Capítulo 28 – Homme

Remus observou de longe Draco passar a mão pela testa da mãe mais uma vez, resmungando palavras de carinho e conforto, dizendo o quanto sentia falta dela. Ele poderia sorrir com as sensações que seu moitié o transmitia naquele momento. Draco estava preocupado, mas... leve. Havia um calor diferente do calor receptivo a que estava acostumado crescendo em seu peito, e Remus admirou a relação do garoto com a sua mãe.

Mas isso não foi o suficiente para tranquilizá-lo. Queria Draco bem e feliz, óbvio, mas, presenciando agora a relação entre os dois, começava a se preocupar com que tipo de reação Narcissa teria ao saber quem estava cuidando de seu filho nos últimos dias. Ele não esperava nenhum tipo de agradecimento afetuoso.

Os olhos cinzentos se voltaram momentaneamente para ele e Remus suspirou, tentando pensar em qualquer outra coisa. Draco estava começando a se incomodar com a sua ansiedade. Seus olhos recaíram sobre a figura de Snape.

Severus não havia deixado o quarto. Ele medicara Narcissa e Remus esperava que fosse dar as costas para ela e deixá-la aos cuidados do filho, já que ele mesmo dissera que era só exaustão, nada demais. Mas aparentemente a amizade que tinha com a família era o suficiente para mantê-lo aos pés do leito dela até que acordasse.

O que, aliás, estava acontecendo naquele momento.

- Oi. – Draco falou, baixo, vendo a mãe despertar, confusa – Está tudo bem. Você está segura. – ele garantiu, como se fosse a coisa mais lógica a dizer.

- Draco. – ela puxou a mão do filho para mais perto, beijando-a – Como você está?

- Bem. – ele respondeu, sorrindo, como para assegurá-la de que era verdade. Ele abriu a boca para perguntar mais alguma coisa, mas hesitou. Um olhar de entendimento passou entre os dois e a mulher fez um gesto de negação com a cabeça, sentando-se na cama em seguida.

- Onde estamos? – perguntou, analisando o lugar. Seu olhar passou por Remus, demonstrando uma centelha de curiosidade, mas fixou-se em Severus, que a encarava de volta.

- No covil de Greyback. – Draco explicou – Ele me acolheu a pedido de Potter e Remus.

- Potter? – ela perguntou, o cenho franzido em confusão, e seu olhar buscou a figura de Remus no canto do quarto mais uma vez, sem expressão.

- Sim. Potter é la moitié de Fenrir. – Draco explicou – E Remus... – ele hesitou por um minuto e Remus não soube se devia se aproximar ou não, mas sentia necessidade de estar junto a Draco neste momento – Remus é ma moitié, mãe. Se eu ainda estou vivo e bem é graças a ele.

- Pergunte a ela do seu pai. – a voz grave soou às costas de Remus e Draco o olhou assustado. Fenrir estava parado à porta do quarto, olhando sério para Narcissa – O que Lucius acha de sua vinda à minha casa, senhora Malfoy?

- Ele não sabe que eu estou aqui. – Narcissa falou, séria, praticamente sem respirar – Nós rompemos, Greyback. – e, com essa frase, segurou firme a mão de Draco sob as cobertas – Acredito que meu marido não está mais ciente de minhas atitudes tanto quanto de suas próprias. O limite da sanidade de Lucius é muito frágil nesse momento.

- Como você chegou aqui? – ele perguntou.

- Um feitiço de sangue que me levasse onde Draco estivesse. Não sabia que estava vindo para cá, exatamente. – o lobisomem a encarou hostil e ela completou – Eu vim em busca do meu filho porque não concordo com as atitudes de meu marido. E se puder provar isso de alguma forma para poder ficar com Draco sem a sua desconfiança, eu estou ao seu dispor.

Fenrir olhou para o garoto e depois para ela e não respondeu.

- O que pretendia fazer depois que o encontrasse? – perguntou, sério.

Narcissa encarou Remus em desafio antes de responder.

- Dar sua vida de volta.

Fenrir se voltou para Remus.

- Você tem supremacia de decisão sobre o garoto. Narcissa tem cinco dias para ficar aqui e então não respondo mais pela segurança dela. Se sofrermos qualquer ataque bruxo nesse período, vocês são os responsáveis.

Remus concordou com a cabeça e observou o lobo sair, fechando a porta.

- Severus, se puder nos dar licença. – ele pediu ao homem, recebendo surpreso um olhar hostil como resposta, antes que Narcissa acenasse positivamente, e então ele saísse em silêncio.

- Draco... – Remus começou.

- Eu não vou sair daqui. Essa conversa diz respeito a mim! – ele protestou.

- Você se precipitou me contando isso dessa forma. – Narcissa o repreendeu – Mas eu imagino que o vínculo entre vocês exigisse isso frente à tensão da minha presença. – ela encarava Remus – O que te faz pensar que eu sou uma ameaça a sua união com meu filho?

- O fato de ter permitido que o pai o expulsasse de casa, em primeiro lugar. Anos de humilhação social poderiam reforçar essa impressão, mas não quero que entenda isso como uma questão política, é do meu parceiro que estamos falando.

- Ele é meu filho, antes de mais nada. – Narcissa o corrigiu.

- Parem! – Draco pediu, se levantando do lado da mãe – O que vocês pretendem com isso, afinal?

- Eu pretendia te levar de volta para Londres e procurarmos uma casa para morarmos, mas devido às atuais circunstâncias...

- O papai mudou a lei? – Draco perguntou, sério, e Narcissa somente o encarou de volta – Então eu suponho que você seria a bruxa legalizada responsável por mim, responsável pelo meu sustento e por me manter longe da sociedade durante o resto da minha vida. Ah, e por me trancafiar a cada noite de lua cheia para não ter o perigo de eu matar ninguém, muito menos você. – Remus se aproximou, as mãos pousadas nos ombros de Draco em sinal de apoio – Não me toque. – Draco disse, sério, sem deixar de encarar Narcissa.

- Como eu disse, eu não imaginei essa situação. – Narcissa disse, atenta à interação dos dois.

- Não. Você provavelmente imaginou que me encontraria miserável, implorando por qualquer tipo de atenção e ficaria grato por você me oferecer um cárcere como aquele em que meu pai pretendia me manter.

- Draco, eu... – pela primeira vez, sofrimento ficou evidente no rosto de Narcissa.

- Eu acredito que você só queira o meu bem, mãe. E eu estou bem aqui. Gostaria que você ficasse feliz com isso tanto quanto eu estou feliz de te ver e ver a sua preocupação comigo.

E Draco deixou o quarto seguido por Remus. Severus esperava no corredor e entrou quando os dois saíram.

Ele fechou a porta com cuidado e se recostou a ela observando a mulher de longe. Os cabelos loiros caíam emoldurando o rosto que ele vira mudar com a idade, desde a época em que se conheceram no colégio, mas que continuava belo e de uma austeridade admirável.

Ela dobrou os joelhos, os abraçando contra o corpo, os olhos fixos no ponto em que Draco estivera sentado ao seu lado, e ele franziu o cenho com aquele gesto.

- Você nunca esteve tão frágil. – comentou, baixo.

Ela o olhou, sorrindo de leve e o chamando para perto com um gesto.

- Você sempre está por perto. – ela apanhou sua mão, o incentivando a sentar ao seu lado – O que aconteceu com meu filho, Severus?

- Ele foi transformado em lobisomem. – ele disse, sério, observando preocupado suas reações – E não culpe Remus. Ele tem feito o melhor que poderia fazer desde que soube que Draco havia sido mordido. Quem destruiu Draco não foi ele. Ouso dizer que nem mesmo Fenrir. - ela concordou com um gesto de cabeça – Como ele está?

- Completamente louco. – ela disse, amargura escorrendo por sua voz – Eu não reconhecia mais meu marido, Severus. Ele estava me assustando, estava me matando...

Uma lágrima correu por seu rosto e Severus tocou seus cabelos como um gesto de consolo. A mulher virou o rosto contra a sua mão, fechando os olhos. Ela não se importava de demonstrar toda sua tristeza para ele. Ele era, provavelmente, a única pessoa no mundo de quem ela não podia esconder o que sentia. E quando ele envolveu seus ombros, acomodando sua cabeça contra o peito firme, um beijo suave pousado nos fios loiros, ela aceitou aquele carinho pela primeira vez na vida. Agora não tinha razão para sentir culpa pelo vínculo que os unia.

Ela sentia que Severus não estava confortável ainda com aquele contato e se afastou, secando o rosto. Foram anos demais de negação, não havia como fazer qualquer tipo de sentimento surgir agora. A única certeza que ela tinha é que ele estaria por perto, zelando por ela e por Draco enquanto ela permitisse, como ele esteve durante toda sua vida.

- Cinco dias. – ela disse, séria, a voz ainda pesada.

- É tempo o suficiente para você pensar no que fazer. Não force Draco. Pode não ser o futuro que você sonhou para ele, mas tenho que concordar que ele tomou a melhor decisão. Remus daria a vida por aquele garoto, ele já provou isso.

Ela concordou com um gesto de cabeça, mas ele sabia que ela não estava convencida.

- O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, mudando o foco da conversa – Veio por Draco?

- Não. Potter.

- Ah. O filho da sua querida Lily. Soube que ele está casado com Fenrir.

- Ele ainda não o transformou.

- O que significa que ainda não é definitivo. – ela sorriu – Mas acho difícil ele escapar. Ninguém escapa de Fenrir. Até quando você vai ficar ao lado dele?

- Até ele dizer que não quer mais que eu fique. Até eu ter certeza de que ele está seguro e bem. Assim como ficarei ao lado de Draco.

- E então você estará liberto de sua Lily? – ela perguntou, suave.

- Eu já estou. Eu nunca vou esquecer, você sabe. Mas há muito tempo eu te procurei, Narcissa.

- Eu posso considerar isso agora. – ela comentou, séria – Eu tenho cinco dias.

Ele concordou, sentando-se ao seu lado, a aconchegando novamente contra seu peito.

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- Por que você falou daquela forma com sua mãe? – Remus entrou no quarto que Fenrir havia separado para os dois, trancando a porta. Ele observava Draco com atenção e não sabia dizer o que o garoto estava pensando.

Ele deu de ombros.

- Você reprova? Eu escolhi ficar com você.

- Não. Estou orgulhoso. Você tomou uma decisão que eu levei mais de 10 anos para tomar, por isso estou surpreso. Sua mãe estava te dando uma opção confortável que eu nunca vou poder te dar.

- Minha mãe está desesperada porque ela percebeu as atitudes do meu pai. Eu estou feliz por ela estar aqui, por ela ter me procurado, mas ela não sabe o que isso significa ainda. Ela não pode arcar com o que ela me ofereceu. Já você... – ele sorriu, se aproximando do homem – você me ensinou a confiar em você. E eu confio, Remus, porque eu posso não saber o que é ser um lobisomem, mas você sabe, e você nunca me condenou por ser um.

- Ela não te condena, Draco, ela só...

- Eu te amo.

A declaração fez o homem se calar e encarar o garoto, atento. Draco estava sério, olhando para ele, apreensivo.

- Não, você não ama. – Remus respondeu da mesma forma evasiva que Draco o havia respondido quando aquelas mesmas palavras deixaram seus lábios pela primeira vez – Você está comigo há pouco mais de uma semana e me fez o eixo do seu mundo porque é disso que você precisa. – ele se aproximou, beijando a testa de Draco – Eu não estou recusando seu amor, mas é muito pouco tempo e muitas mudanças para eu poder acreditar.

- Sabe o que mudou nesse tempo, Remus? – Draco o encarou, sério – Eu me tornei adulto. E parece que nem você nem minha mãe perceberam isso. Eu sei o que sou e sei tomar as minhas decisões e eu escolhi você, não por ser a melhor oferta, mas porque é o que eu quero e eu estou assumindo as consequências disso.

Remus o encarou por um momento, deglutindo aquelas palavras, e então sumiu com a distância que havia entre eles, tomando os lábios do garoto nos seus, suas mãos o segurando pelos ombros enquanto o sentia rir entre o beijo, até entreabrir os lábios e deixar que aprofundasse o contato entre eles.

Draco estava feliz. Pela primeira vez desde que Remus o reencontrou, ele estava satisfeito com algo. Não podia dizer com tudo, mas aquela felicidade pontual já era o suficiente para que o homem não duvidasse da veracidade de sua decisão. Draco queria ficar com ele, como lobisomem que era, viver com ele com o que ele pudesse lhe oferecer. E ser feliz com ele.

Seus braços o envolveram, segurando com força as vestes às suas costas, e Remus o abraçou também, puxando seu corpo mais para perto, sentindo-o por inteiro, seu calor, seu cheiro, enquanto a certeza de que o teria para sempre penetrava em sua mente no ritmo do beijo.

Remus só percebeu que sua ânsia por se aproximar do garoto os movera pelo quarto quando as pernas de Draco bateram contra a cama. O loiro rompeu o beijo por um momento, percebendo o obstáculo, e se deitou, puxando Remus com ele, dando continuidade ao que estavam fazendo.

O contato entre os corpos era muito maior agora e Remus sentia o calor de Draco o envolvendo, criando aquela atmosfera de desejo já tão familiar entre os dois. O garoto entreabriu as pernas, permitindo que os quadris dos dois se alinhassem, e ao perceber sua excitação, Remus interrompeu o beijo, puxando sua blusa até ter o peito de Draco nu sob o seu, e o garoto imitou seu movimento, tirando sua blusa também.

As mãos de Draco se fixaram em seu quadril, o estimulando a se mover contra o seu devagar enquanto sua boca passeava por seu pescoço e ombros. Remus o ouviu gemer, baixinho, e passou a traçar uma trilha de beijos por todo o seu peito e ventre, até chegar ao cós da calça, a abrindo sem deixar de beijá-lo.

- Vem cá. – Draco pediu, ofegante.

Remus se ergueu, tirando o que restara da roupa de Draco e as próprias botas antes de se deitar novamente sobre o corpo nu do garoto, voltando a beijar sua boca enquanto sentia suas mãos trabalharem na própria calça, empenhado em despi-lo e tocá-lo de forma íntima em seguida. O contato de sua nudez com a de Draco o fez ofegar e ele chutou as próprias calças para longe, sentindo o loiro abraçar sua cintura com as pernas em um pedido mudo que ele não demorou a atender.

Devagar, a testa pousada contra a testa de Draco, os olhos fechados em confiança mútua, os corpos se uniram. Cada movimento marcado pelos gemidos de ambos, as bocas próximas demais se tocando, as respirações confusas. E quando Remus investiu mais forte, as mãos trêmulas de Draco seguraram firme em suas costas, as unhas ferindo sua pele enquanto sua cabeça se inclinava, a face corada revelando o prazer que os movimentos contínuos produziam em seu corpo.

- Eu te amo. – Remus sussurrou em seu ouvido e Draco se voltou para beijá-lo de forma trêmula, seus dedos se perdendo entre os cabelos castanhos, as palavras incoerentes entre gemidos.

Ele aumentou a velocidade, as bocas ainda unidas, a respiração difícil, a força excessiva dos braços em volta de seu corpo, das pernas que o impulsionavam, pedindo por mais, das palavras perdidas. Remus sentiu sua consciência se perder nos sentidos quando Draco o abraçou novamente, o rosto escondido contra seu ombro, o corpo tremendo involuntariamente, e Remus o acompanhou, em êxtase.

O silêncio os envolveu na forma de respirações descompassadas, os corpos ainda unidos pelo suor e o cansaço. Remus deslizou um pouco, apoiando sua cabeça contra o ombro de Draco e o garoto o encarou, sério. Seus dedos afastaram os fios longos do cabelo de Remus do seu rosto e contornaram seus traços. O homem segurou sua mão, beijando cada dedo demoradamente, aproveitando aquele carinho.

Eles estavam juntos. Agora ele sentia isso.

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Homme – homem, em francês.

NA: Eu adoro esse capítulo! Eu curto o Draco nele XDDD

Pessoas, fim de semana que vem eu não vou postar porque eu estou terminando a formulação da minha dissertação de mestrado, então meio que vou me trancar em um iglu – assim que eu encontrar um – e trabalhar até terminar sem pensar em mais nada.

Mas aceito comentários nesse meio tempo para me fazer feliz e voltar a escrever quando eu terminar XDD

Beijos!