado lhe dava uma certa vantagem.

-Tenho a impressão de que Alberich e Mime ainda não contaram a elas que mesmo escondendo o cosmo não é difícil saber que tem alguém escondido ali; Amélia falou sentindo Freya ficar tensa. –Algum problema?

-Não, não... ; ela apressou-se em responder.

-Bem, se vocês me dão licença, vou procurar os três patetas e saber o que andou acontecendo por aqui, na minha ausência; Amélia falou aproveitando a deixa para deixá-los sozinhos e mais a vontade.

-...; os dois assentiram e continuaram a subir, notando apenas outro cavaleiro passar por eles e cumprimenta-los rapidamente antes de continuar a descida.

-Cadmo; Aaron falou quando o cavaleiro chegou até o degrau que estava.

Acenou para que Freya e Emmus fossem na frente, enquanto via Amélia chegar ao topo da escada e seguir o caminho oposto aos dois. Voltou-se para frente, vendo Cadmo inquieto e porque não dizer atormentado.

-Aonde esta indo Cadmo? –Aaron perguntou confuso.

-Vou para Verona; ele respondeu continuando a descer as escadas.

–O que esta acontecendo Cadmo? –Aaron indagou seguindo-o.

Lembrava-se do amigo dizer que partiria no dia seguinte, mas não pensou que ele fosse simplesmente agir, como se os cães do inferno estivessem no seu encalço.

-Você sabe...; ele falou gesticulando com a mão, enquanto descia o último lance de escadas.

-Cadmo, você esta parecendo uma alma fugindo de Cérberos, pare e me explique o que esta acontecendo; o amigo mandou, fazendo-o estancar.

Viu os ombros do amigo retraírem-se e encolherem-se em seguida. Um suspiro cansado foi exalado dos lábios finos e bem desenhados. Os orbes azuis, quase violeta pareciam inquietos e atormentados.

-Eu espero que um dia, você possa me perdoar pelos enganos que cometi; ele falou. -Eu... Realmente não sei mais que caminho seguir Aaron. Achei que interferir na sua história com Alanis poderia ajudá-los, mas só piorou as coisas, sinto como se tivesse traído um irmão e me odeio por isso;

-Você não tinha como saber; ele falou com ar cansado. –Tampouco tem por que se culpar;

-Mas...;

-Éramos imaturos demais naquela época Cadmo e talvez, no final das contas, não tinha de acontecer;

-Aaron; ele falou surpreso, enquanto seguiam para fora do palácio.

-Eu era jovem demais, idealista demais. Acreditei que ela fosse perfeita e a coloquei num pedestal de ouro, mas esqueci-me que Alanis era tão mortal quanto qualquer um e também podia errar; o cavaleiro falou com pesar. –Eu tinha inveja de Kamus e Aishi, porque ela jamais desistiu dele e ele, contrariando todas as expectativas, jamais se esqueceu do que sentia por ela, mesmo ainda sendo uma criança. Eu não me sentia tão forte, nem tão apaixonado para lutar até o fim, como eles;

-Mas...;

-Diferente de você, que acreditava que amor nada mais era do que palavras convenientes, eu achava que tinha de ser avassalador... Intenso! Eterno! Que deveria chegar como uma onda numa arrebentação. Mas o que eu sentia era mais frio, brando demais para ser intenso, ou apenas uma centelha que um dia se transformaria em labaredas. Era frustrante. Eu sabia que Alanis tinha alguns problemas referente a relacionamentos, mas não me sentia apto a ser o pilar de força dela, porque eu tinha anseios que ainda não estavam satisfeitos;

-Faz sentido; Cadmo falou pensativo.

Aaron sempre fora intenso demais, mas as coisas com Alanis sempre foram lentas, estudadas e calculadas. Ao mesmo tempo em que ele queria algo mais libertador e avassalador, queria ter confiança suficiente para se entregar, mas ela não lhe proporcionava isso. Era como viver sempre com um pé na realidade e outro na fantasia.

-Eu não sou perfeito e também cometo meus erros. Àquela noite, pensei em tudo que aconteceu. Nos seis anos longos quase enlouquecedores de saudade e quando a vi, foi como se o tempo houvesse parado. Por que valia a pena lutar por aquilo e eu estava errado em ter deixado Alanis se esquivar sem ter insistido mais. No dia seguinte fui procurá-la para conversarmos, mas ela havia ido embora;

-Aaron! – ele falou surpreso.

-Tomei isso como uma confirmação de que ela não se sentia da mesma forma que eu e que, toda a espera tinha sido inútil. Não queria arrependimentos entre nós, mas era difícil não se ressentir;

-E depois? –Cadmo indagou curioso.

-Voltei pra Sibéria;

-Onde Freya entra nessa história? –ele não resistiu em perguntar.

-Essa é a parte complicada; Aaron falou suspirando pesadamente, ao rumarem para o vilarejo. De lá, todas as tardes uma carruagem partia com passageiros para a estação de Moscou.

Pretendia seguir até lá, depois ir ao aeroporto, onde pegaria o avião pra Verona; Cadmo pensou.

-Bem, você pode me contar no caminho; o Escorpião falou casualmente, enquanto fechava melhor a gola do sobretudo sobre o pescoço.

-...; Aaron assentiu.

.VII.

Seguiu pelos extensos corredores brancos, era como se seus sonhos saíssem de sua mente e tomassem formas. Aproximou-se da porta trancada e notou o símbolo entalhado no batente.

-Lembra-se daqui? –Freya perguntou, vendo-o tocar a imagem do tigre entalhada no mármore.

-É como se aqueles anos jamais tivessem existido; Emmus falou sentindo o calor de sua mão tingir o mármore, tornando-o escarlate. Segundos depois ouviu o som de engrenagens se movendo e a porta pesada abriu-se ruidosamente.

Com passos hesitantes entrou no cômodo escuro. Fechou os olhos, sentindo as lembranças inundarem sua mente.

Atravessou o cômodo e abriu as cortinas de veludo que caiam no chão. A luz iluminou o quarto de paredes brancas como gelo.

-O tempo congelou para esse lugar; Freya falou diante do olhar espantado dele.

Nada havia mudado, estavam numa ante-sala repleta de moveis rústicos, mas os brinquedos sobre o chão mostravam que aquele era o canto preferido de uma criança.

Quebra-cabeças, carrinhos de madeira e um tabuleiro de xadrez. Aproximou-se do tapete felpudo e abaixou-se, segurando uma das peças entre os dedos. O rei preto.

-Eraen costumava passar bastante tempo aqui depois que você partiu; Freya falou mantendo-se a uma distancia razoável, para permitir que ele ficasse a vontade. –Mas quase nada mudou desde quando você esteve aqui da última vez;

-Sei que não poderia fazer muito, mas mamãe deveria ter me contado sobre a última guerra, eu teria voltado; ele falou segurando firmemente a peça na mão, quase a partindo.

-Ehnoryen já estava condenada, não havia mais o que fazer após a guerra; a divindade falou com um olhar melancólico. –Alem do mais, Eraen queria que você tivesse uma vida diferente, que conhecesse mais do mundo antes de saber o peso que caia sobre suas costas;

Levantou-se lentamente, antes de seguir com sua exploração, atravessou a sala e entrou a esquerda, deparando-se com um quarto bem arrumado, a cama de dossel ficava no centro, as cortinas estavam afastadas e o quarto estava frio.

Resquícios de madeira jaziam no fundo da lareira, tocou a coluna do dossel e encostou-se a mesma, fechando os olhos por alguns segundos. Lembrava-se das vezes que estivera em Asgard.

Sentira-se inquieto com o frio do castelo e a mãe deixava que dormisse consigo, em vez de usar a cama que lhe era reservada. Gostava quando isso acontecia, a mãe lhe contava histórias para dormir, sobre lendas antigas que o avô contava a ela quando também era criança.

Afastou-se relutante, embora a saudade fosse grande, não poderia mudar o tempo que havia passado, tampouco as coisas que aconteceram.

Aproximou-se das portas de vidro que davam para um pequeno terraço fora do quarto. Não era como em Ehnoryen que as portas do quarto da mãe levavam a um jardim secreto, onde ela cultivava as flores que mais lhe agradavam.

Abriu as portas, sentindo uma forte lufada de vento frio e neve chocar-se contra si. As cortinas esvoaçaram e o tempo pareceu correr de maneira mais lenta.

-O que você sente quando olha para essas montanhas? –Freya indagou, aproximando-se quando ele atravessou as portas de vidro.

-Saudade; Emmus respondeu. –Tudo aqui parece pertencer a outro mundo. O vento tem outro sabor, a neve parece mais branca e pura. O tempo corre mais lendo, diferente do ritmo frenético com que tenho levado minha vida nos últimos dez anos; ele falou dando um pesado suspiro.

-Asgard não mudou muito em relação ao que você deve se lembrar; ela comentou.

-É uma pena; Emmus murmurou aproximando-se do parapeito de balaústres de mármore.

De onde estava podia ver a imensa estatua de Odin e seu altar de pedra, as montanhas erguiam-se imponentes atrás da divindade e era como se pudesse sentir todo o poder emanado por séculos de crenças vindo de lá.

-Naquela época as pessoas ainda não conseguiam aceitar as diferenças dessa Terra, e pelo que vejo, hoje ainda não;

-Mesmo vivendo entre divindades e outros seres ancestrais, os humanos ainda temem o poder que lhes foram atribuídos ao longo dos séculos; Freya explicou.

-Dizem que as guerras aproximam as pessoas; Emmus falou pensativo. –Embora demarque as linhas e defina quem são amigos, dos inimigos;

-Emmus; ela começou hesitante, diante do olhar perdido dele. –O que pretende fazer?

-Sobre? –ele indagou casualmente.

-Por favor; Freya murmurou abraçando-o carinhosamente, como uma mãe embalando o filho. –Não faça nada insano. Existem coisas que podemos mudar, outras que só nos resta, nos conformamos;

-Mas não quer dizer que eu as aceite; o cavaleiro ressaltou.

-Não, mas pense em sua vida primeiro. Eu sinto que você está cansado, não de viver, mas de lutar dia após dia contra si mesmo. De um descanso ao seu coração e deixe as coisas acontecerem; ela implorou.

-Não posso; ele respondeu desviando o olhar.

-Emmus; Freya falou agoniada.

-Não vou me lamentar pelas coisas que não posso mudar. Eu deveria ter estado aqui, mas não estava; o cavaleiro falou serrando os punhos ao lado do corpo.

Há quase vinte anos atrás, sempre se questionara sobre as lembranças e lacunas que existiam em sua vida. Porque não conseguia se lembrar de sua vida antes dos cinco anos de idade, tampouco quem foram seus pais ou parentes próximos.

Teve que aprender a ser forte e independente, porém existia uma barreira entre ele e as outras pessoas. Nunca permitia que alguém se aproximasse demais, até Bel e Axel entrarem em sua vida.

Houveram outros amigos, mas o tempo se encarregou de separá-los pelas mais variadas circunstancias. Entretanto, aqueles dois sempre estiveram lá. Axel embora já fosse um homem idoso quando se conheceram, tinha o olhar perspicaz e arguto de uma raposa. Via mais longe do que qualquer outra pessoa, ou do contrario, não o teria tornado seu sucessor. Embora ainda se questionasse sobre isso e outras coisas.

Bel, apesar de ser um pouco temperamental as vezes, lhe assustava o fato de serem tão iguais, que se fossem irmãos gêmeos, não teriam tanto em comum. Ela era seu pilar e sua força.

Hoje os tempos eram outros, mas a importância que seus amigos tinham em sua vida, jamais seria relegada a segundo plano. mesmo que perdesse suas lembranças novamente; ele pensou.

Passara anos sem saber quem realmente era, quando elas começaram a despertar, o Cadeado de Pandora os inibiu, deixando as lembranças seladas por longos dez anos. Fazendo-o esquecer-se de coisas importantes e que faziam parte de sua essência e daquilo que realmente era.

-Agora tenho a chance de fazer a diferença e não vou voltar atrás; ele falou depois de alguns minutos de silêncio. -Não me peça isso Freya; ele falou afastando-a gentilmente de si, mas impondo uma distancia que a deixou com o coração ardendo de dor.

-Mas...;

-Kari não vai parar até que alguém o detenha. Ele não vai despertar Fallon... Não vou permitir isso e antes do fim, ele ainda vai estar pedindo perdão por todas as vidas que destruiu;

-Isso é vingança Emmus; ela falou preocupada.

-Não, só um ajuste de contas; ele respondeu.

-Preferiria que você tivesse voltado a Asgard em outra época, com o coração mais leve e livre dessa escuridão que ameaça te dominar; a divindade falou com pesar.

-As coisas acontecem em seu tempo certo, não por destino, mas porque tem de acontecer; Emmus respondeu eloqüente. –Sei o caminho que estou percorrendo e não vou me perder. Mas tenha em mente Freya que se fosse uma vingança, eu já teria matado Kari à muito tempo; ele completou enquanto voltava o olhar para as montanhas sem notar o choque estampado na face dela. –Mas tudo acontece no seu tempo certo...

.VIII.

Aproximou-se da porta, sentindo o ar tornar-se mais denso naquela parte do corredor. Franziu o cenho antes de bater. Ouviu um "Entre" abafado e porque não dizer "contrariado". Girou a maçaneta e antes de entrar deu uma espiada para dentro do cômodo.

-Alberich; Amélia chamou, mas parou ao ver o quarto iluminado pela luz de fora, as janelas abertas e parte do chão coberto pela neve trazida pelo vendo

As chamas da lareira estavam se extinguindo e o frio predominava ali dentro, mas o primeiro parecia não notar ou sentir; ela pensou preocupada.

-O que aconteceu? –a valkiria perguntou, notando-o balançar distraidamente em uma das mãos, uma garrafa de uísque quase vazia, enquanto mantinha-se recostado na poltrona que ocupava perto da janela.

-Pensei que você não fosse demorar para voltar; ele falou com a voz baixa e embotada pelo álcool. –Você perdeu o melhor do show; o cavaleiro falou sarcástico.

-Como? –ela indagou confusa, notando que os lençóis da cama estavam revirados e rasgados.

-Ou você já sabia que era ela o tempo todo? –ele rosnou, voltando-se para a prima com um brilho de fúria nos orbes verdes.

-Não estou entendendo nada Alberich;

-Freya, Aldrey... São a mesma pessoa. Maldição! Um milhão de mulheres no mundo, porque tinha de ser justamente com ela? –ele praguejou levando o gargalo da garrafa aos lábios, tomando o que sobrara de uísque no fundo.

-Mas...;

-Aldrey não passava de um personagem interpretado por aquela rameira. Nunca existiu; ele falou amargamente.

-Primo; Amélia começou hesitante.

Não conseguia entender bem o que ele estava dizendo, mas um mau pressentimento alertou-lhe pra seguir com cautela. Alberich estava fora de si e não duvidava que Mime e Siegfried já houvessem tentando algo, para ele ter optado por trancar-se ali.

Alberich não era de demonstrar facilmente seus sentimentos e desde o começo ele se apegara muito a Aldrey, isso explicava porque estava naquele estado, mas não entendia porque Freya se passara por alguém que não era e pior, como não conseguira reconhecê-la desde o começo?

-Você não pode ficar assim; Amélia falou por fim.

-Me deixe em paz Amélia; Alberich resmungou.

-Nem pensar; ela falou convicta, enquanto aproximava-se dele e arrancava-lhe a garrafa das mãos.

-Hei! Isso é meu; ele reclamou levantando-se cambaleante, mas praguejou quando ela jogou a garrafa pela janela.

-Onde já se viu um cavaleiro do seu naipe agir assim; a valkiria falou impaciente. –Se você fosse menor, eu lhe daria umas boas chineladas; ela continuou segurando-o pelo braço e arrastando-o para o banheiro.

-Você jamais conseguiria isso. Sou mais velho que você, agora me deixe em paz; Alberich tentou se esquivar, mas no momento seguinte sentia a face chocar-se contra a porta.

-Tome um banho, nem que seja frio. Depois conversamos; Amélia avisou, trancando a porta por fora. –Dois dias fora e esse castelo vira de ponta cabeças; ela resmungou, enquanto começava a colocar as coisas em ordem.

.IX.

Impaciente, começou a andar de um lado para o outro, ouvia a ladainha dos outros reunidos na sala de chá, mas pouco se importava, aquela repentina tensão não lhe agradava em nada. Alias, a única coisa que lhe deixaria realmente contente, seria pegar sua esposa e voltar pra casa.

-Querido, se pretende abrir um buraco no chão, essa não é a maneira mais pratica; Pandora falou chamando-lhe a atenção.

-Uhn? –ele murmurou voltando-se para ela. Vendo as finas sobrancelhas negras curvaram-se, enquanto uma pitada de humor tingida as íris violeta.

Abaixou a cabeça e notou as marcas que havia deixado no tapete, com seus passos nada calmos. Respirou fundo e tentou manter-se frio e controlado, como normalmente era.

-Logo poderemos voltar pra casa, Hilda esta desenvolvendo bem a técnica do cadeado e não precisara mais de mim aqui; Pandora falou enlaçando-lhe o braço em tom de consolo.

-Quanto antes, melhor; ele falou serio.

-Algum problema Radamanthys, ou estar entre tantos Cavaleiros de Ouro, lhe deixa nervoso? –Milo provocou.

-Oras seu! – ele resmungou, serrando o punho e ameaçando avançar sobre o cavaleiro, mas Pandora o segurou.

-Estamos em paz cavaleiro, por isso, modere a língua; Pandora avisou.

-Verdade! E se eu não quiser? –Milo rebateu, ainda estava com o espectro de atravessado na garganta, e mal podia esperar o momento de torcer o pescoçinho daquele loiro oxigenado.

-Escorpião, por favor; Kanon falou interpondo-se entre os dois. –Há coisas mais importantes pra se preocupar no momento; ele o cortou.

-Uhn?

-Não consegue sentir? –Aldebaran falou. –Existe um cosmo diferente no castelo, não consigo reconhecer;

-Puff! Vocês são uns idiotas; Radamanthys falou cínico.

-Quem você chamou de idiota, seu-...;

-Milo; Dohko o deteve.

-Parece que Amélia também já chegou; Mime comentou chamando a atenção dos demais, mas no segundo seguinte viram através dos vidros da janela, uma garrafa cair sobre a neve. –E já encontrou Alberich também;

-Como ele esta? –Alana perguntou preocupada, voltando-se para o cavaleiro.

-Ele é teimoso, mas infelizmente dessa ele não sai tão cedo; Mime falou com pesar. –Espero pelo menos que Amélia consiga alguma coisa. Porque nós não temos mais recursos; ele completou referindo-se a Siegfried também.

-o-o-o-o-o-

Sentou-se na beira do alpendre, deixando as pernas penderem para fora. Baixou os olhos a tempo de ver algumas pedrinhas deslizarem penhasco a baixo, perdendo-se na escuridão da encosta rochosa.

Freya havia lhe deixado sozinho, mesmo que não houvesse pedido. Como Bel, ela parecia entendê-lo melhor do que ele mesmo às vezes. Balançou a cabeça levemente para os lados, precisava voltar logo pra casa e também se certificar de que a mãe estava bem em Horn.

Sabia que BlackShadows e RoseWood iriam cuidar de tudo em sua ausência, mas não conseguia simplesmente não se preocupar, principalmente com a segurança de Ariel; ele pensou.

Deixou os orbes vermelhos vagarem distraidamente pelas montanhas nevadas, imerso em pensamentos até ouvir um som baixinho de passos a suas costas. Franziu o cenho imaginando ser Freya, inclinou a cabeça levemente para trás, mas surpreendeu-se ao ver que os passos eram de um felino de pelagem branca, quase prateada.

Sentiu um arrepio cruzar o meio de suas costas quando o tigre branco aproximou-se dos balaústres e com um salto gracioso subiu no beiral e deitou-se a seu lado, com a cabeça pousada sobre as duas patas e os intensos e perscrutadores orbes azuis erguidos em sua direção.

-Como entrou aqui, amiguinho? –ele indagou calmamente.

Qualquer um que visse aquele tigre saltar daquele jeito, acharia que ele não pesava mais do que uma pluma, mas a compleição encorpada e robusta do animal lhe mostravam que ele não era assim tão leve, nem tão dócil quanto aparentava.

Ouviu-o aspirar o ar, como se absorvesse todos os cheiros do ambiente. Mesmo o balaústre sendo largo, ainda lhe preocupava o fato de que ambos poderiam cair dali a qualquer momento; ele pensou.

Como se lesse seus pensamentos e desejasse provar o contrario, o tigre arqueou as costas, levantando lentamente, até colocar-se sentado sobre as patas traseiras enquanto mantinha os olhos no mesmo nível que os dele.

-Você é muito corajoso pra se arriscar assim; Emmus falou curioso, mas surpreendeu-se ao ver algo brilhante pender no pescoço do tigre. –Amélia; ele falou erguendo a mão para tocar o diamante, mas o tigre recuou, virando a cabeça num movimento arredio para afastá-lo. –Desculpe, não queria assustá-lo; o cavaleiro falou se contendo.

O tigre resmungou ressabiado, enquanto abaixava a cabeça até tocar a mão dele e empurrou-a para frente.

-O que foi? –Emmus perguntou confuso, quando sentiu a respiração quente chocar-se contra sua pele e os dentes afiados rosarem sua mão, até vê-los fecharem-se sobre a manga do sobretudo.

O tigre puxou-lhe, enquanto indicava com a cabeça, as portas de vidro.

-Quer que eu vá com você?- o cavaleiro indagou e teve a estranha sensação de que ele assentia. –Ta certo, então; ele murmurou dando de ombros, enquanto descia o alpendre e via o tigre fazer o mesmo, mas mal o fez, o animal disparou através das portas, dando-lhe a única alternativa, de segui-lo.

-o-o-o-o-o-o-

Desceu as escadas calmamente, esperava que ao deixá-lo sozinho, Emmus pudesse ficar mais relaxado e tranqüilo. Sentia que ele estava inquieto e a conversa que tiveram, apenas lhe deixara mais agitada.

Emmus sabia dos planos de Kari, podia apostar sua espada que se ele realmente quisesse, já teria eliminado Kari com a mesma rapidez com que transformara Christine em poeira cósmica. Mas ele estava esperando, o que? Não tinha bem certeza e isso era o pior de tudo.

-Freya; ouviu Alana lhe chamar quando alcançava o último degrau.

-Sim; ela falou voltando-se para a jovem de melenas castanhas.

-Ahn! Sentimentos um cosmo diferente e-...;

-Não se preocupe; Freya a cortou. Já deveria ter imaginado que na primeira oportunidade alguém apareceria para espiar e bisbilhotar. –Sei que estão curiosos, mas tenham um pouco de paciência. Emmus esta em seu quarto agora e não deve ser incomodado;

-Emmus, mas...; ela começou espantada.

-Tudo há seu tempo Alana; ela completou antes de passar pela valkiria e ir até a cozinha, algo lhe dizia que mesmo depois daqueles anos todos o sobrinho não havia perdido o habito de tomar café quando se sentia inquieto e naquele momento, ele realmente iria precisar de uma dose a mais de cafeína; ela pensou.

-o-o-o-o-o-o-

Viu a carruagem partir com alguns poucos ocupantes, acenou vendo a cabeleira prateada do amigo sumir para dentro da janela.

Mesmo que Cadmo não tivesse falado nada sobre aquilo, sabia que ele ainda estava lambendo as feridas com relação a Aioros e Saori. Ele nunca fora muito bom em admitir sentimentos que não conseguia entender.

Suspirou pesadamente. Céus! Porque tudo era tão complicado? As coisas poderiam ser bem mais simples, mas quando pensava nisso era obrigado a admitir que essa era apenas uma das muitas facetas da natureza humana.

As pessoas em sua maioria pensavam que a vida era dividida num romance encantador e Hollywoodiano, ou numa tragédia Shakespeareana. Esqueciam das fraquezas e hesitações da própria alma. O medo de agir e errar, ou de não poder suportar a rejeição.

Essa é uma parte da natureza que não se pode abdicar ou fugir. Apenas enfrentar, uma hora ou outra.

Passou a mão levemente pelos cabelos, estava na hora de voltar ao palácio e enfrentar a sua parcela; ele pensou, vendo a carruagem perder-se de sua vista. Virou-se para trás, com a intenção de pegar o caminho de volta, mas não houve tempo de recuar quando uma nesga preta passou diante de seus olhos e uma dor lancinante atingiu sua nunca.

Depois, tudo ficou escuro e silencioso...

Continua...