Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas.
Em primeiro lugar queria dizer que dedico esse capítulo a Lucy-Chan 2, como um presente de boas vindas ao Fanfiction net!
E agora...
Que rufem os tambores, pq sim, a verdade vem a tona...
Mas primeiro os meus agradecimentos...
Obrigada a todas as meninas que comentaram no capitulo passado:
Morgane le Fay (Ah, se vc acha que a Saori é uma tremenda de uma ... (not coments! XD) prepare-se para ler esse capitulo), Analu-San ( Sim o Shura devia se explicar logo e vc vai entender que realmente as vezes é tarde pra remediar certas coisas. Garanto, o Shura vai sentir isso na pele), Lucy-Chan 2 (Ah, continue a torcer pelo Aiolos, pq eu tb torço por ele) e Lucy Holmes (Sim é horrivel brigar com amigos, mas a Marin gosta da Lara, por isso o 'puxão de orelha'. Quanto ao motivo da Thétis, isso ainda será revelado. Já o Julian, sim, ele tem um papel maior que esse que vc citou, sem dúvida alguma... rsrs)
Agradecimentos feitos, desejo a todos uma boa leitura!
Capítulo 28: Finalmente a verdade vem à tona
I – Mais uma pequena surpresa
-Me desculpem, mas eu tive que ir até o toalete retocar a maquiagem e... MILO? O que está fazendo aqui?
Lara quase gritou quando percebeu que a mesa onde deixara os amigos antes de sair havia tido mais dois lugares preenchidos. O Ex. e a Sereia, na mesma mesa... É só faltava aquilo pra completar aquela noite bizarra onde até a chefe que sofria de TPM crônica havia dado um surto de delicadeza. Enfim, isso tudo se resumia numa única frase: a noite seria mais longa do imaginara...
-Bem, perdão, não se preocupe vamos nos sentar em outra mesa; disse Thétis visivelmente constrangida, mas antes que a jovem se levantasse Lara gesticulou.
-Imagine, sou eu é que peço desculpas pela indelicadeza. Será um prazer ter a companhia de vocês; ela completou lançando um olhar indiferente a Milo, que parecia conter um meio sorriso.
Ah não... Suportar aquele meio sorriso triunfante de: "Eu ainda tenho o poder de causar algo nela"; definitivamente, aquilo seria demais. Pedir para que o casal se retirasse só comprovaria isso, e isso era o que menos queria aquela noite, ver o ego de Milo se inflamar por pensar que ainda se sentia atraída por ele, incomodada e talvez até mesmo enciumada diante da presença dele e da esposa. Não podia deixar que aquilo acontecesse.
-Como quiser; respondeu Thétis vendo a jovem sentar-se ao seu lado.
-Está linda hoje Lara; disse Milo, lançando um olhar quase que cobiçoso a jovem que mesmo não desejando aquilo corou.
-É realmente, está muito bonita; completou Thétis se voltando para o marido. Havia entendido e muito bem o tom de provocação naquele simples comentário. Milo queria lhe provocar, enciumar, porem não lhe daria o gosto de vê-la corresponder àquela brincadeira de mau gosto, àquele joguinho.
-Ahm, bem; Lara começou visivelmente constrangida lançando um olhar suplicante de salvação a Aiolia e Marin, como se os mesmos tivessem o poder de tirá-la do centro daquela guerra interna entre o casal, onde sem dúvidas estava servindo como alvo. –O que acham de escolhermos o cardápio?
o-o-o
Algumas horas depois...
Sem dúvida alguma o jantar de re-inauguração de Shura fora um sucesso. Juan vira com seus próprios olhos todos se deliciarem com o trabalho bem feito do novo chefe. O clima fora tranqüilo e agradável em cada canto do salão, e aquilo se resumia em uma só palavra: Sucesso. A noite havia sido um sucesso.
-Y então, mi caro amigo, lo que achou de las habilidades del mi nuevo chefe? –Indagou Juan aproximando-se de uma mesa onde um rapaz de longos cabelos azuis e uma jovem de cabelos chanel estavam sentados.
-Magnific! –a jovem respondeu pelo namorado, o sotaque francês carregado. –Kamus e eu adoramos, Juan.
-Concordo com Marguerite; disse Kamus. –Seu chefe tem talento, e se conquistou o paladar apurado de minha noiva, acredite, isso quer dizer que ele é realmente muito bom. Nem mesmo em Valência, pude degustar de uma paella tão boa quanto esta de hoje. Alias, foi muito afortunado de minha parte receber o seu convite pra vir jantar aqui essa noite, acho até que irei adiar o meu retorno à França para que possa vir saborear um pouco da Espanha mais vezes, aqui no Brasil.
-No sabe lo cuánto isso mi deixa feliz; Juan sorriu para o amigo e nesse instante viu alguém acenar para si de forma sutil na mesa de trás. –Pérdon, estão mi chamando, más, más una vez, obrigado por terem vindo y por prestigiarem a mi y a meu chefe hoje la noche
-O prazer é todo nosso; disse Kamus vendo o amigo se afastar.
Com a mesma cortesia dirigida ao amigo, Juan dirigiu-se ao casal da outra mesa, talvez 'o casal mais importante da noite'. A herdeira Kido e Julian Solo, conhecido como o Senhor dos Mares, devido aos seus negócios marítimos. A presença deles dois ali, sem dúvida era uma boa nova ao seu mais novo negócio; ele pensou, mesmo que rever Julian Solo não lhe fosse à visão mais agradável do planeta. Ainda não conseguia deixar de ver Julian como uma espécie de 'rival'. Nunca tivera contato direto com ele, aliás, preferia evitar ter que vê-lo junto de Thétis, mas havia trocado uns poucos 'Olas' e 'Até logo' com o rapaz quando a amiga ainda era sua namorada.
-Cómo vai Julian? Senhorita Kido; Juan os cumprimentou gentilmente.
-Ótimo Valdéz, afinal, a companhia de uma bela dama sempre torna a noite de um homem agradável; respondeu Julian e Saori sorriu.
-Vocês se conhecem? –ela indagou.
-De vista; respondeu Julian lançando um olhar discreto à mesa a onde Thétis estava. –Fui namorado de uma amiga dele há alguns anos, não é mesmo Juan?
Juan assentiu em silencio e então da forma mais sutil que pode tentou encurtar aquele assunto. Definitivamente, não apreciava a companhia daquele que tanto havia feito a amiga sofrer.
-Más, posso lhes ajudar em algo? Alias, gostaram de lo serviço prestado pelo meu nuevo chefe? –Juan indagou num sorriso.
-É claro, e é por isso mesmo que lhe chamei até aqui; disse Saori. –Gostaria, se fosse possível é claro, elogiar pessoalmente o seu chefe.
-Claro, no vejo problema algum nisso; respondeu Juan.
-Também gostaria de conhecê-lo; disse Julian, mas quando fez menção de se levantar Saori o impediu.
-Querido, eu acho melhor não. Deixe que eu vá e agradeça por nós dois, afinal, imagine só se todos os presentes decidirem fazer a mesma coisa? Não restará espaço na cozinha, não é mesmo?
-Como quiser, mas não demore sim? –disse Julian vendo a jovem aceitar o braço de Juan e se afastar, antes assentindo ao seu pedido silenciosamente com um menear de cabeça.
Tinha outros planos para aquela noite e ficar ali bajulando um simples chefe, sem dúvida não era uma boa pedida, não quando se tinha uma mulher como aquela como companhia; ele pensou num meio sorriso.
II – O perfume
-Aí então, eu disse que...
Esse perfume...; Alheia a conversa que transcorria na mesa Lara só tinha uma coisa em mente. Aquele perfume, o sentira de novo e não era a primeira vez naquela noite. Voltou-se para o lado vendo que Juan caminhava até a cozinha, acompanhado da herdeira Kido. Aquilo não era possível... Ou será que era?
-Lara? Está tudo bem com você? –Indagou Marin ao perceber o estranho e longo silencio da amiga.
-Aquele perfume; Lara murmurou confusa. –Não, pode, não, pode ser dela; ela balbuciou e Marin arqueou a sobrancelha sem entender.
-Como? –Indagou Milo, por fim parando de narrar a sua viagem inesquecível aos Alpes Suíços.
Lara piscou levando uma das mãos até as têmporas. Sua cabeça parecia rodar num vórtice sem fim, foi então que viu Juan voltar ao salão, mas dessa vez sozinho. Não pensou duas vezes, antes de se levantar e seguir a passos apressados rumo ao caminho traçado pelo rapaz há alguns instantes.
-Lara? –indagou Marin, sem entender a reação da amiga.
-A onde ela foi? –Indagou Milo, recebendo um olhar cortante de Thétis por aquela, diria que, atenção exagerada.
o-o-o
-Sabia que ficou lindo de uniforme?
Sua voz, mais parecia o silvo de uma serpente e quando se voltou para trás, Shura sequer pôde acreditar no que via.
-O que faz aqui? –Ele indagou ríspido.
-O que acha? Vim te ver, lhe prestigiar pelo ótimo trabalho 'Chefe'; respondeu Saori, e então se voltou para as pessoas atrás do rapaz. –Saiam! –ela indicou a porta dos fundos.
Sem outra alternativa os ajudantes de Shura seguiram para o cômodo ao lado e fecharam a porta, onde sem dúvidas teriam muito trabalho limpando tudo aquilo que haviam sujado aquela noite. Porem, tão pouco queriam enfrentar a fúria da serpente de olhos azuis que ali estava.
Se a situação, a conversa que teria que ter com aquela mulher não fosse tão desagradável e de nível pessoal, Shura certamente não pensaria duas vezes antes de mandá-la calar a boca, afinal, quem ela pensava que era pra dar ordens ali dentro? Tratar aquelas pessoas como se fossem lixo? Estava cansado daquilo...
-Sabe o que eu queria fazer agora? –Ela indagou de forma insinuante chamando a atenção do rapaz e indicando a bancada branca de mármore atrás de si. –Que você fizesse amor comigo em cima dessa bancada, enquanto todo mundo está lá fora. Julian, me esperando feito um pato e achando que estou apaixonada por ele e também a ridícula daquela sua namoradinha; Saori completou aproximando-se perigosamente do rapaz.
-Estas maluca; Shura balançou a cabeça para os lados. –Completamente maluca; ele completou sentindo-a se enroscar em si e as unhas compridas se apertarem sobre sua roupa.
-Sim, maluca; Ela sussurrou com os lábios a milímetros dos dele. –Maluca por você...
O sussurro lascivo da mulher morreu quando seus lábios por fim tocaram os dele. Aqueles lábios que um dia foram doces e macios e que, hoje, eram puro veneno. Shura a segurou pelos pulsos tentando afastá-la, mas a verdade é que o pegara num lapso de distração.
-Mas... MAS O QUE SIGNIFICA ISSO?
Alguém gritou a porta da cozinha, e no mesmo instante Shura a afastou bruscamente de si.
-Lara? –ele indagou, ao se deparar com a jovem com os olhos rasos d água. O que tanto temia havia acontecido.
-Mas o que significa isso? Você, ela...; Lara murmurou indignada.
-O que acha querida? Isso que viu se chama beijo; Saori respondeu sarcástica com um largo sorriso de satisfação diante do olhar chocado da jovem. –Lembra quando te disse agora pouco que havia conhecido homens muito melhores que Julian Solo?
-Lara; Shura interveio aproximando-se da jovem que se desvencilhou de seu toque. –IEso, no es lo que parece...
-É sim querida; Saori se aproximou. –Somos amantes há quase dois anos e isso inclui os meses em que você julga ter tido, como posso dizer, exclusividade; a jovem completou com desdém.
-Por Zeus, me diz que isso não é verdade; Lara pediu suplicante, sem conseguir impedir que grossas lágrimas rolassem de seus olhos.
-Lara; Shura suspirou. –Yo, ia te contar, ia te contar sobre eso, más entenda una cosa, nesse tiempo todo em que estivemos juntos yo jamais toquei, ou mejor, sequer cheguei a pensar em outra mujer além de usted; ele completou com pesar. –Yo te amo, y ela, faz parte de mi passado, uno passado do qual mi envergonho y lo qual lhe disse, usted no merecia compartilhar;
-Ah, quer dizer que agora desdenha? –Saori zombou chamando a atenção do casal. –Desdenha o que antes de lhe deu tanto prazer e dinheiro? Ou será que se esqueceu que em troca de prazer eu lhe oferecia uma boa mesada? Diosa, mi amor... Yo te amo! Ele sussurrava pra você também enquanto faziam amor? Ou será que é preciso que se pague uma fortuna como eu costumava pagar pra ouvir declarações românticas de alguém que se vende como ele?
Saori apontou inquisidora para Shura, que conteve a ânsia em esbofeteá-la, porem fora Lara que não se conteve. Esbofeteou Saori com toda a força que tinha e as marcas de suas unhas ficaram no rosto da mulher, no entanto, diferente do que esperava, Saori pôs-se a sorrir alucinadamente.
-Vamos, admita, ele também lhe chamava de Diosa? Te beijava como se...
-CALE-SE! Cale-se! Eu não quero ouvir mais; Lara esbravejou a todos pulmões. –Não quero e nem preciso ouvir detalhes da sujeira que você e ele faziam as minhas costas;
-Lara, ouça-me; disse Shura tentando se aproximar da jovem que se esquivou como um bicho ferido.
-Nunca mais, ouça bem, nunca mais toque em mim; ela vociferou entre dentes. –Nunca mais sequer me dirija a palavra; Lara completou e saiu correndo dali.
-Lara! –Gritou Shura e então se pôs a correr atrás da jovem desesperadamente, sem se importar com mais nada.
Os olhos azuis de Saori faiscaram ainda mais, completamente irados antes que a mesma seguisse o casal.
III – Passado e presente, finalmente frente à frente
Lara correu desesperada para fora da cozinha, sentindo como se seu coração houvesse sido arrancado do peito e que a ferida aberta jamais fosse se cicatrizar. Jorrava sangue, doía, e talvez aquela sensação jamais cessasse. Marin tinha razão, havia se precipitado. Como sempre...
Passou pelas primeiras mesas e as pessoas a fitaram confusas e preocupadas com o seu estado, porem não parou de correr de cabeça baixa, sentindo o peito doer alucinadamente, sua cabeça dar voltas e mais voltas, só parou quando um par braços fortes a deteve.
-Lara lo que houve?
Era Juan, mas a jovem o estapeou e empurrou e só parou quando percebeu quem era.
-Me desculpe, mas eu preciso ir; ela pediu suplicante diante do olhar confuso do rapaz.
-Lara, por favor, me ouça; pediu Shura assim que a alcançou.
-Shura? –Juan indagou ainda mais confuso. –Lo que está acontecendo aqui?
-EU EXPLICO O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI! –Saori gritou vindo logo atrás do rapaz e chamando a atenção de todos.
Marin e os amigos que vislumbraram aquilo a distancia, se levantaram e caminharam rapidamente até lá.
-O que houve Lara? –Marin indagou preocupada aproximando-se da amiga que tinha o rosto marcado de lágrimas.
-Você estava certa Marin, você estava certa; foi a única coisa que Lara conseguiu murmurar.
A cena era um tanto quanto confusa. As pessoas ao redor fitando aquilo como se fosse alguma apresentação de circo. A amiga aparentemente com o coração despedaçado. Shura lívido e aquela... Aquela mulher com um sorriso sádico como se estivesse se divertindo com tudo aquilo; constatou Marin.
Nesse exato momento outra voz se fez presente. Julian Solo havia decidido se levantar e averiguar aquilo de perto.
-O que significa isso Saori? –Ele indagou aproximando-se do grupo e Milo estreitou o braço em volta da esposa quando o mesmo passou por ambos. –Definitivamente, não estou conseguindo entender; completou Julian, os olhos fixos no estranho ferimento no rosto da herdeira Kido.
-Então deixe que eu explique; Saori se empertigou e adentrou a roda. –Essa ridícula, essazinha, está se debulhando em lágrimas porque descobriu que eu e o namorado dela somos amantes...
-O que? –Exasperou Julian, junto dos demais a sua volta com olhares igualmente chocados.
-Isso mesmo que ouviu, alias, ouçam muito bem todos vocês; Saori se voltou para a 'platéia' e então apontou para Shura. –Esse que aqui vocês vem hoje foi o chefe de cozinha que os serviu, mas saibam que muito antes disso ele também me serviu, mas de outra forma. Esse homem, não passa de um gigolô barato, um qualquer, que sonha esquecer o seu passado escuso; ela completou com absoluto desdém.
-Saori. Me explica isso direito; Julian vociferou segurando a jovem firmemente pelos pulsos. –Aquele dia, aquele dia você me disse que esse homem não era nada seu; ele argumentou se recordando da desculpa que a jovem lhe dera no dia em que a 'ajudara' cortesmente em frente à boate.
-Eu menti; Ela se desvencilhou de seu toque. –Ele é meu amante há anos, alias, menti sobre isso da mesma forma que menti que estava gostando dos seus galanteios ultrapassados. E mais, se for tão ruim na cama como é fazendo galanteios, acredite, aí sim terei que lhe ser sincera;
Ela completou mais uma vez desdenhosa, sem um pingo sequer de consideração com quem quer que fosse e o sangue do Senhor dos Mares subiu a cabeça. Julian levantou a mão para esbofeteá-la, mas uma voz feminina, lhe pedindo para não o fazer o impediu.
-Não Julian, por favor, não faça isso; Thétis que havia se desvencilhado do marido segurou o braço do rapaz. –O Julian que conheço não faria isso; ela completou e então apontou para Saori. –Esta mulher está desequilibrada, será que não percebe isso?
-Desequilibrada? Eu? –Saori riu alto e insanamente. –Desequilibrada está essazinha aqui; ela apontou para Lara como se a mesma fosse um inseto. –Essazinha aqui é que está louca, louca por saber que o homem a quem entregou seu coraçãozinho puro de cristal na verdade ama sempre quem pode lhe pagar mais, e é claro, que quem pode sou eu!
-CHEGA! –Lara esbravejou. Estava cansada de tanto sarcasmo, de tanta humilhação.
Mais uma vez não pensou em seus atos, no que eles poderiam resultar. Aproximou-se da mulher que a fitava de cima, como se fosse uma formiga diante uma pantera com garras afiadas. Fechou firmemente o punho direito e então socou literalmente a cara da mulher, com tanta força que chegou a sentir dor também.
Saori se desequilibrou e caiu no chão, tapando o rosto com as mãos num urro de dor, enquanto as pessoas ao redor fitavam a tudo aquilo perplexas. A herdeira Kido se recompôs, mas não se levantou, porem assim que afastou as mãos do rosto, um belo de um olho roxo, que ficaria ainda mais roxo no dia seguinte, deixou bem claro que aquela conversa havia sido encerrada.
-SUA LOUCA! –Saori esbravejou. –Nem preciso dizer que nunca mais pisará naquele museu, não é mesmo? ESTÁ DESPEDIDA! –ela vociferou apontando inquisidora para Lara como se a estivesse julgando por um crime gravíssimo e lhe dando a sentença final: a forca.
-Obrigada; Lara respondeu no mesmo tom de desdém que a jovem havia usado para consigo a noite toda e os olhos azuis de Saori faiscaram de ódio.
A louca certamente era ela, se pensava que depois de tudo o que vira e ouvira aquela noite, ainda desejaria trabalhar para si; pensou Lara e então saiu correndo para fora dali, para o mais longe que podia.
-Lara; Shura gritou e tencionou correr atrás da jovem, mas Marin o deteve segurando-o pelo braço.
-O que mais você quer? Já destruiu o coração dela, me diga o que mais você quer? –Ela vociferou e Shura tentou argumentar, mas no instante seguinte se viu obrigado a amparar a jovem que sofreu uma espécie de vertigem.
-Marin! –Aiolia correu para ajudar a esposa e o tumulto se manifestou ainda mais ao lado de ambos, enquanto Saori jazia esquecida e prostrada no meio do salão.
-Alguém, Alguém precisa ir atrás dela; Marin pediu enquanto Aiolia a carregava com a ajuda de Shura até uma cadeira próxima. –Ela, ela pode cometer uma loucura se ficar sozinha; a ruiva derramou lagrimas tristes e preocupadas pelo estado da amiga sem ao menos se importar com o seu.
-Eu vou; Disse Milo e Thétis que havia voltado até si ficou momentaneamente confusa.
-Como assim você vai? –Ela indagou.
-Sim, eu vou e você pode ficar com o seu Julian; ele lhe respondeu entre dentes apontando para o rapaz logo atrás e em seguida passou pela esposa sem se importar com as lágrimas que verteram de seus olhos azuis.
o-o-o
Lara olhou desesperada a sua volta à procura de algum táxi, mas nada via além da rua iluminada pelos faróis dos carros que por ali passavam. Sentia-se alucinada, cega, surda. Tudo o que mais queria naquele momento era evaporar, sumir dali e se não fosse um braço forte a puxar para a calçada certamente teria ido pra muito longe depois que um carro passou a milímetros de acertá-la em cheio.
-Ta querendo morrer é? –Exasperou Milo.
-E se eu te disser que estou? –Lara vociferou se voltando para o rapaz e se desvencilhando dele.
-Eu te digo que estou aqui pra impedir que você faça uma besteira como essa; ele respondeu.
-Você? –Lara rolou os olhos completamente descrente. –Você é igual a ele, igual a todos os homens, deve estar rindo de mim depois do que ouviu e viu lá dentro; ela apontou para o restaurante. –Alias, é isso que os homens fazem quando traem?
-Vamos, eu te levo pra casa; disse Milo. –Estou de carro, aí chegamos mais rápido.
-Está maluco? Eu sair com você? Acha que estou tão desesperada que vou aceitar um disparate desses? Ah, claro, talvez você me embebede pelo caminho e aí possa ter uma noite como nos velhos tempos... O que foi Milo, não consegue nem ao menos arrumar uma amante sozinho é? Digo, tem que apelar pra uma maluca com quem já se relacionou no passado e embriagá-la para isso? Alguém louca e desesperada como eu?
Milo suspirou pausadamente. Nunca havia ouvido tanta bobagem junta, mas também pudera a cena a pouco deixaria qualquer um fora de si.
-Vem; ele pediu e então segurou a jovem pela mão, arrastando-a até um porche azul estacionado há alguns passos dali. –Vamos pra sua casa, ou acha melhor ficar aqui até que seja atropelada ou então ter que rever a cara de pena das pessoas que estão lá dentro assim que a virem novamente, hein?
Lara fitou por longos instantes os olhos azuis de Milo, e então sem dizer palavra alguma se desvencilhou do rapaz seguindo até o carro. Odiava, odiava admitir que ele tivesse razão, mas tinha. Qualquer coisa seria melhor do que ter que rever o olhar de pena daquelas pessoas mais uma vez.
Continua...
N/A: Valência é a região de origem da Paella.
