- Você gostaria de mais batata doce, Mione? - A primeira dama me perguntou.
- Hum, não, obrigada - Eu disse.
Vê, esse é o problema de ser uma fresca pra comer e ir comer na casa dos outros.O fato é: há poucas comidas que eu realmente gosto. Ação de graças é o pior. Eu meio que, odeio praticamente todas as comidas que os peregrinos comiam. Não suporto molhos. Não dá nem para saber a metade das coisas que tem dentro deles, e as poucas coisas que dá para identificar, como uvas passas, simplesmente, são tão nojentas.
Eu não como nada vermelho, exceto ketchup ou molho de pizza, então automaticamente sai fora qualquer coisa com tomates. E também cranberries. E—UGH—beterrabas.
Basicamente, todos os legumes me dão nojo. Então isso significa que não como nem ervilhas nem cenouras grelhada nem vagem ou—URG—couve de bruxelas.
Eu não sou uma grande fã de peru. Eu só gosto da carne escura. Mas todo mundo considera aquela parte, como tipo, a pior, então só me oferecem a carne do peito, que são carne branca, que eu não consigo comer, porque mesmo quando é feita por um master chef da Casa Branca, ela, continua sendo meio... nojenta.
Na minha família, todo mundo já sabe, que, quando se trata de jantar do dia de Ação de Graças, eu me contento totalmente com um sanduíche de manteiga de amendoim, que a minha avó sempre prepara com carinho para mim, e tirando as cascas.
Claro que minha mão e meu pai costumavam reclamar porque eu nem experimentava tudo o que tinha dado tanto trabalho para preparar.
Mas ao longo dos anos, eu os treinei para apenas me deixar em paz. Quer dizer, não é como se eu fosse morrer de fome.
Mas esse era meu primeiro Ação de Graças com Harry e sua família. Eu ainda não tive a chance de treiná-los.
Então eu simplismente tinha que ficar lá, fingindo que comia tudo aquilo que me serviam,enquanto, na verdade, eu so espalhava tudo pelo prato (Eu aprendi minha lição sobre tentar escondê-la no meu guardanapo) enquanto eu alimentava a intenção secreta de voltar para o meu quarto e comer o sanduíche de manteiga de amendoim que está na minha mala.
Do lado das camisinhas que Lucy me deu. Que eu estou tentando não pensar.
Harry estava claramente fazendo o mesmo (tentando não pensar sobre sexo), ja que a primeira coisa que nós fizemos depois de chegar ao Camp Harry—depois do nosso passeio a bordo do Marine One, o helicóptero presidencial— foi pegar os jogos de tabuleiro, por conta do mau tempo (estava chovendo).
Não apenas chovendo, mas caindo o mundo, tanto que quanto Harry apareceu para me pegar, eu estranhei se o Marine One conseguiria decolar.
Essa não era a única indicação de que a Ação de Graças no Camp Harry não iria ser exatamente um piquenique. Não, eu também tinha acordado com uma enorme espinha no meu queixo. De stress. Você não podia realmente ver isso, mas eu podia sentir. E isso doía.
Eu não tinha achado que algum desses – a chuva e a espinha – como sinais de benfazejos(uma palavra que cai na prova e significa "que tem ação favorável, cuja influência é boa). E no fim eu estava certa. Pelo menos, julgando como meu dia tinho sido até então.
Eu sempre pensei - antes de eu tomar consciência das coisas – que o lider do meu país vivia no colo do luxo. Do memsmo jeito que eu imaginei a Casa Branca como uma imensa mansão com peles de animais por todos os lados.
E ao passo que a casa branca é bem legal, ela não é imensa, e não é tão legal como a casa do digamos Jack Slaters em Chevy Chase. Eu acho que ela é mais legal do que a maioria das casas americanas – você sabe, tem uma piscina, e uma pista de boliche, e todas essas coisas.
Mas o negócio é que as coisas que são mais extravagantes são, tipo, muito velhas, e você nem tem direito a usar isso. Todo o resto são coisas que você encontraria em qualquer outra casa, como a minha ou a da Luna. É so um monte de coisas normais.
E o Camp Harry é ainda mais dizer, é grande, para uma casa, não me entenda errado, com todos os chalés espalhados pelo terreno. E tem uma piscina junto com um ginásio.
Mas não é chique, como você pensaria que uma casa de campo do líder de uma nação seria.
Eu acho que é porque os fundadores estavam tentando afastar essa idéia de classe dominante. Na verdade, o presidente não ganha muito dinheiro. Pelo menos se comparado à minha mãe e pai ganham.
É claro que a família do Harry tem dinheiro das companhias que o pai dele tinha antes de se tornar governador, daí então presidente. Mas, mesmo assim...
De qualquer modo,eu so estou dizendo que o Camp Harry não é um castelo. É mais como...bem, um campo.
O que o torna um lugar estranho para se perder a virgindade.
Ou não, como parece ser o meu caso. Porque eu tinha pensando muito sobre esse assunto nas últimas 24 horas que se passaram e a verdade é que eu não estou.
Pronta, quero dizer.
Sim, eu sei que eu andava praticando. Muito. Muito.
E, sim, eu sei o que eu disse em rede nacional (ok... a cabo). Eu sei que todo mundo no país – incluindo minha avó, com certeza - acha que eu sou sexualmente ativa.
E eu sei que o pior já aconteceu – ser chamada de galinha publicamente por Gina Wesley- e eu tinha sobrevivido bem áquilo.
Mas só porque todo mundo acha que eu já "fiz aquilo", não é uma boa razão para realmente "fazer". Quer dizer, é um passo enorme. Com o sexo vem a responsabilidade. É o fim da inocência. Sem falar nas possíveis DSTs e a gravidez indesejada. Quem precisa de tanta preocupação?
Especialmente quando, vamos ser realistas, ensino médio é aborrecimento demais já.
Então, eu tinha feito minha decisão.
Agora eu só tinha que entregar as novidades para Harry.
E essa podia ser outra razão por que eu estava tendo tanta dificuldade para engolir alguma coisa do jantar. Quero dizer, o Harry deve estar pensando que Vai se Dar Bem, hoje à noite. Ele tem que achar. Eu vi o brilho nos olhos dele quando ele pegou o tabuleiro de ludo (Sim, um tabuleiro de ludo de verdade!) mais cedo naquela tarde. Ele ainda piscou para mim antes de jogar o dado.
Eu ia acabar com todos os sonhos adolescentes dele. Ele ia me odiar.
Eu fiquei realmente aliviada quando a Primeira Dama deu licença para mim e Harry, e nós entramos na sala de estar para assistir Adam Sandler (Sim, o presidente assiste o filme antes de eles entrarem em cartaz para o resto da nação) isso ocupou a minha mente para não pensar no que ia acontecer depois de irmos para a cama. Mais ou menos. Até a hora que o filme acabou , e a próxima coisa eu sabia, era o Harry que ja estava me levando para a porta do meu quarto – que era na casa principal, não em um dos chalés – e disse:
- Boa noite, Mione. - com uma voz toda tipo de voz "isso é para os meus pais ouvirem". Porque ele sabia que nenhum de nós dois ia realmente dormir. Em qualquer momento próximo.
Ou pelo menos era o que ele pensava.
Eu me senti em total pânico quando ele fechou a porta do meu quarto atrás de mim. Meu quarto era um perfeito exemplo de como a casa presidencial era. Era só um quarto simples, branco com detalhes em madeira, a colcha azul-marinho sobre a cama queen-size e um instante com, é claro, livros – eu não estou zoando – sobre passarinhos e como observá-los. Tinha seu próprio banheiro e vista para o lago. Realmente, isso era tudo.
Mas esse quarto, aparentemente, era o local na qual Harry tinha imaginado que nós iríamos Fazer Aquilo. Depois de todo mundo ir dormir e o Harry voltasse.
O que explicou porque de repente eu me senti tão... Nauseada.
E não era só por causa de todo aquele marshmallow em cima das batatas-doces.
O sanduíche de manteiga de amendoim tinha ajudado um pouco.
Mas depois de ter comido isso, eu não sabia o que fazer. Quero dizer, eu não podia começar a me arrumar para dormir, ou qualquer coisa, porque quem sabe o que o poder dos meus pijamas poderia fazer com o Harry? Inflamar seus sentidos, ou qualquer coisa, e tornar ainda mais difícil para ele quando eu disser não. Não que os meus pijamas sejam muitos sexys, ou qualquer coisa assim, sendo de flanela, com figuras de malas nela, sobre as palavras boas viagem escrito por toda a parte(minha avó me deu no meu aniversário do ano passado, para quando eu viajasse como embaixadora teen da ONU).
Não, era muito melhor eu estar inteiramente ão foi o que eu fiz. Fiquei sentada na beirada da cama e esperei. Não iria demorar muito. O Harry aparecerei a qualquer segundo. Assim que ele tivesse certeza de que seus pais estavam dormindo, para nossa segurança. Já era mais de meia noite, então logo ele deve estar chegando. Os presidentes levantam-se cedo demais, assim certamente sua mãe e o seu pai já tinham dormido. Ele podia vir a qualquer minuto.
Qualquer minuto a partir de agora.
E eu estava pronta para ele. Eu tive meu discurso prontinho. "Harry" eu diria, olhando em seus olhos, "você sabe eu te amo. E eu sei que disse na televisão nacional (a cabo) na outra noite que eu estava pronta para dizer sim ao sexo. Mas o fato é: eu não estou. Eu sei que você me ama bastante vai compreender, e vai me esperar. Porque amor verdadeiro é isto… estar disposto a esperar."
Na verdade a última parte eu peguei de um brochinho que o pessoal da Caminho Certo tinha distribuído no almoço umas duas semanas antes. Era um brochinho em formato de coração que dizia Amar é... estar disposto a esperar.Na hora, eu tinha feito sons de vômito para Luna ao ler aquilo.
Mas agora meio que estava começando a fazer sentido.
Eu gostaria de não ter pegado aquele brochinho e espetado no peito da boneca da Sally de o estranho mundo de jack no trabalho. Eu deveria ter dado ao Harry, como um simbolo do meu comprometimento para transar com ele algum dia. Algum outro dia que não fosse hoje.
Eu conseguiria totalmente me imaginar dando isso a ele, e talvez dizendo algo verdadeiramente memorável e comovente. Talvez algo como, 'Psiu, você do outro lado. Deixe que ela se vá. Porque por ela, eu faço a travessia, e quando isso acontecer, você vai se arrepender.'
Realmente me parecia uma situação que exigia umas citação de Hellboy.
Em todo o caso, eu estava pronta. Eu tinha escovado meus dentes (só para que o meu hálito não o ofendesse quando eu o despensasse) e examinei minha espinha. Nenhuma melhora. A boa noticia era que continava senm dar para ver, mesmo sem maquiagem. Eu so sentia aquilo ali, a espinha dolorida e brava realmente não uso muita maquiagem, apenas rímel, um pouco de corretivo e um pouco de gloss. Mesmo assim achei que eu deveria ficar maquiada para a Grande Dispensada Suave,para que pelo menos meus cilios tivessem a mesma cor que meu cabelo. So parecia que, sabe como é, eu devia tentar ficar com a melhor aparência possível para a Grande Conversa Sobre Sexo, mesmo que o Harry já ter me visto bem longe da minha melhor aparência mais vezes do que é possivel contar.
Sim, Eu estava pronta. Pronta e esperando. Somente uma coisa estava faltando.
Harry.
Falando nisso... Onde ele estava? Tinha passado quase uma hora desde que todo mundo tinha ido para a cama. Era quase meia noite e meia agora.
De repente, eu comecei a sentir uma náusea diferente. Será que o Harry tinha mudado de ideia? Sera que eu tinha feito algo para ele nao querer mais transar comigo? Será que era minha espinha? Será que ele a viu?
Mas parecia altamente improvável que um garoto mudaria de ideia sobre ter sexo com sua namorada por causa de uma espinha.
Mas espere um minuto. Eu não queria mesmo transar com ele. Entao porque eu me importo?
Será que era alguma outra coisa, então? Será que era por causa do que tinha acontecido na MTV? Meu Deus, será que o fato de eu ter anuciado em cadeia nacional de televisão (a cabo) que eu tinha dito Sim para o Sexo mataria a espontaneidade ou algo? Eles estão sempre falando sobre como o sexo deve ser espontaneo. Entao eu acabei arruinando aquilo?
Bem, e se eu tiver arruinado? Que bom, eu nao quero Fazer Aquilo, mesmo.
Mas isto não parece muito provável. O sexo não é o mesmo tipo de grande questão para os meninos que é para as meninas. Ou pelo menos não parece dessa maneira. Ah claro, os meninos querem ter o sexo. Mas eles não ficam obcecados com isso da mesma maneira que nós. Eles simplesmente vão lá e fazem.
Pelo menos, é o que parecem nos filmes, como American Pie- a primeira vez é inesquecivel.
Então onde ele estava? Tanta espera estava me matando. Eu apenas queria dizer a ele que eu não estava afim de Fazer Aquilo e acabar logo com tudo aquilo.
Eu esperei mais cinco minutos. Ainda nada de Harry.
E sera alguma coisa aconteceu? E se ele tivesse escorregado no chuveiro e batido a cabeça no chão e estivesse lá desmaiado com a boca aberta, com os pulmões se enchendo de água enquanto eu estou sentada aqui?
Pior ainda, e se Harry tivesse mudado de ideia?
COMO ELE PODIA TER MUDADO DE IDEIA DEPOIS DE EU TREINAR TANTO?
Antes que eu soubesse mesmo o que eu estava fazendo, eu estava de pé,disparando na direção da porta. Como ele tinha coragem? Como tinha CORAGEM de mudar de ideia depois de me fazer passar por tudo que ele me fez passar naquela semana inteira? Não era ELE que decidiria que nós não transarianos, no final de contas. Eu é que tomaria a decisão. Eu já tinha decidido aquilo, muito antes dele.
Percorri o corredor escuro e vazio pisando duro, pensando em todas as coisas que eu diria a ele (ou o que eu não diria). Com certeza não receberia nenhuma citação de Hellboy da minha parte. De jeito nenhum. Ele teve suas oportunidade de ouvir citações de Hellboy e a desperdiçara completamente. Nada mais de Amar é ... estar disposto a esperar para ele. Ia ter que receber um Boy Voyage. Era o que ele receberia.
Quando cheguei a porta do quarto do Harry eu pude ver uma luz baixa brilhar por debaixo da porta. Então ele estava acordado. Ele ainda estava acordado! Ele nem ao menos se incomodou em mexer sua bunda preguiçosa para ir ao meu quarto para que eu pudesse informa-lo que nós não transaríamos, no final das contas. É muito obrigada! Obrigada por me avisar. Quem sabe quanto tempo eu ficaria acordada, esperando para dizer Não para o Sexo antes de eu perceber que ele não apareceria?
E foi por isso que eu abri a porta dele de supetão, sem nem mesmo bater,e fiquei lá, parada olhando pra ele furiosamente. Mas não do jeito que acontece em um livro de amor. Mais como: eu estou indo matar você.
Harry olhou por cima do livro que lia na cama.
Um livro de arquitetura.
Enquanto eu, sua namorada,tinha ficado sentada durante um periodo que pareceu ser horas esperando por ele para me deflorar de uma vez.
Harry pareceu mais do que um pouco surpreendido por me ver. Você sabe,levanto em conta a situação.
-Mione - Ele disse e fechou o livro (mas não totalmente, ele deixava um dedo pra marcar onde ele estava lendo) - está tudo certo? Você não está enjoada nem nada, está?
Seriamente. Eu quase perdi a minha paciência ali mesmo.
- Enjoada? - repeti. - Enjoada? Sim, eu estou enjoada. Enjoanda de ficar ESPERANDO você.
Isto fez com que ele tirasse seu dedo do livro e o deixasse realmente de lado. Parecia realmente preocupado.
Também não pude deixar de notar que ele estava totalmente sexy. Principalmente porque ele, por acaso, não usava blusa. Mas também porque, vamos encarar:Harry sempre é sexy.
- Esperando por mim?- Harry olhava com uma cara perplexo e quis saber: -Esperando por mim pra que?
Eu não podia acreditar nisso. EU NÃO PODIA ACREDITAR. Sexy ou não, que perguntar era essa?
-PARA TER SEXO - Eu quase berrei.
Eu somente não queria acordar seus pais. E muito menos o Serviço Secreto.
Então eu cochichei.
Bem alto.
Mas, apesar de eu ter cochichado em vez de berrar,o Harry ficou me olhando totalmente chocado. Sua rosto na luz baixa da lâmpada de leitura ao lado de sua cama , começou a ficar vermelho.
- Sexo? - Ele repetiu com voz rouca.
- Você sabe do que eu estou falando - Eu disse não acreditando que tinha dito isso. O que havia de errado com ele? - Foi você quem tocou no assunto.
- Eu toquei? - Sua voz meio que ficou esganiçada na palavra toquei? - Quando?
- Na frente da minha casa - Eu disse impaciente. Que havia de errado com ele?
Talvez ele tivesse realmente escorregado e batido a cabeça do chuveiro.
-Se lembra? Você me convidou para o Camp Harry para jogar ludo.
- É. - o Harry disse, agora com cara de quem não estava entedendo nada. Mas sem deixar de ser sexy. - Mas isso nós já fizemos?
Mas isso nós ja fizemos. Oh, meu Deus. Eu não podia acreditar que ele tinha dito aquilo.
E também, que ele continuava o maior gostoso quando dizia aquilo.
-Mas eu não quis dizer…- Harry falou gaguejando. - Quando eu disse ludo, eu meio que quis dizer no outro significado...
Alguma coisa fez meu coração se apertar. Seriamente. Era como se alguém tivesse despejado um jarro de água na minha cabeça e um monte de cubos de gelo tivesse deslizado na minha blusa. Porque era óbvio pela expressão na cara de Harry - para não mencionar, a maneira como ele estava agindo- que quando ele tinha dito, ludo ele quis dizer…ludo.
- Mas -Eu disse, em uma voz pequena - você… você disse que achava que nós estávamos prontos.
- Prontos para passar o fim de semana juntos com meus pais - Disse Harry com a voz esganiçada, o que não era normal para ele. - Foi isso que eu quis dizer quando disse que estavámos prontos.-Então, seus olhos que se alargaram - Era DISSO que você queria falar na outra noite? Quando você disse você falou que tinha dito sim ao sexo?
- Bem, foi. - Eu disse. - O que você pensou que eu quis dizer?
Harry meio que deu de ombros.
- So achei que você estava tentando mostrar um ponto de vista ao meu pai. Só isso. Eu não sabia que você estava MESMO… sabe como é. Dizendo sim ao sexo.
Principalmente porque ele não tinha nem me perguntado.
-Oh -Eu disse.
Então eu quis morrer.
Porque tudo aquilo pra nada. Todo esse trabalho, todas as conversas com a Lucy, a coisa de Simplesmente Diga Sim ao sexo, o galinha solidário, tudo isso... Pra nada.
Porque Harry nunca teve intenção de transar comigo neste feriado. E eu era quem tinha chegado à conclusão que jogar ludo significava sexo. Fui eu quem achou que quando Harry falou que estávamos prontos, ele tinha dito que estávamos prontos pro sexo. E era eu quem tinha dito Sim ao sexo sendo que ninguém me perguntou nada. Tudo tinha sido eu. Eu tinha trazido toda preocupação e angústia em cima de mim mesma.
Para Nada.
Meu Deus. Que vergonha.
- Hum - Eu disse. Agora era a minha vez de ficar vermelha... Meio que o que ele poderia pensar de mim? Que eu viria até o seu quarto exigindo saber por que nós não estávamos transando. Ele meio que deve pensar que sou uma lunática. - É. Olha,hum. Eu apenas, hum, estou indo...
Só que, a cada passo da etapa para a porta, eu não poderia deixar de observar umas coisas. Como por exemplo, como o Harry estava bonito sob a luz do abajur. E como os verde de seus olhos era, a cor exata do gramado na corrida de cavalo do Kentucky Derby.
E como ele ainda parecia confuso, com o jeitinho adorável de nerd dele, com o cabelo meio espetado na parte de trás, onde tinha ficado amassado por encostar na cabeceira da cama enquanto lia.
E como o peito dele era largo, e como tinha jeito de ser tão confortável, e como seria bom apoias minha cabeça lá, e ficar ouvindo seu coração bater… E de repente, eu me ouvi falando:
-Hmm, você poderia esperar aqui um segundo?
Até parece que ele iria a algum lugar.
Aí eu dei meia volta e corri o mais rápido possível até o meu quarto.
Quando eu voltei, estava ainda mais sem fôlego.
E também trazia nas mãos um saco de papel pardo. O Harry deu uma olhada nele, então olhou pra mim.
-Mione - ele falou, em um tom desconfiado(mas não necessariamente desagradável). - O que tem neste saco?
Aí então eu mostrei.
