Foi com sussurros, chamando seu apelido, e beijos suaves ao pé do ouvido que ela acordou na madrugada do dia 18 de dezembro.

"Já é de manhã?" Rachel perguntou, com a voz sonolenta, virando-se para Finn, enquanto tentava não acordar Zoey, dormindo envolta por seu braço esquerdo. Coçou os olhos para tentar mantê-los abertos e percebeu, pela janela, que pelo menos ainda escuro estava.

"Não, mas já passou da meia noite." Respondeu o quarterback, com seu sorriso torto sendo iluminado pelo abajur. Ela demorou um pouco pra entender o que aquilo significava, mas sua tese foi confirmada quando as seguintes saíram da boca dele, invadindo seus ouvidos. "Feliz aniversário, Rach."

Um sorrido tomou conta do rosto da baixinha. "Obrigado, babe." Disse, recebendo um beijo delicado e cuidadoso nos lábios.

"Não me surpreenderia se minha mãe e o Kurt invadissem meu quarto de manhã, então quis te dar parabéns primeiro que todo mundo." Explicou ele, voltando à posição incial, deitando-se envolvendo Rachel e Zoey e observando a pequena Hudson-Berry dormir tranquila, ouvindo as batidas do coração da mãe.

A morena soltou uma pequena risada com o comentário, apreciando o esforço que ela sabia que Finn tinha feito para acordar no meio da noite, mas continuou em silêncio, não sentindo a necessidade de dizer algo naquele momento. O quarterback já estava pronto para fechar os olhos para voltar à dormir, quando sentiu aqueles olhos castanhos sendo virados para ele mais uma vez.

"Você me faz muito feliz, sabia disso?" Ela admitiu.

"Por que está dizendo isso?" Ele perguntou, confuso, apesar de feliz com a declaração.

"Porque é a verdade." Rachel disse por fim, com um pequeno sorriso, antes de fechar os olhos e voltar a dormir.

Ao contrário do esperado, ninguém invadiu o quarto em que eles dormiam de manhã, mas a morena acordou sozinha na cama, - sem sinal de Zoey, nem de Finn -, e, ao descer as escadas, encontrou todo mundo gritando surpresa em frente à um bolo na sala de jantar. Ela recebeu muitos abraços, muitos cumprimentos, muitos beijos, - de Finn, óbvio -, alguns presentes e derreteu por dentro com a fofura da filha batendo palmas.

O café-da-manhã foi bolo, claro, e mais algumas coisas que Carole havia preparado e Puck apareceu, com a cara amassada de tanto dormir, pra dar parabéns à Rachel e, secretamente, ver Quinn. A loira ficou feliz em vê-lo e se descobriu tão apaixonada à ponto de rir das piadas sem graça que ele fazia. Estavam tentando uma aproximação ao perceberem que aquela toda relutância para não ficar juntos não tinha sentido algum.

"Entediada?" Quinn sentiu-se pular pelo pequeno susto que a voz grossa de Puckerman lhe causara.

"Nunca fui de apreciar cidades pequenas, já que nunca saí de Nova York, mas acho que Lima me conquistou." A loira afirmou, observando, pela janela da cozinha, a intensa guerra de bolas neve que ocorria entre Finn, Kurt, Blaine, Burt, Carole, Rachel, e podia-se dizer que Zoey também, no quintal coberto por um manto branco.

"Inverno não é a melhor fase daqui." Ele afirmou, enquanto se punha ao lado da advogada. "No verão dá pra ver as estrelas."

Os olhos verdes dela se voltaram para ele, brilhando com o que o homem de moicano havia lhe dito. Sempre fora tão fascinada por astronomia, desde muito pequena, e até havia ganhado um telescópio de aniversário de doze anos, mas ver as estrelas à olho nu havia se transformado em um sonho que as luzes da Grande Maçã dificultavam em realizar.

"Além de, claro, podermos passar mais tempo aqui." Completou Puck, sabendo que, no dia seguinte ao Natal, eles já estariam voltando para Nova York.

Um silêncio total só não os envolveu porque todos lá fora davam gargalhadas e gritos felizes. Os dois ali dentro mantinham uma certa distância física, enquanto ambos encaravam a janela. Finn e Rachel arrumavam qualquer desculpa e momento para se beijarem e a pequena Zoey comia neve no colo da avó.

"Você realmente estava falando a verdade quando disse que me amava?" A loira quebrou o silêncio, relutante para encará-lo novamente, porque se encarasse, perderia a coragem de dizer tudo que queria.

"Yeah." Ele respondeu simplesmente, voltando seus olhos esverdeados para ela.

"V-Você ainda sente isso?" Perguntou, sentindo seu interior estremecer.

"Eu sinto, Quinn."

Então, o silêncio cortou o ar novamente.

Ela respirou fundo, ainda procurando as palavras certas. "E você está disposto à aguentar todas as minhas paranoias? Como o fato de termos que esperar cinco encontros pra transarmos e dois meses para dizermos que amamos um ou outro, porque assim não é rápido demais. Que eu gostaria de me casar em Las Vegas, porque eu acho que quando você acha a pessoa certa, a cerimônia de casamento não importa. Que crianças me irritam, mas eu quero ter filhos mesmo assim..."

"Quinn?" O homem de moicano à chamou. Foi só então que ela percebeu que estava tagalerando.

"O que foi?"

Ele se virou para ela, pegou em uma das suas mãos e levou-a pra perto das escadas, onde ninguém podia vê-los do lado de fora. "Eu aceitei todas essa 'paranoias' quando eu disse que te amo e que queria ficar com você." Afirmou, alargando o sorriso no seu rosto proprorcional ao dela.

"M-Mas e se a gente não der certo, apesar de tudo?" Ela perguntou, em momento de insegurança.

"Se for pra tudo dar errado, quero que seja com você." Afirmou, não perdendo tempo em colar os lábios nos dela.

Pode-se dizer que o segundo beijo de Puckerman e Fabray foi bem melhor que o primeiro.

~x~

Finn convocou o melhor amigo para algo muito importante após o almoço. Rachel havia ido colocar Zoey para dormir e ele saiu com a desculpa de que iria ver se o Breadstix ainda estava funcionando, - mesmo com sua mãe dizendo que sim -, porque ele queria levá-la para jantar no único restaurante realmente bom que Lima possuía. Bom, de verdade, ele queria ir lá com ela, pois não queria ficar trancado dentro de casa logo no aniversário da morena, mas ele saiu pelas ruas da cidade com Puck para outra coisa de importância maior.

Os Pillsbury era uma das famílias mais influentes da pequena cidade de Ohio. A arte da joalheria passava de geração pra geração da famílias desde meados do séculos XIX e, hoje, Lima comportava a maior das três fábricas que possuíam. E apesar da joelharia estar fechada, Emma, por ser amiga de Carole há muito tempo e ter um grande apreço pela família Hummel, aceitou receber Finn.

O quarterback já sabia que mais cedo ou mais tarde a necessidade de sair de casa e comprar um anel de noivado para Rachel ia aparecer. E como ele mesmo previu, não demorou muito. A decisão de pedir alguém em casamento, portanto, envolvia três passos: querer pedir, escolher o anel e fazer o pedido, sendo que nenhum que o processo falhava de alguma dessas etapas não fosse feita.

Estava em dúvida entre três anéis.

Desbruçou sobre o balcão e encarou-os como se eles gritassem para serem escolhidos. Passou, então, à observar um de cada vez, analisando suas características. Cada um tinha sua beleza, sua delicadeza com diamantes de tamanhos diferenciados, mas na quinta analisada, ele achou um preferido.

Puck e Emma haviam deixado claro que preferiam o do meio, mas ele logo apontou para o da direita. Havia um coração em forma de diamante, que o lembrava muito Rachel por ser pequeno e delicado como ela, além de ser raro e de que a pessoa que o encontrasse poderia se considerar sortuda.

Tinha, exatamente, tudo a ver com ela.

Saiu da loja, - pelos fundos -, agradecendo Emma, e muito feliz com a sua compra. Entrou no carro, tentou interrogar Puck pelo fato de ele estar mais que feliz depois que saíra da fazendo, mas o homem de moicano não disse nada, porém, ele entendeu tudo quando chegou em casa e viu Quinn entrando no carro do melhor amigo.

Guardou a caixinha do anel entre as frestas do seu closet, onde tinha certeza que ninguém ia achar, e se perguntava quando seria o momento perfeito para pedi-la em casamento. Talvez naquele dia, pois era o aniversário dela, mas ele ainda tinha que se preparar psicologicamente e, além do mais, tinha outros planos para a noite ainda nem começada do dia 18 de dezembro.