Ouça meu coração, diga o que sente ou parta.

Edward se levantou a seguindo, sem imaginar aonde ela poderia estar indo. Ao chegar na sala, a encontrou já passando pela porta. Sem pensar duas vezes, a segui pelo lance de escada.

— Bella! – A chamou outra vez, mas a porta já havia se fechado. Aquela mentira era tão imperdoável assim? Ela realmente tinha que correr? Ele só sabia que precisava explicar.

Bella correu pelos lances de escada, ainda assimilando o que ele havia dito.

Edward havia sido completamente sincero com ela e tudo que ela vinha fazendo com ele era esconder sua situação. Ele não havia se zangado daquela vez, mas e se voltasse a esquecer de um encontro.

Os exames estavam em cima de sua cômoda, pesando tanto quanto sua consciência. Não sabia como ele reagiria, mas não poderia ser tão ruim.

Ao correr, não estava prestando atenção ao seu caminho, quando trombou com alguém.

— Bella! Parece que quase não tenho te visto por aqui. – Riley declarou sorrindo, mas parando ao olhar para ela. Ela vestia apenas uma camisa que chegava a metade de suas coxas e parecia estar fugindo. – Você está bem?

— Eu... Sim, estou bem. Só preciso pegar uma coisa e... – Disse, esfregando o rosto, tentando pensar, quando ouviu uma voz atrás de si.

— Bella! – Edward declarou, paralisando ao ver Riley a sua frente. Ele se aproximou, ainda olhando para Bella, que ainda vestia apenas sua camisa.

— Aconteceu alguma coisa, Bella? – Riley perguntou sem sinalizar, fazendo Edward estreitar os olhos. – Tem certeza de que está bem?

— Claro. Eu só precisava pegar uma coisa. – Declarou se virando, notando que Edward ainda encarava Riley.- Edward?- O chamou acenando. – Esse é o irmão da Rosálie. – Explicou, mas isso não fez com que ele relaxasse.

— Me chamo, Riley. Acho que não fomos devidamente apresentados. – O cumprimentou, enquanto Edward ainda olhava para os dois.

Ele respirou fundo, pensando em todas as possibilidades de escolha que tinha a sua frente.

Poderia sair correndo, como um garotinho assustado.

Poderia puxar Bella para trás dele e esconde-la dos olhos gulosos daquele cara.

Poderia simplesmente confiar em sua garota e cumprimentar o irmão de uma amiga.

E foi o que ele fez.

— Edward. – Declarou estendendo a mão, surpreendendo Bella, por ter falado em público.

Ela se virou e ele parecia perdido quando sinalizou para ela.

—Eu posso explicar. – Sinalizou para Bella. –Por favor.— Suplicou.

— Ei. – Se aproximou tocando seu rosto. – Está tudo bem. Eu não estou chateada. – O confortou. – Eu só preciso... Preciso mostrar uma coisa.

— Você fugiu. – Explicou, a olhando.— Com a minha camisa.

— Desculpa, eu nem pensei nisso. – Retrucou, olhando para as próprias roupas. – Droga! – Ralhou, agarrando Edward pela mão.– Desculpa, Riley. Conversamos depois, está bem.

— Claro. – Ele respondeu ainda confuso. Bella puxou Edward pela mão, o arrastando para seu apartamento.

— Bella... – A chamou, enquanto entrava no apartamento.

Ela estava sentada no sofá, e bateu no assento ao seu lado.

— Por que... – Começou a dizer, procurando as palavras em sua mente. – Por que fugiu?

— Acho que isso vai ser mais difícil do que pensei. – Sinalizou suspirando e se levantando, mas Edward agarrou sua mão. Ele a olhava como se tivesse medo que ela partisse outra vez. – Eu volto em um minuto. – Explicou se soltando com delicadeza.

Bella foi até seu quarto. Olhando para cima de sua cômoda, soube que era chegada a hora. Ele havia aberto seu coração e agora era sua vez.

Ela voltou para sala, carregando vários papéis em sua mão. Edward a olhou com curiosidade, quando ela se sentou ao seu lado.

— Isso vai levar mais tempo do que imaginei. Talvez seja mais fácil por aqui. – Mostrou o caderno em sua mão e Edward assentiu.

Ela abriu uma página e começou a escrever pacientemente, entregando o caderno em seguida.

— Você disse que mentiu? Mas uma vez me contou sobre a cirurgia.

— Não. Eu disse que existiam cirurgias que em teoria poderiam me fazer ouvir. Nada era garantido. – Escreveu de volta, lhe devolvendo o caderno.

E ao ler sua mensagem, se deu conta de que ele havia lhe dito que a cirurgia daria certo. Mas foi apenas em seus sonhos. Ela apanhou o caderno outra vez, voltando a escrever.

— E agora é realmente possível?

— Sim. O médico disse que a chance de sucesso é muito maior dessa vez. Mas que ainda existem efeitos colaterais.

— Que tipo de efeitos?— Rabiscou, preocupada.

— Algumas dores. Alem de ficar esteticamente ruim. Além disso, existem outros fatores.

— Que fatores?

—O médico disse que não existem garantias de que eu vá me. adaptar. Uma vez feita, existem riscos na reversão da cirurgia. É isso me assusta.

Ao ler aquelas palavras, Bella se aproximou dele, tocando seu rosto e sinalizando.

— Do que você tem medo? – Perguntou e o ouviu suspirar. Edward tomou o caderno nas mãos, voltando a escrever.

— Tenho medo das coisas mudarem. Eu me acostumei ao silêncio e gosto muito dele. Pesquisei sobre a adaptação e vi como é difícil. Mas por outro lado, eu penso nas coisas que estou perdendo.

Edward apertou a caneta com mais força, voltando a escrever

—Existem coisas que eu desejo mais do que tudo poder ouvir. Sua voz, sua risada. Meu piano, o som do mar. O choro do meu filho, quando eu tiver um. Quer dizer, nem sei se teria um... –Negou, soltando a caneta.

— Você não pensa nisso?- Bella perguntou sinalizando e ele voltou a escrever.

— Sim, mas e se ele for como eu? Apenas eu sei o que eu passei, Bella. E embora eu o amasse da mesma maneira, sei que as pessoas o machucariam.

Ao ler aquelas palavras, Bella o olhou furiosa. Como poderia pensar daquela maneira. Ele era perfeito. Perfeito para ela. Rapidamente, ela tomou o caderno das mãos de Edward, começando a escrever.

— Bem, eu não penso assim. Eu sei que se eu tivesse um filho como você, o amaria tanto, que ele nem se quer ligaria para o que os outros pensam. Sei que não poderíamos protegê-lo de tudo e todos, mas faríamos nosso melhor para que ele se sentisse amado e isso bastaria. E assim como você, ele teria uma vida normal.

Edward leu as palavras, sentindo seu coração bater mais forte. Se possível, se sentia ainda mais apaixonado por aquela mulher. Então voltou a escrever.

- Não quis dizer que não me acho normal, Bella. Eu me considero alguém normal, mas sei que as pessoas me olham diferente quando descobrem sobre mim. E não quero que meu filho passe por isso algum dia. Também sei que você merece alguém que possa te dar tudo. E eu não sou assim. E quando você chegar cansada ou chateada demais para sinalizar? Ou escrever? Eu não poderei te ouvir. Te consolar. É isso não é justo com você! Além disso!...

Estava escrevendo, enquanto Bella lia ao seu lado, mas ao ler as ultimas palavras, Edward soltou a caneta, surpreso pelo beliscão que Bella lhe deu.

Surpreso por sua atitude, Edward sinalizou para ela.

— Por que fez isso! - Perguntou quando ela o beliscou.

— Por escrever essa besteira! – Sinalizou de volta, ainda indignada.

— Mas é a verdade! Você sabe que é. –Sinalizou de volta.

Bella negou, passando as mãos pelo cabelo, então tomou o caderno outra vez, voltando a escrever, mas antes o olhou, sinalizando.

— Eu queria fazer isso de outro jeito, mas acho que essa hora é tão boa quanto qualquer outra - Bella Sinalizou tomando o caderno dele é começando a escrever.

Uma vez, eu li uma carta de um cara pelo qual eu era apaixonada. E agora é minha vez de escrever uma.

Edward, você me conquistou de uma maneira que não sei explicar.

Quando cheguei nesse prédio, pensei que encontraria vizinhos, mas no lugar disso, encontrei uma família e um homem pelo qual me apaixonei perdidamente.

Sei que não tivemos um bom começo quando nos conhecemos, mas talvez seja porque você me atraiu de uma maneira, que tentei evitar, por medo de me machucar.

Eu me apaixonei pelo cara que abre as portas para mim quando saímos, me apaixonei por aquele que compõe músicas para a pessoas que ele ama. Me apaixonei por aquele que cuida do irmão desde sempre, mesmo a distancia. Me apaixonei pelo seu toque e pelos seus beijos, não por sua audição!

Fico muito feliz em saber que se você quiser, um dia, terá a opção de ouvir. Contanto que seja por você. Não quero que faça isso apenas por mim. Você é perfeito do jeito que é e foi por esse Edward que me apaixonei.

Se você decidir fazer essa cirurgia, é uma escolha sua e estarei te apoiando o tempo todo. Mas se você decidir que é feliz do jeito que é, então eu também serei. Porque sua felicidade é a minha também. Compromisso é isso. Nos alegrarmos com as coisas que deixam o parceiro feliz. Eu amo você, e continuarei amando e estando presente independente do que você decidir, mas essa é a sua escolha.

Essa não é melhor maneira de contar a verdade, mas não consigo pensar em outra maneira. Se lembra que eu disse que meu pai sofria de Alzheimer? O que eu não disse, é que existem chances dessa doença ser passada, geneticamente. E foi o que aconteceu. Não estou dizendo que estou doente, mas existe essa possibilidade no futuro.

Você foi sincero comigo, Edward e aqui estou eu, sendo sincera também. Não quero mais mentiras, porque não se constrói uma vida em cima de mentiras. E eu quero mais que tudo construir uma vida com você.

Independente do que você desejar, esse é meu desejo. Quero que você fique comigo por mim. Da mesma maneira que você não deseja minha pena, também não quero a sua. Mas precisa saber como se sente.

Bella entregou o caderno, esperando pacientemente pela resposta. Os minutos nunca demoraram tanto a passar.