Desafiando Deus

No dia do meu aniversário quem acabou ganhando presente foram vocês!! X) Parabéns pra mim!!

Desafiando Deus

Capitulo 28 – 'Rosas azuis'

"Poupar as pessoas a sua volta, preservá-las de preocupações e culpas, agüentar cada brutalidade da vida só. Em seu fim que ao menos fosse diferente. Pobre do próximo caminhoneiro...".

A mente despertava vagarosamente o restante do corpo frágil. Pode sentir os sentidos voltando um a um. Será esta a sensação de voltar à vida? A leve brisa gelada acariciava-lhe o rosto. O odor suave da lavanda preenchendo os pulmões. Um gosto doce e desconhecido impregnado na boca pequenina. O som baixo de uma música instrumental tocada longe. E por fim, ao tentar abrir os olhos, teve a sensação de que suas pupilas incendiariam sob a luz incandescente do sol. Apertou os olhos seguidas vezes até acostumar-se com a luz pálida do ambiente. Observou o teto por um longo período tentando entender o que fazia naquele lugar.

Tudo era branco e triste. O metal prateado dos apetrechos reluzia. O barulho irritante das máquinas ecoava. Conhecia aquele lugar. Estava em um frio e melancólico quarto de hospital. O ato de sentar-se na cama foi absurdamente difícil. As paredes rodopiavam e o chão tremia. A música pareceu elevar-se a ponto de despertar os móveis e maquinários, fazendo-os dançar em seu ritmo deturpado. Mas tudo isso foi quebrado no instante em que deixou o corpo cair novamente sobre o fino colchão.

A maçaneta moveu-se dando passagem a uma jovem toda de branco, com seu cabelo loiro-falso preso em coque mal penteado. Ela sorriu gentilmente ao cruzar seus olhos verdes com os negros da garota na cama.

– acordou na hora certa, senhorita Higurashi! – a adolescente forçou um sorriso, gesto que lhe trouxe uma profunda dor nas têmporas.

– meu corpo dói... – murmurou entre os dentes.

– ah! Isso é normal querida... – verificou o nível do soro e o relógio. Retirou a agulha do braço da morena que franziu o rosto em uma careta malcriada. – o carro enguiçar no meio da estrada em uma noite como a de ontem! Foi Deus menina! Deus que pôs a mão em cima de ti pra que não morresse naquela tempestade!

–... Deus... – repetiu mecanicamente o nome. Fazia tempo que não o ouvia. Tanto tempo que deixara de ter um significado especial e passara a ser apenas mais uma palavra pálida em seu vasto vocabulário colorido. Podia ouvir a enfermeira em seu monólogo, numa tentativa de dramatizar a chegada da púbere ao hospital. A forma milagrosa de como se recuperara rapidamente de uma quase hipotermia. Mas embora os olhos estivessem fixos na mulher que se movia de um lado para outro, mexendo em aparelhos, lendo a fixa médica e falando empolgadamente, sua cabeça estava bem longe. Perdida em uma estrada sem nome, forrada pela neve branca, tão branca quanto o jaleco da enfermeira. As duas bolas de fogo distantes pareciam uma fera enorme se aproximando velozmente. As bolas parecendo se unir, dando forma ao grande monstro de ferro, que gritou alto. Rugiu. E colidiu, inevitavelmente, contra o frágil corpo mortal, que rolou pelo asfalto gélido, por baixo de sua carroceria, entre as suas grossas rodas de borracha. E pode ver o céu estrelado. Os flocos de neve caindo como plumas quentes em seu rosto. Um rosto que pareceu pintado por um artista louco. Que deu a pele fina o tom suave da neve, a boca delicada o azul do céu, e aos olhos que enfim se fechavam duas luas sem cor e sem brilho, como a que jazia estampada no verdadeiro céu daquela noite.

Sim. Tinha absoluta certeza de havia deixado o mundo terreno naquela noite. Que aquilo que buzinou e derrapou ao tentar frear sobre o gelo era um imenso caminhão. Que não sentia nada quando fechou os olhos, apenas um falso e momentâneo alivio. Pois o tormento de sua alma amaldiçoada voltava vagarosamente, como um veneno que ardia em suas veias.

Seu questionamento a respeito de ainda estar viva foi drasticamente interrompido por outra mulher que entrou sem aviso no quarto. Era outra enfermeira. Uma ruiva com sardas claras no alto das maçãs do rosto. Observou-a por alguns instantes. – "enfermeiras com uniformes sedutores realmente são apenas desejos escancarados de americanos lunáticos" – e surpreendeu-se com seu primeiro pensamento claro e lógico desde que acordara.

A ruiva trazia consigo uma mala azul que largou sobre a cama. – o médico já lhe deu alta... – anunciou sem emoção alguma. – seu namorado trouxe essas roupas – apontou a mala – e pediu que não demorasse... – e assim a ruiva saiu tão esporadicamente quanto entrou. A outra enfermeira abriu um sorriso travesso.

– quando vi aquele homem, sentado no corredor, por mais de doze horas, tive mais certeza de que Deus a havia abençoado! – e quase saltitou.

meu namorado... ? – e se perguntou desde quando tinha um namorado, e quem poderia ser.

– céus... Que homem... – Kagome pode ver a luxuria arder nos orbes verdes da enfermeira. – digo com todo respeito, moça... – se desculpou – mas definitivamente ele é um homem encantador... Não tem noção de como tem sorte em poder ter aquelas pedras preciosas que são os olhos dele voltados apenas para você...

– "sorte é? sorte tem você de não cair no inferno que são aqueles olhos..." – sentiu pena da pobre moça que se despediu envergonhada. Havia caído no feitiço daqueles olhos que imitavam o sol. – "só pode ser ele... aquele demônio...".

Vestiu-se depressa, embora parecesse que até mesmo seu cabelo doía. Abriu a porta sentindo o coração tão rápido que sairia pela boca a qualquer momento. Ele estava bem ali. Sentado no banco de madeira feito uma estátua de mármore. Curvado, de pernas cruzadas, o cotovelo direito apoiado na perna, enquanto a mão esquerda repousava sobre o calcanhar. O rosto afundado no punho direito. As botas limpas, a calça justa, o sobre-tudo fechado, o cabelo prateado enfiado embaixo da boina preta, o cachecol vermelho-vivo quebrando o luto. Sua pele alva brilhava sob as lâmpadas fluorescentes do corredor do hospital. Parecia um espectro. Um cavaleiro da Morte esperando a oportunidade de arrancar-lhe a alma. Um anjo negro.

Viu-o endireitar as costas e se levantar lentamente. Caminhou em sua direção tão graciosamente que parecia não tocar o chão. Tinha agora plena visão de seu rosto. Um rosto que havia sido esculpido em marfim por mãos divinas. Tão pálida era sua pele, tão perfeito era seu desenho. O sorriso mal movia seus lábios claros, mas era suficiente para expor as presas protuberantes. Uma beleza de magnitude incomparável, porém uma beleza conhecida, que não mais a fazia suspirar ou paralisar. Com exceção de seus grandes orbes dourados. Eles tinham adquirido um brilho místico. Mágico. Não brilhavam mais como o sol, pareciam haver sugado toda a luz prateada da lua e misturado-a com o ouro. E, com um pouco mais de atenção, poderia diferir o relampejar de milhares de estrelas. E sem que desse por si, estava mergulhada naquele céu dourado, em total estado de torpor, onde a dor de seu corpo não mais existia. Sentia apenas o calor dele junto a seu corpo. Os braços reconfortantes e fortes envolvendo seu corpo. Apertando-a tão delicadamente como se fosse uma boneca de porcelana que se quebraria ao menor descuido. Afagou-lhe os longos cabelos negros, afundando o rosto no pescoço alvo da garota, apenas para sentir novamente o cheiro da pele dela. Algo tão sutil que o olfato humano não seria capaz de captar. Kagome tentou falar algo, mas antes da primeira silaba ele pediu silêncio. Colocando suavemente a mão fria sobre os lábios rosados da morena. Um pedido irrecusável.

Ele se afastou para falar no balcão. O mundo estremeceu no momento em que a soltou. A dor veio avassaladora. O hospital perdendo a luz gradativamente. E antes que tudo se tornasse escuridão aqueles olhos dourados iluminaram tudo. O demônio passou o braço por sua cintura fina e a fez andar. Estava em total inércia novamente. Hipnotizada por aquela face iluminada. Agarrada a sua capa preta, como se fosse a única coisa intacta e segura em meio ao apocalipse.

Os passos suaves dele a conduziram até o estacionamento. Para dentro de um carro estacionado próximo. Ele a estava levando por um caminho desconhecido. Mas nada importava desde que pudessem estar juntos. Nem as palavras. Permaneceram em silêncio absoluto durante a quase meia hora de viajem. Apenas o som da respiração da menina produzia algum ruído no interior do veiculo.

Ele parou o carro em uma marina. Os mastros altos dos veleiros se estendiam longe. O barulho do mar ecoava na noite escura. Apenas as estrelas iluminavam o céu, pois a lua ainda jazia curva, em seu quarto - crescente. Ele desabotoou o sobre - tudo antes de sentar-se a beira do longo píer de madeira envelhecida. Não nevava desde a noite anterior e tudo estava frio e úmido. A garota sentiu os respingos salgados do mar em seus lábios e decidiu sentar-se também. Mais um longo período de silêncio se estendeu. Apenas o som baixo e relaxante das ondas batendo cansadas nos cascos polidos das embarcações. Até que o desejo de ouvir a voz metálica, quente, do demônio já consumia os últimos resquícios de sua consciência.

A boca se mexeu sem emitir nenhum ruído. Nem mesmo obteve a atenção dele, que permanecia perdido na imensidão negra da água. – o que... – conseguiu em uma nova tentativa. – o que houve... Com seus olhos...?

Ele ameaçou uma gargalhada e impulsionou o corpo para frente. A boina caiu desajeitada sobre suas pernas. Largou-a de lado e alisou a cabelo com uma das mãos. Agora os longos fios prateado balançavam suavemente com a brisa fria que vinha do oceano. Aproveitou para desamarrar o cachecol, e deixá-lo apenas pendurado em seus ombros. Moveu levemente o corpo para fitá-la. O rosto calmo com um sorriso suave.

– O que houve... Com meus olhos? – apenas repetiu a pergunta. Podia tê-la ignorado e passado para um assunto de verdade, já que sabia que a única coisa que ela queria era reafirmar os laços. Preferiu não fazê-lo.

Continua...

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Cinzas ao vento nesta manhã gelada. Depois da tempestade de sangue não há arco-íris. Muito menos esperança.

Próximo capítulo: "O paraíso dentro do inferno". Existe? Claro... Está em seu rosto. Toda vez que sorri mostrando o sangue em sua boca delicada.

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Depois de tanta espera, enfim está concluído o demorado capítulo 28. Acreditariam em mim que o próximo virá em breve? Talvez não, mas não os culpo. Foi uma longa e entediante espera. Deixe me contar algo de valor importante.

Desde o dia em que publiquei a nota até hoje (aproximadamente um mês), dediquei-me a leitura. Li tudo que pude. Devorando papéis e agravando a minha lordose. Li pela primeira vez Desafiando Deus (não tenho nem sequer o hábito de reler o capítulo que acabei de escrever, isso foi inédito) com o intuito de verificar o desaparecimento de ou a perda de personalidade dos personagens. Por sorte tudo segue como tinha em mente. Também li dois livros, e parto agora para uma aventura de 700 páginas, com tamanha empolgação que me desconheço. Acabei, então, refinando (e por que não dizer também voltando) a minha forma de escrita. Com um pouco mais de sensações, talvez... Também li todos os mangás que pude. Letras de músicas e poemas. Contos também. Faço questão de compartilhá-los em meu fotolog.

Sobre minhas férias... Bem elas foram bastante longas... Mais de um mês, creio. Mas passei-as de uma forma um tanto quanto inusitada. Acordava, comia, dormia, acordava, comia, chorava, dormia, acordava... Nada de divertido e inusitado, mas extremamente necessário!

Gostaria de agradecer todas as reviews! Muito obrigada a todas! "Thais: A respeito do livro CREPÚSCULO, de STEPHENIE MEYER, digo que o tive em minhas mãos por várias vezes (já que vou mais à livraria do que qualquer outro lugar do shopping), mas infelizmente não tive a oportunidade de lê-lo (já que algo chamado "dinheiro" tem passado bem longe de minhas mãozinhas...). Por hora contento-me com meu acervo digital :) Muitíssimo obrigada pela dica (estava com bastante receio de não gostar já que detesto ver meus amados Vampiros como vilões)."

Muito tempo sem aparecer, coisas de mais para falar...

Dica: Leitura – Mangá Vampire Knight (Shoujo muito bem elaborado, que deixa de ser apenas estética e vem com um conteúdo encantador.). Publicado desde maio de 2007 pela Panini, mas disponível na internet (hehee). Há também a primeira temporada do anime, que segue perfeitamente o mangá, sem deixar a desejar. Download do mangá e anime disponível no meu fotolog (link no perfil).

Sintam-se beijados e abraçados!!

Até breve, Sanetoki-san.