CAPÍTULO 28
A Caçada: a morte é um jogo
Assim que colocou os pés no corredor, Richard verificou se Buddy estava se aproximando; como não havia sinal de seu perseguidor, Richard franziu a testa, concentrando-se e, com um leve estalo e um rodopio, metamorfoseou-se em morcego.
Richard planou pelo corredor, movendo as compridas asas negras com rapidez. Como morcego, conseguia avançar com maior velocidade. Voando, pretendia encontrar Gina e salvá-la; em seguida, arranjaria um jeito de fugir do castelo e, ao mesmo tempo, garantir a sobrevivência de Harry, Rony, Hermione e Draco, que estavam caídos, frágeis, pelos corredores da escola.
Richard continuou voando, prosseguindo em sua busca, sentindo o calor dos archotes próximos chamuscarem as suas asas. De certo modo, fugir de Buddy Strogne estava saindo mais fácil do que ele imaginava...
-BU!
Não houve tempo de desviar-se. Tudo aconteceu muito rápido.
Ao dobrar o corredor, dera de frente com o rosto maníaco de Buddy. Richard movimentou as asas em desespero, guinchando, mas a mão de Buddy se fechou contra o seu corpo minúsculo. Ele concentrou-se para voltar à forma humana. Buddy o arremessou contra a parede ao lado; enquanto era arremessado, Richard voltou à forma humana, estatelando as costas na parede, batendo a cabeça e deslizando para o chão.
Sua visão ficou turva; ele piscou tentando normalizar. Antes que conseguisse, viu Buddy arremessar alguma coisa contra o seu colo; Richard, instintivamente, estendeu a mão para afastar o que quer que fosse. Quando tocou a coisa, sentiu uma pontada de dor forte e imediata na ponta dos dedos, como se eles tivessem sido chamuscados. Richard gritou de dor, enquanto aproximava os dedos dos olhos; finos fios de fumaça espiralada saíam do ferimento escuro que se formara neles.
Sua visão entrou em foco novamente. Antes que olhasse para a coisa que estava pousada em seu colo, Richard já sabia muito bem o que era; o ferimento e o odor característico que cortava o ar não mentiam...
Um dente de alho.
Richard mordeu o lábio, tentando suportar a dor, e acabou cortando-o também. Por um momento, esquecera-se dos caninos alongados; estava perdendo o hábito de ser um vampiro.
Ele envolveu a mão no pano das vestes e, assim, empurrou o dente de alho para longe. Assim que conseguiu lançar aquela "granada para vampiros" para longe, percebeu que Buddy Strogne estava rindo.
Richard levou um dedo para o ferimento do lábio e o fitou, estreitando os olhos.
-É... Como todos os livros dizem... – comentou Buddy desdenhosamente, enquanto um sorriso maligno e satisfeito turvava-lhe os lábios. – A imortalidade dos vampiros pode tornar-se mortalidade se for posta a prova.
Somente naquele instante Richard percebeu que as mãos de Buddy estavam escondidas às costas do rapaz. E foi exatamente naquele momento que ele descobriu o que estavam ocultos...
-Resista a isso, anormal! – gritou Buddy, enquanto arremessava um dente de alho na direção de Richard.
Usando seu poder vampiresco, Richard foi capaz de se desviar do alho, cortando o ar num salto velocíssimo. Estava pousando novamente no chão quando um terceiro dente de alho arremessado por Buddy o atingiu no rosto.
Richard recuou, sentindo o ardor queimar-lhe a bochecha esquerda, enquanto um fio de fumaça cortava o ar no local em que a pele foi chamuscada.
-Ai... Droga!... Seu... Seu animal...
Mais um alho foi arremessado contra ele, mas dessa vez atingiu as suas vestes; Richard continuou recuando, tentando proteger os lugares em que havia parte de sua pele descoberta, enquanto mais e mais alhos eram arremessados contra ele, com movimentos cada vez mais fortes.
-Vamos, anormal... Resista a isso! – Buddy riu com desdém. – Vai... Desvie-se! É... Acho que você também pode morrer...
Richard tentou se concentrar e se transformar em morcego, mas as constantes investidas de Buddy não lhe proporcionavam o tempo necessário para a concentração; quando um dente de alho queimou a palma de sua mão com um novo ardor potencialmente forte, Richard percebeu que não havia alternativa; precisava transformar-se e fugir dali.
Desviou-se de mais um dente de alho, que passou rente a sua orelha direita. Preparou-se para evitar mais um... Mas nada aconteceu.
Quando levantou os olhos, viu que os alhos que Buddy havia conjurado tinham terminado, e que agora o garoto segurava mais uma de suas toras de madeira, enquanto avançava em sua direção.
Os olhos de Richard se arregalaram quando ele viu que aquela era uma tora de madeira especial. Aquela tinha uma ponta afiada talhada na madeira – era uma estaca. E a ponta estava sendo direcionada para o seu peito.
Richard tomou uma súbita decisão, que podia mostrar-se tola ou perfeita: ia tentar usar aqueles míseros segundos antes da aproximação de Buddy e sua arma letal para concentrar-se e se metamorfosear em morcego.
Ele fechou os olhos, tentando ignorar o rugido feroz de Buddy, tentando afastar da mente a imagem do seu grande rival que estava a poucos passos de atravessá-lo com uma estaca e destruí-lo.
-Adeus, anormal! – ele ouviu a voz triunfante de Buddy exclamar.
Buddy apertou o punho contra o corpo da estaca, deu um impulso com o braço para trás e a cravou-a...
Na parede?
-Ãh? – perguntou-se Buddy, irritado e confuso. – Mas...?
Levou dois segundos para que ele admitisse o próprio fracasso e procurasse Richard no ar. Quando finalmente o viu, Richard planava pelo final do corredor, virando a direita.
-Droga! – vociferou Buddy, frustrado, jogando a estaca no chão. – Mas isso não vai ficar assim... Eu ainda te pego, seu desgraçado! Eu criei esse jogo, e eu vou vencê-lo!
Apanhando a estaca afiada, Buddy seguiu o caminho que a sua peça havia escolhido.
Gina correu pelo corredor escuro e deserto; seus passos e seus gemidos de medo e de dor lançavam ecos sombrios pelas paredes de pedra. Lançou um olhar desesperado para trás. Seu coração quase saiu pela boca; uma sombra se formava no início do corredor, aproximando-se com rapidez. Sua perseguidora estava a caminho, pronta a destruir a peça com sua foice afiada.
Gina olhou para o resto do corredor; o final ainda estava distante. Não havia tempo de sumir de vista sem que Vanda visse qual dos caminhos ela escolhera. Sendo assim, Gina usou a primeira idéia sensata que lhe surgiu na cabeça. Deslizou o corpo no chão e ocupou a abertura sob um banco de madeira.
Mal tinha entrado em seu esconderijo quando Vanda chegou ao corredor.
Gina verificou o próprio corpo, tranqüila; não havia vestígios de sangue dessa vez, como na noite em que se escondera dentro de um armário para escapar de Vanda. Da outra vez, a capacidade de farejar sangue ajudara Vanda a localizá-la, mas dessa vez ela não contava com esse fator em seu benefício.
Com certeza, ela ia seguir caminho, pensando que Gina continuara a correr pelo grande tabuleiro do jogo. Gina abriu um sorriso trêmulo e angustiado.
Apurou os ouvidos, pronta a escutar o mesmo eco assustador que seus passos, sua respiração e seu medo produziam naquele corredor, mas, para sua surpresa, tudo o que captou foi silêncio.
Silêncio total.
Subitamente...
Uma gargalhada sinistra.
Uma gargalhada forte e aguda, que tomou conta do corredor.
Vanda estava rindo.
-Eu não posso acreditar – falou ela, ainda entre risos. – Não posso acreditar que você tomou uma atitude tão estúpida quanto essa...
Gina engoliu em seco e procurou controlar a respiração.
-Mas é uma otária mesmo – e riu ainda mais. – Eu achei que você tinha tirado alguma experiência dos nossos encontros anteriores, Gina. Mas que decepção! Eu acreditava que você tinha ficado mais esperta.
Subitamente, o som dos passos começou a acompanhar o som da respiração ofegante da assassina. Não eram passos lentos ou hesitantes; ela caminhava normalmente, pisando forte no chão, decidida, como se soubesse exatamente onde devia ir.
Gina mordeu o lábio, nervosa.
Vanda sabia onde ela estava escondida.
-Sabe que, pensando bem, até que não foi uma má idéia do Strogne inventar esse jogo – falou Vanda, num prazer delirante. – A Caçada... Proporcionou-me a oportunidade que eu queria de me livrar de você, Gina, de uma vez por todas!
Gina era capaz de ouvir as batidas do próprio coração...
-Depois que eu cuidar do Strogne, ficarei com Richard para sempre. Pode ficar tranqüila, Gina! Jogarei sobre a sua sepultura as flores do buquê de meu casamento com o meu querido vampiro apaixonado.
Gina tentou levar a mão ao bolso para apanhar a varinha, mas viu que o medo não permitia.
-Eu e ele seremos eternos, Gina! Já pensou nisso, queridinha? Hein? Ele vai me morder, e eu e ele seremos felizes por toda a eternidade!
Gina viu os sapatos de Vanda surgirem, através da abertura. Sua garganta ficou seca... Foi encontrada... Seria morta...
Vanda passou direto.
Gina não ficou ali sob o banco parada, se perguntando para onde Vanda estava indo, onde a assassina pensava que ela estava escondida, e como chegara a essa conclusão errada. Resolveu aproveitar o erro de Vanda. Colocou a cabeça para fora da abertura e espiou. Vanda continuava avançando pelo corredor, ainda com passos decididos, o olhar fixo em um armário fechado no final do corredor.
Então era isso; Vanda pensava que ela havia escolhido o mesmo tipo de esconderijo.
Aproveitando a oportunidade, Gina esgueirou o corpo pela abertura e, cautelosamente, sem fazer sequer o menor ruído, levantou-se. Vanda estava bem perto do armário quando ela correu até a porta logo a sua frente, girando a maçaneta e a abrindo...
-Achei você! – exclamou a voz de Vanda, enquanto abria o armário metálico.
Gina ouviu um sonoro palavrão e um baque semelhante a um chute contra o armário quando encostou a porta da sala.
Vislumbrou o aposento; era fracamente iluminado por lampiões que pendiam do teto. Apesar de parecer inutilizada há muitos anos, havia diversas carteiras ali, enfileiradas corretamente. Sem perder tempo, e pouco se importando com as pequenas aranhas, que eram tão abundantes que pareciam estar em cada uma das carteiras, como se fossem os estudantes daquela sala, Gina agachou-se e se escondeu sob uma carteira da frente.
Esfregou as mãos frias, assustada; será que Vanda entraria ali ou seguiria pelo corredor?
-Como isso vai acabar? – perguntou Gina a si mesma, em sussurros, horrorizada. – A única esperança é que aquela gincana termine logo... Precisamos nos manter vivos até todos voltarem à escola... É... Só isso... Só isso...
Passos.
-Não... – murmurou, quase as lágrimas.
Eram os passos de Vanda. Tão próximos... Muito, muito perto... Os sapatos de Vanda chocando-se contra o chão de pedra do corredor... Ela estava voltando...
-Não entre aqui, não entre aqui... – Gina começou a sussurrar sem parar, enquanto torcia as mãos num pânico que ia crescendo gradualmente, a cada passo da assassina. – Não entre aqui, não entre...
Parou.
Gina viu a sombra sob o vão da porta da sala. A maçaneta girou.
-...aqui – concluiu Gina, sem conseguir sussurrar; a palavra foi um mero movimento de lábios que tremiam.
Ela parou de falar e encolheu-se ainda mais.
A porta da sala foi escancarada, batendo contra a parede; o baque produziu um calafrio em Gina. Ela acompanhou os sapatos de Vanda, que caminhou lentamente, parando exatamente ao lado de sua carteira. Gina prendeu a respiração.
Vanda analisava a sala ali da frente, estudando atentamente cada uma das carteiras com o olhar.
-Vamos ver se eu consigo encontrar a fugitiva... – comentou. Os sapatos sumiram do campo de visão de Gina; ela ouviu a carteira ranger; Vanda tinha subido nela. Em seguida, outra coisa ficou rente ao campo de visão de Gina – a lâmina brilhante de uma foice.
Vanda, de pernas cruzadas sobre a carteira, segurando o cabo da foice com uma das mãos, continuava a observar as carteiras.
-É... Parece que ela não está aqui... – ela concluiu, descendo da mesa. – Pra onde será que ela foi? Droga!
Vanda ajeitou a foice novamente e caminhou decidida até a porta. Gina cortou um suspiro ao meio quando a assassina estancou. Lentamente, Vanda virou-se.
-Espere um instante... Faltou uma...
Gina só podia ver os pés da garota voltados em sua direção e, embora aquela direção significasse todas as outras vinte e nove carteiras que havia na sala, ela sabia que Vanda estava se referindo aquela onde ela estava escondida.
Ela observou, horrorizada, os passos de Vanda se aproximando, lentamente, aumentando ainda mais a carga de medo e de pavor.
Vanda estava muito perto agora...
Ela devia estar se inclinando para afastar a carteira...
Ela ia afastar... Ia afastar...
-NÃO! – berrou Gina, empurrando a carteira para cima com força e arremessando-a de qualquer jeito.
A carteira voou na direção de Vanda, derrubando-a e esmagando-a contra o chão.
Gina continuou berrando e correndo, sem parar para ver o resultado de sua atitude inesperada. Correu desabalada pelo corredor. Estava próxima ao fim quando um morcego surgiu.
A alegria a envolveu de imediato; ali estava Richard, o seu Richard, são e salvo, vindo ao seu encontro. Richard transformou-se em humano e correu até a namorada, de braços abertos. Quando os dois se encontraram, envolveram-se num caloroso abraço.
-Meu amor, meu amor – Richard beijou a cabeça de Gina. Afastou-se e, segurando o queixo da garota, observou-lhe o rosto. – Você está bem?
-Estou, só assustada, mas estou...
-Ótimo... – Richard lançou um olhar angustiado ao corredor. – Olha, temos que correr, Buddy não vai demorar a aparecer...
-E Vanda também. Temos que ser rápidos! Ela logo se levanta e...
Gina parou de falar ao ver que os misteriosos e fascinantes olhos branco-acinzentados de Richard estavam saltados. Ela virou-se e viu o que tanto apavorou o namorado.
Vanda estava parada próxima à porta da sala, com a foice ao lado, olhando sinistramente para os dois; parecia uma aparição das trevas, com aquela pele pálida distorcida pelo rosto maldoso, os olhos negros margeados por aquelas olheiras escuras, os cabelos muito negros, que geralmente eram amarrados, agora soltos e escorridos.
Sem mais uma palavra, mas com um entendimento mútuo do que deviam fazer, Gina e Richard começaram a correr, juntos, de mãos dadas.
-As regras do jogo diziam que não devíamos ficar juntos – comentou Gina, afastando as mechas de cabelo que cobriam o seu rosto devido ao movimento do vento. – Estamos quebrando as regras...
-Que se dane esse jogo imbecil do Strogne! – vociferou Richard. – O que está em jogo são as nossas vidas!
Eles entraram no corredor mais próximo.
Era um corredor sinistro, com uma estranha claridade marrom. Gina nunca tinha estado ali antes, e, ao percorrer o corredor, descobriu que era perfeitamente normal nunca ter ido ali; as paredes eram lisas, sem portas, sem salas de aula, sem sanitários. Nem quadros ou armaduras havia ali.
A claridade não permitia enxergar muito além, e foi com exclamações de surpresa adicionada com tristeza que eles viram uma parede nua se formar adiante.
Eles correram até a parede e pararam.
-Um beco sem saída, sem saída! – disse Gina, agitada. – Ela está vindo, Rich. Temos que fazer algo rápido, meu querido, rápido!
-Não temos saída! – falou Richard, passando a mão pelos cabelos, agitado, desesperado. – Está tudo perdido... Está...
Ele parou de repente. Gina voltou-se.
Ali, na parede do lado esquerdo, estavam cravados pedaços finos de madeira, sucessivamente, subindo e subindo até o que parecia ser uma entrada cortada no teto, uma entrada para uma espécie de sótão.
-Vamos, por aqui! – exclamou Richard, ajudando Gina a subir os primeiros degraus.
Assim que a namorada atingiu o topo, Richard começou a subir. Ele ainda subia quando Gina, com um impulso, abriu a passagem do teto. Apoiando-se nas bordas da passagem, Gina impulsionou o corpo e passou pela abertura, jogando-se no chão. Em seguida, inclinou-se para a abertura para ajudar Richard. Seu estômago revirou-se quando ela viu Vanda aos pés da escada de tábuas.
-Richard, rápido! – gritou ela, desesperada, estendendo a mão para o namorado. Richard agarrou a mão dela e foi puxado para cima.
Com o impulso, ele e Gina se desequilibraram e caíram sobre o chão de madeira do sótão.
-Tudo bem? – Gina perguntou, aflita.
-Tudo, mas... Temos que sair daqui, escapar dela e... – a voz de Richard foi morrendo de repente. – Oh, mas que lugar é esse?
-Como? – indagou Gina, mas, ao olhar ao redor, enquanto se levantava, sentiu a mesma perplexidade e assombro.
Não era um sótão como eles imaginavam. Era um lugar muito mais sinistro.
Um aposento amplo, iluminado pela luz do sol, que incidia diretamente contra as inclinadas janelas laterais que cobriam praticamente toda a parede à frente deles, formando uma espécie de parede de vidro. Seria um belo local se não fossem as coisas bizarras e perigosas que havia dentro dele...
Uma infinidade de correntes e objetos cortantes pendiam do teto, presos contra fileiras de cabos de madeira, que atravessavam o teto de ponta a ponta, tendo as extremidades fincadas nas duas paredes laterais.
-Vamos, Gina, por aqui, rápido – Richard a puxou pela mão.
Enquanto avançavam desviando-se dos objetos, Gina olhava para cada um deles. Além das correntes, ela via lanças compridas, machados gigantescos, pulseiras e joelheiras com espinhos pontiagudos, algemas, algumas garrafas com líquidos repugnantes e rótulos apavorantes, enormes cacos de vidro e cordas.
Quando estavam perto do fundo da sala, e escutavam os murmúrios de Vanda, que subia a escada, Gina finalmente percebeu para que servia tudo aquilo e, mais importante ainda, onde estavam...
-Eu sei que lugar é esse! – falou ela para Richard, enquanto se ajoelhavam atrás de uma caixa. – Já ouvi falar nisso aqui! É a antiga Sala de Castigos do Filch!
Ela apontou para uma cadeira de madeira ao lado deles; dos braços e dos pés da cadeira pendiam braçadeiras e tornozeleiras cravejadas de vidro e, ao lado, um capacete cuja pintura era uma labareda de fogo. Ao lado desta havia um objeto plano de madeira, ligado a um dispositivo cheio de hahahas, que agitavam as patinhas freneticamente. Aparentemente, o pobre aluno que fosse preso ali tinha que agüentar um ataque contínuo de risadas, que, imposto por horas, deixaria o coitado sem ar.
-Ainda bem que nada disso é permitido – comentou Richard.
-É, mas pode ter certeza que o sonho do velho Filch é colocar um dos alunos numa dessas coisas... ah..! Lá vem ela...
Por uma fresta, Gina observou Vanda, que tinha o rosto meio amarelado devido a forte claridade do sol que penetrava pelas janelas de vidro. Assim como os dois, Vanda estava estupefata diante de tantos objetos cortantes e perigosos.
-Que beleza! – exclamou ela, admirada. – Um ótimo arsenal! Posso utilizar algumas coisas nos meus próximos ataques...
E, girando uma mecha de cabelo com o dedo, ela começou a avançar pela Sala de Castigos, desviando-se e pegando em alguns dos objetos que pendiam do teto, tão admirada quanto uma adolescente numa loja de roupas contemplando os vestidos da última moda.
Gina olhou para Richard quando viu que Vanda estava bem próxima. Eles precisavam de um plano para fugir dali. Gina teve uma idéia maluca, mas, naquele instante, era a única idéia que lhe havia ocorrido e havia uma mínima chance de dar certo. Fazendo sinal a Richard, ela levantou-se. Vanda virou-se no exato momento em que Gina surgiu; alerta, ergueu a foice.
-Não tem como você fugir de mim, Gina, não tem – falou ela, num sussurro rouco.
-Será que não, Vanda? – desafiou ela. – Tem certeza de que dessa vez a sua grande jogada não tem falhas? Desculpe-me, mas todo esse seu entusiasmo e confiança me parecem mais com os blefes de uma jogadora que, nas rodadas que a vida lhe propôs, registrou muito mais perdas do que vitórias; poucas vezes as cartas foram dispostas corretamente, Vanda; você ferrou a si própria com seus erros na maior parte das suas ações. E, pra mim, por mais que me tenha acuado aqui, você não vai "bater" o jogo outra vez. Ah, não vai mesmo...
-E como você pode ter tanta certeza, sua ordinária? – indagou Vanda, as sílabas impregnadas de veneno e ódio. – Pelo que estou vendo, o jogo está muito mais favorável para mim do que para você. Não já maneira alguma de eu falhar agora.
-Será? – Gina riu, debochada. – Acho que existe uma maneira sim...
-Não vejo qual seja. Acho que quem está blefando aqui é você.
-Não, não estou blefando. É um fato, Vandinha querida. Eu estou em melhor posição do que você.
-Como ousa zombar de mim, sua cretina! Eu te odeio, Gina Weasley, odeio – ela estendeu a mão para uma das correntes que pendiam do teto e olhou para Gina. – E agora é a hora do jogo entre nós duas terminar!
-Eu acho que não! – apressou-se Gina a dizer, enquanto cutucava Richard. O namorado levantou-se rapidamente e encarou Vanda.
Assim como Gina esperava, Vanda impressionou-se ao ver Richard.
-Viu como havia uma falha, Vanda? – perguntou Gina, satisfeita. – E então? Vai puxar essa corrente e fazer com que esse cinto de vidro despenque em cima de mim e do seu amado?
E, subitamente, Vanda sorriu; passou a língua pelos lábios e começou a rir baixinho. Voltando a mão a corrente, ela falou, saboreando cada palavra e o impacto de cada uma delas na expressão de triunfo de sua rival.
-Claro que vou! Afinal, quem errou foi você, Gina. Esqueceu de um detalhe importante e a sua jogada falhou, e posso lhe adiantar que vai lhe custar a vida. Querida, acorde! Vou puxar essa e outras correntes, sim. Em relação a esses instrumentos, Richard é imortal; você não!
Gina sentiu um nó apertado na garganta diante do seu erro. Vanda, o rosto irradiando brasas de fúria, puxou a corrente com força, fitando-a.
Com rapidez, a corrente deslizou para cima, fazendo com que o cinto de vidro despencasse e começasse a cortar o ar. Gina abaixou-se, desviando-se do objeto cortante.
-Vamos! Pague o preço pelo seu erro, sua nojenta! – Vanda puxou uma corrente seguida à outra, fazendo um facão, um pedaço de madeira e vidro e um machado despencarem e cortarem o ar.
-Temos que fugir daqui! – disse Gina, a Richard, que também se abaixara atrás da caixa, assim como ela.
-É, eu sei, vamos! – falou Richard, erguendo-se cautelosamente. Meio agachado, ele puxou Gina, que imitou o movimento dele.
-Ei, onde pensa que vai? – perguntou Vanda, puxando outras três correntes.
Um outro machado despencou bem em frente a Gina, fazendo a garota gritar. Quando o objeto foi para o lado, eles passaram. Viam Vanda mais ao lado, ainda puxando e puxando correntes, tentando bloquear o caminho. Gina sentia um medo percorrer o corpo dos pés a cabeça; a qualquer momento uma daquelas coisas podia atingi-la, a qualquer instante um vidro ou algo cortante penetraria sua pele, talvez de modo mortal...
Um cinto de vidro veio da lateral e, antes que ela pudesse desviar-se, os vidros já haviam se colado a pele de sua bochecha esquerda; Gina berrou.
-Calma, calma – pediu Richard, desgrudando o cinto do rosto de Gina; o sangue escorreu de seus dedos ao acariciar o rosto dela. – Tudo vai ficar... bem!
Richard jogou-se ao chão com a namorada, no momento em que viu um enorme machado traçando um movimento em direção aos dois. Arrastando-se, eles continuaram a avançar, ouvindo o retinir das correntes ainda puxadas por Vanda, os ruídos dos metais cortando o ar, os gritos histéricos da assassina, que torcia para que uma daquelas coisas deformasse ou matasse Gina.
-Que divertido, isso é maravilhoso! – comemorava Vanda, puxando outra corrente.
Vários objetos cortantes iam e vinham; Vanda escapava de todos agachada no chão e, ao ver que os dois se aproximavam da saída fazendo o mesmo, resolveu rastejar até eles.
-Você não vai escapar, Gina! Não vai!
Ela rastejava, acompanhando a fuga dos dois. Os objetos passavam zunindo rentes a sua cabeça, mas ela pouco se importava; sua mira era Gina, e ela não descansaria enquanto não visse aquela garota morta, envolta numa poça de sangue deliciosa.
-Não adianta tentar, a vitória é minha! É minha! – vociferou Vanda; Gina e Richard, do lado oposto à passagem de saída, ainda teriam que atravessar a sala para fugirem; Vanda tinha chegado ao da passagem. – Vou bloquear a saída. Não tem como sair daqui viva, Gina Weasley!
-E nem você!
PAF!
A tora de madeira a fez tombar para o lado, com um formigamento doloroso no rosto; ali, esparramada contra o chão, enquanto erguia o rosto, o nome maldito formou-se em seus lábios num sussurro de medo e pavor:
-Buddy...
Vanda se virou no chão, tomando o cuidado de não se levantar – alguns objetos ainda se movimentavam – e começou a rastejar na direção oposta a Buddy. Olhou para trás; talvez Buddy tivesse preferido ir atrás de Richard... Mas não; ele acabava de sair da passagem, e, com a tora nas mãos, vinha bem em sua direção.
-Game over, Cadelinha! O jogo acabou! – zombou ele, exibindo o sorriso maligno.
Ele começou a rastejar; antes que tirasse os olhos dele e retomasse sua fuga, os olhos de Vanda registraram a ponta afiada da tora de madeira.
Sentindo-se zonza e indefesa, Vanda não resistiu; levantou-se e, prestando atenção aos poucos objetos que ainda cortavam ar, começou a correr.
-Cadelinha, cadelinha... – cantava Buddy as suas costas. – O jogo acabou, Cadelinha...
Vanda percorria a fileira de objetos cortantes, procurando uma maneira de fugir.
-Cadelinha, agora eu te mato, Cadelinha...
-NÃO! – berrou Vanda, empurrando um dos facões que pendiam das correntes na direção da voz de Buddy. O rapaz desviou-se com um simples movimento do ombro.
-Oh-oh! Cadela nervosa!
-Não sabe o quanto! – ela virou-se. Buddy estava bem perto. Com um movimento, ela empurrou uma bola de vidros na direção dele. Buddy desviou-se. Vanda empurrou um machado; só com uma leve inclinação para o lado ele o evitou. – Deixe-me em paz! Morra desgraçado! Morra! – outro machado, outro facão, e nada; Buddy estava chegando. – Vá para o inferno! Deixe-me em paz! Saia da minha vida! Morra! – empurrou um cinto de vidro. – Morra! MORRA!
Ela começou a chorar, descontrolada; Buddy finalmente chegou, a segurando pelo braço da mesma forma brutal que sempre fazia, despejando nela toda a força que possuía e a fazia sentir-se submissa a ele.
Vanda tentou escapar, mas aquele aperto a dominou; trêmula, ela observava os olhos vidrados de Buddy, agora tão perto...
-Finalmente, eu te pego outra vez, Cadelinha – disse ele, sem sorriso ou tom de deboche; a voz era fria e o olhar estava envolto em ódio. – E dessa vez você não me escapa!
-Buddy, por favor... – ela chorava. – Eu te suplico... Não me mate... Não me mate...
-Lamento lhe informar, mas é isso que eu vou fazer.
O tom de voz dele passava tanta certeza que Vanda engoliu em seco.
-Você acabou de tentar me matar, Cadelinha! Você me fez de otário quando escapou daquele cubículo! Você queria que eu fosse preso acusado dos crimes que você cometeu! Você não acha que o dono deve castigar a Cadelinha depois de tanta desobediência e ousadia? Claro que tem!
-Castigar, só, Buddy, matar não, por favor...
-Você não tem idéia de como é prazeroso ver um inimigo meu suplicar pela própria vida...
-Então, só castigo, sem morte! Eu obedeço direitinho! Por favor, eu prometo, não me mate...
O olhar de Buddy ficou fixo em algo que estava logo atrás de Vanda. Em seguida, ele a fitou novamente, e dessa vez sorriu, um sorriso frio, o sorriso que se forma ao sentir que se está vingando e punindo quem merece...
-Está bem. Vai ser apenas um castigo.
-Mentira! – esganiçou-se Vanda. – Esse sorriso... Esses lábios torcidos... É mentira! Você vai me matar!
-É, mas será simplesmente uma conseqüência do seu castigo!
Sem hesitar, Buddy empurrou-a com força para trás. Por um segundo, Vanda pensou que ele a arremessaria através das janelas de vidro, mas não foi o que aconteceu; Buddy empurrou-a com violência contra uma superfície plana de madeira, ligeiramente inclinada. Enquanto sentia as mãos serem amarradas por cordas, Vanda olhou para frente e viu uma caixa cheia de hahahas. Suspirou, aliviada.
-Buddy, obrigada – agradeceu. O rapaz parou ao lado dela. – Eu prometo que depois desse castigo, cumprirei todas suas ordens, serei obediente e...
-Depois? – questionou ele. – Não existe "depois" Vanda. A sua vida não tem mais "depois". Só tem o "agora".
-Mas do que você está falando?
-Que dessa sala aqui você não sai viva. Daqui você só sai mortinha, mortinha.
-Mas, as hahahas não...
-Ah elas não matam mesmo – ele revelou a tora de madeira com ponta afiada. – Mas isso aqui mata sim.
Sob o olhar aturdido de Vanda, Buddy retirou a caixa de hahahas do dispositivo, jogou-a no chão e, com um simples movimento, encaixou a estaca no dispositivo, deixando a ponta afiada na direção de Vanda.
-Buddy, o que vai fazer? Tinha dito que era um castigo...
-Mas é um castigo, Cadelinha! Primeiro, você receberá o seu castigo: a tortura psicológica – Buddy deu um toque de varinha na manivela que acionava o dispositivo. – A manivela vai rodar lentamente, lentamente, e a cada movimento a estaca vai indo até você, cada vez mais perto, mais perto, mais perto... E chega ao seu peito, e vai perfurando devagarzinho, devagarzinho... Muito lentamente... E vai entrando mais e mais... Perfurando... Sangrando... E você vai sentindo a ponta chegar ao coração... Nossa, é perfeito demais! – ele sorriu. – Imagine! O sangue esguichando, a dor se espalhando, a estaca entrando e perfurando, abrindo você! Verá a morte se aproximando e não poderá fazer nada!
-SEU DOENTE, NÃO FAÇA ISSO, NÃO...
Buddy a calou, conjurando uma fita adesiva e a colando na boca de Vanda.
-E esse é o seu castigo. Tortura psicológica. E depois, lamento lhe dizer, mas ele termina com a sua morte... Adeus, Cadelinha – ele deu um beijo no rosto dela. Os olhos de Vanda se contraíram.
A manivela rodou um pouquinho, fazendo a estaca mover-se um pedaço.
-É, espero que suporte a tortura... Eu avisei você de que ninguém pode com Buddy Strogne, Cadelinha! Eu lhe disse que ia vencer essa. E agora, eu venci.
Conjurando uma nova estaca para levar com ele, Buddy afastou-se. Antes de sair, olhou para Vanda, presa na superfície de madeira, a estaca apontada para o peito.
-Vou cuidar daquele anormal, e em seguida venho contemplar o fim de sua tortura. Até mais, Cadelinha. Espere-me no inferno.
E gargalhou, descendo as escadas com um grito de "Eu venci!".
-E agora, o que faremos? – perguntou Gina a Richard; os dois estavam no canto de um corredor próximo a Sala dos Castigos, tentando tomar uma decisão acertada.
-Eles vão acabar se matando lá em cima. Aliás, fazia parte do tal jogo de Buddy, eles se caçariam também... Qual dos dois sairá vivo?
-Não faço a mínima idéia. Tudo o que eu sei é que, seja qual for, ambos querem nos matar porque sabemos das pessoas que cada um deles matou.
-É... Temos que garantir a segurança dos outros que estão pelo castelo e ao mesmo tempo fugirmos...
-Droga! Se aquela maldita gincana terminasse logo...
-Humm... Acho que sei o que devemos fazer, mas, primeiro, temos que saber qual dos dois sairá vivo daquele corredor... Gina, pense bem: se for Vanda, e ela me ver, ela não fará mal a mim. Enquanto converso com ela, você sai da escola e comunica a todos.
-Certo, mas e Buddy? Ele pretende me matar sim, ele quase me matou antes de você aparecer, eu que consegui escapar! Se ele me pegar agora, ele vai me matar!
-Não, porque não é isso que o jogo que ele fez diz.
-Rich, ele já tentou...
-Eu sei, mas isso foi antes da tal Caçada começar, não foi?
-Foi, mas mesmo assim...
-Então! Não tente entender a mente de uma pessoa tão insana e fora do normal como ele, mas pode ter a certeza de que, agora, ele vai seguir as regras desse joguinho que a mente perturbada dele criou!
-E o que o faz ter tanta certeza de que Buddy não quebrará as regras, como nós já quebramos, inclusive, e se voltará contra mim para recuperar as coisas dele que estão comigo?
-Porque ele está enlouquecendo, beirando a insanidade mental – respondeu Richard. – Ele está ficando pirado, acredite, ele fará tudo conforme as regras do jogo que ele mesmo criou. E as regras são bem claras: ele me elimina se me encontrar, mas você não.
-É... Talvez... Vale a pena tentar?
-É a única idéia que temos...
Gina hesitou por alguns segundos, mas acabou concordando.
Assim, eles aguardaram alguma movimentação vinda do corredor que dava acesso a Sala dos Castigos. Não trocaram mais palavra alguma; apenas se olhavam de vez em quando, compartilhando o medo e a ansiedade diante do desconhecido.
Finalmente, após minutos que pareceram horas, eles ouviram passos vindos do corredor. Num gesto automático, Gina segurou firme na mão de Richard. De mãos dadas, trêmulos, os dois aguardaram... Quem estaria vindo?
E logo surgiu Buddy Strogne, de cabeça erguida, a estaca segura numa das mãos, a roupa amarrotada, os cabelos castanhos despenteados, o corte no rosto coberto por uma camada de sangue seco, o galo na testa ainda roxo. E o mesmo ódio de sempre.
-Rich... – cochichou Gina, assustada. – Eu não sei se é o certo...
-Confie em mim.
-Rich, você pode estar errado dessa vez. Sei que geralmente acerta em analisar as pessoas, mas você também está sujeito a falhas...
-Confie em mim – repetiu Richard, olhando bem nos olhos dela. – Agora vá lá, rápido, enquanto eu busco ajuda.
-Certo.
Gina lançou um último olhar para o namorado antes de se revelar a Buddy Strogne. O rapaz parou logo que a viu. Um sorriso nada agradável surgiu no rosto dele... Gina procurou manter a calma e sorriu.
-Você está bem, Buddy? E Vanda, onde está?
-Eu estou bem. Mas Vanda está morta. Nem adianta procurar, porque eu estourei o corpo todinho em pedacinhos tão minúsculos quanto pó.
Ele mentia, mas Gina nem percebeu; mentir bem era um dos dons malignos de Buddy Strogne. Ele precisava garantir que ninguém interrompesse o belo castigo que havia imposto a sua Cadelinha.
-Ah – murmurou Gina, horrorizada. – Eu... Que bom que você está bem, não é, e...
Buddy avançou. Tão de repente que Gina ficou sem ação. Dera apenas dois passos quando as mãos violentas do rapaz a alcançaram.
-O que você está querendo com esse fingimento? Hein?
-SOCORRO, RICH...
A poucos corredores dali, Richard estancou ao ouvir o apelo da namorada. Assustado e veloz, voltou-se naquela direção...
-Pedindo ajuda pro namoradinho, hein? Como eu imaginava... Tinham algum plano formulado – ele segurava o corpo de Gina junto ao dele, segurando-a pelo pescoço. – Mas vamos ver agora quem é que está no comando.
Richard apareceu; ao ver Gina indefesa, presa a Buddy, sentiu um arrependimento gigantesco.
-Solte-a, seu maluco, seu doente!
-Doente? Eu? – Buddy o olhou de cima a baixo. – Doente é você, seu anormal. Vampiro desgraçado. Nojento. Um ser das trevas que chupa sangue!
-CALE A BOCA, STROGNE!
Buddy deu uma risada debochada.
-Olha só, o anormal está achando que pode me mandar ficar calado... Escute aqui, anormal: quem dá as ordens aqui sou eu. O jogo está a meu favor. E você vai me obedecer, sabe por que? Hein, estranho, sabe por que? Porque eu tenho isso! – ele balançou Gina. – Eu tenho a sua namoradinha.
Richard suspirou, olhando para Gina.
-Você não ia me desobedecer, ia? Afinal, você nunca ia se perdoar se tivesse que carregar por toda a sua imortalidade a responsabilidade pela morte de sua adorável namoradinha... – Buddy gargalhou. Em seguida, ficou sério. Deslizou um dedo pelo pescoço de Gina. – Você não ia se perdoar se eu a cortasse aqui... Ou abrisse a barriga dela aqui... Ah, seria muito doloroso, não seria, uma culpa imortal? Hein? RESPONDA, ANORMAL, RESPONDA!
-Sim... Seria, seria...
-Muito bem. Quem é que manda agora?
-Você... Buddy Strogne...
-Como é que é? Acho que não ouvi direito... Repita!
-Buddy Strogne!
-Não escutei ainda...
-VOCÊ, BUDDY STROGNE!
-Várias vezes, vá!
Richard fechou os olhos e falou seguidamente, em voz alta:
-BUDDY STROGNE, BUDDY STROGNE, BUDDY STROGNE...
Buddy ria, deliciando-se com a humilhação do vampiro. Gina chorava, indefesa, triste.
-Ok, já basta, anormal – lágrimas saiam do olho dele, de tanto que ele havia se divertido. – Eu sabia que ainda chegaria o dia em que você ia se humilhar na minha frente.
Ele gargalhou; Gina viu manchas rosadas de vergonha surgirem nos dois lados da face de Richard.
-A vida dela é preciosa demais para você, não é, anormal? – perguntou Buddy, ao controlar-se. – Por ela você é capaz de tudo... Afinal... Que doloroso seria se algum mal acontecesse à graciosa Gina!
-O que você quer, Buddy?
-Calma, anormal, vamos nos divertir um pouco...
-Diga logo, por favor, o que você quer?
O tom de Richard o desagradou.
-Está bem, anormal, se você quer que eu seja direto, eu vou ser direto...
Olhando-o com satisfação, Buddy falou:
-Você é capaz de tudo por ela, não é?
-Sim.
-Você abriria mão de sua única dádiva por ela?
-Não estou entendendo...
-Você seria capaz de abrir mão de sua imortalidade por amor a ela?
-Co-como assim?
-Isso mesmo que você ouviu! Você morre, ela vive! Eu quero a sua vida imortal em troca da vida de sua querida Gina!
NA: E agora? Será que Richard vai topar isso? Morrer por amor?E mais: quem é o Espião?
Essas respostas no ÚLTIMO CAPÍTULO de Vamp -antes do EPÍLOGO. O fim se aproxima! Como sempre, aguardo comentários - ler o que vocês acham é o meu pagamento hehe. Em breve, próximo capítulo! Conto com vocês!
