CAPÍTULO 28
Eu acordei no dia seguinte mais empolgada do que nunca. Tomei um banho rápido e comecei a escolher a roupa que usaria quando ouvi um barulho de carro na entrada. Olhei pela janela para ver Gina e Jake – esse ainda com a roupa da noite anterior – sorrindo felizes. Ai que inveja.
Alguns minutos depois eu ouvi uma batida na porta do meu quarto e eu abri ainda enrolada na toalha, pensando que era Gina.
Era Jake.
- Suze, será que... – então ele parou quando viu os meus trajes. Ou a falta deles.
- O que você quer? – perguntei fazendo de conta que não estava super envergonhada com aquilo.
- Conversar. É rápido. – ele respondeu olhando para todo lugar menos para mim.
- Espera um instante.
Fechei a porta novamente e peguei um vestido qualquer de dentro do guarda-roupa antes de abrir a porta de novo e o deixar entrar.
- E Gina? Onde ela está?
- Ficou lá embaixo conversando com nossa mãe. – ele olhou ao redor e sentou na ponta da cama. Ele parecia um tanto sem jeito como se não soubesse o que falar.
- Você disse que queria conversar. – eu o lembrei quando ele continuou em silêncio.
- Sim.
- Sobre o quê? – perguntei embora tivesse uma leve idéia do que se tratava.
- Coisas. – ele murmurou dando de ombros, evitando meu olhar.
Aquilo seria mais complicado do que eu imaginava. Já vi que teria que forçar um pouco mais.
- Sobre Gina, eu suponho.
Ele me olhou enfim e assentiu, mas não falou nada.
- Jake, se você não vai falar nada isso aqui vai ficar parecendo um monólogo.
- É só que... – era muito estranho ver Jake inseguro desse jeito. Era quase um caso para internação – Eu preciso da sua ajuda. – foi a minha vez de ficar calada. Talvez se eu falasse alguma coisa naquele momento ele poderia recuar – Eu acho que estou apaixonado.
Certo. Não era bem isso que eu esperava.
- Ok... – eu falei, incerta do que deveria dizer naquele momento.
- Como é isso? – ele me encarava com expectativa no olhar.
- Como é o quê? – eu perguntei sem entender.
- Estar apaixonado.
Do que ele estava falando? Eu ouvi mal ou o quê?
- Você disse que estava...
- Eu disse que acho que estou. – ele me interrompeu – Eu não sei. Nunca estive. Mas você parece amar aquele lá.
- Aquele lá se chama Jesse.
- É, tanto faz. – ele falou dando de ombros.
Ele não deveria estar me agradando para que eu o ajudasse? Dei um desconto para ele, porque ele parecia realmente aflito.
- E eu o amo sim.
- Então, como é? – ele voltou a perguntar.
- É difícil explicar.
- Faz um esforço.
- É complicado Jake. Acho que cada um sente isso de um jeito diferente. Você gosta dela, não gosta?
- Gosto. – ele admitiu e não parecia envergonhado por isso.
- Com que intensidade.
- Mais do que deveria.
Era impressão minha ou ele parecia chateado consigo mesmo?
- Como assim?
- Sei lá. Não acho normal isso. É estranho.
- Estranho como?
- Ela atrapalha minha concentração, sabe... é irritante.
Agora era que eu não estava entendendo mais nada.
- Dá pra você ser mais específico?
- Quando eu estou com ela é normal, mas é só eu me afastar que começam essas loucuras.
- Loucuras? – será que em algum momento as palavras de Jake começariam a fazer sentido para mim? Será que estavam fazendo algum sentido para ele?
- É. – ele falou como se aquilo explicasse tudo.
- Juro que não estou te entendendo Jake.
- É normal isso?
- Isso o quê? Você não está falando coisa com coisa. – credo! Nunca tinha visto homem tão complicado.
- É normal ficar pensando em uma pessoa vinte e quatro horas por dia? – ele perguntou com uma expressão irritada no rosto – É normal querer estar junto de uma pessoa o tempo todo?
Ah. Era isso? Tanta frescura pra dizer que estava viciado na companhia da minha amiga?
- Normal não é. Mas acho que é o que se sente quando se ama.
- Mas eu não sei se eu quero isso.
- Quê? – como assim? Ele não estava pensando em dar o fora nela, estava?
- Eu não quero ficar tão dependente de alguém a esse ponto. Eu tenho uma reputação a zelar.
Meus irmãos conseguiam ser imbecis quando queriam.
- Deixa de ser idiota, Jake. Você está parecendo Brad falando desse jeito.
- Ei, não ofende.
- Um homem não perde a masculinidade quando se apaixona – eu o informei.
- Mas eu sei o que as mulheres gostam. Elas gostam de ser babadas, que a chamem de meu docinho. Gostam de homens que dão flores, chocolates. Essas coisas toscas. Eu não sou assim.
E sabem ser burros também.
- Você pode saber o que mulheres como Kelly Prescott gostam. Nem todas são assim. Eu não sou assim. Gina não é assim.
- Claro que ela é. Todas são.
Aquilo já estava me irritando. Ele estava comparando a mim e a Gina com aquela lambisgóia da Kelly?
- Gina já te exigiu alguma dessas coisas? Ela já te chamou de meu docinho ou meu fofuchinho alguma vez?
- Não, mas...
- E nem vai te chamar, Jake. Porque ela não é desse tipo. Gina gosta de você do jeito que você é. Confesso que não sei o que ela viu em você, mas é assim que ela gosta.
- Você acha? – ele perguntou um tanto esperançoso.
- Eu não acho, tenho certeza. Sobre o que você acha que as mulheres conversam quando estão a sós? Os namorados são os assuntos preferidos.
- O que ela falou?
Ele achava mesmo que eu ia dar tudo de mão beijada para ele?
- Eu não vou te dizer o que ela falou, Jake. Mas você precisa dizer para ela como se sente.
- O quê? – aquela parecia ser uma idéia absurda para ele – E correr o risco de levar um fora? E se ela disser que eu estou sendo precipitado demais? Não! De jeito nenhum. Eu não falo nada enquanto ela não falar.
Juro que fiquei com vontade de esganar aquele pescoço enorme.
- Você já imaginou que ela pode estar pensando o mesmo?
- Ela falou alguma coisa?
Percebi que ele estava tentando colher mais informações, mas não seria assim tão fácil.
- Não. Mas eu só acho que você não deveria esperar Gina tomar a iniciativa.
- Porque não? As mulheres sabem expressar os sentimentos com mais facilidade.
- Errado, mocinho. – eu o contradisse no mesmo instante.
- Duvido.
- Pois não deveria. – eu falava isso por experiência própria – Eu só consegui dizer o que sentia por Jesse depois que ele falou.
- Ele se declarou primeiro? – ele parecia visivelmente surpreso – Cara corajoso.
- Esse é o seu problema, Jake. – eu falei um tanto chateada com sua atitude – Você tem medo de ser desprezado e por isso prefere recuar. Mas deixa eu te avisar uma coisa: vai ter uma hora em que você não vai ter mais para onde ir e vai acabar se perdendo. E pode não ter mais volta.
Ele parecia estar absorvendo o significado daquelas palavras.
- E eu tenho certeza que Gina pensa que você não é do tipo que se apaixona. Eu pensava assim. – e como estava enganada.
- Mas e se ela não me amar?
- Se ela não te amar, Jake, você ainda terá duas opções: se contentar com isso e seguir sua vida, ou – me apressei a falar quando vi que ele não tinha gostado muito daquela opção – você pode tentar conquistá-la até que ela sinta o mesmo por você.
- É só isso? Eu só preciso conquistá-la?
- Só.
- Fácil.
Desde quando conquistar alguém era fácil?
- Jake – seu anta, não externei essa parte – Eu já te disse que Gina não é igual às coisas que você pegava. – eu o expliquei com calma como se ele fosse um ser muito leigo – Flores e bombons não fazem a cabeça dela.
- Então como é que se conquista alguém?
- Gestos, palavras, atitudes.
- Foi como Jesse te fez gamar nele?
- Foi como Jesse fez com que eu me apaixonasse por ele. – eu o corrigi me controlando para não falar asneiras.
Ele me encarou com a expressão pesarosa como se não quisesse admitir um defeito próprio.
- Acho que vou precisar de umas aulas com ele.
Eu sorri tentando imaginar Jake tomando aulas de cavalheirismo com Jesse.
- Primeiro você fala com Gina, depois você vê o que precisa fazer. Mas eu acho que você deveria mesmo tomar umas aulinhas com Jesse. Ver se melhora esse seu lado cafajeste.
- Eu gosto do meu lado cafajeste. – ele falou orgulhoso.
Ser cafajeste era motivo de orgulho agora? Esse mundo está perdido.
- Certo. – eu é que não perderia meu tempo discutindo isso. – Então, Jake, será que você pode sair agora para eu me trocar? Daqui a pouco meu namorado, que não é cafajeste, chega e que quero estar pronta.
- Você não está pronta? – ele perguntou apontando para o meu vestido sem graça.
- Claro que não. – eu estava usando uma roupa que eu ficava em casa nos dias que não tinha ninguém e definitivamente aquela não seria minha opção para um churrasco.
- Ok. Vou indo então. Ainda preciso tomar um banho. Mesma roupa de ontem não dá, certo?
- Certo, Jake. – eu preferia não lembrar isso.
- E, Suze – ele chamou já na porta – Obrigado pela ajuda.
- Disponha.
Alguns minutos depois eu ouvi uma nova batida à porta e dessa vez eu perguntei quem era já que ainda não estava vestida.
- Sou eu – Gina anunciou do outro lado da porta.
Eu abri para que ela entrasse e voltei ao meu dilema sobre a minha roupa.
- Dá pra parar de sorrir um pouco? – eu pedi rindo quando ela sentou na minha cama e abraçou um travesseiro com um sorriso bobo – Vai acabar tendo câimbra no rosto.
- O que eu posso fazer? Eu estou feliz.
- Algum motivo específico para tanta felicidade?
Eu sabia que ainda não tinha dado tempo de Jake se declarar então ela deveria estar assim por outro motivo.
- Digamos que a minha noite tenha sido muito mais que perfeita.
Eca!
- Sem detalhes, ok?
- Certo – ela se jogou na cama parecendo uma adolescente tola e apaixonada – Seu irmão é maravilhoso, sabia?
- Não, não sabia. E prefiro continuar sem saber.
- Ah, qual é. Eu não me incomodo de saber seus detalhes com Jesse.
- Jesse não é seu irmão.
- Chata.
- Também te adoro. Agora será que você poderia me ajudar a escolher uma roupa?
Depois de muito revirar no meu guarda roupa, nós escolhemos um short roxo curto de cintura baixa e uma blusa de malha branca folgada que caía de um lado deixando um ombro à mostra. Por baixo da blusa, que era fina e um pouco transparente, eu escolhi usar um top da mesma cor do short. Gina usava uma bata longa preta com um cinto vermelho grosso de tecido. Só Gina mesmo para usar preto em um churrasco em plena Califórnia.
Descemos as escadas juntas e quase esbarramos em David que passara correndo em direção à porta para atender à campainha. Era uma garota que eu não conhecia. Fui em direção ao jardim onde estaria sendo realizado o churrasco e encontrei toda a família lá. Ainda faltavam quinze minutos para o horário que eu havia marcado com Jesse, mas eu já estava ansiosa para a sua chegada.
Andy estava comandando a churrasqueira como sempre e Brad estava ao seu lado tentando roubar algum pedaço de carne antes da hora. Jake chegou logo depois e abraçou Gina pela cintura, levando-a para longe de mim.
- Esses dois não se desgrudam – Steph falou depois de se materializar do nada ao meu lado. Ainda bem que eu já estava acostumada com essas aparições e não esbocei nenhuma reação – Ontem à noite eu fui obrigada a sair de casa. Foi constrangedor.
- E eu realmente não preciso saber disso. – eu murmurei quase sem mexer os lábios.
- Não, sério – ela insistiu – Ainda bem que era a folga dos empregados e nossos pais estavam viajando ou eles presenciariam cenas nada agradáveis.
- Eu não preciso saber essas coisas. – eu falei um pouco mais alto.
- Falando sozinha, Suze?
Minha mãe estava bem atrás de mim com alguns CDs nas mãos.
- Er... não. Só estava... cantarolando uma música.
- Churrasco precisa mesmo de música. – ela falou mostrando os CDs. – Alguma preferência?
- Eu? Não.
- Pessoal? – a voz de David soou atrás de mim. Ele estava acompanhado de uma menina de cabelos castanhos que usava uma saia verde até os joelhos, uma regata de um tom mais escuro e óculos prateados. Ela parecia ter uns 13 ou 14 anos – Essa é minha amiga Maria.
- Oi Maria. – eu a cumprimentei já que estava mais perto – Prazer, eu sou Suze.
- Oi Suze. – ela respondeu um tanto tímida. – Prazer em te conhecer também.
Ela tinha um sotaque um pouco carregado.
- É aquela sua amiga do acampamento, Dave? – minha mãe perguntou se aproximando.
- É sim. A que eu descobri que mora aqui na cidade.
- Que coincidência. Prazer em conhecê-la Maria.
Terminada as formalidades das apresentações eu resolvi satisfazer minha curiosidade. Ou parte dela.
- Você é daqui mesmo da Califórnia, Maria?
- Eu? Não. Sou brasileira. Cheguei a dois anos no país. Meus pais se mudaram.
- Está gostando dos Estados Unidos?
- Muito.
Foi impressão minha ou ela deu um olhar bastante sugestivo para meu irmão mais novo ao dizer isso com empolgação demais na voz?
Mas eu me distraí com esse fato quando vi Jesse entrando no jardim acompanhado da minha mãe. No mesmo instante eu fui em sua direção e o abracei.
- Jesse – sussurrei enquanto envolvia seu pescoço com os braços e ele me envolveu pela cintura.
- Hermosa, senti sua falta – ele falou no mesmo tom, encostando seus lábios nos meus de forma comportada.
Me contentando que aquilo era tudo que eu iria conseguir dele na frente da minha família, eu me distanciei um pouco e o apresentei a única pessoa ali que ele não conhecia. Me senti um tanto incomodada quando ela passou uma visão de raio-x pelo corpo do meu namorado. Mas logo depois que Dave voltou para o seu lado com uma taça de sorvete nas mãos ela direcionou o mesmo tipo de olhar pelo corpo dele e pareceu ficar feliz com o que via.
Ok. Cada um tem seu gosto. Achava bonitinho aquele tipo de relacionamento das crianças. Se bem que eles não poderiam mais ser chamados de crianças, certo? Adolescentes então. Será que era normal adolescentes limparem o sorvete que escorriam dos lábios da amiga e depois levá-lo aos lábios? Porque foi isso que Dave fez com o sorvete de Maria. Eu não fazia isso na idade deles.
Certo. Parei de observá-los. Poderia acabar vendo o que não queria.
Na primeira oportunidade eu servi Jesse com um pedaço de picanha, a especialidade de Andy, e fiquei observando-o enquanto ele comia. Era fascinante ver sua reação aos sabores novos das comidas.
- Ok, isso – ele falou depois de engolir o primeiro pedaço – está muito bom.
- Churrasco do Andy. Te disse que era famoso.
- Mas é churrasco. Nós fazíamos churrasco na minha época.
Nós estávamos sentados em um canto mais afastado onde ninguém poderia nos ouvir.
- Eu não acho que eles tinham os temperos de carnes que temos hoje em dia.
- É, acho que não. – ele terminou o que restava em seu prato e olhou cobiçoso para a churrasqueira – Será que eu posso...?
- Vai em frente!
Eu acho que teria sido melhor eu ter ido pegar a carne para Jesse. Assim Andy não teria roubado ele de mim como ele estava fazendo agora. Mas a culpa foi de Jesse. É o que dá ele ser tão educado. Ao invés dele chegar na churrasqueira e pegar um pedaço como todos faziam, ele teve que parar para elogiar a comida dizendo que nunca tinha experimentado nada igual. É claro que Andy ficou se achando depois disso e passou a explicar, detalhadamente, como preparava aquele churrasco, desde o momento da escolha da carne no açougue até o momento de ir para o fogo. Sobrei legal.
Continuei sentada em um daqueles bancos de jardim, apenas observando a interação entre os dois. Parecia uma daquelas cenas retiradas de filme. Andy ensinando-o a identificar o ponto certo da carne, Jesse experimentando a carne quente e quase queimando a língua, minha mãe chegando em seguida e lhe dando um copo de refrigerante gelado para ajudar a amenizar a dor, os três rindo do acontecido. Até parecia estar se movendo em câmera lenta.
- Enxuga a baba – Brad exclamou sentando ao meu lado.
Eu nem tinha notado que observava a cena de boca aberta. Acho que estava quase babando mesmo.
- O amor estar no ar – ele continuou apontando para a cena em geral – Até o coitado do Dave já caiu na armadilha. Coitado. Tão jovem. Tinha esperanças que ele ficasse normal.
- Normal? – eu o encarei pelo canto do olho – O que é normal pra você, Brad?
- Eu sou normal. No dia que você me ver assim pode mandar me internar.
Nem respondi. Não estava a fim de dizer o quanto ele era anormal. O quanto ele era burro por achar que se apaixonar era cair numa armadilha.
- Suze – minha mãe me chamou do outro lado do jardim – Vem aqui.
Levantei sem me importar com as gracinhas de Brad e fui até eles. Jesse me envolveu pela cintura quando parei ao seu lado, acho que num gesto automático, mas logo soltou e já ia se retirando quando minha mãe o deteve.
- Pode ficar, Jesse, o assunto também lhe diz respeito.
Assunto para conversar? Deveria me preocupar? Talvez não. Ela estava sorrindo, Andy também.
Nós fomos para a cozinha para podermos conversar mais tranquilamente, sem que precisássemos aumentar o tom de voz por conta do som. Sentamos à mesa, Jesse ao meu lado, minha mãe e Andy sentados à nossa frente.
- Então Suze – Andy começou – amanhã você volta às aulas.
- Ai, nem me lembra – eu falei suspirando pesadamente. Logo eu ia voltar para aquela rotina sufocante.
- E é normal que vocês queiram se ver durante a semana – ele continuou olhando de mim para Jesse.
- Claro! – eu respondi rapidamente. Não havia a mínima possibilidade disso não acontecer.
- Certo – ele assentiu rindo – Eu e sua mãe estávamos conversando sobre isso e decidimos que o melhor a fazer é estipular um horário para vocês dois se verem e...
- Espera! – eu o interrompi, irritada – Que papo é esse de horário?
- Suzannah – Jesse me repreendeu.
- É o melhor, Suze – minha mãe falou sem se alterar. Ela provavelmente já previra aquela reação da minha parte – Assim não atrapalhará os seus estudos.
Isso poderia fazer sentido para ela, mas não para mim.
- Caso a senhora não se lembre, mãe – eu falei com uma sobrancelha arqueada –, eu já estava com Jesse no semestre passado e não tive nenhum problema com meus estudos.
- Eu lembro muito bem – embora estivesse bem óbvio que ela preferia não lembrar –, mas é assim que será.
- E se eu não aceitar? – eu ergui o rosto desafiando-a.
- Suzannah, por favor – Jesse tentou me acalmar mais uma vez, segurando minha mão por baixo da mesa – nós ainda vamos continuar nos vendo.
Como ele poderia ficar tão calmo com tudo isso?
- Mas já não bastou o tempo que nós ficamos separados – eu estava quase gritando de raiva – ainda temos que ter horário para nos ver? Isso não vai acontecer!
- Esse seu comportamento não vai ajudar em nada, mocinha!
- Sra. Ackerman – Jesse interveio com a maior calma do mundo – Não se preocupe. Eu vou me ater aos horários que vocês determinarem.
- Jesse! Como é que você pode...?
- Hermosa – ele me interrompeu gentilmente virando-se na minha direção e tomando meu rosto entre suas mãos – Eu não me incomodo se ficarmos juntos apenas por alguns instantes, desde que eu possa ficar com você novamente. Você disse ontem à noite que a distância só faz com que os momentos juntos se tornem mais especiais. Nós não precisamos correr contra o tempo. Temos toda a vida pela frente.
- Eu sei, mas...
- Hermosa, por favor – ele sussurrou com um sorriso nos lábios.
Certo. Eu não tinha argumentos depois disso. E mesmo se tivesse, eu teria esquecido com ele tão perto assim. Soltei o ar pesadamente, vencida pela lógica inquestionável de Jesse.
- Tudo bem. Qual é o esquema do horário? – perguntei me voltando para a minha mãe e me surpreendi ao ver seus olhos cheios de lágrimas.
Ficou estipulado que Jesse poderia chegar no mesmo horário que eu chegasse da escola e sair às 19h, para que eu pudesse estudar depois do jantar. O que significava que nós teríamos quatro horas por dia juntos. Mas ela disse que esse horário seria reduzido nas semanas de provas. Se ela soubesse que Jesse me ajudara tanto nos estudos. Mas eu tinha tempo de convencê-la a mudar de idéia.
O dia seguinte seria o único em que não nos veríamos porque era o dia da consulta no ginecologista. E na quarta-feira Jesse chegou um pouco mais tarde porque tinha ido ao hospital retirar os pontos. Agora ele estava oficialmente curado.
Nesse dia nós estávamos sentados no sofá namorando, sem nenhuma carícia ousada – Jesse se recusava a fazer isso quando havia alguém em casa, e sempre havia alguém em casa – quando ouvimos o carro da minha mãe entrando na garagem. Significava que já estava perto da hora de Jesse ir embora. Não que ela expulsasse Jesse assim que chegava. O problema era o horário. Maldito horário.
Mas, diferente do dia anterior em que ela havia chegado, cumprimentando-o rapidamente e ido para a cozinha ajudar Andy com o jantar, hoje ela parecia disposta a conversar. Primeiro conversou sobre o seu dia, perguntou como tinha sido o nosso dia e depois começou a falar do que realmente parecia lhe interessar.
- Então, Jesse, você já decidiu o que vai fazer no futuro? – seu tom era descontraído, mas eu sabia a importância que aquela pergunta tinha para ela.
Jesse também sabia. Na verdade, nós havíamos conversado sobre isso no dia anterior.
- Sim. Eu vou começar a estudar para cursar medicina.
- Medicina? – ela perguntou sem disfarçar a surpresa.
- Sim.
- Você sabe que é difícil.
- Sei. Mas esse sempre foi o meu sonho.
- É o mesmo sonho do seu pai?
- Não. Meu pai queria que eu fosse... administrador. – só eu notei a pausa que Jesse fez nesse instante, querendo mentir o mínimo possível. – Como ele era. Mas eu nunca quis isso para mim.
O pai de Jesse queria que ele tomasse conta da propriedade da família. Isso era quase igual administrar algo, não era? Acho que era igual. Então ele não mentiu. Mas ele não mencionou a parte da faculdade. Porque aí ele teria que mentir.
- Você faz bem em querer lutar pelos seus sonhos. Tem meu total apoio.
- Obrigado, senhora Ackerman.
- Meu também – eu afirmei. Jesse vestido de médico deveria ser uma perdição.
- Obrigado, hermosa. – ele se virou com um sorriso bobo no rosto. Acabei sorrindo igual.
- Você a chama de quê? – minha mãe perguntou com o cenho franzido e um sorriso no rosto.
- Hermosa – Jesse repetiu e corou.
Céus, como eu adorava ver esse homem corando. Me dava uma tremenda de vontade de agarrá-lo. Ok. Se concentra Suze. Sua mãe está bem na sua frente. Mas o problema é que eu não conseguia resistir a Jesse dando demonstrações involuntárias de estar vivo. Era hipnotizante.
- O que significa?
- Formosa. – ele respondeu e se virou para olhar nos meus olhos – Bela.
Beijá-lo naquele instante não seria desrespeito nenhum com a minha mãe, seria? Porque foi o que eu fiz. Eu tenho certeza que até a minha mãe teria feito isso se estivesse no meu lugar. Mas é claro que foi um beijo rápido. Jesse não deixou evoluir. Chato!
Minha mãe continuava parada à nossa frente e ela tinha um sorriso tão bobo no rosto que pensei que ela fosse babar ali no tapete.
- Jesse, eu já te contei do dia que eu conheci Andy?
Ah, não mãe! Essa história pela centésima vez ninguém merece! E eu nem tive como alertar Jesse sobre o risco de tédio mortal por ouvir essa história.
- Não. – ele respondeu com um sorriso que só fez motivar mais a minha mãe.
- Foi lindo. Eu estava...
E começou a sessão nostalgia. Pelo menos dessa vez eu tinha Jesse acariciando minha mão com o polegar para me distrair.
Já fazia uma semana que Jesse havia saído do hospital. Minhas aulas começaram e eu não via a hora de chegar o final de semana. Seria o único momento que nós poderíamos ficar sozinhos, já que minha mãe permitira que saíssemos nos fins de semana. Juntos e sozinhos. Sem ninguém por perto para ouvir a mínima alteração das nossas respirações. O único momento que nós tínhamos a sós era nas despedidas.
Hoje, quinta-feira, Jesse tinha vindo de carro. As segundas e quintas eram os dias que Paul emprestava o carro para que Jesse viesse me visitar. Nas segundas porque Alicia trabalhava no turno da noite e nas quintas porque era seu dia de jantar com a família. Então Paul ficava em casa chupando dedo.
Eu fui levar Jesse até o carro e nós aproveitamos para dar uns amassos lá dentro. Mas como nem tudo é perfeito, logo alguém começou a acender e apagar a luz da varanda. Minha mãe, com certeza. Ela sempre fazia isso quando eu demorava demais na despedida.
No dia seguinte eu cheguei em casa feliz da vida por ser sexta-feira. Assim que eu entrei no quarto meu celular tocou, mas eu não reconheci o número. Era Jesse avisando que não poderia vir hoje.
- Porque não? – eu sabia que ele não estava em casa porque eu sabia o número da casa de Paul – Aconteceu alguma coisa?
- Hum... não. – ele deu uma pequena pausa – Eu... estou ocupado com uma coisa e não sei a que horas vou acabar.
- Ocupado com o quê?
- Eu te ligo depois, ok?
- Jesse...
- Eu te amo.
- Eu também. Mas o que é que...?
- Depois hermosa. Preciso ir agora.
Depois que ele desligou, eu fiquei olhando para o celular como se esperasse que aquele aparelho estúpido pudesse me dar respostas.
O que Jesse estava aprontando? Porque ele estava agindo de forma tão misteriosa? Eu passei o resto do dia tentando me concentrar nas coisas que fazia, mas não tive muito sucesso. E logo depois do jantar eu subi para o meu quarto, cansada de aturar as provocações de Brad por Jesse não ter ido hoje.
- Vai ver ele está com outra – ele ainda falou enquanto eu subia as escadas.
Eu nem dei crédito. Eu sabia que não era isso. Jesse jamais me trairia. Mas ele ainda me escondia alguma coisa. Apenas por volta das nove da noite, quando eu já estava quase surtando de curiosidade, meu celular tocou e eu vi que era o número da casa de Paul.
- Alô? – eu sabia que era Jesse.
- Oi hermosa – sua voz estava doce e eu quase amoleci. Quase.
- Oi Jesse. – apesar de estar feliz por ele me ligar eu ainda estava chateada com ele por não ter falado o que estava acontecendo.
E é claro que ele sabia como eu estava me sentindo. Ele me conhecia muito bem.
- Me desculpe por ter sido tão vago no telefone mais cedo, mas eu não queria me precipitar antes que estivesse tudo certo.
- Tudo o quê? – eu perguntei sem conseguir conter a curiosidade.
Ainda bem que Jesse não era do tipo que gostava de fazer suspense.
- Eu consegui um emprego.
- Um... emprego?
- Sim. – ele respondeu e mesmo sem vê-lo eu sabia que ele estava sorrindo.
- Ai meu Deus, Jesse! Isso é maravilhoso!
- Eu sei. Também fiquei muito feliz.
- Onde?
- No museu. Um dos funcionários está se aposentando e eu vou ficar no lugar dele. O responsável ficou impressionado com o meu conhecimento sobre a história da cidade.
- Mal sabe ele que você estava aqui quando ela foi fundada.
Ele riu enquanto eu dava pulos de alegria pelo quarto.
- Eu tenho outra novidade – ele informou ainda rindo – Paul comprou uma moto.
- Foi? – aquilo não era lá uma grande coisa. Nada comparado à notícia do emprego.
- Sim. Ele descobriu que Alicia adora motos, então ele resolveu mudar de veículo. – porque ele falava isso com tanta empolgação? – E deixou o carro dele comigo. – Opa! – Então eu estava pensando... O que você acha de aprender a dirigir?
- Sério?
- Sim. Eu posso te ensinar. Isso é, se a sua mãe permitir.
- Que legal.
Eu nunca me interessei muito em aprender a dirigir, mas ter Jesse como instrutor era o suficiente para me fazer mudar de idéia.
Assim que eu acordei no sábado, a primeira coisa que eu fiz foi pedir permissão para ter aulas de direção com Jesse. Eu pensei que ela ia dizer não. Na verdade, ela chegou a começar a pronunciar a negativa, mas acabou concordando, apenas pedindo para eu tomar cuidado e não me atrasar para o jantar.
Corri para o meu quarto para dar a boa notícia para Jesse, pensando no que poderia ter feito a minha mãe mudar de idéia. Talvez ela realmente não visse problema em eu passar o dia com Jesse. Ou – e eu achava isso bem mais provável – talvez ela tenha lembrado da nossa conversa com a ginecologista. É. Ela tinha insistido em entrar comigo e Gina no consultório.
Depois da consulta a médica sentou com as três para uma conversa. Primeiro ela prescreveu anticoncepcionais para mim e para Gina, mas nos aconselhou a continuar usando camisinha. Depois nos mostrou a forma correta de colocá-la, o que foi muito útil para mim já que eu nunca tinha usado. Mas é claro que eu não deixei ninguém perceber isso.
Mas a médica também tivera uma conversa séria com a minha mãe sobre não prender os impulsos dos adolescentes. Ela disse o que eu havia dito quando conversara sobre sexo com ela no hospital: prender só piora a situação. E ainda citou alguns exemplos de mães que haviam impedido suas filhas de terem relações sexuais e elas, ou engravidaram por falta de conhecimentos ou fugiram com os namorados. Foi uma boa forma de ilustrar a coisa toda e minha mãe pareceu entender bem o recado.
Assim que saímos do consultório, ela parou em uma farmácia pra comprar os anticoncepcionais e uma caixa de camisinha para cada uma.
- Não esperem que os homens estejam sempre prevenidos.
Eu e Gina ficamos super embaraçadas por ela ter falado isso no meio da farmácia lotada de clientes que ficaram nos olhando e rindo, mas até que foi uma boa. E eu não esqueci de guardar a caixa na bolsa onde eu arrumei tudo antes de descer as escadas para encontrar Jesse que me esperava no andar de baixo. Eu nem tinha certeza se faríamos alguma coisa hoje, mas resolvi sair prevenida.
- Você está linda. – Jesse sussurrou assim que me viu.
É, talvez eu tenha me arrumado um pouco mais que o normal hoje. Não em relação à roupa. Eu vestia uma saia jeans curta um pouco desfiada nas pontas, uma regata vermelha e tênis all-star da mesma cor. Mas eu tinha secado meus cabelos até que não houvesse mais nenhuma onda e colocara um pouco de maquiagem. Nada muito pesado. Apenas rímel, uma sombra de cor natural e gloss. Só para dar um toque a mais. Ah, e lápis é claro. Mas isso já fazia parte de mim.
- Jesse – minha mãe chamou saindo da cozinha – Janta conosco hoje?
- Claro, Sra. Ackerman. – Jesse respondeu com visível empolgação na voz – Será um prazer.
Era a primeira vez que Jesse era convidado para jantar. E se eu estava feliz por isso, imagino como ele estaria se sentindo. Jesse prezava demais o relacionamento com a minha família. E ele jantar lá hoje significava mais tempo ao lado dele. Meu sábado seria perfeito.
- Pronta? – Jesse perguntou quando eu já estava acomodada ao volante.
Ele havia levado o carro até uma área mais tranqüila da cidade, onde quase não passavam carros. Era uma rua de escritórios e, por ser sábado, estava completamente deserta. Mas ainda havia lombadas, calçadas, arvores e postes. Obstáculos para quem nunca tinha dirigido.
Já era quase meio dia quando eu consegui dominar as três primeiras marchas e a ré. Jesse se recusou a me deixar passar a quarta marcha.
- Sem pressa. – ele falou quando eu comecei a resmungar – E essa rua tem lombadas demais para você conseguir desenvolver tanta velocidade. Mas você está indo muito bem para a sua primeira lição.
Foi só ele falar isso que o carro estancou.
- Não foi minha culpa.
E não tinha sido mesmo. Eu me assustei com o toque do meu celular e esqueci de pisar na embreagem junto com o freio.
Era Paul ligando, mas ele não queria falar comigo.
- Vocês dois estão bem amiguinhos agora – eu comentei depois que Jesse desligou.
- Ainda não, mas ele consegue ser uma boa pessoa às vezes.
- O que ele queria?
- Vai ficar parada aqui no meio da rua?
- Ah, desculpa.
Liguei o carro novamente e o movi aproveitando para treinar baliza. Tá. Não havia carros estacionados na rua, mas ainda assim eu tinha que tomar cuidado para não encostar no meio-fio. De novo.
- Ele queria avisar que está saindo para almoçar com Alicia e que só volta à noite.
- É?
- É. Mas é provável que ele chegue antes me mim já que eu vou jantar na sua casa hoje.
Jesse falou isso com um orgulho tão grande que, momentaneamente, eu esqueci a idéia que passou pela minha cabeça. Eu disse: momentaneamente.
Terminei de estacionar em silêncio e desliguei o carro, deixando apenas o ar ligado, e puxei o freio de mão em seguida. Olhei pelo espelho retrovisor. A rua estava deserta e as árvores frondosas deixavam tudo às sombras. E os vidros do carro espaçoso ainda eram fumês. Perfeito!
- Não quer mais treinar hoje? – ele perguntou quando eu tirei o cinto de segurança.
- Não.
- Tudo bem. Vamos almoçar.
Ele também removeu o cinto de segurança e já estava com a mão na maçaneta quando eu o detive, segurando seu pulso.
Sem dar tempo para ele falar ou fazer alguma coisa, eu saí do meu banco e fui para o seu colo, colocando uma perna de cada lado do seu corpo.
- Suzannah, o que você está fazendo?
- O que você acha que eu estou fazendo?
- Alguém pode ver. – ele sussurrou com a voz começando a ficar rouca.
Sabia que ele também queria aquilo.
- Não tem ninguém por perto.
- Hermosa...
- Me beija, Jesse. – eu supliquei e ele me atendeu de pronto.
Foi um dos beijos mais quentes que já havíamos trocado. Saudade, privação, amor, desejo. Tudo em um único beijo. Não demorou muito para as suas mãos começarem a percorrer meu corpo, entrando pela blusa e tocando meus seios por cima do sutiã de renda vermelha. Com uma das mãos ele reclinou um pouco o banco, para nos deixar mais confortáveis.
Logo nós dois estávamos livres das blusas. Nossos corpos quentes pressionados um contra o outro, começando a suar apesar do ar-condicionado.
Eu já sentia sua excitação no meio das minhas pernas, de encontro direto com a minha intimidade. Estar de saia tinha muitas vantagens. Só precisei levantá-la um pouco para me dar mais movimento.
Jesse desviou seu olhar para aquele ponto quando eu levantei a saia, expondo parte da minha calcinha de renda que combinava com o sutiã. E, percebendo seu olhar naquela direção, eu abaixei mais o quadril fazendo com que nossos sexos se encontrassem e ondulei o corpo causando uma ficção deliciosa que nos fez gemer em êxtase.
Suas mãos seguraram meus quadris naquela posição e eu voltei a ondular o corpo, fazendo-o gemer ainda mais alto. Ele me puxou com uma violência erótica para um beijo de tirar o pouco fôlego que eu tinha. Sua mão prendia a minha nuca enquanto a outra descia pelo meu corpo, entrando pela minha calcinha até encontrar o centro da minha feminilidade. Aquilo trouxe recordações de quando ele me tocara daquele mesmo jeito no hospital. E me lembrou também que eu estava em dívida com ele.
Ainda o beijando, eu desci minha mão até o cós da calça jeans que ele usava. Já disse que Jesse ficava lindo de jeans? Pois é. Mas ele ficava ainda melhor sem. Ele percebeu a minha intenção e me ajudou a remover a peça. Depois que a calça já havia sido jogada no banco do motorista, eu olhei para baixo e tive uma surpresa. Jesse estava usando cueca boxer preta. Fui ao céu e voltei.
Aquele volume parecia um imã atraindo a minha mão. E, como sempre acontecia quando eu o tocava mais intimamente, Jesse ficou rígido de repente, congelando no movimento de me dar prazer. Mas logo voltou a me tocar ainda mais intensamente e eu deslizei minha mão por dentro da cueca. Ele gemeu alto quando sentiu meus dedos envolverem seu membro rijo e pulsante.
Comecei a fazer movimentos com a mão, ainda incerta de como lhe proporcionar prazer, mas parecia estar fazendo certo porque ele me puxou novamente para um beijo sôfrego e aumentou o ritmo dentro de mim. Ele introduziu dois dedos enquanto o polegar massageava o clítores com experiência. Eu já sentia os espasmos começando a percorrer meu corpo e ele, sem dó da minha sanidade, passou a sugar meus seios por cima do sutiã, me fazendo chegar ao ápice do prazer.
Eu estava tão concentrada sentindo o orgasmo que fazia cada músculo do meu corpo se contrair, que esqueci de proporcionar o mesmo para ele, mas lembrei no instante que ele me deitou no banco, ficando por cima de mim e fez menção de tirar minha calcinha.
- Ainda não.
Eu segurei sua mão e o fiz voltar à posição inicial. Eu voltei a deslizar minha mão até a sua cueca, mas dessa vez para removê-la. Ele me ajudou erguendo o quadril e tentou tirar minha calcinha, mas eu o detive novamente.
- Eu disse ainda não.
Ele pareceu frustrado e confuso, mas logo percebeu minhas intenções quando eu o toquei novamente. Dessa vez eu não perdi tempo com inseguranças e passei a movimentar minhas mãos cada vez mais rápido. Suas mãos estavam agarradas nas laterais do banco com força. Quanto mais rápido eu movia minha mão contra o seu membro, mais ele pressionava os olhos e mais alto ele gemia.
Mas então, tão rápido que eu quase não percebi, ele retirou minhas mãos e tentou me fazer deitar no banco novamente, mas eu não deixei.
- Hermosa, por favor – ele implorou com a voz carregada de luxúria – eu não vou conseguir me controlar.
- Não tem ninguém aqui te pedindo isso, Jesse.
E, reunindo toda a coragem e ousadia, eu estendi minha mão até a alavanca embaixo do banco e empurrei o assento para trás, abrindo espaço para eu me ajoelhar entre as suas pernas.
- Fica quietinho porque é a minha vez de ser má. – eu falei com a voz mais sensual que eu consegui usar, olhando diretamente nos seus olhos.
E pareceu funcionar porque seus olhos negros brilharam intensamente e ele pareceu ficar mais arfante. E o gemido que ele soltou quando meus lábios encostaram no seu sexo foi quase um rugido selvagem. E isso só me fez ficar mais ousada.
Era incrível como eu conseguia ficar tão excitada apenas por proporcionar prazer a ele. No começo eu ainda estava meio receosa do que fazer e encarei aquele volume, incerta se caberia na minha boca e com medo de machucá-lo com meus dentes. Mas logo eu peguei o jeito da coisa, conseguindo perceber o que lhe dava mais prazer.
Ele começou a arquear o quadril contra o meu rosto, quase me fazendo engasgar quando seu membro entrava por completo. Mas eu vi que eram nesses momentos que ele gemia mais alto e eu passei a fazer esses movimentos por conta própria.
Eu confesso que fiquei com vergonha quando ele afastou meus cabelos para poder observar tudo, mas quando nossos olhares se encontraram e eu vi toda a luxúria refletida naqueles olhos negros e em seu semblante contraído, toda e qualquer timidez evaporou e eu intensifiquei os movimentos, fazendo-o urrar de prazer.
Sabia que ele se aproximava do clímax, seu corpo se contraindo por inteiro. Ele tentou me puxar para cima, mas eu o ignorei. Hoje eu queria senti-lo por inteiro.
- Suzannah! – ele gemeu alto – Suzannah eu vou... ah!
Eu senti olíquido quente invadir minha boca, enquanto seu quadril se arqueava involuntariamente, sofrendo os espasmos do orgasmo. O gosto não era muito bom, mas eu me forcei a engoli. O gosto salgado invadiu a minha garganta e eu me controlei para não fazer uma careta de nojo. Lembrar de não engolir da próxima vez.
Eu subi no corpo suado e trêmulo de Jesse e ele, mesmo fraco pelo orgasmo intenso, me puxou para um beijo longo e apaixonado.
- Hermosa, isso foi... – ele começou num sussurro um pouco depois, mas não pareceu ter encontrado fôlego ou palavras para continuar.
Mas não precisava. Palavras não eram necessárias naquele momento.
Ficamos ali abraçados, eu apoiada sobre seu corpo firme, nossos corpos suados pelo prazer compartilhado de forma tão nova para nós. Suas mãos que antes se contentavam em acariciar meus cabelos e meu rosto, agora deslizavam pelas minhas costas, várias vezes fazendo menção de tirar meu sutiã. Ele estava completamente nu sob mim enquanto eu estava despida apenas da blusa, embora a saia estivesse erguida até a cintura.
Podem me chamar de antiquada, mas eu não queria que a minha primeira vez com ele depois de vivo fosse em um carro.
- O que você acha de irmos para a casa de Paul agora? – sugeri cheia de segundas intenções na voz – A casa está vazia.
- Excelente idéia. – ele respondeu no mesmo tom que eu – Mas será que você consegue dirigir até lá?
- Eu? Porque não você?
- Eu não me sinto em condições de dirigir no momento.
Eu ainda conseguia sentir o tremor do seu corpo sob o meu.
- Acho que consigo dirigir, então. – Ok. Eu estava me sentindo "a tal" por ter feito ele ficar nesse estado, incapaz de dirigir.
- Aonde a senhorita pensa que vai? – ele perguntou quando eu me movi para voltar para o banco do motorista.
- Dirigir? – respondi com outra pergunta.
- Eu ainda não estou pronto para me afastar de você – ele falou me envolvendo pela cintura.
- Jesse, eu só vou para o banco ao lado.
Ele me ignorou e intensificou o aperto em seus braços. Era muito gostoso sentir seu calor contra minha pele, sentir seu coração disparado contra meu peito como se disputasse com o meu coração sobre qual batia mais rápido.
Mais uma vez suas mãos passaram a percorrer minhas costas e logo desceram para as minhas pernas de forma sensual.
- O senhor está muito ousado hoje, Sr. De Silva.
Aquilo era para ter sido uma coisa engraçada, então porque seu corpo ficou rígido de repente?
- O que foi? – eu perguntei erguendo o rosto para poder observar sua expressão.
- Não é nada, é só que... você me chamou assim e eu lembrei de uma coisa.
Então eu também lembrei. Sr. De Silva havia sido o homem que mandara o assassino atrás do tal Felix Diego e que acabara matando Jesse por engano.
- Desculpa, Jesse, eu tinha esquecido desse pequeno detalhe – eu sou muito estúpida mesmo. Mas era uma coincidência os dois terem o mesmo sobrenome – Esse sobrenome era comum naquela época? – eu perguntei com o cenho franzido.
- Er... Suzannah, tem uma coisa que eu preciso te falar. – ele ergueu uma mão e afastou uma mecha que caía sobre o meu rosto – Eu não te contei antes porque não quis que você ficasse pensando nesse tipo de coisa, mas eu não vejo mais motivo para te esconder.
- Fala logo, Jesse. Você está me deixando preocupada.
- Sr. De Silva era meu tio. – ele falou de uma vez – Felix Diego era um pretendente a marido da minha prima, mas meu tio não aprovava a relação. Eu só não sabia que chegara a esse ponto de desaprovação. Eu não tinha muito contato com ele, mas minha mãe me falou sobre essa situação pouco antes de eu viajar. Eu sabia o tempo todo quem eles eram.
- Jesse, você está querendo dizer que...
- Foi meu tio que mandou aquele assassino.
- Minha nossa! – eu me ergui um pouco mais, muito abalada com a revelação – Porque você nunca me contou?
- Porque eu não queria te deixar assim. Você já estava muito agitada com tudo que tinha acontecido, então eu preferi não falar.
- Meu Deus!
- Mas já passou – eu sussurrou acariciando meu rosto com ternura – Não me aconteceu nada dessa vez. Graças a você. – ele me puxou até que nossos lábios se encontrassem.
As carícias já haviam começado a se intensificar mais uma vez quando eu consegui voltar para o banco do motorista. Jesse se vestiu depois de reunir suas roupas que estavam espalhadas pelo carro e me estendeu minha regata que estava emaranhada à sua blusa. Quando os dois já estavam decentes, eu liguei o carro e o coloquei em movimento.
Demorou quase uma eternidade até que eu conseguisse chegar à casa de Paul. Jesse ainda não me deixou usar a quarta marcha, tampouco permitiu que eu passasse o carro para o automático. Eu estava louca para experimentar a sensação de dirigir um carro automático, mas Jesse tinha que ser estraga prazer.
Tudo bem. Eu teria tempo para isso depois.
A casa de Paul continuava igual à antes. Fria e impessoal.
- Essa casa precisa de um toque feminino urgente! – eu comentei olhando ao redor para as superfícies tão lisas e frias.
- Alicia falou a mesma coisa.
- Ela veio aqui?
- Sim. Na terça feira. Quando eu voltei da sua casa ela estava aqui. Era seu dia de folga. – Jesse explicou.
- E o que Paul falou quando ela sugeriu a mudança na decoração?
Eu sabia muito bem que os homens se assustavam quando as mulheres mencionavam uma possível alteração no seu ambiente. Era quase como se declarar casado. Homens como Paul deviam morrer de medo disso.
- Ele disse que ela poderia ficar à vontade para mudar o que quiser.
- Mentira! – eu exclamei chocada.
- Sério – ele respondeu rindo da minha reação.
- Nossa! Paul está mesmo mudando.
- Acho que sim. – ele murmurou despreocupado – Vem, vamos comer alguma coisa. Eu aprendi a preparar um prato e quero saber se você aprova.
Não que eu não quisesse provar o que quer que Jesse fosse cozinhar para mim, mas eu realmente não queria comer agora. Eu tinha outras idéias para usar meu tempo naquele momento. Eu parei onde estava, segurando sua mão e fazendo-o parar também.
- Você está com fome? – eu perguntei quando ele se voltou para mim.
- Não muita.
Eu achava tão fofo quando Jesse me olhava desse jeito, totalmente alheio às perversões que iam na minha mente.
- Nem eu. Na verdade, eu estava pensando em fazer outra coisa agora. – eu sussurrei sugestivamente, me aproximando aos poucos. Colei nossos corpos e me ergui na ponta dos pés para sussurrar no seu ouvido – De preferência no seu quarto.
- Você gosta de me deixar assim, não é? – ele perguntou com a voz rouca, me imprensando contra seu corpo. Eu já começava a sentir o volume se formando entre nós.
- Adoro!
Ele sorriu e abaixou os lábios até os meus.
- Ótimo. Porque eu também adoro.
Sem falar mais nada, Jesse me ergueu nos braços e eu me aconcheguei àquele peito firme e quente sem me preocupar com mais nada.
Depois que chegamos ao seu quarto, ele me pôs em pé ao lado da cama e, mais gentil do que eu jamais sonhara, Jesse deslizou a mão pelo meu pescoço e me puxou para o seu peito até que nossos corpos estivessem colados e tornou a juntar nossos lábios num beijo lento.
- Seu coração está batendo tão forte – ele sussurrou, afastando os lábios da minha boca e trilhando beijos ao longo do meu pescoço, sentindo minha pulsação acelerada ali.
Eu pousei a mão no tórax dele.
- O meu não é o único.
- Não, não é.
Jesse começou a erguer a minha blusa num ritmo muito lento, quase me torturando, enquanto provava meu pescoço com a língua. Nos afastamos apenas o suficiente para ele remover minha blusa e ele logo voltou a trilhar os beijos de fogo pela minha pele.
Eu arqueei meu corpo contra o seu ao sentir o ar frio bater nos meus seios enquanto ele deslizava o sutiã pelos meus ombros até que eles caíssem inúteis no chão.
- Díos, como você é magnífica. – ele murmurou erguendo as mãos para envolver meus seios.
Eu prendi a respiração e assisti enquanto ele, com delicadeza, explorava cada um deles.
Logo em seguida ele me deitou na cama que mais parecia um barco de tão grande. A mão ainda provocava os seios enquanto a língua dançava dentro da minha boca com voracidade. Eu retirei sua camisa com desespero e passei as mãos pelo peito musculoso. Eu sentia a necessidade de tocar cada parte daquele corpo maravilhoso. Cada músculo, cada curva, cada gota de suor que se formava sobre a sua pele. Tudo aquilo era meu. Só meu.
Angulando o corpo sobre o meu, ele passou a observar meu rosto, olhando nos meus olhos que deveriam estar refletindo todo o desejo que eu sentia naquele momento.
- Não posso acreditar que você está aqui. – ele sussurrou tocando meu rosto com incrível ternura – Acho que nunca senti o que estou sentindo agora.
- Você é meu – eu externei meu orgulho com um sorriso tolo no rosto.
- Completamente seu. De corpo e alma.
- E eu sou sua. Para sempre.
- Para sempre.
Eu entrelacei os dedos nos cabelos dele, puxando-o para um beijo urgente.
Em poucos minutos nós dois estávamos completamente nus, numa exploração que nem as palavras mais fortes seriam capazes de descrever.
Antes que eu pudesse perder o controle, eu me esforcei a me desvencilhar dos seus braços e procurei pela minha bolsa, achando-a jogada em um canto do quarto. Retirei uma camisinha da caixa e voltei correndo para a cama.
- Jesse, te apresento a camisinha – eu falei com um sorriso no rosto, exibindo a embalagem.
- Eu sei o que é um preservativo, hermosa.
- Ah – Jesse sabe cortar uma brincadeira – Já usou?
- Não.
- Sabe usar? – eu perguntei com uma sobrancelha arqueada. Ele apenas meneou a cabeça em negativa. – Posso?
Sem responder, ele deitou na cama de forma a me deixar com livre acesso ao seu corpo e colocou as mãos atrás da cabeça num gesto descontraído, enquanto me observava com um brilho divertido nos olhos.
Depois de tirar a camisinha de dentro da embalagem, eu encarei aquele membro ereto e era quase como se ele me encarasse de volta.
Jesse parecia estar achando meu nervosismo engraçado, então, para torturá-lo, fiz um pouco mais de pressão do que era necessário ao desenrolar a camisinha em volta do seu sexo, causando uma fricção que sabia que lhe dava prazer. Seu corpo inteiro ficou rígido e seu rosto se contorceu numa expressão torturada de puro desejo.
No instante seguinte eu já estava deitada na cama, com ele sobre mim, nossos corpos se ondulando um contra o outro.
- Você está me deixando louca – eu sussurrei, puxando-o para um beijo.
- E eu estou adorando cada segundo dessa loucura – ele devolveu, retribuindo o beijo em seguida.
Nós continuamos brincando, explorando, num jogo tão sensual e maravilhoso que o mundo poderia acabar ali mesmo que não nos importaríamos.
- Suzannah, olhe para mim – ele murmurou entre as carícias mais doces.
Abrindo os olhos eu fitei o rosto de um homem que parecia ter acabado de ganhar o universo.
- Eu quero olhar no fundo dos seus olhos. Quero ver a paixão que sou capaz de colocar em seu rosto... antes que eu perca o controle.
Eu abri a boca para falar, mas ele me silenciou com um beijo quente e apaixonado.
Ajustando-se sobre mim, ele me possuiu num impulso único. E depois ficou imóvel. O encaixe era perfeito. Era como se ele tivesse me preenchido completamente, em todos os sentidos. Eu me agarrei a ele, braços e pernas envoltas naquele corpo másculo.
Notando que os olhos de Jesse estavam fechados, eu ergui uma mão e alisei seu rosto, fazendo-o olhar nos meus olhos.
Ele pressionou o corpo contra o meu e me beijou com ardor, enquanto investia no meu corpo com movimentos sensuais. Eu o recebi dentro de mim e correspondi intensamente a cada movimento, enquanto sentia o calor se espalhar por todo meu interior. E quando pensei que não poderia mais agüentar aquele fervor crescente, ele me puxou contra si, unindo nossos corpos até não restar um único espaço entre nós e continuou a impulsionar de forma rítmica, gemendo meu nome, os movimentos ficando mais curtos e rápidos a cada instante, até que, com uma última investida, eu senti meu mundo explodir junto com o seu. Meu corpo se contraiu por longos instantes, enquanto ele me apertava contra o seu corpo, seu rosto escondido na curva do meu pescoço, suas mãos presas em meu quadril, intensificando o contato dos nossos sexos, até os últimos segundos do maior orgasmo que já havíamos experimentado.
Momentos depois, estava deitada no ombro de Jesse, o rosto descansando no peito largo, os braços dele ao redor do meu corpo, as pernas entrelaçadas. Uma aura maravilhosa nos rodeava. Toques ternos e sussurros preenchiam o ambiente.
- Não deveríamos comer alguma coisa? – eu perguntei depois de vários minutos, quando finalmente já conseguia respirar normalmente, e começava a sentir meu estômago roncar.
Jesse meneou a cabeça e me aninhou mais contra si.
- Você recusou a comida quando eu ofereci, agora vai ter que esperar.
Eu comecei a me levantar sobre um cotovelo para olhar o rosto dele, mas Jesse me deteve.
- Não se mexa. – ele pediu num sussurro – Fique perto de mim. Preciso de você perto de mim. – ele estava quase suplicando – Não quero sair daqui agora.
Aconchegando-me ainda mais a ele, eu me posicionei de forma a ver-lhe o rosto. Contentamento e calma eram as únicas palavras que eu podia pensar para descrever o que ele parecia estar sentindo. Aquilo me trouxe uma nova onda de felicidade.
- Eu te amo, Jesse.
Com uma das mãos ele passou a acariciar meus cabelos com movimentos suaves. Os braços me apertavam com força e ao mesmo tempo, gentilmente.
- Eu amo você, hermosa – ele murmurou – Te amo em todos os momentos da vida e além dela. Te amo por toda a eternidade.
