Capítulo 28

Melbourne acordou.

Victoria continuava nua nos braços dele e dormia profundamente.

Pela luz que ainda não rompera lá fora, ele podia perceber que ainda não era tarde para que ela pudesse sair do quarto dele, mas era necessário que ela acordasse e se preparasse para sair.

Ele não queria cometer o crime de acordá-la quando ela dormia tão bem. E ele desejava que ela pudesse estar ali nua nos braços dele todas as noites, a noite inteira. Ele só queria poder estar bem junto dela para sempre. No entanto, era necessário acordá-la.

William beijou a testa de Victoria.

Ela movimentou-se e aninhou-se ainda mais sobre o peito dele, mas não deu sinal de ter acordado.

"Victoria…" Ele chamou baixinho.

Não aconteceu nada.

"Victoria, meu amor…" Ele insistiu.

"Hm…"

Finalmente havia algum tipo de resposta, ainda que distante.

"Eu peço desculpa, mas você precisa de acordar para se preparar para sair." Ele explicou.

Ela não respondeu.

"Victoria…"

"Eu sei…" Ela respondeu ensonada. E segundos depois ela continuou numa voz arrastada: "Mas eu não quero ir embora. Quando o dia nascer eu vou dizer a Albert que eu amo você e ao meu tio Leopold que eu quero que o casamento que ele me arranjou seja anulado."

"Victoria…" Ele disse num tom que ela percebeu que era de preocupação.

"Não se preocupe, William. Eu estou a brincar… Mas isso é o que eu devia fazer."

"Por favor... Não insista. Já é difícil o suficiente viver sem poder ter você à luz do dia e aos olhos de todos… Se você insistir constantemente em algo que não pode acontecer, você só aumenta a dor de nós dois." Ele pediu.

Ela achou que estava a magoá-lo e, para o compensar, beijou o peito dele repetidas vezes. Ele era tão macio e adorável! Depois ela garantiu:

"Eu não voltarei a falar nisto."

"Obrigado!" Ele agradeceu, já usando um tom de voz bem-humorado que ela conhecia muito bem.

Ela arrastou-se sobre ele, e eles beijaram-se.

Ele moveu-se para ficar sobre o corpo dela.

Os braços dele foram colocados debaixo das costas dela e ela foi elevada do colchão alguns centímetros, enquanto ele continuava a beijá-la na boca e nos seios.

Ela estava a sentir a pele nua dele a arrastar-se sobre ela…

"Oh, William…Será que nós podemos…?" Ela perguntou.

Ele parou de beijá-la e, embora ele estivesse louco para usufruir dela, ele disse:

"Será melhor não…Você deve preparar-se para sair…"

Embora frustrada, ela compreendia a necessidade disso. Então, enquanto ela agarrava o rosto dele com ambas as mãos, ela concordou com o que ele dizia, movimentando a cabeça em sentido afirmativo.

Ele saiu de cima dela e levantou-se da cama. Depois ele acendeu algumas das velas e, em seguida, ele caminhou pelo quarto de dormir para procurar as meias dela que tinham sido atiradas para o chão.

"Sente-se na cama com os pés para fora. Eu quero calçar-vos as meias." Ele pediu para ela.

Ela agiu em conformidade. Victoria sentou-se na lateral direita da cama com as pernas penduradas e as mãos apoiadas sobre o colchão para esperar que ele regressasse com as meias.

Em determinado momento em que ele se moveu pelo quarto, ela não pode deixar de abrir a boca ligeiramente enquanto o observava deliciada. Quando ele caminhou, de perfil, na frente dela, ela pôde ver o mastro elevado e a beleza disso era…estonteante. Ela já tinha visto aquilo outras vezes e ela já o tinha tocado, agarrado e saboreado, mas… Aquela imagem tinha provocado um borboletar dentro dela como se ela o visse pela primeira vez.

Com as duas meias na mão, ele caminhou de volta até ela.

Ela não podia deixar de olhar para lá, para aquela parte entre as pernas dele que a hipnotizava.

Ele observou, deliciado, a expansão do azul dos olhos dela, e deduziu que ela deveria estar excitada. A imagem que ele tinha perante ele também era de tirar o fôlego. Victoria nua, sentada sobre a cama, as formas ondulantes, aqueles pezinhos balançando porque não atingiam o chão e as mãos apoiadas sobre o colchão. Ela parecia uma criança e, no entanto, ela era uma mulher. E esta mistura era inebriante. Ele poderia deitá-la, atravessada sobre a cama, agora mesmo, entrar nela repentinamente e fodê-la até que ela gritasse o nome dele. Mas ele não ia fazer isso assim. Existiriam outras oportunidades para sexo selvagem. Agora ele ia fazer com ela o que ele tinha pensado e para o qual ele apenas tinha arranjado uma manobra de distração, para que ela pensasse que não ia acontecer agora, porque ela teria de sair em breve.

Ele ajoelhou-se junto da cama, na frente dela. O joelho direito sobre a tapeçaria e o joelho esquerdo levantado. Ele colocou uma das meias dela sobre a coxa direita e ficou com a outra nas mãos. Depois ele agarrou o pé direito dela e colocou-o sobre o joelho esquerdo dele.

Ela levantou o pé, deixando apenas os dedos apoiados sobre o joelho dele.

Ele observou a beleza feminina da curva daquele pequeno pé e, levantando os dedos dela, enfiou sobre eles a ponta da meia. Então ele começou a deslisar a meia lentamente para cima. Vesti-la, era tão excitante como despi-la.

Victoria não podia resistir àquela visão de evidente excitação dele e observou:

"Você está. Excitado…"

Ele não parou o que estava a fazer nem olhou para ela. Ele apenas concordou:

"Parece que sim…"

Antes de atingir o joelho dela, ele beijou o pedaço da perna que ainda se encontrava nua logo abaixo. Depois ele beijou o joelho. E de seguida ele cobriu o joelho dela com a meia dela.

"Será que nós podemos aproveitar isso?" Ela perguntou.

"Agora não." Ele respondeu simplesmente, sem margem para insistências.

E então ele beijou o início da coxa dela. E depois ele beijou um pouco mais acima. E ele continuou beijando a coxa dela à medida que a meia avançava atrás da boca dele.

A meia terminou e a boca dele ficou aquém do local onde ela desejava que ele a colocasse. Ele não poderia chegar lá?

Ele elevou o corpo para atar a fita que segurava a meia e deu um laço perfeito.

"Você faz isso melhor do que a minha camareira. Eu quero que você me calce as meias todos os dias." Ela observou.

Ele sorriu e olhou finalmente para ela.

Com o pé sobre o joelho dele as pernas ficavam um pouco mais abertas e o meio delas estava mais exposto para ele.

Com as mãos apoiadas sobre o colchão, e sentindo o pé bem apoiado sobre o joelho dele, ela movimentou a perna direita para um lado e para o outro, expandindo o ângulo de abertura das pernas.

Era extraordinário observar como o instinto a levava a agir, mesmo quando ela ainda não tinha a noção do efeito erótico que determinados comportamentos ou palavras tinham sobre ele. Ele sabia bem o que ela queria, mas ela não iria ter exatamente isso agora.

"Vamos mudar para o outro pé." Disse ele.

William assentou o joelho esquerdo sobre a tapeçaria e agora elevou o joelho direito.

E lá estava de novo aquela coisa rigidamente fabulosa que se agitava entre as pernas dele!

Victoria colocou o pé esquerdo sobre o joelho direito dele e ele repetiu o procedimento anterior. A boca dele seguiu na frente da meia, beijando o interior da coxa dela, uma e outra vez. E subindo cada vez mais.

Com as mãos apoiadas sobre o colchão, ela fechou os olhos, gemeu e deitou a cabeça para trás. Quando a maldita meia acabasse, ele não poderia mesmo chegar lá? Naquele sítio! Ela sentiu que a meia terminara e que ele parou os beijos. Agora ele iria atar a fita.

Todavia, sem atar a fita, os beijos continuaram e atingiram a virilha.

"Oh!" Ela exclamou, abrindo as pernas automaticamente.

A boca dele caiu no meio das pernas dela, diretamente sobre aquele ponto que a enlouquecia e ele chupou, largando-a em seguida e produzindo um som de sucção.

Ela encolheu-se, franziu a testa e gemeu. E as mãos dela posicionaram-se mais para trás no colchão para que a pélvis subisse e ficasse mais acessível para ele.

Ele voltou lá de novo. A língua dele varreu-a pelo centro, de baixo para cima, expandindo os lábios e levantando pregas, e ele sugou de novo no topo. Quando ele varreu diretamente sobre aquele ponto foi um pouco desconfortável, mas quando ele sugou ela poderia derreter.

Incapaz de se segurar, ela caiu de costas sobre a cama, mostrando-lhe claramente que agora ele teria de terminar o que ele havia começado. Victoria arrastou-se para trás, para conseguir colocar os pés sobre a beira do colchão e, com os joelhos fletidos, abriu ainda mais as pernas para ele.

William acompanhou o movimento dela. O corpo dele impulsionou-se para a frente para alcançar com a boca dele o meio das pernas dela. E os braços dele envolveram as coxas dela, puxando-a para baixo e encaixando-a nele.

Ela firmou-se nos cotovelos para levantar um pouco o tronco. Ela queria ver o que ele estava a fazer com ela.

Ele olhou para ela enquanto a lambeu devagar, trazendo a língua mais para cima.

Ela viu a ponta da língua dele descolar-se dela e notou como os olhos dele brilhavam. Apenas há algum tempo atrás ela não podia imaginar que isto pudesse ser feito. Colocar a boca naquele lugar. Ela nem sabia nada do que poderia ser feito numa cama com um homem. Não só o ato era prazeroso como era fascinante vê-lo em atuação. Ter a cabeça dele entre as pernas, observar o cabelo dele, ver como os olhos dele brilharem e como ele se deliciava, enchendo a boca nela sem qualquer sinal de repugnância, era deslumbrante e imensamente excitante.

Ela caiu sobre a cama, de novo, enquanto suspirava. Aquilo iria ficar mais intenso e ela precisava de estar mais apoiada, para se concentrar para o que viria a seguir.

As mãos dela procuraram a cabeça dele e ela acariciou suave e repetidamente o cabelo dele, enquanto ele a excitava cada vez mais. Ele fazia-a sentir-se tão bem que ela só podia acarinhá-lo por isso.

Depois, ela largou a cabeça dele, e pousou as mãos sobre o colchão, sentindo, exclusivamente, o que acontecia entre as pernas dela, o contacto constante e vibrante dele com ela, e deixando-se levar por ele.

As mãos dele subiram pela barriga dela e ele agarrou-lhe os seios, um em cada mão, e, com as mãos cheias deles, ele apalpou.

Agora ele estava a apalpar ambos os seios dela enquanto a boca dele trabalhava entre as pernas.

Isto era belo! Isto era muito belo, mas ela não estava a achar justo que ela não pudesse colocar a boca dela nele, também. Ela tinha adorado fazer aquilo da outra vez em que ela tinha experimentado. E ela não podia deixar de pensar no que ela tinha acabado de ver em ereção e como era esplendoroso.

Ele largou os seios dela e agarrou ambas as pernas dela e colocou-as por cima dos ombros dele.

Porque ela era de pequeno porte e ele era muito alto, as ancas dela levantaram do colchão. Mas Victoria ficou perfeitamente encaixada nele.

Para que ela não ficasse suspensa no ar, o que ele sabia que não seria favorável, William colocou as mãos em concha debaixo das nádegas dela e suportou-a no ar, continuando a beijar, a lamber e a sugar, como quem se alimenta de uma fruta exótica, doce e sumarenta.

"Oh, William…" Ela disse, contorcendo-se sobre o colchão e com as mãos tentado agarrar algo que não existia.

"Você é deliciosa!" Ele notou.

Ela não podia aguentar mais isto. Esta sensação que a estava devorando continuamente. E, no entanto, ela sabia que teria de suportar isso e ela queria suportá-lo. O que ela sabia que viria a seguir era uma recompensa tamanha para tão pouca aflição.

Ele adorava ver o desespero dela em crescente. E depois vê-la reagir à satisfação que a fazia explodir. Era por isso que ele esperava.

Finalmente, o prazer impôs-se, e isso cavalgou sobre o desespero, atravessando o corpo dela em catadupa.

"William! William!" Ela exclamou, contorcendo-se na boca dele.

As mãos dela agarram o lençol que foi arrancado do colchão, enquanto ela arqueava as costas, mantendo apenas a cabeça apoiada na cama. Por uns segundos houve uma anulação de qualquer sensação de peso. Neste momento ela era leve como uma pena.

Quando ela serenou, ele baixou-lhe o corpo sobre a cama.

Ela sentiu que ele atava agora a fita da meia da perna esquerda.

Victoria pensou que talvez ele pensasse que agora ela estava pronta para vestir as cuecas dela e a camisa de dormir, mas, se assim era, ele estava muito enganado.

William avançou sobre ela e beijou-a na boca. A boca dele tinha o sabor do sexo dela. Era um beijo com um sabor diferente, mas era excitante. Toda aquela mistura de fluídos. E ela ainda queria saborear mais coisas…

Victoria fez força, para que o corpo dele rodasse e ele ficasse deitado de costas sobre o colchão.

Obviamente ele podia ter resistido, mas ele não fez isso. Ele deixou-a atuar sobre ele e deitou-se de costas.

Ela colocou-se sobre ele e, depois de o beijar na boca, Victoria começou a percorrer o corpo dele com beijos em sentido descendente. Peito, barriga…

Ela atingira agora o nível abaixo do umbigo, e as pernas dela já estavam dobradas sobre a cama, no espaço entre as pernas dele.

O membro viril dele estava ali mesmo à disposição, na frente dela. Rígido e inclinado sobre a barriga dele. Victoria enrolou os dedos à volta da base, endireitou-o e constatou como a ponta do seu dedo indicador não atingia a ponta do polegar. Grosso!

Ela olhou para William.

Ele olhou para ela. Havia uma expressão deliciosamente perversa nos olhos dela e ele gostou muito disso. E aquela imagem do corpo dela, unicamente de meias, podia conduzi-lo à loucura.

Ela observou como ele mostrava uma expressão entre a surpresa, a renovação a confirmação da luxúria que existia nela e a expectativa agradável pelo que viria a seguir.

Ela quebrou o contacto visual e olhou de volta para o que tinha na mão. Victoria principiou a beijá-lo, logo na parte exposta acima dos dedos dela. Ela amava aquele pedaço dele que lhe propiciava tanto prazer! Ela amava aquele pedaço como amava tudo em William! Os beijos seguiram para cima. E, enquanto o beijava, o sentia na mão e o observava minuciosamente, ela pensou que tudo aquilo já se tinha alojado dentro dela. Vê-lo assim tão de perto, e senti-lo, tão concreto na mão dela permitia constatar como o volume que se encaixava nela era ainda maior do que parecia ser quando ele entrava nela. Era surpreendente como ela conseguia acomodar tudo aquilo!

Ele puxou uma almofada e colocou-a debaixo da cabeça. Ele iria usufruir desta demonstração da forma mais confortável!

Ela sugou a ponta.

"Deus! Victoria, o que e que você está a fazer?" Ele perguntou.

Ele sabia o que ela estava a fazer, mas ele tinha necessidade de dizer alguma coisa.

"O que você me ensinou." Foi a resposta dela.

Ele suspirou. Ela estava certa.

Ela lambeu o comprimento. E lambeu de novo. Uma e outra vez. De um lado e do outro. E arrastou o nariz por ele.

Mas depois ela retirou a boca e usou as duas mãos para afastar o cabelo para trás. No entanto, rapidamente ela voltou a agarrá-lo e a colocar a ponta na boca.

Ele sentiu que ela desceu sobre ele, engolindo-o.

A imagem dela nua, apenas de meias e dobrada sobre ele. O desembaraço com que ela colocou o cabelo para trás, compenetrada no que estava a fazer, e para o qual não queria estorvo. A imagem e a sensação de estar a ser consumido por ela…Tudo aquilo era extasiante! Ela era muito interessada e muito dedicada. Nenhuma puta lhe propiciaria a ele mais prazer! Haveria mais técnica, mas isso não importava agora. Ele queria que ela o explorasse livremente e queria usufruir disso. E com o tempo ela iria aperfeiçoando o tempo e o modo. Só o facto de ser ela a fazer aquilo já era extraordinariamente excitante. O caminho que ela tinha atravessado desde kensington até aqui…Guiada, por ele!

"O que é que eu fiz com você?" Ele perguntou, com dificuldade em falar.

"Você sempre fez o seu melhor! E eu sou grata por isso." Foi a resposta dela.

Ele queria ter feito o melhor por ela, de facto. Em tudo. Se ela o confirmava, ele só podia acreditar nisso. Mas as consequências do que eles estavam a fazer ainda estavam por vir. E quando elas chegassem ele não sabia se, olhando para trás, julgaria ter feito o melhor por ela. Se isto custasse o trono dela, para ele era a pior coisa que poderia acontecer. Mas agora, neste momento, tudo isso era distante e só importava o que ele sentia aqui e agora. E não havia forma de parar isto!

Ela apoiou as mãos no colchão, uma de cada lado das ancas dele, e movimentou a cabeça mais rapidamente para cima e para baixo, engolindo e revelando, alternadamente, aquele rolo de carne em excitação plena. Embora ela preferisse senti-lo encaixado entre as pernas dela, acima de todas as coisas, possíveis e inimagináveis, terrenas e divinas, manuseá-lo desta forma era uma atividade muito prazerosa.

O cabelo dela caiu para a frente e dele deixou de ver o que ela estava a fazer.

Com as duas mãos ele levantou o cabelo dela para cima e segurou-o na parte superior da cabeça dela para poder vê-la a trabalhar sobre ele. Se ela se sentasse em cima dele seria ótimo, mas dessa forma ele não poderia controlar aquilo…Por medo das consequências, ele não ousava pedir-lhe que ela fizesse isso.

"Um pouco mais devagar…" Ele pediu.

Ela reduziu o entusiasmo.

"Isso, isso…Na ponta…" Ele indicou.

Ela sugou. Mas depois…Ela englobou a totalidade.

Ele sucumbiu ao prazer!

Agarrando a cabeça dela, as ancas dele moveram-se de encontro a ela e ele gemeu fortemente e exclamou:

"Oh, Victoria!"

Victoria sentiu um esguicho na garganta e um sabor diferente que lhe invadia as papilas gustativas.

A reação espontânea foi retirar a boca.

Ele largou a cabeça dela, deixando que ela se afastasse.

Ela engoliu, para se libertar do fluído que tinha na boca e observou como, depois do membro dele sair da boca dela, mais alguns jatos foram expelidos, numa visão gloriosa para a qual ela só encontrava algum paralelo no repuxo do jardim.

Ela estava realizada! Depois do que ela própria tinha sentido, ela tinha feito aquilo para ele.

Victoria espalhou o corpo dela sobre o corpo de William e beijou-o na boca.

Ele agarrou a cabeça dela, desviando o cabelo dela, e retribuiu vorazmente. Depois ele rodou o corpo para ficar por cima dela, continuando sempre a beijá-la.

Ele agarrou-a e apalpou-a nas ancas, nas nádegas, nas coxas, nos seios…

Ele beijou o peito dela, os seios, a barriga e o meio das pernas dela.

Victoria ria deliciada desde festival de beijos e emoção.

Ele avançou, de novo sobre ela, e beijou-a, de novo, na boca.

Então, com a respiração ofegante, ele disse:

"Eu seria um tolo se eu me tivesse afastado de você! Eu nunca poderia desperdiçar você! Mas agora eu sou completamente louco ao permitir que nos tornássemos amantes."

"Agora nós somos "companheiros"! Como Elizabeth e Robert." Ela constatou.

"Nós somos, ma'am, nós somos…" Ele concordou, enquanto continuava a beijar todo o corpo dela e ela ria de uma felicidade imensa.

Era necessário voltar à realidade e Victoria preparou-se convenientemente para sair, animada pela perspetiva de que dentro de apenas algumas horas eles iriam tomar o pequeno almoço juntos.

Houve um beijo de despedida e a lá estava de novo a pobre Skerrett, à porta dos aposentos de Lord M, na hora marcada, para levar a sua rainha de volta em segurança para os aposentos dela.

Uma situação que deixava a camareira nervosa, por temer o pior, mas que ela tinha de superar pelo bem de todos.

Victoria já não estava nervosa agora. Ela estava satisfeita e sabia que Lord M também estava realizado.

Isto era aquilo que eles podiam ter mais parecido com um casamento. Viver na mesma casa e desfrutar um do outro às escondidas, durante algumas horas, na calada da noite.

E esta tinha sido uma espécie de noite de núpcias. Ou essa teria sido na noite em que ele a possuíra pela primeira vez na cama dela? Ou teria sido antes na primeira vez que eles tinham dormido juntos em Brocket Hall? De facto, embora não existisse um casamento parecia que existiam várias noites que podiam ser agradavelmente consideradas a primeira.

A duquesa de Kent, Leopold e Albert já estavam na sala do pequeno almoço. Victoria e Lord Melbourne ainda não tinham chegado.

A rainha entrou na sala e cumprimentou todos os presentes.

"Alguém viu Lord M?" Foi a pergunta imediata de Victoria.

"Não." Responderam todos.

Melbourne surgiu de imediato, entrando apressado.

Extraordinariamente, ele tinha adormecido. Isto nunca acontecia e ele estava furioso, mas ele não iria confessar esta falta que acontecera logo na primeira noite em Buckingham.

Ele dirigiu-se à rainha, não olhando para mais ninguém, ajoelhou-se e beijou-lhe a mão.

Victoria não pôde deixar de pensar nele ajoelhado aos pés dela, junto da cama, em excitação evidente, enquanto lhe calçava as meias. Pensar sobre isto na frente de Albert e do tio Leopold era divertido!

Quando ele se levantou ele disse:

"Bom dia, ma'am!"

"Bom dia, Lord M!" Ela exclamou entusiasticamente. E depois, sentindo um divertimento interior pela representação na frente dos demais, ela perguntou: "Você dormiu bem nesta sua nova morada?"

"Muito bem, ma'am! Como eu já não dormia há muito tempo." Ele respondeu com uma expressão de satisfação no rosto dele que só ela compreendia.

Depois ele virou-se e disse:

"Um bom dia para todos. Majestade, vossas altezas…" E depois, enquanto se virava de novo para a rainha ele acrescentou: "Peço desculpa se vos fiz esperar."

"Não, de todo Lord M! Eu tinha acabado de chegar." Victoria informou.

Leopold pensou que se ela tinha acabado chegar, ele, a irmã e o sobrinho já estavam ali havia algum tempo à espera. Mas era notório que Victoria não se incomodava com isso.

A rainha dirigiu-se para o topo da mesa e sentou-se.

Albert sentou-se à sua direita.

Lord M e Leopold caminharam ambos para a esquerda de Victoria. Eles eram dois e uma única cadeira ficava imediatamente à esquerda da rainha.

Percebendo o embaraço, Melbourne intentou sentar-se na cadeira seguinte, mais afastada, mas Victoria agiu de imediato dizendo:

"Lord M, sente-se aqui à minha esquerda, como de costume. O meu tio pode sentar-se à direita de Albert."

Leopold suspirou, mas não quis reconhecer que se sentia superado. Ele, um rei, preterido pelo Primeiro Ministro de Inglaterra. Ele deu a volta, passando pelas costas de Victoria, e sentou-se ao lado do sobrinho.

Ali estavam eles de novo naquela situação triangular. Victoria no meio, com o marido ao seu lado direito e o amante à esquerda.

Victoria comeu pouco. Ela não tinha fome e ela estava distraída. O pensamento vagava no que tinha acontecido durante a noite e a madrugada. Ela não conseguia tirar os olhos de Lord M. Ela gostaria de poder agarrar a mão dele sobre a mesa…

"Victoria! Você não está comendo nada." A voz a duquesa de kent soou na sala.

"Eu não tenho muita fome, mamã."

"Você já comeu alguma coisa hoje, nos seus aposentos antes de vir para aqui?" A duquesa perguntou.

Bem a única coisa que ela se lembrava de ter engolido era…Não, isso não devia matar-lhe a fome…

Victoria olhou para William e respondeu:

"Não, mamã."

"Então talvez isso seja um sinal de que algo está mudando no seu corpo…"

A duquesa sabia que era impossível que ela estivesse grávida, mas ela devia insistir naquele assunto e ela supunha que Lord M não sabia que o casamento não fora consumado. Então a observação era adequada.

"O que é que você quer dizer com isso?" Victoria perguntou.

"Que podemos ter um herdeiro a caminho."

Porque é que a mãe dela fazia aquela conversa? Porquê? Ela sabia que ela não poderia estar grávida. Victoria pensou. Mas, repentinamente, um outro pensamento atingiu o cérebro dela e ela sentiu um aperto no estômago. E se ela estivesse?

Victoria olhou para William. Eles precisavam de conversar. Mas não podia ser agora.

"Eu não acho que seja nada disso! Eu apenas não tenho fome." Victoria declarou.

No final do pequeno almoço, quando todos se levantaram da mesa, Victoria passou junto de Lord M e disse:

"Eu preciso de falar com você. Siga-me."

Ela encaminhou-se para a sala onde eles reuniam habitualmente e ele preparava-se para segui-la quando foi abordado por Leopold no corredor:

"Lord Melbourne!"

"Majestade." Disse ele virando-se para trás.

"Será que você me poderia conceder alguns minutos?" O rei perguntou.

"A rainha espera-me, mas se não for demorado…"

"O que que tenho para dizer é breve."

Melbourne fez um gesto afirmativo com a cabeça, incentivando o rei dos belgas a continuar.

"Você é muito dedicado à rainha, não é?" O rei perguntou.

"Tanto quando um súbdito fiel deve ser."

"Então talvez você devesse entender que a sua excessiva presença no palácio pode ser prejudicial …"

Melbourne movimentou a cabeça para esquerda mostrando que não estava a entender o que o rei dizia.

"Para tudo há um tempo Lord Melbourne. E você já teve o seu tempo de influência junto da rainha."

"Eu nunca influenciei Her Majesty!" Melbourne exclamou.

Ele não estava a gostar do caminho que estava conversa estava a tomar. Ele nunca a influenciara! Pelo menos não da forma que Leopold insinuava. Nunca intencionalmente e para seu próprio benefício.

Melbourne continuou:

"Eu apenas aconselho a rainha e garanto-lhe que por vezes fiz isso contra os interesses do meu partido e contra o meu próprio interesse…"

Se Leopold soubesse os sacrifícios que ele tinha feito por ela!

Ele finalizou:

"A rainha tem vontade própria e toma decisões sozinha, muitas delas contra aquilo que seria a minha vontade…"

Essas decisões dela incluíam as que levavam a que nos últimos tempos, frequentemente, eles se encontrassem numa cama.

"Lord Melbourne é de outro tempo." Disse Leopold. E depois, para criar um certo companheirismo entre ambos, ele acrescentou: "Como eu." O rei continuou: "Um tempo que é passado. A rainha é jovem e deve olhar para o futuro ao lado do marido, que é jovem como ela e tem ideias novas. Albert deve ser o conselheiro de Victoria agora."

"Que eu saiba, eu ainda sou o Primeiro-Ministro. Eu ainda tenho uma palavra a dizer nos negócios do reino…"

"Claro! Mas você não deve fazer isso em demasia. Viver no palácio só aumenta o tempo de convivência com a rainha e isso pode fazer com que você talvez acabe por aconselhar demasiado…É natural que você e Albert tenham visões diferentes sobre o mesmos assuntos. Vocês são de gerações tão diferentes…Não queremos que a rainha, em algum momento, possa estar indecisa entre você e o marido dela…"

Se o rei soubesse como ela estava dividida entre ambos. E não era dividida entre as opiniões de ambos, era dividida entre ambos os homens, como mulher. Aliás, ela era dele e não do marido.

"Isso não vai acontecer. Eu sempre lembro a Sua Majestade a necessidade de agir em concordância com o Príncipe." Melbourne assegurou.

O que ele poderia dizer? E isso até era verdade. Pelo menos, ele dizia-lhe que ela deveria fabricar um herdeiro, com Albert, como o Príncipe desejava. Leopold não sabia o que ele já empurrara Victoria para fazer com Príncipe. À custa do seu próprio sacrifício.

"Eu acho que você devia abreviar a sua estadia aqui. Para não perturbar a vida familiar da rainha." Leopold insistiu. E depois ele acrescentou: "Com certeza a vossa condição permiti-vos encontrar outras alternativas de alojamento sem ser no palácio. Até mesmo em casa da vossa irmã…"

O homem podia ser tão desagradável. Ele estava a colocá-lo na rua. A expulsá-lo de uma casa que nem era dele! Mas Melbourne não se deixaria superar por um rei medíocre. Ele respondeu:

"Eu sou um convidado da rainha. Eu não sou daqueles parasitas que se alojam no palácio sem ser convidados e que comem às custas do parlamento inglês. E eu nunca sairia daqui em breve, dando essa desilusão a Her Majesty."

Leopold entendeu perfeitamente a indireta, mas ele não iria reconhecer isso, claro.

Melbourne não esperou uma reação do rei. Ele encerrou o assunto dizendo:

"Agora se me dá licença. A rainha espera-me."

E, de imediato, ele virou as costas a Leopold e começou a caminhar no corredor.

Leopold pensou que este político insolente não iria calá-lo! Então ele perguntou num tom de ameaça:

"Você nunca faria nada que pusesse em causa o trono de Inglaterra, pois não, Lord Melbourne?"

O estômago de Melbourne caiu. Isso era, precisamente, o que ele andava a fazer. Mas ele não podia vacilar agora ou ele e Victoria estariam perdidos.

William virou-se no corredor para encarar, de novo, o rei, e, mostrando-se ofendido pela questão, ele perguntou:

"O que Vossa Majestade está a insinuar?"

Confrontado desta forma, Leopold tinha de disfarçar, ele não podia avançar para além disto nesta conversa. O terreno tornava-se perigoso. O rei disse:

"Nada…Eu não estou a insinuar nada…Eu só não quero que o reinado e o casamento da minha sobrinha sejam perturbados por elementos externos. Bem-intencionados, com certeza. Mas que podem…inadvertidamente…tornar-se um obstáculo…"

O tom da conversa de Leopold mudava, agora, e vinha a bajulação.

"Tenha um bom dia!" Melbourne exclamou num tom de desprezo e virou as costas de novo para caminhar para os aposentos da rainha.

"O que aconteceu?" Victoria perguntou quando o viu entrar. A demora em chegar até ali e a tensão percetível na mandibula dele deixavam que ela adivinhasse que algo se passara.

"O seu tio…" Disse ele, olhando para o chão e com percetível desagrado na voz.

"O que é que ele fez?"

William suspirou, tentando acalmar-se, e olhou para Victoria dizendo:

"Ele acha que eu não devia viver no palácio."

"Quem é ele para considerar tal coisa? Como é que ele se atreve?" Victoria perguntou indignada.

"Você sabe que muitas pessoas sempre acharam que eu era uma má influência junto de você. O seu tio é uma dessas pessoas. Ele acha que eu devia minimizar a minha presença, pois agora o seu conselheiro deve ser o seu marido. Ele teme que você fique…" William hesitou, mas depois ele terminou a ideia: "Dividida entre o príncipe e eu."

"Dividida como? Você acha que ele suspeita de nós?" Ela perguntou preocupada.

"Ele fala apenas em termos de ideias, de escolhas, de seguir a opinião de um ou do outro…Mas…"

"Mas o quê, William?" Ela insistiu.

"Ele desconfia. Ele desconfia desde sempre. Ele chegou a falar comigo antes do seu casamento com Albert…Ele disse que percebia a forma como você olhava para mim…"

"Oh, meu Deus!" Ela exclamou. E depois o cérebro dela relembrou uma conversa antiga com o tio Leopold e ela disse: "Sim…É verdade…Ele também falou comigo e disse que eu não poderia considerar você mais do que o meu Primeiro-Ministro."

"E eu acredito que ele sabe que você não consumou o casamento. Ele deve questionar-se se a verdadeira razão que impede isso é a desculpa que você deu ao Príncipe. E agora ele vê-me a viver no palácio. Quando eu devia afastar-me eu estou cada vez mais perto e ele deve achar que você está em perigo. Bem como o casamento de Albert e o desejo dele de que vós dois produzam um herdeiro para trono de Inglaterra." William explicou.

"Nós temos de ter cuidado." Disse Victoria. E depois ela considerou: "Eu não posso ter o meu tio a viver no palácio. Ele é um espião dentro da minha própria casa. Ele tem de sair daqui."

"Não sei como é que você conseguirá isso. Você não pode simplesmente expulsá-lo…"

Victoria suspirou indignada.

Houve um silêncio entre ambos e depois, cautelosamente, ele disse:

"Victoria…Você tem de ficar grávida em breve."

Os olhos dela expandiram olhando para ele. Aquilo era o pior sacrifício que ela teria de fazer como rainha.

"Isso irá apaziguar as coisas, camuflar as desconfianças, trazer a sensação de desejo realizado para o seu tio, para o Príncipe, para o parlamento e para o povo." Ele explicou.

Agora ele fazia com que ela se lembrasse de novo da conversa da mãe durante o pequeno almoço e do que ela queria falar com ele. Victoria perguntou:

"E se eu já estiver grávida de você?"

"O quê?" Ele perguntou surpreendido.

"A minha mãe disse durante o pequeno almoço que eu poderia estar à espera de uma criança…Eu fiquei preocupada."

"Victoria, além de eu esperar ter conseguido fazer as coisas a tempo…para evitar…uma impregnação…o que nós fazemos que permite produzir um bebé não acontece entre nós há tempo suficiente para que já existam sintomas."

"Oh…"

Ela era ignorante nessas matérias. Ela não sabia nada disso. Eles tinham feito aquilo pela primeira vez havia poucos dias atrás, mas ela não sabia se uma possível gravidez se poderia manifestar de imediato.

"Uma gravidez só se manifesta algum tempo depois." Ele adicionou.

"Compreendo."

Felizmente ele nunca ridicularizava o desconhecimento dela.

"Agora eu tenho de ir. A Casa espera-me…" Ele disse, abrindo os braços.

Ela aproximou-se dele e envolveu os braços à volta da cintura de William.

Ele envolveu as costas dela.

"Você virá almoçar comigo?" Ela perguntou.

"Isso não será possível hoje, mas eu estarei aqui para jantar."

"Eu vou ter saudades suas."

Ele fechou os olhos e sorriu sobre a cabeça dela. Depois ele beijou o cabelo de Victoria e disse olhando para ela:

"Eu também…

"Eu gostaria que agora, que nós vivemos juntos, nós estivéssemos em lua-de-mel." Disse ela.

"Hm…Para isso nós precisávamos de ter casado primeiro…"

"E isso não pode ser…eu sei…"

Alguns segundos depois ele soltou-a, mantendo apenas as mãos dela nas mãos dele e disse:

"Victoria, eu não sei como é que eu vou aguentar a presença do seu tio…"

"Por favor, William. Você não pode ir viver para outro local agora que nós temos uma desculpa tão boa para ficarmos juntos."

"Não. Eu não vou sair do palácio. Mas ele é muito desagradável…"

"Ignore-o! E você é sempre tão bom em diplomacia. Eu vou ter de arranjar uma forma de tirá-lo daqui…"

Então William advertiu:

"Você deve preparar-se Victoria. Um dia o que existe entre nós vai acabar mal. Eu sei que vai… Mas nós não temos alternativa. Todos os caminhos escolhidos teriam um fim desagradável."

"Não se eu puder ficar junto de você." Ela declarou.

Eles beijaram-se.

Isto era agora uma espécie de casamento, e isso era bom e estranho e deixava William feliz e angustiado ao mesmo tempo.

Isto era a melhor forma que ele tinha conseguido para estar junto dela, mas isto só fazia aumentar o perigo de ambos serem descobertos. Sobretudo, com Leopold no palácio. O rei era uma raposa velha enquanto Albert era apenas um pateta que pensava que era inteligente.

E ele não estava habituado a isto. A ter uma mulher a quem dar justificações. A despedida tinha-se parecido com uma cena familiar em que a esposa perguntava ao marido se ele iria almoçar em casa. Mas se isso lhe dava uma sensação de conforto parecia que lhe inviabilizava também um pouco a liberdade. Ele não estava a costumado a ter de avisar alguém sobre o local onde ele iria estar e quando e porquê… Ele tinha estado muitos anos sozinho.

Victoria tinha ultrapassado todos os compromissos oficiais fora do palácio nesse dia com uma distração constante que a impedia de ouvir muito do que as pessoas lhe diziam. Ela não conseguia parar de pensar nele e neles juntos na noite e na madrugada anteriores. E ela não podia deixar de imaginar o que poderia acontecer na noite que se aproximava.

William regressou ao palácio ao final do dia antes da hora do jantar.

Ele foi vê-la ainda antes da refeição.

Havia uma familiaridade nova, estranha e prazerosa entre eles agora. Uma familiaridade que devia ser disfarçada, mas que os aconchegava mutuamente e que era irresistível. Como ele poderia chegar ao palácio e não ir vê-la? Como ele poderia esperar para vê-la na sala de jantar?

Ela recebeu-o como uma esposa apaixonada e dedicada, abraçando-o e beijando-o.

Eles trocaram algumas palavras sobre os acontecimentos políticos do dia de ambos.

Então, Victoria disse:

"William, eu gostaria de receber a sua irmã para tomar chá comigo."

"A minha irmã? Porquê?" Ele perguntou.

Sinceramente, ele temia o resultado disso. Emily sempre acabava por dizer alguma coisa que ela não devia dizer.

"Eu gostaria de conhecê-la melhor. E ela é sua irmã…Eu gostaria de ter uma relação mais próxima com a irmã do…Eu não sei como eu devo chamar-vos…Eu não gosto da palavra amante aplicada no nosso caso…" Victoria explicou.

William achou interessante a busca de proximidade de Victoria com a irmã dele. Noutras circunstâncias a relação entre ambas poderia ser proveitosa e agradável. Se elas fossem cunhadas. Mas esta proximidade nestas circunstâncias podia ser perigosa. Emily não poderia descobrir o que existia entre eles.

"Victoria…Eu sinto-me feliz com esse seu interesse por estreitar relações com a minha irmã, mas você não pode deixar transparecer o que existe entre nós. Isso seria o caos." Ele alertou.

"Não, claro que não." Ela garantiu. "Mas você acha que se ela descobrisse ela iria denunciar-nos?"

Ele hesitou na resposta e depois disse:

"Não… Deliberadamente não. Mas, por vezes, ela é descuidada e acaba por dizer o que não queria. Além disso, ela iria repreender-me imensamente por esta situação e eu não quero ouvi-la."

Victoria sorriu ao imaginar William a ser repreendido pela irmã.

"Mas eu vou intermediar a marcação do vosso chá." Ele concordou.

"Obrigada." Ela agradeceu.

No entanto, Victoria tinha algo mais para comunicar a ele:

"William…Nós temos um problema para esta noite…"

"Um problema? O que é que aconteceu?" Ele perguntou preocupado. Leopold teria andado a fazer alguma coisa que os prejudicasse?

"As minhas regras apareceram ao final da tarde…Eu acho que nós não podemos…" Ela informou entristecida.

Ela tinha desejado tanto que a noite chegasse novamente e apenas algumas horas antes todos os planos dela tinham sido estragados.

Ele sorriu ligeiramente e envolveu a cintura dela.

"Oh, meu amor, isso não é totalmente mau. Isso significa que você não está grávida. E, além disso, nós temos de tomar cuidado por causa do seu tio. Nós não podemos dormir juntos todas as noites. Então, agora durante uns dias, isso não vai acontecer, mas depois nós podemos… compensar isso…"

Ela riu, agradada pela ideia. Ele conseguia sempre ver a parte positiva das coisas e conseguia sempre tirá-la da tristeza e das preocupações com uma nota de humor.

Ele beijou-a.