Capítulo 28

CAPÍTULO BONUS – NARRADO POR MARCUS VITAVERZA

Depois de uma semana preso no quarto de Neville Longbottom, eu já estava mais ou menos acostumado com o dia a dia ali. Neville saía pela manhã para dar aulas e costumava voltar no meio da tarde. Na hora das refeições algum elfo doméstico da escola me trazia um prato bem servido, ordens da diretora McGonagall que sabia da minha presença ali. Dei graças aos céus por Longbottom ser um homem grande, de forma que eu pude usar suas roupas. Claro que haveria desconfiança se houvesse movimentos de pessoas indo até a minha casa buscar meus pertences.

Os aposentos privativos de Longbottom eram um amplo cômodo no térreo do castelo, composto por uma confortável cama de casal, uma mesa redonda de mogno com quatro cadeiras, uma poltrona bastante confortável, duas estantes altas com livros e um guarda roupas. Havia também uma entrada para o banheiro e uma porta que dava para a sala de aula, por onde eu tinha entrado uma semana antes.

Algumas plantas da coleção de Neville que, acreditava eu, não podiam ficar expostas à luz natural ficavam dentro do quarto. Havia uma porta larga, de correr, que levava a uma espécie de estufa particular, na qual ele trabalhava às vezes por horas a fio. Na primeira vez que eu ficara observando ele levantar vasos pesados, usando uma camiseta de malha fina para aguentar o calor que fazia dentro da estufa, eu me peguei admirando seu corpo. Eu jamais teria imaginado que o trabalho de um professor de Herbologia seria tão pesado... acho que a professora Sprout provavelmente usava feitiços ou pedia ajuda de alguém pra cuidar das estufas da escola.

Longbottom quase não tinha falado comigo, mas aquilo não me incomodava. O que estava me enlouquecendo era estar preso ali sem poder fazer nada para proteger Kim, sabendo que Kinoss estava atrás dele. Eu já não dormia bem desde de a morte de Giuseppe, mas as coisas vinham piorando muito, e a sensação de impotência estava me mantendo completamente desperto a noite.

Um dia, por coincidência, descobri que quando eu me sentava na enorme e confortável poltrona que havia no canto dos aposentos de Neville, meu sono vinha com mais facilidade. Comecei a cochilar ali algumas horas por dia, quando ele estava dando aulas.

Naquela segunda feira, dormi tão profundamente durante a tarde que não acordei com o barulho de Longbottom entrando no quarto. Eu estava exausto de muitas noites em claro. Quando despertei ele estava parcialmente debruçado sobre mim, seu corpo estava suado, e ele exalava um cheiro denso e masculino. Obviamente estivera trabalhando nas estufas de Hogwarts.

- Eu não me importo que você durma na cama. – ele falou, não era um tom agravável, apenas prático.

Longbottom era uma pessoal essencialmente prática. Na primeira noite, achei que ele fosse tentar um outro arranjo, conjurar alguns cobertores e me fazer dormir no tapete. Mas ele não tinha frescura, tinha botado um travesseiro do outro lado da cama pra mim, se virado de bruços e dormido confortavelmente como se eu nem estivesse lá. Se ele não se importava de dormir na cama comigo de noite, ia ser a última pessoa a se importar que eu tirasse um cochilo na cama dele durante o dia.

- Eu sei. – eu respondi. – Mas não estou conseguindo dormir. Não sei porque aqui parece que o sono vem mais fácil.

Ele abriu um raro sorriso. Havia exatamente uma semana que eu estava ali e até então Longbottom não tinha me dirigido um único sorrisinho, nem que fosse de desprezo ou escárnio.

- É a Scrophulariaceae nigrum. – ele falou, acenando com a cabeça para uma pequena árvore preta, envasada, posicionada ao lado da poltrona na qual eu estava sentado. – Ela acalma você.

- A árvore? – eu perguntei, surpreso.

- Sim. – ele respondeu e pareceu irritado de repente. – Venho tentando convencer o St. Mungus a me deixar usá-la no caso dos meus pais, mas eles insistem que as propriedades da Scrophulariaceae nigrum são mitológicas.

- Seu pais? – eu perguntei, como um reflexo.

E então cheguei à conclusão óbvia. Seus pais eram Franco e Alice Longbottom, tinham sido torturados até a loucura na primeira guerra contra Voldemort, quando Neville ainda era um bebê. Claro que eles estariam internados até hoje no St. Mungus, sob os cuidados dos Medibruxos especializados. Ele não me respondeu nada, me deixando concluir sozinho a que ele se referia.

- Preciso de um advogado. – ele suspirou.

- Draco é muito bom. – eu respondi.

Ele franziu a testa, mas não continuou o assunto. Vi que ele cortava um minúsculo pedaço de uma folha negra da árvore e o amassava em uma colher, com um pouco de água.

- Tome, vai se sentir melhor. – Longbottom falou, me estendendo.

Normalmente não aceitaria, eu não era chegado a poções e beberagens calmantes. Muito menos uma não aprovada pelo Conselho de Medibruxaria e recomendada por um homem com quem eu praticara bullying a infância toda.

Mas eu não estava nada bem. Desde a noite do noivado de Blaise, eu senti a ameaça nos olhos de Kinoss, parece que tudo tinha voltado à tona. Eu vinha revivendo a morte de Giuseppe o tempo todo na minha mente, criando a cena na minha cabeça, de mil maneiras diferentes. Já era tarde demais quando eu o alcancei, eu ainda guardava a memória vívida de seu corpo morto, inerte nos meus braços. Seu rosto outrora tão lindo desfigurado por aquele projétil.

Eu estava enlouquecendo. Não podia mais aguentar.

Peguei a colher das mãos de Neville Longbottom e engoli o conteúdo gorduroso e amargo. E fiz o mesmo no dia seguinte, e no outro. Três dias depois eu sentia que minha mente tinha se apaziguado um pouco. Eu conseguia ver as coisas com mais clareza. Meu sono tinha melhorado um pouco, sobretudo porque Longbottom tinha me permitido transportar a Scrophulariaceae nigrum para o lado da cama.

Naquela noite, depois de um jantar silencioso (como sempre) ao lado de Neville, eu recebi a visita de Blaise e Draco.

- Blaise! Draco! – eu cumprimentei, quando Longbottom abriu para que eles entrassem.

Os dois me cumprimentaram e também a Neville, que foi educado, embora se mantivesse um pouco afastado, talvez tentando dar a nós o mínimo de privacidade.

- Harry me disse que você queria falar comigo, Neville. – Draco disse, fazendo com que ele viesse para mais perto de nós.

- É verdade, espere um minuto. – Longbottom começou a mexer na estante ao lado da mesa, na qual Draco, Blaise e eu nos sentamos para poder conversar.

Em menos de um minuto ele já estava se sentando na cadeira entre eu e Blaise, de frente pra Draco, escorregando um grosso envelope pela mesa.

- Preciso de um advogado. – ele disse a frase que tinha dito a mim três dias antes. – Vitaverza disse que você é muito bom.

Draco olhou de mim pra Longbottom como se imaginasse que assunto tinha surgido entre nós dois para que eu lhe indicasse um advogado.

- Posso saber do que se trata? – Draco perguntou, com cuidado. – Ou você prefere conversar em uma outra ocasião? Pergunto porque tem áreas do Direito Mágico que eu tenho mais conhecimento do que outras, dependendo do processo, talvez seja mais vantajoso que eu te indique outro advogado do escritório.

- Se você achar que não é sua área, tudo bem, mas antes de mais nada quero que saiba que há uma razão para eu querer que seja você a defender esse caso. – Longbottom falou, e então fez uma pausa para encarar o envelope. – Isso é... é sobre os meus pais. Eu quero interferir no tratamento e o St. Mungus não está autorizando.

Um lampejo de dor que eu não via a algum tempo nos olhos de Draco apareceu. Era uma dor muito específica, dor da guerra, dor de quem viu matar, de quem viu morrer, de quem viu torturar.

- Tia Bella. – Draco falou, a voz quase inaudível, um arrepio percorrendo seu corpo.

Depois de Voldemort, eu sabia que ninguém mais tinha apavorado mais Draco do que Bellatrix Lestrange, a irmã de sua mãe. O rosto de Neville se contorceu em um sorriso horrível, quase grotesco.

- Sim. Tia Bella. – ele falou.

- Achei que isso fosse ser um motivo para você me querer o mais longe possível do caso. – Draco disse, com sinceridade.

- Você não é sua família. – Neville levantou os olhos para encara-lo. – Você reescreveu a História. Não fez o que eles esperavam que fizessem. Não se tornou o que eles esperavam que se tornasse. Achei que devia a você a chance de me ajudar a trazer meus pais de volta.

Draco o encarou por quase um minuto inteiro.

- Vou vencer esse processo, Neville. – ele disse, com firmeza. – É uma questão de honra pra mim.

Neville sorriu um dos seu raros sorrisos reais.

- Estou contando com isso. – ele respondeu. – Agora... querem que eu saia para poder conversarem melhor?

- Eu não me importo que fique. – eu me apressei a responder, talvez tenha dito até rápido demais. – O quarto é seu afinal.

Na verdade, eu queria que ele ouvisse o que eu ia dizer a Draco e Blaise. Eu sabia que Longbottom tinha uma péssima opinião de mim. Ele me achava covarde, agressivo e um possível traidor. Eu não sabia porque aquilo importava, mas de repente descobri que fazia diferença, sim, o que Neville Longbottom pensava ao meu respeito.

- Tudo bem pra mim, Neville. – Draco sorriu. – Como Marcus disse, nós é que estamos incomodando.

- Não há nada a esconder. – Blaise riu também.

Vi que Blaise me olhou rapidamente antes de responder. Talvez achasse que eu tinha pedido para Longbottom ficar para que ele não pensasse que estávamos discutindo um plano de fuga secreto ou algo assim. Mas isso nem tinha passado pela minha cabeça.

- Como está tudo? – eu perguntei. – O plano já tem previsão pra acontecer?

- Parece que a viagem de Kinoss para a França vai ocorrer até o final do mês. – Draco contou. – Descobrimos que ele tem muitos negócios lá que precisam ser fechados nesse prazo.

Por "descobrimos" ele provavelmente estava querendo dizer Jorge Weasley, cuja função nos planos da Ordem era acompanhar os movimentos de Kinoss e descobrir quando ele viajaria para a França. Ele estava evitando dizer o nome de Jorge, provavelmente porque não queria me chatear. Eu via o jeito que Jorge Weasley olhava para Kim e o chamava de docinho, só se fosse cego para não perceber que o desejava. Depois, na minha última noite livre, tinha sido ele quem sumira levando Kim.

- Os aurores estão nos fazendo perguntas sobre o seu desaparecimento. – Blaise comentou. – Tanto eu quanto Draco dissemos acreditar que você está tratando de negócios na Itália.

- Como você está, Marcus? – Draco perguntou, tocando meu braço, o rosto preocupado.

- Melhor. – eu disse, tentando corajosamente sorrir mesmo na situação na qual eu me encontrava. – Longbottom me deu um remédio.

Blaise e Draco imediatamente encararam Neville, com expressões de dúvida.

- Sei o que estou fazendo, é uma planta que quero usar no tratamento de meus pais. – ele falou. – Estou dando uma dose mínima, ele não está dopado.

- Está me ajudando a pensar com mais clareza. – eu confessei, e então me virei para os meus amigos. – E por isso, tem algo que preciso dizer a vocês dois.

Os dois esperaram, me olhando.

- Mesmo que os outros não acreditem, eu preciso que vocês dois saibam que eu não... eu não seria capaz... eu nunca destruiria o plano contra os Purificadores. Eu jamais contaria a ninguém, com ou sem feitiço Fidelius. Eu não arriscaria a vida das pessoas da Ordem dessa maneira. Além disso, os Purificadores do Sangue matam gente todos os dias, trouxas e nascidos trouxas, como Giuseppe e Kim. – eu falei, torcendo para que eles acreditassem em mim. – Eu nunca poderia... Mesmo que eu tivesse escondido Kim, mantido ele comigo como eu pretendia, ainda assim eu entregaria a poção à Ordem conforme eu prometi. Naquele dia falei que não ajudaria... mas foi da boca pra fora. É claro que eu faria o possível para deter Kinoss e os Purificadores... eu jamais correria atrás de uma vingança sem sentido contra Harry ou quem quer que fosse... vocês estão lutando pelas mesmas coisas que eu.

Blaise tocou meu braço com a mão, apertando, demonstrando apoio.

- Nós sabemos, Marcus. – ele disse. – É claro que nós sabemos.

- Eu acredito em você, Marcus, e fico feliz que esteja conseguindo expressar tudo isso. – Draco falou, em um tom animado. – Se eu disser isso a Harry ele pode conversar com o restante da Ordem, para que você fique livre...

- Não acho boa ideia. – Blaise discordou. – Me lembro muito bem do dia em que Harry reuniu a Ordem da Fênix para contar por alto o que tinha acontecido entre Kim e Marcus e a forma como pareceu que Marcus podia colocar tudo a perder. O apoio a decisão de prendê-lo em Hogwarts até o final do plano foi unânime. A Ordem pode estar cheia de bruxos da confiança de Harry, competentes, bons e dispostos a lutar contra as trevas; mas eles sabem do passado que temos e não confiam em nós. Não se esqueça de tudo o que você ouviu no Quartel General dos Aurores, Draco...

- Mas, Harry... – Draco ia começar um discurso inflado, de confiança no seu namorado.

- Se me permitem um comentário, Zabini está certo. - Longbottom comentou, virando-se pra mim. – Se algo der errado neste plano depois de Harry ter convencido a Ordem a votar para te libertar, a culpa vai recair sobre você. A verdade é que nenhum de nós te conhece realmente, não temos qualquer razão para confiar em você. Os membros da Ordem que já tiveram alguma convivência com você são os que estudaram conosco em Hogwarts, e esses não guardam memórias muito positivas.

- É melhor que eu fique. – eu concordei.

Descobri que não era só a opinião de Longbottom que importava. Eu queria poder sair dali com alguma dignidade. Queria poder dizer que eu nunca teria traído a Ordem. Não valia apena ir embora agora e correr o risco de gerar mais desconfiança a meu respeito.

- Não será por muito tempo. – disse Draco, parecendo pensar bem em tudo que Neville tinha dito.

- E Kim, como está? – eu fiz a pergunta que vinha querendo fazer desde o início.

- Kim está bem, está em segurança. – Blaise garantiu, como se já esperasse aquela pergunta e tivesse uma resposta pronta. – A Ordem tem gente protegendo ele dia e noite, onde quer que ele vá.

Eu assenti com a cabeça, respirando fundo. Ele estava vivo. Não estava morto. Estava vivo. Não estava sangrando com um tiro na cabeça igual a Giuseppe. Estava vivo.

- Ele parece... feliz? – eu quis saber.

- Superando. – Draco respondeu, tornando-se severo de repente. – Você não fez nada bem a ele. Vou ter que te pedir para não atormentá-lo quando sair daqui.

- Eu não sou um monstro. – era horrível ter que dizer aquilo a alguém que me conhecia tão bem como Draco, mas depois de todo o meu comportamento com Kim, era natural que ele estivesse pensando daquela maneira. – Se ele realmente não me quiser mais, não vou estuprar o garoto.

- Não foi o que pareceu. – Draco acusou.

- Também não precisa falar assim... – Blaise disse a Draco, tentando acalmar os ânimos.

- Não, está tudo bem. Eu mereci isso. – eu admiti. – Acho que a única coisa que posso dizer em minha defesa é que eu não queria outra morte nas costas.

A expressão de Draco se suavizou um pouco.

- A morte de Giuseppe não foi culpa sua. – ele falou.

- Claro que foi. – eu encarei a mesa, sem conseguir olhar pra mais ninguém. – Se ele fosse só mais um trouxa italiano, passeando pelo Palazzo Davanzati, ainda estaria vivo.

- Não é o medo de Kim morrer que te deixou tão enlouquecido. Você não gosta tanto de Kim assim. – Blaise virou-se pra mim, os olhos inteligentes me analisando. – O que te fez perder a cabeça foi o medo de perder Giuseppe pela segunda vez.

- Do que você está falando, Blaise? – Draco perguntou.

- Você engana Draco, mas não a mim. Desde que Giuseppe morreu você não se envolveu seriamente com homem nenhum, o primeiro que você esteve disposto a ter um compromisso foi Kim. E não é porque você está apaixonado por Kim, mas porque ele se parece com Giuseppe. – Blaise falou, dizendo nada mais do que a mais pura verdade sobre mim. – Venho notando isso praticamente desde o início. Tirando a cor do cabelo, eles são muito parecidos fisicamente. Mas vai além disso. São dois rapazes jovens, de família pobre, com sonho de fazer faculdade para cuidar de pessoas que estão doentes. Kim e Giuseppe são meigos, gentis, tratam a todos com humanidade e detestam injustiças.

- Acho que em parte isso é normal... Pelo menos sobre a parte física e a questão da personalidade, é o tipo de garoto que Marcus gosta. – Draco tentava me arranjar desculpas, gaguejando um pouco. – O resto são coincidências...

- Não são coincidências. A camisa que ele fez Kim usar no meu noivado, eu me lembrei dela imediatamente. Giuseppe a usou em uma das nossas últimas noites na Itália. Marcus guardou as roupas do ex namorado morto e deu a Kim, para que ele vestisse... claro que Kim não sabe disso. – Blaise continuou sem piedade. – É por isso que ele enlouqueceu. Pra ele é como se Giuseppe tivesse ressuscitado no corpo de Kim.

Eu fiz mesmo aquilo. Dei a Kim aquelas roupas para sentir o cheiro do meu Giuseppe em um corpo que estivesse vivo. Fechei os olhos e abracei o corpo magro de Kim, tão semelhante ao de Giuseppe, ignorando a coloração avermelhada dos seus cabelos, fingindo que tinha meu amor ali de novo comigo. Eu era um doente.

- É verdade. – eu confessei. – Eu realmente fiz isso.

- Marcus isso é... é errado em tantos níveis. – Draco disse, em voz baixa. – Não só com Kim, mas com você mesmo. Você precisa superar, aprender a viver de novo, sem Giuseppe e sem um substituto pra ele.

- Se Kim ainda me quiser... – eu comecei.

Eu tinha esperanças. Se eu pudesse manter Kim, poderia manter Giuseppe.

- Ele não quer. – Blaise cortou. – Eu o vi. Ele está melhor sem você. Pode ser duro de ouvir, mas é a verdade. Ele está mais feliz, mais confiante, como se tivesse recuperado as forças.

- Quando eu disse a ele que Harry e Neville tinham tomado a decisão de te manter preso em Hogwarts, ele ficou aliviado Marcus. – Draco fez questão de dizer. – A última pessoa que ele quer ter por perto é você.

Blaise e Draco estavam fazendo questão de deixar aquilo bem claro.

- Não estamos dizendo isso pra chatear você. – Blaise falou. – Draco e eu queremos o seu bem.

- Eu sei. – eu assenti.

Se aquela era a verdade, eu preferia saber. Era eu quem tinha estragado tudo com Kim. E Kim era um cara muito legal, merecia coisa melhor do que alguém que só o queria porque ele lhe fazia lembrar o ex namorado morto.

- Você me ajudou no momento que eu mais precisei. Me ofereceu abrigo na Itália quando eu não tinha outra alternativa. Protegeu a mim e a minha mãe. – Blaise continuou. – Eu estou do seu lado, Marcus.

- Assim como eu. – Draco falou. – Você salvou minha vida... sempre serei grato.

Blaise e eu nos viramos pra ele, surpresos. Draco nos tinha agradecido por muitas coisas. Por termos voltado pra Inglaterra por ele, por termos tirado ele da Mansão, por termos ajudado ele a enterrar seus pais, a se livrar de Azkaban, a reaver seus bens, a se reerguer após a guerra. Mas nunca, nunca tinha me agradecido por ter impedido que ele bebesse veneno no dia em que eu e Blaise o encontramos destruído pela guerra. Draco Malfoy de certa forma achava que podia ter colocado fim a muito sofrimento se sua vida tivesse terminado ali.

- Você nunca me agradeceu por isso. – eu olhei pra ele. – O que mudou?

- Harry. – ele sorriu. – Harry disse que me ama. Eu só pude ouvir porque você me impediu naquele dia, Marcus. Você é um bom homem, um bom amigo. Se você não está bem... não vamos desistir de você.

- De jeito nenhum. – Blaise prometeu.

Conversamos um pouco mais, sobre assuntos mais supérfluos, de forma que até Longbottom fez um comentário ou outro. Depois, Blaise e Draco se despediram de nós e foram embora.

Mais tarde, naquela noite, eu me deitei cansado, ao lado de Longbottom, como já era de costume, vestindo um short preto largo que ele tinha me emprestado. Adormeci rápido, mergulhando em um sono profundo e sem sonhos. Lá para o meio da madrugada, quase de manhã, no entanto, minha mente possuiu-se de um horrendo pesadelo.

O rosto de Kinoss estava em todo lugar, rasgando Giuseppe, seu corpo, seu rosto, cada parte sua que eu amava. Seu grito preenchia meus ouvidos junto com a risada rouca e cruel de Kinoss, que me avisava que cada homem que eu tocasse, cada pobre coitado, sofreria com a mesma maldição.

Eu me debatia, suava frio, sentia que lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu gritava por ajuda. Alguém precisava salvar Giuseppe, salvar Kim, salvar cada um desses garotos, pobres garotos. Eles não tinham nada a ver com isso. A culpa era minha. Minha. Era eu quem tinha arrumado briga com Kinoss.

E então senti mãos me segurando, um corpo pesado por cima do meu, me contendo, prendendo meus braços do lado do corpo. Quando despertei, vi que estava na cama, encarando Neville Longbottom, que forçava-se pra cima de mim, me contendo.

- Foi um pesadelo. – ele me contou, tentando me trazer para o momento presente. – Tive que te segurar, você se estava se debatendo tanto que achei que fosse bater a cabeça.

- Certo. – eu concordei. – Obrigado.

Sem dúvida, tinha sido melhor. Naquela circunstância, qualquer coisa que ele fizesse para me acordar, para me tirar daquele abismo, seria bom. Se a ideia dele tinha sido prender meus braços e jogar seu enorme corpo em cima de mim, eu não iria reclamar.

- Quer um pouco mais de Scrophulariaceae nigrum? – ele perguntou.

- Sim, por favor. – eu pedi.

Ele se levantou, para cortar um pedacinho da planta pra mim, me dando uma dose um pouquinho maior do que a usual. Senti os efeitos quase que imediatos se espalharem pelo meu corpo, diminuindo minha taquicardia.

- Essa planta é realmente boa. – eu comentei.

- Venho me dedicando a estuda-la desde o final da guerra. – ele contou, sentando-se ao meu lado na cama. – Ela tranquiliza, diminui a frequência cardíaca, libera substâncias no organismo que previnem crises de pânico e ansiedade. Seus efeitos mágicos fazem com que a pessoa fique mais concentrada, que consiga pensar para além da dor, tomar decisões de forma mais calma e racional. Pode ajudar meus pais a recuperar a sanidade, ao menos parcialmente.

- Porque os Medibruxos são tão contrários? – eu perguntei, confuso.

- O Conselho de Medibruxos são um bando de velhos orgulhosos, nunca aceitaram nenhuma das minhas pesquisas porque eu não tenho NOM e muito NIEM em poções. Pra eles eu sou só um herbologista que tenho que me concentrar em eliminar pragas e adubar plantas. Me disseram para deixar a criação de novos medicamentos para quem entende disso. – ele falou, com raiva.

- Você nunca pensou em tirar seus pais do hospital? – eu perguntei.

- Se eu assinar um termo dizendo que me responsabilizo por eles e que quero trata-los em casa, eu posso fazer como eu quiser. Mas eu nem mesmo tenho uma residência fixa, eu vivo em Hogwarts. Mesmo que eu comprasse uma casa, eles ficariam em um ambiente completamente estranho, eles estão acostumados com o Hospital, estão lá há mais de 20 anos. – ele explicou. – Meus pais tem atendimento diário de Medibruxos, Magicoterapeutas, curandeiros, voluntários, grupos de apoio, além de outras poções e feitiços de cura que também os ajudam e que eu não teria como ter acesso. Eu não tenho tantos recursos financeiros que me permitiriam contratar uma equipe para oferecer isso a eles fora do St. Mungus.

- É claro, eu entendo. – eu disse, colocando a mão sobre a dele, antes que pudesse perceber que o fazia. – As coisas vão se resolver... Logo a Scrophulariaceae nigrum vai ajudar seus pais... como está me ajudando.

Ele encarou minha mão por alguns segundos e eu a retirei. Olhei para um ponto fixo na parede pensando no ponto que eu tinha chegado, precisar de ajuda de uma planta mágica pra curar a minha loucura.

- O que foi? – ele perguntou.

- Nada, só estava pensando. – eu falei, em voz baixa. – Seus pais precisam da Scrophulariaceae nigrum, o que é justificável, eles sofreram com uma maldição horrível. Mas eu não fui atingido por feitiço nenhum. E mesmo assim terminei desse jeito, acordando suado no meio da noite, assustado como se fosse um garotinho, implorando por uma dose de calmante.

Ele fitou meu rosto por alguns segundos, seus olhos me analisando, parecendo me enxergar até a alma.

- A dor de perder alguém pode ser tão destruidora quanto uma Cruciatus, ou até mais. – ele falou, com sinceridade. – Mas seus amigos tem razão. Nada vai ficar melhor enquanto você não parar de procurar o menino que morreu nos que estão vivos.

- Cada homem que eu toco, sinto o mesmo pânico. – eu confessei. – Não consigo me livrar disso.

- Viver com sequelas emocionais, traumas por ter perdido filhos, pais, companheiros, amigos... isso é mais comum do que você pensa. Essa guerra fez muitos mortos. Você não é o único que se sente assim. – ele falou. – Muitas pessoas se consultam com os magicoterapeutas do .

Eu sabia pouco sobre os Magicoterapeutas. Era uma tendência recente no mundo bruxo, mais própria da cultura trouxa, que tinha como costume falar dos problemas emocionais com um profissional chamado psicólogo ou psicoterapeuta. No mundo mágico, muitos estudiosos trouxas foram incorporados na área da Magicoterapia, o que foi considerado uma grande inovação, porque os bruxos tinham o secular mau hábito de ignorar o conhecimento trouxa.

- Você está sugerindo que eu preciso de um Magicoterapeuta? – eu perguntei, talvez um pouco mais incomodado com aquilo do que eu gostaria de aparentar.

- Mal não ia fazer. – ele disse, prático. – Eu mesmo tenho um.

- Você tem? – meu queixo caiu.

Ele não tinha cara nenhuma de que se sentava em uma poltrona para falar dos problemas.

- Tenho. – ele deu de ombros. – Por que? Está tão abaixo de você pedir ajuda?

E de repente olhei pra ele. Neville Longbottom me encarava, sério. Não tinha absolutamente nada me atraía em um homem. Eu gostava de rapazes mais magros, de baixa estatura, e traços delicados; Longbottom era imenso, um brutamontes, o rosto quadrado demais, traços fortes, másculos demais. Se eu procurava homens de jeito afável, doce, sonhador... e ele era prático demais, duro demais, sempre tão na dele, falava só o necessário. Se parecia até comigo nesses aspectos e em outros tantos não. Ele era mais corajoso, sabia o que queria, de onde vinha e pra onde estava indo.

Apesar de tudo aquilo. Ou por causa de tudo aquilo, eu não saberia dizer, eu o queria. Eu tinha o observado em sua estufa privativa vezes demais para negar. Tinha gostado demais do peso do corpo dele sobre o meu pra dizer que não. Então ao invés de responder a pergunta dele, eu incoerentemente o beijei.

Provei com urgência o gosto dos seus lábios, sugando-os, até que Longbottom tivesse tempo de se recuperar e empurrar meu peito com a mão espalmada, afastando-me dele.

- Eu não sou gay. – foram as palavras que saíram de seus lábios.

Surpreendentemente, aquilo me fez soltar uma risada baixa. Seus olhos estavam firmes nos meus, eu via a brasa ali, pronta para fazê-lo entrar em combustão.

- Tudo bem. – eu respondi, me aproximando dele. – Mas então porque está me olhando assim?

E ele avançou. Me beijou com a mesma urgência que eu o tinha beijado, demonstrando que desejava o mesmo que eu. Senti sua barba por fazer roçar no meu rosto enquanto eu explorava a boca dele com a língua, nós dois mergulhando num beijo profundo, ambos pareciam buscar cada vez mais e ninguém queria recuar.

Minhas mãos exploravam seu corpo, tocando seu peito forte sem pudor nenhum, e ele reivindicava o direito de fazer o mesmo comigo, apertando meu corpo, me descobrindo, num frenesi louco de excitação. Há anos eu não ficava com ninguém daquela maneira, sem ter controle nenhum sobre as ações da pessoa, só me deixando levar pelo desejo, só sentindo e deixando o que ele sentisse também.

Desci a mão pro seu short, retirando-o rapidamente, expondo seu corpo nu, maravilhoso, bem torneado. Neville Longbottom era um homem lindo. Toquei seu pênis rígido, grosso, sabendo como manipula-lo para deixa-lo ainda mais excitado.

Ele beijou meu pescoço com volúpia, chupando-me, marcando-me, para então dizer com a voz rouca:

- Eu não sou submisso, não sou delicado. Tem certeza que quer continuar com isso?

Não era uma pergunta gentil, era um aviso. Mas eu já tinha passado há muito tempo do ponto de voltar atrás. Eu sentia meu corpo como um mar de libido, ondulando incontrolável.

- Se eu prometer que dou pra você depois... você me deixa te comer? – eu tentei negociar.

Longbottom se afastou um pouco para medir minhas palavras.

- Por que você primeiro? – ele questionou, desconfiado.

- Porque já comi outros caras antes. – expliquei – Sei como fazer ser... mais fácil.

- Se você estiver mentindo... – Longbottom estreitou os olhos. – Vitaverza eu juro que...

- Como eu posso estar inventando? – eu perguntei, incrédulo. – Então eu minto, e depois faço o que? Passo as próximas semanas acordado evitando que você enfie sua Mimbulus Mimbletonia no meu rabo?

Ele deu uma risada baixa e eu aproveitei que ele estava parecendo desarmado, e avancei pra ele, beijando seu ombro, seu pescoço, sugando-o com força e intimidade, da mesma força como ele tinha feito comigo. Quando cheguei próximo ao seu ouvido, mordi o lóbulo da sua orelha devagar, encostando meus lábios ali.

- Não estou mentindo. – eu esclareci. – Estou fazendo a você uma proposta que nunca fiz a nenhum outro.

Ele se virou de costas pra mim, apoiando as mãos na parede. Aquele era o máximo de resposta que Longbottom me daria.

- Preciso que pegue a varinha. – eu disse, encostando meu corpo no dele.

Eu ainda estava de short, mas certamente ele podia sentir minha ereção através da malha fina.

- Pra que...? – ele perguntou.

- Preciso que faça dois feitiços. – eu respondi.

Ele alcançou a varinha na mesinha de cabeceira e voltou a posição que estava anteriormente. Eu voltei a me encostar nele, passando a mão displicentemente pelo seu corpo, tocando os músculos do seu peito, sua barriga.

- Você vai fazer os feitiços em você mesmo, e mais tarde vai fazê-los em mim, porque estou sem varinha. – eu falei, atrás dele, os lábios próximos do seu ouvido. – Primeiro aponte pra si próprio e diga Corpus Purgatio.

Ele o fez, sentindo imediatamente os efeitos do feitiço em si próprio, e portanto compreendendo pra que servia o feitiço de limpeza. O segundo era o feitiço de lubrificação, eu também disse a ele em voz alta o feitiço e ele o fez, sentindo os efeitos imediatos em seu próprio corpo.

Eu desci a mão esquerda para o seu membro, segurando-o habilmente, masturbando-o devagar, sentindo-o inchar sob meu toque. Ao mesmo tempo, escorreguei um dedo por entre suas nádegas firmes, introduzindo-o em sua entrada apertada. Movimentei o dedo abrindo espaço, buscando alargar seu canal.

Quando o invadi com o segundo dedo, Longbottom separou mais as pernas e abaixou-se um pouco mais, entendendo que era necessário facilitar pra mim e me dar mais espaço. Eu continuei a prepara-lo, dedicando-me a expandir seu orifício estreito, penetrando-o com três dedos.

- Vá de uma vez, Vitaverza. – eu o ouvi trincar os dentes.

Aquilo não precisava ser dito duas vezes. Eu o queria com sofreguidão. Tirei o short em meio segundo e arremeti pra dentro dele em uma única estocada, até me encontrar enterrado todo dentro do seu corpo.

- Desgraçado. – ele grunhiu.

- Foi você quem quis assim. – eu disse. – Agora não reclame.

Eu fiquei parado dentro dele por quase um minuto inteiro. Sabia que não seria Neville Longbottom a me dizer que estava com dor e me pedir para esperar um pouco. Se eu perguntasse a ele, era capaz até de se ofender comigo. Então eu só parei, e deixei todo meu desejo guiar meus movimentos.

Deixei meus lábios marcarem suas costas, beijando-o, lambendo-o, mordendo-o, fazendo-o meu por aquele breve momento. Minhas mãos apertavam-no, faziam seu corpo arrepiar, tocavam onde eu sabia que o excitaria. Eu voltei a manipular gostosamente seu membro, que tinha baixado um pouco pela dor da penetração, fazendo com que ele novamente se projetasse pra cima escandalosamente duro.

Quando parei de masturba-lo, passei os braços em volta do seu corpo, puxando-o pra mim, começando a me movimentar dentro dele, permitindo-me penetrar aquele orifício tão apertado que se abria pra mim, enquanto Neville ofegava baixo, segurando-se para não emitir nenhum ruído.

Eu estava excitado demais, o corpo dele era delicioso, eu queria me perder ali, alcançar todo meu prazer dentro dele. Eu já arremetia pra dentro dele com necessidade, num sexo gostoso, exigente e forte, quando percebi que ele tinha descido a mão pro próprio pênis e se masturbava com violência. Eu tinha parado de tocá-lo, porque sabia que ele queria me comer depois, então achei que não queria gozar ainda.

Mas pelo jeito ele queria. Meus movimentos dentro dele estavam o levando a algum lugar. Suas mãos em si próprio eram ágeis e, antes que eu pudesse alcançar seu membro para ajuda-lo, senti que ele atingia o orgasmo, seu canal se contraindo em mim, apertando meu pênis, me levando a gozar junto com ele.

Quando eu saí de dentro de Neville e ele se virou de frente pra mim, eu perguntei:

- Você quer esperar um pouco pra se recuperar?

Mas pelo jeito a pergunta o ofendeu, porque ele me empurrou na cama de barriga pra cima, pressionando seu corpo sobre o meu, fazendo-me sentir seu pau ainda completamente duro, me mostrando que ele ainda aguentaria muito mais. Sua mão direita foi de encontro a minha boca, tapando-a.

- Você fica tão melhor calado, Vitaverza. – ele sorriu, com malícia.

Ele tinha acabado de se masturbar e sua mão estava melada de porra. Eu abri a boca, surpreendendo, sugando quatro de seus dedos um a um, sorvendo seu gosto de macho.

Aquilo tinha visivelmente deixado ele excitado. Ele tocou meu pau, massageando-o, me deixando duro de novo. Fez em mim os feitiços que eu tinha ensinado, e eu respirei fundo, tentando lidar com a estranha sensação de sentir em mim mesmo aquelas magias que para mim era tão comum fazer em outras pessoas.

Eu ergui as pernas para que ele pudesse me tocar e ele me penetrou com os dedos, um a um, da mesma forma que eu havia feito com ele. Tornando-me lentamente mais dilatado, mais largo e pronto para recebe-lo. Quando ele me tomou, e eu senti seu pênis grosso invadindo-me, possuindo meu corpo, não senti como se fosse um sacrifício. Não senti como se fosse uma barganha, algo que dei apenas para conseguir conquistar o privilégio de tê-lo.

Eu o quis. O quis quando a dor parecia lacerar-me por dentro. O quis quando a dor abrandou, e abriu espaço pra satisfação. O quis quando ele esperou, o quis quando ele dispôs de mim com lentidão, e quando me comeu com veemência, num furor indomável. Eu o quis quando ele me tocou, me fazendo gozar pela segunda vez, desejando que eu sentisse o que ele tinha sentido antes. O quis quando ele se derramou pra dentro de mim, beijando a minha boca, ofegante, desejoso de mim.

E o quis até mesmo quando tudo acabou, e ele se retirou do meu corpo, deitando-se ao meu lado.

- Você sentiu pânico, Marcus, de me tocar? – ele perguntou, lembrando-se do que eu tinha dito um pouco antes de começarmos com aquilo.

Deixei um sorriso tomar meus lábios.

Aquele era o homem que tinha participado da Armada de Dumbledore e lutado contra Comensais da Morte aos quinze anos. Era o homem que tinha ido para Hogwarts sob o domínio de Voldemort, tido aula com comensais, se recusado a obedecer, sido torturado e liderado a resistência em Hogwarts. Era o homem que tinha matado a cobra do Lorde das Trevas com uma espada. O homem que tinha permanecido de pé, lutando, mesmo quando muitos de seus companheiros e amigos já tinham caído na última batalha.

- Você não vai morrer, Neville Longbottom. – eu falei, fechando os olhos, sentindo o sono vir novamente. – Estou bem certo disso.