Olá pessoal, foi mal por não ter postado ontem, estive o feriado todo fazendo os projetos da faculdade e nem tive muito tempo pra ficar no pc. Mas de qualquer maneira vamos ao que interessa. Esse capítulo é o primeiro especial que estou escrevendo, ele será em todo ponto de vista da Bella. Nele teremos um relato dela de o que aconteceu com Nessie durante os meses em que Jake esteve desaparecido. Medos e preocupações de uma mãe que por mais que ame sua filha não pode, ou melhor, não quer compreender as profundezas de sentimentos que ninguém consegue se quer supor. Espero que gostem porque mais a frente teremos mais capítulos como esse sob a ótica e outros personagens.

Um obrigada especial a Bia Duares, Larissa de Flaviani, Bia e Mainara PWM, pelo coments.

LEIAM, COMENTEM E RECOMENDEM!

27 Minha bebê linda (capítulo especial Bella)

Quando a melodia que ecoava do estúdio de bale terminou continuei sentada no degrau da escada de onde estava escutando Nessie tocar. Jake havia entrado a pouco no estúdio e embora estivesse absolutamente mudo Renesmee conversava com ele. Mais especificamente ela estava lhe contando como fora depois que ele partira. Ao ouvir de sua própria boca o quanto estava mal me fez sentir ainda mais miserável do que estava. Eu não me lembrava com absoluta exatidão de quando Edward me abandonara. As memorias eram turvas e nebulosas, mas com certeza isso era bem pior. Eu me sentia absolutamente impotente.

Aqueles dias de terror e incerteza nunca se apagariam de minha mente.

Eu Ouvia minha filha acordar toda noite chorando pelo amigo desaparecido. Aquilo me corroía viva, era como passar pela transformação outra vez, mas ainda dez vezes pior. E ainda não conseguia não estar também apavorada pela situação de meu melhor amigo. Por Deus onde aquele idiota irresponsável havia se metido? Eu me perguntava todo dia.

Sabíamos que o pior não tinha acontecido porque a matilha saberia se acontece e isso era um pouco confortador, mas mesmo assim havia muitas coisas igualmente terríveis pelas quais podia estar passando. E se elas se assemelhassem a 50% do que minha garotinha estivesse passando seria terrivelmente devastador. E pelo pouco que sabia sobre as impressões era que um lobo não podia viver longe da sua, então como podia Jacob estar vivendo sem Renesmee?

Deus só podia pedir pra que estivesse vivo e seguro onde quer que fosse e que voltasse tão rápido quando suas patas permitissem. Não sabia quanto mais minha garotinha podia suportar de sua ausência.

As palavras de Billy retumbavam em minha mente "Ele precisa de um tempo para se acalmar...". Era o bater constante de ondas em meu cérebro, e cada nova batida me deixava mais esgotada. Eu sabia o que aquelas palavras significavam. Jacob fugira porque não conseguia lidar com a ausência de Renesmee naquele lugar. Ter de ficar ali, em Forks onde tiveram tantos momentos felizes e importantes era castigo demais e saber que nada do que ele fizesse iria mudar aquela situação tornava impossível para ele permanecer ali.

Eu era absolutamente culpada por aquela situação. Concordava com Edward a respeito da mudança, mas a forma como fizemos fora injusta demais. Deveríamos tê-los dado mais tempo para se adaptarem a mudança. Edward pensava como eu quanto a isso, mas Jacob fugira tão rápido que nem nos dera tempo de convida-lo para passar uma temporada conosco. Tivemos que encontrar outros meios de fazer as coisas darem certo, o que não aconteceu.

O dia em que nos despedimos de Jake foi muito ruim. Renesmee chorou por toda a viagem e a noite, mas depois se acalmou devido a promessa de que em breve seu amigo estria vindo para uma visita. Só que isso não aconteceu. No dia seguinte quando ligamos em busca de noticia soubemos do pior. Jake entrara em um tipo estranho de coma depois de sofrer um surto fortíssimo. Carlisle se prontificou a ir ver como ele estava, mas os Quileutes disseram que não. Que Jake tinha que superar isso por conta própria quando estivesse pronto. Em palavras do Sam "Isso é o que acontece com um lobo imprinting quando tem sua prometida tirada dele, Jake tem que achar um ponto de equilíbrio e lidar com a dor a sua maneira." Aquilo foi um soco no estomago, quis muito arrancar a cabeça de Sam por isso, contudo ele devia entender melhor da situação do que eu.

Renesmee e eu ligávamos todos os dias em busca de noticias que eram sempre evasivas, isso quando eles atendiam. Quase duas semanas depois que partimos Renesmee estava quase arrancando os cabelos. Não comia nem dormia direito de preocupação sua insistência nos fez viajar até La Push em busca de respostas. No momento que vi o rosto cansado de Rachel e os olhos desolados de Billy esperei o pior. O pai de Jake e os outros rapazes ainda tentaram nos enrolar, mas Nessie estava determinada a arrancar a verdade deles.

Quando enfim Billy lhe contou o que aconteceu eu vi a cor abandonar o rosto de minha filha. Sua vida se esvair como água por entre os dedos. Estática e fria como um fantasma ela entrou no carro sem nem se despedir de ninguém. A viagem de volta foi absolutamente silenciosa e eu já imaginava que tudo se tornaria ainda pior a partir daquele momento, só não esperava que minha filha enlouquecesse. Edward a meu lado também não emitiu um único som ele parecia completamente atento a estrada, mas apertava o volante com tanta força que provavelmente logo sairia com ele nas mãos. Devia estar dentro da mente de nossa filha naquele momento.

Renesmee desceu do carro da mesma maneira mecânica que havia entrado nele e foi direto para seu quarto. Os outros Cullens tentaram lhe interrogar para saber o que estava acontecendo, mas não obtiveram resposta, nem nenhuma reação da parte dela. Um pânico gélido se apoderava de minha espinha ao vê-la daquele jeito. A vi subir as escadas e meu olhar se encontro com o de Jasper e congelei. Sua expressão era um reflexo perfeito do rosto de minha filha. Congelado e sem expressão. Ouvi o som da porta do quarto abrir e fechar e então em uma sincronia perfeita o grito mais horripilante que já ouvira ou ouviria em toda minha vida encheu o casa. O grito fino e agudo de Renesmee se somava ao grave e profundo de Jasper que era um complemento perfeito do dela, como um dueto de uma opera gótica. Tampei meus ouvidos em reflexo embora o som não pudesse ferir meus tímpanos ele rasgava meu peito.

Alice correu para socorrer o companheiro que agora jazia no meio da sala e se contorcia de dor. Ao vê-lo naquele estado deplorável me dei conta de que minha garotinha devia estar da mesma maneira e me lancei como um jato pela escada. Ao chegar em seu quarto detive-me por um segundo. Junto ao pequeno corpo de Renesmee que se contorcia estava Edward tentando conte-la. Eu não o vira desde que descera do carro nem quando subira para o quarto. Seu olhar era insano, como se estivessem enfiando agulhas em cada nervo de seu corpo e era compreensível o por que. Naquele momento tenebroso digno do Exorcista ele estava compartilhando a dor de nossa filha e de seu irmão. Fui até ele e o fiz solta-la.

_ Edward querido me ouça. Você tem que deixar Nessie não esta em condições de ajuda-la agora.

_ Não vou deixa-la sofrer! Rosnou ele tentando chegar até Nessie.

_ Carlisle! Emmett preciso de ajuda. Pedi.

Em menos de um segundo eles e Rosalie atravessaram a porta.

_ Emmett, tire Ed daqui. Pedi-lhe

_ Não me toque! Gritou Edward quando o irmão tentou pegar seu ombro.

_ Vamos Ed você não pode fazer nada agora. Disse Emmett forçando os braços em volta de Edward e o obrigando a deixar a casa.

Rosalie tentava segurar Nessie enquanto Carlisle a examinava.

_ Carlisle o que podemos fazer? Implorei-lhe.

Ele me ignorou enquanto continuava medindo os sinais vitais.

_ Carlisle?

_ Precisamos de Jasper, ele é o único que pode acalma-la, mas não esta em condições agora.

_ Então o que fazemos? Perguntou Rosalie que parecia apavorada.

_ Temos de tentar acalma-la de outra maneira. Injeções não penetram sua pele então vou ter que tentar forçar os medicamentos oralmente.

_ E isso dará certo? Quis saber ela.

_ Esperamos que sim.

Mas não daria. Só havia uma cura para ela. E ninguém sabia por onde ele andava.

Sai do quarto e fui correndo para a floresta seguindo o rastro de Jasper e Alice. Um paliativo era melhor do que nada. E era certo que os remédios de Carlisle não surtiam efeito sobre organismo vampiro, mesmo Nessie sendo apenas meio vampira era possível que não desse certo. Quando cheguei até o rio encontrei Alice sentada em uma pedra com a cabeça de Jasper em seu colo. Ao me encarar o olhar dela passou de compaixão a proteção.

_ Ele não esta em condições Bella. Sua voz era firme e afiada. Por mais que amasse Nessie Alice não arriscaria Jasper.

_ Nessie precisa dele Alice. Ela pode acabar se machucando ou... Não pude terminar a frase.

Alice tremeu. Ela também devia estar preocupada.

_ Nós dê alguns minutos Bella. Jasper precisa se controlar no estado em que está só traria mais problemas do que ajudaria.

_ Venham o mais rápido que puderem. Implorei.

Corri de volta até a mansão. Renesmee estava deitada imóvel no colo de Rosalie sobre sua cama uma quantidade estupida de calmantes e anestésico.

_ Só espero ter dado a dose certa. Disse Carlisle enquanto começava a colocar os medicamentos de volta em sua valise.

_ Você fez Carlisle, fez sim. _Confirmou Rose afagando o braço de Nessie_ Veja como está relaxada agora. E o coração esta normal. Só temos que vigiar para quando for hora de dar mais remédio.

_ Sim você esta certa. Vou para laboratório testar novas formulas para quando ela precisar. Ele se levantou e antes de sair apertou meu ombro em sinal de força e fé e partiu.

Caminhei até a cama e me sentei ao lado de Rose. Ela engoliu com força e me olhou com pesar.

_ Se aquele cachorro não voltar logo eu mesma vou mata-lo. E dizendo isso deu um beijo na testa de Nessie e me passou ela.

_ Vou ver se Emmett precisa de ajuda com Edward.

O comentário fez meu peito se apertar mais. Edward também estava sofrendo muito com tudo aquilo, mas Nessie era minha prioridade. Diferente de meu marido, minha filhinha podia morrer se seu pequeno coração não aguentasse com tudo aquilo.

Aninhei Renesmee em meus braços e a trouxe para perto de meu coração. Não era justo que alguém tão jovem estivesse sofrendo tanto. Eu desejava desesperadamente poder tirar-lhe toda a dor e para-la para mim. Aceitaria o fardo com prazer se pudesse garantir a felicidade, ou pelo menos a sanidade de minha filinha. Meu bebê lindo. Cada dia maior, cada dia mais inteligente. Cada dia menos inocente... Ninguém devia sofrer de coração partido, muito mais uma criança tão boa e amada quanto Renesmee. Ela era a criatura mais perfeita e encantadora que havia no mundo, mesmo hoje mais de um ano de nascida ainda não acreditava que nascera de mim.

Eu nunca fora muito de orar e durante os últimos meses quando o fazia era apenas para agradecer um por meu milagre concedido. Daquele momento eu implorava a Deus ou a qualquer entidade onipotente que houvesse que salvasse minha menina. Que tivesse clemencia por tão jovem e frágil criatura. Que a permitisse crescer em paz e ter uma vida feliz. Eu rezava com tanta força e afinco que minha cabeça doía, mas não parei. Repetia o pedido silencioso e desesperado continuamente esperando que alguém lá em cima me escutasse e curasse meu bebê.

Fiquei embalando Renesmee por um tempo incontável. Carlisle veio administrou mais tranquilizante saiu, Rosalie e Esme vieram para ver como ela estava e foram embora. Estava refazendo os cachinhos dela com meus dedos quando a porta se abriu novamente e o cheiro de mel, sol e lilases invadiu o quarto.

_ Você esta melhor? Perguntei a Edward que dava passos inseguros até a cama.

_ Por agora._ Respondeu._ Como ela está?

_ Sobe controle. Carlisle tem administrado remédios para ela dormir, mas não temos ideias de quanto tempo eles vão durar e o que vai acontecer se pararmos de dar a ela. Eu me sentia esgotada ao faze-lhe o relatório dos últimos acontecimentos. Mas Edward que acabara de sentar ao na ponta da cama também parecia com a vitima de um naufrágio.

_ Ela vai ficar bem. Afirmou ele com falsa certeza.

_ Não vai não. Disse-lhe olhando com atenção o rostinho de porcelana de minha filha. Por hora estava relaxado e tranquilo, mas em algum momento estaria novamente marcado por uma careta de dor.

_ Ela é forte logo vai conseguir lidar com isso. Tentando ser positivo.

_ Ela é só um bebê Edward, não sabe como lidar com o que esta sentindo.

_ Vamos dar um jeito Bella, além do que Jacob não vai conseguir ficar longe por muito tempo ele só esta sendo cabeça dura como sempre... Ele parou ao ver meu olhar enfurecido. Como podia tratar com tanta banalidade de um assunto tão serio? Por Deus ele literalmente sentira na pele a poucas horas o que se passava com Resesmee e agora estava fazendo pouco caso?

_ Como pode fazer disso nada? Perguntei lhe perturbada.

Ele me encarou surpreso pelo aumento do meu tom de tom.

_ Não estava Bella. Sei que isso é serio, mas...

_ Mas o que Edward?

_ Não posso me permitir ver essa condição como permanente. Não posso conceber que minha filha passe séculos na escuridão da dor como eu passei. Simplesmente é inconcebível pra mim. Ao final do relato pude perceber que a dor não tinha passado coisa nenhuma, ele estava apenas a contendo e ele era muito bom nisso.

_ Não faz ideia do que vi em sua mente... Do que senti... Nem a queimação da transformação se aproximou daquilo. Foi..._ ele parou enquanto parecia avaliar se as palavras estavam certas. _ Foi como quando achei que estava morta. _Sua voz falhou no final ao trazes de volta a lembrança dolorosa._ Uma dor que nunca imaginei sentir outra vez.

Sam estava certo não devíamos ter subestimando o poder do imprinting. Mas não se esperava que o objeto do imprinting tivesse uma reação tão extrema, quer dizer as ações de Jake apesar de exageradas podiam ser compreendidas, mas as de Renesmee...

_ Não está certo... Pensei em voz alta.

_ Não, não está. _Respondeu Edward._ Mas Renesmee não é humana, ela não sente como eles, ela sente como nós.

As palavras de Edward me atingiram como uma bomba nuclear. As percepções de um vampiro era 100 vezes maiores do que as de um humano em tudo, inclusive nos sentimentos. Raiva, vingança, amizade, amor, dor... Eram todas amplificadas ao máximo do possível. Mas vampiros não podiam morrer de depressão, eles eram potencialmente indestrutíveis e imortais. Renesmee não era 100% vampira, havia uma parte humana nela que a tornava mais frágil que nós, que a tornava mortal... Ela amava Jacob com toda a intensidade que suas características vampiras a permitiam e mais porque era seu imprinting, o que por si só faz de seu amor maior do que um simples carinho. Era quase certo para mim que apesar dela não ter essa noção ela já tivesse Jacob como seu parceiro. Pelo menos em questão da profundidade de sentimentos. E para os vampiros esse era o laço mais forte que havia, capaz de insufla-los a vingança. Contudo ela era também parte humana, o que a fazia ser vulnerável a potencialidade desse amor.

Aquilo que a fazia a melhor de nós, sua incrível capacidade de amar a todos de forma tão pura e única, também era o que a estava destruindo naquele momento. Amaldiçoei o imprinting que lhe salvara a vida no passado e ao próprio Jacob, por sua atitude irresponsável. Amaldiçoei a tudo e todos por fazerem meu bebê sofrer daquela maneira.

A mantivemos sedada por quase dois dias, foi o tempo necessário para Jasper se recuperar e voltar para casa. Uma vez com ele aqui esperamos os remédios perderem o efeito para ver o que aconteceria. Renesmee acordou com um grito de dor que Jasper tratou de abrandar, mas mesmo com seus esforços ele apenas pode fazer daquilo suportável para ela. A mantinha estável e consciente na maior parte do tempo, mas não mais viva. Ela era um zumbi no corpo de um anjo.

Durante dias ficou apenas na cama entre dormir e acorda em meio a pesadelos. Recusava-se a comer ou a caçar. Jasper já poderia ser considerado parte da decoração do quarto, uma vez que praticamente não saia de lá, até sua presença começar a irrita-la. Ela podia sentir dele não apenas a calma, mas a sua própria dor, provavelmente um efeito colateral de ele estar tanto tempo com ela no processo de transmitir paz. Mas algumas coisas passaram, como pena, preocupação e inclusive o que ele tirava dela. Sua dor. A partir daquele momento ele tinha de fazer seu trabalho de qualquer outra parte da casa. A principio achava que ele escolia lugares como a biblioteca ou até mesmo a varanda para se afastar dela, porque evidentemente não estava sendo fácil pra ele também. Edward me confidenciou que não era que ele estivesse fugindo da dor dela, mas sim porque não estava conseguindo lidar com sua incompetência em tratar dela. Ele se sentia falhando a cada dia em que não conseguia alcançar nenhum nível de progresso.

Depois de um tempo de inquieta angustia, um dia sem o menor aviso Renesmee desceu as escadas dizendo que estava com fome. Até lá só conseguíamos que comesse quando já estava praticamente passando mal pela falta de alimento, e quase sempre apenas com sangue. Mas naquele dia ela foi por vontade própria até a bancada da cozinha onde Edward lhe fez uma grande porção de ovos mexidos. Comendo tudo sem reclamar quando terminou disse que queria caçar. Fiquei muito satisfeita com seu pedido e a levei eu mesma. Porem quando voltamos para casa ela ainda tinha a mesma expressão vazia e cansada do rosto que estava apenas levemente mais corado devido ao sangue fresco.

Ela foi até o piano e começou a tocar, esperava que fosse um bom sinal, mas a musica que foi produzida não tinha nada de feliz nem era familiar para mim. Não era nenhuma das composições de Edward ou as musicas que ela costumava tocar, era algo novo. Triste, melancólico e com uma frágil esperança. Era sua composição, não tinha ideia de quando ela a criara, mas suspeitava de que fora depois da partida de Jacob, e pela falta de uma partitura imaginei que ela estivesse criando-a naquele momento. Tirando aquela obra trágica de sua própria cabeça.

Era a mesma musica que ela tocara para Jacob a pouco no estúdio de balé. A música que tocara com tanto afinco durante dias afim ao ponto de seus dedos sangrarem e termos que força-la a parar. Edward dissera que estava tendo dificuldade para ler seus pensamentos ,que ela o estava bloqueando, mas que do pouco que captava descobrira que aquela triste sinfonia era uma convocação. Ela chamava Jacob através de sua música. Contudo ele não veio. Porem mesmo assim ela não parou de tocar. Era como se manter-se tocando fosse a única forma de não entrar naquele terrível estado de torpor depressível que estivera.

Todos tentávamos ter ideias de como distrai-la. Em um dia em que saíra com Esme para fazer compras eu avistara um pequeno parquinho do outro lado da rua. Havia árvores, brinquedos e crianças correndo. Imaginei Renesmee ali entre aquelas crianças rindo e se divertindo como elas. Era desse jeito que devia estar sendo sua infância, e não enfurnada em casa tocando piano o dia todo até causar ferimentos de repetição.

Desse inocente pensamento surgiu uma ideia arriscada, que se tornou uma quase tragédia. No dia seguinte forcei Resnemee a me acompanhar até o mercado. Quando estávamos indo embora eu lhe indicara o parquinho como quem não quer nada só pra ver como reagia. Ela não expressou qualquer interesse, mas a levei até lá de qualquer maneira. Estava decidida de que daria certo, quando ela visse todas aquelas crianças alegres brincando se motivaria a se juntar a elas. E sabia que todas as crianças a adorariam ela era irresistível para todos.

Descemos do carro e eu me sentei no bando como as outras mães faziam, mas me certifiquei de estar longe das outras.

_ Vá brincar no escorrega. Sugeri.

_ Quero ir pra casa. Ela disse com a voz morta.

_ Ora que isso querida, você sempre quis vir a um parque como esse pra poder brincar com outras crianças. Agora é sua chance, vamos aproveite.

Ela passou o olhar pelo parque, pelas crianças e pelos brinquedos. Não havia nenhuma animação nela quanto a qualquer coisa que visse.

_ Não quero ficar aqui. Respondeu parecendo cansada.

_ Filha dê uma chance. Brinque um pouco, por mim. Pedi me sentindo desgraçada por jogar tão sujo com ela.

Com um suspiro de desanimo ela aceitou e foi até o escorrega. Subiu as escadas devagar dentro de sua personagem humana, sentou e escorregou. Continuou a repetir o processo. Sem que me desse conta as cinco ou seis crianças de tornaram dez. O parque estava enchendo. Duas mães com carrinhos de bebê encaminhavam-se para o banco ao lado do meu, quando se deram conta de minha presença deram um passo para trás e pereceram consideram se aquele lugar era segurou ou não. Eu as ignorei e isso bastou para elas se sentirem seguras para sentarem no lugar que haviam escolhido.

As mulheres conversavam sobre o estresse de se ter um bebê pequeno em casa, dos inchaços pôs parto e da ausência dos maridos quando tanto no cuidado com as crianças quanto na cama. Elas continuaram falando como matracas e as ignorei por um tempo até sentir seus olhos em mim novamente. Com a visão periférica vi que me encaravam com desgosto e inveja.

_ Ela com certeza não deve ter problemas quanto a isso. Afirmou a loura com cabelo mal tingido.

_ Você esta certa. Olha só como é magra. Retrucou uma morena com o cabelo levemente bagunçado e com uma fralda suja de vomito no ombro.

_ Deve ser uma daquelas modelos casadas com milionários que tem que cuidar do enteado porque o papai está muito ocupado. Destilou veneno a loura falsa.

_ É com certeza. Disse a morena puxa saco.

Trinquei os dentes de raiva. Como aquelas mulheres podiam me julgar de maneira tão mesquinha? Eu não fizera nada para elas, mas nem por isso deixaram de falar suposições grosseiras sobre mim. Parte de mi queria mandar o alto controle para longe e rasgar o pescoço fino daquelas duas galinhas. Mas minha parte racional se fez presente me lembrando de que eu estava em um parque municipal durante o dia e ele estava cheio de criança, inclusive a minha.

Ao lembrar-me de Renesmee passei meus olhos pelo lugar a procurando. Não demorei mais de um segundo para acha-la. Ainda estava no escorrega, mas havia sido interceptada por um menino. Ele era louro e devia ter o mesmo tamanho dela, usava um jeans que estava sujo nos joelhos e uma camisa do Bem 10. Prestei atenção no que falavam.

_ Não vai falar seu nome? Perguntou ele visivelmente irritado. Provavelmente já tinha perguntado mais vezes e ela se mantivera calada.

_ Você é surda? Falou quase gritando.

Ela ficou calada.

_ Não sabe falar?

Ela mexeu a cabeça.

_ Então porque não fala?

Ela o encarou como se considerasse se devia ou não enfim falar com ele, mas acabou decidindo por responder.

_ Não devo falar com estranhos.

Os olhos do menino piscaram encantados. O som a voz dela com certeza o havia fascinado, assim como a mim sempre que ela respondia um simples SIM, ou NÃO.

_ Eu sou Tommy. Disse esticando a mãozinha gordinha para ela.

Ela me olhou esperando que eu desse permissão. Indiquei que o fizesse e ela pegou a mão que ele estendia e a moveu.

_ Renesmee.

_ O que? Perguntou ele confuso.

_ Re...Nessie. Meu nome é Nessie.

Ele sorriu para ela ainda maravilhado.

_ Vem vamos brincar de escalar. Chamou ele puxando sua mão, mas ela não se moveu.

_ Não, minha mãe me mandou ficar aqui. Disse com a voz sem animo.

_ Mas sua mãe pode te ver de lá. Vem vamos antes que esteja cheio. Insistiu ele.

Ela não moveu um musculo exceto o braço que ele puxava. Ao ver que ela não se mexia ele puxou com mais força. Estava prestes a interceder quando ele deu um puxão com muita força e caiu no chão ralando os cotovelos. Renesmee pôs as mãos contra o nariz imediatamente. O cheiro de sangue humano fresco e jovem queimou em minha garganta.

Uma mulher que estava a uns dois bancos a esquerda do meu se levantou e correu até ele. Correndo o mais rápido aceitável para uma mulher humana fui até eles. Peguei Renesmee rapidamente nos braços a segurando com força para ter certeza de que ela não faria nada.

_ Você devia mandar sua filha pedir desculpas. Disse a mulher que deveria ser mãe de Tommy.

Mas já não estávamos mais lá. Enquanto ela se ocupava com o filho corri com Renesmee até o carro e acelerei ao máximo.

_ Desculpe. Ela disse parecendo terrivelmente culpada.

_ Você não fez nada querida ele apenas caiu. Falei tentando acalma-la.

_ Eu sempre estrago tudo. Sussurrou antes de esconder o rosto nas mãos e começar a chorar em silencio.

Nada do que eu tenha lhe dito durante todo o caminho de volta e durante a noite inteira, lhe fez tirar tal ideia da cabeça. Ao chegarmos em casa Renesmee se sentou no piano e recomeçou sua apresentação fantasmagórica sem fim. Eu tinha estragado tudo, e agora tínhamos voltado a estaca zero.

Depois de inúmeras tentativas frustradas de cada um de nós de distrai-la com alguma coisa além daquela musica mórbida tivemos uma luz. Renesmee estava almoçando na cozinha comigo e com Edward e Alice colocara para tocar "O Lagos dos Cisnes" de Tchaikovsky em um dos nossos únicos momentos de silencio. Já estava pronta para pedir-lhe para desligar aquela coisa quando reparei nos pés de Renesmee. Eles se balançavam pendurados na cadeira ao ritmo da musica. Olhei para Edward surpresa e ele sorriu parecendo satisfeito. Uma pequena chama havia sido acessa.

Alice entrou na cozinha dançando como uma bailarina de verdade, deu uma pequena pirueta e parou na frente dela fazendo uma pequena reverencia no momento exato em que a musica acabou. Renesmee aplaudiu a tia e pela primeira vez em meses parecia empolgada com alguma coisa. Ao começar outra musica Alice a pegou pela mão e a conduziu até a sala onde começou a lhe ensinar os paços de bale. Ali começava uma nova era na vida de minha filha, e também uma nova obsessão.

A sala de musica foi transformada em estúdio de bale temporário até terminarmos de construir um. Esme trabalhou na velocidade da luz para fazer do sótão um estúdio de balé digno do Royal Ballet de Londres. Ficou sem duvida divino, e Emmett trabalhou duro para fazer um sistema de som perfeito para realçar a acústica do lugar. Depois de pronto o estúdio se tornou o lugar favorito de Renesmee. Não saia de lá para nada. Se antes ela estava ausente agora, se não fosse pela musica que ouvíamos, o som leve de passos e de seu coração acelerado acharíamos que não estava mais conosco.

Ela ficava naquele estúdio até cair de exaustão, varias vezes a peguei dormindo no chão. Suas sapatilhas tinham que ser trocadas a cada dia porque ela abria buracos nas solas. As feridas nos dedos foram substituídas pelas dos pés. Calos e bolhas surgiram, e não pelos sapatos apertados mais pelos movimentos repetitivos. Carlisle detectou sinais de TOC e hiperatividade. Ambos que embora tivessem alguns tratamentos não surtiriam efeito no organismo hibrido de Renesmee.

Já estava começando a me ocupar de buscar uma nova obsessão para minha filha para quando esta se tornasse demasiada destrutiva quando o telefone tocou. Quase ninguém ligava para nós, apenas Charlie, Renée e Billy de tempo em tempo em busca de noticias. Mas a voz grave e rouca que falou não era de nenhum deles.

"Oi Alice é o Jake." Disse ele. Senti meu coração morto dar um solavanco. Em uma lufada de ar Renesmee estava tirando o telefone de Alice. "Jake?" Perguntou minha filha com suspeita e esperança. Eles começaram a conversar e eu a agradecer a Deus por ele ter voltado são e salvo.

Quando passara a Ação de Graças e não tivemos noticias uma nova onda de preocupação se instaurou entre nós, mas quando Jake não apareceu para o Natal Renesmee caiu em uma nova depressão. Ele nunca perderia um Natal com ela. Foi uma noite péssima.

Alice preparar uma festa encantadora e montara uma programação para manter Renesmee ocupada o dia inteiro. Elas ensaiaram pela manhã, depois teve guerra de neve em família, decorar biscoitos com Esme, maratona de filmes e especiais velhos de Natal na tv com Emmett e Jasper e depois as ceia uma pequena apresentação no piano com Edward. Charlie, que viera passar as festas conosco ficara encantado e surpreendentemente confortável apesar da ausência de Sue que ficara em La Push para passar as festas com os filhos.

Aparentemente Leah se recusava a vir apesar de termos a convidado e Sue não queria deixar a filha na noite de Natal, o que era compreensível. Eu pessoalmente estava muito satisfeita com isso, mesmo tendo deixado para trás o que Leah fizera a Renesmee preferiria limitar sua presença ao máximo possível, uma pena contudo era não ter Sue e Seth para o Natal deste ano.

Depois abrirmos os presentes e Renesmee desfilar com sua nova coleção de sapatilhas exclusivas da Chanel, dadas obviamente por Alice. Empolgada pelo dia feliz que tinha tido e cheia de esperanças ela pegou o telefone e ligou para a casa dos Black. Eu esperava poder adiar aquele telefonema para pelo menos até a manhã, Charlie já havia me dito que até aquela manhã quando deixara Forks ninguém tivera noticias de Jacob. E essa noticia acabaria com a boa noite que minha filha estava tendo.

Como esperado depois de Billy ter lhe passado a informação ela desligou o telefone, se despediu de todos e foi para o quarto. Nenhum dia seria realmente bom até que Jacob voltasse, ou pelo menos tivéssemos noticias suas. Os pesadelos e gritos voltaram até seu telefonema.

Quando Renesmee se despediu de Jacob corri e peguei o telefone.

_Jake você ainda tá aí? Perguntei. Apesar de ter ouvido toda a conversa entre ele e Renesmee, também tinha coisas a dizer para meu amigo.

_ Oi Bells. Sua voz era cansada e resignada, ele não queria falar comigo. Não podia culpa-lo por ter raiva de mim, esperava por isso.

_ Ah graças a Deus que está bem! Você esta bem não? Por Deus que ele estivesse bem, pedi.

_ Melhor agora... Estava sendo evasivo.

_ Ah me perdoe Jake essa mudança não foi uma boa ideia todos estão péssimos eu só queria desfazer tudo. Disse em um só folego.

_ Não se pode desfazer o que foi feito Bells... Só podemos tentar melhorar as coisas. Disse de forma dura.

_ Quando os rapazes disseram que não conseguiam falar com você de modo algum pensamos o pior e Nessie...

_ Embry me contou que ela não ficou bem. Ele já devia saber o que acontecera, e também se culpava.

_ Não vou mentir pra você Jake ela ficou muito mal. Tão mal quanto... Ele sabia como eu tinha ficado, não precisava dizer.

_ Como você quando ele te deixou. Completou.

_ Eh, por aí... disse com pesar.

_ Eu não queria que tivesse sido assim... Ele parecia abatido, dor e exaustão tornavam sua voz disforme.

_ Não foi sua culpa Jake... E-eu é que sinto muito. Tenho tentado protege-la tão desesperadamente que nem ao menos percebo o quanto estou ferindo os outros nessa tentativa impossível de evitar que qualquer mal lhe aconteça que... quem mais estou ferindo e ela mesma. Confessei-lhe.

_ É assim que os pais mais costuma errar, enquanto acham que estão só nos protegendo.

Ela ficou em silencio. Ele me odiava. Meu melhor amigo me odiava e não podia culpa-lo poie eu mesma me odiava.

_ Boa noite Bells.

_ Boa noite Jake fique bem. Despedi-me engolindo meu choro sem lágrimas.

Depois do retorno de Jacob, enfim tivemos um momento de paz. Jake nos visitava com o máximo de frequência que podia, voltou para escola e estava trabalhando como mecânico o que era perfeito para ele. Renesmee estava feliz novamente, ou pelo menos voltou a interagir conosco, embora ainda passasse muito tempo em seu estúdio de dança. Por um tempo acreditei que enfim podíamos viver em paz. Mais um reles engano.

_ Eu não me oporia a viver eternamente assim. Ronronou Edward em meu ouvido. Senti um arrepio gostoso e passei meus braços sobre sua cintura. Estávamos em nosso quarto desfrutando um do outro, o verdadeiro paraíso na terra.

_ Nem eu. Respondi distribuindo beijos em seu maxilar, quando estava chegando em sua boca um grito altíssimo me fez congelar.

Ele pulou da cama e vestiu as calças e me atirou minhas roupas em menos de um segundo. As vesti e disparei em direção ao quarto de nossa filha, de onde viam os gritos. Edward chegara primeiro e sacudia Renesmee tentando acorda-la. Mas ela continuava dormindo. Apenas quando Jasper chegou e conseguiu acalma-la ela parou de gritar, porem continuou dormindo.

_ O que será que foi dessa vez? Perguntou Emmett. Assim como todos, sua voz era preocupada.

_ Pensei que com a volta do cachorro nossos problemas quanto a seus surtos teriam acabado. Comentou Rose desgostosa.

Assim queríamos. Pensei em silencio.

Depois de um breve exame de Carlisle todos se retiram ficando apenas eu e Edward. Ele brincava com os cachos amassados do cabelo de Nessie enquanto a encarava com o olhar distante.

_ Você viu com o que ela estava sonhando? Perguntei lhe.

Ele ficou em silencio o que me preocupou.

_ Foi tão ruim assim?

_ Eu não sei... Sua voz não foi nada além de um sussurro.

_ O que quer dizer com isso Edward? Um pavor gelado percorreu minha espinha.

_ Não havia nada lá... E-eu não consegui ver nada. Era como se sua mente... Simplesmente não existisse! Sua voz agora beirava ao pânico.

_ Edward você pode ouvi-la agora? Perguntei pegando seu rosto entre as mãos.

Ele assentiu.

_ Sim... Esta sonhando com a partida de Batalha Naval que jogou com Emmett de tarde.

Bom, melhor assim.

_ Me diga exatamente o que viu. Pedi.

_ Esse é o problema Bella, não tinha nada para ver. Sua mente era como um muro preto, mas não como quando tento ler sua mente com o escudo. Era como se simplesmente ela não estivesse em lugar algum, ou pelo menos nenhum que eu pudesse alcançar.

O veneno em minhas veias se tornou gelo. Por Deus o que estava acontecendo agora com minha menina?

Os sonhos não pararam, mas depois de um tempo ela começou a se acalmar sozinha. Acordava assustada e se isolava no estúdio de dança e ficava lá até cair de sono. Uma noite conversei com ela sobre pesadelos ruins que nos assustam e que tinha muitos deles quando era humana, mas que não são nada mais do que isso pesadelos. Então pedi para que ela me contasse com o que estava sonhando. Sua resposta foi ainda mais perturbadora do que estava sendo seu silencio.

_ Eu vi o Jake morrer... Ela estava tão fria quanto a morte ao me segredar isso. Não era por menos que gritasse tanto.

_ É sempre o mesmo sonho?

Ela assentiu.

_ Me conte sobre ele, talvez se sinta melhor se o fizer. Ofereci.

Não devia ter feito isso, porque o que ela me narrou com certeza me teria feito ter pesadelos também se ainda pudesse dormir. Depois daquela noite passeia a dividir minhas noites entre Edward e ela. Deitava-me junto a Renesmee e a embalava durante quase toda a noite com sua pequena mão em minha bochecha. Quando tinha certeza de que os pesadelos não viriam a deixava dormir em paz. Mas quando via sua mente sumir em meio ao sono não me permitindo ver mais nada eu a acordava. Faria tudo que estivesse a meu alcance para que ela não tivesse que ver aquelas imagens novamente.

Uma noite, depois de uma semana insólita de pesadelos cometi o erro de desabafar com Jacob. Não tinha o direito de deixa-lo preocupado também, precisava falar com aguem, mais precisamente um amigo, e ele era meu melhor amigo. Obviamente ele ficou com a pulga atrás da orelha quando não revelei o assunto dos sonhos, mas não precisava que ele resolvesse aparecer no meio da noite como um desvairado pela besteira que eu havia feito.

A festa de 2/7 anos de Nessie foi concebida para ser um encontro entre a corte de Versalhes e o Royal Ballet, com direito a uma apresentação da aniversariante que trouxe lagrimas aos olhos humanos e calor aos corações dos vampiros. Mas Renesmee não apreciou nada da super produção que Alice preparou para ela. Só apareceu para se apresentar e para cantar o parabéns. O resto do tempo ficou no estúdio ensaiando. Fugindo de todos, até mesmo de Jake.

O que ela não esperava era que Jacob e sua insistência quase infantil a fizessem revelar o conteúdo dos sonhos. Eu ouvir a conversa escondida na escada como estava agora. Sentindo-me a pior mãe do mundo por não poder aplacar a dor que meu bebê sentia. Não, Renesmee não era mais um bebê... Na verdade, acho que nunca foi. Ela sempre viu, e compreendeu coisas muito além de sua curta idade. E isso sempre me preocupou, não apenas pelo medo de sua morte prematura, mas também pela perda de sua inocência. Ela ainda tinha alguma, isso todos podiam notar, mas até quando? Todas essas perdas e dores a forçaram a amadurecer ainda mais cedo do que seu acelerado crescimento fazia.

O começo de uma nova musica me tirara de meus devaneios e lembranças. Já ficara tempo demais naquela escada e não queria ser pega espiando por ninguém. Desci os e fui em direção a cozinha para preparar o almoço daqueles dois, isso se Esme não tivesse passado a minha frente.