CAPÍTULO #27

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LOCAL: RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA ARGENT

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Dean e Sam Winchester se postam em frente à porta de entrada da casa dos Argent e tocam a campainha, surpreendendo Chris e Allison.

- Filha? SÃO OS WINCHESTER. Eles já estão DENTRO da propriedade.

- Sabíamos que viriam.

- Mas, imaginamos que abriríamos o portão e eles entrariam com o carro. Não que apareceriam já aqui dentro. Eles conseguiram entrar sem disparar os alarmes. Isso é preocupante. Se eles conseguiram, um lobisomem também pode conseguir.

Allison sabia que não era mais uma questão de discutir se era ou não possível. Já acontecera. Derek Hale invadira a propriedade na véspera e a surpreendera em seu quarto. Se quisesse, poderia facilmente tê-la matado. Omitira esse importante detalhe quando contara ao pai que falara com Derek e que este garantira que a recente morte e os desaparecimentos não foram atos de um ômega. Seu pai teria surtado se soubesse que o sistema de segurança da casa era ineficiente e que estavam altamente vulneráveis.

- Pai, se eles quisessem realmente nos surpreender não tocariam a campainha.

- Mesmo assim. É melhor tomarmos precauções. Há muito que eles não são os adolescentes que estiveram nesta casa com o pai. A vida fez deles assassinos. É melhor que você suba e tranque a porta do quarto. E que mantenha uma arma com você. Deixe que EU falo com eles.

- NÃO, PAI. Se agora as grandes decisões da família são responsabilidade minha, eu não posso tratada como uma garotinha indefesa.

A campainha toca mais uma vez.

Chris pega uma pistola calibre22 e a esconde nas costas; e entrega em silêncio uma faca de caça a Allison. Finalmente, abre a porta com o sorriso congelado no rosto.

- É uma grande sur .. presa ..

Foi realmente uma grande surpresa. Chris dá um passo atrás quando Dean, que estava em segundo plano, parcialmente encoberto pelo corpo do irmão, dá dois passos à frente e exibe um longo facão na mão direita e um pequeno travesseiro na mão esquerda, ambos gotejando sangue.

- Pensei que os Argent fossem os primeiros a saber que para garantir que um lobisomem permaneça morto o melhor a fazer é separar a cabeça do corpo.

Ao escutar aquilo, Allison passa pelo pai e, ao ver o travesseiro que pusera sob a cabeça de Scott para mantê-lo confortável empapado de sangue, desmaia.

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Foram quase dez minutos até Allison recuperar a consciência. A consciência foi retornando aos poucos. Primeiramente, a constatação que fora deitada no sofá da sala. Depois, a sensação de que estava sendo observada. Tinha os sentidos apurados, principalmente o olfato. Suor ácido, desodorante e loção de barbear baratos. Um homem, mas não o seu pai.

Então, a sensação de ser atropelada com violência por um trem desgovernado. A lembrança da visão daquele travesseiro pingando sangue. SCOTT. O homem ao seu lado era certamente um dos irmãos Winchester. Precisava estar pronta para qualquer coisa. A faca que seu pai lhe dera. Tentou senti-la. Não estava mais com ela. Mas, sempre mantinha uma lâmina escondida em sua bota. Se pudesse alcançá-la ..

- Está se sentindo melhor?

A pergunta fora feita num tom suave. Não havia naquele tom nada além de genuína preocupação.

Allison abre os olhos e se depara com Dean Winchester, que abre um amigável meio sorriso para ela.

Allison vira o corpo para que o caçador não visse o quanto ela estava fragilizada. Era uma Argent e não queria que ele a visse chorando. Não aquele homem. Não o ASSASSINO de Scott.

O homem não fez ou disse nada para apressá-la. Ele parecia estar respeitando o tempo que ela precisava para recuperar-se do choque. Mas, ele não ia esperar para sempre. Allison sabia que não podia ficar ali bancando a garotinha. Precisava recuperar a iniciativa. Sua vida e a de seu pai podiam depender disso.

- Meu pai?

- Ele e meu irmão foram até o bunker secreto que vocês mantêm no subsolo.

- O que vocês pensam em fazer com meu pai?

- Como assim? Não pretendemos fazer nada com seu pai. Até onde sei, estamos do mesmo lado. Somos aliados. Ou, não somos? Nossas famílias já lutaram juntas muitas vezes no passado.

- Porque o mataram? O Scott. Scott McCall, o lobisomem. Ele estava desacordado. Indefeso.

- Foi para protegê-lo que armaram essa farsa toda? Todo aquele show pirotécnico no shopping.

Allison se cala. Será que suspeitaram que era uma farsa e vieram cobrar explicações. Mentir sobre algo que já sabiam podia ser perigoso. Não podia se deixar enganar pela fala suave e pela beleza daquele homem. Ele era perigoso. Era um assassino.

- Ficamos sabendo que descobriram sobre Scott. Tive medo que não escutassem nossos argumentos. Achamos que iam caçá-lo e que não descansariam até matá-lo.

- ENTÃO É VERDADE QUE TUDO NÃO PASSOU DE UMA FARSA? É ISSO? QUERIAM ENGANAR A MIM E AO MEU IRMÃO PARA QUE NÃO MATÁSSEMOS SEU NAMORADINHO LOBISOMEM?

A voz do homem mudara completamente. Sua expressão também. O sorriso sumira. Suas feições endureceram. Parecia que até a tonalidade de verde de seus olhos mudara. O tom suave e preocupado fora substituído por um tom frio e ameaçador. Aquele homem sabia ser assustador quando queria.

Allison estava assustada. Mas, não podia deixar-se intimidar. Scott estava morto, não podia perder também seu pai.

- Dean, não é? A verdade é que .. achamos .. achei .. que não adiantaria argumentar que Scott nunca matou ninguém e que, pelo código de nossa família, ele não precisava ser morto.

- E quando ele perdesse o controle na lua cheia?

- Os membros do clã Hale sabem como manter o controle mesmo em noites de lua cheia. Eles se referem ao processo como ter uma âncora. Scott aprendeu como fazer isso.

- Está me dizendo que Scott McCall nunca matou? E quanto a Derek Hale?

- Derek matou minha mãe .. indiretamente. Ele a mordeu para salvar Scott. Minha mãe tentou matar Scott quando descobriu que estávamos .. nos conhecendo. Minha mãe acabou se suicidando, para não se transformar em um monstro. Não temos provas consistentes de que Derek já tenha matado mais alguém.

A voz de Allison falhou diversas vezes e Dean suavizou novamente a expressão e a voz.

- Entendo. Sinto muito pela sua mãe. Eu a conheci. Era uma mulher .. FORTE. As mortes recentes ..

- Derek esteve aqui ontem. Como vocês, ele passou pelo sistema de segurança da casa e me esperou no meu quarto. Falamos sobre a morte de mamãe. Ele apresentou seus argumentos. Foi uma conversa civilizada. Ele não me tocou e, em nenhum momento, foi agressivo. Não contei para meu pai. Ele teria surtado. Sabe como são os pais. Derek me disse que a responsável pelas mortes é uma rusalka.

- A estudante de intercâmbio russa. Irina Shaykhlislamova.

- Você já sabia?

- Venha comigo, Allison.

- O que vai fazer comigo? MATAR-ME COMO MATOU O SCOTT?

- Não vou fazer nada contra você. Não se preocupe quanto a isso. Não precisa ter medo. Eu e meu irmão não somos os assassinos frios que pensam que somos. Não matamos pessoas. Ao contrário, tudo o que fazemos é pensando em protegê-las. Venha. Quero mostrar algo a você.

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Allison precisou tomar coragem para entrar na cela reforçada onde Scott fora deixado sedado. Ela se aproxima hesitante e então corre e abraça o corpo inerte de Scott. No trajeto para o bunker, Allison repetira várias vezes para si mesma que não daria ao caçador a satisfação de vê-la chorar pelo namoradinho lobisomem. Mas, ali, abraçada a ele, não conseguiu controlar a emoção e chorou.

Chorou de alívio e de felicidade.

- O Scott .. ? Está VIVO. Vocês não o decapitaram, afinal.

- Toma. Eu trouxe essa almofada da sala. Pode colocar sob a cabeça de seu namoradinho lobisomem. Fique tranquila. Não vamos matá-lo. Vamos escutar o que vocês têm a nos dizer.

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LOCAL: DESCONHECIDO

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- Como eles estão?

- O Isaac ameaçou acordar. Não chegou a ser uma surpresa. Ele é muito mais resistente do que parece. A rapidez com que se pôs no controle em noites de lua cheia. E sem qualquer ajuda. Ele tem potencial para tornar-se um alfa. Mas, eu aumentei a dosagem e ele vai dormir como um bebê.

- Ele parece mesmo um bebê, ou, pelo menos, um menininho com esse cabelo cheio de cachinhos. Ele é tão bonitinho.

- Tão jovem e carregando tantos traumas. Se o Isaac não tivesse uma índole boa, se ele tivesse escolhido o caminho do ódio, estaríamos enfrentando agora um grande problema.

- E quanto à Erica?

- A dose que ela recebeu foi suficiente. Essa não acorda.

- Nosso amigo já não devia estar de volta? Será que ele teve algum problema?

- Tudo que sei é que já era para o Boyd estar aqui, em segurança. Essa demora está me deixando preocupado.

- Eu temo que o Boyd não resista à pressão e acabe explodindo. Eu conversei com ele. Claro que ele não me disse que foi torturado. Não explicitamente. Ele não sabe que eu sei que ele é um lobisomem e que sei da guerra entre os Hale e os Argent. Mas, ele não conseguiu disfarçar o quanto ele saiu traumatizado desta experiência. O Boyd sempre teve problemas de baixa estima. Isso mudou quando ele foi transformado. Ele passou a se sentir poderoso. Isso fez a autoestima dele alcançar as nuvens. Ficar indefeso na mão dos caçadores foi um golpe muito maior do que ele podia suportar. Acabou com o pouco que restava da confiança que ele tinha nas pessoas. Ele está muito revoltado. Está procurando um culpado por este momento que ele está atravessando. Tenho medo que ele faça uma besteira.

- E como o episódio afetou a Erica?

- Ela também ficou traumatizada. Impossível não ficar. Mas, a reação da Erica a problemas tende a ser a fuga. Não foi isso que ela estava tentando fazer antes de ser trazida para cá?

- Quanto tempo acha que os caçadores ficam na cidade com os lobisomens fora de cena? Acha que ficam até a lua cheia seguinte? Mais um mês inteiro?

- Difícil dizer. Você mesmo disse que são determinados.

- Mas, não os conheci pessoalmente. Foi você quem conversou com o mais novo. Clay Miller ou, se preferir, Samuel Winchester. O que achou dele?

- Não é o homem frio e brutal que eu imaginava. Foi gentil o tempo todo. Teve até momentos em que se mostrou fragilizado e, pelo menos, no discurso, preocupado em proteger pessoas inocentes de ameaças ocultas. Ele não falou em nenhum momento de ameaças sobrenaturais, mas sabemos que é dessas que estava falando. Não de organizações criminosas ou terroristas. Ele parecia sincero em tudo que dizia.

- E o que concluiu daí?

- Pode significar apenas que ele apresenta um grau de psicopatia ainda maior que imaginamos e que tenha plena consciência disso. Pessoas assim fingem o tempo todo sentimentos que não tem e que nunca tiveram. Um psicopata é como se fosse um homem sem alma.

- Dizem que corre sangue de demônio em suas veias.

- Sério? O que mais? Que Lucifer em pessoa fica buzinando coisas em seus ouvidos?

- Essa carinha .. Ah, não. Não me diga que ficou interessada por ele?

- Ele tem um charme incrível. Sei que ele é um homem perigoso. Sei bem o que ele é capaz de fazer. Mas, precisa entender as mulheres. Isso só faz com que muitas de nós o achem alguém ainda mais interessante.

- Tinha medo disso.

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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: AMIGOS E MONSTROS


COMENTÁRIO:

Os fãs podem respirar aliviados. Os lobisomens não foram mortos. Scott, Isaac e Erica estão vivos. Scott foi sequestrado pelos Argent. Como acabamos de ver, a adorável Srta. Marin Morrell está envolvida até o pescoço no sequestro de Isaac e Erica. Os detalhes, os motivos e os outros envolvidos nesta conspiração serão revelados em breve.


28.01.2014