Capítulo XXVII

O verde do gramado se estendia pelo horizonte até sumir de vista, contrastava com as águas cristalinas do riacho. No centro daquela imagem eles avistaram um enorme castelo seguindo o modelo medieval e um pouco mais atrás estava uma floresta densa e fechada . Depois de um tour pelo lugar a equipe descansou por alguns minutos para em seguida começarem o trabalho. Takumi chamou seus artistas e começaram a gravar.

As duas garotas cruzaram o campo de mãos dadas e se sentaram na sombra, embaixo dos ramos de uma cerejeira. A mais nova apoiou sua cabeça nos ombros da irmã.

-Não acredito que nee-san vai se casar. Que farei sem você?

- Não é como se eu tivesse outra escolha por isso você terá de continuar sua vida sem mim.

-Mas você sequer gosta do primo Takuya?

-Eu...vou gostar.

-Não tem outra pessoa com quem você possa se casar?

-Outra pessoa? – ela fica pensativa por um breve momento, o que não passa despercebido por Miwako – Não, não tem, além disso promessas devem ser cumpridas.

-Mas não tem outra pessoa? – ela se inclina – Alguém que você goste de verdade?

-Não há tal pessoa – kykyo fala desviando o olhar

-Que pena – ela se apóia sobre a irmã outra vez – Qualquer um é melhor que ele. Isso é tão injusto...

-Eu sei – ela murmura tristemente

Kykyo beija a testa da irmã menor e elas ficam naquela posição por um tempo, sem palavras para dizer uma a outra. A caçula então levanta e se oferece para preparar um lanche e pegar uma toalha para elas. A mais velha pergunta se precisaria de ajuda, a outra agradece e após recusar, ela vai embora deixando-a sozinha. Kykyo sente a brisa soprar em seus cabelos e olha pensativa para a cerejeira. Vê os galhos balançarem e as flores dançarem de acordo com o ritmo do vento. A princesa se ergue e estica os braços, tentando alcançá-las. Esforços em vão. Ela tenta pular mas não adiantou, sua estatura não lhe ajudava. Ela suspira e abaixa a cabeça em desapontamento. Foi quando sentiu uma mão em seus ombros, olhou para trás e inesperadamente se deparou com o capitão. Ele só ergueu o braço e arrancou um ramo cheio de flores. Dando um passo para trás, ele lhe entregou as flores e recebeu dela um grande sorriso em retribuição. O guerreiro contemplou o momento, desnorteado pela alegria em sua expressão.

-Obrigada – ela disse animada

-Não foi nada – ele finge dar de ombros

-O que está fazendo aqui?

-Só a patrulha de sempre, e você?

-Estava passeando com a minha irmã.

-A jovem Miwako kyokawa-san?

-Sim, você precisa vê-la, é a garota mais fofa e encantadora que existe.

-Duvido muito – ele fala descrente – Não com você aqui –ele murmura impercebível

-É verdade! – ela diz agitada – não há ninguém melhor que minha irmãzinha. – ela fala orgulhosa

-Pode ser, do jeito que você fala dela... – konan solta um leve sorriso, contagiado por sua empolgação

-Hijikata-san – chama ela de repente séria

-Que foi? – ele pergunta atencioso

-Você fica bem melhor assim!

-Hm? Assim como? – ele indaga confuso

-Sorrindo! – ela riu dele – Olha só, você até parece gente.

-Agora não tenho certeza se isso foi um elogio ou uma ofensa. – ele brincou

-Tome como um elogio ofensivo então- ela pisca para ele

Ele para pensativo e sorri ternamente. Ele então se aproxima e começa a analisá-la de perto.

-Algo errado?

-Tem um inseto no seu cabelo.

-Que? Tira ele, tira ele! – ela começa a gritar e mecher a cabeça agitada – Me ajude Hijikata-san!

-Não tem nada aí... – ele se vira de costas

-Ahn? – ela pergunta sem entender

-Pffff! – ele tampa a boca para conter a risada - Eu enganei você! Pff...Hahaha! – ele explode em risos

-Hijikata-san! Como você pode me enganar? Eu não vou lhe perdoar! – ela começou a dar tapinhas nele

-Gomen, gomen, não resisti. – ele confessa ainda rindo

-Nee-san? – Miwako chegou com as cestas de comido e a toalha.

-Miwako! Você demorou – ela vai até a irmã

-Quem é ele? – ela aponta para Konan desconfiada

-Ah, que indelicadeza a minha. Miwako, ele é o capitão da guarda real, Konan Hijikata.

-Muito prazer, Hijikata-san.

-Igualmente - ele se curva

-Não quer se juntar a nós? –Kykyo o convida

-Estou em patrulha, preciso ir.

-Que chato você – ela suspira e se senta sobre a toalha

-Irmã, você não acha que hijikata-san é bonitão? – ela pergunta insinuante para a mais velha

Nesse instante konan teve um ataque de tosse e kykyo quase engasga. Ela cora e o encara, kyoko por um segundo pensa " de fato", corando mais ainda. A atriz volta a personagem e desvia seu olhar para a irmã.

-Miwako! Isso não é coisa que se pergunte, peça desculpas a ele! – ela demanda

-Você não acha? – ela se finge de ingênua

-Acho... que essa é a minha deixa – konan vai saindo de fininho

-Desculpe-a, ela não tem noção do que fala, Hijikata-san.

-Tudo bem, até logo himes-san.

-Pelo visto, há uma pessoa sim. – ela sorri para a irmã

As filmagens se prolongaram até o por do sol, todos estavam exaustos. Eles se arrumaram para voltar e ao subirem no ônibus se depararam com Lory vestido de motorista.

-Presidente? – todos se perguntaram surpresos

-konban wa rapazes! O que acharam do meu humilde castelo?

-Humilde? – Tsuna quase engasgou

-Claro, muito modesto. – Shota virou os olhos

-Presidente, você veio aqui só para nos buscar?

- Desconfiado como sempre, não é, Ren? Vou apenas levar vocês de volta, nada fora do comum.

-Você vir buscar seus artistas todo sorridente e vestido de motorista não é algo comum. –kyoko coçou a cabeça

-Nada é comum, se tratando do presidente – Yukina suspirou

Todos concordaram e se acomodaram em seus assentos. Chegando de volta a cidade, o presidente foi despachando um por um em suas respectivas casas até sobrarem apenas kyoko e Ren no veículo.

-Ano, você já passou da minha casa presidente.

-E esse definitivamente não é o caminho para a minha.

-Claro que não, estamos indo para a minha casa.

-Mas por que ? – "eu sabia! Presidente o que está tramando?"

-Vocês já vão descobrir.

Chegando na entrada, Lory estacionou e desceu do ônibus. Ele abriu o compartimento de carga e ficou esperando. De repente apareceram vários de seus criados trazendo malas dos mais variados tamanhos. Depois, quando todos os empregados de Lory terminaram de encher o compartimento, surgiu Maria no portão. Ela segurou a mão do avô e os dois subiram no veículo.

-Vocês dois vão ficar durante uma semana com Maria no castelo.

-Maria-chan? Mas e os nossos pertences?

-E as filmagens? Temos trabalho o dia inteiro presidente.

-Não se preocupem,eu dei folga para todos, Yukihito e Hinata já organizaram sua agenda e eu comprei tudo que vocês irão precisar, podem ficar tranqüilos.

-Isso mesmo nee-san, Ren, o vovô já providenciou tudo para nós quatro! – ela comenta empolgada

-Quatro? – kyoko pergunta confusa

-É, eu também vou.- o presidente pisca para eles

- Que maravilha – "uma semana com Kyko, Maria e Lory, era tudo que eu precisava"