Ela não gostava de depender em outras pessoas.
Ela não gostava de trabalhar em grupo.
Porém, acima de tudo, ela odiava fracassar!
- Você quer vir conosco senhorita Ingrid? –Perguntou Catharina.
- Não. –Negou. –Ainda preciso encontrar um aliado que vá participar da corrida.
-Hum... Não há... Necessidade, pelo que nos explicaram a respeito de times, se contarmos com você nós teremos a quantidade exata de participantes. –Beatrice continuou.
-Agradeço, mas não gosto de falhar com a missão que me foi incumbida, o senhor Lore já me chamou a atenção da última vez, não gostaria de repetir a experiência.
-Er... Tudo bem, se você encontrar... Digo, quando você encontrar alguém nós estaremos na praça central. –Disse Maria de forma hesitante.
Ingrid fez sinal de concordância e não disse mais nada, não era de gastar palavras à toa apesar de tentar ser o mais cordial possível.
O primeiro ponto de partida seria o bar, sem dúvida era onde provavelmente encontraria os corredores.
-00-
-O clima está pesado. –Bonnie comentou de forma hesitante.
-Sim... A Anrose não está sorrindo, e até mesmo o senhor Lore parece apreensivo. –Concordou Pietro.
-A situação parece ser séria, o senhor Lore até disse que se alguém quisesse desistir estaria tudo bem. –Lissa comentou com preocupação.
-Estou impressionada que todos decidiram ficar. –Falou Bonnie olhando para as outras integrantes do café.
-Hum... A Sasha decidiu ficar por que disse que tinha um duelo marcado, Maria, Catharina e Beatrice porque tinham combinado de se encontrarem com os corredores que se tornaram amigos, Mariah não iria embora enquanto a irmã não decidisse que não...-Contou Lissa.
-Rose e Cécile não entendem a gravidade da situação e Mitsuki acha que não vai conseguir encontrar um emprego que a aceitem assim como este. –Pietro raciocinou.
-Bom, eu entendo o motivo das outras, mas e quantos a vocês? –Perguntou Lissa.
-Estou... Preocupado com a Anrose, este é um momento delicado e ela precisa de apoio. – Pietro sussurrou.
-Eu... Eu sei que é perigoso, mas esta é a única forma de eu poder andar novamente. –Bonnie respondeu, olhando para as próprias pernas, achando estranho e ao mesmo tempo sentindo alívio de poder andar sem usar as cadeiras de rodas. -... Não quero voltar a andar de cadeira de voltas.
Além disso, essa é a única forma de encontrar aquele homem novamente. –Ela complementou em seu pensamento.
Seu rosto começou a corar quando percebeu o que pensara.
-Bonnie, você está bem?
-S-Sim. –Respondeu. –E quanto a você Lissa?
-Bem... Após a avaliação do senhor Lore eu senti que sair agora seria um momento inapropriado, e que deixaria uma péssima impressão. –Respondeu com relutância. – Além do mais, o senhor Lore garantiu que não haveria mais nenhum acontecimento perigoso por hora graças ao Aonis.
-... Alguém sabe o porquê de o Aonis ter ido embora? –Perguntou Pietro, recebendo respostas negativas.
-Não sei o que está acontecendo mas com certeza não foi por isso que me candidatei ao emprego. –Reclamou Cândace. –Estou de babá, passei por uma situação perigosa e dois dos nossos instrutores foram atacados. Eu queria me mandar depois de tudo o que aconteceu, mas eu fui a ÚNICA que o Lore não deu a opção!
-O que você esperava daquele puto? –Xingou Mariah do outro lado. –Como ele se atreve a botar a minha irmã em risco depois de mostrar claramente como é incompetente? E o FDP ainda por cima não me deixou ir com ela! Grrrr...! Quando eu encontra-lo de novo...!
-De fato, foi muito estranho ele ter dito isto somente a você. –Lissa arqueou a sobrancelha. –Ele explicou o porquê?
-Hum...
-Flashback-
Mas por que?! Você deu a opção a todos de poder pular fora, por que eu, a única que quer sair, você não deixa?!
Você é uma das poucas envolvidas no problema assim como o senhor Pietro, por isso seria perigoso para você e para seus entes queridos se a bruxa que aprisionou Afrodite descobrir sobre você
Mas...!
Essa é a minha palavra final Cândace, você não pode ficar fora de vista por muito tempo
"..."
Além do mais, preciso que alguém cuide dele.
O que? Ser babá de novo?! Não tem como ele ficar por aqui já que você mesmo disse que aquela bruxa não ficaria rondando esse lugar por uns tempos?
Hum... Posso pensar em seu caso.
-Fim do Flashback-
-Francamente, eu não entendi bem. –Ela suspirou de forma resignada. - Só sei que minha vida é um porre.
-Pessimista como sempre não é? –Rose sorriu de forma divertida. –Mas devo dizer que você melhorou muito nestes últimos dias, não está mais um limão de pessoa, tá mais para maracujá.
-... O que você quer dizer com isso? –Cândace arqueou a sobrancelha, não entendendo a metáfora.
-Maracujá é um maracujá ué. –Respondeu a outra como se a resposta fosse óbvia. – Anime-se! Nós temos a possibilidade de conhecer um mundo mágico! Não é algo que qualquer um pode fazer!
-... Você realmente não tem noção da gravidade dos problemas que vêm ocorrendo não é? –Cândace pareceu estar exasperada. –Escuta, nós estamos falando de um mundo que tem guerras, bruxas piores que aquelas do conto de fadas, maníacos selados entre outras coisas, isto não é um conto de fadas, o mundo de lá é tão ruim senão pior que o nosso! Não há nada de engraçado sobre isso!
-Bom, eu passei por uma situação desconfortável na minha última missão, mas graças ao senhor Dohko eu estou bem. –Rose admitiu. – Bom, confesso que fiquei com um pouco de medo mas... Saber que temos o poder de proteger a nós mesmos graças a um artefato mágico é... Incrível? Não sei explicar. Fazer algo que você normalmente não consegue é muito legal!
-...
-E histórias sobre pessoas normais indo a outro mundo... Não é como se não tivesse conflito. –Continuou Rose. –Mas tudo acaba bem no final não é?
-... Não importa o quão feliz uma história seja, isso não apaga as coisas ruins que acontecem. –Cândace insistiu, embora sua voz soasse mais incerta e relutante.
-Não podemos mudar o que aconteceu. –Pietro respondeu de forma determinada. –Mas desde que essas pessoas consigam o seu final feliz... Então está tudo bem.
-...
Contos de fadas sempre foram muito idealísticos para Cândace, mas ela tinha que admitir que o que aconteceu entre ela e Afrodite poderia ser considerado algo tirado direto de uma dessas histórias.
Ela nunca foi uma pessoa excepcional, talvez terrivelmente comum, mas nada demais. O que mais a destacava era sua incapacidade de fazer várias coisas e como nunca teve sorte na vida.
Nunca acreditou em milagres e sempre achava que eles não existiam, mas ironicamente ela foi este milagre para outra pessoa.
Está de brincadeira... Não me diga que estou começando a acreditar nessas baboseiras de histórias idealísticas. –Ela começou a esfregar o rosto de forma exasperada.
Oh bem, ela não podia mais negar a possibilidade de isso acontecer após o que ela passou.
-É, talvez. Mas ainda não dou muita fé.
-Oh? Milagre dos milagres, Cândace está considerando a possibilidade? –Gargalhou Rose.
-... Como eu disse anteriormente, não dou muita fé. –Ela deu de ombros. -... Mas até mesmo eu tenho que admitir que as coisas finalmente estão dando certo.
-Você disse alguma coisa?
-... Não.
-00-
Ela tinha se precavido, trazido o casaco mais quente que tinha direito.
E MESMO ASSIM ELA ESTAVA MORRENDO DE FRIO!
-Caramba! É impressão minha ou este lugar ficou mais frio do que era possível? –Sasha começou a bater os dentes.
-... Pelo visto foi uma boa coisa de virmos buscá-la mais cedo.
-Ei Shura. –Ela meneou fracamente, não saindo do lugar.
-... A carruagem está a espera, assim que nós entrarmos estará mais quente.
Sasha concordou prontamente, nem tendo forças para fazer piadinha já que estava se concentrando em tirar metade do seu corpo soterrada em 1 metro de neve, que impossibilitava a locomoção.
-Ei! Espera um momento! Você está muito à frente! –Ela praguejou alto. – Com essa tempestade de neve eu não consigo enxergar direito!
-... Você precisa desenvolver melhor os músculos de suas pernas e de seu centro de gravidade. –Ele parou por um momento, observando-a, para depois se virar e continuar a caminhar.
-Como é? –Sasha sentiu uma veia pulsar. –Então é assim? Ótimo! Eu consigo te acompanhar!
Sasha fez um esforço tremendo para desatolar ambos os pés, enterrando a cara na neve e começando a mexer os braços freneticamente.
...E começou a "nadar".
-Viu? Eu estou conseguindo te acompanhar! –Ela falou com orgulho, o que fez com que o cavaleiro apenas a olhasse com estranheza.
-Suponho que seja um método válido, embora ineficaz, já que caso tenha um vento muito forte você não terá como evita-lo.
-Ei! Dá um tempo! Eu não nasci com treinamento militar! –Sasha rolou os olhos. –Além do mais, para uma pessoa comum eu estou me saindo bem! Não se esqueça que te peguei desprevenido!
-... Não pegou. E não reagi porque a senhorita não apresenta nenhuma ameaça.
-O que você quis dizer com isso? –Ela sentiu uma veia saltar de sua testa.
-A senhorita Lissa não está com você?
Sasha parou e encarou o dono da nova voz, encontrando olhos azuis gelo, tão frios quanto o clima ao redor.
-A Lissa? Ela não pode vir hoje, está ajudando lá no café. –Respondeu Sasha. –Brr... Está muito frio aqui fora, quanto tempo até a carruagem?
-... Ela está a sua frente.
-Oh? É mesmo?
-Um momento. –Shura abriu a porta da carruagem, para depois, em seguida, retirá-la com facilidade do solo gelado e coloca-la dentro, onde estava mais confortável e menos frio.
-... Se você podia fazer isso antes, por que não o fez?
-Porque você reclamaria de estar sendo tratada feito uma criança.
-Verdade. –Ela concordou.
Camus apenas arqueou com estranheza diante da conversa.
Shura, assim como ele, era de poucas palavras, então era uma surpresa ver ele estabelecer um diálogo, ainda mais com uma pessoa que ele mal conhecia.
Tinha o estranho caso de eles terem começado com a pior das impressões e continuarem a se estranhar na última vez em que se viram, ele não sabia dizer sinceramente quando foi que eles decidiram se entender.
Seres humanos são criaturas muito estranhas e incompreensíveis. -Ele meneou a cabeça, entrando na carruagem.
De certa forma estava um pouco desapontado de a outra garota não ter vindo, ela era uma companhia mais agradável e uma das poucas pessoas com quem poderia estabelecer um diálogo inteligente e interessante.
Talvez eu devesse visitar o café quando tiver tempo.
-00-
Pelas informações que conseguira, a maioria dos corredores não iria treinar, o que dava mais chances de ela encontrar algum corredor por ali.
Havia algumas pessoas conversando em voz baixa, poucos bebiam e muitos estavam usando armaduras que Ingrid calculava ser para resistir as duras condições climáticas da corrida.
Ela precisava localizar um corredor novato que tenha potencial, um veterano provavelmente terá uma equipe já formada e não vai aceitar uma novata como ela.
-Está na hora de minha lábia entrar em cena. –Ela deu um passo à frente, colocando o seu melhor sorriso.
-Por que você está resmungando e ficando um bom tempo plantada perto da entrada?
Um homem, de melenas azuis e olhos de mesma cor, trajando uma roupa de couro, assim como uma proteção metálica, claramente o identificando como um corredor.
Ela tinha a impressão de já tê-lo visto em algum lugar.
-Hum, você... Parece aquela garota que tinha trombado. –Ele observou.
-Perdão?
-O que está fazendo aqui e desacompanhada?
-Oh? Por acaso está flertando comigo? –Ela tentou responder da forma mais casual possível, embora quisesse dizer palavras nada amigáveis e sutis ao estranho.
-Não, só estou curioso, você não parece ter o perfil de alguém que frequentaria este lugar.
-E isto por que...?
-Você é... Muito certinha. –Ele apontou. –Nenhum fio de cabelo fora do lugar, roupas formais... E tom de voz muito cordial, você parece o tipo sério que nunca se diverte ou sabe se divertir.
-As aparências enganam, eu sei muito bem como ser sociável.
-... Se é o que diz. –Ele deu de ombros. – Afinal, o que veio fazer aqui?
-Estou procurando excelente corredores.
-Para...?
-Para me ensinar como correr.
O homem pareceu espantado com a resposta que ela deu, mas logo que o espanto passou, o mesmo começou a cair na gargalhada, chamando a atenção de todos no bar.
-Você é a pessoa que tem menos perfil para participar de uma corrida. –Ele continuou a rir. –Com essas feições delicadas você não duraria nenhum segundo em sua montaria.
-É exatamente por esta razão que estou procurando um bom professor. Preciso ganhar o prêmio que vai ser disputado na grande capital.
-Esta é uma visão um pouco utópica. –O homem olhou-a como se tivesse perdido a razão. –Se nem eu, que sou corredor há um bom tempo conseguiu participar do torneio na capital, o que dirá de uma garota franzina como você?
-Muito bem, então de acordo o que você disse, você não tem competência para isto. –Ingrid retrucou com um grande sorriso, enquanto tentava disfarçar o sarcasmo e a satisfação de ter alfinetado o outro.
-... Claro que sou capaz. –O outro franziu o cenho. –Melhorei muito desde a última competição. Minha equipe é uma das mais cotadas para ganhar a competição.
-É mesmo? –Perguntou com interesse. –Qual é o seu nome?
-Milo, de Antares.
-Muito bem senhor Milo, nos encontraremos na corrida... Não. Melhor ainda, vamos nos encontrar nos treinos que acontecem no Vale dos Ventos.
-Você é bem confiante e arrogante. –O corredor sorriu de ponta a ponta, achando a garota interessante, já que estava acostumado a ouvir somente garotas de torcida que tinham pouco cérebro e menos audácia. – Bom, eu sempre treino no Vale dos Ventos na primeira luz do dia até a tarde, então se precisar de ajuda é só chamar.
-Obrigado pela oferta, terei isto em mente. –Ela respondeu de forma graciosa, embora em seu interior quisesse dizer algo rude como "Não preciso de sua ajuda".
A rápida conversa fora muito produtiva, graças a ela sabia que outros corredores poderiam baixar a guarda ao saber que era nova e também pela sua aparência, assim como fazer uma lista de pessoas que ela poderia observar para aprender as técnicas necessárias para vencer.
-Se há uma chance de essa missão dar certo então ela está em minhas mãos.
-00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000-
Um bom tempo desde que atualizei esta fic hum? Cândace ainda não está um amor de pessoa, e é claro que vão acontecer coisas para deixá-la com um pé atrás.
Agora, é decisão dela de recuar ou dar o salto rumo ao desconhecido não é?
...
Oh bem, estou com sono, então só vou responder aos comentários:
Chibi Haru-Chan17: Pois é, também me orgulho do modo que escrevi a cena entre os dois, de certa forma ela me lembra a sua outra xereta(Me Encontre) XD.
Suellen-san: Sem problemas, faz um bom tempo que desapareci, então estou um pouco com ferrugem em minha escrita, espero que ela melhore com o tempo.
