Capítulo 28- Caçada implacável
Chegar à fronteira não foi tão fácil quanto Angel Mariner pensou. O diretor-assistente Goodwin estava mesmo decidido a pegá-lo e iniciou uma caçada implacável acionando todos os recursos do FBI, por isso ele não pôde atravessar à fronteira para o México e refugiar-se em seu país de origem.
Naquele momento, estava escondido em um motel de beira de estrada, perto da fronteira mexicana, contando o dinheiro que tinha conseguido roubar do banco enquanto esperava sua comparsa Cassidy Philips voltar. Ela tinha ido dar uma volta, disfarçada a fim de saber notícias sobre a ação da polícia. Dependendo do que ela descobrisse, eles dariam o próximo passo.
Estava empilhando mais um bloco de notas de cem sobre uma mesinha quando seu celular tocou. Franziu o cenho, irritado, precisava se livrar desse número e conseguir outro para que ninguém mais o encontrasse.
- Alô?- disse, ao atender o telefone.
- Mariner!- bradou a voz de Edward Marshall do outro lado da linha. – Onde é que você está?
- Longe.- respondeu Angel com uma risada sarcástica, embora não estivesse tão longe assim.
- E cadê a Letty? Foi ela quem entregou o carro pra você fugir não foi? Conforme o combinado.
- Aham.- ele respondeu, querendo acabar logo com aquela conversa.
- E onde ela está? Eu liguei para o Picket e ele não sabe dela, aliás, ninguém na organização sabe dela. Se é que ainda existe uma organização, três dos nossos foram presos e as coisas não estão indo bem. Widmore ligou pro Picket, atrás de você. Ainda pretende fazer o serviço pra ele?
- Goodwin tá na minha cola, Marshall! Estou de mãos atadas agora, vou ficar longe algum tempo. Mas vou voltar antes de sumir de vez, quero buscar minha pequena Inês.
- Vai mesmo seqüestrar a menina?
- Vou. Ela é minha filha, sangue do meu sangue, a única coisa boa que eu tenho.
- Mas se você a levar, Ana-Lucia vai atrás de você até no inferno.
- Não se ela já estiver nele.
- Então você vai...
- Preciso desligar, Marshall. Foi bom trabalhar com você, te vejo em outra vida.
Angel desligou o telefone e ouviu algumas batidas na porta. Ensaiando um de seus sorrisos frios, Angel mirou a mulher que estava à sua porta de cima a baixo.
- Você demorou! Está tão linda!
Os saltos dos sapatos dela ecoaram pelo quarto do motel.
- Não adianta me olhar desse jeito, sabe que nada poderá me deter!- ele tirou um cigarro do bolso e ela um isqueiro da bolsa, acendendo o cigarro pra ele. – Por que está sorrindo, querida? Estamos juntos aqui mas tem tantos motivos pra me odiar.
Angel fumou seu cigarro, pacientemente e a mulher ficou assistindo sem dizer palavra. Quando ele terminou e jogou as cinzas sobre um cinzeiro em cima do criado mudo, estendeu sua mão para a mulher a convidando para a sua cama.
A mulher aceitou a mão dele e o acompanhou.
- O mundo é cheio de surpresas, não é?
Ela sorriu maliciosa e o empurrou na cama, abrindo com força a camisa de Angel, destruindo os pequenos botões.
- Sempre assim...- ele comentou.
A mulher o beijou até que ele ficasse sem fôlego, e sentada sob os quadris dele, mexeu-se sensualmente para frente e para trás, mantendo-o imobilizado. Angel gemeu. Com um movimento rápido e imperceptível, a mão da mulher foi até o bolso de trás da calça que usava e uma faca militar pequena e precisa foi retirada de lá.
Angel Mariner não notou quando ela dirigiu a faca até o seu peito, apenas sentiu a dor de ter a carne sendo rasgada. Foi nesse momento que pareceu dar importância ao fato de que ela usava luvas pretas. Jamais pensou que ela fosse capaz de fazer isso.
Seus gritos estrangulados de dor diante da morte foram abafados por um travesseiro que ela pressionava com frieza sob o belo rosto do bandido.
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Sawyer observou o líquido vermelho e viscoso que tinha sido retirado de suas veias e agora era injetado naquele pequeno ser, tão frágil dentro de uma encubadora. Seu filho. Por que Juliet não lhe contara? Ele jamais teria renegado seu próprio filho, mesmo que amasse Ana-Lucia mais do que tudo.
Agora só queria que o menino sobrevivesse, para depois contar com a bondade da esposa. Ana-Lucia teria que entender aquela situação, o menino não tinha culpa nenhuma. Estava distraído observando o bebê através da incubadora que não percebeu que havia alguém atrás de si.
Levou um susto quando virou-se e se deparou com Benjamin Linus, com um semblante indecifrável no rosto. Sawyer não soube o que dizer para ele, foi Ben quem quebrou o silêncio.
- Soube que levou um tiro.- ele comentou.
- Sim.- respondeu Sawyer. – Mas ao que tudo indica, vou ficar bem.- ele olhou para o próprio ombro enfaixando o ferimento ocasionado pelo tiro sem explicação que ele levara em Cancún, naquela praia deserta.
- Então acho que deveria te dar outro.- disse Ben. – Afinal, dormiu com a minha mulher.
Sawyer alargou os olhos.
- Você tem sorte de que não tenho uma arma e de que não sei atirar.
- Olha, cara...
- Sawyer, me poupe de explicações. Sei exatamente porque isso aconteceu. Nunca fui um bom marido pra Jules, ela sempre mereceu algo melhor do que eu e é por isso que vou deixá-la. Vou simplesmente partir, dou entrada nos papéis de divórcio aonde eu estiver e ela só terá que assinar para se ver livre de mim.
- Vai mesmo deixá-la?
- Você ouviu o que eu disse.
- Mas e quanto ao Jimmy? Aliás, onde ele está?
- Está com uma bela enfermeira na lanchonete do hospital. Vai ficar bem. Eu estou indo pra casa agora, fazer as malas. Sabe, é o segundo filho que vou deixar pra trás por ser um imprestável incapaz de ser um bom pai.
- Não deveria falar com Juliet antes de fazer isso?- Sawyer questionou.
- Não, meu amigo.- Benjamin respondeu batendo de leve no ombro bom de Sawyer. – Tenho certeza que você será um bom pai pra esse garoto que acabou de nascer, e que sempre estará cuidando de Jules e do meu Jimmy. Adeus.
Benjamin Linus saiu do berçário do hospital deixando um Sawyer estupefato para trás. Jamais imaginou que o marido de Juliet tomaria uma atitude daquelas.
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Juliet abriu os olhos lentamente, tentando focalizar onde estava. Sentia uma mão quente e agradável acariciando a sua. Quando conseguiu ficar totalmente desperta viu o Dr. Richard Kane, olhando para ela com ternura e segurando sua mão.
- Eu conheço você?- indagou confusa. – Aqueles olhos não lhe eram estranhos.
- Temo que sim.- respondeu ele, com um sorriso. – Sou médico cardiologista aqui nesse hospital, mas nas horas vagas costumo salvar donzelas indefesas de maus-caracteres em becos escuros.
- Kane...- ela murmurou com a voz pastosa, afetada pelos medicamentos que tinham sido lhe injetados para a dor.
- Que bom que se lembrou, Jules, eu estava com medo de ter sido esquecido apesar de nosso único e breve encontro.
O banco, o tiro, Jimmy, seu bebê. Tudo veio à sua mente com força total.
- Cadê o Jimmy?- ela começou a apalpar a própria barriga. – E o meu bebê?
Ela tentou se erguer na cama, mas Kane a manteve deitada. Um fio de silicone ligava seu braço ao soro que estava sendo injetado em sua veia para hidratá-la.
- Acalme-se1 Fique deitada! Está tudo bem. Jimmy está aqui no hospital, são e salvo, e o seu bebê vai ficar bem. Um lindo menino.
- Sim, eu me lembro...- o momento do parto foi voltando á sua cabeça. – Mas e quanto ao sangue? Vocês disseram que...
- E você nos disse que o bebê precisava do sangue do verdadeiro pai, isso já foi providenciado.
- Sawyer?
- Por uma coincidência absurda, ele também está internado no hospital e já forneceu o sangue para o bebê. Já decidiu como vai chamá-lo?
- Não.- ela respondeu. – E o meu marido?- perguntou pesarosa. – Ele já sabe?
- Sim, ele sabe de tudo.
- Como ele reagiu?
- Me pareceu resignado.- respondeu Kane.
Juliet ficou calada por alguns minutos, antes de perguntar:
- Como é mesmo seu primeiro nome?
- Richard.- ele respondeu.
- Então esse será o nome do meu bebê, Richard.- disse ela, antes de cair em sono profundo novamente.
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Shannon ainda tremia de pavor quando ela e Sayid chegaram à delegacia para depor, depois de terem encontrado o corpo de uma mulher assassinada na estrada. Ela nunca tinha visto uma coisa tão horrível na vida, a mulher estava lá jogada, coberta de sangue com os olhos esbugalhados. Provavelmente essa imagem do rosto daquela mulher a perseguiria por muito.
Sayid a abraçou com força, e indagou:
- Quer que eu pegue um pouco de água pra você?
- Sim.- respondeu Shannon, com o olhar atordoado.
Ele levantou-se e se dirigiu até o bebedouro, enchendo um copinho plástico para ela. Uma detetive apareceu no corredor para falar com eles.
- Boa tarde, eu sou Marina Adler. Detetive de homicídios.
- Boa tarde.- respondeu Sayid entregando o copo de água para Shannon e apertando a mão da mulher. Shannon não respondeu ao cumprimento, a detetive olhou para ela. – Ah, desculpe, minha namorada ainda está muito abalada com o que encontramos.- disse Sayid.
- Certo. Acompanhem-me por favor até a minha sala.
Sayid deu sua mão a Shannon e eles acompanharam a detetive.
- Muito obrigada, por terem vindo depor.- disse a detetive, indicando duas cadeiras para que eles se sentassem. Já temos a identidade da vítima.
- E quem ela é?- perguntou Sayid.
- Letícia Miranda Sanchez, mexicana, 28 anos. Estava ilegalmente no país há quase cinco anos. Trabalhava em um restaurante chamado "A Escotilha", vocês conhecem?
- Fica perto da escola onde minha sobrinha estuda.- disse Sayid. – Mas nunca fui até lá.
- Meu primo costuma freqüentar muito o lugar.- comentou Shannon. – Mas eu também nunca fui.
- O corpo da moça já foi enviado para o instituto médico legal, como ela não tem família no país, nós já telefonamos para o restaurante e um de seus colegas de trabalho irá até lá fazer o reconhecimento do corpo.
- Tem alguma teoria sobre por que fizeram isso com a moça?- perguntou Sayid.
- Sabemos muito pouco ainda.- respondeu a detetive Adler. – Mas muito obrigada pela cooperação. Podem ir, se precisarmos de mais algum depoimento telefonamos para vocês.
- Certo.- disse Sayid, apertando a mão dela, Shannon também fez o mesmo, pela primeira vez esboçando um sorriso desde que chegaram à delegacia.
Quando o casal se retirou, o Diretor-Assistente do FBI, Goodwin, entrou na sala acompanhado do agente federal Marshall e a Capitã Raquel Cortez. Ao entrar, Marshall foi logo indagando:
- Já tem certeza da identidade da mulher que foi encontrada morta?
- Mandamos um funcionário do restaurante para reconhecer o corpo no Instituto Médico Legal, os resultados devem ser ainda hoje, na verdade eu estava indo para lá!
- Não, pode deixar que eu faço isso.- disse Marshall. – Você fez um bom trabalho detetive Adler, mas se a morte dessa mulher tiver alguma coisa a ver com Angel Mariner, o caso é da jurisdição do FBI.
- E desde quando você dá ordens aqui, Marshall?- repreendeu Goodwin, irritado. Aquele caso estava tomando dimensões catastróficas.
- Desculpe, senhor, mas é que achei que...
- A ajuda da Detetive Adler é muito bem vinda, aliás toda a ajuda que conseguirmos para encontrarmos Angel Mariner. Capitã?- ele se dirigiu à Raquel que falava ao celular.
- Sim, e quanto tempo faz que Kate saiu? Ok, minha neta está bem? Certo, por favor se Ana aparecer em casa, diga a ela que ligue pra mim. – Raquel desligou o celular e Goodwin a encarou com expressão interrogativa.
- Estava tentando encontrar Ana, mas não consigo! Ninguém sabe dela desde que deixou o St. Sebastian.- ela guardou o celular no bolso do sobretudo.
- Luvas pretas?- indagou Adler, olhando para as mãos da Capitã. – Pensei que ninguém mais na polícia usasse isto.
- Força do hábito!- respondeu Raquel com seriedade.
- Vamos ao Instituto Médico Legal agora mesmo, averiguar se a morte da tal moça tem a ver com Angel Mariner como desconfiamos. O carro encontrado ao lado do corpo foi o carro que ele usou para fugir com um comparsa após o assalto ao banco.
- Ainda não conseguimos a identidade da comparsa dele.- disse Marshall.
- Como sabe que é uma mulher, Marshall?- perguntou Raquel.
- Foi apenas uma suposição, Capitã.
- Então vamos parar com suposições.-falou Goodwin, impaciente. – Trabalhemos com provas! Vamos agora mesmo ao necrotério!
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Inezita assistia desenhos na TV com o gato sabe-tudo, enrodilhado em suas perninhas. Alex tentava ler um livro enquanto esperava que alguém chegasse para ela ir embora. Estava aflita aquela tarde porque Boone prometera que ia investigar o paradeiro do homem que se supunha ser seu pai.
Seu vizinho Karl se juntara à ele na busca, era incrível, mas depois que Boone parou com suas desconfianças acerca do rapaz, eles se tornaram muito amigos e agora ambos ajudavam Alex a desvendar seu passado.
Quando o seu celular tocou dentro da mochila, Alex quase gritou de ansiedade, mas conteve para não assustar Inês. Tirou o aparelho de dentro do bolso da mochila e foi até a cozinha atender.
- Oi amor. Descobriu alguma coisa?
- Eu e o Karl andamos a manhã inteira, não foi muito fácil, mas descobrimos que Benjamin Linus trabalha em um supermercado aqui do centro, como operador de caixa. Inventamos uma história pro gerente do supermercado dizendo sermos primos distantes dele e que precisamos falar-lhe com urgência sobre uma morte na família. O cara deu pra gente o endereço da casa dele, mas disse que não sabe se ele pode estar lá.
- Como não sabe?
- Porque houve um roubo hoje ao banco de Los Angeles e a esposa e o filho dele estavam lá, parece que ela tava grávida e eles estão no hospital. Eu e o Karl estamos indo agora pro St. Sebastian descobrir se ele ainda está lá.
Alex engoliu em seco.
- Você está bem, docinho?- perguntou Boone, carinhoso. – Talvez fosse melhor falar com a sua mãe antes de ir falar com ele.
- Não! Descubram se ele está no hospital, me juntarei a vocês assim que puder.- ela desligou o celular, e mal guardou o aparelho de volta na mochila quando a campainha tocou.
Inês saltou do sofá e jogou o gato de cima de seu colo. Um estrondoso Miau se fez ouvir, mas a menina não deu importância e correu para a porta gritando mamãe, mamãe! Mas quando Alex abriu, viu um homem bonito, alto de calça jeans, tênis e camiseta. Jack Shephard, ela se lembrava, estivera no aniversário da irmã dele.
- Boa tarde.- disse ele.
- Ah, é você?- falou Inês com o semblante frustrado.
- Nossa, por que toda essa tristeza em me ver Inezita? Não sou mais o Superman?
- Só se trouxer a mamãe pra casa.- disse a menina com voz de tolice, voltando para seus desenhos.
- Kate está aqui?- Jack indagou a Alex.
- Não, ela telefonou para eu vir ficar com a Inezita porque ela tinha que sair, mas não disse para onde ia e nem a que horas voltava.
Jack achou aquilo estranho.
- Aliás, Sr. Shephard, será que o senhor poderia ficar aqui no apartamento um pouco com a Inês esperando que alguém chegue? È que acabei de receber uma ligação urgente e preciso ir.
- Tudo bem.- respondeu Jack. Estava disposto a esperar por Kate mesmo.
Alex agradeceu, se despediu de Inezita, pegou sua mochila e saiu. Jack sentou ao lado da criança, imaginando aonde Kate poderia ter ido, de repente, Inês cortou seus pensamentos, dizendo:
- O homem mau está morto, mas ainda não acabou!
- O quê? O que você disse, princesa?
Kate entrou no apartamento nesse exato momento, estava com o semblante transtornado, os olhos verdes lacrimejantes, o peito arfando.
- Kate, o que... – ele começou a dizer, mas Kate correu para a cozinha e Jack a acompanhou, deixando Inês na sala.
Ela desabou em uma cadeira e abaixou o rosto, ela estava muito pálida.
- Kate, pelo amor de Deus, o que aconteceu?- ele se aproximou dela e tocou seus ombros, viu que as mãos dela estavam sujas de...sangue. – Isso é sangue? Você está ferida?
- Jack, eu...- ela disse com a voz trêmula, chorando.
- Kate!- ele gritou com ela. – O que você fez, de quem é esse sangue?
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Enrique sentiu vontade de vomitar ao ver o cadáver de sua amiga Letty desfalecido no necrotério, os olhos abertos e acusadores como se exigisse justiça para quem a tinha matado.
- É ela?- perguntou o legista.
- È sim.- respondeu ele, virando o rosto para não olhar mais para aquela terrível visão.
O legista agradeceu a presença de Enrique, ele assinou um documento e saiu da sala. Encontrou Hurley o esperando do lado de fora, o chefe tinha ido com ele para dar-lhe apoio.
- Era mesmo ela?- perguntou Hurley.
Os lábios de Enrique tremeram e ele começou a soluçar.
- Ela podia ser implicante às vezes, mas era minha amiga, chefe, desculpa eu...
- Não, tudo bem.- disse Hurley, pesaroso, dando tapinhas reconfortantes nas costas de Enrique.
- A Letty era um pouco avoada, mas não tinha inimigos. Se a mataram foi porque ela se meteu com gente errada. Aquele namorado dela...
- Você o conheceu?
- Não, mas ela dizia que ele era um homem da lei, duvido muito.
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Feito o reconhecimento do corpo, Goodwin tinha quase certeza de que Letícia Sanchez fazia parte da quadrilha de Angel Mariner, havia apenas uma ligação que ele ainda não tinha feito.
Marshall foi até a sala de necropsia para ver o corpo da namorada morto e esparramado em cima de uma mesa de metal fria. Sentiu o estômago revolver-se e correu para o banheiro mais próximo para vomitar.
Quando saiu de lá, tinha o semblante pálido e parecia que ia desabar no chão a qualquer momento.
- Você está bem?- indagou Raquel ao vê-lo saindo do banheiro.
- Eu...- ele começou a dizer, mas Goodwin apareceu no corredor agitando o celular e dizendo:
- Precisamos ir, Ana acabou de ligar, me disse que estava investigando por conta própria e encontrou uma pista de Angel.
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Cerca de duas horas depois, a pista que Ana-Lucia dissera ter descoberto os levou a um motel de beira de estrada, próximo à fronteira com o México. O proprietário do motel disse que nenhum homem com a descrição de Angel se registrara na recepção e que apenas uma mulher loira fizera o registro do quarto onde possivelmente poderia estar o bandido.
A polícia se preparou para invadir o quarto. Ana-Lucia estava à frente, ansiosa para prendê-lo com sua pistola na mão devidamente carregada, a mãe ao seu lado.
- Abra é a polícia!- ela gritou quando Goodwin deu a ordem tática para se aproximaram do quarto. O motel estava cercado. – Polícia!- ela gritou mais uma vez e nada.
Goodwin finalmente deu a ordem para a invasão. Ana-Lucia arrombou a porta usando os próprios pés com a ajuda de mais um policial tático. Quando eles entraram, o quarto estava em completo silêncio e com as luzes apagadas.
Raquel acendeu a luz e Ana fez uma expressão chocada diante do que viu à sua frente. Angel Mariner jazia na cama, ensangüentado, com ferimentos por todo o corpo e o rosto tingido de roxo como se tivesse sido asfixiado até a morte.
- Merda!- exclamou o policial que estava ao lado de Ana.
Ela tombou para trás, em estado de choque e foi segurada por Goodwin, não esperava por aquilo.
Continua...
