Uma Questão Sirius
Capítulo 28 – O Lado Errado da Cerca
Enquanto Dumbledore estava falando com Snape e Hagrid, Sirius entrou na ala hospitalar, parecendo pronto para matar.
"Sirius," disse Harry, "Estava me perguntando onde você estava."
"Desculpe. Enquanto você ainda estava tendo sua visão, deixei a cabana do Hagrid para tentar encontrar Karkaroff. Não consegui encontrá-lo."
"Aposto que o traidor está a meio caminho da Bulgária agora!"
"Acho que não, Harry," disse Hermione, pensando fundo. "Acho que podemos presumir que ele pôs o seu nome no cálice, e então vai morrer quando a primeira tarefa acabar."
"Então?"
"Então, só há uma razão porque ele nos teria mandado para Voldemort. Lembre-se de sua visão anterior! Lhe foi prometida ajuda contra aquela maldição."
"Duvido que Voldemort vá ajuda-lo agora," disse Sirius, "mesmo se ele puder de alguma forma."
"Não a menos que ele consiga entregar..."
"Minha cabeça em uma bandeja."
"Sim," ela disse, dando tapinhas nas costas do Harry. "Espero que Karkaroff apareça! Posso dar a ele o que lhe aguarda." Um olhar sombrio cruzou a cara do Sirius. "Será melhor do que os dementadores."
Uma semana se passou sem problema na escola. O Profeta Diário relatou que aulas de defesa seriam oferecidas para o público em geral por dez Sicles a lição do famoso Auror aposentado, Alastor Moody. Depois de ver a figura dele no papel, Harry se perguntou quantas pessoas realmente assistiriam a aulas ensinadas por alguém com uma aparência daquelas. No final, com Voldemort de volta, ele supôs que a maioria das pessoas aceitaria toda ajuda que pudesse conseguir. Também relatou os assassinatos de algumas famílias trouxas por Comensais da Morte, mas ninguém atacou Harry.
Harry estava surpreso de encontrar um novo professor na aula de Trato das Criaturas Mágicas. Uma mulher chamada Professora Grubbly-Plank estava cuidando da lição daquele dia. A professora disse que não sabia onde Hagrid estava ou quando ele voltaria quando Harry perguntou. Ela levou a turma para uma árvore à beira da floresta onde um unicórnio estava parado."
"Oh, eles são lindos," várias das garotas proclamaram. Então a professora substituta mandou as garotas fazerem carinho nele enquanto os garotos se afastavam.
Depois de uma jornada agradável para Hogsmeade (onde Harry comprou para sua namorada uma dúzia de rosas) naquele sábado, Harry e Hermione caminharam em volta do lago, de mãos dadas e aproveitando a companhia um do outro quando Harry notou um movimento perto da beira da floresta.
"Alguém está lá!" disse Harry, andando naquela direção, "se esgueirando pela floresta. Poderia ser Karkaroff?"
"Acho que não," ela respondeu, "julgando pelo tamanho eu diria que pode ser o Hagrid."
"Vamos olhar de perto."
"Não podemos, Harry! Pode ser perigoso."
"Tem razão, Hermione. Volte para o castelo. Estarei lá em breve."
"Eu quis dizer nós dois!"
"Shh!" Harry disse, continuando naquela direção. "Não é assim que o Hagrid se veste. Acho que é a Madame Maxime. Me pergunto o que ela está aprontando."
"Provavelmente tem algo a ver com aquele estúpido torneio."
"Talvez ela esteja trapaceando."
Harry seguiu andando, então Hermione suspirou e proclamou, "Queria que ao menos tivéssemos a sua capa."
À medida que andávamos o perímetro da floresta, ficando a uma boa distância da diretora de Beauxbatons, eles ouviram rugidos à distância. Hermione pegou a mão do Harry com mais força do que já segurava. Ela se aproximou de uma cerca com vários bruxos do outro lado almoçando a cerca de vinte metros de gaiolas gigantes contendo três dragões. Harry e Hermione se afastaram por um momento olhando até que viram uma grande rocha atirada da floresta e direto na cabeça da Maxime por trás. Ela caiu inconsciente.
Hermione correu para ajuda-la enquanto Harry apontava sua varinha na direção de onde a rocha viera. "Petrificus Totalus," ele ouviu a voz de Karkaroff gritar enquanto sua namorada congelava no lugar, caindo de cara no chão.
"Bem feito, sangue-ruim!" disse outra voz com a qual Harry era familiar. Ambos Karkaroff e Lúcio Malfoy saíram da floresta. "Sr. Potter. Que surpresa agradável. Estávamos discutindo como atraí-lo e você veio a nós."
Antes que Harry pudesse fazer alguma coisa, Lúcio havia realizado algum tipo de feitiço de levitação nele quando ele estava pendurado de cabeça para baixo e estava movendo sobre a cerca enquanto Igor estava pegando Hermione e posicionando seu corpo imóvel contra a cerca. "Agora você pode olhar indefeso enquanto seu namorado patético é cozido e comido pelos dragões!"
Lúcio deixou Harry cair na frente da jaula que continha um Rabo-córneo Húngaro, e então lançou uma barreira entre os domadores de dragão para que eles não pudessem ajudar ninguém. Karkaroff magicamente abriu as jaulas uma por uma. As feras ainda estavam acorrentadas às gaiolas para que não pudessem fugir, mas as correntes tinham cerca de trinta pés. "Agora temos que deixa-los. Uma pena não termos o tempo para ver vocês morrerem lentamente. Bom dia." Ambos Lúcio e Igor segurou uma chave de portal e desapareceu.
Harry estava momentaneamente assustado demais para se mover quando ele olhou nos olhos de um dragão, mas seus instintos assumiram o controle quando ele se preparou para cuspir fogo nele. Ele rolou para fora do caminho bem a tempo só para encontrar outro dragão, o Focinho-curto Sueco, olhando para ele. Ele foi atingido por trás por alguma coisa que sentia como uma árvore. Enquanto estava voando a cerca de vinte pés, ele percebeu que deve ter sido a cauda do rabo-córneo. Felizmente, ele não foi atingido com a ponta daquele rabo, ou ele estaria morto. Do jeito que estava, ele acreditava que algumas de suas costelas estivessem quebradas. Ele estava miraculosamente ainda segurando sua varinha.
Hermione assistiu sem esperança, congelado em uma posição para assistir essa cena horrível. Ela percebeu que ela nem tinha a habilidade de chorar enquanto no total corpo-preso. Harry aterrissou na frente do Meteoro-Chinês, que estava se preparando para fazer dele uma bola de fogo. Harry se moveu para fora do caminho, mas não antes que seus robes pegassem fogo. Ele rapidamente os tirou, queimando ambas as mãos no processo. Ele estava aliviado que sua varinha não pegou fogo. Ele atirou um silencioso 'Estupefaça' na fera, só para o raio ricochetear da pele pelo céu. Em desespero, ele lançou um silencioso 'Reducto' na cara do monstro. Atingiu o focinho, levemente movendo a cabeça para trás, o enraivecendo.
Carlinhos Weasley assistiu horrorizado enquanto o garoto que sua mãe contava como outro filho foi atingido pela cauda do Meteoro-Chinês de volta para o Rabo-córneo Húngaro que o atingira há um minuto. Ele sabia que Harry tinha que ter várias costelas quebradas agora. Ele estava realmente surpreso que o menino-que-sobreviveu ainda estava vivo. Ele estava impressionado que seu feitiço tivesse conseguido alguma reação do Meteoro. Ele pensou que Harry seria um bruxo muito poderoso; isso é, se ele de alguma forma sobreviver a isso. Ele se reuniu a seus colegas lançando feitiços na barreira os segurando.
Harry estava deitado de costas assistindo sem esperança enquanto o Rabo-córneo se preparava de novo para assá-lo. Ele viu a boca aberta do monstro e teve um flashback de sua luta há muito tempo atrás com um basilisco. Desta vez, em vez de uma espada, ele tinha uma varinha. Concentrando todo o poder que tinha, Harry atirou um 'Reducto' direto na boca dele. A fera berrou de dor enquanto voava para trás, de cabeça, no Focinho-curto Sueco, aterrissando no topo dele. Enquanto o Meteoro estava correndo até ele, Harry, suspirando pesadamente, virou sua varinha no próprio peito. "Wingardium Leviosa." Ele rapidamente se levantou direto no ar.
A garota de cabelo de arbusto assistiu impressionada enquanto seu namorado voava direto ao ar, além do alcance do Meteoro-Chinês, mas se perguntou como ele aterrissaria. Ela repentinamente ouviu movimento atrás dela e temia que seus agressores tivessem voltado.
"Finite Incantatum!" disse Madame Maxime de trás da garota de Hogwarts. Ela acabara de acordar com uma terrível dor de cabeça, e viu a morena presa na cerca.
"Você tem que ajudar o Harry!" Hermione gritou enquanto lágrimas finalmente começaram a escorrer pelas bochechas dela. Ela apontou para ele no céu. "Obrigada, a propósito."
"Não há de quê, criança." A meia-gigante olhou no ar. "Se o abaixarmos até o chão, os dragões irão pegá-lo. Ele vai precisar de uma vassoura."
Máxime apontou sua varinha na direção da carruagem dela enquanto Hermione via seu namorado. Ao mesmo tempo que uma vassoura chegava da floresta, os manuseadores de dragão passaram pela barreira do Malfoy e começaram a atirar no Meteoro e no Focinho-curto. O Rabo-córneo não se mexia desde que foi atirado do Focinho-curto.
"Sou grande demais para caber duas pessoas numa vassoura. Você terá que voá-la até ele."
Hermione engoliu em seco. Harry estava pelo menos a cinqüenta pés no ar. "Posso fazer isso," ela suspirou para si mesma. Ela pegou o que podia identificar como uma Nimbus 2001 da Maxime e montou nela.
Harry estava se cansando rapidamente enquanto mantinha sua varinha apontada para si mesmo. Ele também estava se sentindo leve. Ele provavelmente já teria desmaiado se não estivesse sentindo tanta dor. Ele pensou que todas as suas costelas estavam quebradas e se perguntou por quanto tempo estaria na ala hospitalar desta vez quando caísse. "Se eu cair," ele se corrigiu. De onde ele estava, ele viu a vassoura voando pela floresta e sorriu para si mesmo até ver a sua namorada montada nela. Ela ganhou prática voando no verão, mas não a esse nível de habilidade. Ele sabia que ela era um gênio, e boa de briga, mas ele não tinha tanta confiança em sua habilidade para voar a esta altura e puxá-lo para a vassoura sem perder equilíbrio, e voar para baixo com ele. Ele também sabia que ele não seria capaz de ajudá-la estando ferido.
Ela decolou fácil o bastante, e apontou direto para Harry. Ela não estava preocupada com o simples vôo. Estava com pegá-lo na vassoura. Quando ela se aproximou dele, ela nervosamente disse, "Oi."
"Hã, oi."
"Precisa de ajuda?" ela disse com um sorriso preocupado. Ela lentamente manuseou a vassoura bem abaixo dele e subiu até estar em uma posição em que ele pudesse agarrá-la.
Ele o fez com uma mão e aterrissou atrás dela, gritando em agonia enquanto ele sentia suas costelas quebradas. A vassoura estava subindo e ele podia dizer que ela estava lutando para rebalancear a vassoura. Ela estava também chorando. "Lamento! Não sou muito boa nisso. "Eu..."
"Shh. Apenas relaxe e voe acima da floresta dentro da escola."
"Mas é contra..."
"Hermione. Sei que tenho ao menos algumas costelas quebradas, e quem sabe o que mais há de errado comigo. Preciso chegar até a Madame Pomfrey depressa." Ele estava cansado enquanto dizia isso. Ele conseguiu pôr sua varinha num bolso para que ele pudesse pôr seus braços em volta dela para um melhor equilíbrio.
Ela logo desceu na frente do castelo e pegou a varinha dela, realizando um feitiço para abrir a porta. Ela sabia de 'Hogwarts, Uma História' que quando o castelo está trancado, esse feitiço não funcionará. Ela voou para o salão e por um canto, passando por Filch, que começou a correr e gritar com ela. Ela não parou até que estivessem na ala hospitalar.
"Srta. Granger! Sr. Potter. Qual o significado…" Nesse momento, Pomfrey notou o olhar na cara do Harry e algumas de suas feridas. "Deixe-me levitá-lo para uma cama."
"Cuidado. Ele pensa que tem umas costelas quebradas."
Depois que a curadora da escola levou seu paciente com segurança para uma cama (na qual ele prontamente desmaiou) e o estava examinando, o Sr. Filch correu para o quarto. "Peguei vocês agora, Granger, Potter! Vocês serão..."
"Sr. Filch! Se você abrisse os olhos e visse alguma coisa além dos assoalhos imundos, teria visto que o Sr. Potter está seriamente ferido! A Srta. Granger o trouxe a mim usando o meio mais rápido disponível para ela. Ela devia ser recompensada, não punida! Se necessário, levarei isso até o diretor. Agora, saia da minha ala hospitalar!"
Ela disse tudo isso sem interromper seus exames. Filch saiu da ala resmungando sobre o quão injusto isso foi. Hermione disse, "Obrigada."
"De nada. Agora, o que aconteceu dessa vez?"
"Ele foi atacado por dragões."
Os olhos dela se esbugalharam enquanto ambos Maxime a Carlinhos correram para a sala. "Como ele está?" perguntou o ruivo.
"Acabei de curar cinco costelas quebradas e estou agora tratando das queimaduras nas mãos dele. O que houve? Sei que ele não estava no torneio."
As três testemunhas explicaram isso juntas enquanto a curadora ouvia em silêncio. Até que Carlinhos disse, "...e ele matou o Rabo-córneo!"
"O quê?" perguntou Pomfrey, certa de que ela estava ouvindo errado.
"Ele atirou um poderoso 'reducto' na boca do dragão e o matou! Não pude acreditar! Eles estão trazendo um substituto para que ainda possa haver um torneio."
"O couro de dragão pode ser usado como armadura?" perguntou Hermione.
"É, assim como jaquetas, botas e várias outras coisas."
"E sangue de dragão tem doze usos." Ela acrescentou.
"Certo," disse Carlinhos com um sorriso.
"Então, o Harry pode ficar com os restos do Rabo-córneo?"
Os olhos de Carlinhos se esbugalharam. "O quê?"
"Quero dizer, ele foi atacado por um dragão que vocês guardadores de dragão deviam estar guardando. É o mínimo que vocês podem fazer."
"Eu, eu..."
"Acho que seu empregador estaria honrado em dá-los ao famoso Harry Potter. Odiaria que a imprensa soubesse que ele recusou o pedido."
"Terei que falar com ele."
"Não será necessário," veio uma voz detrás do Carlinhos. Ele olhou em volta para ver seu chefe. "Harry Potter certamente pode ter os restos com nossas desculpas."
"Obrigado, senhor."
"Nós só pedimos que mantenha em segredo até terça de manhã que os campeões vão encarar dragões."
"Mas Madame Maxime sabe," Hermione disse, indicando a meia-gigante que estava ouvindo. "Ela contará à Fleur Delacour."
"Não contarei não!" ela disse enquanto se deitava na cama com sua cabeça ferida, planejando quebrar a promessa enquanto um aterrorizado Sirius Black entrava no quarto.
"O que aconteceu com Harry agora?"
