Título: bond
Autora
: Lady Bogard
Casal: AoixKai, talvez outros mencionados
Classificação: NC-17
Orientação: Yaoi
Sinopse: "Os pecados dos pais são pagos pelos filhos". Ele suportaria tudo para proteger a mãe; mas, de repente, seu destino parecia um fardo tão pesado...
Gênero: fantasia, angust, romance
Beta: Eri-Chan
Disclamer: the GazettE pertence à PS Company. Eu escrevo sobre eles apenas para me divertir e distrair outras pessoas. Sem fins lucrativos.
Observação: Universo Alternativo, fic presente de aniversário para Litha-Chan (gomen pelo atraso! XD).


bond
Lady Bogard

Especial 01 – Naoyuki Murai
Se fiz, foi por amizade

Aoi desligou o celular e respirou fundo. O grito de alegria de sua mãe fora tão agudo e inesperado, que achou que o deixaria surdo.

– Que tipo de mãe comemora quando descobre que o filho é gay...? – Resmungou baixinho pra não acordar Kai.

Seu noivo e futuro esposo estava adormecido, sobre o confortável leito do hospital. Eles saíram apenas para a reunião com o Conselho, e voltaram imediatamente, pra que o Galo pudesse continuar em observação até receber alta.

Olhou para o pequeno aparelho em suas mãos. Estava sendo injusto. A felicidade de sua mãe não estava na sua opção sexual. Pelo contrário. Nana Long comemorava a vitória sobre o perigo, a conquista da segurança e o apoio importante dos outros Clãs na proteção de Kai Ji.

Porque Kai Ji representava a herança de sua querida amiga. Tomoe olhava para Yutaka e reconhecia pontinhos de semelhança com a garota que lhe salvara a vida. Sora Ji estava presente nos olhos escuros e espertos, no sorriso de covinhas, até mesmo no cabelo negro todo repicado. Protegendo Yutaka, Tomoe sentia que protegia Junko-chan.

Aoi suspirou com o pensamento. Apesar de Kai estar dormindo, cansado pelas emoções passadas, Yuu sentia-se elétrico. Tinha compartilhado as boas novas com a mãe... Mas existia outra pessoa com quem queria dividir as notícias...

Discou rapidamente e não se surpreendeu ao ser atendido ao fim do primeiro toque:

Aoi Long sama...? – A voz de Naoyuki soou um tantinho ansiosa. Aquilo foi incentivo para Yuu.

– Murai, trate de providenciar um note pra mim. E conecte-se também. Preciso falar com você.

Imediatamente, Aoi Long.

Vinte minutos depois uma moça Carneiro batia discretamente na porta e entrava, indo entregar um moderno laptop para Aoi, que permanecia sentado na poltrona. Ele não conhecia aquela garota. Queria saber o que acontecera com Saya Yáng, desaparecida desde o acidente no Hotel. Talvez tivesse sido afastada ou castigada. Mas como não lhe dizia respeito, Yuu não perguntara a ninguém.

Com a saída da moça, Shiroyama tratou de conectar-se, colocando o fone de ouvido e entrando no Chat privativo em ambiente seguro. Murai já estava lá, com a webcam ligada.

Aoi long! – O rapaz sorriu.

– Aa. – Yuu gesticulou para a câmera, sabendo que o subordinado o veria através do próprio PC.

Deu tudo certo? – Nao quebrou o protocolo perguntando o que quase lhe matava de curiosidade.

– O Conselho foi flexível. Deu a chance de anular o casamento.

Oh. – Murai tentou não parecer decepcionado.

– Mas... Mas... – Yuu ficou sem jeito de revelar, da mesma forma que ficara sem jeito ao contar para a mãe.

Mas...? – O mensageiro incentivou.

– Eu mudei de idéia. Resolvi que quero me casar com Kai Ji. – E contou resumidamente tudo o que acontecera na Reunião.

O rapaz do outro lado sorriu largo, deixando as bochechas ainda mais salientes:

Omedetou, Aoi Long!

Yuu meneou a cabeça de leve:

– Hn. E... Eu queria agradecer o que você fez. O que quer? Uma casa nova? Um carro? Uma gratificação na empresa ou mudar de cargo? – Yuu ofereceu, desejando retribuir a altura todo o trabalho que seu secretário tivera.

Surpreso, Nao parou de sorrir:

Não precisa agradecer. Não quero nada disso.

Yuu desviou os olhos, fitando um pontinho qualquer nos pés da cama de Yutaka:

– Aa. Sei que fez porque era sua obrigação, mas...

Errado, Aoi. Eu não fiz apenas porque era minha obrigação ou querendo recompensas.

O moreno mais velho voltou a mirar a tela:

– Não?

Bem, claro que no começo foi pelo Clã, porque você tinha acabado de chegar da América, e eu não sabia o que ia encontrar, se seria apenas um superior me dando ordens. Mas durante essa semana vi que você continuava o mesmo cabeça dura teimoso da nossa infância. Não era como Shin Long Sama. Imaginei que podia ser como antes.

– "Cabeça dura teimoso"...? – Aoi repetiu – Naoyuki Murai! Percebeu que você ofendeu Aoi Long Sama, futuro líder do Clã do Dragão...?

Não... – O rapaz riu – Eu brinquei com Shiroyama Yuu, meu amigo.

– Amigo...? – O mais velho foi pego de surpresa.

Claro. Sou fiel às minhas obrigações, mas nunca, em hipótese alguma, iria atrás daquela mulher se não fosse pra ajudar um amigo.

– Eu...

Ah, isso me lembra: seu avô fez uma operação pente fino pra descobrir como você conseguiu proteção da Yakuza. Andaram me investigando também. – Nao tratou de mudar de assunto, vendo o desconcerto de seu chefe.

– Ele descobriu?! – Yuu soou preocupado.

Não. Como eu disse Kaede é um nome falso. Não há qualquer ligação entre ela e a irmã, minha mãe adotiva. Nunca chegarão até mim.

– Fico aliviado.

E eu fico feliz. Kai Ji parece uma boa pessoa. – A voz do rapaz soou suave pelo fone de ouvido. Ainda insinuou: – E acho que gosta de você...

– É. Ele gosta. – Aoi sorriu lembrando-se da declaração (se bem que totalmente bêbada) que recebera naquele elevador, quando trocara o primeiro beijo com o garoto Galo.

Vai trazê-los pra cá? Os rapazes?

– Claro. Mas eles se sentirão deslocados em Tokyo. Até que se adaptem, pode ajudá-los, onegai?

Conte comigo. – Exibiu um sorriso cheio de dentes.

– Hn. Vou levá-los de volta ao território Galo, para pegarem suas coisas. Depois vamos para Tokyo. Ajude Kai Ji a encontrar um bom apartamento. Não posso deixá-los na casa de Shin Long. – Pensou um instante – Yutaka também me falou algo sobre faculdade. Providencie a matrícula e a transferência para Toudai o quanto antes...

Aoi ia dizendo aquelas ordens, vendo Murai digitar tudo furiosamente pra não esquecer de nada. Então ficou quieto, apenas olhando o mensageiro. Diante do silêncio, Naoyuki levantou a cabeça e encarou Shiroyama de volta.

– Quando eu voltar pra Tokyo... – Yuu começou sondando o terreno – A gente pode combinar de tomar um drink por aí, como amigos...

Nao Long ergueu as sobrancelhas, surpreso pela oferta. Enquanto esperava a resposta, Yuu sentiu seu coração disparar. Nunca, em toda a sua vida, combinara com um amigo para beber em um barzinho. Claro, tivera muitos colegas na faculdade americana, mas eram pessoas que entravam e saiam de sua vida sem deixar marcas profundas, sem levar marcas profundas. Eram apenas relacionamentos passageiros de pessoas com interesses em comum.

Voltara para o Japão para cumprir uma promessa que achava ridícula, mas graças a ela descobrira infinitas coisas em sua vida, sobre si próprio. Descobrira que mesmo nunca tendo dito, sua mãe lhe era importante demais, e que por ela arriscara todos os seus sonhos pela promessa feita anos atrás.

Descobrira graças aos perigos e à eminência da perda que para o amor barreiras como opção sexual valiam de nada. Estava apaixonado por outro homem, e não se importava. Porque era um garoto especial, alegre, cheio de vida e energia. Alguém que queria proteger.

Esse era o pensamento de Shiroyama Tomoe, a mulher que provavelmente ficara jogando confetes para cima de tanta alegria. Por ter empenhado sua palavra e por seu filho fazer valer o juramento.

E, além de tudo isso, descobrira quanto se sentia solitário, e quanto desejara um laço como o que tinha com Murai. Um amigo com que pudesse compartilhar suas aventuras. Pena não ter percebido isso antes...

Claro... – Yuu despertou dos pensamentos, ouvindo a resposta afirmativa de Naoyuki – Conheço um Pub em Ginza que serve uma cerveja ótima.

Aoi era o futuro líder do Clã do Dragão, tinha controle sobre uma parte significativa das ações das Empresas Shiroyama. Aoi podia decidir sobre o futuro de muitas pessoas, fosse com seus empregos ou mesmo tendo suas vidas na palma da mão.

Mas nada disso, absolutamente nada, o deixou tão feliz quanto saber que tinha um amigo, uma pessoa que podia convidar para "tomar uma cerveja depois do fim do expediente", alguém em que podia confiar. Talvez, sendo muito pretensioso, quase parecido com o laço que unia Yutaka e Takashima.

– Ótimo. – Yuu sussurrou. – Se precisar entro em contato. Nao kun, obrigado por tudo.

Encerrou a conexão e desligou o notebook. Ficou com ele sobre o colo, uma das mãos brincando distraidamente com o piercing.

Quantas coisas, grandes e pequenas, foram influenciadas pela oferta desesperada de Sora Ji...

Olhou para Kai, adormecido na cama, talvez sonhando com futuro brilhante que teria pela frente. A visão fez Yuu sorrir. Lamentou que não pudesse ter conhecido aquela jovem que, sem imaginar, decidira destinos, influenciara alianças, mudara a hierarquia centenária dos Clãs, fortificara amizades, gerara ódio e rancor, abalara o poder legendário do sobrenome Shiroyama... Dentre muitas outras coisas.

Recostou-se na poltrona e relaxou, fechando os olhos.

Tudo que passara fora fruto da promessa de duas jovens que desejavam apenas proteger um bebê inocente, que não teria a chance de nascer e viver.

Tudo que passara fora fruto da amizade.

"Obrigado, Sora Ji sama."

Fim da parte I

Dedicado à Yukari-chan, porque ela torceu pelo Nao e acabou me inspirando a fazer isso daqui. Qualquer coisa, culpem ela... *aponta* 8D