Capítulo 28- Liberdade e prisão

O homem armado foi pego de surpresa e recebeu a jarra em cheio na testa, o suco misturando-se com sangue dele. Rony ouviu a irmã e olhou assustado para trás, mas antes que pensasse em fazer qualquer coisa, voltou-se novamente para ela, que não conseguira mais conter o enjôo e vomitou tudo em cima de Draco, que ficou paralisado de espanto e nojo.

-Corra, Rony! Agora! –vociferou ela, mal agüentando-se em pé.

Rony olhou para trás e enquanto Benoit aparecia atrás de um Doyle ensangüentado. Draco levantou-se furioso.

-Vamos lá, mate-o!

Benoit observou Doyle limpar o rosto e a mão cheia de sangue e olhar para Gina com deboche.

-Eu ficarei com raiva se você fizer isso na próxima. Mas o seu vômito paga a diversão dessa vez.

Tanto Gina quanto Draco arregalaram os olhos. Antes que o loiro fizesse qualquer coisa, Rony, Benoit e Doyle apontaram suas armas para Draco, que imediatamente colocou Gina na sua frente, como escudo.

-Eu contratei vocês para matar a ele, não a mim! –rugiu Draco.

-Você não contratou ninguém, Malfoy –disse uma voz atrás dele- Eles estão aqui por minha causa.

Draco olhou para trás e lá estava Harry, com outro homem armado que apontava para a sua cabeça.

-De onde surgiram vocês? Onde estão aqueles vermes?

Harry fez uma cara de confuso, mas Gina e Pascal gritaram ao mesmo tempo:

-Há homens lá fora!

O barulho de vários gatilhos sendo puxados foi ouvido e de repente Pascal, Benoit e Doyle olharam para trás.

-Errado –grunhiu um troncudo- Há homens aqui dentro.

Harry aproveitou o momento de descuido de Draco e o socou, pegando Gina enquanto o outro caía e abaixando com ela para debaixo da mesa. Uma troca de tiros começou e Harry foi engatinhando com ela para a outra ponta da mesa.

-Temos que lhe tirar daqui, Gina, você consegue correr?

Ela o seguia fazendo esforço, e a confusão dos tiros e a sua tontura não ajudava nada.

-Eu não sei, vou tentar. E Hermione?

-Já está fora daqui há tempos, não íamos deixar que Malfoy a pegasse como refém.

-Mas...

Antes que ela falasse qualquer coisa, Harry a puxou para fora da mesa e correu com ela para a saída, os dois tropeçaram em Nicolau antes que conseguissem atravessar a porta.

-Harry, onde estão os outros? –gritou ele.

-Lá dentro, com homens de Malfoy!

Nicolau engatilhou sua pistola e fez sinal para Amir e Marco para que entrassem pelo outro lado. Então dirigiu-se à Gina com delicadeza.

-Sra., poderia fazer o favor de aguardar na carruagem que está à sua espera na esquina enquanto nós resolvemos esse contratempo?

A ruiva ficou espantada com a calma que ele falava enquanto havia um tiroteio ali dentro. Balançou a cabeça e saiu correndo. Nicolau então olhou para Harry.

-Onde está sua arma?

-Não tenho arma –respondeu ele, envergonhado.

Nicolau ficou lívido.

-Você traz uma dezena de homens para Londres para lutar por você e você não tem arma? –rugiu ele.

-Sou um homem de paz, não gosto de armas –disse em sua defesa, mas Nicolau ficou tão vermelho que logo continuou- Ok, eu não sei atirar!

Nicolau tirou uma arma reserva de dentro de sua bota, a engatilhou e a entregou a Harry.

-Ótimo dia para se aprender! Vamos!

Os dois entraram com cautela, e um tiro certeiro de Nicolau logo derrubou um homem que se atirava para dentro da sala de jantar.

-Onde está Malfoy? –perguntou Nicolau, atirando mais uma vez e derrubando outro.

Harry ficou branco. Socara Draco e fugira com Gina, mas o loiro não havia sequer desacordado. Olhou desesperado para a porta.

-Tenho que voltar, Nicolau! –gritou, enquanto saía correndo.

Assim que pôs o pé fora da casa, viu as últimas mechas loiras de Draco saindo do portão e virando na direção de onde a carruagem com Gina e Hermione estavam. Ele saiu correndo na direção contrária e pegou um dos cavalos da carruagem de Draco, saindo em disparada. Logo na esquina estava Hermione jogada no chão, mas ela apontou em uma direção.

-Ele foi com ela para lá!

Harry deixou a amiga e correu ainda mais, tinha certeza de que a morena ficaria bem. De longe conseguia ver os dois, mas diminuir a distância não era tão fácil assim. "Droga, não agora que eu cheguei tão perto..." desesperou-se. Então Draco entrou à esquerda numa rua bifurcada e uma luz se acendeu para Harry. Tomou a direita.

-Me solte! –gritou Gina, se debatendo.

Draco a segurava firme na frente, ele mesmo conduzindo a carruagem a toda velocidade.

-Ora, fique parada, sua vadia, se não quiser morrer! –vociferou o loiro- E se quiser, avise, porque te soltar é muito mais fácil que segurar!

Ela parecia abismada.

-Como você pode falar isso com a mãe do seu filho?

-De que me adianta filho se eu estiver morto? –ironizou ele.

Gina parou de se debater e se aproximou dele com veemência.

-Então me solte, Draco! Deixe-me ir com Harry e Rony. Nenhum dos dois veio aqui para fazer algo contra você, apenas para me resgatar. Deixe-me ir –suplicou.

Ele deu uma gargalhada e a olhou com deboche.

-Pois prefiro estar morto a soltar você.

Draco tentou fazer os cavalos irem mais rápido, mas a ruela era estreita e cheia de curvas.

-Para onde estamos indo? –questionou ela.

O sorriso macabro de Draco continuava.

-Para o único lugar onde você estará segura e Potter não irá fazer nada. Para Riddle.

Gina ficou lívida e novamente pensou que era momento de agir. Talvez fosse arriscado pular de uma carruagem em movimento, mas se ela visse alguma coisa que pudesse amortecer a sua queda...

Chegavam ao fim da ruela e a outra rua era larga e reta, Draco poderia correr à vontade. Apressou mais ainda os cavalos. Assim que saíram, Draco nem teve tempo de ver Gina sendo levada por Harry na direção contrária.

O moreno parou e ajeitou-a no cavalo, mas a arrancada que sofrera a deixara novamente com enjôo. Ele segurou a testa dela e a virou para o canto.

-Pronto, pode vomitar –falou com carinho.

Enquanto Harry a esperava, Draco virou a carruagem e o encarou com fúria.

-Você! De novo!

-Não achou que eu a deixaria com você, achou Malfoy?

Gina se recompôs e olhou preocupada para Harry.

-Ele e Riddle estão mancomunados desde antes do funeral do meu pai. Não perca tempo, Harry.

O moreno olhou assustado para Draco, que sorria satisfeito.

-Veneza, hã? Um bonito lugar para começar um romance, mas a história de vocês vai terminar em tragédia. Riddle está com a faca no seu pescoço, Potter. Você não vai escapar.

-Vamos sair logo dessa cidade –sussurrou ele para Gina.

-No acordo que fizemos... –gritou Draco para prender a atenção de Harry- No acordo Gina seria minha e você seria dele. Mas se por acaso os dois fugirem (o quê, pessoalmente, eu acho muito difícil) Ronald não ficará ileso. Eu, obviamente, não poderei fazer justiça com minhas próprias mãos, mas Ronald e a noiva não chegaram vivos em suas casas -Draco deu de ombros e deu uma gargalhada- Podem fugir se quiserem. Haverá sangue sendo derramado de qualquer forma.

Gina estava lívida e encarou Harry.

-Isso é uma chantagem –sussurrou para ele.

-E nós não vamos ceder –retrucou ele, firme.

-Nós não podemos colocá-los em perigo, Harry!

-Vamos dar um jeito nisso. Mas do nosso jeito, não do dele.

Harry virou o cavalo para partir e viu de longe Nicolau cavalgando rápido em sua direção. Tinha que ganhar tempo. Olhou novamente para Malfoy.

-Malfoy, sabe por que caras como você nunca vencem?

Draco pareceu surpreso com a pergunta, mas a encarou com ironia.

-Vamos, diga-me, Potter.

-Prepare-se para ser resgatada –sussurrou para Gina, então aumentou sua voz- Por um motivo muito simples: vocês jogam sozinhos.

Assim que Harry terminou de falar, Nicolau passou e Gina puxou para seu cavalo. Draco ficou estupefato.

-Parem de fazer isso, por favor –suplicou ela, contendo mais um enjôo.

Nicolau a segurou firme, mas com delicadeza e sorriu para Harry.

-Vá atrás dele, faça o que tem que fazer.

Draco finalmente entendeu que estava em apuros. Ajeitou os cavalos e olhou para Harry, olhando para Nicolau e Gina em seguida.

-Você nunca amou uma mulher e fez de tudo por ela? –gritou a Nicolau- Você está do lado errado, Sr.! É um nobre, eu vejo, e como tal deveria estar do meu lado. Pelo amor a uma mulher, me entregue-a.

Nicolau o olhou de cima abaixo com desdém.

-Eu certamente nunca amei uma mulher. E se obrigar alguém mais fraco a ficar com você for amor, prefiro continuar com meu companheiro apenas como bons amigos –ele riu da cara de espanto de Draco- A sua nobreza é somente um título, você não tem idéia do que ser "nobre" significa. Nobreza é uma qualidade de valores humanos que você parece não conhecer, e se assim é, Harry é muito mais nobre que você e, portanto, eu estou do lado certo.

Draco bufou furioso e fez os cavalos correrem novamente, Harry ficou em dúvida por um instante, mas tinha certeza de que Gina ficaria bem. Deu duas galopadas e voltou até o amigo, puxando a ruiva para um beijo.

-Agora sim –disse, antes de sair furioso atrás do loiro.

-Não! –gritou Gina, olhando para Nicolau- Não deixe-o ir! Draco e Riddle acabarão com ele! Não deixe!

Nicolau sorriu com piedade e ajeitou os cabelos dela.

-Harry passou muitos anos fugindo de sua história passada e fugindo do amor. A fuga dele lhe custou muito caro e já é hora dele parar de fugir e enfrentar seus problemas. Tem que ser assim.

Gina chorava silenciosamente e Nicolau começou a andar devagar para que ela não enjoasse mais.

-Para onde vamos?

-Há mais homens aqui lutando pela sua liberdade do que você viu, Sra...

-Pode me chamar de Gina.

Ele riu.

-Certo, há vários homens aqui, Gina. Estamos indo para a casa de uma parenta de um deles.

-E qual o seu nome?

-Nicolau Lourenço, a sua disposição.

Ela secou as lágrimas.

-Há nesse plano de vocês alguma previsão de saída da cidade, Nicolau?

-Digamos que as circunstâncias já não são as mesmas, mas era utopia imaginar que sairia tudo dentro dos conformes. Nós vamos dar um jeito, tem mais gente do nosso lado do que você possa imaginar. Só não se preocupe com isso, você já passou por grandes tribulações. É hora de descansar.

Eles não precisaram cavalgar muito, mas ela já não se sentia bem e a posição no cavalo não era das mais confortáveis. Quando desceram, Nicolau a carregou nos braços para dentro.

-Gina! –exclamou Rony.

-Calma, ela está bem. Só precisa descansar um pouco.

-Por aqui, pode colocá-la na minha cama –exclamou a dona da casa.

De fato, ao passar pela sala, Gina notou uma grande quantidade de pessoas que não deviam morar ali, uma vez que a casa era pequena. Nicolau a deitou na cama com cuidado e a dona da casa começou a cuidar dela.

-Eu estou bem, obrigada. Só estava um pouco tonta.

-Já comeu alguma coisa hoje?

Ela balançou a cabeça. A mulher sorriu e saiu do quarto para buscar algo, nesse momento uma outra mulher entrou. Era alta, morena, esguia e tinha olhos profundamente verdes. Com certeza a irmã de Harry.

-Olá –disse Gina, tentando parecer simpática.

Nina deu um sorriso e se sentou na beirada da cama, ainda olhando Gina com calma, como se estivesse analisando se ela valia toda aquele estardalhaço.

-Você trouxe o meu irmão de volta. Duas vezes... –disse ela com um tom de voz estranho.

Gina não conseguia identificar se Nina achava aquilo uma coisa boa ou não. Resolveu ficar calada. A morena olhou para a barriga de Gina, já saliente, e passou a mão com carinho.

-É seu primeiro filho?

Gina balançou a cabeça e sorriu.

-E é de Harry?

O sorriso dela murchou.

-Bom, eu não sei. Sou casada e...

Ela se calou e Nina não parecia envergonhada por ter causado aquele constrangimento.

-Não pense que eu tenho nada contra você –disse Nina, percebendo o desconforto de Gina- Mas o Harry que você conhece, o bondoso e que se arrisca, não é o Harry que um dia eu conheci. Ele era um bom filho e um bom irmão sim, mas trouxe muito sofrimento para mim e para a minha mãe. Certas mágoas não se curam de um dia para o outro.

Na cabeça de Nina tudo aquilo era muito injusto. Onde esteve Harry quando homens entravam na sua casa para ameaçá-la? Onde esteve Harry quando sua mãe morreu e ela se casou com aquele traste? Por que salvar a ruiva se ele nunca se importou se ela estava bem?

-Vocês têm como fugir da cidade? Já sabe para onde vão?

Gina deu de ombros.

-Eu não sei de nada. Passei o último mês trancada num quarto de hóspedes e ontem estive dopada o dia inteiro. Tudo isso foi rápido demais para mim, eu ainda estou meio zonza.

As duas ficaram caladas por um tempo, então a comida chegou e Nina se ofereceu para ficar de companhia a Gina.

-Você prefere ter sido resgatada? –perguntou a morena, depois de um tempo- Digo, lá você tinha conforto.

Gina parou com a xícara no ar e olhou para Nina com espanto.

-É óbvio! Draco é um monstro! Eu teria morrido se continuasse naquela casa. Draco não se cansava de dizer que assim que a criança nascesse eu morreria, e que se a criança não nascesse loira, morreria ela também.

Era Nina quem parecia espantada. Não conseguia imaginar isso. Nunca perguntara para o irmão sobre a história dele e da ruiva, mas nunca pensara que fosse algo tão perigoso. Como alguém teria coragem de matar um bebê? Gina colocou sua mão sobre as mãos de Nina.

-Eu sei do passado dele e como isso afetou a sua família e sei muito bem que a dor fecha o coração. Mas dinheiro, conforto e luxo não significam nada. Eu vivi anos do lado de Draco e nunca tive um único momento de felicidade, e eu te garanto que mesmo que eu não conseguisse ser resgatada e morresse naquela casa, eu preferiria mil vezes morrer a ter mais uma vida inteira de luxo sem amor.

Nina se levantou e deu as costas a Gina.

-Onde estava o amor do meu irmão quando eu fiquei sozinha no mundo? Por que ele não veio me resgatar também?

Gina levantou-se e a fez encará-la nos olhos.

-Ele errou muito com você, eu sei. Mas eu não preciso tê-lo conhecido antes para ter certeza de que ele mudou. Só peço que você dê a ele a oportunidade de tentar consertar.

Nina olhou com tristeza para ela.

-Nada apaga o que eu passei.

-Eu também passei por coisas que você nem imagina. E eu não falo só do casamento e das tentativas de assassinato. Eu também tenho coisas horríveis no meu passado. Mas quando a gente em um motivo para recomeçar, a gente aprende a enfrentar a dor e ser mais forte que ela.

-Recomeçar? Vocês vão embora o mais rápido possível –disse ela, amarga- Que motivo eu tenho para recomeçar?

-Harry me disse que você tem uma filha, Natália.

-Tenho. Ela está dormindo no outro quarto.

-Pois então. Ela é o fruto dessa sua história triste, e não seria ela se tivesse sido de outro jeito. Mas hoje você não tem quem a maltrate e ainda tem sua filha. Quer motivo maior que esse?

Nina deu um sorriso.

-Eu só queria ter tido a oportunidade de ter uma família normal, e de dar uma família normal a ela. É ruim pensar no que a vida te tirou, se ela não deu muito em troca.

Gina tomou as mãos da cunhada entre as suas novamente.

-Eu não sei o que vai acontecer comigo daqui pra frente, nem sei para onde vou. Mas eu te prometo que aconteça o que acontecer, se ele não vier por conta própria (o que eu duvido muito) eu faço com que ele volte para te buscar e ir conosco. Você e Natália. –Gina riu- Eu sempre tive família grande e sempre me irritou viver naquela casa somente com Draco. Vou gostar de voltar a ter uma família maior de novo.

Nina pareceu confusa.

-Você não vai voltar a ver sua família?

Gina deu de ombros.

-Acho que não vai ser possível com Draco e Riddle à solta. Além de Rony, ninguém da minha família sabe de nada, e seria arriscado colocar mais gente nessa história.

Nina a olhava com curiosidade.

-E trair seu marido e entrar nessa história toda valeu à pena?

Gina deu um sorriso sincero e satisfeito.

-Só lamento Harry não ter aparecido antes.

Nina balançou a cabeça e olhou para o nada.

-Eu nunca amei ninguém nem nunca fui amada, então é difícil entender isso. É difícil entender porque Harry nos abandonou por causa daquela vagabunda e porque ele arrisca a pele dele por sua causa. Tudo isso me parece muito pouco real, mais uma fantasia dessas que a gente conta para criança dormir.

Gina até muito pouco tempo sabia o que era não amar e não ser amada, era realmente triste e amargo.

-Eu tive sorte. Harry me encontrou numa situação inusitada e mais situações inusitadas seguiram, mas eu sempre ouço dizer que o coração tem que estar aberto.

-É difícil ficar abrindo o coração enquanto você tem uma filha para sustentar.

Gina deu de ombros, sua família sempre fora rica e ela não sabia nada sobre passar necessidades. Mas sabia que o amor podia atingir a qualquer um, independente de classe social.

-Você é tão bonita –disse, acariciando o rosto dela- Seria muito mais se passasse a sorrir e parasse de lamentar o infortúnio passado. E as pessoas notam beleza, principalmente a interior.

E era verdade. Nina tinha os lábios vermelhos e volumosos, que realçavam sobre a pele clara. O cabelo, mesmo descuidado, era bonito e viçoso e ela tinha um corpo de fazer inveja, além do charme da família Potter: aquele par de esmeraldas no lugar dos olhos. Só o que lhe ofuscava era aquele olhar duro e amargo. Gina sorriu para ela e lhe deu um tapinha amigável nas costas.

-Harry era um vagabundo sem eira nem beira e que ainda por cima não era confiável. No entanto, vários amigos vieram ajudá-lo quando ele necessitou. Mas ele não conquistou a nenhum deles com dinheiro. Pense nisso.

Gina saiu do quarto para ver Rony, que já devia estar impaciente. Encontrou-o discutindo com Hermione por alguma coisa, mas o sorriso dele se iluminou quando a viu. Ficaram abraçados por um longo tempo, e para ela parecia irreal que estava livre e segura. Separou-se de Rony e olhou para todos na sala.

-Todos vocês vieram me salvar sem ao menos me conhecer. Arriscaram suas vidas para que Harry e eu pudéssemos conservar as nossas. Eu sou muito grata a todos vocês.

-E eu serei muito grato a você se me receber melhor da próxima vez –brincou Doyle.

Ela corou e riu meio sem graça. Murmurou um pedido de desculpas, mas ele fez um muxoxo com a mão, indicando que só fizera graça. Rony pôs-se a apresentar todos a ela, sendo que Richard ainda não havia chegado.

-Onde está Patric? –indagou o ruivo.

-Lá dentro –respondeu Adolfo, rindo- Com a irmã de Harry.

O riso de Adolfo lhe pareceu suspeito, mas ele resolveu não questionar mais. Gina, porém, não estava mais se preocupando com Nina, ela olhava atenta para a mulher a quem acabara de ser apresentada e que também a analisava. Parvati deu um sorriso ao qual Gina respondeu. Finalmente ela conhecia todas as mulheres da vida de Harry.

-Agora só falta o Harry voltar –suspirou ela, pensando em voz alta.

-Ele vai voltar –disse Parvati, não muito convicta- É o que ele sempre faz, deixar a todos preocupados e depois aparecer com a cara mais lavada do mundo. Você vai ver, ele vai entrar por esta porta sorrindo e fingindo nem entender nossa preocupação.

Gina achava difícil Harry entrar sorrindo quando havia dois inimigos dele soltos e poderosos porta afora, mas ainda assim tentou não transparecer sua preocupação.

-Ok, digamos que Harry volte em breve. Como vamos sair dessa cidade?

A sala ficou em silêncio e nesse momento entraram Nina e Patric, ele parecendo muito calmo, e ela com aquele mesmo olhar duro de sempre. Hermione parecia pensativa.

-Acho que você deveria partir agora, Gina. Há homens aqui que podem escoltá-la, e enquanto Riddle e Malfoy souberem que Harry está com um deles, haverá falhas no bloqueio à saída da cidade.

O silêncio que se seguiu era quase constrangedor. Todos olhavam para Hermione com espanto, e Gina a olhava quase com horror.

-Eles não esperam que vocês partam separadamente. Temos de agir surpreendendo-os –repetiu ela, ainda temerosa com a sugestão.

Os homens olharam todos para Gina, como se a um sinal dela todos estariam prontos para levá-la, mas ela balançava a cabeça veementemente.

-Nunca! –vociferou ela- Eu não sairei dessa cidade sem Harry!

-Mas, Gina...

-Não, Hermione! Não importa o que você fale sobre planos e estratégias, eu não vou fazer isso! –ela encarou a sala inteira- Não é porque eu estava sendo controlada antes que pretendo deixar que me controlem agora. Vocês até podem pensar que eu sou uma mulher indefesa, mas para os que se recusarem a me ver de outra forma, saibam de uma coisa: eu sou o trunfo dessa batalha. Se eu sair da cidade e eles pegarem Harry, ele morrerá na hora.

Hermione parecia considerar as palavras de Gina.

-Certo, você tem razão –a morena se levantou e se apoiou na janela, ficando de costas para todos- Bom, então temos que esperar Harry retornar para pensarmos em algo.

Ela ainda falava quando Richard entrou correndo assustado e ofegante na casa.

-Malfoy está morto...

Várias exclamações de espanto foram ouvidas, Gina parecia horrorizada.

-...e Harry está preso.

Houve aquele instante em que ninguém falou nada, mas então Gina falou determinada.

-Eu vou até lá.

-Não seja tola! O que você poderia fazer? –exclamou Benoit- Nós homens vamos pensar em alguma coisa!

Gina ficou duplamente ofendida: primeiro por não querer deixá-la agir, e segundo por duvidar dela porque era uma mulher.

-Eu vou até lá –exclamou Parvati- Já negociei a liberdade dele uma vez, posso fazer isso de novo.

-E o que você espera? –debochou Adolfo- Que Riddle realmente vá querer você ao invés do maior desafeto da vida dele?

Mas Hermione parecia considerar.

-Não estamos falando de Riddle –disse ela, e toda a sala a olhou espantada- Riddle ainda não chegou lá, ou Harry não seria preso, seria morto. Talvez tenhamos uma chance dessa forma.

Ninguém falou nada, então Hermione dirigiu-se para a porta.

-As mulheres na carruagem e homens vão a cavalo por outros caminhos. Cheguem lá e fiquem preparados para agir. Só precisamos de um ou dois homens para conduzir a carruagem.

-Eu vou –ofereceu Nicolau, olhando para Amir ir junto com ele.

Hermione já estava pondo os pés na carruagem quando Rony a segurou pelo braço com firmeza.

-O que você pensa que está fazendo?

-O que você pensa que está fazendo? –retrucou ela- Vamos, me solte, temos pouco tempo!

-Isso é arriscado, Hermione! Não se trata de uma disputa de sexos, vocês todas deviam ficar aqui!

-E a saia de qual de vocês distrairia os guardas? –ironizou.

Ele não respondeu nada e ela subiu, fechando a porta na cara dele.

-Vamos logo, Nicolau!

De dentro da carruagem as quatro mulheres não falavam nada, cada uma com seu pensamento. Hermione olhava para fora e tentava fazer seu coração acalmar. Rony havia acabado de demonstrar preocupação com ela, mas isso significaria alguma coisa? Estava tentando não se iludir, mas estava tão confusa. Já não tinha certeza se ia dar certo o seu perfeito plano em que os dois ficavam juntos. Bom, pelo menos tinha conseguido libertar Gina. Agora faltava Harry.

-Hermione, posso fazer uma pergunta? –indagou Gina.

A morena balançou a cabeça.

-Esse seu noivado é real?

Hermione deu de ombros.

-Acho que não.

Gina não perguntou mais nada, e Nina a olhou sem entender nada, mas então foi ela quem perguntou.

-O que você pensa em fazer quando chegarmos lá?

Ela deu de ombros novamente.

-Improvisar.

Parvati ajeitou-se na poltrona.

-Pois eu digo o que vamos fazer...

Estavam já bem perto da delegacia quando Parvati terminou de explicar seu plano. Ela colocou a cabeça para fora da janela e pediu que Nicolau parasse. Gina desceu sozinha.

A ruiva foi pisando firme e tentando controlar suas emoções enquanto caminhava. Entrou na delegacia e todos de imediato olharam para ela. Era uma mulher nobre, grávida, sozinha e desarrumada em local de homens, certamente uma figura inusitada. Um policial se aproximou polidamente.

-Há algo que eu possa fazer pela Sra.?

Ela parecia queimar de ódio quando respondeu ao policial.

-Sou a Sra. Malfoy e quero ver a cara do desgraçado que matou o meu marido.

Houve silêncio momentâneo em seguida a fala dela, então um outro policial se aproximou.

-Lamento, milady, mas não posso deixar que...

-Eu quero vê-lo! –gritou histérica- Quero ver a cara do maldito que me deixou viúva e que deixou órfão o meu filho!

Ela começou a chorar silenciosamente ainda bufando de ódio.

-Eu exijo! -rugiu.

Um terceiro policial se aproximou e tocou o seu ombro com delicadeza.

-Que fique bem claro que está é uma exceção, milady. Acompanhe-me.

Ela o seguiu em silêncio e imitando o mesmo olhar duro que sempre estava presente no rosto de Nina.

-Você não poderá demorar e eu ficarei por perto –disse ele.

Gina não respondeu nada. Ele abriu uma porta e entraram num corredor com diversas celas. Ela notou que alguma coisa não ia bem quando as expressões faciais dele começaram a mudar drasticamente. Olhou para todas as celas, mas não viu nem sinal de Harry.

-Eu não entendo... –exclamou o policial apontando para uma cela- Ele deveria estar aqui.

Mas a cela em questão estava vazia. Harry não estava mais ali.

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N/A: Ahá, atualizei, rápido! Rsrsr É, muito bom começar o ano cumprindo as promessas, rsrsrs Espero sinceramente q eu continue assim!rsrsr Se bem q a fic tá quase acabando, então dá até vontade d retardar o fim um pouquinho, rsrsr Mas eu não vou faer isso d propósito, fiquem calmos! rsrsrsr E só um comentário: já q o Draco prefiria estar morto a libertar a Gina, well desejo atendido! huahuahua Bom, se vc chegou até aki (olhe só, vc já chegou bem longe!) então seja uma alma caridosa e entra na campanha "Eu faço uma autora feliz!" e deixe uma resenha!!! Bjusss, Asuka

Michelle Granger: Ah, o Draco teve q dopar a Gina d novo, uai, ele num ia correr o risco d deixar ela soltinha pra sair correndo atrás do Harry! rsrsr E tipo q eu num mostrei a cena em q isso ocorreu não, foi tipo durante o dia, enquanto o Rony e a Mione tavam na estrada. Mas ele usou uma dose menor dessa vez...rs Resquícios d consciencia!rsrs Bom, mas d qualquer forma agora el já num faz nada! rsrsr Bjusss

Mai Amekan: Eu adooooro quando eu confundo os outros! huahua Nem era o Rony q tinha q correr rápido, era o próprio Draco, mas... rsrsr Hj ele não corre mais, huahuahuahua Bjusss

Aluada: Ah, mas esse resgate tá tô doido msm, então um trem a mais num ta fazendo muita diferença, huahuahua Mas vc nem precisva ter preocupado com o Rony, é o Harry q tá com a corda no pescoço! rsrsrsr Mas do jeito q ele é, ele sempre dá um jeito! rsrsr Bjusss

Tammie Silveira: Meo Deos, quantas possibilidades vc previu! huahuahua E pra vc ver, o Draco já não tava importando muito se a criança ia nascer bem ou não, bom, pelo menos agora ele pagou por tudo o q fez! rsrsr Mortinho da silva como vc pediu! rsrsr Só naum falo se ele morreu lentamente como vc queria, rsrsrs Bjusss

Rk-chan: Sobre a Hermione e o Benoit, eu tenho uma frase q eu não só adoro como acho muito verdadeira "quem não dá assistência abre espaço pra concorrência" huahuahua E é verdade! rsrsr Mas vamos ver se ela cede, né? hahuahuahua E tadinho do Doyle, levou a jarra na cara sem nem merecer, huahuhuaha Mas acontece...rsrs Bjusss

Ninha: O Harry sempre faz uma besteira, senão não seria ele! huahuhua Mas ele tb sempre consegue resolver d uma forma ou d outra depois, rsrsrs So q enquanto isso ele deixa metade d Londres em desespero, huahua Bjusss

Anaisa: Adoooro quando os outros entram em pâncio, rsrsr principalmente quando eu engano d propósito! hahuahua E se antes vc entrou em panio, fique agora confusa com ela! huahuahua Bjusss

Lu Martins: Ah, esse cap foi relativamente bom pra vc... Embora eu não tenha exatamente juntado o Harry e a Gina como vc pediu, pelo menos teve um beijinho ela tá livre e o Malfoy partiu dessa pra melhor! rsrsr Tá d bom tamanho por enquanto, né? rsrsr O fato do Harry ainda correr perigo é só mero detalhe...rs Bjusss

aNGeLa.xD: Ah, meu Deus, quantos elogios! rsrsrs Brigadinha, rsrsr eu me esforço muito pra agradar! rsrsr E olhe pelo lado bom,o Draco pode até ter dopado a Gina, mas foi pela última vez, huahuahua E pode deixar q eu não vou demorar mto pra atualizar um novo cap e acabar com a sua angustia! rsrssr Bjusss

Mone Potter: Meo Deos, vc acompanhava a fic da Floreio e Borroes! q legal, rsrsr ah mil anos num entro pra atualizar lá, huahuahuahua a preguiça é demais...rsrs q horror! rsrsr E o Draco agora nem pena da mais, pq a Gina já tá usando a morte dele pra tentar livrar o Harry, rsrsrsr Bom, cada um tem o fim q merece!rsrsr Bjusss

Isa Slytherin: Eu adooooro parar na melhor parte, rsrsrsr E nem é tanto d maldade, rsrsr mas assim é mais fácil começar o proximo e deixa todo mundo na expectativa! rsrsr Mas olha só: desejo atendido! huahuahua Draquinho mortinho d tudo! rsrsr E no atual momento sem direito a velório e enterro decente! rsrsrs Bjusss

Mirella Silveira: Bom, se vai dar certo essa fuga eu num sei, mas eu sei q eu acho muito divertido quando vc escrever "omg" huahuahuahua Não me pergunte pq, mas eu lembro da Janice do Friends, huahuahua Aí eu morrir, rsrsr Bjusss

Clara W. Potter: huahuahuahuahua Pode deixar q eu não contei pra ngm do seu ataque, rsrsrsr E pra passar o seu desespero eu atualizei rapidinho, mas daí a tirar eles do sufoco são outros 500...rsrsrsr Uma hora quem sabe! rsrsr Bjusss