- Parte 28 -

O mês de janeiro passara sem grandes novidades. Jake, Anne e Christine treinavam assiduamente, Amy e Jasper estavam apaixonados e Snape fazia questão de ignorar Christine completamente, mesmo na sala de aula.

No dia onze de fevereiro deu-se a primeira partida de quadribol. No vestiário, Anne se olhava no espelho, admirando o nome "Hale" em sua capa.

- Ah, estou tão feliz!

- Eu também, amor — disse Jacob também vestindo a capa — espero que o nome "Black" dê sorte, e que eu seja grande no campo como Sirius Black.

Só Christine não parecia se importar muito com o "Lestrange" em sua capa. Para falar a verdade, ela estava furiosa como um gladiador, prestes a entrar em uma batalha. A garota havia dado tudo de si nos treinos, com o intuito de não ter tempo para pensar ou sentir, o que a havia tornado um tanto agressiva e insana, cada vez mais parecida com Bellatrix.

Quando os times entraram em campo, houve uma maré de gritos, vindo de torcidas verdes e vermelhas. A rivalidade tornava o ambiente um tanto quanto tenso. Ao soar do apito de Madame Hooch, o massacre começou. Anne tentava se concentrar apenas no pomo, mas era difícil não olhar para o GRANDE batedor. Com efeito, Jacob desviava todos os balaços, com uma habilidade de mestre. Christine era extremamente violenta no campo, tendo quase derrubado pelo menos três grifinórios da vassoura nos primeiros dez minutos.

A partida foi tensa. A goles passava como um raio, de mão para mão, e raramente entrava nas balizas. A Sonserina perdia por alguns pontos de diferença, o que deixava Christine cada vez mais furiosa. Anne esquecera Jake por alguns segundos, e procurava incansavelmente o pomo de ouro, com Harry em seu encalço.

- MAS QUE RONALDO, POTTER! — berrou Anne — VAI PARAR DE ME SEGUIR, OU TÁ DIFÍCIL? POR QUE NÃO SEGUE O BASTÃO DO MEU NAMORADO?

Harry não respondia, apenas seguia Anne e o pomo com um semblante muito grave. Jake voava com seu bastão, rebatendo todos os balaços que se aproximavam de seu time.

A partida estava quase no final, quando dois acontecimentos se concretizaram ao mesmo tempo: Anne fechou os dedos finos no pomo de ouro e Christine sofreu uma vertigem, caindo de uma altura de três metros.

Anne largou o pomo nas mãos do primeiro sonserino que encontrou, e correu até a amiga, soltando um grito agudo ao vê-la desacordada ao chão, sangrando profusamente. Jake também correu para lá, e logo os dois times estavam em volta da menina.

- Saiam da frente! — gritou uma voz grave e apreensiva — todos vocês.

Snape abriu caminho entre os alunos, e ao ver Christine estatelada no gramado, seu rosto se contorceu em uma máscara de dor.

- Meu Deus, minha menina! — ele sussurrou, tentando impedir as lágrimas.

Dito isso, tomou a garota nos braços e correu para o castelo. Anne chorava horrorizada abraçada ao Jake, enquanto Amy e todos os outros alunos desciam agitados das arquibancadas.

Ninguém conseguiu comemorar a vitória da Sonserina. Até mesmo alguns grifinórios ficaram perplexos ao ver Christine caída no campo, sangrando.

Amy, depois de descer da arquibancada, foi correndo em direção de Anne e Jake, que encontravam-se no centro do campo.

- Anne, o que foi que aconteceu com a Chris para ela cair daquele jeito? - perguntou Amy, ofegante.

- Eu... Eu não sei! Quando eu vi ela já estava caída! - respondeu Anne, com a voz fraquinha - Pode ser qualquer coisa... Uma azaração, um balaço errante, eu não sei!

- Não foi um balaço errante, disso eu tenho certeza. - disse Jake prontamente.

- E o que estamos fazendo aqui? Vamos até a Ala Hospitalar ver como ela está! - Amy interviu, com a voz enérgica.

Na Ala Hospitalar, Snape pousou delicadamente Chris em uma das camas, lágrimas caindo pesadamente de seus olhos negros.

- Você vai ficar bem, raposinha. Eu prometo.

Ele e Madame Pomfrey começaram a murmurar feitiços aqui e ali, que ajudou a estacar o sangue e a diminuir alguns ferimentos. Nisso, eles ouviram batidas pesadas na porta e alguns gritos. Eram Anne e Amy, desesperadas para ver a amiga. Snape, com um aceno de cabeça, pediu para que Madame Pomfrey fosse ver o que as meninas queriam. Prontamente, ela obedeceu.

- Por favor, Madame Pomfrey, como a Chris está? - perguntou Anne. Seu olhar e sua expressão demonstravam os profundos desespero e preocupação que a garota estava sentindo.

- Fique calma, Srta. Hale. Ela vai ficar bem. Eu e o Prof. Snape estamos cuidando dela, e logo logo vocês poderão vê-la. Por favor, voltem mais tarde. Ainda estamos cuidando da Srta. Lestrange.

E fechou a porta, deixando Anne, Jake e Amy ainda mais apreensivos.

- Ah, meu Deus! Deve ser grave, deve ser grave! - repetiu Amy numa voz desesperada, meneando negativamente a cabeça.

- Não, Amy! A Chris vai ficar bem! Já já ela vai estar nova em folha, pegando a escola inteira! - disse Anne, num tom de voz que indicava claramente que ela mesma estava tentando se convencer disso.

- Vem, vamos descer para as masmorras. Você precisa tomar alguma coisa e descansar um pouco. Depois voltamos para ver a Chris - aconselhou Jake, pegando Anne pela cintura e guiando-a até o Salão Comunal da Sonserina.

Amy não saiu dali. Ficou esperando na porta da Ala Hospitalar até deixarem-na entrar. Algum tempo depois, Anne e Jake voltaram. Aparentemente, Anne estava mais calma.

- Alguma novidade?

- Nenhuma. Chris está trancada aí há um tempão, e ninguém aparece para dar uma notícia sequer. - respondeu Amy, com amargura.

Pouco tempo depois, Snape abriu a porta, e antes de se dirigir até a sua sala, disse para os três que se encontravam ali:

- Podem entrar. Só peço que tentem não acordar a Srta. Lestrange. Ela está dormindo. Bom... Boa noite.

Anne e Amy respiraram aliviadas, e abraçaram-se. Entraram na Ala Hospitalar e viram Christine, que estava deitada em uma das camas, dormindo profundamente. Ela estava com vários curativos pelo corpo, e feias manchas roxas. As amigas arrastaram suavemente duas cadeiras, e sentaram-se do lado da cama de Christine.

- Er... Se não se importam, eu vou pro dormitório... Acho melhor vocês três ficarem sozinhas. Eu volto depois. - disse Jake, despedindo-se de Anne, dando-lhe um beijo na testa.

- Jake não gosta muito da Chris - confessou Anne, olhando para o rosto da amiga.

- Por que? - indagou Amy, erguendo a sobrancelha.

- Eu não sei. Ele não odeia a Chris, mas só não vai muito com a cara dela. Bom, eu mesma não ia, no 1º ano...

- Ah, ele nem fala direito com a Chris. Só fala e se enrosca com você. Pra qualquer um que não a conhece, a Chris não passa de um corrimão de pensão. Além de ela ser uma Lestrange. Só o sobrenome dá arrepios.

- Pois é. Mas conhecendo-a de verdade, vê-se que ela é uma pessoa maravilhosa. Aquele tipo de amiga que sempre queremos ter ao nosso lado.

- Eu não me imagino longe nem de você, nem da Chris.

- Eu também não me imagino longe de vocês.

Nisso, Christine se mexeu, e disse com a voz fraca:

- Snape... Snape...

Anne levantou-se prontamente.

- Fique aí com ela, eu vou chamar o Prof. Snape!

- Você é louca? São 2 da manhã! Você pode levar uma detenção! Além do mais, ela pode estar apenas sonhando...

- Dane-se! Eu vou chamar o Prof. Snape! Esses dois vão ficar juntos, ou não me chamo Anne Hale!

E, a passos decididos, a garota foi chamar o Snape, sem se deixar apavorar pela atmosfera tenebrosa que emanava daquele castelo escuro e vazio.