.
Disclaimer: TWILIGHT não me pertence e nem a música MONEY HONEY... Mas o Juiz Masen acordando do coma, sim! Então, por favor, respeitem! E curtam...
.
N/A: Olá flores lindas do meu Brasil! Um mês sem Juiz Masen! *cry* Sim, eu sei que judiei demais dessa vez, mas eu tive alguns contratempos - que estão sendo resolvidos aos poucos - e por isso, não pude estar aqui antes... Estou perdoada? Espero que sim! *smile* Vou compensar a espera, podem acreditar!
Bom, essa é a segunda parte de um capítulo muito importante nessa história. Se eu fosse dividir MH por temporada, esse capítulo seria o último da 1ª temporada.
O que isso quer dizer, Carol? *alguémlevantaodedo*
Quer dizer, que daqui pra frente, tudo vai ser diferente... (Profundo, não?) Cada capítulo - ou a grande maioria deles - terá uma revelação, algo que necessita ser lido com atenção para que o quebra-cabeça comece a se juntar. E como todo lado bom tem um lado ruim, isso também significa que MH está em sua reta final! Mas não se desesperem... Vocês não ficarão livres de mim e do Juiz tão rapidamente. Muawwww! Tudo será explicado e revelado na hora certa, sem atropelos ou lacunas vazias... Eu prometo!
Na nossa última brincadeira, a minha querida amiga e leitora lusitana Dulce Paiva ganhou o spoiler exclusivo desse capítulo. Parabéns Dul! Ela postou mais vezes a hashtag #acordajuiz e fez uma campanha legal no twitter, escrevendo várias coisas sobre MH. Fiquei viada, viu? Só vocês mesmo para me deixarem assim!
Parte musical fica por conta de Evanescence, que eu curti muito quando era mais nova. Amy Lee tem uma voz fodástica e, apesar do perfil da banda ter mudado bastante, as músicas são muito boas e lindas. Vale uma conferida no YT. No POV do Juiz, temos a indicação da minha malvada favorita Manuela Leal, que me indicou uma música Delena (A música é linda, mas se fosse Stelena, seria melhor ainda! ;)
Para quem quiser bater um papo, perguntar ou falar sobre a fic, Robsten e afins: (arroba)CarollDiva , no face - www(ponto)facebook(barra)CarollDiva. Para ver fofurices e sacanagenzinhas da fic, entrem no tumblr: moneyhoneyfanfic(ponto)tumblr(ponto)com (Só trocar a palavra ponto pelo símbolo correspondente).
Estamos com um grupo fechado no facebook chamado "Juiz Masen, me condene". Entrem lá e surtem conosco!
Tá bom, eu sei que estão ansiosas. E o juiz Masen também.
Just enjoy, juizetes! ;)
CAPÍTULO 23
Tudo de mim (Parte II)
"You're all I need" – "Você é tudo o que eu preciso" - (Angus and Julia Stone)
● Chicago – IL – EUA ●
● Sábado ●
BELLA POV
.
.
.
Música: Breathe no more - Evanescence
O cheiro de morango invadiu a sala conforme eu passava a loção corporal para mais um dia de trabalho.
O hidratante da Victoria's Secret era uma lembrança de Alice... Lembrança de Rose Hill, lembrança do tempo em que eu acreditava ser uma Cullen.
Lembrança do tempo em que eu acreditava ser filha de Carlisle.
Quinze dias. Quinze dias sem ver Edward.
Quinze dias longe de Rose Hill. Quinze dias longe de Alice.
Ela não atendia as minhas ligações. Não retornava os meus recados no ateliê.
Eu estava morando com Renata num minúsculo apartamento, depois que ela ouviu a minha história. Depois que ela decidiu confiar em mim mesmo sem me conhecer direito.
Durante esse tempo eu tinha pesadelos horríveis onde eu não conseguia ver Edward e, aos poucos, esquecia o seu rosto.
Eu tentava sobreviver da melhor maneira possível, embora meu interior estivesse sido esmagado lentamente.
No início, Renata ficou sentindo pena de mim, mas eu logo a assegurei de que estava bem.
Eu sabia que ficaria bem, contanto que eu ainda pudesse estar, de certa forma, perto de Edward. Eu precisava estar próxima a ele, mesmo que numa distância razoável, mesmo sem poder tocar a sua pele e sentir seus lábios nos meus. Eu precisava de notícias suas para aliviar a dor que eu sentia por sua ausência.
A dor que eu sentia pelo tempo perdido, pelos desencontros impostos por mim e pelo destino.
O cerco estava se fechando, sem direito a nenhuma brecha. Tentei por diversas vezes visitá-lo, usando todos os artifícios possíveis, até que Renata foi ameaçada de ser demitida por minha causa. A direção do hospital não queria ver o nome de uma enfermeira vinculado ao nome de uma mulher acusada de falsidade ideológica e furto.
Sim, a família Cullen me denunciou à polícia e agora eu era uma foragida. A polícia de Chicago já tinha meu nome e foto para reconhecimento e possível prisão.
As joias que Alice havia me dado não constavam como presente. Mike havia feito a denúncia juntamente com Marc e Rosalie, já que Emmett continuava internado assim como Edward. Eu não tinha muitas notícias de Alice; pelas informações que obtive em seu trabalho, ela resolveu tirar algum tempo de férias, argumentando uma espécie de estafa. Mas eu sabia que era muito mais do que isso. Sabia que ela não queria se encontrar comigo, que ainda estava magoada por tudo que havia acontecido.
Essas foram as informações dadas por Samuel quando fui à sua casa para pegar as minhas coisas e mentir, dizendo que estava indo morar com Ângela.
Angie não sabia do meu paradeiro e nem saberia; eu não poderia comprometer a vida de mais ninguém assim como havia comprometido a de Jasper e Renata.
Então, depois de alguns dias, resolvi que não havia mais espaço para lamentações e murmúrios; eu precisava agir, precisava fazer algo já que a minha intenção era ficar em Chicago até que Edward acordasse.
Eu resolvi seguir com a minha vida, mesmo com ela pela metade. O que me reconfortava é que alguns momentos mais felizes que tive ao lado dele nem mesmo a dor conseguia apagar.
Eu me lembrava de tudo. E nem tudo doía mais. Só sentia saudade pelo o que deixei de fazer, pelo o que tive medo de fazer.
A saudade então vinha e me fazia sorrir sem intenção. E eu sei que nessas horas os meus olhos se lembravam de como é ter brilho e vivacidade. E o coração insistia em trazer à tona todo o sentimento que tento - pelo menos - deixar um pouquinho de lado para poder sobreviver a esses dias difíceis.
Eu não estava escondendo o que sentia por ele, mas não podia me dar o luxo de ficar suspirando ou chorando pelos cantos. Não era assim que Edward queria que eu ficasse. Então eu estava dando o melhor de mim a ele.
Estava dando tudo de mim a ele.
Decidi procurar um trabalho, qualquer coisa que eu pudesse tirar uma grana capaz de me sustentar e ajudar Renata nas despesas básicas do apartamento no qual ela me abrigou; eu também tinha a intenção de mandar algo para Jazz, já que ele precisava de dinheiro para manter minha mãe no hospital.
- Tem certeza de que não precisa de nada? – Jasper perguntava pela quarta ou quinta vez. – Por que você não volta pra casa?
- Nós já falamos sobre isso, Jasper Whitlock. – Enxuguei uma lágrima traiçoeira que insistia em denunciar a minha dor. – Eu preciso ficar. Eu necessito ficar. – Olhei a rua deserta na qual eu estava falando num telefone público. – Eu vou ficar bem, não se preocupe.
E assim eu encerrava as minhas conversas com Jasper. Ele sabia que eu não iria embora de Chicago sem ao menos explicar para Edward o que havia acontecido, embora eu não soubesse ao certo como seria a sua reação. Eu precisava ficar ao seu lado, mesmo sabendo que corria sérios riscos de ser presa pelos crimes aos quais fui acusada injustamente.
Tentei encontrar algo como secretária, mas era difícil sem uma carta de recomendação. Também sentia olhares confusos em cima de mim, como se pudessem me reconhecer a qualquer momento; era como se eu pudesse cruzar com algum Cullen em qualquer esquina. Então, decidi retornar às minhas antigas raízes, mesmo sabendo que seria um trabalho provisório. Eu precisava de um emprego que pagasse relativamente bem, que não me expusesse e que não fizesse muitas perguntas acerca da minha vida pessoal.
E depois de alguns dias procurando, encontrei o emprego perfeito. Era à noite, fazendo algo em que eu quase era uma expert.
Lá eu me sentiria protegida porque era um lugar frequentado por pintores, escultores, fotógrafos, músicos, palhaços, cantores, cineastas e qualquer outro profissional ligado às artes. E também seria difícil ser encontrada ou reconhecida atrás de uma máscara, na qual todas eram obrigadas a trabalhar.
Nesse clube, a sua vida pessoal era o que menos importava; como diziam os frequentadores do lugar, as mulheres que trabalhavam lá só tinham o nome. O sobrenome era algo a ser deixado para trás porque remetia a vínculos que deveriam ser esquecidos ou apagados completamente das suas vidas.
Assim era o Everleigh Social Club: um clube que exalava sensualidade, beleza e erotismo.
Eu nunca vi um lugar como aquele. Era uma boate para as artes. Havia reuniões, festas privadas, saraus literários, exibição de filmes e performances teatrais capazes de tirar o fôlego do mais frívolo cliente.
As mulheres que trabalhavam naquele ambiente incomum eram lindíssimas e a maioria, era estrangeira. Algumas russas, outras polonesas; japonesas, italianas e francesas. Era uma mistura digna de sotaques, costumes e rendas de todos os tipos.
Todas as mulheres andavam como cortesãs; as roupas eram confeccionadas com a mais pura seda e rendas caríssimas. Plumas e adornos de ouro faziam parte de um figurino que eu ainda não estava acostumada, embora eu ficasse deslumbrada com o luxo de todo aquele ambiente. Eu me sentia na Paris do século XIX, com toda aquela arte inspirada na Belle Époque.
Eu me sentia num cabaré efervescente, onde as pin up's se traduziam em mulheres bem produzidas e maquiadas.
- Isabella Marie Swan. – Uma senhora de aparentemente uns quarenta anos e com sotaque francês lia a minha ficha. – Experiente na pole dance? – Ela me encarou com os olhos misteriosos, como se quisesse ler cada expressão.
- Muito. – Agarrei a minha bolsa. – Eu trabalhava em uma boate em Seattle.
- Mas duvido que seja igual ao meu clube, à minha casa. – Concordei com a cabeça. – Ótimo, é sempre bom saber que não há nada parecido com o que eu criei aqui... – Ela sorriu orgulhosa. – Quando você poderá mostrar o seu talento para mim?
- Hoje. Agora. – Respondi rápido demais. – Se a senhora quiser... – Tentei me acalmar.
- Tudo bem. Só estou pensando em como uma menina como você chegou até aqui, vinda de Seattle. – A senhora colocou os dedos no queixo, pensativa. – À propósito, pode me chamar de Carmen.
- Carmen. – Apertei a sua mão imediatamente. – Eu posso mostrar as minhas habilidades hoje, se quiser.
- Tudo bem, daqui a pouco nós abriremos e você faz a sua dança... – Ela me olhou com desdém. – Quero ver o que a menininha de Seattle sabe fazer. – Ela se levantou e virou-se antes de sair. – Aproveite que estou de bom humor e faça valer a pena os minutos que eu ficarei parada observando-a. Carmen Von Teese não costuma gastar o seu tempo precioso com meninas como você. – Ela fechou a porta, deixando-me sozinha.
Fui levada a outra sala, onde havia vários vestidos, sandálias, corseletes e rendas. As mulheres ficaram em polvorosa, mas nenhuma chegou até a mim e perguntou alguma coisa. Talvez fosse o procedimento do lugar.
Tentei me acalmar e fechei os olhos, esperando que as lembranças das minhas apresentações em Seattle viessem e trouxessem algo que eu pudesse usar. Mas nada se comparava àquele lugar. Com certeza, eu deveria usar algo novo.
Eu deveria fazer algo para impressionar.
E Alice me ajudaria nessa. Indiretamente.
Peguei o corselete vermelho que ela havia me dado e o coloquei, juntamente com uma calcinha preta; em seguida fiz uma maquiagem suave, realçando os meus lábios com batom vermelho.
Meu cabelo não estava no seu melhor dia, então decidi escondê-lo por baixo de uma peruca de corte Chanel. Agora eu tinha cabelos pretos, lisos e curtos.
Coloquei uma gargantilha de pérolas, tentando me lembrar das imagens sensuais de pin- up's que Alice tinha em seu escritório. Usei cinta-liga, sapatos de salto pretos e meias 7/8 para incrementar a produção, que eu esperava estar de acordo com que a tal de Carmen queria.
- Falta alguma coisa... – Olhei-me no espelho e procurei à minha volta, tentando encontrar algo. -... Eu preciso que esse número saia perfeito.
- Por que você não coloca essa máscara? – Uma mulher com forte sotaque italiano se aproximou de mim. – Ela é muito bonita. – Ela apontou para a máscara que despontava em minha bolsa.
Era a máscara que eu havia usado no desfile da grife de Alice.
- Obrigada. – Coloquei o adorno em meu rosto e olhei-me no espelho novamente. – Bella. – A cumprimentei.
- Maria. – Ela me deu um sorriso encorajador. – Você é a garota de Seattle?
- Sou. Mas eu nasci mesmo em Forks, Washington. – Me chutei mentalmente por estar falando sobre a minha vida pessoal. – Só vou fazer um teste.
- Vai dar tudo certo. – Maria sorriu novamente e saiu, deixando-me sozinha.
Andei de um lado para o outro, passando em minha cabeça todos os movimentos que eu faria no pole dance. Tinha um tempo que eu não treinava, mas não tinha como esquecer algum passo. Eu só esperava corresponder às minhas próprias expectativas e fazer tudo direito.
- Vamos. – Outra garota apareceu e me conduziu a um corredor iluminado por lâmpadas vermelhas.
Fiquei no backstage, observando como era o clube. Eu nunca havia visto um lugar como aquele, nem em Chicago e muito menos em Seattle.
Havia uma galeria de arte anexa ao prédio onde funcionava o clube. Todo o ambiente remetia a uma França do século XIX, onde o veludo, as rendas, o ouro, as plumas e quaisquer produtos que trouxessem um toque de glamour e luxo ao lugar prevaleceriam.
No salão principal, havia vários sofás de veludo vermelho e mulheres seminuas passando por eles, enquanto alguns homens conversavam e fumavam os seus charutos. Garçonetes devidamente arrumadas, com seus vestidos e enfeites de plumas na cabeça desfilavam graciosamente por entre as mesas.
No palco, havia duas mulheres seminuas recitando algum poema, que parecia ser de Lorde Byron. Candelabros e velas iluminavam o local, onde pessoas transitavam e conversavam, sem se preocupar com a nudez de quem trabalhava ali.
No bar, muitos homens bebiam e se entretinham com as mulheres que estavam vestidas como francesas do século XIX; algumas faziam companhias para eles. Não havia nenhum abraço, nenhum beijo e muito menos alguma mão mais abusada, apesar de toda a sensualidade e erotismo que exalava de cada canto daquele clube.
As mesas estavam estrategicamente arrumadas em frente ao palco; olhei e não vi nenhuma barra de ferro.
Aonde eu faria a minha apresentação?
- Isabella, por aqui. – Carmen apareceu e me conduziu ao palco, onde as mulheres saíram depois de declamarem o poema. – Você vai se apresentar aqui nesse salão.
- Mas onde está a barra de ferro? - Comecei a esfregar as mãos nervosamente.
- Ali está. – Carmen apontou para um canto afastado, onde não havia ninguém. – Você vai se apresentar ali enquanto eu coloco alguém cantando nesse palco.
- Mas assim ninguém vai olhar para mim... – Falei um pouco mais alto, extremamente nervosa com a situação.
- Não, minha querida. Ledo engano. – Ela se aproximou e sussurrou. – Irina vai cantar uma música francesa enquanto você se apresenta. Chame a atenção dos nossos clientes e será contratada. – Ela sorriu maliciosamente para mim. – Se eles a ignorarem, você estará fora.
- Mas... – Comecei a sentir o meu estômago reclamar. Eu estava ferrada.
- Eu só mantenho as melhores aqui. Irina é a preferida desse clube, não será fácil desbancá-la. Mulheres que não têm um diferencial, não são bem vindas à minha casa. Mostre a que veio e o emprego será seu. Tenho certeza que será bem remunerada por isso. – Carmen acariciou o meu ombro.
- Tudo bem. – Sussurrei antes de seguir para o meu lugar.
Encarei a barra de ferro, enquanto as pessoas conversavam e bebiam sem se importarem com a minha presença. Assim que Irina entrou no palco, foi ovacionada por uma série de palmas e assobios, fazendo com que eu me encolhesse ainda mais.
Eu precisava vencer aquele desafio.
- Eu preciso fazer isso. – Fechei os olhos e inspirei profundamente enquanto Irina começou a cantar " Tu es ma came".
Coloquei uma perna na barra de ferro e rebolei sensualmente. Girei o meu corpo e subi, escorregando até o chão.
Levantei e desfilei em volta da barra; parei e desci rebolando até o chão, virando-me para ver se alguém me observava.
Todos estavam encarando Irina no palco. Ela cantava sensualmente com uma camisola de renda. Seria uma dura competição para mim.
Executei um fireman cruzado; caí de joelhos e deitei, ondulando o meu corpo rente ao chão.
Subi lentamente, passando a mão no meu quadril. Girei novamente na barra e joguei o meu corpo para trás.
Quando subi, vi alguns homens me encarando. Eu precisava ousar mais.
Desfilei mostrando o traje sexy que eu usava. Parei e rebolei, empinando o bumbum e olhando-os de maneira lasciva.
E de repente, imaginei Edward ali, me observando de maneira quase imoral.
Fiz um seat básico, enquanto minha cabeça pendia para trás e meu braço direito caía.
Desci, ondulei o meu corpo novamente, passando uma mão por entre os seios e subi, executando um back hoor rápido, deixando o meu corpo rente à barra.
Segurei na barra novamente e deslizei por ela, parando para executar um seat glamour até sentar no chão. Levantei e subi duas vezes, roçando-me na barra. Girei novamente por ela e fiz um carrossel. Quando me preparei para executar o próximo movimento, percebi que mais pessoas me observavam.
Então tentei fazer algo no nível avançado. E consegui.
Fiz o basic teddy, apesar das minhas mãos estarem suando. Segurei firmemente na barra e fechei os olhos, quando senti alguma luz em cima de mim.
Um homem moreno me encarava. Seu olhar fez o meu corpo arrepiar-se imediatamente; ele passou os dedos nos lábios e me encarou dos pés a cabeça.
Eu estava conseguindo.
Deslizei pela barra e levantei, recebendo aplausos da maioria dos clientes. Todos olhavam para mim, enquanto Irina cantava no palco.
E ela me encarava raivosamente.
Fiz uma reverência e em seguida, balancei o bumbum para o público. Mais pessoas se aproximaram e ouvi os aplausos aumentarem depois que Irina acabou de cantar.
- Com você, Isabella Marie! – A luz em cima de mim ficou mais forte. – A nova aquisição da casa. – Ouvi assobios e gritinhos entusiasmados.
Saí do pequeno palco em que me apresentei e encontrei com Carmen no caminho.
- O que você achou? – Perguntei ofegante.
- Bom, mas nada que eu não tenha visto antes. – Ela ajeitou as suas luvas pretas nos braços. – Da próxima vez, mostre os bicos rosados dos seus seios e tudo será perfeito.
- Eu não faço isso... – Murmurei, tentando não fugir dali. -... Eu não tenho vinte e um anos completos*. – Tentei argumentar para não perder o emprego que eu mal ganhara.
- Você faz o que eu mandar. Só não ficará nua, se eu não quiser... – Carmen me levou a uma sala e fechou a porta. -... Você se apresentará no pole dance mais umas duas vezes hoje. Amanhã, você vai se apresentar no balanço que fica em cima do palco. Quero que ensaie algo novo. – Ela sorriu debochadamente. – Quando você fará vinte e um anos, minha querida?
- Daqui a alguns dias... – Eu estava pensando em várias coisas e definitivamente, nenhuma delas era sobre o meu aniversário. – Eu vou ensaiar algo novo pra amanhã? – Carmen me ignorou enquanto mexia em uma gaveta. – Eu não vou conseguir e...
- Com essa quantia, você consegue? – Carmen me entregou várias notas dobradas. – Acho que quinhentos dólares é o suficiente pra você começar.
- Quinhentos doláres? – Quase engasguei. – Mas como isso é possível?
- No meu clube, tudo é possível. – Carmen sorriu. – E se o senador virar nosso cliente assíduo por sua causa, você vai ganhar muito mais.
- Senador? – Balancei a cabeça confusa. – Eu não conheço senador nenhum.
- O homem que estava bem próximo ao palco em que você se apresentou. Joseph Carter. – Carmen tirou um cigarro da cartela e o acendeu. – Ele ficou encantadíssimo por você e perguntou quando serão as suas próximas apresentações.
- Me desculpe, mas eu tenho alguém lá fora. – Contei o dinheiro. – Esse homem não me interessa. – Segurei o dinheiro contra o peito.
- Mas interessa ao meu clube! – Carmen se levantou e esbravejou. – Pouco me importa o que você sente e quem você ama. Aqui dentro nós não temos sentimentos, temos necessidades. Agora vá e se prepare para a próxima apresentação. Preciso que me devolva o dobro que paguei a você. – Carmen virou de costas para mim. – Quero lucros. – Ela murmurou.
Saí e me apresentei nas noites seguintes, mais de duas vezes. Chegava cansada em casa, mas sabia que no final, eu levaria uma boa grana. E era isso que me incentivava a continuar.
O tal senador não se aproximava, somente mandava drinks e flores ao meu camarim. Isso aumentava a raiva de Irina, já que ela se encantara por ele e ele nem a percebera.
Carmen insistia para que eu fosse até a mesa de Joseph Carter e agradecesse "da melhor forma". Mas eu sempre me recusava e fugia dos seus planos para ganhar mais dinheiro às minhas custas.
Era a minha quinta noite no clube e já conhecia algumas mulheres que trabalhavam comigo; fora Maria e Carmen, conheci Charlotte e Makenna.
- Você está sendo um sucesso, garota! – Maria falava comigo enquanto eu me preparava para mais uma apresentação. – O senador Carter está louco por você.
- É, Carmen me falou. – Coloquei mais blush no meu rosto. – E Irina me lembra disso todos os dias enquanto tenta sabotar as minhas apresentações. Ontem ela escondeu o meu corselete e minhas meias.
- Irina é mal fudida. – Ri do seu comentário. – Por que você não dá uma chance ao senador?
- Porque eu tenho alguém lá fora que eu amo muito. – Parei de me maquiar e encarei Maria através do espelho. – E eu não poderia me vender desse jeito. – Ajeitei o meu cabelo que caía em ondas pelos meus ombros.
- Você não estaria se vendendo, estaria ajudando a si mesma. – Maria virou a minha cadeira pra ela. – Qualquer que tenha sido a razão para você parar aqui, o senador poderia ajudá-la. Ele é uma pessoa muito influente.
- Eu imagino que seja, mas está fora de cogitação. – Sorri pra ela. – Vamos parar com esse assunto, antes que eu chute o seu traseiro para fora daqui! – Levantei e ajeitei o meu corselete. – O que achou?
- Está linda! Mas falta alguma coisa... – Maria saiu e voltou instantes depois. – Use isso.
- Luvas? – Coloquei e puxei-as até os meus cotovelos, encarando a minha imagem no espelho. Eu estava muito bonita. – Obrigada.
Maria sorriu e eu fui me apresentar, mais uma vez.
[...]
Logo após a apresentação, fui ao camarim tirar as minhas roupas.
- Depois a gente se fala... – Falei para Maria antes de fechar a porta e tirar o meu roupão.
- Isabella? – Ouvi alguém me chamar e estremeci. – Me desculpe por assustá-la. – Tentei colocar o roupão, mas ele já havia caído.
- O que o senhor está fazendo aqui? – Virei-me e encarei o homem de quase um metro e noventa sentado no sofá. – É proibido vir ao camarim. Por favor, eu quero que saia. – Não consegui encará-lo.
- Eu só queria dizer-lhe que estou encantado com seu trabalho. – Ele se levantou e se aproximou de mim. – Sou Joseph Carter, seu estimado fã.
- Eu sei quem o senhor é, senador. – Falei rudemente e ele me encarou com seus olhos castanhos profundos. – Agradeço que aprecie meu trabalho, mas, por favor, saia do meu camarim. Agora. – Abri a porta e olhei para o outro lado.
- Desculpe-me se fui inconveniente. – Ouvi passos se aproximando. – Gostaria que jantasse comigo depois da sua apresentação, aqui mesmo no clube. Necessito apenas de alguns minutos de sua atenção. – Encarei o homem que estava a minha frente. – É só isso que desejo. – Ele sorriu levemente malicioso.
- Não posso prometer-lhe nada. – Murmurei. – Acho que seria melhor convidar Irina. Ela com certeza ficaria lisonjeada.
- Obrigado pela sugestão, mas decido esperar por você. Sou um homem paciente. – Senti o seu hálito de menta e cigarro próximo ao meu rosto. – Tenha uma boa noite, Isabella.
- Boa Noite. – Ajeitei o corselete em meu corpo enquanto o senador me encarava. E com isso, fechei rapidamente a porta.
[...]
- Como foi o trabalho ontem? – Renata colocava um pouco de café em minha xícara. – Chegou bem tarde, não foi?
- Foi. – Esfreguei os olhos, ainda com algum sono. – O clube teve muito movimento.
- E você já se apresentou mostrando os bicos rosados? – Renata riu e eu fiz uma careta pra ela.
- Não. – Bufei antes de tomar um gole do café. – Aquele tal senador esteve em meu camarim querendo me conhecer melhor.
- Sério? – Renata quase cuspiu o café todo. – O que você fez?
- O que eu fiz? – Olhei confusa para ela. – Eu não fiz nada! Eu amo Edward e nunca faria isso conosco.
Ficamos em silêncio e percebi o quanto Renata estava cansada. Ela estava trabalhando além do normal, mesmo com a ajuda ínfima que eu estava dando. Eu precisava repassar uma maior quantia a Jasper e por esse motivo, eu estava juntando algum dinheiro.
- Eu tenho más notícias, Bella. – Renata depositou a xícara na mesa antes de falar. – Edward foi transferido ontem.
- Transferido? – Limpei a boca antes de falar novamente. – Por quê? Pra onde?
- Para um hospital mais bem equipado e mais caro. – Renata me encarou tristemente. – A família achou melhor transferi-lo depois de tudo o que houve. Eles temem pela sua vida. Acha que você poderia fazer algo contra ele.
- Eu? O que eu poderia fazer contra ele? – Levantei e andei de um lado para o outro. – Eu preciso saber onde ele está, eu preciso saber dele! – Desabei no sofá.
- Calma, você precisa pensar em sua segurança agora. – Renata se aproximou. – Você não pode andar por aí, esqueceu que você foi denunciada à polícia? Qualquer passo errado, você poderá ir presa.
- Eu sei e é isso que me segura. – Senti os meus olhos arderem. – Eu preciso fazer alguma coisa, não posso ficar inerte, sem fazer nada. Tenho vontade de jogar tudo para o alto e ir atrás dele mesmo assim... – Escondi o rosto entre as mãos.
- Por que você não peça ajuda a esse senador? – Encarei Renata, incrédula. – Ele pode ajudar você, já que está interessado...
- Eu não vou fazer isso... – Murmurei para mim mesma. – Eu vou encontrar uma solução. – Levantei e tentei pensar em algo.
- Eu sei que você vai... – Renata se aproximou mais e me abraçou. – Só considere o que eu falei, tudo bem? Por mais que você não queira se envolver com o tal senador, ele é a única pessoa que vejo agora que poderá ajudar você e a Edward.
Fiquei pensando no que Renata dissera, mas eu precisava tentar todas as alternativas que não envolvessem o tal senador e eu me vendendo. Liguei para diversos hospitais, mas eles não me deram uma informação sequer.
Isso seria muito mais difícil do que eu imaginava.
Liguei para Rose Hill e falei com Clark, mas ele não sabia onde Edward estava. Ele disse que as coisas estavam bem estranhas e que quase não via Alice e os outros. Que quando não estavam com Edward, estavam em seus quartos.
Sem cafés da manhã, almoços ou jantares em família.
Liguei para Jasper e contei tudo. Ele, mais uma vez, pediu para que eu voltasse a Seattle, ouvindo um "não" como resposta.
Eu não tinha mais a quem recorrer.
Decidi ligar para Samuel, que insistiu em saber onde eu estava. Desconversei e, quando eu perguntei onde Edward estava, ele me disse que não sabia. E que não era mais advogado dos Cullen, sendo substituído prontamente por outro, que estava agindo por Mike e Alice.
- Alice aceitou a transferência de Edward? – Perguntei, sem entender muita coisa.
- Aceitou. – Samuel ficou em silêncio antes de continuar. – E ela foi à polícia denunciar você, juntamente com os outros, depois que ela se recuperou do choque e tudo mais. – Fiquei em silêncio, sem acreditar no que ouvia. – Escute aqui, Bella. Alice só quer proteger Edward e...
Desliguei assim que senti os meus olhos pinicarem. Eu sabia que Alice estava magoada comigo, mas não esperava que ela tomasse uma atitude dessas. Afinal, ela não sabia que os sentimentos que eu tinha por Edward eram verdadeiros? Ela não tinha ficado comigo tempo o suficiente para saber como eu era e como eu agia?
Não. Ela não sabia.
Alice não me conhecia verdadeiramente porque eu havia mentido. Havia forjado uma história e uma possível paternidade. Havia enganado a todos e dado falsas esperanças a ela de ser a minha irmã.
Eu era uma mentirosa, farsante e aproveitadora.
Assim todos os Cullen acreditavam, exceto Edward.
Tirei a ficha do telefone e vi algumas pessoas passando na rua do clube. Decidi entrar para mais um dia de trabalho.
Balancei a cabeça, tentando não pensar mais em Alice e me focar em encontrar Edward. Era isso que realmente importava para mim.
Mas, apesar de tudo o que havia acontecido, eu desejava ter a chance de conversar com ela. Um dia.
- Isabella... – Carmen se levantou assim que entrei em sua sala. – Aconteceu alguma coisa?
- Depois da minha apresentação, vou jantar com o senador... – Ergui o queixo. -... Você permite?
- Claro, minha cara. – Carmen se aproximou e me abraçou. – Você não irá se arrepender, eu garanto. – Ela depositou um beijo suave em meu rosto e o alisou.
E eu esperava que Carmen estivesse certa.
.
.
.
EDWARD POV
.
.
.
Música: Holding On And Letting Go - Ross Copperman
O fogo estava cessando quando aprendi a me acostumar com ele. Eu me sentia flutuando num vazio, sem nada para me segurar ou alguém para me estender a mão.
Era incômodo, uma estranha sensação de estar perdido, sem rumo. Eu estava dormindo há horas e queria gritar para que me acordassem, já que o meu corpo não atendia aos meus apelos. Eu já estava cansado de ficar inerte, apesar da paz que eu sentia em algum momento.
O anjo que me acompanhava sumiu e há horas eu sentia a sua falta... Não ouvia mais a sua voz; a sua presença trazia uma paz reconfortante e por causa dele eu era capaz de suportar a dor e o fogo dilacerante que me consumia.
Sem ele, eu nunca seria capaz de sobreviver. Sem ele, o fogo tinha me consumido e me transformado em qualquer pessoa, menos em Edward Anthony Masen.
Alguma coisa estava errada, não estava se encaixando. Eu podia sentir, embora achasse que houvesse alguma loucura de minha parte. A dor poderia nos causar alucinações, eu sabia. Mas a presença do meu anjo não havia sido uma alucinação, tinha sido uma verdade.
Uma chance dada a mim para que eu não deixasse finalmente o meu corpo sucumbir.
No fundo, ouvi algumas vozes. Vozes que iam e vinham numa perturbação incessante. Não era a voz do meu anjo que me acalmava, como se quisesse dizer que tudo ficaria bem, no final. Eram vozes ameaçadoras, vozes que eu preferia esquecer ou não ouvir.
Bella apareceu de repente em minha frente e, se eu não estivesse tão cansado, eu conseguiria sentir seu cheiro e ouvir a sua voz. Ela estava tão bonita, com um longo vestido branco, enquanto seus cabelos balançavam contra o vento. Suas mãos estavam esticadas em minha direção, mas eu não conseguia me mover para pegá-las.
Mas ela não desistia de mim, apesar do seu olhar estar repleto de dor e confusão. Eu queria encontrar, queria abraçá-la e dizer que, eu aceitaria qualquer condição que ela impusesse, apenas para ficar ao seu lado.
Eu namoraria escondido como um adolescente, aceitaria sua amizade com Samuel, não tocaria em assunto de paternidade ou herança. Nada mais me importava. Eu só queria ficar.
Essa vontade crescia conforme os minutos iam passando... Será que já havia anoitecido? Será que Bella sentia a minha falta?
De repente, o medo invadiu os meus pensamentos... Bella estava a salvo? Será que alguém queria lhe fazer algum mal, assim como fizeram a mim? Será que Bella estava sozinha, sem ninguém para protegê-la?
E foi quando eu vi Bella chorar, depois de muito tempo sorrindo para mim. Ela se abraçava protetoramente, até que desabou no chão, deitando em posição fetal. Seu cabelo caiu em seu rosto e eu ouvi os soluços e o choro rompendo desesperadamente do seu peito. E aquela cena foi capaz de quebrar o meu coração como nunca.
Tentei me mover, mas meus pés não me obedeciam... Comecei a praguejar, gritar e chamar por Alice, Emmett e Mike; alguém precisava me ouvir. Bella estava sofrendo e precisava da minha ajuda.
- Bella! – Gritei, mas ela não me ouvia.
E o fogo voltou, dessa vez mais forte. Meu peito parecia incendiar, o calor invadiu cada célula do meu corpo, provocando-me e trazendo um súbito mal estar. Eu queria salvá-la, eu precisava salvá-la... Mas como?
Então me concentrei em me mover. Meus músculos doíam, minhas articulações deram pequenos estalos e a cada tentativa, a dor parecia ficar mais forte. O meu anjo não estava perto de mim para afugentar aquela sensação angustiante, então, pela primeira vez em algum tempo, eu precisava agir sem esperar por ele.
- Bella! – Gritei mais alto, mas ela não se mexeu. – Bella! – Consegui mover o meu pé direito.
A dor foi substituída por uma vontade crescente de salvar a mulher que eu amava.
Eu amava Bella com todo o meu coração. E eu precisava que ela sentisse o mesmo por mim.
- Eu vou salvar você... – Murmurei enquanto consegui mover o pé esquerdo. Uma dor excruciante espalhou violentamente pela minha perna, parando no fêmur. Eu não sabia o que estava acontecendo.
Quando tentei mover o outro pé, cai debilmente. Minha respiração estava ofegante e eu estava cansado apenas por ter executado dois movimentos... Por que eu estava assim?
Meu cabelo grudava na minha pele; passei a mão no rosto e com a visão um pouco turva, consegui ainda visualizar Bella no chão, até que desabei completamente.
- Edward... – Ela murmurou enquanto fechava os olhos. Sua aparência estava serena, porém havia algo ali que eu não identificara. -... Eu amo você.
- Não! – Gritei enquanto via Bella sumindo. O desespero e o pavor tomaram conta de mim, e mesmo com todos esses sentimentos, eu não consegui mais fazer movimento algum. – Bella... – Murmurei, sentindo minhas pálpebras pesarem. Eu não queria dormir novamente, eu queria encontrá-la e dizer que o sentimento era recíproco.
Eu queria dizer que não me preocupava com seus medos e anseios, nem com o seu passado e o seu futuro; que eu não me importava com quem ela realmente era.
Eu só me importava com que ela era pra mim. E decididamente, ela era tudo.
Mas eu não tive oportunidade de dizer nada. Sem Bella e sem o anjo, eu não tinha forças para continuar e lutar.
Então deixei que o meu corpo cansado finalmente adormecesse.
[...]
- Ele parece melhor. – Ouvi uma voz masculina. – Sua pressão e batimentos cardíacos foram estabilizados.
- Isso é ótimo. – Ouvi outra voz. Dessa vez era de uma mulher. – Vamos continuar com a medicação, porém diminua as doses. – Meus olhos pesavam, eu não conseguia abri-los. – Ele vai ficar bom.
O silêncio apoderou-se do ambiente novamente, enquanto eu me sentia melhor. O corpo ainda doía, mas não como antes; eu poderia até tentar me mover, mas eu queria fazer diferente dessa vez.
Concentrei-me em mexer algum dedo da mão. Depois de alguns minutos consegui, sentindo algo macio embaixo de mim. Onde eu estava?
Meu olfato estava prejudicado, eu não sentia cheiro de nada. Não conseguia ouvir algum som, havia somente o silêncio angustiante que me incomodava.
Movi os dedos da outra mão e senti a mesma maciez, porém algo estava preso a minha pele... O que seria? Por que eu estava preso?
Forcei os meus olhos a abrirem, apesar das pálpebras ainda estarem pesadas. Uma forte luz fez com que eu os fechasse novamente, só abrindo-os minutos depois. Estava tudo claro demais... Por que não diminuíam a luminosidade?
Quando consegui focalizar a minha visão, vi uma cômoda a minha frente. Em cima dela, havia uma pequena televisão.
Com algum sacrifício, virei o pescoço para o lado direito. A minha mão direita estava pesada e eu precisava saber o que havia acontecido com ela.
Havia um cateter de hidratação venosa preso no dorso da minha mão... Que merda era aquela? O que havia acontecido?
Olhei o ambiente em minha volta e eu estava... Num quarto? Mas eu não me lembrava de um quarto daquele tipo em Rose Hill. Ele era tão branco, tão silencioso... Tão hospitalar.
Eu estava em um hospital. As lembranças do acidente invadiram a minha mente em segundos e eu senti a minha cabeça latejar. A dor não era alucinante como outrora, mas era incômoda e me dificultava a pensar com coerência e em como sair dali.
Passei a mão no rosto e senti outro cateter, dessa vez era um que estava me auxiliando a respirar. Com frieza, retirei o fino tubo do meu nariz e depois de alguns minutos, meu olfato havia voltado.
Com todos os movimentos e o susto por estar em um quarto do hospital, senti meus batimentos acelerarem. O monitor cardíaco apitou incessantemente e eu vi os fios conectados em meu peito. Retirei um por um até que senti mãos tentando me conter.
- Sr. Masen, preciso que pare com isso. – Um jovem tentou recolocar os fios que eu havia retirado. – Preciso que se acalme.
- Vá à merda. – Pronunciei, sentindo um gosto amargo na boca. – Eu vou embora. Agora. – Tentei me mover, mas alguém me segurou.
- O senhor não vai. – Vi uma mulher se aproximando com uma seringa. – Precisamos fazer alguns exames.
- Edward Cullen. – Tive vontade de corrigir a outra mulher que se aproximava, mas eu senti minhas pálpebras pesando novamente. – Seja bem vindo. Estou feliz pela sua recuperação.
Vi as pessoas dançarem a minha frente, enquanto a médica falava algo que eu não entendia. A dor estava mais fraca, porém eu não consegui reorganizar os meus pensamentos e pensar numa maneira de sair dali. A minha tentativa malsucedida de ir embora à força mostrou não ser a tática ideal. Eu precisava pensar em algo. Eu precisava ir atrás de Bella.
E novamente senti meu corpo ceder ao sono profundo.
[...]
- Edward? – Ouvi uma voz familiar. - Edward?
Abri os olhos lentamente depois de ter dormido alguns minutos. Ou horas. Eu não tinha noção de tempo em que eu estava naquele estado.
- Sou eu, Alice. – Senti sua pequena mão segurando a minha. – Estou tão feliz que já esteja melhor! – Sua pele macia encostou-se à minha.
- Allie... – Murmurei depois que senti os lábios da minha irmã em meu rosto. – Onde está Bella? – Fiz a pergunta que veio a minha mente. Eu não esconderia de ninguém.
- Não vamos falar sobre isso agora, tá? – A sua voz estava estranha. – A Dr. Jane disse que você está se recuperando bem, o que é ótimo. – Alice se aproximou. – Inclusive não precisam mais fazer o monitoramento cardíaco.
Levei a mão esquerda ao peito e percebi que não havia fios conectados à minha pele. Apenas havia um cateter que estava preso ao dorso da minha mão direita; provavelmente para a hidratação e medicação.
- Marc, Mike e Rosalie estão ansiosos para vê-lo. – Fingi que não ouvi, pois não queria ver Marc e nem Rosalie. Queria somente a minha família ao meu lado. – Eles virão mais tarde.
- E Emmett? – Alice olhou para o outro lado. – O que houve, Alice?
- Emmett foi internado. – Ela encarou o meu rosto com os olhos lacrimejantes. – Ele teve uma recaída, eu não queria interná-lo, mas...
- Tudo bem, Allie. – Tentei levantar a mão para fazer um carinho em seu rosto, mas tudo doía. – Eu acredito em você.
- Você não sabe como foi horrível... – Alice rapidamente enxugou uma lágrima que caíra em seu rosto. -... Mas ele está bem.
- E Bella? – Alice tentou levantar, mas eu a segurei, apesar da dor que sentia. – Eu preciso vê-la. Ela está bem?
- Descanse, depois conversamos sobre Bella. – Alice sorriu tristemente. – O inspetor está esperando a sua total recuperação para fazer algumas perguntas sobre o acidente.
- Dane-se qualquer investigação, eu quero saber sobre a minha Bella! – Vi os olhos de Alice arregalarem. – E eu não quero desculpas, Alice. Você vai me contar o que houve!
- Eu não posso! – Alice começou a chorar e se desvencilhou da minha mão. – Descanse, depois conversamos sobre isso. – Ela abriu a porta do quarto e saiu.
- Alice! – Tentei tirar o cateter da minha mão, mas não consegui. – Alice! – Fiz um movimento para sair da cama, mas uma mulher entrou rapidamente no quarto enquanto minha irmã sumia.
- Sr. Masen, preciso que se acalme. – Uma mulher se aproximou. – Sou a Dr. Jane. Preciso que se controle.
- Eu não vou me controlar! – Esbravejei o mais alto que pude. – Estou cansado de ficar aqui!
- Entendo a sua situação, mas o senhor só será liberado depois do resultado dos últimos exames. – Ela se aproximou com uma pequena seringa.
- Você não vai me dopar novamente. – Cerrei os punhos. – Prometo colaborar, se não me colocarem para dormir. – Pedi.
- Tudo bem. – Ela depositou a seringa em cima de uma pequena bandeja de aço. – Preciso fazer algumas perguntas e alguns procedimentos básicos... Permite?
- Tudo bem. – Sentei-me corretamente na cama enquanto era massacrado por perguntas de todos os tipos.
A Dr. Jane parecia ser uma profissional competente.
Depois de uma hora, fiquei sozinho novamente. Mais tarde, faria uma ressonância magnética. Só precisava aguardar.
Tentei encontrar um telefone, mas no quarto não havia nada do tipo. Eu precisava saber sobre Bella, e a atitude de Alice quando perguntei sobre ela, só me deixava mais temeroso.
Alguma coisa havia acontecido.
Mesmo relutando, voltei a adormecer. Acordei só para me alimentar, tomar a medicação e fazer o exame. O dia parecia longo.
Acordei no dia seguinte mais disposto, mas ainda com alguma dor e sem conseguir me levantar.
- Posso entrar? – Vi o rosto de Mike despontar pela porta. Ele parecia cansado.
- Claro. – Passei a mão no rosto, livrando-me de qualquer resquício de sono.
- Você nos deu um susto e tanto, cara. – Mike apertou a minha mão. – Foram vinte dias de angústia, esperando que você acordasse.
- Vinte dias? – Eu não estava acreditando no que ouvira. – Que dia é hoje?
- Dia 27 de agosto. – Mike sorriu. – Você estava em coma, Edward. Não se preocupe com isso.
- O que aconteceu com Bella? – Perguntei imediatamente, esquecendo o susto por saber que havia ficado vinte dias em coma. – Eu preciso saber como ela está.
- Ela foi embora. – Mike murmurou. – Ela não é nossa irmã.
- O quê? Do que você está falando? – Perguntei mais alto que o esperado. – Ela fez o exame? Como?
Mike contou tudo o que havia acontecido na minha ausência: Desde a realização do exame até o resultado e a reação de todos em Rose Hill.
Isabella Swan não era filha legítima de Carlisle Cullen.
Em cada informação nova, eu tentava reorganizar com as antigas, procurando reformular respostas para a situação que estava sendo exposta a minha frente.
- Bella decidiu ir embora, com Samuel. – Mike disse com pesar. – Apesar dos meus pedidos e de Alice para que ela esperasse pela sua recuperação, ela não quis ficar.
Fiquei em silêncio, enquanto estudava cada expressão no rosto de Mike.
- O que foi? – Continuei em silêncio, tentando absorver tudo. – Não está acreditando em mim? – Mike mostrou-se ofendido.
- Não. – Falei com convicção. – Você, Rosalie, Emmett e Marc nunca aceitaram Bella. Acho difícil que não a tenha humilhado e escorraçado de Rose Hill. – Decretei, encarando seus olhos azuis.
- Nós não fizemos isso. – Mike repetiu calmamente. – Bella decidiu ir embora, sentindo-se envergonhada por toda a confusão que fez. Em nenhum momento nós a humilhamos. – Ele olhou para as próprias mãos. – Estou admirado em ver que está tão preocupado com ela, Edward. Ela realmente vale isso tudo?
- Ela vale muito. Ela vale mais do que nós dois, mais do que todos os Cullen juntos. – Cerrei os punhos, tentando não me descontrolar novamente. – Bella não merecia uma família fudida como a nossa. E Carlisle nunca poderia ter uma filha como ela. – Me aproximei de Mike, sussurrando. – Bella não tem o nosso sangue podre, Mike. Disso eu sabia desde o início.
Mike ficou em silêncio enquanto me encarava com pavor. Seus olhos azuis abriram-se e pareciam dizer muito mais do que toda aquela quietude: Ele estava profundamente decepcionado comigo.
- Acho que você não está mais em condições de conversar. – Mike levantou-se e parou no meio do caminho. – Vou acreditar que sejam os remédios. Depois nós conversamos. – Vi o meu irmão sair do quarto e bater a porta com violência.
Assim que Mike saiu, levantei com dificuldade e fui até à porta. Meu quarto estava sendo guardado por dois seguranças – pareciam ser policiais à paisana. Dificilmente o Estado deixaria um juiz como eu sem nenhuma assistência.
Sentei novamente na cama e percebi que estava mancando... Eu precisava de uma bengala.
E precisava, mais do que tudo, encontrar Bella.
Pedi insistentemente para fazer uma ligação. Fui atendido depois de um bom tempo, quando trouxeram um celular ao meu quarto. Mas, para quem eu ligaria?
- Samuel, sou eu, Edward. – Ele atendeu no terceiro toque.
- Edward! Como você está? – Olhei para a porta. Se alguém chegasse, eu desligaria. – Não me disseram que você havia acordado.
- Eu preciso de notícias da Bella. – Sussurrei, com a boca seca. – Você sabe onde ela está?
- Não, ela me disse que ficaria com Ângela, sua secretária. Mas mentiu. – Passei a mão no cabelo, desejando arrancá-lo. – Ela me ligou dois dias atrás.
- E como ela está? – Senti a minha cabeça doendo novamente. – Por que ela saiu de Rose Hill?
- Seus irmãos a expulsaram de lá. – Samuel respondeu depois de algum tempo. – Ela foi duramente massacrada.
- E Alice? – Não consegui omitir a repulsa em minha voz. – O que ela fez?
- Ela ficou muito abalada. Alice ficou inconsolável, mas depois decidiu denunciar Bella à polícia.
- Denunciar Bella? – Quase quebrei o celular que estava em minhas mãos. – Que merda eles estavam pensando?
- Ela foi acusada de falsidade ideológica e furto. – Fechei os olhos, massageando a têmpora. – Bella está muito encrencada, Edward. Temo pela sua segurança.
- Você vai me ajudar nessa. – Eu precisava pensar rápido. – Você vai contratar o melhor detetive particular para encontrá-la. E ficará em Rose Hill para mim, passando cada informação que obtiver.
- Não sou mais advogado da sua família. Fui demitido por Mike. – Samuel disse com pesar.
- E mais essa... Eu vou recontratá-lo. – Bufei irritado demais com Mike e Alice. – Faça o que eu pedi, vou pagá-lo cada centavo. – Encostei-me a cabeceira da cama, já cansado. – Samuel, nós precisamos encontrá-la.
- Nós a encontraremos, Edward. – Eu precisava confiar em Samuel. – Deixa comigo.
[...]
Fiquei mais cinco dias no hospital e já estava entediado; mas muito perto de receber alta. O inspetor responsável pelo meu caso fez as perguntas cruciais para a investigação; eles não haviam encontrado nada relevante. Só algumas ameaças, mas nenhuma que fizesse sentido.
O processo pela divisão do espólio da minha família estava em andamento, agora que sabíamos que Bella não era uma Cullen. Essa revelação trouxe algum alívio para mim, mesmo eu já tendo a certeza do que queria.
Bella era a mulher que eu havia escolhido para a minha vida de merda. Só restava saber se ela toparia entrar nessa comigo, lidando com os meus problemas.
E a possibilidade disso não acontecer era o bastante para me causar um incômodo maior do que a maldita dor de cabeça que eu sentia.
Eu havia recebido a visita de Marc e Rosalie, que não comentaram nada; Alice também voltou para me ver, mas não mencionou Bella em nossas conversas. Mike fez visitas rápidas, ainda não havia me perdoado pelo comentário que fiz, mas agora que eu sabia que ele havia mentido isso pouco importava.
Eu sabia que, quanto mais quieto eu ficasse, demonstrando algum autocontrole, mas rápido eu sairia. Por isso, evitava discutir com os meus irmãos, deixando-os tomarem as decisões da família. Eles estavam estranhando, mas Mike sentiu-se verdadeiramente importante quando suas ordens prevaleciam.
Alice ainda estava estranha, mas eu sabia que era por causa de Bella. Eu só não entendia porque ela havia a denunciado... Eu sabia que algo havia acontecido, mas eu não podia lidar com tudo ao mesmo tempo.
Não consegui entrar em contato com Samuel novamente, a Dr. Jane havia proibido as ligações. Ela era uma ótima médica, mas um pouco petulante para o meu gosto.
E não tinha como caber dois grandes egos num mesmo lugar.
- Eu preciso fazer uma ligação. – Pedi novamente. – É um assunto importante.
- Recomendações médicas. – Ela determinou. – Além do mais, os exames já ficarão prontos. Você poderá ir para casa hoje.
- Obrigado. – Agradeci sinceramente. – Mas preciso fazer uma ligação.
- O senhor deverá esperar. – A Dr. Jane havia me ignorado. Novamente. – Só preciso confirmar suas sessões de fisioterapia. Vejo que continua andando com dificuldade.
- Minha perna dói. Assim como a minha cabeça. – Reclamei.
- A perna é devido à operação. Demora algum tempo para a recuperação completa. – Ela mexeu novamente no meu fêmur e eu senti uma dor aguda. – Enquanto a dor de cabeça, creio que seja de fundo emocional. Alguma preocupação excessiva, talvez. E depois de todo trauma que sofr-
- Vou ficar bem. – Garanti, a interrompendo. Queria logo receber alta. – Tenho certeza que minha família providenciará o tratamento correto.
- Já providenciaram. – Fiquei surpreso. – Você fará sessões de fisioterapia e haverá uma enfermeira a sua disposição. E também virá ao hospital uma vez por semana até que se recupere cem por cento. – A médica anotou algo. – Apesar de todo o tratamento, a sua internação não é mais necessária.
- Sinto-me agradecido. – Comentei. – Eu sei que o meu estado de saúde ficou bastante debilitado. E, graças a vocês, hoje estou vivo.
- Agradeça também ao Dr. James, do Northwestern Memorial Hospital. – sorriu para mim. – A equipe dele realmente salvou você.
- Eu não fiquei internado aqui o tempo todo? – Perguntei despreocupadamente.
- Não. – A médica negou com veemência. – Você veio transferido há uns sete dias.
- Uma semana. – Murmurei. – Mas por quê? Não estou entendendo.
- Parece que houve um problema de segurança no outro hospital, então sua família resolveu trazê-lo para o Methodist Hospital. – colocou a mão em meu ombro. – Eu só terminei o maravilhoso trabalho iniciado pelo . Não fiz nada demais. – Ela saiu, deixando-me cheio de perguntas sem respostas.
[...]
- Obrigado, Clark. – Agradeci o mordomo que juntamente com o segurança havia me auxiliado a subir as escadas de Rose Hill. – Deixe esta mala em qualquer canto.
- Sim, Edward. – Sentei-me na cama, sentindo minha perna novamente. – Deseja algo?
- Desejo saber sobre Bella. – Perguntei, colocando as muletas ao lado. – Ela entrou em contato ou veio aqui?
- Ela ligou, querendo saber onde o senhor estava internado. – Clark se aproximou, olhando para trás. – Mas seus irmãos haviam o transferido de hospital, então a senhorita Swan perdeu a sua localização.
- Malditos! – Esbravejei. – Eles fizeram isso para me afastar de Bella?
- Creio que sim. – Clark afastou-se, assustado com a minha reação. – Depois que o resultado do exame saiu, a senhorita Swan foi embora, acompanhada por Samuel. Depois de quinze dias, transferiram o senhor. E ninguém sabia onde esteve internado. – Clark olhou para o chão antes de continuar. – As coisas ficaram bem estranhas por aqui, senhor. Algo ruim está para acontecer.
- Ou já aconteceu. – Murmurei. – Obrigado, Clark. Se Samuel ligar, transfira a ligação para mim, okay? – O mordomo assentiu. – Preciso que não conte a ninguém.
- Não contarei. - Clark saiu, fechando a porta em seguida.
Deitei após tomar o analgésico receitado pela Dr. Jane. A enfermeira que cuidaria de mim estava descansando em algum quarto próximo ao meu; garanti a ela que estava bem e que precisava ficar sozinho.
- Como está se sentindo? – Alice entrou, depois de bater algumas vezes na porta. – Precisa de alguma coisa?
- Preciso. – Bati no espaço que estava ao meu lado. – Por que você denunciou Bella à polícia? – Perguntei assim que Alice sentou ao meu lado.
- Como você... – Ela hesitou antes de continuar. – Ela enganou a todos nós, Edward. Ela não pode ficar impune.
- Ela foi uma boa irmã a você. Ela... – Tomei fôlego porque ainda estava cansado. -... Ela também foi enganada, Alice. Por Renée. – Encarei os seus olhos castanhos confusos. – Bella não cometeu nenhum crime, ela não furtou nada. Tudo aquilo foi presente seu... Como pôde acusá-la?
- Você não entende! Você está apaixonado por ela! – Alice esbravejou e saiu rapidamente do meu lado. – O que foi? Descobri seu segredinho sujo? Sinto muito que ela tenha me contado.
- O que Bella disse? – Senti meu coração palpitar idiotamente no peito. – Fala logo, Alice!
- Não importa mais. – Alice me encarou friamente. – Ela não está aqui e em breve, estará presa. Aí vocês poderão conversar o tempo que quiserem... – Senti um tom mordaz que não era uma característica de Alice. Algo havia acontecido. E era muito grave. – Se precisar de mim, me chame. – Alice saiu sem sequer me olhar.
Preso a um par de muletas e a uma série de cuidados médicos, decidi procurar Bella pelos meus meios. Entrei em contato com alguns policiais em que eu podia confiar, sabendo que eles não a prenderiam no instante que a vissem.
Mas ninguém a encontrara.
Tentei ligar para Jasper, sem sucesso. Ângela também não sabia o paradeiro de Bella e me garantiu repassar qualquer informação que obtivesse.
Eu não sabia mais a quem recorrer.
Durante os dez dias em que fiquei em repouso absoluto em Rose Hill usei de todos os artifícios para achá-la, sem contar com qualquer auxílio dos meus irmãos. Alice falava somente o necessário comigo, assim como Mike.
Eu estava trabalhando juntamente com Samuel. Liguei para Fred Timmons, um conhecido que trabalhava no FBI.
- Telefone de mulher, Cullen? – Fred riu do outro lado. – Isso não faz parte do meu trabalho.
- Quero que rastreie um telefone para mim. Preciso saber de qual lugar veio a ligação. – Passei o celular para o ouvido direito. – Vou passar o endereço da pessoa que está me ajudando. É Samuel Sloane.
- Tudo bem. – Ele respondeu depois de algum tempo. – Ei, ainda quer informações sobre aquele russo, o tal de Dimitri?
- Óbvio. – Tranquei a porta para não ser surpreendido. – Tem alguma informação relevante?
- Tenho. – Fred estava fazendo suspense. – Parece que o tal de Dimitri é da máfia russa. Meus amigos ainda estão confrontando as informações e me entregarão dentro de alguns dias. – Passei a mão no cabelo, incrédulo. – O cara é barra pesada.
Desliguei o celular, atônito com o que eu tinha acabado de ouvir. Não queria dividir essa nova informação com Samuel, mas não tinha dúvidas em dividi-la com Bella... Meu pai estava empregando um criminoso?
Passei a mão no rosto, tentando me focar em encontrar Bella. Agora, era ela que me importava. Eu sabia que Dimitri era um assunto de extrema importância, mas eu não conseguiria lidar com mais nada que não tivesse a ver com uma morena de cabelos castanhos e olhar enigmático. Eu nem sequer conseguia organizar os pensamentos e pensar em outra coisa ou em outra pessoa. Bella era a minha prioridade agora.
Talvez, ela sempre fosse. Quem sabe eu nunca deixei de tê-la em minha vida, mesmo quando ela dizia que não queria ficar comigo.
Meu coração ignorou qualquer pedido seu; qualquer atitude sua de indiferença passara despercebido por ele. Porque o sentimento não mudou, pelo contrário: ele havia crescido, invadindo-me de maneira assustadora, confundindo-me, deixando-me atordoado com a sua intensidade.
Bella. Minha única possibilidade de paz.
[...]
- Edward? – Alguém estava me acordando. - Edward?
- Samuel... – Passei a mão no rosto. Adormeci com o notebook ao colo. – O que houve?
- Encontramos Bella. – Ajeitei-me no sofá para ouvir novamente. – Nós a encontramos.
.
.
.
BELLA POV
.
.
.
- Você está maravilhosa. – Maria estava ajeitando o arco de plumas rosa na minha cabeça. – Nem acredito que você está fazendo aniversário!
- Nem eu. – Comentei tristemente. Era o primeiro longe da minha mãe e de Jasper. Totalmente sozinha. – Mas me dê os parabéns só após a meia-noite. – Pedi, colocando o corselete rosa repleto de cristais swarovski.
Presente do senador.
- O senador Carter já chegou e perguntou por você... – Maria estava me ajudando nos últimos retoques. -... Ele está visivelmente encantado.
- Só estou dando corda a ele para que possa ajudar Edward. E a mim. – Passei um pouco mais de rímel nos meus cílios postiços. – Não há qualquer envolvimento emocional da minha parte.
Eu havia finalmente cedido aos pedidos de Joseph Carter. Nós jantávamos quase todas as noites e, quando isso não era possível de acontecer, devido aos seus compromissos profissionais, ele me levava em casa.
Josh era senador do estado de Ilinois pelo partido democrata. Tinha 30 anos e era divorciado, sem filhos.
Morava em Springfield; seu pai era um grande fã de Carmen Von Teese e de sua famosa "arte". Passou para o filho a tamanha devoção pelo clube de Chicago.
Joseph assistia todas às minhas apresentações de camarote; uma vez, chegou de helicóptero para não perder minha 10ª apresentação. Foi um alarde geral, enquanto Carmen comemorava.
E eu não esboçava nenhuma reação.
Eu só não aceitava sair do clube para jantar ou passear em qualquer lugar. Eu tinha dois objetivos: Descobrir onde Edward estava internado e tentar livrar a minha barra com a polícia. Eu sabia que precisava de alguém influente como o Joseph; só precisava cativá-lo mais.
E mais nada.
Josh me assustava com a sua devoção. Ele gostava de pegar a minha mão e beijá-la, acariciando a minha pele. Aquele contato inesperado sempre me deixava nervosa e o deixava com esperanças, achando que eu estava sentindo algo por ele. Mas era puro nervosismo pela situação constrangedora na qual me envolvi.
Conversávamos sobre vários assuntos, menos sobre política e a minha vida pessoal, assunto proibido no clube. Eu queria abordá-lo, pedir para que ele me ajudasse. Mas com as regras impostas por Carmen e o medo que não me deixava ir além daqueles jantares no clube, eu ainda não havia conseguido muita coisa.
Josh sabia dos meus problemas com a justiça e as acusações; ele já estava falando com algum advogado que pudesse me ajudar.
Ótimo. Agora só precisava conseguir o paradeiro de Edward e tudo ficaria bem.
E eu poderia me desvencilhar dele.
Eu esperava ter êxito hoje à noite. Tinha certeza que ele não negaria um pedido meu.
Era dia 12 de Setembro, véspera do meu aniversário. Hoje, eu iria despir os meus seios para o público. Por insistência de Carmem por algo novo.
Eu faria tudo muito rápido, apesar dos pedidos de Von Teese para que eu fosse lentamente sensual. Eu já seduzia com a minha dança e com o meu figurino, não precisava apelar. Mas no Everleigh Social Club isso era altamente comum e corriqueiro, para o meu desespero.
Mas ninguém o fizera no próprio aniversário.
Olhei-me no espelho. Estava particularmente bonita com o presente de Josh.
Corselete de cor rosa e dourado. Cristais Swarovski.
Calcinha do mesmo tom dourado do corselete. Renda com muitos detalhes e brilho.
Meus cabelos, que fora tingidos de preto, estavam soltos, modelados por babyliss. Por cima deles, estava uma tiara repleta de plumas num tom rosa.
Minha maquiagem estava marcante: Delineador preto, muito rímel, sombra e longos cílios postiços. Nos lábios, um gloss.
Coloquei uma sandália da grife Jimmy Choo nos pés.
Rapidamente, lembrei-me de Alice.
- O que foi, Bella? – Maria tocou o meu ombro.
- Saudade. – Suspirei pesadamente.
- Bella, já está pronta? – Makenna entrou no camarim. – Carmen já está enlouquecida.
- Já vou! – Coloquei a mesma máscara que me acompanhava nas apresentações e saí.
O clube estava lotado; era uma sexta-feira, dia de maior movimento. Isso porque os homens enganavam as suas esposas dizendo que ficariam no trabalho até tarde ou viajariam a negócios, enquanto se divertiam conosco.
Era quase patético.
- Aí está você! – Carmen sorriu assim que me viu. – Já são 11h30min. Daqui a pouco estará fazendo vinte e um anos e poderá mostrar algum dote seu... – Ouvi algumas risadas, mas ignorei. – Está pronta?
- Sempre. – Menti.
Fui para o palco enquanto as luzes estavam apagadas. Era o meu novo número. Nada de pole dance ou movimentos arriscados.
Eu havia me inspirado em Dita, sem a parte da nudez.
A música foi cortada, enquanto Carmen falava ao microfone. O clube estava cheio e, por alguns instantes, o público ficou em silêncio. Todos respeitavam a dona do local.
Assim que Carmen me anunciou, fui ovacionada pelo público. Além de Joseph, eu tinha outros fãs, mais do que qualquer garota que trabalhasse no Everleigh Social Club. Eu só não superava Carmen porque ela fora a criadora de tudo. Ela era como "Cher" em "Burlesque" para nós.
Assim que a música começou a tocar, eu apareci, trajando um longo vestido preto. Palmas e assobios fizeram-me sorrir, mas eu não me distraí dos meus movimentos. A noite precisava ser perfeita para que eu me consolidasse no clube e ganhasse mais dinheiro.
Ondulei o meu corpo sensualmente, levando as mãos aos joelhos. Coloquei o dedo indicador nos lábios antes de virar-me de costas para o público, rebolando lascivamente.
Retirei a parte de baixo do vestido, mostrando a minha calcinha dourada e minhas meias de cor rosa. Conforme a luz batia nos cristais, eu percebia que estava brilhando ainda mais, fazendo o efeito esperado.
Joguei a saia do vestido no palco, desfilando para que todos vissem o traje belíssimo que eu usava. Retirei a parte de cima do vestido, deixando o corselete à mostra. Todos estavam boquiabertos com a beleza da peça.
Especialmente Joseph, quando os meus olhos encontraram os seus.
Deslizei para o lado e para o outro, movimentando os ombros e os quadris. Para os fãs mais animados, mandei beijos, assoprando-os.
Joseph sorria e balançava a cabeça, como se sentisse orgulho de mim.
Passei a mão pelo meu rosto, levantando os meus cabelos num coque despretensioso. Girei sob os calcanhares e rebolei mais uma vez, empinando o bumbum para o público.
E foi quando eu ouvi o relógio soar meia-noite.
Eu estava completando vinte e um anos.
Virei-me para o público e passei a mão sensualmente pelas pernas. Levantei a minha perna esquerda e deixei-a dobrada, erguendo os braços e mantendo o meu corpo ereto. Eu só tinha aprendido bem alguns movimentos principais de Dita Von Teese. Não era nada muito profissional.
Ondulei o meu corpo e dei alguns passos graciosos para trás, com meu dedo indicador aos lábios, passando a língua nele. Ouvi assobios entusiasmados e sabia que estava chegando a hora.
Fui andando lentamente para o fundo do palco, enquanto alguém me ajudava a afrouxar o corselete. Segurei-o contra o peito e voltei para o público, fazendo os mesmos movimentos de antes.
Desci a peça pelo meu corpo lentamente e, quando quase revelei os meus seios, eu balancei negativamente o dedo. Os homens protestaram e eu desci mais um pouco, só revelando a minha pele.
Parei quando senti que estava mostrando um pouco dos meus mamilos. Não era quase nada, mas para quem não exibia além de pernas desnudas, eu estava mostrando o suficiente. E percebi isso pelo retorno do público que me assistia.
Girei mais uma vez e rebolei, enquanto alguém prendia novamente o corselete ao meu corpo. Soprei um beijo para o público enquanto piscava maliciosamente para ele.
Esperei que as luzes se apagassem. Mas não aconteceu. Era a deixa para que eu saísse do palco.
- Hoje é o aniversário de Isabella Marie! – O público bateu palmas enquanto eu pensava em matar Carmen. – E alguém quer lhe dar um presente muito, mas muito especial.
Meu coração parou de bater por alguns segundos quando vi um homem que eu reconheci como assessor de Joseph caminhando em minha direção com um buquê de flores e uma caixa forrada com veludo preto.
- Presente de alguém irresistível, Isabella. – A voz de Carmen soou pelo clube. – Você sabe quem é!
Quando olhei para cima, vi Joseph erguendo uma taça de champanhe para mim. E agora, o que eu faria?
O público começou a gritar enquanto o homem me entregava a caixa. O buquê foi entregue a Maria, que veio em meu auxílio.
Quando abri a caixa – com a palavra "Cartier" gravada em cima – eu vi que era um colar. Havia uma faixa de diamantes, adornado por mais ou menos onze esmeraldas. Eu nunca tinha visto uma joia como aquela.
Enquanto o público pedia por mais espetáculo, eu me perdi naquele verde esmeralda que estava diante de mim. Lembrava-me tanto os olhos de Edward; os olhos que conseguiam penetrar nos meus tão profundamente e intimamente que me prendiam facilmente; eu era dele apenas com o olhar.
De repente, o clube todo ficou silencioso. Eu sabia que não estava sozinha, que não estava louca. Mas toda vez em que Edward invadia meus pensamentos, eu me conectava imediatamente a ele.
E o resto todo sumia.
Eu não queria nenhum colar de diamantes e esmeraldas; eu queria seus braços envolvendo o meu corpo enquanto sua boca sussurrava um "tudo bem". Queria seus lábios mornos em minha pele fria, aquecendo-me através de um simples contato, que era capaz de avivar sentimentos que nunca foram adormecidos, nem quando eu quis que fossem.
Eu sabia que iria encontrá-lo de novo. E, que dessa vez, não existiria medo nem coisas falsas. Tinha tanta coisa que ele precisava saber sobre mim, que ele precisava compreender para entender o motivo das minhas fugas, das minhas idas e vindas... Essas coisas precisavam ser ditas, por mais difíceis que fossem.
E eu as diria. Com muito amor. Com muita ternura. Porque, de alguma forma, algo me consolava: o fato de alguém especial existir para mim. O fato de amar alguém verdadeiramente, com todo o meu coração. E esse amor não pedia resposta e nem argumentos.
Eu só esperava que eu fosse especial para ele ainda. Assim como ele era para mim.
De repente, a música voltou a tocar e eu percebi que o verde das esmeraldas não estava somente no colar que eu fitava. Estava nos olhos de alguém que me observava a alguns míseros metros de distância.
- Edward... – Foi a única palavra capaz de sair dos meus lábios.
.
.
.
Everleigh Social Club - Clube situado em Chicago. Entrem no site e se supreendam com a criatividade desse lugar. É mais ou menos parecido com o que descrevi, mas ele é muito mais enigmático. Nunca vi algo tão diferente!
Belle Époque - A Belle Époque (bela época em francês) foi um período de cultura cosmopolita na história da Europa que começou no final do século XIX e durou até a eclosão da 1ª Guerra Mundial em 1914. A expressão também designa o clima intelectual e artístico do período em questão. Foi uma época marcada por profundas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver o cotidiano. Fonte: Wikipédia
Maioridade em Chicago - 18 anos, mas para ter um pouco mais de drama, aumentei para 21 anos. Com o aval do senador Carter, lógico.
Cher e Burlesque - Atriz e filme de gênero musical, respectivamente. (Recomendado por mim e pela Lena)
.
N/A: Eerr, estão vivas, tá tudo bem? Já posso começar a digitar o próximo?
E aí? A espera valeu a pena? Ou já posso correr para as colinas? LOL
Música, posições do pole dance, senador Carter... Tudo isso será postado no tumbr da fic. Aguarde e babe em nossas futuras postagens.
Esquema review = preview voltou! Mande a sua review com email, todo separadinho. Com certeza estarei enviando o spoiler do capítulo 24.
Para ajudar nos comentários, vou lançar uma perguntinha: No lugar da Bella, até onde vocês iria por amor?
Vamos lá, vamos ajudar a titia Carol a escrever um capítulo lindo procês... Mandem reviews!
Beijos do Juiz.
.
